Religião

Jesus sofreu abuso sexual antes de ser crucificado, afirma teólogo

Imagem: The Flagellation of Christ; c. 1606/1607 – Caravaggio

Teólogo inglês defende a tese de que Jesus Cristo foi vítima de abuso sexual antes de ser crucificado. Relacionando os maus-tratos a prisioneiros da era romana e práticas de ditaduras latino-americanas, ele estuda a dimensão sexual da tortura e propõe nova postura das igrejas cristãs.

O inglês David Tombs, 57, nunca se esqueceu da lição aprendida em 1987 com o célebre professor e teólogo James Cone (1938-2018) em Nova York. “Não preste atenção somente às perguntas que são feitas. Olhe também para as perguntas que ninguém está fazendo.”

Radicado na Nova Zelândia, o também teólogo Tombs lida há 23 anos com duas dessas perguntas: o que significam os três momentos em que Jesus Cristo é publicamente despido, antes da crucificação? E por que isso importa?

Por séculos, as artes plásticas traduziram o desnudamento antes da execução como um aspecto lateral, que Jesus encarou serenamente ao subir à cruz que marcou o pensamento do Ocidente. Mesmo no violentíssimo “A Paixão de Cristo” (2004), de Mel Gibson, esse episódio é neutralizado. É preciso voltar ao Evangelho de Marcos para captar os horrores da Via-Crúcis.

“Então Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou-lhe Barrabás e, açoitado Jesus, o entregou para ser crucificado. E os soldados o levaram dentro à sala, que é a da audiência, e convocaram toda a coorte [unidade militar romana com 500 soldados]. E vestiram-no de púrpura, e tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram na cabeça. E começaram a saudá-lo, dizendo: Salve, Rei dos Judeus! E feriram-no na cabeça com uma cana, e cuspiram nele e, postos de joelhos, o adoraram. E, havendo-o escarnecido, despiram-lhe a púrpura, e o vestiram com as suas próprias vestes; e o levaram para fora a fim de o crucificarem” (Marcos 15:15-20, versão Almeida).

Para Tombs, tudo isso retrata que Cristo foi vítima de um abuso sexual: exposto em sua nudez, espancado e humilhado enquanto nu, em uma recreação sádica que contou com 500 soldados, entre participações diretas e olhares curiosos.

Professor de teologia e questões públicas na Universidade de Otago, em Dunedin, na Nova Zelândia, o anglicano Tombs publicou em 1999 seu primeiro artigo sobre o tema, intitulado “Crucificação, terrorismo de Estado e abuso sexual“. Hoje, não está mais sozinho: outros teólogos já abordam o aspecto sexualizado do martírio de Cristo.

Em 2021, Tombs editou um compêndio de artigos de teólogos ao lado das professoras Jayme Reaves e Rocío Figueroa, “When Did We See You Naked?” (quando foi que te vimos nu?, SCM Press, inédito no Brasil). Neste ano, o teólogo deve lançar um novo livro, em que consolida todo o seu pensamento.

“São dois aspectos: o primeiro é o que o texto realmente fala. Vejo a nudez forçada de Cristo como uma forma de violência sexual, o que justifica chamá-lo de vítima de abuso sexual. Embora muitas pessoas tenham dificuldade de chamar a nudez forçada de violência sexual, tendo a crer que elas estão sendo desnecessariamente resistentes ao que o texto afirma”, diz Tombs, por videochamada.

O segundo aspecto é menos direto na resposta, mas ainda relevante: o que pode ter ocorrido depois do desnudamento?

Não sabemos ao certo, mas podemos levantar uma questão que não é meramente especulativa nem leviana, porque temos evidências de maus-tratos a prisioneiros da era romana e também perspectivas trazidas pelo contexto de outras torturas modernas, na documentação das ditaduras em El Salvador, Brasil, Argentina, Chile, Sri Lanka e Abu Ghraib (prisão do Exército americano no Iraque), por exemplo.

A experiência latino-americana da tortura de Estado foi primordial para a pesquisa de Tombs. À época de seu doutorado em Londres, o teólogo graduado em Oxford estudava a Teologia da Libertação, que prosperou nos anos 1970 e 1980 pela América Latina para depois se tornar anátema do catolicismo mais conservador, sob a acusação de ser marxista e de forçar interpretações politizadas do texto bíblico. Para Tombs, tratava-se do contrário: o movimento tinha a virtude de buscar no texto bíblico o que poucos queriam ver.

O inglês esteve duas vezes em El Salvador para estudar a teologia de Jon Sobrino e outros pensadores em 1987, ainda na guerra civil, e em 1996, quatro anos após o fim do conflito.

O que realmente o impactou, contudo, foi ler em uma biblioteca londrina em 1997 o relato da refugiada salvadorenha Brenda Sánchez-Galán, que entrou ilegalmente nos EUA. Ela contou que, em 1983, uma colega do centro médico foi espancada e estuprada pelos soldados da ditadura, levada a uma praça perto de San Salvador e executada a tiros de metralhadora, em uma cena de bizarra conotação sexual.

“Fiquei chocado pelo fato de que tinha estudado aquilo e nunca tinha focado o tema da sexualidade. Comecei a tentar entender mais por que os soldados fazem isso com as pessoas. Li relatórios de tortura, de direitos humanos e de comissões da verdade e ficou absurdamente nítido para mim como o abuso sexual é comum na tortura, ainda que não seja a primeira coisa em que as pessoas pensam quando se fala de tortura.”

Reportagem completa na Folha de S. Paulo

Opinião dos leitores

  1. Eu realmente vou começar a filtrar os veículos de informação que enriquece meus conhecimentos. Será que vale a pena noticiar esse tipo de desinformação? Colhemos o que plantamos, sempre!

  2. Isso é falta de assunto e de quem não conhece Deus nem a Sua Palavra. Jesus foi oferecido em sacrifício a Deus como um cordeiro virgem, perfeito, puro, incontaminado para justificar os pecados de toda a humanidade.
    Minha é a vingança, diz o Senhor, para todos que dizem e fazem o mal.

  3. Esse louco não sabe o que diz tanto assunto do mundo pra ele falar e vem logo mexer com o nosso Senhor Jesus Cristo.

  4. Comentário besta para um personagem que nunca existiú sequer. Jesus é todo um invento literário, igual a Harry Potter ou os personagens da Marvel. Os primeiros relatos sobre a vida dele só começaram a aparecer 100 após o período relatado nos livros. Se quiserem entender bem como foi inventado o relato vejam o filme alemão Zeitgeist.

    1. O capeta bateu palmas para seu comentário! Ja ta com uma cadeira de fogo esperando por vc. O único caminho para nao sentar na citada cadeira é atraves deste que tu dizes que não existe e nem existiu.

    2. É uma pena que existe pessoas igual a você eu não sei o que você ainda faz nessa vida, deve ser uma pessoa vazia não esqueça que todos vam se ajoelhar diante do Senhor Jesus Cristo um dia e esse dia ta próximo.

  5. Absurdo !
    Após condenado em um dia para ser crucificado no outro subsequente, Jesus ficou numa cela – solitária -, sozinho, e com sede ( * sem água ).
    Esse tipo de registro deve ter sido realizado por ateu ou…

    1. Ignorante, o abuso sexual em questão é o fato de Jesus ter sido despido à força pelos centuriões. Como tem muito falso profeta com tendência a desvios sexuais de toda ordem, já estão levando pro lado do estupro. Realmente a ignorância é o maior flagelo da humanidade.

  6. O achismo da turma imposto como se fosse verdade. Interpretação fútil, sem qualquer base. E BG ainda propaga isso.

    1. Ótimo. Você e os fanáticos fundamentalistas cristãos deveriam se mudar pro oriente médio e se submeter ao regime do ISA, Estado Islâmico, Resbolah… vá se informar e ler algo que preste antes de dizer merda. Mais um ignorante bolsonarista dizendo merda.

    1. É mesmo, Bento. Cite aqui os 10 mandamentos ou os 7 pecados capitais.

    2. Mas isso colocado na materia ta na biblia. E o ponto de vista esta correto. E antes de qualquer coisa sou de direita!

    1. Deve saber bem do livro do Apocalipse. O bolsonarismo está bem caracterizado nele.

  7. Um blog tão bem conceituado, mas de vez enquanto posta coisas sem tanta relevância, sem falar que tem tendencia politica, com postagens querendo tornar candidatos de sua preferencia que seja a preferencia do povo, como Bolsonaro… Ezequiel, tipo querendo botar de goela a dentro, também pesquisas sem lógica. Imparcialidade da mais credibilidade.

  8. Se Jesus Cristo voltasse hoje seria execrado pelos membros das famílias conservadoras de bem, seria chamado de bixa, maconheiro e comunista por ousar questionar os ricos e poderosos bolsonaristas que estão transformando este país inteiro num puteiro!

  9. Ultimamente BG tem preferido “causar” do que transmitir notícias relevantes. Acho um tiro no pé, mas ele deve saber o que está fazendo.

  10. Até que ponto chegarão os céticos ,a postura deles nesses últimos dias de escandalizar o nome de Cristo é notória
    Mais esquecem ou figem de que haverá um julgamento final e que suas teorias desprezíveis teriam peso sobre as suas próprias ações que pagarão diante do Cristo vivo

  11. Pior do que toda essa blasfêmia idiota, seja lá por qual pseudo imbecil psicopata foi escrita, é ter tem quem se dar ao tempo perdido de aceitar isso como verdadeiro.💩💩👌👌💀💀👹👹😈😈

    1. Blasfemar é colocar imagem de pessoas nas escrituras sagradas como fizeram esses pastores safados, isso sim é blafemar! O que o Estado fez com Jesus através dos covardes centuriões foram tantas atrocidades que se indignar com essa hipótese mais parede ignorância ou hipocrisia.

  12. Se Jesus voltasse hoje, a seita bostanarista xingaria ele novamente!
    Bastava ele (Jesus) defender algum menos favorecido.

    1. Possilga, olha a convulsão e a sarna, vamos estrovenga de fechadura, anda.

    2. Hoje esse idiota se superou com as asneira que comenta aqui.Peça licença e vá cagar seu imbecil.

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Polícia

Polícia investiga se morte de ex-sinhazinha do Boi Garantido foi causada por overdose de cetamina

Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Civil do Amazonas está investigando se a morte da ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso, foi causada por overdose de cetamina, droga usada durante os rituais do grupo religioso “Pai, Mãe, Vida”, organizado pela família Cardoso. A mãe, o irmão e duas funcionárias da família, suspeitos de liderarem esse grupo, foram presos na quinta-feira (30).

Djidja foi encontrada morta por volta das 6h de terça (28). Logo após a confirmação da morte da empresária, uma familiar da vítima chegou a dizer em uma rede social que a casa em que a família morava, onde o corpo foi encontrado, teria se tornado uma “cracolândia”, e que já teriam tentado internar Djidja, mas eram impedidos pela mãe dela.

De acordo com as investigações, o corpo da ex-sinhazinha teria sido encontrado pelos policiais com sinais de overdose e sinais da utilização da substância injetável. Ainda no dia da morte de Djidja, na casa dela, a polícia encontrou frascos de cetamina enterrados no quintal, além de caixas da droga, seringas, frascos, bula e cartelas de remédios na lixeira da propriedade.

Agora, segundo a polícia, as investigações tem como objetivo identificar as suspeitas de que a empresária teria morrido em decorrência de uma overdose causada pelo uso uso excessivo da droga cetamina e se isso teria acontecido durante um dos rituais.

