Saúde

Prefeitos e secretários pedem para manter cubanos no Mais Médicos

Secretários municipais de Saúde e prefeitos reagiram hoje (14) à interrupção da cooperação técnica entre a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o governo de Cuba, que possibilitava o trabalho de cerca de 8,5 mil profissionais cubanos no programa Mais Médicos. Em nota conjunta, o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) apelam para a manutenção dos profissionais cubanos no Brasil sob risco de faltar atendimento à população.

Segundo as entidades, com a decisão do Ministério da Saúde de Cuba de rescindir a parceria, mais de 29 milhões de brasileiros poderão ficar desassistidos da atenção básica de saúde. Eles pediram que o presidente eleito Jair Bolsonaro reveja a decisão de aplicar novas exigências para a permanência dos cubanos no país.

“As entidades pedem a revisão do posicionamento do novo Governo, que sinalizou mudanças drásticas nas regras do programa, o que foi determinante para a decisão do governo de Cuba. Em caráter emergencial, sugerem a manutenção das condições atuais de contratação, repactuadas em 2016, pelo governo Michel Temer, e confirmadas pelo Supremo Tribunal Federal, em 2017”, diz a nota.

Cubanos

Os profissionais de nacionalidade cubana representam, atualmente, mais da metade dos médicos do programa, o que poderá acarretar em “um cenário desastroso” para pelo menos 3.243 municípios. “Dos 5.570 municípios do país, 3.228 (79,5%) só têm médico pelo programa e 90% dos atendimentos da população indígena são feitos por profissionais de Cuba”, informa a nota.

O Conasems e a FNP lembram ainda que o Mais Médicos é amplamente aprovado pelos usuários, com 85% de satisfação em relação à melhoria na assistência em saúde após a implantação do programa.

“Cabe destacar que o programa é uma conquista dos municípios brasileiros em resposta à campanha ‘Cadê o Médico?’, liderada pela FNP, em 2013. Na ocasião, prefeitas e prefeitos evidenciaram a dificuldade de contratar e fixar profissionais no interior do país e na periferia das grandes cidades”, afirmam prefeitos e secretários de saúde na nota.

Segundo as entidades, a cooperação com o governo de Cuba impactará negativamente no sistema de saúde, aumentando as demandas por atendimentos nas redes de média e alta complexidade, além de agravar as desigualdades regionais, já que a maioria dos médicos está espalhada no interior das regiões Norte e Nordeste.

“O cancelamento abrupto dos contratos em vigor representará perda cruel para toda a população, especialmente para os mais pobres. Não podemos abrir mão do princípio constitucional da universalização do direito à saúde, nem compactuar com esse retrocesso”, encerra a nota.

O presidente eleito afirmou mais cedo que pretende manter o programa, mas substituir os mais 8 mil profissionais cubanos por brasileiros ou estrangeiros de outros países. Ele afirmou que os cubanos que quiserem atuar no país devem revalidar os diplomas e se adequarem a novas regras.

Abertura de 10 mil vagas

À Agência Brasil, o presidente do Conasems, Mauro Junqueira, afirmou que pediu ao ministro da Saúde, Gilberto Occhi, que o próximo edital de reposição de vagas no Mais Médicos, que previa a contratação de 1,6 mil profissionais, seja ampliado para 10 mil vagas, a fim de minimizar o impacto da saída dos cubanos. O edital poderá sair já na semana que vem.

“Minha impressão é de que os médicos cubanos devem ir embora até o fim de dezembro. Temos que ter agilidade do ministério de fazer esse chamamento”, afirmou Mauro Junqueira.

O presidente do Conasems lembra que os atuais editais do programa priorizam médicos brasileiros formados no país, seguido de médicos brasileiros formado no exterior, estrangeiros e só em último lugar a contratação de cubanos. Mesmo assim, uma demanda emergencial de tantos profissionais pode dificultar a reposição das vagas.

“A partir de segunda, vamos ter 10 mil vagas. Será que vamos ter 10 mil médicos para colocar no lugar?”, questionou.

Agência Brasil

Opinião dos leitores

  1. Tá certo !
    Que absurdo , o médico trabalha e Cuba fica com 70% do salário e não pode trazer a família.

  2. Não adianta chorar o leite derramado, Bolsonaro falou que faria e fez, agora e pegar os médicos brasileiros e botar pra trabalhar no interior e nas periferias, o mais importante é colocar alguns coronéis pra fiscalizar se os medicos estão indo trabalhar ou batendo o ponto e indo trabalhar em clinicas particulares como ja foi mostrado diversas vezes na midia nacional, se é para moralizar vamos fiscalizar.

    1. O que justifica manter os médicos cubanos em condições sub humanas trabalhando?
      Eles trabalham e o salário é confiscado pelo governo cubano;
      Eles trabalham e não tem direito a vivência com suas famílias que são impedidas de sair de Cuba pelo regime opressor e regido por ditador;
      Qual a razão do privilégio dos médicos cubanos poderem trabalhar sem fazer o revalida?
      Existem mais de 20 mil médicos brasileiros no exterior querendo uma oportunidade para voltar ao país e que podem vir trabalhar de forma livre, recebendo diretamente seus salários e convivendo com suas famílias.
      Se os médicos brasileiros são elite e não querem ir as cidades ribeirinhas e do interior, que venham médicos dos outros países do mundo que não vivam reprimidos por uma ditadura como as de Cuba e Venezuela.

    2. Francisco a época de fake news acabou. Deixe de espalhar mentiras. Os cubanos podem trazer família e recebem em torno de 4mil reais, além de diárias e hospedagens pagas pelas prefeituras.
      Mentira q existem 20k médicos brasileiros no exterior querendo trabalhar aqui. No mais médico a prioridade é para BRASILEIROS q têm preferência mas a maioria não quer.
      Nao deixe seu ódio ideológico te cegar. São pessoas simples e humildes q sofreram com esss atitude irresponsável do seu presidente.

    3. Querem matar os pobres contratando profissionais que nao foram revalidados.. ou seja, que se dizem medicos no país de origem, mas nao se sabe a formacao se é equivalente… sao proibidos de operar (cirurgias) no Brasil e fazer alguns procedimentos. porque será?

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Economia

Paulo Guedes quer acabar com o ‘toma lá, dá cá’ com o Congresso e faz promessa a novos governadores por apoio a Bolsonaro

Reunião da equipe do presidente eleito Jair Bolsonaro com governadores Foto: Jorge William / Agência O Globo
Reunião da equipe do presidente eleito Jair Bolsonaro com governadores Foto: Jorge William / Agência O Globo

 

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes , aproveitou a primeira reunião com governadores eleitos em 2018, nesta quarta-feira, em Brasília, para colocar em prática a tentativa de negociar as pautas de interesse do governo com os chefes de Executivo, e não com parlamentares.

Ao lado de Bolsonaro, Guedes distribuiu promessas aos governadores, como uma reforma tributária que garanta mais recursos aos estados. Mas exigiu em troca apoio à agenda do governo Bolsonaro. A reforma da Previdência foi tratada como principal item.

– A escalada do governo federal, a hipertrofia, e esse calote sobre governos estaduais são um processo de décadas. Os impostos subiram cerca de 18%, 20% do PIB há 30 anos para até 35%, 36% do PIB atualmente. A União criou contribuições não compartilhadas com estados e municípios. Temos várias reformas em andamento. Vamos estudá-las – disse Guedes, ao iniciar as promessas de mais verbas para os estados.

Segundo o futuro ministro da Economia, umas das reformas em estudo é a tributária, com a possibilidade de unificação dos impostos.

– Em vez de vocês ficarem de pires na mão, tendo que pedir dinheiro toda hora, será o contrário. Se você conseguir unificar esses impostos, ele já chega repartido. Nem precisa passar por Brasília – afirmou.

A cobrança por apoio veio na sequência:

– Querem ajuste (tributário) mais rápido? Participem da reforma previdenciária conosco. Façam um sacrifício – disse.

O almoço foi fechado, sem a presença da imprensa. O GLOBO obteve áudio com o discurso de Guedes.

Para completar o aceno, o economista terminou suas ponderações dizendo que ministros não têm a mesma importância de governadores. Segundo ele, ninguém se lembra os nomes de ministros.

