Líbano recebe ordem da Interpol para prender Carlos Ghosn

Foto: Issei Kato/Reuters – 25.4.2019

A polícia libanesa recebeu nesta quinta-feira (2) uma ordem da Interpol para prender o ex-presidente da Renault-Nissan Carlos Ghosn, que se encontra em Beirute, após fugir do Japão.

O ministro da Justiça do Líbano, Albert Serhan, confirmou que o nome de Ghosn foi incluído na difusão vermelha da Interpol e encaminhado à Promotoria Pública do país, segundo a Agência Nacional de Notícias.

Filho de pais libaneses, Carlos Ghosn, de 65 anos, tem cidadanias brasileira (onde é nascido), libanesa e francesa. Ele entrou no Líbano legalmente com um passaporte francês, na última segunda-feira (30), segundo o ministro para assuntos presidenciais, Selim Jreissati.

A difusão vermelha da Interpol é uma solicitação às polícias locais em todo o mundo para que localizem e prendam provisoriamente um fugitivo da justiça de outro país.

A ordem de prisão internacional ainda não foi encaminhada ao judiciário. A agência de notícias Reuters acrescenta que em casos semelhantes, de alerta vermelho de cidadãos libaneses residentes no país, os indivíduos não foram presos, apenas foi estipulada fiança e confisco dos passaportes.

Carlos Ghosn, que estava sob fiança no Japão, fugiu no último fim de semana, utilizando jatinhos particulares, em uma viagem ainda cercada de mistérios.

Não se sabe, por exemplo, como ele conseguiu driblar a vigilância policial na casa onde vivia em Tóquio. Na terça-feira (31), uma emissora de TV libanesa informou que Ghosn escapou escondido em uma caixa de um instrumento musical, usado por uma falsa banda que se apresentaria na casa dele.

No Japão, Carlos Ghosn é alvo de processos criminais que incluem má conduta financeira — em um deles, é acusado de usar dinheiro da Nissan para fins pessoais.

Após a confirmação da fuga, a promotoria japonesa revogou o acordo de fiança e ele se tornou foragido. Nesta quinta-feira, promotores fizeram buscas na casa dele em Tóquio, em uma tentativa de entender como o ex-titã da indústria automotiva conseguiu escapar.

R7

Carlos Ghosn, que fugiu para o Líbano, tinha dois passaportes franceses

 Foto: Eric Gaillard/Reuters

O ex-presidente da aliança Renault-Nissan Carlos Ghosn, que fugiu do Japão onde estava em prisão domiciliar, tinha dois passaportes franceses, incluindo um que sempre levava em uma mala trancada. Nascido no Brasil, ele também tem cidadania libanesa e francesa.

Alvo de quatro acusações de crimes financeiros e em prisão provisória sob fiança desde abril de 2019, Ghosn vivia com certa liberdade de movimento no Japão, mas sob condições estritas. O empresário teria conseguido escapar do país em um jatinho privado com a ajuda de uma empresa privada de segurança, segundo a Reuters.

Após uma escala em Istambul, na Turquia, ele seguiu para Beirute, no Líbano, onde entrou com um dos seus passaportes franceses. As autoridades turcas lançaram uma investigação sobre a fuga do empresário e várias pessoas foram presas, de acordo com a rede japonesa NHK.

Passaportes

Os advogados do executivo mantinham sob seu controle três passaportes (um francês, um libanês e um brasileiro) – condição imposta pela justiça japonesa desde que ele foi colocado em prisão domiciliar. Porém, Ghosn tinha dois passaportes franceses.

Em maio, uma autorização excepcional do tribunal permitiu que o empresário ficasse com um dos dois documentos franceses trancado em uma mala. A chave dessa mala, no entanto, ficava com seus advogados.

O documento servia como visto de curta duração no arquipélago e ele precisava utilizá-lo em seus deslocamentos internos.

No Japão, estrangeiros devem se deslocar com seu passaporte ou um documento de identidade fornecido por um governo. Então, em caso de um controle, o empresário deveria entrar em contato com um de seus advogados para que ele fosse encontrá-lo (e levar a chave). A imprensa francesa ressalta que essa não era uma condição exclusiva de Ghosn, mas a todas as pessoas que estão em algum regime de liberdade condicional.