A Polícia Civil do Amazonas aguarda o resultado do exame de necropsia realizado pelo Instituto Médico Legal (IML), que deve sair em até 30 dias.

A morte da empresária está sendo investigada pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).

Prisões

Após a morte de Djidja, na quarta-feira (29), a Justiça do Amazonas expediu cinco mandados de prisão preventiva, que resultou na prisão de quatros membros do grupo religioso suspeito de fornecer e distribuir cetamina. No primeiro momento, na tarde de quinta (30), foram presos:

  • Cleusimar Cardoso, de 53 anos, mãe da ex-sinhazinha;
  • Ademar Cardoso, de 29 anos, irmão de Djidja;
  • Verônica da Costa, de 30 anos, gerente da rede de salões de beleza “Belle Femme,” que pertence à família.

Os três foram presos no momento em que deixavam a casa onde a Djidja foi encontrada morta. No local, a polícia apreendeu materiais como seringas, anestésicos, medicamentos de uso controlado, frascos de cetamina, além de computadores e uma mala que devem ser periciados.

Os três presos foram levados para o 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), mas não foram ouvidos durante a noite. A defesa alegou que os clientes estavam sob efeito de drogas e por isso não tinham condições de falar em depoimento.

Em entrevista, o titular do 1° Distrito Integrado de Polícia, delegado Cícero Túlio, que comanda a operação, a mãe de Djidja, Cleusimar, foi encontrada com duas ampolas escondidas nas partes íntimas durante revista ao chegar na delegacia.

Horas depois, na noite de quinta (30), Claudiele Santos da Silva, que trabalhava como maquiadora no salão da família, se entregou na sede do 1º DIP, acompanhada de um advogado.

Marlisson Vasconcelos Dantas, o quinto investigado, que atuava como cabeleireiro da rede Belle Femme , já é considerado foragido e está sendo procurado. O advogado dele informou que Marlisson deve se entregar ainda nesta sexta-feira (31).

Já na manhã desta sexta-feira, a polícia fez novas buscas e apreendeu cetamina, ampolas e seringas em salões de beleza da família Cardoso. Uma clínica veterinária, na Zona Oeste, também foi alvo da operação. O local supostamente fazia a venda da droga, sem a observância das exigências legais e retenção de receituário, segundo as investigações.

Os quatros suspeitos passaram por audiência de custódia na manhã desta sexta (31), segundo a polícia, e ficará a disposição da Justiça.

Como atuava o grupo religioso

Djidja, a mãe Cleusimar Cardoso e o irmão, Ademar Cardoso. — Foto: Arquivo Pessoal

De acordo com informações apuradas pela Rede Amazônica, a polícia identificou a existência do grupo “Pai, Mãe, Vida”, que promovia o uso e comercialização de cetamina, em Manaus. A substância é um anestésico de uso humano e veterinário que se tornou uma droga ilícita na década de 1980.

O grupo religioso foi fundado pela mãe e o irmão da ex-sinhazinha do Garantido. Eles contavam com a colaboração dos funcionários da rede de salões de beleza, Verônica, Claudiele e Marlisson, que segundo a polícia, ficavam encarregados de persuadir outros funcionários e pessoas próximas à família a se associarem ao grupo, onde a cetamina era usada.

Além disso, os líderes do grupo induziam os seguidores a acreditar que, ao usarem compulsivamente, a droga, poderiam transcender para outra dimensão e alcançar um plano superior, onde encontrariam a salvação.

As investigações indicam, ainda, que algumas vítimas do grupo foram submetidas a violência sexual e aborto.

O grupo responderá por tráfico de drogas, associação para o tráfico, por colocar em risco a saúde ou a vida de terceiros, falsificação, corrpção, adulteração de produtos destinados a fins terapêuticos e medicinais, aborto induzido sem o consentimento da gestante, estupro de vulnerável, charlatanismo, curandeirismo, sequestro, cárcere privado e constrngimento ilegal.

A ex-sinhazinha também era alvo da investigação e com a repercussão da morte dela, a Polícia Civil desencadeou a operação para prender os outros suspeitos de envolvimento na organização criminosa.

Fonte: g1

 

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Geral

Período eleitoral de 2024 é o trimestre mais violento dos últimos cinco anos na política, diz estudo

Foto: reprodução

O terceiro trimestre de 2024, que inclui a reta final das pré-campanhas e a maior parte do período eleitoral das disputas municipais, registrou 323 casos de violência contra figuras da política brasileira. É o trimestre mais violento dos últimos cinco anos, segundo levantamento do Observatório de Violência Política e Eleitoral da Unirio.

O estudo, cuja série histórica começou em 2019, revela uma escalada no número de casos em eleições municipais e indica como desafio urgente para a democracia do País, segundo analistas ouvidos pelo Estadão, o resgate da civilidade e do espírito republicano na disputa eleitoral.

Os números de julho, agosto e setembro superam os últimos três meses de 2020 — que incluem o período eleitoral daquele ano —, quando os pesquisadores catalogaram 236 casos. Neste ano, foram 242 considerando as mesmas categorias de pesquisa: violência física e psicológica. Os outros 81 casos foram tipificados como violência de natureza semiótica (como desqualificação e objetificação), econômica (roubo ou vandalismo) e sexual (assédio, importunação e ameaça de estupro), novas categorias no estudo. Com os dados deste último trimestre, 2024 chega à marca de 510 casos de violência política em todo o País.

“O aumento da violência na época de eleição era um dado esperado, mas acabamos batendo recordes que assinalam o agravamento deste cenário”, explica Miguel Carnevale, pesquisador do Observatório. “O ponto de partida para a resolução é retomar o debate cívico e fortalecer a presença institucional. Tivemos avanços, como leis para combater violência de gênero, criação de monitoramentos e trabalhos de combate à violência. Sem centralizar o debate sobre a questão no ambiente político, o problema tende a se cristalizar”.

Enquanto episódios que vão de soco a cadeirada aconteciam em frente às câmeras na corrida pela Prefeitura de São Paulo, casos no interior faziam o Estado chegar à soma de 58 ocorrências de violência política nos últimos três meses, incluindo 21 agressões físicas e três homicídios: foram mortos um vereador em Sandovalina, um ex-vereador em São Vicente e um candidato a vereador em Santo André. Logo atrás de São Paulo, o estado do Rio de Janeiro foi o que mais registrou casos, com 42. Depois, Ceará, com 23; Bahia, com 22; e Paraíba, com 21.

Maior número de ocorrências é de ameaças

O tipo de violência com maior número de ocorrências no levantamento é ameaça. Foram 80 de julho a setembro. “A gente se sente constrangido, humilhado, e (esse tipo de situação) gera muito medo, muito medo mesmo”, diz o candidato a prefeito Alysson da Saúde (PT), de Campo Florido (MG), que tenta a reeleição. Ele relatou à Polícia Federal e à Justiça Eleitoral em agosto duas ameaças que sua chapa recebeu por WhatsApp durante o período eleitoral. Números não identificados exigiam o afastamento dele e de seu candidato a vice, Thales de Santi, da política. “Sai fora da política, depois não vai chorar o leite derramado”, dizia uma delas. A PF colhe depoimentos a respeito das ameaças.

A 370 km dali, em Carmo do Rio Branco (MG), o prefeito Filipe Carielo (PSD), que tenta a reeleição, relatou ter sido ameaçado com um facão no mês passado por um funcionário da prefeitura que se dizia insatisfeito por uma transferência de setor. O homem o acuou dentro de um bar, fazendo o candidato se esconder dentro do banheiro. A Polícia Civil de Minas Gerais informou que investiga o caso. “Pessoas sem equilíbrio acabam partindo para a agressão, o que é inadmissível. É importante para a democracia que ela seja livre de violência”, disse Carielo.

Agressões físicas também estão no topo da lista de principais episódios de violência política, com 79 casos identificados. Em setembro, por exemplo, dois vereadores de grupos políticos adversários em São João do Arraial (PI), Cajé Rocha (MDB) e Jurandir Pontes (PT), trocaram socos no plenário da Câmara Municipal após discussão. No mesmo mês, em Sobral (CE), o ex-prefeito Veveu Arruda se envolveu em uma briga com moradores durante ato eleitoral de sua mulher, Izolda Cela (PSB), candidata a prefeita da cidade. Os dois casos foram filmados e viralizaram em redes sociais.

Violência política atinge quase todos os partidos

Atentado, desqualificação e homicídio fecham a lista de tipos de violência política com maior número de ocorrências neste trimestre. A Unirio mostra que a violência política atinge quase todos os partidos. Filiados de 25 das 29 siglas brasileiras estão entre as vítimas no período. Petistas aparecem em 38 ocorrências; MDB e do União Brasil têm 36 cada; PL, com 33; e PSD, com 23, vêm em seguida.

Autoridades reagiram à escalada de casos preocupantes no País. A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, anunciou no último domingo a criação de um Observatório Permanente Contra a Violência Política para averiguar, relatar e estabelecer bases para o combate de casos do tipo.

“A política existe para que os conflitos sejam resolvidos pelo diálogo, dentro das instituições e à luz da lei. A violência é a negação da política e dos princípios da civilidade”, afirma o cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Parte da responsabilidade vem da violência retórica. Em contextos políticos polarizados, temos uma visão de que um adversário não é visto como um adversário, mas sim um inimigo a ser eliminado”.

Estadão Conteúdo

Opinião dos leitores

    1. Sai pra lá, mafrinha! Por que você não diz que a esquerda não quer perder o poder? Canalha!

    2. Quem é que, até hoje culpa Bolsonaro das queimadas? Bando de hipócritas! Perderam a boquinha por 4 anos, voltaram no tapetão.

    3. Toda a violência é praticada pela esquerda. A ideologia do ódio, da divisão.

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Educação

Enem 2024 tem recuo nas notas de áreas exigidas em formações com melhores salários

Foto: Rafael Garcia/Agência Globo

Embora tenha mostrado um aumento de três pontos na média nacional das notas, o resultado do Enem 2024 divulgado ontem pelo Ministério da Educação teve recuos em Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas, áreas exigidas em formações melhor remuneradas no mercado de trabalho. As notas de Linguagens e Redação registraram um aumento de 12 e 15 pontos, respectivamente. Mas o número de redações nota mil foi 80% menor do que no ano passado — a variação foi de 60 casos para 12.

Um levantamento com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) indicou um leve avanço nas médias nacionais entre os anos de 2019 e 2022. Nos últimos dois anos, a tendência foi de estagnação ou recuo por áreas de conhecimento. O Inep prevê entregar ao MEC em março um estudo específico sobre o desempenho dos alunos em cada área no exame do ano passado, apontando as razões para as notas. Os resultados também serão usados para orientar políticas públicas da pasta.

Ao comentar os resultados, o ministro da Educação, Camilo Santana, reconheceu a queda do desempenho na maior parte das áreas, mas ressaltou o aumento da média geral, apesar da participação de mais alunos. Em 2024, mais de 4,3 milhões de alunos se inscreveram para o Enem, com uma presença de 73,5%. Em 2023, foram 3,9 milhões de inscritos e 71,9% de presença.

— Quando ampliamos o número de alunos que participam do Enem, a expectativa é que essa média diminua. Foi positivo ampliar em quase 900 mil novos inscritos e aumentar a média geral.