– Importantes são os que foram eleitos, governadores e prefeitos que são os representantes da população – afirmou, cobrando mais uma vez apoio à reforma da Previdência.

Megaleilão

Na saída do encontro, alguns dos governadores informaram que Guedes se comprometeu a dividir com estados e municípios o que for arrecadado no megaleilão do pré-sal, cuja expectativa é que renda aos cofres públicos cerca de R$ 100 bilhões.

– O compromisso é que parte dos recursos serão partilhados com os estados. Ele não detalhou. Ele se comprometeu a compartilhar parte da arrecadação – disse o governador eleito do Distrito.

O GLOBO

Opinião dos leitores

  1. Tem que vender tudo o público no Brasil é só pra manter meia dúzias de vagabundos deveria vender o país também de preferência pra paises desenvolvidos maldita hora que fomos descobertos por portugueses ah pra terminar vamos deixar de sermos hipócritas o petróleo é patrimônio dos brasileiros ??? Então cadê os dividendos na minha conta? Ao invés disso sou assaltado todos os dias com a gasolina mas cara do mundo Bolsonaro por favor venda tudoooooo

    1. Amigo, a gasolina aqui é cara porque a carga tributária é muito alta.
      Você acha que nos EUA a gasolina é mais barata porque a Chevron e a Shell são boazinhas?
      Nunca!
      A carga tributária lá é que permite o preço mais baixo. Se o imposto cobrado aqui fosse igual ao dos EUA, nossa gasolina seria em torno de R$ 2,60!
      Acorda inocente!

  2. Não deixa de ser um toma lá, dá cá. Dizer os governadores para pressionar a bancada em troco de recursos!

    1. Fazendo a mesma coisa que LULADRAO E DILMAO FEZ. Não vi nem um PTralha se revoltado com isso. O único partido a combater a venda dos Campos de petroleo: PSTU,, e sindicato:.CSP_ CONLUTAS. E EU ESTAVA LÁ. NAO É QUE OUVI DIZER.

    2. Fazendo a mesma coisa que LULADRAO E DILMAO FEZ. Não vi nem um PTralha se revoltado com isso. O único partido a combater a venda dos Campos de petroleo: PSTU,, e sindicato:.CSP_ CONLUTAS. E EU ESTAVA LÁ. NAO É QUE OUVI DIZER.

  3. Como foi bem dito aqui e em tantas outros espaços, o Petróleo não é mais nosso!
    A entrega do nosso ouro negro se concretizou e o prêmio para o grande operador dessa engenhosa ação, é o Ministério da Justiça como trampolim para o STF.
    Prender e impedir o Lula de se candidatar fazia parte do plano que começou tomando o poder de Filna por "pedalafas fiscais ".
    Alguma dúvida, aguardem.

    1. Chora mais , seu petista imundo…….Teu presidiário favorito vai apodrecer na cadeia….vá pregar desinformação no cabaré do seu partido safado.

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Saúde

Médicos cubanos se surpreendem com decisão de rompimento. São Paulo é o estado mais atendido e Nordeste a região mais atendida pelo Mais Médicos.

Os médicos cubanos foram pegos de surpresa com o anúncio feito nesta quarta-feira, 14, pelo governo de Cuba de interromper a parceria com o programa Mais Médicos, vigente desde 2013. Profissionais ouvidos pelo Estado não haviam sido avisados por seus supervisores sobre a decisão.

“Fiquei sabendo pelos sites de notícias. Não recebi nenhum comunicado e ainda não tenho informação de como vai ser esse retorno”, disse um cubano, que pediu anonimato. Ele trabalha há quatro anos em uma aldeia indígena no Amazonas. “Antes de eu chegar, a aldeia não tinha médico. Meu contrato, teoricamente, ia até 2020.”

A médica cubana Yasmilsi Zaldivar Silva soube pelo Estado que o governo cubano decidiu deixar o programa Mais Médicos. “Não é possível, não me disseram nada ainda. Estou muito nervosa com essa notícia”, disse. Ela tinha acabado de sair da Unidade Básica de Saúde (UBS) de Tapiraí, cidade de 8 mil habitantes, no interior paulista, e pretendia viajar para a casa de amigos em São Paulo, onde passaria o feriado. “Não sei o que dizer. Tenho minha casa, meus pacientes aqui no Brasil. Tenho uma programação de trabalho”, afirmou.

Em um grupo no Facebook que reúne médicos cubanos que atuam no Brasil, o sentimento também era de surpresa e insegurança. “Só quero que me avisem quando será o transporte massivo para nos prepararmos. Temos coisas aqui que precisaremos vender, não é algo que se faz de um dia para o outro”, disse outra médica cubana na página.

Pelo Twitter , o presidente de CubaMiguel Díaz-Canelsaiu em defesa dos médicos cubanos que participaram do programa Mais MédicosEle afirmou que os médicos prestaram um “valioso serviço ao povo brasileiro” e que atitudes assim devem ser “respeitadas e defendidas”.

Setores de saúde já davam como certo o encerramento da participação de Cuba no programa desde a confirmação da eleição de Bolsonaro para a Presidência. Durante a campanha, o então candidato Jair Bolsonaro havia proposto mudanças que sabidamente não seriam aceitas pelo governo cubano.

ESTADÃO CONTEÚDO

Opinião dos leitores

    1. 16 anos de PT e os problemas de saude nao foram resolvidos.. jogaram profissionais de saude cubanos que se dizem medicos, mas com restricoes profissionais. Nao podem ser revalidados ou atestados no Brasil.. ENtao jogaram para os pobres esses profissionais cubanizados… em areas remotas onde prefeituras desorganizadas sao incapazes de atrair profissionais formados e validados por diploma reconhecido. Gastaram bilhoes e nao formaram medicos no Brasil… e ainda contrataram profissionais duvidosos,…

  1. Que ironia !!! Estadão e Folha defendendo o sistema de escravidão a qual estão submetidos os médicos cubanos.

    1. Quando o viés ideológico cega a pessoa. Por q vc nao destaca o principal, q muitos nordestinos e pessoas de áreas remotas vao sofrer sem a assistência desses médicos?
      Por q vc nao reclama do seu plano de saúde privado q recebe sua mensalidade absurdamente alta e repassa uma ínfima parte por cada consulta pro médico?

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Denúncia

Suíça atribui a PSDB movimentação suspeita de R$ 43 milhões

A Justiça suíça citou pela primeira vez em um documento oficial suspeitas sobre o financiamento de uma campanha presidencial do PSDB, ao mencionar um pedido de cooperação judicial entre o Brasil e o país europeu. No foco da apuração está uma movimentação de cerca de R$ 43,2 milhões bloqueados em contas na Suíça.

As informações constam em uma decisão do Tribunal Penal Federal da Suíça, de 26 de setembro deste ano, que rejeitou recursos apresentados pelos suspeitos para impedir que o processo de cooperação seguisse adiante.

Esse é o segundo caso de colaboração entre Brasil e Suíça que envolve o PSDB. Na primeira solicitação, Berna enviou ao Brasil os extratos bancários das contas atribuídas ao ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza. O Ministério Público da Suíça confirmou, entretanto, que, no caso dos R$ 43,2 milhões, o foco não é o ex-diretor da Dersa.

Por estar ainda sob investigação, porém, os nomes dos suspeitos são mantidos em sigilo.

De acordo com o documento, o Ministério Público Federal brasileiro, em 27 de junho de 2017, apresentou um pedido de assistência judicial à Suíça “em um processo criminal instaurado contra B. e outros por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva”. A letra “B” se refere a um suspeito, cujo nome foi mantido em confidencialidade – a letra não se refere à inicial de seu nome.

Segundo o documento, os suíços mencionam a investigação brasileira e o fato de ela ter uma relação com o financiamento de campanha do partido. De acordo com o tribunal da Suíça, a solicitação de cooperação do Brasil se refere a pessoas que seriam “suspeitas de terem concordado que o grupo C. deveria pagar, em troca da implementação de um contrato de empréstimo celebrado por eles com D. (uma joint venture brasileira ativa no desenvolvimento do serviço rodoviário, controlada por governo do Estado de São Paulo para a construção, exploração, manutenção e gestão de autoestradas e nós intermodais), o dinheiro para financiar a campanha presidencial do PSDB”. Os grupos C e D se referem a empresas cujos nomes tampouco foram revelados.