As autoridades japonesas não têm registro de que ele tenha, porém, apresentado sua real identidade aos controles de fronteira.

Prisão de Ghosn

Carlos Ghosn foi preso no Japão no dia 19 de novembro de 2018 e, desde então, deixou a presidência do conselho das três montadoras que comandava: da Nissan, da Mitsubishi e da Renault.

Ele foi solto sob pagamento de fiança em março de 2019, após mais de 100 dias detido, mas acabou preso novamente em abril, por novas acusações das autoridades. No mesmo mês, foi solto após pagamento de fiança de US$ 4,5 milhões, valor equivalente a R$ 17,8 milhões. E agora aguardava o julgamento, previsto para 2020.

As circunstâncias da fuga ainda não estão claras. Ele teria usado um jato particular que decolou do aeroporto de Kansai, no oeste do Japão. Segundo a imprensa japonesa, uma aeronave deste modelo teria deixado o país no dia 29 de dezembro, às 23h, em direção a Istambul. A aterrissagem teria acontecido no aeroporto de Atatürk, fechado para voos comerciais.

Na mídia libanesa levantou-se a hipótese que Ghosn teria escapado escondido em uma caixa de instrumento depois de um concerto privado na sua residência. “É ficção pura”, disse a mulher Carole, em conversa com a Reuters.

Pessoas próximas a Ghosn disseram ele foi recebido pelo presidente do Líbano, Michel Aoun.

Já em Beirute, Ghosn divulgou um comunicado em que afirmou que não será “mais ser refém de um sistema judicial japonês fraudulento em que se presume culpa, onde direitos humanos básicos são negados. Não fugi da justiça. Escapei da injustiça e da perseguição política. Agora posso finalmente me comunicar livremente com a mídia e estou ansioso para começar na próxima semana”.

Nesta quinta-feira (2), a secretária de Estado francês para a Economia, Agnès Pannier-Runacher, declarou que o empresário não será extraditado se vier para a França. “A França nunca extradita seus cidadãos, então aplicaremos a Ghosn as mesmas regras que aplicamos para todos. Não é por isso que achamos que ele não deva ser julgado pela Justiça japonesa”, declarou, em entrevista ao canal BFMTV.

O que se sabe sobre o caso de Carlos Ghosn — Foto: Arte/G1

G1

 

A surpreendente fuga do empresário brasileiro Carlos Ghosn de prisão domiciliar no Japão para o Líbano

O ex-presidente da Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, viajou ao Líbano após fugir do Japão, onde é acusado de crimes financeiros.

Num comunicado, Ghosn disse que não fugiu da Justiça, mas sim “da injustiça e da perseguição política”. O advogado Junichiro Hironaka, que representa o brasileiro, afirmou que está “estupefato” com a notícia e que não falou recentemente com seu cliente.

Não está claro como Ghosn conseguiu deixar o país, já que ele estava impedido de viajar para o exterior e sob supervisão da Justiça.

O brasileiro, que tem um patrimônio estimado em US$ 120 milhões, era uma das figuras mais poderosas da indústria automotiva até ser preso em novembro de 2018. Ele nega ter cometido qualquer irregularidade.

O caso dele atraiu atenção internacional e os vários meses em que ficou na prisão levou a um questionamento sobre o sistema judicial japonês. O executivo de 65 anos nasceu no Brasil, é descendente de libaneses e passou parte da infância e juventude em Beirute, capital do Líbano, antes de completar os estudos em Paris.

Ele possui passaportes francês, brasileiro e libanês. Mas seu advogado disse a repórteres em Tóquio, nesta terça (31), que a equipe de defesa de Ghosn ainda está com os documentos dele.

“Eu nem sei se conseguiremos contato com ele. Não sei como vamos prosseguir a partir de agora”, disse Hironaka.

O Líbano não tem acordo de extradição com o Japão. Ghosn foi liberado da prisão em abril após pagar US$ 9 milhões em fiança e sob várias restrições que tinham como objetivo impedir que ele saísse do país.

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OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. PATRÍCIA disse:

    Tão normal sonegar no Brasil. A maioria das empresas brasileiras fazem isso. E nem acontece nada!