Mas para Katia Smole, diretora do Instituto Reúna e ex-secretária de Educação Básica do MEC, o resultado mostra que as redes de ensino podem não estar conseguindo preparar os alunos para as áreas de maior empregabilidade e remuneração, comprometendo o potencial de desenvolvimento econômico e social do país.

— A queda no desempenho nas disciplinas que são a base de carreiras como engenharia, tecnologia, saúde e ciências naturais pode indicar desafios estruturais no ensino dessas áreas. Como a falta de professores especializados, metodologias pouco atraentes ou defasagens acumuladas na trajetória escolar — analisa.

A especialista afirmou que os resultados podem ter sido influenciados pela pandemia da Covid-19. Mas ainda não refletem possíveis consequências da implementação das mudanças no Novo Ensino Médio.

O ministro já mostrou preocupação em fazer com que a educação brasileira “conecte os estudantes ao mercado de trabalho desde cedo”, como definiu em um post no Instagram em que divulgou uma entrevista que deu à Voz do Brasil em 26 de dezembro. “A formação para o trabalho é hoje a grande demanda da juventude brasileira”, afirmou Camilo na publicação.

O total de 12 redações nota mil no ano passado foi o menor em ao menos uma década. O Sudeste e o Nordeste concentraram o maior número de notas máximas. Ceará, Alagoas, Maranhão, Pernambuco, Rio Grande do Norte e São Paulo tiveram um inscrito cada, enquanto no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, dois estudantes tiraram mil, em cada estado. No Centro-Oeste, Goiás e Distrito Federal tiveram um estudante cada.

O Nordeste teve maior concentração de alunos da rede pública com notas entre 980 e mil na redação. Foram 929 estudantes. Em segundo lugar, ficou o Sudeste, com 858 alunos. O Sul, registrou 208; Norte, 174 e Centro-Oeste, 139.

O estudo intensivo e a repetição de exercícios foram fatores apontados por duas estudantes que se destacaram no exame no ano passado: a niteroiense Ana Galucio, de 17 anos, que tirou a nota máxima em Matemática (962) e Sabrina Aymumi Shimizu, de 18 anos, moradora de Araçatuba que foi a única nota mil em redação no Estado de São Paulo.

Ana lembra que fez muitos exercícios com auxílio de professores do ensino médio. Com a ajuda deles, criou também o hábito de cronometrar a resolução correta das questões.

— Eu era muito lenta nas questões. Estipulava alguns minutos e tinha que resolver o problema naquele tempo. Também fazia mais de um simulado por semana. Isso me ajudava a ficar menos nervosa a cada exercício que fazia — conta Ana, que disse não ter “chutado” nenhum resposta, tirou 940 na redação e quer estudar Medicina na Unirio.

Querendo cursar Engenharia de Produção, Aymumi também defendeu o treinamento intensivo ao comentar o bom resultado com o tema da redação (”Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”):

— Estava familiarizada com os temas de racismo e herança cultural. Consegui fluir bem graças aos diversos simulados que tivemos no último ano — afirma.

Professora de Sabrina, Sthéfani Jorge Silva avalia que a redução no número de redações nota mil é derivado excesso de uso de telas e redução da carga de leitura entre os jovens.

— Com a internet, as informações chegam muito mastigadas. Os alunos não se aprofundam tanto nas problemáticas sociais da atualidade — diz Sthéfani.

Ela ressalvou que a simples aplicação do modelo de redação ensinado em cursinhos não é o caminho para uma nota máxima.

— O modelo é um atalho para que um aluno tenha um caminho. Não para o estudante decorar e tentar encaixar o tema da redação de qualquer jeito — explica.

O Globo

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Política

Senado aprova texto-base de projeto que limita ICMS sobre combustíveis, conta de luz, comunicações e transportes

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O Senado aprovou nesta segunda-feira (13), por 65 votos a 12, o texto-base do projeto que limita as alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS, um tributo estadual) incidentes sobre combustíveis, gás natural, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo.

A proposta tem origem na Câmara, onde foi aprovada no mês passado com o objetivo de reduzir os preços, principalmente, dos combustíveis e da conta de luz em ano eleitoral. Os sucessivos reajustes nesses itens contribuem para o aumento da inflação, o que afeta negativamente a popularidade do governo.

Foram 65 votos favoráveis ao texto-base, contra 12 votos contrários e zero abstenções. Os senadores agora vão analisar sugestões de mudanças ao texto aprovado.

O projeto define que combustíveis — assim como energia, transportes coletivos, gás natural e comunicações — são bens essenciais e indispensáveis. Com isso, os governos estaduais não podem cobrar o ICMS sobre estes itens acima do teto estabelecido pelo texto, de 17%.

Opinião dos leitores

  1. Depois de 4 anos uma coisa positiva, isso se a Petrobrás(governo federal) com sua usura não engolir essa redução numa lapada só. Aí não baixará e nada.

  2. 🇧🇷O governo está fazendo o seu papel que é o de manter o país estável para o bem estar da nação, trocou vários gestores na Petrobras e não está dando certo então como os cofres estão cheios devido a arrecadações recordes do governo federal, porque não utilizá-los para o bem do povo. Vai até o fim do ano .porque o seu 1º mandato termina. Será para benefício de todos a baixa dos impostos dos combustíveis, luz, transportes, os produtos certamente irão estabilizar e todos nós seremos beneficiados, e podem ter certeza que o governo tem uma estratégia para dar continuidade para esta medida.
    Os urubus esquerdopatas antipatriotas continuarão criticando o único governo que não aumentou impostos dizendo que é um ato eleitoreiro e que ano que vem os preços irão disparar, aguardem carniças, este é o melhor governo que tivemos , vem superando seca, enchentes , pandemia e guerra.

  3. 17% é imoral ainda.
    Nem quem trabalha, comercializa esses produtos tem essa margem.
    O governo com isso, acaba sendo sócio do empresário.
    Isso é uma vergonha.
    Bastava 3% ou 4% no máximo no valor desses produdos e combustíveis.

    1. Enquanto você acha essa redução “imoral” onde estava sua indignação quando a ESQUERDA VOTAVA CONTRA a REDUÇÃO, querendo a manutenção dos 27%?
      São pessoas metidas a isentões como você que vem esperando o candidato acima do bem e do mal, o mundo ideal, o mundo perfeito e não vota, contribuindo diretamente para deixa a esquerda sendo eleita com o mínimo de votos.

  4. Melhor ir nessa, do que cair no conto do seboso de nove dedos, muitos caíram, inclusive ex petistas históricos (ver Google), cair de novo e levar a do burro.

  5. Em entrevista ao podcast Podpah na quinta-feira (3), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) errou ao afirmar que os governos do seu partido acabaram com a fome no Brasil em 2012. Pesquisa divulgada na época pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que ao menos 7,2 milhões de pessoas (3,6% da população) estavam em situação de insegurança alimentar grave, categoria em que a fome se enquadra.

    O petista também citou informação falsa ao dizer que, em seu governo, o Brasil nunca deixou de ser convidado para reuniões do G8, grupo das oito maiores economias do mundo. O país não foi chamado para cúpulas em 2004 e 2010. Tampouco procede, como afirmou o ex-presidente, que as gestões do PT não reajustaram os preços da gasolina.

    1. O Brasil saiu do mapa da fome. Isso não quer dizer, zerou, mas estasticamente é considerado fora. Assim como quando atingiu o plano emprego , nao quer dizer que não havia desemprego, mas dentro do que é estabelecido, estatisticamente, como plano. A mesma coisa quando se diz que um teste é confiável, não quer dizer que não tem erros, mas que tem uma margem segura que permite ser confiável. Se suas fonts estiverem certas, hoje temos 33 milhões de pessoas passando fome e mais de 100 milhões em insegurança alimentar. Percebeu como nos phudemos?

    1. Era o que queria saber. Senadores que são contra o povo. Já que não há perda para o governo com a redução. Visto que será compensado pelo Governo Federal.

    1. Faz o seguinte, se a gasolina baixar só até passar as eleições, tu continua pagando o mesmo preço se vc tá achando ruim.

    2. Exatamente. Aliás, já há um aumento engatilhado no preço dos combustíveis para a semana que vem …

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Geral

Com estoque crítico, Hemonorte convoca doadores de sangue no RN

Divulgação

O Hemonorte está com um estoque de bolsas de sangue considerado crítico. A situação é “extremamente preocupante”, segundo o diretor-geral da unidade Rodrigo Vilar. O estoque que era para ser de 800 bolsas neste período do ano está na casa das 100 bolsas e a demanda é crescente. Há insuficiência de todos os tipos sanguíneos e o Hemonorte tenta sensibilizar a população para as doações tendo em vista o mês de janeiro, que é um período historicamente de alta demanda.

De acordo com o Hemonorte, devido a baixa no banco de sangue, a distribuição de bolsas precisou ser limitada a casos de urgência e emergência. A medida prejudica a realização de procedimentos eletivos, diz Rodrigo Vilar. “A gente manteve uma entrada mais ou menos regular de doadores, porém a demanda do Estado de um modo geral cresceu demais. A gente está vivendo um período de muito consumo de sangue sem crescimento do número de doadores. Dezembro era um período que a gente conseguia se preparar para janeiro, que é um período de baixa por causa das férias”, comenta o diretor.

Para se ter uma ideia, atualmente Natal tem uma demanda de aproximadamente 200 bolsas por dia, mas o número de doadores não ultrapassa a casa dos 130. “Todo dia a gente tem um déficit. A gente está sem saber o que mais fazer para chamar, convocar a população para que faça sua doação antes do período de festas e depois também porque o sistema de saúde não para, a necessidade da população não diminui porque as pessoas estão de férias. A gente conta com a solidariedade das pessoas para evitar esse sufoco que estamos passando”, complementa.

Maior doador de sangue do Rio Grande do Norte, Flávio Celestino completou 31 anos como doador em 2022 e convoca os potiguares a se solidarizarem com a causa. “É um gesto muito importante que todos deveriam fazer, faço isso há muitos anos e é sempre uma alegria poder contribuir com o próximo. Acho que ajudei um pouco a salvar algumas vidas, isso não tem preço. Já doei neste mês e no próximo irei doar novamente. É um hábito que tenho de doar todos os meses”, afirma Flávio Celestino.

No mês passado, o Hemonorte chegou a fazer uma campanha durante a Semana Nacional do Doador de Sangue e promoveu uma série de ações, mas os resultados ficaram abaixo do esperado. A esperança, diz Rodrigo Vilar, é que o fim de ano possa sensibilizar a população. “É importante demais mesmo que as pessoas busquem fazer esse gesto. A gente sabe o que está saindo, mas o que está entrando não está sendo suficiente, então pedimos encarecidamente pela solidariedade das pessoas”, comenta.

Os interessados em doar sangue podem se dirigir à sede do Hemonorte localizado na Avenida Alexandrino de Alencar, 1800, Tirol, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 18h ou no espaço Hemonorte no Partage Shopping, que funciona de segunda a sexta das 8h às 11h30 e das 13h às 17h.

Podem doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos e que estejam pesando mais de 50kg. Além disso, é preciso apresentar documento oficial com foto e menores de 18 anos só podem doar com consentimento formal dos responsáveis. Pessoas com febre, gripe ou resfriado, diarreia recente, grávidas e mulheres no pós-parto não podem doar temporariamente. O procedimento para doação de sangue é simples, rápido e totalmente seguro. Não há riscos para o doador, porque nenhum material usado na coleta do sangue é reutilizado, o que elimina qualquer possibilidade de contaminação.   