O pedido de cooperação solicitava em 2017 que os suíços bloqueassem ativos em contas identificadas, que chegariam a R$ 43,2 milhões. De acordo com o Tribunal, isso seria “equivalente a mais de 10 milhões de francos suíços, valor total pago pelo Grupo C. em uma base de corrupção entre 2006 e 2012”.

 

Defesa. Procurada, a cúpula do PSDB afirmou que a atual direção do partido não irá se pronunciar por enquanto, até saber exatamente do que se trata.

ESTADÃO CONTEÚDO

Opinião dos leitores

  1. A JUSTIÇA SUIÇA acusa o PSDB. Registre-se que, a justiça do Brasil é para PPPP; pobres, putas, pretos e petistas.

  2. É por isso e muito mais q o PSDB não teve votos para presidente, só teve alguns corinhos aqui no RN, isso porque a corrupção nesse estado caminha a passos largos sem o devido combate.

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Saúde

Fim de parceria com Cuba irrita prefeitos, que cobram Bolsonaro e ampliam ala de desconfiados

Na prática a teoria é outra

ordem de Cuba para que seus médicos deixem de atuar no Brasil ampliou o número de arestas a serem aparadas pelo governo Jair Bolsonaro (PSL) –já sob profunda desconfiança do Congresso. A crise com os cubanos tem potencial para afetar a relação do presidente eleito com os municípios. Jonas Donizette (PSB-SP), presidente da Frente Nacional de Prefeitos, dá o tom: diz que o Mais Médicos nasceu de demanda da entidade e que “questão ideológica não pode contaminar o serviço público”.

Dois voando

“Foi uma luta nossa, da Frente. O programa pode não ser perfeito, mas ajudou. O presidente eleito, o próximo ministro da Saúde, eles têm que ter uma solução. Não dá para acabar sem ter algo que dê suporte”, diz Donizette, prefeito de Campinas (SP).

Agora

Algumas prefeituras receberam a informação de que Cuba orientou seus profissionais a suspenderem os atendimentos já nesta quarta (14).

Venha de onde vier

Prefeitos pretendem sugerir ao presidente eleito que, se for impossível reaver o pacto com Cuba, o governo faça um chamado a brasileiros formados no exterior para atuar no país sem revalidar o diploma.

PAINEL FOLHA SP

NOTA

Em nota conjunta, a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e o Conselho Nacional dos Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) afirmam que a rescisão do contrato aponta “para um cenário desastroso”, e pedem que o governo do presidente eleito Jair Bolsonaro(PSL) reveja seu posicionamento sobre as mudanças no programa. “Em caráter emergencial, (as entidades) sugerem a manutenção das condições atuais de contratação, repactuadas em 2016, pelo governo Michel Temer, e confirmadas pelo Supremo Tribunal Federal, em 2017”, diz a nota.

De acordo com as entidades, a saída dos cubanos afetaria 3,2 mil cidades, com maior prejuízo para os indígenas, já que 90% dos atendimentos desse grupo são feitos por cubanos.

Prefeitos e governadores também demonstraram preocupação. O governador eleito do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), disse que o fim do programa representa “mais um problema para gestores estaduais e para os municípios, que já estão quebrados.”

O prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), disse que “não é possível acabar com o programa de uma hora para outra”. “É preciso uma intervenção rápida. O governo tem o direito de mudar o programa, desde que tenha capacidade de suprir as demandas”, disse. A Bahia é o segundo Estado com o maior número de cubanos (822), atrás apenas de São Paulo (1.394). O Conselho de Secretários Municipais de Saúde de SP (Cosems-SP) também fez um apelo para que o governo brasileiro aja para tentar evitar que Cuba leve adiante sua decisão.

Opinião dos leitores

  1. Foram colocar um desajustado na presidência do país para atender os interesses da elite fascista do Brasil, agora aguentem as consequências!!!

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Saúde

Pequenas cidades do Nordeste temem sofrer ‘apagão médico’

Encravada no sertão da Bahia, Uauá (a 428 km de Salvador) é conhecida pela carne de bode na brasa, pelo doce de umbu e pelo sotaque castelhano que ecoa em suas unidades básicas de saúde —dos 10 médicos que atendem na cidade, 8 são cubanos.

Com dez postos de saúde e cobertura a 100% de seus 27 mil habitantes, a cidade teme sofrer uma espécie de “apagão médico” com o encerramento do contrato com Cuba no programa Mais Médicos.

A situação deve se repetir em outras cidades do Nordeste, região que recebeu grande parte dos cerca de 8.500 médicos cubanos do programa.

Por ficarem em regiões isoladas e distantes dos grandes centros, os municípios têm dificuldades de contratar médicos brasileiros.

Somente na Bahia, há 846 médicos cubanos atuando em 313 municípios, o que equivale a 20% dos médicos que atuam na atenção básica. A saída deles fará com que a cobertura de atenção básica no estado caia de 63% para 43%.

“Voltaremos para um patamar de oito anos atrás. São quase 3 milhões de baianos que ficarão sem médico”, afirma Cristiano Soster, diretor de atenção básica da Secretaria de Saúde da Bahia.

Em Uauá, onde 44% da população vive na zona urbana e só 7% possui emprego formal, a maioria dos médicos atuam em áreas rurais isoladas. Os moradores dependem do atendimento de médicas como Maria Los Angeles, 46, que vive na cidade desde 2013.

Ela afirma que há poucos dias recebeu uma carta informando que o contrato seria encerrado e que retornaria para Cuba. Ela diz temer pelos seus pacientes, em sua maioria pequenos agricultores.

“Há pessoas que têm doenças crônicas como diabetes, hipertensão e precisam de atendimento continuado. Não dá para parar”, afirma.

Ela refuta os argumentos do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), de que eles estariam fazendo trabalho escravo. Ela diz que o dinheiro que recebe é suficiente para se manter no Brasil e ajudar a mãe e a filha em Cuba: “Para a gente, vale a pena”, diz.

A médica Virgínia Trejo, 49, que atende na cidade de Dias D’Ávila (a 55 km de Salvador) também lamenta o fim do contrato e os questionamentos feitos sobre a formação dos médicos cubanos.

“A gente salvou muita vida aqui”, afirma a médica, que atua há 25 anos na profissão, sendo os últimos quatro deles no Brasil. Por outro lado, Virgínia afirma que está feliz pela possibilidade de voltar para perto da família.

Já o médico Younier Rivera, 34, fará o caminho inverso. Ele atende há cinco anos em Águas Belas (a 303 km do Recife), cidade de 43 mil habitantes em que dos 12 médicos, 9 são cubanos —75% do total.

Com uma rotina que começa às 7h e se encerra somente no fim do dia, ele chega a atender 35 pacientes diariamente na zona rural da cidade.

“A aceitação do nosso trabalho é muito grande. O povo ainda não está acreditando no que aconteceu. Querem fazer um abaixo-assinado para a gente continuar”, diz.

Ele é casado com uma brasileira, tem uma filha de dois anos e ainda tinha mais um ano de contrato com o programa Mais Médicos.

Agora, ele afirma que voltará para Cuba para resolver pendências e planeja voltar ao Brasil para viver junto de sua família. “Mas volto desempregado”, lamenta.

No interior de Pernambuco desde 2013, um médico cubano de 36 anos, que pediu para não ser identificado, diz que o fim do programa é uma das páginas mais tristes da história do Brasil. Segundo ele, em conversas com outros médicos cubanos, a preocupação com o futuro do programa, que já era grande, cresceu com a eleição de Bolsonaro.

O profissional observa que o Mais Médicos deixou vínculos importantes na relação com os pacientes. Segundo ele, os médicos criaram um vínculo muito forte com a população atendida, que ele vê como uma população necessitada.

Outro médico que também integra o programa disse que ainda não sabe o que vai fazer, por ter sido pego de surpresa. Após ter criado uma vida nova no Brasil, não sabe como será o futuro e o que irá fazer.