  2. Cigano Lulu disse:

    Apesar de ter várias nacionalidades, Ghosn tem uma alma tipicamente brasileira.

  3. Everton disse:

    O cara tava preso há mais de ano e sequer foi julgado. Quem fala q o judiciário brasileiro é lento, desconhece como funciona no restante do mundo civilizado.

  4. Bia disse:

    Tinha que ser um brasuca.

    • ALEX disse:

      Esse senhor possui três cidadanias: nascido em Rondônia, filho de libaneses, naturalizado francês. Quem Já o viu falando percebe a dificuldade que ele tem com a língua portuguesa. Na verdade ele tem muito pouco de brasileiro.

    • THIAGO CARVALHO disse:

      Embora a maior parte ele viveu fora do Brasil, mas ele é igual a Pitu, Mania de Brasileiro.
      Kkkk
      Todos sabem a fama de brasileiro mundo a fora, o resultado ñ poderia ser diferente.
      Mas se fosse no Brasil ele ainda conseguiria alguns Bilhoes emprestado comprando alguns políticos

‘Titã’ da indústria automotiva, presidente brasileiro da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, é detido por fraude fiscal

Getty Images

O brasileiro Carlos Ghosn, presidente da gigante automobilística Nissan, foi detido em Tóquio, no Japão, por suspeita de fraudes financeiras.

A montadora afirmou, em nota, que conduziu uma investigação interna por vários meses e descobriu que Ghosn “subnotificou seus rendimentos” às autoridades.

“Numerosos outros atos de conduta imprópria foram descobertos, como uso pessoal dos ativos da companhia”, diz o comunicado.

A empresa acrescentou que vai retirar o executivo do cargo.

“A Nissan pede desculpas por causar grande preocupação aos nossos acionistas e parceiros.”

A nota acrescenta que a companhia está fornecendo informação aos promotores públicos do Japão e cooperando com as investigações.”

Quem é Carlos Ghosn?

Além de ser presidente da Nissan, Ghosn também é presidente e diretor-executivo da Renault e da Mitsubishi Motors, empresas com quem a Nissan tem parceria.

O executivo é considerado um “titã” da indústria automobilística há quase 20 anos. Nascido no Brasil, com ascendência libanesa e cidadania francesa, ele foi responsável por uma reviravolta dramática na Nissan no início dos anos 2000, quando a empresa de automóveis estava à beira da falência.

Apelidado de “assassino de custos” nos anos 1990 por cortar empregos e fechar fábricas, sua reputação foi consolidada depois que a estratégia foi bem-sucedida.

O status de herói foi tão difundido no país que sua trajetória foi ilustrada em mangás, as famosas histórias em quadrinhos japonesas.

R7, com BBC Brasil

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. paulo martins disse:

    É de um cara desse que o PT está precisando para ser candidato a presidente.

  2. Luiz Carlos disse:

    Esse deve ser eleitor de bolsonlixo. É rico

    • Fábio disse:

      Então o Brasil tem 56 milhões de ricos?
      Que coisa boa!

    • Fábrico disse:

      É não Luiz Carlos, antes de ser rico, ele é CORRUPTO, com certeza não é eleitor de Bolsonaro, se alinha muito a esquerda e seus membros, como a turma da JBS, Odebrecht, OAS, Camargo Correia entre tantos outros ricos que davam sustentação através da corrupção do PT.

    • Lair solano vale - cooperado Unimed Rn disse:

      Sr Luiz , e os Nordestinos que votaram no Capitão 17 são RICOS ??? de fé, de esperança, de liberdade, de amigos e de bom senso.

  3. VANDOIR disse:

    EITA CARA BURRO, FOI FAZER MUTRETA NO PAÍS ERRADO. SE FOSSE NESSAS TERRAS, IRIA AGUARDAR O TRÂNSITO EM JULGADO DOS CRIMES OU SEJA, AGUARDARIA O RESTO DA VIDA EM LIBERDADE E NEGANDO OS CRIMES COMETIDOS.
    QUEM SABE TERIA ATÉ TORCIDA ORGANIZADA PARA CHAMÁ-LO DE INOCENTE.