Requisitos para doar sangue

  • Ter idade entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos (menores de 18 anos devem possuir consentimento formal do responsável legal);
  • Pessoas com idade entre 60 e 69 anos só poderão doar sangue se já o tiverem feito antes dos 60 anos;
  • Apresentar documento de identificação com foto (Carteira de Identidade, Carteira Nacional de Habilitação, Carteira de Trabalho, Passaporte, Registro Nacional de Estrangeiro, Certificado de Reservista e Carteira Profissional emitida por classe), serão aceitos documentos digitais com foto;
  • Pesar no mínimo 50 kg;
  • Ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas;
  • Estar alimentado. Evitar alimentos gordurosos nas 3 horas que antecedem a doação de sangue. Caso seja após o almoço, aguardar 2 horas;
  • A frequência máxima é de quatro doações de sangue anuais para o homem e de três doações de sangue anuais para as mulheres;
  • O intervalo mínimo entre uma doação de sangue e outra é de dois meses para os homens e de três meses para as mulheres.

 

Entenda a tabela de doação de sangue

Sangue tipo A+              

Doa para: AB+ e A+      

Recebe de: A+, A-, O+ e O-;

Sangue tipo A-

Doa para: A+, A-, AB+ e AB-     

Recebe de: A- e O-

Sangue tipo B+

Doa para: B+ e AB+      

Recebe de: B+, B-, O+ e O-

Sangue tipo B-

Doa para: B+, B-, AB+ e AB-    

Recebe de: B- e O-

Sangue tipo AB+           

Doa para: AB+

Recebe de: A+, B+, O+, AB+, A-

Tribuna do Norte

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Política

Após série de derrotas, Lula tem pela frente novas votações de interesse no Congresso; veja quais

Foto: Brenno Carvalho

Após novas derrotas, o governo ainda tem pela frente uma lista extensa de projetos que são de seu interesse no Congresso. Além de matérias vetadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como na Lei Geral dos Esportes, parlamentares devem ainda analisar projetos fundamentais da pauta econômica, como a regulamentação da reforma tributária.

A última sessão do Congresso expôs mais uma vez os problemas da articulação política e elevou a pressão por mudanças na estratégia de relação com os parlamentares. Aliados defendem uma postura mais incisiva e que alcance um número maior de pautas, já que há uma crítica de que os esforços hoje estão concentrados somente na agenda econômica, onde ainda tem desafios pela frente.

O principal deles será avançar antes das eleições municipais com a aprovação da regulamentação da reforma tributária do consumo, que cria o Imposto de Valor Agregado (IVA) dual, com uma parte federal, a CBS (que reúne PIS, Cofins e IPI), e outra de Estados e municípios, o IBS, que une ICMS e ISS.

O projeto de regulamentação define os regimes diferenciados, os produtos que vão fazer parte da cesta básica, com alíquota zerada, o funcionamento do “cashback” para as famílias mais pobres e os produtos que serão tributados com o “Imposto do Pecado” devido os malefícios à saúde e ao meio-ambiente, entre muitos outros tópicos.

O presidente da Câmara, Arthur Lira, inovou ao indicar um grupo para analisar a matéria, em vez de apenas um relator. Ainda que Lira tenha interesse na aprovação, o Executivo terá de trabalhar para evitar mudanças, para manter a alíquota de referência. No projeto entregue pelo Ministério da Fazenda, a alíquota média é de 26,5%.

Além disso, o governo terá de trabalhar para evitar manobras no orçamento de 2025. Já está no Congresso, o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) do ano que vem, que, em tese, tem de ser aprovado antes do recesso parlamentar do meio do ano. Na área econômica, também são de interesse do governo projetos que tratam do devedor contumaz, da regulamentação do mercado de carbono e de inteligência artificial.

Outras medidas:

Veto à gratuidade do despacho de bagagens: de junho de 2022, quando Bolsonaro decidiu barrar a volta do transporte gratuito da bagagem nos voos domésticos e internacionais. O benefício tinha sido incluído na votação da medida provisória (MP) que flexibiliza as regras da aviação civil, batizada de Voo Simples. O Ministério de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, quer manter o veto de Bolsonaro. O entendimento é que o despacho gratuito encarece o preço das passagens e faz com que muitos passageiros que não usam a franquia paguem por isso de forma desnecessária.

Prorrogação da cota de minorias em serviços públicos: O projeto, que é prioridade da pauta social, renova por mais 25 anos a reserva de vagas para negros em concursos públicos. Além de aumentar a cota de 20% para 30%, o texto também inclui outras minorias, como quilombolas e indígenas. A matéria já foi aprovada pelo Senado, mas ainda tem de passar pela Câmara. A principal preocupação é o prazo, já que a lei atual perde vigência no início de junho, em um ano em que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva promove uma série de concursos públicos.

Vetos à Lei Geral do Esporte: A lei que consolida a regulamentação da prática desportiva no país foi sancionada com vetos em junho. Entre os itens que serão analisados pelos parlamentares estão trechos que tratam da compensação de atletas em contratos de trabalho e da criação de uma Autoridade Nacional para Prevenção e Combate à Violência e à Discriminação no Esporte.

Política nacional do Ensino Médio: a Câmara aprovou o texto de autoria do Executivo em março deste ano e, agora, a proposta tramita no Senado. O projeto de lei que estabelece mudanças para o Novo Ensino Médio foi aprovado pelos deputados após um acordo entre o ministro Camilo Santana e o relator da matéria, o deputado Mendonça Filho (União-PE).

PEC do “quinquênio”: A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê um novo benefício salarial para juízes e promotores preocupa o governo. Estudos sobre o texto de autoria do presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), apontam que o impacto para os cofres públicos pode ser de R$ 1,8 bilhão, nos levantamentos mais conservadores, a até R$ 42 bilhões por ano.

Vetos à lei que recriou o programa Minha Casa Minha Vida: de julho de 2023, a lei foi sancionada com 11 vetos, entre eles o que prevê a contratação do seguro de danos estruturais pelas construtoras e o que obriga as distribuidoras a comprar o excedente de energia produzida pelos paineis solares instalados nas casas populares

Vetos à lei dos agrotóxicos: Sancionada em dezembro do ano passado, a lei estabelece prazos para a autorização dos defensivos agrícolas. O governo sofre forte pressão da bancada ruralista, uma das principais forças do parlamento, pela derrubada dos vetos. Os parlamentares já derrubaram o trecho que centralizava no Ministério da Agricultura a coordenação de reanálises de riscos e alterações nos produtos já registrados, o que excluía a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Mas há ainda outros pontos a serem apreciados, como os que tratam sobre as embalagens dos produtos.

O Globo

Opinião dos leitores

  1. Nada que uma ‘segurada’ nas emenda$ que não resolva rapidinho…eh qd o filho chora e a mãe não escuta… hehehe

    1. Ou menino lindo..kkkkkkkk guguinha inteligente e sabido, segurada em dinheiro das emendas, piada, deu foi tudo e nem isso funcionou, e pegue reunião.

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Geral

Médica presa por sequestrar bebê disse que enxoval achado no carro dela era presente para empregada doméstica, diz polícia

Foto: Reprodução/Polícia Militar e Acervo pessoal

A médica Cláudia Soares Alves, de 42 anos, suspeita de sequestrar uma recém-nascida em um hospital de Uberlândia (MG), tinha um enxoval infantil dentro do próprio carro quando foi presa em Itumbiara, no sul goiano. Para a Polícia Civil, ela justificou que o enxoval era um presente para sua empregada doméstica, que está grávida.

A polícia informou que desconfia da justificativa, pois a funcionária de Cláudia está grávida de um menino e os itens encontrados no carro são para uma bebê do sexo feminino, como a que foi sequestrada. Segundo o delegado Anderson Pelágio, o enxoval e toda a dinâmica do crime demonstram que a investigada premeditou toda sua ação.

“Ela comprou vários apetrechos para a bebê, como fralda e carrinho, o que dá informações de que ela premeditava os fatos. Ela não demonstrou motivação ou se iria ficar, registrar a bebê no nome dela ou passar para uma terceira pessoa”, disse Pelágio entrevista à TV Anhanguera.

Por ligação, o advogado Vladimir Rezende disse ao g1 que Cláudia está grávida, mas a Polícia Civil diz que é mentiraO advogado também explicou que a médica faz acompanhamento psiquiátrico há alguns meses por conta da morte da mãe e toma medicamentos controlados. Para a defesa, por conta da suposta gravidez, Cláudia precisou mudar a medicação e teve um surto.

“Com a alteração dos medicamentos, ela deu um surto, um surto psicótico. Nossa defesa vai ser essa, porque realmente é o que aconteceu”, afirmou.

Segundo a polícia, a recém-nascida foi sequestrada na maternidade do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia, na noite de terça-feira (23); veja abaixo detalhes de como a suspeita agiu. Na manhã desta quarta (24), a médica foi presa no Jardim Morumbi, em Itumbiara, quando chegava em casa.

Cláudia foi autuada em flagrante por sequestro qualificado e, no momento em que era levada para a delegacia, justificou que está doente e faz uso de remédio controlado. Em depoimento, oficialmente, ela ficou em silêncio.

O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) disse que iniciou uma apuração interna sobre as circunstâncias e colabora com a investigação da polícia. Segundo o hospital, a médica usou o crachá da universidade, que também informou estar apurando a responsabilidade e que adotará “as tratativas cabíveis”.

Gravidez da médica

Por ligação, o advogado Vladimir Rezende disse ao g1 que Cláudia está grávida. Segundo ele, a médica teve sangramentos no momento da prisão.

“Ela (a médica) está fazendo exames, porque está com sangramentos, uma suspeita de que está abortando”, afirmou o advogado Vladimir Rezende.

Cláudia passou por exame de corpo de delito no Hospital Municipal Modesto de Carvalho. O delegado Anderson Pelágio diz que, durante o procedimento, os médicos descartaram a gravidez.

O advogado não informou o sexo do bebê que Cláudia espera e nem de quantas semanas ela está grávida.

Sequestro de bebê

A bebê nasceu por volta das 20h, de cesárea. O pai, o motorista Édson Ferreira, contou como foi a ação: “Ela era muito bem articulada. Entrou, mexeu nos peitos da minha esposa para ver se tinha leite. Disse que era pediatra e que ia levar a bebê para se alimentar. Minutos depois, eu vi que a minha menina não voltava, e aí percebemos que ela tinha sido levada”, contou.

Segundo a Polícia Civil, a médica se aproveitou do fato de ser concursada no hospital, apresentou o crachá e entrou. Com isso, se apresentou como pediatra aos pais e pegou a bebê, que tinha nascido havia apenas três horas.

A mulher saiu da porta do hospital com a bebê e fugiu em um carro vermelho. Segundo a polícia, quando os pais notaram a demora da recém-nascida ser devolvida à mãe, o sistema de segurança do hospital foi acionado, mas a médica já havia fugido.

Um vídeo mostra a ação da mulher, do momento em que ela chega ao hospital com roupa de profissional de saúde e máscara cobrindo o rosto até a sua saída, carregando a criança.