No estado de Pernambuco, há mil vagas do programa Mais Médicos. Metade delas é preenchida por profissionais cubanos. Grande parte dos médicos atua no interior. Muitos deles renovaram o contrato com o programa no início deste ano.

Fora da região Nordeste, a saída dos médicos cubanos do programa terá maior impacto em áreas indígenas e nas periferias de grandes cidades, sobretudo em regiões conflagradas, onde muitas vezes os cubanos são os únicos que se colocam à disposição para atender a população.

No estado do Rio, dos cerca de 600 profissionais do Mais Médicos, 224 são cubanos. Eles atendem em 48 municípios, incluindo áreas de risco na capital, como favelas dominadas por grupos armados.

Os médicos atendem em clínicas da família ou postos de saúde nos municípios. A expectativa é que 672.000 pessoas podem ser afetadas pela medida no estado do Rio.

FOLHAPRESS

Opinião dos leitores

  1. Como cantarola aquele conterrâneo da governadora-eleita: "Imagine o Brasil ser dividido e o Nordeste ficar independente…"

  2. E pq os governadores não foram pra reunião com Bolsonaro?? Depois ficam reclamando.

  3. O mito vai colocar medicos brasileiros la. Afinal, as criticas dos medicos do Brasil eram tantas ne ? Que eles nao tinham emprego por conta desse programa do PT… eles irao suprir essa necessidade agora.

  4. Absurdo. E o homem ainda nem tomou posse. A cada palavra q esse doido fala é um problema depois para o país. Foi com a China dizendo q nao precisava do mercado deles, depois com o mundo Árabe falando em seguir os EUA e Guatemala ao transferir a embaixada brasileira pra Jerusalém, depois o posto ipiranga disse q o mercosul nao interessava a gente, em seguida falou q a Noruega se cala-se em relação a desmatamento na Amazônia (a Noruega ajuda o Brasil em mais de 1 bilhão de reais por ano na ajuda ao desmatamento). Agora os mais médicos. Realmente tempos tenebrosos estão por vir….

    1. Meu caro.. pobre se lasca pq sao atendidos por profissionais sem diploma validado no Brasil… sao colocados em areas remotas com pouca estrutura e fiscalizacao. O país tb pode produzir esse tipo de profissional, basta dar um upgrade em enfermeiro pra que eles possam passar analgesicos e encaminhar pra medicos. 16 anos de PT e estamos no mesmo lugar. Fajuta esse PT

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Segurança

Forças Armadas estão vacinadas quanto à política, diz novo ministro da Defesa e que imagem do Exército não está “colada” à de Bolsonaro

O general Fernando Azevedo e Silva, assessor do ministro presidente do STF, Dias Toffoli, e indicado por Bolsonaro para o Ministério da Defesa do novo governo
O general Fernando Azevedo e Silva, assessor do ministro presidente do STF, Dias Toffoli, e indicado por Bolsonaro para o Ministério da Defesa do novo governo – Pedro Ladeira – 14.nov.2018/Folhapress

Por FOLHAPRESS

Futuro ministro da Defesa do governo Jair Bolsonaro, o general da reserva Fernando Azevedo e Silva, 64, diz que as Forças Armadas estão vacinadas em relação à política.

Assessor do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, o general considera que a imagem do Exército não está “colada” à de Bolsonaro, que é um capitão reformado e tem um general da reserva como vice.

Azevedo e Silva declarou que a escolha do próximo comandante do Exército não obedecerá necessariamente critério de antiguidade, que levaria à escolha do general Edson Leal Pujol.

Veja a entrevista completa do general clicando aqui: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/11/forcas-armadas-estao-vacinadas-quanto-a-politica-diz-novo-ministro-da-defesa.shtml

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Jornalismo

Chanceler anunciado por Bolsonaro já começou na frigideira

Resultado de imagem para diplomata Ernesto Araújo

Jair Bolsonaro inovou. Criou uma via expressa ligando a escolha de um novo ministro à frigideira. O diplomata Ernesto Araújo migrou instantaneamente do anúncio de sua indicação como novo chanceler para o óleo quente. No início da madrugada desta quinta-feira, o blog testemunhou num restaurante chique de Brasília um conciliábulo de destacados membros da Casa de Rio Branco. Dedicavam-se a organizar uma “resistência” ao que chamaram de “diplomacia do desastre”.

Convocado às pressas, o jantar reuniu oito diplomatas. Todos mais estrelados que o preferido de Bolsonaro. Na definição de um dos presentes, são “servidores sem partido.” Avaliaram que Bolsonaro chutou em gol ao escolher Ernesto Araújo. Marcou para os Estados Unidos. Tentaram enumear vantagens e desvantagens.

De vantajoso, apenas o fato de que o novo chanceler brasileiro não será convidado a tirar os sapatos para uma revista no aeroporto de Washington, como fez Celso Lafer na era FHC. Imaginam que, para poupar a saliva dos agentes da imigração americana, Ernesto Araújo já ”pisará o solo americano descalço”. No mais, tudo seria desvantajoso.

Havia sobre a mesa um tablet, aberto no blog ‘Metapolítica 17’, abastecido com textos de Ernesto Araújo. Extraíram-se previamente dos posts do novo ministro das Relações Exteriores duas aparentes prioridades: “Ajudar o Brasil e o mundo a se livrarem da ideologia globalista” e erguer barricadas contra a “China maoísta que dominará o mundo”.

Além de “envergonhar” a inteligência do Itamaraty, as pretensões seriam “inexequíveis”. O nacionalismo antiglobalista não resistiria a um embate com o ultraliberalismo do Posto Ipiranga Paulo Guedes. Quanto à dominação maoísta, a impossibilidade de ressuscitar Mao Tsé-Tung e os valores que ele representava deixam a cruzada sem alvo.

A prioridade mais “preocupante” de Ernesto Araújo foi sublinhada num artigo escrito para a revista ‘Cadernos de Política Exterior’. Ali, o novo chanceler emite sinais de que não hesitaria em encostar a diplomacia brasileira no potencial que enxerga em Donald Trump para “salvar o Ocidente.” Não há “risco de dar certo”. Salva-se não o Ocidente, mas o projeto de transformar Bolsonaro ”numa versão periférica de  Trump”.

O grupo chegou a um par de conclusões: Bolsonaro colocou no comando do Itamaraty não um chanceler, mas um espelho para refletir suas próprias idiossincrasias. De resto, haverá não um, mas dois chefes do Itamaraty: o oficial, em Brasília, e seu padrinho Olavo de Carvalho, que patrocinou sua indicação desde os Estados Unidos.

Consolidou-se no grupo a ideia é ampliar a “resistência” inaugurada de madrugada utilizando uma ferramenta muito apreciada por Bolsonaro: o WhatsApp. Deseja-se transferir Ernesto Araújo da frigideira para o micro-ondas. Se funcionar, o novo ministro chegará ao dia da posse, em 1º de janeiro, já bem passado. No limite, disse um dos presentes, “o Itamaraty de Bolsonaro vai virar não uma sucursal de Washington, mas do Vietnã.”

JOSIAS DE SOUZA

Opinião dos leitores

  1. Não dá pra acreditar na falha de SP. Nem ler.
    Portal ptralha. Verdadeiro engenho de fake News.

  2. BG, sinceramente não tenho mais natureza para ler matérias da Folha de São Paulo, Josias de Souza entre outros, estes não são apenas do contra na verdade são incitadores do quanto pior, melhor.
    Tudo santo dia são matérias depreciativas e carregadas de ranço hoje contra o presidente eleito e ainda não diplomado e empossado, uma palavra dele é o suficiente para uma página inteira.
    Qualquer nome ventilado por futuro membro de sua equipe vão pra cima como urubus na carniça.
    Fico imaginando se Dom Helder Câmara fosse vivo e pôr um lapso de uma bricandeira o seu nome citado com indicado como será que a impressa
    "marrom" iria se virar para arrumar adjetivos prejorrativos para macular a sua indicação.

  3. Qualquer comentário do Josias de Souza sobre o novo governo é opinião da Folha. Então, não tem validade jornalística. São oriundos de fontes duvidosas como o da reportagem do Whatsapp na eleição que foi desmentido por todas as redes sociais. Esse oito diplomatas não entram descalços no Estados Unidos, entram sem roupa, então, falar de um Chanceler descalços é elogio.

  4. Reuniu oito diplomatas de esquerda alinhado com agendas socialistas e globalistas. Tudo que a grande imprensa divulgar como ruim é porque é bom.

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Jornalismo

Depoimento de Lula abre caminho para condenação no caso do sítio de Atibaia

POR JOSIAS DE SOUZA

Inquirido durante quase três horas no processo sobre o sítio de Atibaia, Lula intercalou ataques desconexos e respostas inconsistentes (assista à íntegra aqui). A agressividade foi domada pela contrarreação da juíza Gabriela Hardt, a substituta de Sergio Moro. A inconsistência serviu de matéria-prima para o cerco promovido pela força-tarefa da Lava Jato, representada na audiência pelo procurador da República Athayde Ribeiro Costa. Com seu depoimento, Lula como que abriu o caminho que o levará a uma nova condenação.

Ex-presidente mais popular da história desde Getúlio Vargas, protagonista nato, líder desde a primeira mamada, Lula deixou a sala de audiências da 13ª Vara de Curitiba como um pobre-diabo indefeso. Incapaz de enxergar o que se passava sob os fios de sua barba, alegara ter tomado conhecimento das obras no sítio por meio do noticiário. O representante do Ministério Público quis saber por que não cogitou procurar os executores da obra —Odebrecht, OAS e o pecuarista José Carlos Bumlai— para realizar o pagamento.

“A chácara não é minha”, escorregou Lula. “As obras não foram feitas pra mim. Portanto, eu não tinha que pagar, porque achei que o dono do sítio tinha pago”, desconversou noutro trecho.

O procurador lembrou que Fernando Bittar, o suposto proprietário, dissera em depoimento na semana passada que não levara a mão ao bolso por imaginar que Lula e sua mulher Marisa Letícia, como beneficiários, pagariam pelos confortos, orçados em R$ 1,02 milhão. Instado a se explicar, Lula complicou-se: “Ele fala e você quer que eu explique?”

Considerando-se que nenhuma empreiteira reformaria graciosamente um sítio pertencente a um desconhecido chamado Bittar, o procurador insistiu em oferecer a Lula uma chance de defesa. Mas o interrogado desperdiçou: “Se ele falou que não pagou, achando que a Marisa tinha pago, eu não tenho mais como perguntar (a ex-primeira-dama Marisa Letícia morreu em fevereiro do ano passado).”

Espremendo-se o que Lula alegou durante o depoimento, chega-se a um enredo que, por inacreditável, seria refugado até como roteiro de telenovela. Nele, a família Lula da Silva se apropria de um sítio alheio. Duas das maiores empreiteiras do país reformam a propriedade. Dizem ter bancado o upgrade com verbas sujas, em retribuição a facilidades obtidas nos governos petistas. O escândalo ganha o noticiário. Vira assunto nas esquinas e nos botecos. Mas Lula, beneficiário dos mimos, jura que nunca tratou do tema.

Viva, Marisa Letícia foi pendurada nas manchetes como responsável pelos primeiros pedidos de reforma do sítio. Entretanto, Lula assegura que não conversou sobre a encrenca nem na alcova. Tampouco perguntou para Bumlai, o pecuarista-companheiro, quem pagou pelas obras. Jamais tratou do assunto com Bittar, o hipotético proprietário do sítio. “Não sou daquele tipo de cidadão que entra na casa dos outros e vai abrindo a geladeira. O cara tem a propriedade, o cara me empresta a propriedade. Eu vou ficar perguntando: ‘O que foi que você fez?.”

Lula declarou que também não lhe passou pela cabeça tocar o telefone para o amigo Emílio Odebrecht. “Por que eu tinha que falar com o Emílio?” Espantou-se não com a generosidade de Léo ‘OAS’ Pinheiro, mas com sua incúria. “O que eu acho grave, que você deveria perguntar, é porque o Léo não cobrou! Porque o Léo não cobrou? O cara que tem que receber é o cara que vai todo santo dia cobrar. O cara que tem que pagar, se puder nem passa perto.”

O procurador que inquiria Lula não passou recibo. Pacientemente, refrigerou a memória do líder máximo do PT. Disse que o sócio da OAS não lhe apresentara a fatura referente ao sítio porque já se considerava pago e satisfeito com as contrapartidas que amealhara em negócios firmados com a Petrobras.

Lula cobrou várias vezes durante o interrogatório a exibição de provas que atestassem que ele seria o proprietário do sítio. Foi informado de que, neste processo, a questão da propriedade do imóvel não é crucial. O que está em causa é a corrupção e a lavagem de dinheiro estampadas nas obras feitas em seu benefício com dinheiro saqueado do Estado.

Logo na abertura da audiência, Lula sinalizou a intenção de conturbar. A juíza perguntou-lhe se estava ciente das acusações que pesavam contra ele. Lula disse que não. Corrupção e lavagem de dinheiro, disse a substituta de Sergio Moro, resumindo o conteúdo dos autos num parágrafo. Lula tentou fazer pose de João sem braço: “Não, não, não, não. Eu imagino que a acusação que pesava sobre mim é que eu era dono de um sítio em Atibaia.”

A juíza Gabriela Hardt reiterou o que acabara de dizer. Lula voltou à carga: “Doutora, eu só queria perguntar, para o meu esclarecimento, porque eu estou disposto a responder toda e qualquer pergunta: eu sou dono do sítio ou não?” Ao farejar as intenções do interrogado, a magistrada apressou-se em puxar as rédeas:

“Senhor ex-presidente, isso é um interrogatório. Se o senhor começar neste tom comigo a gente vai ter problema. Então, vamos começar de novo: Eu sou a juíza do caso, eu vou fazer as perguntas que eu preciso para que o caso seja esclarecido, para que eu possa sentenciá-lo ou algum colega possa sentenciá-lo. Então, num primeiro momento, eu quero dizer que o senhor tem todo o direito de ficar em silêncio. Mas, neste momento, eu conduzo o ato.”

Na última metade da sessão, Lula voltaria à carga: “Eu vim aqui pensando que vocês iam me desmoralizar, pegar uma escritura, mostrar que eu paguei, que eu recebi (a escritura do sítio). Vocês não fizeram nada disso”. Puxa daqui, estica dali, o representante da Lava Jato ofereceu corda para que o réu enforcasse seus advogados. “Se o senhor não sabe qual é o objeto da ação, é um problema da defesa técnica do senhor. Se o senhor se sentir indefeso, pode chamar a Defensoria Pública.”

No ápice do interrogatório, o procurador aplicou em Lula algo muito parecido com um xeque-mate: “No caso do tríplex, o senhor alegava que as obras de melhorias do apartamento não foram para o senhor sob o argumento de que o senhor nem ia lá. Agora, o senhor constantemente estava no sítio, mantinha lá bens pessoais de toda ordem e os empresários alegam que a obra era para o senhor. Eu gostaria do senhor qual é a explicação que o senhor tem para isso, senhor ex-presidente?”

Lula tentou desconversar. Seu advogado, Cristiano Zanin, interveio. Houve um princípio de barraco. O réu cavou um intervalo providencial. Pediu para ir ao banheiro. Ao retornar, Lula ouviu o procurador repetir a mesma pergunta. A flacidez da resposta potencializou a impressão de que o presidiário petista estava mesmo indefeso.

“Eu vou dar a explicação. Primeiro do tríplex: o tríplex não era, não é e não será (meu). A história vai mostrar o que aconteceu nesse processo. Segundo, o sítio: Eu vou lá porque o dono do sítio me autorizou a ir lá. Tá? Que bens pessoais que eu tinha no sítio? Cueca, roupa de dormir, isso eu tenho em qualquer lugar que eu vou. E nenhum empresário pode afirmar que o sítio é meu se ele não for meu.”