Entenda ponto a ponto do vídeo que mostra a ação da mulher:

  • Câmeras registraram o momento em que a falsa pediatra chegou de carro em frente ao HC-UFU, às 23h18;
  • Ela desce do veículo usando jaleco, touca, máscara, luvas de borracha e uma mochila amarela nas costas;
  • A mulher caminha até o hospital e retorna 37 minutos depois;
  • Às 23h55, a falsa pediatra passa novamente pelas câmeras de monitoramento, já carregando a recém-nascida em um dos braços;
  • Ela entra pelo banco do motorista e sai logo em seguida.

Prisão

De acordo com o delegado Anderson Pelágio, assim que a Polícia Civil de Goiás recebeu as informações preliminares sobre o sequestro, identificou o endereço da suspeita e foi até a casa dela. Lá, encontraram a empregada doméstica cuidando da recém-nascida, já que a médica não estava em casa.

Parte da equipe resgatou a bebê e a levou imediatamente ao hospital. “Nós já conseguimos recuperar essa vítima, levá-la até o hospital aqui da cidade para ver as condições físicas dela, até porque há poucas horas ela havia nascido”, explicou o delegado.

Fonte: g1

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Geral

Pressão aumenta e Lula já cogita demitir Lupi, dizem auxiliares do presidente

Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já admitem como real a possibilidade de demissão do ministro da Previdência, Carlos Lupi, em meio à crise provocada por descontos em benefícios do INSS sem a autorização dos aposentados e pensionistas.

Em conversas, o presidente tem demonstrado irritação com o desempenho de Lupi no enfrentamento do problema.

No Palácio do Planalto, a avaliação é que após uma semana de deflagração da crise no INSS, o ministro não conseguiu oferecer soluções para a contenção dos problemas que abalaram a reputação do governo em um momento de recuperação de popularidade do presidente.

Na terça-feira (29), em audiência na Câmara, Lupi defendeu que o INSS não deveria intermediar as relações entre associações para aposentados e beneficiários do instituto. “É mais cômodo [para as associações] o desconto em folha do que ter que ir atrás do aposentado todo mês”, disse.

Para o ministro, nem o credenciamento das entidades associativas deveria ficar com o INSS. “Não sei ainda como encaminhar isso. É uma opinião pessoal. Vou discutir internamente para ver se é opinião majoritária no governo”, explicou.

Um dos exemplos da atual situação de Lupi está no fato de ele não ter apresentado um substituto para o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, que deixou o cargo após ordem de Lula.

Nesta quarta-feira (30), Lula nomeou o procurador Gilberto Waller Júnior como novo presidente da instituição por indicação do ministro-chefe da AGU (Advocacia-Geral da União) e apoio do ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius de Carvalho.

A informação de que Lula nomearia diretamente o novo presidente, sem a intermediação de Lupi, já havia sido anunciada pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, nesta quarta.

Em mais uma demonstração de descontentamento com Lupi, Lula deu carta branca para que Waller adote medidas saneadoras, incluindo mudanças na estrutura do INSS. Pesou para a escolha o perfil técnico, descrito como de “xerife”, do novo presidente da instituição.

Ao longo da semana, colaboradores do presidente foram acumulando críticas a Lupi, desde a manutenção de integrantes da velha estrutura do INSS à resistência a exonerar Stefanutto.

Na manhã da quarta, auxiliares do presidente falavam em sobrevida para o ministro. Mas o cenário mudou. Embora Lupi tenha se defendido com firmeza ao falar à Câmara dos Deputados, integrantes do governo reconhecem um problema administrativo na conduta do ministro e afirmam que hoje uma demissão seria uma decisão política, em resposta a uma omissão do chefe da pasta.

Na audiência, Lupi listou as medidas que tomou sobre o assunto desde que assumiu o cargo, como um pedido de auditoria sobre o assunto e mudanças nas regras de concessão, com a exigência de biometria. As ações, no entanto, não foram capazes de conter o problema.

No entanto, como mostrou a Folha, o governo só tomou medidas para conter o aumento de descontos irregulares após auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União), que investigou o tema em 2023.

Auxiliares do presidente têm repetido que não houve, até o momento, provas de envolvimento do ministro no esquema nacional de descontos não autorizados. Lembram ainda que ele é presidente licenciado do PDT, mas o desgaste sofrido com a eclosão da crise fez com que interlocutores do presidente tratem como possível sua exoneração.

A sobrevivência do ministro no governo depende das conversas que o presidente teria a partir desta quarta-feira (30) com os envolvidos nas investigações. Nenhuma audiência constava da agenda oficial, mas o presidente está coletando dados para a tomada de sua decisão.

O governo terá que avaliar o fluxo de informações recebidas pelo ministro e o ritmo de respostas dadas por sua pasta. Um colaborador do presidente lembra que Lupi não era a sua primeira escolha para o cargo, mas, sim, o secretário-executivo da pasta, Wolney Queiroz.

Aliados do presidente enfatizam que a investigação foi uma iniciativa do governo Lula, bem como a adoção de providências para ressarcimento de eventuais vítimas do esquema.

No dia 23 de abril, a PF e a CGU realizaram a operação Sem Desconto, para combater a suposta fraude em descontos de aposentadorias e pensões. Entre 2019 e 2024, a soma dos valores descontados de benefícios do INSS por diversas associações chega a R$ 6,3 bilhões, mas ainda será apurado qual porcentagem foi feita de forma ilegal, segundo as investigações.

Segundo a PF, com um único alvo, foram apreendidos vários carros, como uma Ferrari e um Rolls Royce, avaliados em mais de R$ 15 milhões. Com outro, US$ 200 mil e, com um segundo, US$ 150 mil. Também foram apreendidas joias e quadros.

As investigações focaram entidades de classe, como associações e sindicatos, que formalizaram Acordos de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS.

Esses acordos permitem que elas realizem descontos de mensalidades associativas diretamente na folha de pagamento dos beneficiários do INSS, desde que autorizados pelos aposentados e pensionistas.

Uma auditoria feita pela CGU identificou que muitas não tinham estrutura operacional para prestar os serviços que ofereciam aos beneficiários, como descontos em academias, convênios com planos de saúde e auxílio funerário.

Também verificou que 72% não tinham entregue a documentação completa ao INSS. Onze foram alvo de medidas judiciais.

Folha de S.Paulo

Opinião dos leitores

  1. 👉👉👉SENADORES QUE VOTARAM CONTRA A MP 871:

    Nome Partido UF
    Angelo Coronel PSD BA
    Eliziane Gama CIDADANIA MA
    Humberto Costa PT PE
    Jaques Wagner PT BA
    Otto Alencar PSD BA
    Paulo Paim PT RS
    Paulo Rocha PT PA
    Randolfe Rodrigues REDE AP
    Renan Calheiros MDB AL
    Rogério Carvalho PT SE
    Veneziano Vital do Rêgo PSB PB
    Zenaide Maia PROS RN
    🚨TALVEZ A HISTÓRIA HOJE FOSSE OUTRA, NÉ? FICA A REFLEXÃO E OBSERVE BEM OS NOMES ACIMA E VEJAM SE TEM ALGUMA COISA A VER. MUITO ESQUERDISTA, NÃO?

    1. Vamos gravar esses nomes, imprimir e guardar junto do Título de eleitor

    1. É condizente e sabia de todos os esquemas, era para ter caído imediatamente.

  2. FAZ O L & L “DUPLO”, JUMENTOS! LULA E LUPI, FAZ DE ❤️. TUDO A VER COM CORRUPÇÃO. 🫏🫏🫏

    1. Concordo com você, Valter, o Lula além de ser um analfabeto, é um cara que está odiado por 90% dos, não sei porque essa pessoa não já foi expulso do Brasil e tirado dele o que é mais importante que é o Pais.

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Polícia

Congressista dos EUA pergunta em carta a Moraes sobre censura

Foto: Andressa Anholete / STF

O presidente da subcomissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, o deputado Chris Smith (Republicanos), pediu nesta 6ª feira (21.jun.2024) que o ministro do STF Alexandre de Moraes se manifeste a respeito da suposta censura e abusos do Judiciário no Brasil.

O congressista, que é pró-Trump, presidiu uma sessão temática em maio de 2024, intitulada “Brasil: a crise da democracia, liberdade e do Estado de Direito?”. Ouviu testemunhas a respeito da atuação do Supremo no banimento de perfis e conteúdos de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Agora, Smith quer ouvir o parecer do ministro do Supremo Tribunal Federal a respeito de supostos excessos e abuso de poder. Dentre os pedidos, ele pede o esclarecimento a respeito de ordens judiciais e investigação de autoridades por publicações nas redes sociais.

A carta pede que Moraes responda em até 10 dias úteis. O magistrado não é obrigado a responder. O Poder360 procurou o Supremo para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito da carta do político norte-americano.

O Poder360 procurou o Supremo para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito da carta do político norte-americano. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Corte respondeu que nem ela e nem Moraes vão comentar.

Segundo o deputado norte-americano, os depoimentos “críveis e substanciais” dados na oitiva levantaram graves preocupações a respeito da democracia brasileira.

Eis a íntegra da tradução da carta de Chris Smith:

“Prezado Ministro Alexandre de Moraes: “Escrevo-lhe na condição de integrante do Congresso e Presidente da Subcomissão de Saúde Global, Direitos Humanos Globais e Organizações Internacionais.

“Em 7 de maio, presidi uma audiência pública da subcomissão intitulada ‘Brasil: Uma Crise de Democracia, Liberdade e Estado de Direito?’. O objetivo desta audiência foi discutir os alarmantes relatos de violações generalizadas dos direitos humanos cometidas por autoridades brasileiras, incluindo má conduta judicial, perseguição à oposição política, supressão da liberdade de expressão e silenciamento da mídia de oposição. Os depoimentos dados na audiência forneceram fatos e evidências críveis e substanciais sobre esses problemas, e traçaram um quadro profundamente perturbador do estado da democ.

“Devido à gravidade do assunto, e para garantir que as relações entre os Estados Unidos e o Brasil sejam conduzidas com base em informações precisas, solicito respeitosamente que o senhor forneça esclarecimentos sobre os seguintes assuntos:

1 – “Existem atualmente jornalistas ou outros indivíduos cujo conteúdo está sujeito à censura prévia por sua ordem, incluindo, mas não se limitando a medidas como bloqueio de contas em redes sociais, remoção de sites ou conteúdo online, ou quaisquer outras ações que impeçam a publicação ou livre disseminação de informações?;

2 – “O senhor tem conhecimento da emissão de quaisquer ordens que tenham resultado no fechamento ou suspensão das operações de veículos de comunicação no Brasil? Da mesma forma, o senhor tem conhecimento de quaisquer ações tomadas por uma entidade governamental que tenham dificultado jornalistas de exercer suas funções profissionais, como o congelamento de seus ativos financeiros ou a imposição de restrições às suas liberdades civis, incluindo ordens de prisão ou o cancelamento de seus passaportes?

3 – “Algum integrante do Congresso brasileiro foi processado, investigado ou sujeito a medidas preventivas, como congelamento de bens ou restrições de viagem, devido a opiniões expressas ou ações tomadas no curso do exercício de suas funções legislativas?

4 – “Em suas investigações e processos contra civis, o senhor observou o devido processo legal, incluindo fazer as devidas notificações e citações em casos de indivíduos residentes nos Estados Unidos?