“Mas eles afirmaram que fizeram obras para o senhor”, insistiu o procurador. Lula perdeu a linha: “Ah, meu Deus do céu, sem eu pedir. Você não acha muito engraçado alguém fazer uma obra que eu não pedi? E depois alguém negociar uma delação sob a pressão de que é preciso citar o Lula. E vocês colocam isso como se fosse uma verdade! …Eu repudio qualquer tentativa de qualquer pessoa dizer que foi feito uma obra para mim naquele sítio. Porque se o Fernando Bittar amanhã vender o sítio…”

Nesse ponto, o procurador esclareceu que, mantido o fio condutor da defesa, Lula não enxergaria senão pus no fim do túnel. Explicou que a condenação independe de um pedido formal para a realização das obras bancadas com verbas de má origem: “O senhor pode alegar que não pediu. Mas o crime de corrupção tem a modalidade receber.”

O depoimento desta quarta-feira foi o terceiro que Lula prestou à Justiça Federal em Curitiba. No caso do tríplex, foi condenado em primeira e segunda instância. Cumpre pena de 12 anos e um mês de cadeia. O processo sobre a compra de um apartamento e de um terreno que seria usado para abrigar o Instituto Lula aguarda uma sentença da juíza Gabriela Hardt. E o caso do sítio entrou na fila na forma de uma condenação esperando para acontecer.

Para desassossego de Lula, seu drama penal vai virando parte da paisagem. A multidão que o prestigiou nos dois primeiros depoimentos de Curitiba ficou em casa. A vigília nos arredores da Superintendência da PF, onde está preso, minguou. Dessa vez, poucos apoiadores faziam barulho nas ruas de Curitiba. Nas proximidades do fórum, não houve bloqueio de ruas nem fechamento de lojas. O aparato de segurança sofreu lipoaspiração.

Lula coleciona façanhas políticas que poderiam tê-lo guindado à condição de estátua. Mas até os seus apoiadores parecem recusar o papel de testemunhas de uma fase em que o grande ídolo, auto-convertido em pardal de si mesmo, suja com depoimentos desconexos a própria testa de bronze. No seu primeiro encontro com a juíza substituta, Lula percebeu que seu futuro penal está agora nas mãos de uma versão feminina de Sergio Moro. Logo, logo o PT terá de incluir uma nova personagem no rol de ”perseguidores políticos” do grande líder.

– Em tempo: Leia aqui notícia sobre nota divulgada pela defesa de Lula após o depoimento.

Opinião dos leitores

  1. Em vez de ficar fazendo 'vaquinha' para pagar suas contas em atraso, o PT bem que poderia montar uma agência de receptivo em Curitiba e converter Luladrão em atração turística na capital paranaense… Mas turismo demanda trabalho, e trabalho absolutamente não é com o PT.

  2. As mentiras do nove-dedos estão se esgotando… a fórmula de emparedar o juiz deu errado. A juíza deu-lhe um tranca e o chamou de ignorante… pobre de espírito… perdeu tempo em acusar e negar qualquer delito ao invés de realmente se defender… depoimento de pura MEA CULPA

  3. Um bandido presidiário perigosíssimo travestidos de autoridade, verdadeiro desfeita com razoável. Escárnio.

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Política

Lula chama Moro de “amigo de Youssef” e juíza reage: “É melhor o senhor parar com isso”

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou o juiz Sergio Moro de ser amigo do doleiro Alberto Youssef durante interrogatório, nesta quarta-feira (14), no processo da Operação Lava Jato sobre reformas feitas por empreiteiras em um sítio de Atibaia (SP) usado pelo petista. A declaração motivou uma repreensão da juíza Gabriela Hardt, que conduziu a audiência.

Lula fez a acusação quando respondia uma pergunta feita por seu advogado, Cristiano Zanin Martins, sobre como eram feitas as indicações para a diretoria da Petrobras. Neste processo, entre outras acusações, o MPF (Ministério Público Federal) afirma que o ex-presidente comandou um esquema criminoso na estatal, envolvendo a nomeação de diretores que teriam aceitado propinas de empreiteiras em troca de benefícios em contratos.

O ex-presidente começou respondendo que a nomeação levava em conta uma análise da idoneidade dos indicados feita pelo GSI (Gabinete de Segurança Institucional), órgão vinculado à Presidência da República. No fim da declaração, o petista faz a afirmação vinculando Moro a Youssef.

“Eu não sei por que cargas d’água, no caso Petrobras, houve essa questão de jogar suspeita sobre indicações de pessoas. É triste, mas é assim. Possivelmente, por conta de que o delator principal é o [Alberto] Youssef, que era amigo do Moro desde o caso do Banestado (Banco do Estado do Paraná). É isso, lamentavelmente é isso”, disse

Youssef foi um dos primeiros delatores da Lava Jato, em 2014, e teve seu acordo homologado por Moro. O juiz também homologou, uma década antes, o acordo de delação de Youssef por sua colaboração com as investigações do escândalo do Banestado. Este primeiro acordo chegou a ser invalidado pelo próprio Moro depois da prisão de Youssef na Lava Jato, pois o magistrado entendeu que o doleiro tinha quebrado o pacto ao voltar a cometer crimes.

Assim que Lula associou Moro a Youssef, a juíza Gabriela Hardt — que substitui o juiz desde que ele aceitou o convite para ser ministro da Justiça no governo eleito de Jair Bolsonaro (PSL) — repreendeu o ex-presidente por meio de seu advogado.

“Doutor, por favor. Ele não vai fazer acusações sobre meu colega aqui”, disse ela.

Lula respondeu que não estava fazendo acusações, mas “constatando um fato”.

“Não é um fato, porque o Moro não é amigo do Youssef e nunca foi”, rebateu a juíza.

“Mas manteve ele [Youssef] sob vigilância 8 anos”, prosseguiu Lula.

“Ele não ficou sob vigilância 8 anos, e é melhor o senhor parar com isso”, afirmou Hardt, encerrando a discussão.

A força-tarefa do MPF na Operação Lava Jato acusa Lula de ter cometido os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo os procuradores, o ex-presidente teria favorecido as construtoras Odebrecht e OAS em contratos dentro do esquema de corrupção na Petrobras.

O MPF também afirma que Lula recebeu cerca de R$ 1 milhão em propina da Odebrecht, da OAS e do pecuarista José Carlos Bumlai na forma de obras no sítio de Atibaia, e que a vantagem indevida seria oriunda do esquema de corrupção na Petrobras.

A defesa do ex-presidente nega todas as acusações e diz que ele é alvo de perseguição política. O ex-presidente foi o último dos 13 réus do processo a ser interrogado.

UOL

Opinião dos leitores

  1. Está na hora de moro entrar com uma ação criminal e outra cível contra esse desprezível escremento de animais.

  2. Coisa de moleque rapaz, coisa de menino. Esse luladrao é um desclassificado mesmo. Vai levar uma peia maior ainda, ele não tem jeito. E pior, não se comporta nem como homem.

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Judiciário

Em reunião com ministros do STF, Temer não se compromete em sancionar reajuste

Foto: Presidência da República

Sob pressão para vetar reajuste salarial para o Poder Judiciário, o presidente Michel Temer não se comprometeu nesta quarta-feira (14) a sancionar proposta que concede um aumento de 16,38% aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

A posição, diferente da adotada por ele em agosto, foi manifestada em encontro, no Palácio do Jaburu, com os ministros da Suprema Corte José Dias Toffoli e Luiz Fux e dos Direitos Humanos, Gustavo Rocha.

O encontro foi marcado para que os magistrados apresentassem ao presidente os dados que mostram que o aumento não causará impactos nos gastos do Judiciário federal. Segundo eles, os tribunais superiores e os regionais federais já remanejaram recursos para fazer frente ao reajuste.

Com a postura do presidente, os ministros da corte tiveram a impressão, de acordo com relatos, de que surtiram algum efeito as pressões para que ele vete a proposta. Nos últimos dias, além do presidente eleito Jair Bolsonaro, setores da opinião pública e parcela dos governadores eleitos têm defendido que ele não conceda o aumento.

Em agosto, Temer se mostrou disposto a sancionar a medida em acordo firmado com Toffoli. Pelo trato, ele daria respaldo ao aumento em troca da extinção do auxílio-moradia, hoje pago indiscriminadamente a todos os juízes e membros do Ministério Público.

Em conversas reservadas, Temer vinha confirmando a sanção, mas dizia que a faria perto do fim do prazo constitucional de 15 dias úteis, ou seja, até 28 de novembro. O objetivo de segurar ao limite, segundo assessores presidenciais, era tentar arrefecer a repercussão negativa em torno do aumento.

A mudança, no entendimento dos magistrados, deve-se à divulgação de informações equivocadas de que o reajuste aumentará o rombo nas contas públicas. Na avaliação do STF, os dispêndios nos estados, por causa do efeito cascata, não devem ser creditados na conta do Judiciário federal.

No final da conversa, Temer disse que vai procurar o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, para discutir novamente o assunto. Não há como Temer delegar o assunto para Bolsonaro. Decorrido o prazo, se o presidente não se manifestar, o silêncio imporá sanção.

Caso seja concedido o aumento, o salário dos ministros irá dos atuais R$ 33,7 mil para R$ 39,3 mil.

Folhapress

Opinião dos leitores

  1. Todo mundo sabe que se o acordo for fechado, o país que de vez. A negociação com Bolsonaro é pra vê se ele livra seus coros da justiça, vai ser o famoso toma lá dá cá.

  2. Todo m7nos sabe que se o acordo for fechado, o país que de vez. A negociação com Bolsonaro é pra vê se ele livra seus coros da justiça, vai ser o famoso toma lá dá cá.

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Economia

Dólar fecha em queda, cotado a R$ 3,78

O dólar comercial fechou o pregão de hoje (14) em queda de 1,28%, cotado a R$ 3,7822 para venda, encerrando os últimos dois dias de fechamento em alta. A desvalorização da moeda norte-americana nesta quarta-feira é a maior desde 26 de outubro.

O índice B3, da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), fechou em alta de 1,25%, com 85.973 pontos.

Os papéis da Petrobras encerraram o dia com valorização de 2,68%; os do Itaú, em alta de 0,39%; e os do Bradesco com mais 0,94%. As ações da Vale caíram 2,61%.

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Judiciário

STF: punir motorista que foge do local do acidente é constitucional

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Na tarde desta quarta-feira (14) o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por maioria de sete votos a favor e quatro contra, que o Artigo 305 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que exige a permanência do motorista no local do acidente, é constitucional. O julgamento tem repercussão geral, ou seja, a decisão vale para casos semelhantes em todas as instâncias da Justiça.

O relator do caso, ministro Luiz Fux, argumentou em seu voto que o direito à não autoincriminação e ao silêncio, previstos no Artigo 5° da Constituição Federal, não deve ser interpretado como direito do suspeito, acusado ou réu, de não participar de medidas de cunho probatório. “O princípio da proporcionalidade propugna pela defesa dos direitos fundamentais sempre. E a responsabilização penal de quem foge do local do acidente no Código de Trânsito tem apoio constitucional”, disse.

A decisão do STF seguiu o mesmo entendimento da procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Ela se manifestou a favor da constitucionalidade da regra durante a sessão do STF e defendeu que o artigo do CTB não representa autoincriminação por parte do condutor do veículo envolvido em um acidente.

“Esta atitude de permanência no local do acidente, em nada contrasta com a garantia constitucional de não autoincriminação, pois não obriga que ele produza prova contra si próprio, muito menos que preste, obrigatoriamente, declarações a qualquer autoridade que chegue à cena do acidente”, disse durante sua sustentação oral.

Os ministros Celso de Mello, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Marco Aurélio votaram pela inconstitucionalidade do artigo.

Impacto no número de acidentes

Durante sua fala, Raquel Dodge citou a meta estabelecida pelas autoridades para a redução do número de mortes em acidente no país para 19 mil pessoas até 2020. Ela citou dados do Ministério da Saúde de 2014, quando o Brasil registrou mais de 37 mil mortes no trânsito.

Para a PGR, o Artigo 305 estimula a responsabilidade solidária e tem impacto positivo na redução de acidentes. “Ao criminalizar a conduta, o legislador quis sinalizar que o condutor tem responsabilidade solidária na cena do acidente para socorrer as vítimas, para não desfazer a cena do acidente, para estar ali na chegada da autoridade de trânsito ou de saúde”, concluiu.

Agência Brasil

Opinião dos leitores

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Política

Lula diz ter ‘dúvidas’ de que Marisa pediu obras em sítio à Odebrecht

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou depoimento nesta quarta-feira, 14, no processo da Operação Lava Jato que apura se ele recebeu 1 milhão de reais em propina de empreiteiras por meio de reformas e obras de benfeitorias em um sítio em Atibaia (SP). Na oitiva, que durou cerca de três horas, Lula negou à juíza federal substituta Gabriela Hardt que seja dono oculto da propriedade e afirmou não saber sobre as obras no sítio, que começaram no final de 2010, quando ele se preparava para deixar o Palácio do Planalto.

O petista disse que tem “muita dúvida” a respeito das versões de delatores da Lava Jato, como os empresários Marcelo e Emílio Odebrecht, de que a ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, falecida em fevereiro de 2017, pediu para que a empreiteira assumisse as obras no sítio diante de atrasos nos trabalhos de uma equipe contratada pelo pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), a Odebrecht gastou 700.000 reais em obras no sítio.

“Eu tenho muita dúvida se a dona Marisa pediu pra fazer reforma, como ela não está aqui para se explicar, eu fico com a minha dúvida”, disse.
Diante de citações feitas por Gabriela de que tanto Bumlai quanto o ex-assessor presidencial Rogério Aurélio Pimentel relataram em seus depoimentos terem ido ao sítio de Atibaia com Marisa, o ex-presidente declarou que “agora fica fácil citar o nome de dona Marisa porque ela morreu. Não acredito que a dona Marisa tivesse relação para pedir para uma empresa fazer obras”.

“A Marisa não tinha, no meu conhecimento, nenhuma relação com a Odebrecht”, declarou o ex-presidente. Ele afirmou que quando conheceu o sítio, no dia 15 de janeiro de 2011, as obras já estavam concluídas. “A única coisa que eu tenho tranquilidade de dizer que eu não sei quanto custou, quanto gastou, quem fez, porque fez e o que fez, quem pode dizer isso é o dono do sítio”, disse.

Pimentel, que teve cargo de confiança junto à Presidência da República entre 2003 e 2011, admitiu em depoimento na última segunda-feira, 12, que fez pagamentos a fornecedores das obras no sítio. Ele recebia envelopes com dinheiro vivo do engenheiro da Odebrecht Frederico Barbosa, que por sua vez recebia os valores de Emyr Diniz da Costa, outro engenheiro da empreiteira. O dinheiro entregue a Costa era retirado do setor de propinas da empreiteira.

Lula não soube explicar porque uma nota fiscal de material para a obra, emitida em nome de Frederico Barbosa, encarregado pela Odebrecht no sítio, foi encontrada pela Polícia Federal em seu apartamento em São Bernardo do Campo (SP), durante a 24ª fase da Lava Jato.

Sobre os elementos apresentados pelo MPF de que Lula se comportaria como dono da propriedade, visitando-a com frequência e sendo hospedado na sede, Lula disse que era uma “deferência, que recebia tanto lá na chácara quanto recebia no palácio da rainha da Inglaterra, da rainha da suécia, inclusive no Kremlin [sede do governo da Rússia]”.

Cozinha paga pela OAS

O ex-presidente também negou “veementemente” que o PT, por meio do ex-tesoureiro João Vaccari Neto, tivesse uma “conta geral de propinas” com a OAS, alimentada com dinheiro desviado de contratos públicos, conforme depoimentos do empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da empreiteira baiana. Segundo Pinheiro, os 170.000 reais usados pela OAS para comprar uma cozinha de luxo para o sítio, em 2014, saíram da suposta conta.

Lula alegou à juíza que não sabe porque Léo Pinheiro e o arquiteto Paulo Gordilho, também da empreiteira, ofereceram “um pacote de mobília para a cozinha”. O petista relatou que eles disseram que seria algo “muito barato”. “A dona Marisa se recusou, dizendo que ela tinha as coisas prontas. Mas foi feito [a cozinha]. Se foi feito, eu trabalho com a ideia de que alguém pagou. Ou a Marisa ou o Fernando Bittar [dono formal do sítio] pagaram”, concluiu.