5 – “O senhor tem conhecimento de alguma instância de repressão transnacional, incluindo o uso de agências dos EUA ou organizações internacionais operando nos EUA, como a Interpol, para assediar indivíduos atualmente em território dos EUA e sob jurisdição dos EUA? Em 21 de maio, a Comissão de Justiça (equivalente à CCJ da Câmara) enviou uma carta ao Diretor do FBI afirmando que o Comitê Judiciário havia encontrado evidências de que, agindo em nome do governo brasileiro, o FBI havia contatado 2 residentes dos EUA, um dos quais era um jornalista alvo de ordens de censura emitidas por tribunais brasileiros. Por favor, compartilhe qualquer informação que o senhor tenha sobre este e outros casos.

6 – “O senhor solicitou dados ou emitiu ordens contra empresas ou indivíduos que não estão sob sua jurisdição geográfica, incluindo empresas ou indivíduos sob a jurisdição dos Estados Unidos?

7 – “O senhor exigiu que empresas ou indivíduos dos EUA cumprissem ordens cuja legalidade é questionável sob a lei brasileira, incluindo ordens que ameaçam empresas ou indivíduos dos EUA com ações legais contra seus funcionários, com multas ou com bloqueio, proibição e/ou desconexão deles no Brasil?

“Solicito respeitosamente que o senhor forneça uma resposta dentro de 10 dias úteis, pois estou atualmente trabalhando em uma legislação relacionada a este assunto com outros integrantes da Câmara.

“Como o senhor deve saber, tive o prazer e o privilégio de viajar para o seu país, de conhecer e trabalhar em questões de direitos humanos e estado de direito com muitos brasileiros e brasileiros-americanos, e permaneço profundamente comprometido em fortalecer a relação entre os EUA e o Brasil.

“Atenciosamente, “CHRISTOPHER H. SMITH”

Leia abaixo a carta de Chris Smith, em inglês:

 

 

Fonte: Poder 360

 

Opinião dos leitores

  1. Acho bonito os gadriotas, digo patriotas acharem bonito um “deputadozin chinfrin” dos “states” tentando lacrar contra uma autoridade brasileira… Haja patriotismo!

  2. Ou seja!!
    Intimado a prestar esclarecimentos.
    Quem diria heim?
    Desde que o mundo é mundo que as pessoas falam que um dia da caça, outro do caçador.
    Penso que essa novela vai ser escrita em vários capítulos.
    Vamos aguardar os desdobramentos.

  3. Boa, quero ver o Xandão queimar a careca, existem autoridades em outros países de olho no que acontece no BR…

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Economia

Ofensiva do setor privado eleva pressão sobre Motta por anulação do aumento do IOF e amplia crise

Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Confederações que representam o setor privado brasileiro, do comércio à indústria, divulgaram ontem um documento criticando a decisão do governo de elevar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O manifesto faz um apelo para que o Congresso “se debruce sobre o tema e avalie com responsabilidade a anulação do teor do decreto” do governo, apresentado na semana passada.

O texto afirma que “a decisão gera imprevisibilidade e aumenta os custos para produzir no país”, o que reforça a pressão de parlamentares da oposição sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para colocar em votação um decreto legislativo para anular a medida do Executivo. Tributaristas avaliam que alguns pontos da decisão do governo podem ser questionadas por empresas na Justiça.

As entidades empresariais signatárias do manifesto são a Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF) e a Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca).

O manifesto foi publicado na noite de ontem, no fim de um dia de alta tensão na relação entre o Executivo e o Legislativo. Quatro dias depois de o governo anunciar um aumento no IOF, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), criticou ontem a medida ao dizer que o país “não precisa de mais imposto” e que vai discutir com líderes partidários, em reunião na próxima quinta-feira, pedidos da oposição para revogar o decreto do governo que prevê novas alíquotas de IOF.

Ele ainda rebateu declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, feitas em entrevista ao GLOBO publicada no domingo, na qual ele afirmou um ajuste das contas públicas “depende mais do Congresso” do que do Executivo.

Motta contra-atacou dizendo que “quem gasta mais do que arrecada não é vítima, é autor”, e acrescentou que o governo “não pode gastar sem freio e depois passar o volante para o Congresso segurar”.

Além da reação pública do presidente da Câmara, a oposição no Congresso apresentou ontem novos projetos de decreto legislativo (PDLs) para derrubar o aumento do IOF. Até agora, são sete propostas protocoladas por deputados de PL, Novo, União, MDB e Solidariedade, todos de oposição. Entre eles, Marcel Van Hattem (Novo-RS), Nikolas Ferreira (PL-MG) e André Fernandes (PL-CE).

Reação à entrevista de Haddad

As declarações de Motta foram publicadas em suas redes sociais, no dia seguinte à entrevista em que Haddad responsabiliza o novo arranjo institucional — que chamou de “quase parlamentarismo” — pelas dificuldades do governo em avançar com medidas de ajuste fiscal.

Na quinta-feira, Haddad, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, e outros integrantes da equipe econômica anunciaram um congelamento de gastos a ordem de R$ 31 bilhões e o aumento do IOF em algumas situações, como tomada de crédito para empresas, transações cambiais e gastos com cartões em compras internacionais.

Inicialmente, o governo previa arrecadar R$ 20 bilhões neste ano com as mudanças, que já estão em vigor. Mas, algumas horas depois do anúncio, no mesmo dia, o governo revogou o IOF que havia sido apresentado para aplicações em fundos nacionais fora do Brasil, para escapar da interpretação no mercado de que se tratava de uma tentativa de controle de saída de capital. Ou seja, retomou a alíquota zero para esse caso.

Nos outros, ficou mantido o IOF maior. Porém, o governo ainda não divulgou as estimativas de receita com as mudanças.

No manifesto publicado ontem, as entidades afirmam que o aumento do IOF vai elevar os custos das empresas e dos negócios com operações de crédito, câmbio e seguros em R$ 19,5 bilhões só este ano. Para 2026, elas preveem uma alta nos custos de R$ 39 bilhões.

O texto ressalta que “a medida encarece o crédito para as empresas, ao elevar a carga tributária do IOF sobre empréstimos em mais de 110% ao ano”. E prossegue nas críticas acrescentando que o aumento do IOF no câmbio, por exemplo, provocará impacto na importação de insumos e máquinas e equipamentos, tirando incentivos ao investimento privado e à “modernização do parque produtivo nacional”. O manifesto também critica a tributação sobre títulos de previdência privada VGBL.

No manifesto de ontem, as confederações afirmam que “iniciativas arrecadatórias, com aumento de impostos, impactam negativamente a construção de um ambiente econômico saudável. O IOF, aliás, é um imposto regulatório, e não arrecadatório. É preciso enfrentar os problemas crônicos do Orçamento para acabar com a contínua elevação de impostos. Construir um desenho institucional mais eficiente é a forma certa de garantir o equilíbrio fiscal, reduzir o enorme custo tributário que trava o crescimento do país e garantir previsibilidade para investidores.”

As entidades ressaltam que o Brasil “ostenta uma das maiores cargas tributárias do mundo” e que é preciso assegurar que o aumento da arrecadação se dê graças ao crescimento da economia, não com mais impostos. O texto conclui afirmando que “é hora de respeitar o contribuinte”.

O Globo

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Geral

Fraudes no INSS: entidades pagaram R$ 110 mi a empresas de consignado

Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES

Planilhas e quebras de sigilo obtidas em investigações sobre o esquema bilionário de fraudes contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) revelam que entidades envolvidas na farra dos descontos indevidos pagaram pelo menos R$ 110 milhões a empresários e empresas que operam crédito consignado.

O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023 que embasaram a megaoperação da Polícia Federal (PF) deflagrada em abril deste ano, contra desvios que podem chegar a R$ 6,3 bilhões. O caso culminou nas demissões do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.

Segundo as investigações, associações suspeitas de fraudarem filiações de aposentados para cobrar mensalidade firmaram contratos com empresas de crédito consignado para captação de novos filiados. Na prática, elas ganhavam um percentual dos descontos de cada associado que conseguiam filiar ao vender os empréstimos, que também são deduzidos da folha de pagamento.

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), feita em 2023, identificou centenas de milhares de descontos associativos realizados próximos de datas de empréstimos consignados. Até agora, 12 entre mais de 30 entidades envolvidas são alvo de processo. Segundo o INSS, 9 milhões de aposentados sofreram descontos e serão notificados nesta semana para o início do plano de ressarcimento.

Elo com os consignados

  • A associação que mantém maior vínculo com esses empresários é a Amar Brasil Clube de Benefícios, que tem como presidente o aposentado Américo Monte. A entidade faturou R$ 324 milhões desde que firmou seu acordo junto ao INSS, em 2022, com o diretor Edson Yamada, na gestão do ex-ministro da Previdência José Carlos de Oliveira (PSD).
  • Monte é pai de Américo Monte Jr, que é dono de empresas de crédito consignado. Como mostrou o Metrópoles, o filho já foi investigado após um funcionário dizer que dentro de suas empresas havia um esquema de falsificação de assinaturas de aposentados para empréstimos fraudulentos.
  • O funcionário em questão prometeu mostrar um vídeo de Micaela Magalhães, neta de Monte e filha de Monte Jr, ensinando como fraudar assinaturas. O inquérito foi arquivado após o funcionário dizer que perdeu o celular onde havia salvo o vídeo.
  • A Amar Brasil repassou R$ 25 milhões somente para uma empresa de Américo Monte Jr. Outras empresas receberam R$ 54 milhões da entidade.
  • Outras entidades ligadas ao crédito consignado são a Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), a União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Unsbras ou Unabrasil) e o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap), que faturaram R$ 580 milhões com descontos desde que firmaram seus acordos com o INSS, nos governos Lula e Bolsonaro.
  • Todas elas são ligadas ao empresário Maurício Camisotti, do ramo de seguros e planos de saúde, e têm em seus quadros parentes e funcionários — o que inclui uma faxineira — de empresas dele.
  • A quebra de sigilo da PF na Operação Sem Desconto, de abril, revelou que pelo menos R$ 15 milhões foram pagos por entidades ligadas a Camisotti a empresas de Hebert Menocchi, um ex-gerente do BMG.

Como era o acordo com as entidades

O Metrópoles obteve duas planilhas da Cebap e da Ambec que mostram pagamentos a essas empresas de R$ 6,8 milhões e R$ 8 milhões, respectivamente. Contratos com esses grupos mostram como era o acordo com as entidades.

A cláusula de remuneração previa que 100% da primeira mensalidade descontada do aposentado pelas entidades e 21% de todas as demais contribuições mensais seriam repassados às empresas que operam os consignados e faziam as filiações dos segurados.

O TCU já havia descoberto uma relação entre os empréstimos consignados e aumento dos descontos de mensalidade associativa, que triplicaram entre 2023 e 2024, chegando a R$ 2 bilhões no período de um ano.

Segundo o levantamento do órgão, 482 mil filiações foram feitas em datas próximas do início de contratos de empréstimos consignados dos aposentados, somente entre janeiro e outubro de 2023.

“Considerando o universo de 2.024.953 novas associações no período, foram 23,84% das novas associações com datas próximas a empréstimo, correspondente a R$ 74.646.229,06 em descontos associativos de janeiro a outubro de 2023”, afirmou a auditoria.

O órgão, no entanto, considerou à época que “a despeito dessas proximidades de datas, não se pode afirmar que são vendas casadas não permitidas legalmente”.

Na última quinta-feira (8/5), o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, determinou o bloqueio de novos descontos de empréstimo consignado para todos os segurados, independentemente da data de concessão do benefício.