Quando a magistrada disse que Bittar declarou em depoimento que não pagou pela cozinha, o ex-presidente disse que não sabe se Marisa pagou, mas que confia plenamente na ex-primeira-dama. “Se ela não pagou é porque alguém convenceu ela que não precisava receber”, argumentou. “Eu não paguei porque não conversei com ele [Léo Pinheiro] sobre isso”, disse Lula.

Veja

Opinião dos leitores

  1. Esse Lula é um descarado mesmo. Acabou o tempo das prosas, das piadas é do jogo de palavras luladrao, ou vc vai falar sério ou vai crescer mais ainda sua pena na cadeia. Eita Adevogado fracos, dão nem um puxão de oelha nesse conversador de besteiras. Ele só faltou chamar a juíza de imbecil é idiota. É um desclassificado mesmo.

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Saúde

Ministério da Saúde lançará edital para ocupar vagas deixadas por cubanos no Mais Médicos

O Ministério da Saúde informou nesta quarta-feira (14) que lançará nos próximos dias um edital para convocar médicos que queiram ocupar as vagas a serem deixadas pelos profissionais cubanos do programa Mais Médicos.

Nesta quarta, o Ministério da Saúde Pública de Cuba anunciou a decisão de deixar o programa Mais Médicos, criado durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Cuba enviava profissionais para atuar no Brasil desde 2013. O governo cubano atribuiu a decisão a “declarações ameaçadoras e depreciativas” do presidente eleito Jair Bolsonaro.

“A iniciativa imediata será a convocação nos próximos dias de um edital para médicos que queiram ocupar as vagas que serão deixadas pelos profissionais cubanos. Será respeitada a convocação prioritária dos candidatos brasileiros formados no Brasil seguida de brasileiros formados no exterior”, diz texto de nota divulgada pelo Ministério da Saúde.

De acordo com a nota, o ministério trabalha desde 2016 para diminuir o número de profissionais cubanos no programa Mais Médicos. Segundo a nota, naquele ano havia 11,4 mil cubanos nos Mais Médicos. Atualmente, cubanos ocupam 8.332 das 18.240 vagas do programa, informou o ministério.

Além do edital para convocação de novos médicos, o ministério informou que, entre outras medidas, também vinha estudando uma negociação com estudantes de medicina formados por meio do Programa de Financiamento Estudantil (Fies). “Essas ações poderão ser adotadas, conforme necessidade e entendimentos com a equipe de transição do novo governo”, diz a nota.

O ministério afirma ainda que adotará “todas as medidas” para que médicos brasileiros atendam no programa de “forma imediata”.

Leia a íntegra da nota

Posicionamento do Ministério da Saúde sobre o programa Mais Médicos

O Ministério da Saúde recebeu nesta manhã (14) o comunicado da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), no qual o governo cubano informa que encerrou sua parceira no programa Mais Médicos. Diante do fato, o governo federal está adotando todas as medidas para garantir a assistência dos brasileiros atendidos pelas equipes da Saúde da Família que contam com profissionais de Cuba.

A iniciativa imediata será a convocação nos próximos dias de um edital para médicos que queiram ocupar as vagas que serão deixadas pelos profissionais cubanos. Será respeitada a convocação prioritária dos candidatos brasileiros formados no Brasil seguida de brasileiros formados no exterior.

Desde 2016, o Ministério da Saúde vem trabalhando na diminuição de médicos cubanos no programa. Até aquela data, cerca de 11.400 profissionais de Cuba trabalhavam no Mais Médicos. Neste momento, 8.332 das 18.240 vagas do programa estão ocupadas por eles.

Outras medidas para ampliar a participação de brasileiros vinham sendo estudadas pelo Ministério da Saúde, como a negociação com os alunos formados através do FIES (Programa de Financiamento Estudantil). Essas ações poderão ser adotadas, conforme necessidade e entendimentos com a equipe de transição do novo governo.

O Ministério da Saúde reafirma e tranquiliza a população que adotará todas as medidas para que profissionais brasileiros estejam atendendo no programa de forma imediata.
G1

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Saúde

Coniacc e PRF se unem em ações pelo país contra o câncer infantojuvenil

Ninguém vence esse combate sozinho! Uma luta diária e que precisa da ajuda de milhares de pessoas. A Confederação Nacional das Instituições de Apoio e Assistência à Criança e ao Adolescente com Câncer – CONIACC junto com as mais de 50 instituições e casas de apoio filiadas espalhadas pelo Brasil vão promover neste mês, várias ações importantes de alerta e conscientização ao diagnóstico precoce em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil (DNCCI) – dia 23 de novembro. A Polícia Rodoviária Federal – PRF também participa desta corrente através de suas unidades em cada estado brasileiro.

Entre os principais objetivos da data estão: estimular ações educativas e preventivas relacionadas ao câncer infantojuvenil; promover debates e eventos sobre as políticas públicas de atenção integral às crianças e adolescentes com câncer; apoiar as atividades organizadas e desenvolvidas pela sociedade civil em prol dos pacientes; difundir os avanços técnico-científicos relacionados à doença e apoiar as crianças, adolescentes e seus familiares. Após 10 anos de concretização no calendário nacional por meio da Lei de Nº 11.650, de 4 de abril de 2008 – Projeto de Lei Nº 7.103 de 2006, o Dia de Combate ao Câncer Infantojuvenil continua a operar, intensamente, na orientação e divulgação de informações em torno deste problema que atinge milhares de jovens anualmente.

Além da atuação junto às filiadas, no decorrer deste mês, a CONIACC conta com o apoio da Polícia Rodoviária Federal – PRF. Durante a campanha, a PRF executa o projeto “Policiais Contra o Câncer Infantil” na realização de ações em todos os estados do Brasil, nos quais são designados membros das comissões de direitos humanos da PRF que tenham conhecimento na temática para atuação em eventos de integração com crianças e adolescentes, levando sorrisos, força, auxílio material e moral.

O presidente da CONIACC, Rilder Campos, fala sobre a data. “O DNCCI já é celebrado há 10 anos pelas instituições no Brasil e chega para finalizar todo um processo de trabalho e dedicação que acontece ao longo do ano. Celebramos a data colocando em vista a divulgação dos sinais e sintomas da doença para que a sociedade desenvolva uma cultura de entendimento de que o câncer infantojuvenil existe e que pode ser curado se o diagnóstico for realizado precocemente. Todas as instituições e casas de apoio estão mobilizadas em divulgar e promover mais um grande Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil”, explica o presidente, Rilder Campos.

Sobre o câncer infantojuvenil

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer – INCA, o câncer infantojuvenil é uma das principais causas de morte, por doença, em crianças e adolescentes até os 19 anos, sendo superada apenas pelas mortes violentas e acidentes.

Esse tipo de câncer corresponde a um grupo de inúmeras doenças que têm em comum o desenvolvimento descontrolado de células anormais e que podem incidir em qualquer local do organismo. Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias, os do sistema nervoso central e os linfomas.

O INCA prevê que para 2018 sejam diagnosticadas mais de 12 mil crianças com o câncer no Brasil, número que deve se repetir em 2019. E, diferentemente do que pode ocorrer com adultos, o estilo de vida geralmente não tem influência no desenvolvimento de tumores em crianças. Ou seja, as neoplasias são originadas de alterações no DNA que podem acontecer antes mesmo do nascimento.

A CONIACC, por meio das afiliadas no país, faz o alerta durante todo o ano sobre um dos principais fatores que pode transformar essa realidade e reduzir esse número que é o diagnóstico precoce. Os adultos devem e precisam ter mais atenção com as crianças, para que, no caso do aparecimento de qualquer um dos sinais ou sintomas, o tratamento seja iniciado o mais rápido possível. A atuação do diagnóstico precoce é fundamental e pode salvar milhares de vidas em conjunto com o tratamento adequado.

Confira os sinais e sintomas

Palidez progressiva; sangramentos ou manchas roxas sem relação com traumas; febre prolongada sem causa definida; vômitos e dores de cabeça persistentes, principalmente pela manhã; alteração da marcha ou da visão ou diminuição da força em pernas ou braços; caroços em qualquer lugar do corpo; ínguas; dores no corpo que não passam e atrapalham as atividades das crianças e brilho branco nos olhos quando a criança sai em fotografia com flash.

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