A decisão segue uma série de determinações feitas pelo TCU, em junho de 2024, que visava coibir fraudes relacionadas a descontos indevidos contra aposentados e pensionistas.

Na última semana, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) divulgou um vídeo no qual afirma que o escândalo do INSS envolve empréstimos consignados e chega a R$ 90 bilhões.

A CGU rebateu a afirmação do parlamentar, dizendo que o valor se refere ao volume total de empréstimo consignado realizado em um ano e que a investigação conjunta com a PF mira R$ 6,3 bilhões de descontos de mensalidade associativa sobre aposentadorias.

Metrópoles

Opinião dos leitores

  1. Estamos lascados, todo mundo agora que fez consignado, mesmos os autorizados vão falar que sofreu golpe e vai receber o NOSSO dinheiro de volta. Pq nós é que vamos pagar a conta.

  2. Se o judiciário fosse uma instituição séria, suspenderia imediatamente todos os tipos de descontos nos benefícios pagos pelo INSS.

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Geral

Soldado que morreu ao explodir Tesla Cybertruck em frente a hotel de Trump tinha estresse pós-traumático, dizem autoridades

Foto: Alcides Antunes/Associated Press

O soldado do Exército dos Estados Unidos que explodiu um Tesla Cybertruck em frente ao Trump International Hotel nesta semana em Las Vegas e tirou a própria vida havia escrito que queria enviar um “chamado de alerta” ao país, disseram as autoridades nesta sexta-feira.

Em anotações tornadas públicas após serem recuperadas pelos investigadores de um de seus celulares, o sargento-mor Matthew Alan Livelsberger elogiou o presidente eleito Donald Trump e escreveu que “nossos soldados estão cansados de lutar em guerras sem objetivos finais ou metas claras”.

No dia do ano-novo, ele estacionou o Tesla, que estava carregado com explosivos, na entrada do hotel e atirou em si mesmo fatalmente antes que o veículo pegasse fogo, ferindo sete transeuntes e causando alarme muito além de Las Vegas.

Nada sobre o que poderia tê-lo levado a tirar a própria vida havia sido divulgado publicamente até sexta-feira, quando as autoridades revelaram que Livelsberger, veterano de várias missões de combate, tinha transtorno de estresse pós-traumático e havia escrito em um aplicativo de notas em seu telefone que o país “caminhava para o colapso”.

“Isso não foi um ataque terrorista”, dizia a nota. “Foi um chamado de alerta. Os americanos só prestam atenção a espetáculos e violência. Que melhor maneira de passar minha mensagem do que uma ação com fogos de artifício e explosivos?”

Em uma coletiva de imprensa na sexta-feira, o subxerife Dori Koren, do Departamento de Polícia Metropolitana de Las Vegas, disse que, nas notas, o sargento Livelsberger continuou a “explicar uma variedade de outras queixas e questões — algumas políticas, outras pessoais.”

O sargento Livelsberger, de 37 anos, estava estacionado na Alemanha e havia retornado aos Estados Unidos durante uma licença. Ele alugou a caminhonete Tesla em Denver no dia 28 de dezembro, segundo a polícia, e passou alguns dias dirigindo do Colorado para Nevada antes de chegar à entrada do Trump Hotel na manhã de quarta-feira.

Depois que os bombeiros apagaram o incêndio, encontraram uma identificação militar e um passaporte que correspondiam à identidade do sargento Livelsberger. Também no Tesla estavam duas pistolas semiautomáticas, que o sargento havia comprado legalmente dois dias antes, além de uma coleção de fogos de artifício e intensificadores de combustível.

Em uma das notas, segundo a polícia, o sargento Livelsberger escreveu: “Por que eu, pessoalmente, fiz isso agora? Eu precisava limpar minha mente dos irmãos que perdi e me livrar do peso das vidas que tirei.”

Alicia Arritt, uma ex-enfermeira do Exército que namorou o sargento Livelsberger em 2018 e foi amiga dele até sua morte, disse que ele era uma pessoa generosa, com tendências conservadoras, mas raramente político de forma explícita. Depois de anos em missões, disse ela, ele lutava com problemas de saúde mental que tentava esconder para continuar servindo nas Forças Especiais.

“Ele precisava de ajuda, e tinha medo de pedi-la”, disse ela, “o que é muito comum para os caras que fazem o trabalho dele.”

Os escritos encontrados no telefone do sargento sugerem que ele estava cada vez mais preocupado com a política. Em uma nota compartilhada pela polícia, ele dizia que as pessoas deveriam “tentar meios pacíficos primeiro, mas estar preparadas para lutar” para retirar os democratas do governo federal.

Em outra, afirmou que “masculinidade é boa e os homens devem ser líderes,” acrescentando que as pessoas deveriam se unir em torno de Trump e Elon Musk, CEO da Tesla e um dos principais doadores da campanha de Trump.

As autoridades recuperaram as notas de um telefone severamente queimado encontrado no Tesla destruída. Era um dos dois telefones que pertenciam a ele, segundo a polícia, que acrescentou que ainda trabalhavam para acessar o outro telefone e o laptop do soldado.

A polícia afirmou que conseguiu rastrear os movimentos do sargento Livelsberger nos dias que antecederam a explosão com a ajuda de vídeos de vigilância em vários estados, bem como dados de estações de carregamento da Tesla.

Eles acrescentaram que engenheiros da Tesla enviados pela empresa a Las Vegas ajudaram os investigadores a recuperar dados da Cybertruck, que mostraram que o veículo não estava em modo de direção autônoma no momento da explosão.

A explosão foi alarmante e intrigante, mas além do sargento Livelsberger, as sete pessoas feridas sofreram apenas ferimentos leves, e o hotel sofreu poucos danos. A explosão ocorreu poucas horas após um ataque terrorista em Nova Orleans, levantando temores de que os dois incidentes pudessem estar conectados e de que o episódio em Las Vegas tivesse ligação com um grupo terrorista.

Mas Spencer Evans, agente especial encarregado do escritório de campo do FBI em Las Vegas, disse na sexta-feira que “não identificamos nenhuma conexão entre este indivíduo e qualquer outra organização terrorista.”

Ele acrescentou que, com base em entrevistas com amigos, parentes e militares que serviram com o sargento Livelsberger, o soldado não tinha animosidade em relação a Trump.

“Embora este incidente seja mais público e sensacional do que o habitual, parece, no final das contas, ser um caso trágico de suicídio envolvendo um veterano de combate altamente condecorado que estava lutando contra TEPT e outras questões,” disse Evans.

O Globo

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Marketing

Financiamento imobiliário na Flórida realiza ‘sonho americano’

Simone Negri, especialista em financiamento imobiliário nos EUA (FOTO: Divulgação)

Viver o sonho americano é mais real do que se imagina. Para se ter uma ideia, só no estado da Flórida, os brasileiros já são um pouco mais de 180 mil, população muito maior do que a maioria das cidades brasileiras. O que muita gente ainda não sabe é que comprar imóveis naquela região dos Estados Unidos para morar ou até mesmo investir é bem simples. Tudo é feito com muita transparência e segurança, como deve ser.

Mas, para colocar em prática um projeto de moradia ou investimento no mercado imobiliário norte-americano, há a necessidade de contratar os serviços de um agente financeiro. Sem isso, a sua intenção pode ser inviabilizada. Por exemplo, o comprador ou investidor precisa ter o ‘foreign national loan’, espécie de financiamento para estrangeiros, muito utilizado na Flórida. E só quem tem acesso a esse documento é um especialista do setor.

Mercado aquecido na Flórida

O mercado imobiliário nos EUA voltou a crescer, principalmente na Flórida, onde há a maior concentração de brasileiros. “Quem investe neste mercado (imobiliário) nos Estados Unidos tem a tendência de procurar sentir mais segurança”, avalia a brasileira Simone Negri, especialista em financiamento imobiliário, com mais de 20 anos de experiência nos EUA.

Segundo Simone Negri, o brasileiro que deseja comprar um imóvel ou investir no mercado imobiliário na terra do Tio Sam só precisa ter 30% do valor total do investimento, comprovado em conta bancária. “Hoje, os bancos, por aqui, financiam até 70% do valor do imóvel, e para um período entre 15 e 30 anos”, informou a profissional.

Mas, para ter acesso a esse recurso, o investidor ou comprador brasileiro precisa estar atento às regras pré-estabelecidas por lá, como, por exemplo a documentação solicitada: comprovante bancário e de renda, passaporte e visto válido e a comprovação regular através da carta do contador, que informa qual foi a renda nos últimos 2 anos até a data presente. Vale ressaltar que os vistos de turismo e de trabalho são aceitos para fins de financiamentos.

Os brasileiros que possuem o ‘Green Card’ ou visto de trabalho têm algumas facilidades na hora de financiar uma casa nos EUA: juros e taxa de entrada mais baixos são algumas delas. “Os bancos, geralmente, não pedem comprovante da origem do dinheiro que será investido no imóvel, desde que este dinheiro esteja na conta do investidor (ou comprador) por mais de 61 dias”, lembra Simone Negri.

É preciso ainda ficar atento a um detalhe importante: além de estar com os vistos em dia, o brasileiro candidato ao financiamento imobiliário deve comprovar que tem renda suficiente no país de origem para arcar com as parcelas. De posse de toda documentação exigida, o comprador leva de 30 a 45 dias para receber as chaves do imóvel.

No caso de o investidor pretender construir em solo americano, seja imóvel residencial ou comercial, há a necessidade de ter uma construtora, experiente, dos Estados Unidos. Após analise do projeto, juntamente com a saúde financeira do investidor, é emitida uma carta de crédito, aprovada, para construir.

O investidor entra com capital de 30 a 40% do valor total da obra (ou projeto). Com a alta demanda de mercado, o construtor tem a segurança de obter retorno com o investimento.

Transferência bancária de dinheiro

Para realizar uma transferência em dinheiro para o exterior, sem burocracia, segundo apontou Simone Negri, basta que as contas sejam da mesma titularidade e que comprove a origem do dinheiro para os bancos brasileiros.

Para compra de imóvel nos EUA, o Banco Central permite que o investidor compre dólares pelo câmbio oficial, acrescentado IOF de 0,38%. Nenhum imposto deve ser pago para a transferência de fundos, nem por parte do Brasil, nem pelos EUA. Neste caso, é cobrado o IOF de 1,10%. Assim como no Brasil, cada banco americano tem suas tarifas de recebimento de dinheiro.

Sobre Simone Negri

Especialista em financiamento bancário para o mercado imobiliário, Simone Negri integra o time de painelistas que vai participar do Encontro Cultural Orlando Natal – ECON, evento gratuito que será realizado na Arena das Dunas, entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro. As inscrições podem ser feitas pelo site do Sympla: https://www.sympla.com.br/evento/econ-encontro-cultural-orlando-natal-2022/1596691.

O ECON tem como objetivo dar visibilidade a vários serviços prestados aos brasileiros nos Estados Unidos, a partir de Orlando. O Encontro Cultural Orlando Natal – ECON é uma realização da Inout Brazil, Fórum Negócios, Acarta Comunicação e LIDE Rio Grande do Norte. Mais Informações: https://www.econ2022.com.br/

Documentação básica necessária para financiamento imobiliário:

_Documento de identificação: passaporte ou visto;_

_Comprovante de endereço do Brasil;_

_Referência bancária com informações das contas bancárias do requerente (contas com pelo menos dois anos de existência);_

_Extratos bancários completos de pelo menos dois meses do período que antecede à compra;_

_Comprovante de renda: Carta do Contador dizendo qual foi o ganho nos últimos 2 anos até a data da carta;_

_Cópia do contrato de compra e venda, assinado pelo vendedor e comprador._

 

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Brasil

Empresas de apostas que não pediram autorização terão funcionamento suspenso em outubro

Foto: Agência Brasil

As empresas de apostas de quota fixa que ainda não pediram autorização para funcionar terão a atuação suspensa a partir do próximo dia 1º de outubro, informou o Ministério da Fazenda nesta terça-feira (17).

Segundo Portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU), a partir do próximo mês e até o final de dezembro, só poderão continuar funcionando empresas de apostas que já estão atuando e que solicitaram autorização para explorar a modalidade lotérica de apostas de quota fixa até a última segunda-feira (16).

A partir de outubro, as empresas que não pediram autorização serão classificadas como ilegais até que tenha o funcionamento liberado pela Fazenda. Os sites de apostas que operarem no Brasil sem autorização ficarão sujeitos às penalidades previstas em lei, que prevê multas de até R$ 2 bilhões por infração.

Quem solicitou a autorização, mas ainda não estava atuando, terá que aguardar para iniciar a operação em janeiro — isso caso consiga a liberação por parte do ministério e mediante o cumprimento de todos os requisitos.

A expectativa é que a Fazenda conclua o processo de análise dos primeiros pedidos recebidos e que a partir de 1º de janeiro de 2025, quando terá início o mercado regulado de apostas no Brasil, apenas as empresas que se enquadrarem na lei e nas portarias de regulamentação da pasta continuem atuando.

Ainda de acordo com o ministério, as empresas aprovadas terão de pagar a outorga de R$ 30 milhões ainda este ano para começar a funcionar e, a partir de janeiro, também precisarão cumprir com todas as regras de combate à fraude, à lavagem de dinheiro, à publicidade abusiva, entre outras.

As casas de apostas autorizadas que pagarem esses R$ 30 milhões poderão explorar até três marcas durante cinco anos. Até o final de agosto, cinco empresas haviam feito um pedido extra e, se aprovadas, poderão explorar até seis marcas cada uma.

Em nota oficial, o secretario de prêmios e apostas do Ministério da Fazenda, Regis Dudena, afirmou que a pasta manterá o período de adequação até o fim de dezembro somente para quem já demonstrou que “quer atuar conforme a lei”.

“Têm vindo à tona muitas operações policiais envolvendo empresas que atuam no mercado de apostas de forma criminosa. Essa foi a forma que encontramos de não aguardar até janeiro para começar a separar o joio do trigo”, disse Dudena.

“Queremos proteger a saúde mental, financeira e física do apostador, coibindo a atuação de empresas que utilizam as apostas esportivas e os jogos on-line como meio de cometer fraudes e lavagem de dinheiro”, acrescentou.

O secretário ainda reforçou que o período de adequação “não pode ser usado para descumprir as leis já vigentes”, como as leis de Lavagem de Dinheiro, de Crimes Financeiros ou o Código de Defesa do Consumidor, por exemplo.

“Na análise dos pedidos de autorização, estamos levando em consideração o cometimento de atos ilícitos”, disse.

Período de adequação

Segunda a Fazenda, as empresas em atividade que já pediram autorização para a pasta têm até 30 de setembro para informar quais suas marcas comerciais que estão em atividade e quais sites elas usam durante esse período de adequação.

“A partir de janeiro, todas as empresas autorizadas utilizarão o domínio brasileiro de internet, com extensão ‘bet.br’”, disse o ministério em nota oficial.

Ainda de acordo com a pasta, as empresas que não pediram autorização já não podem mais ofertar apostas de quota fixa, mas precisam deixar seus sites disponíveis até 10 de outubro, com o intuito de permitir que os apostadores possam sacar seus recursos.

“A partir de 11 de outubro, esses sites e os respectivos aplicativos estarão proibidor e serão retirados do ar”, disse a Fazenda, reiterando que, para isso, a pasta vai intensificar o diálogo com o Ministério da Justiça e da Segurança Pública (MJSP), com o Banco Central e com a Agência Nacional de Telecomunicações.

Mais de 100 pedidos de autorização já foram recebidos

Segundo a Fazenda, 113 pedidos de autorização já haviam sido feitos até o final do mês passado, por 108 empresas de apostas que desejam operar no Brasil a partir de janeiro de 2025.

Os pedidos estão sendo analisados pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do ministério. O órgão leva em conta se as empresas atendem às exigências previstas em lei e em outras normas publilcadas pela Fazenda.

Algumas das exigências que passarão a valer em 2025 para sites de apostas que desejam operar no Brasil são:

  • Autorização prévia da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda;
  • Operar apenas em sites com o domínio “.bet.br”, que indicará ambientes legais e regulados;
  • Sede no Brasil e ser constituída como sociedade empresária limitada (LTDA) ou sociedade anônima (S/A);
  • Não ser pessoa jurídica que opere como filial, sucursal, agência ou representação no Brasil de pessoa jurídica com sede no exterior;
  • Um brasileiro como sócio detentor de ao menos 20% do capital social da empresa.

De acordo com a Fazenda, se todas as empresas atenderem às regras, a previsão é que a pasta consiga arrecadar até R$ 3,4 bilhões ainda neste ano, somente com o pagamento das outorgas.

Fonte: g1

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Economia

Governo admite que pode faltar dinheiro para custeio da máquina pública e investimentos em 2027

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou as dívidas judiciais (os chamados precatórios) fora da revisão de gastos programada para a administração federal e admitiu um colapso nas contas públicas já em 2027, primeiro ano do próximo mandato presidencial, se nada for feito.

Os números foram apresentados nesta terça-feira, 15, durante o anúncio de envio do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026 para o Congresso Nacional. É a proposta que define as regras gerais do Orçamento e a meta de equilíbrio entre receitas e despesas que o Poder Executivo deve perseguir.

O cenário apresentado pela equipe econômica prevê que o poder público fique sem dinheiro suficiente para sustentar os investimentos e manter a máquina pública funcionando a partir de 2027, mesmo depois do pacote de corte de gastos aprovado no ano passado.

Governo Lula mantém meta de fechar contas no azul em 2026 e prevê salário mínimo de R$ 1.630

As despesas obrigatórias devem somar R$ 2,39 trilhões em 2026, crescer para R$ 2,53 trilhões em 2027, R$ 2,67 trilhões em 2028 e R$ 2,84 trilhões em 2029, de acordo com os números divulgados.

O espaço para as despesas não obrigatórias, ou seja, para todos os investimentos públicos e custeio da máquina, será de R$ 208,3 bilhões em 2026, cairá para 122,2 bilhões – valor insuficiente para manter os serviços funcionando – em 2027, R$ 59,5 bilhões em 2028 e R$ 8,9 bilhões em 2029.

O valor de gastos não obrigatórios inclui todo o custeio da máquina, parte dos pisos de saúde e educação, os investimentos e ainda as emendas parlamentares, que possuem crescimento carimbado e definido em lei nos próximos anos.

A lei que instituiu o arcabouço fiscal estabelece que o nível mínimo de despesas não obrigatórias necessárias ao funcionamento regular da administração pública é de 75% do valor autorizado. Esse nível é de R$ 170 bilhões, considerando o Orçamento de 2024, o primeiro de funcionamento efetivo da nova regra fiscal. Ou seja, não haveria dinheiro suficiente já em 2027, quando começa o governo de quem for eleito para presidir o País nas próximas eleições.

“A partir de 2027, há um comprometimento que precisa ser endereçado e, neste momento, com as projeções apresentadas, não foi endereçado”, afirmou o secretário de Orçamento Federal, Clayton Luiz Montes, durante a coletiva de imprensa para anunciar o projeto da LDO. “Precisamos discutir novas medidas e vamos discutir novas medidas no encaminhando do PLOA (Orçamento, em agosto deste ano). O valor não comporta todas as necessidades do Poder Executivo.”

Um dos principais fatores que pressionam as contas é o pagamento de precatórios. Como mostrou o Estadão, essa despesa deve somar R$ 115,7 bilhões em 2026 e desafia o governo Lula propor alguma solução para a fatura, que deve voltar integralmente para o limite de gastos do arcabouço e para a meta fiscal a partir de 2027. “Para manter um patamar de despesas discricionárias, evidentemente precisamos aprofundar a revisão de gastos de despesas obrigatórias”, disse o secretário.

Dos R$ 115,7 bilhões em gastos com precatórios em 2026, R$ 55 bilhões ficarão fora do limite e da contabilidade da meta. O valor de sentenças judiciais chegará a 124,3 bilhões em 2027, R$ 132 bilhões em 2028 e R$ 144 bilhões em 2029, segundo as projeções do governo, que não incluiu nenhum gasto fora do teto a partir de 2027.

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o pagamento de parte dos precatórios fora dos limites até o ano que vem. O Poder Executivo ainda não anunciou que proposta fará para sustentar o arcabouço fiscal a partir do ano seguinte.

Na revisão de gastos incluída no projeto da LDO, que reúne as medidas de eficiência em andamento, o governo incluiu três programas: o Proagro, os benefícios previdenciários e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Segundo os técnicos da equipe econômica, trata-se de medidas de pente-fino e revisão de cadastros.

É diferente da economia projetada com o pacote de corte de gastos porque corresponde a ações de eficiência nos programas, e não corte e mudança de regras maiores. Em comparação ao anexo da última LDO, houve redução no potencial de econômica na Previdência Social. Com benefícios previdenciários, o governo esperava ter uma economia de R$ 28,6 bilhões em quatro anos e o valor caiu para R$ 16,4 bilhões.

A equipe econômica discutiu a inclusão dos precatórios na revisão, mas a decisão foi deixar o assunto de fora. Possivelmente, as medidas só serão discutidas em 2026, quando o Executivo se debruçará no orçamento do ano seguinte, e devem ficar para depois das eleições presidenciais, de acordo com técnicos ouvidos pela reportagem.

Analistas dizem que o governo muda a regra fiscal depois da eleição ou faz um ajuste forte nos gastos. A alternativa seria o STF prorrogar os pagamentos fora do teto e não é citada pelo governo no momento.

O governo diz que, mesmo fora da revisão, medidas têm sido tomadas para controlar o crescimento das despesas com sentenças judiciais, com a discussão dos assuntos diretamente no Poder Judiciário e a garantia de direitos para que as pessoas não precisem entrar na Justiça para cobrar, por exemplo, o pagamento de benefícios devidos.

“Várias medidas têm sido tomadas pelo governo para enfrentamento de teses. Embora o volume seja grande, não tem uma grande trajetória explosiva”, disse a secretária adjunta do Tesouro Nacional, Viviane Veiga. “Não necessariamente está dentro das medidas de revisão de gastos porque se trata de um processo muito maior e que de fato está apresentando resultados e impactos nos números.”

Estadão

Opinião dos leitores

  1. Tínhamos um Presidente decente, trabalhador e um Ministro da Economia dos mais competente. Preferiram fazer o L. Taí o resultado.

  2. Após gastar 5Bi em viagens de luxo, aumentar ministérios, afastar investidores com excesso de impostos e ter o judiciário mais caro do mundo, faz sentido que falte.

  3. Resumindo: tem dinheiro sim, mas é pra nós gastar com outras coisas, se faltar pra população é só aumentar os impostos e fingir que tá tudo bem.

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