TOC pode se agravar com medo de ficar doente imposto pela pandemia

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A pandemia de covid-19 pode agravar o quadro de pessoas com TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), segundo o psiquiatra e doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP), Ivan Braun. “Como há maior risco de contaminação nesse período, a pessoa que tem o ritual de lavar as mãos pode realizá-lo ainda mais frequentemente. Além disso, todo o estresse causado pela pandemia, desde o medo de ficar doente até o receio de perder o emprego, pode provocar uma piora dos rituais, sejam eles quais forem”, afirma.

O psiquiatra afirma ainda que de, modo geral, situações de estresse podem desencadear o aparecimento de diversos transtornos psiquiátricos, mas que não há, por enquanto, evidências científicas de que pessoas sem TOC venham a desenvolver o transtorno em decorrência da pandemia. “Transtornos psiquiátricos pressupõe uma vulnerabilidade biológica, de modo que pessoas que venham a desenvolver TOC, mesmo na pandemia, possivelmente tinham algum grau de predisposição.”

Há cerca de quatro anos, Clara (nome fictício), 18, começou a desenvolver alguns hábitos incomuns. “Chegava atrasada nos lugares porque fazia questão de voltar duas, três vezes para garantir que tinha trancado a porta ou desligado o fogão, sendo que muitas vezes eu nem tinha usado o utensílio naquele dia”, conta. Após a consulta com um psiquiatra, ela descobriu ser portadora do transtorno.

O médico explica que o TOC se caracteriza por pensamentos de natureza desagradável que, apesar de reconhecidos como exagerados e até absurdos pelos pacientes, os levam a realizar os chamados “rituais”, que, momentaneamente, serviriam de alívio para eles.

No TOC, hábitos como os desenvolvidos por Clara são chamados “rituais de checagem”. “A pessoa sai de casa e aí vem à cabeça: ‘será que fechei a porta?’. Se você perguntar para ela, ela até sabe que fechou, mas a dúvida persiste. Aí ela volta, verifica, sai de novo e o pensamento reaparece”, explica o psiquiatra.

De forma geral, no entanto, os rituais podem se manifestar de muitas outras maneiras. “Podem ser públicos, ou seja, visíveis para outras pessoas, como lavar as mãos, andar para trás ou fazer algum gesto específico, ou podem ser rituais encobertos, nos quais o paciente tem que rezar ou ficar repetindo alguma coisa para si mesmo, por exemplo.”

Em decorrência da quarentena imposta pela pandemia do novo coronavírus, Clara afirma que, no caso dela, os rituais de checagem saíram de cena. Mas, devido ao medo de contrair covid-19, ela conta que tem lavado as mãos excessivamente.

“Sempre lavei as mãos muitas vezes por dia, pois achava que se não fizesse isso, poderia ficar doente. Antes da pandemia, eu conseguia parar e raciocinar: ‘eu não vou ficar doente, é só um pensamento.’ Agora não tem como. Na minha cabeça, se eu não lavar as mãos, vou morrer”, afirma.

O especialista explica que não existe, necessariamente, uma relação de causa e efeito entre atravessar uma pandemia e desenvolver outros rituais. “Tanto em situações de pandemia quanto em situações ‘normais’, os rituais podem variar ao longo da vida. A pessoa pode melhorar de uma coisa e piorar de outra. Mas não é uma regra. Eu tenho pacientes que durante o período de pandemia, pelo fato de não estarem se expondo a determinadas situações, apresentaram uma melhora do quadro. Isso é muito subjetivo.”

Devido à piora do quadro, Clara afirma que se consultou com seu psiquiatra, que aumentou a dosagem do remédio. Braun ressalta que se o paciente sentir que está piorando, a recomendação é que procure um profissional para uma nova avaliação. “Se a pessoa tem uma piora de um dia é uma coisa, se ela tem uma piora de um mês é outra. Cada situação precisa ser analisada individualmente.”

Segundo o psiquiatra, em princípio, o TOC pode ser tratado exclusivamente com terapia comportamental, mas pode ser também associado a medicamentos antidepressivos e ansiolíticos. “O TOC tem dois componentes: o biológico, no qual o medicamento atua, que é como o cérebro do paciente funciona, e o de aprendizado. O ato de realizar ou não realizar os rituais é um mecanismo de aprendizado. A terapia força a pessoa a não realizar os rituais, mesmo que venham os pensamentos obsessivos, então é como se você criasse um aprendizado para o seu organismo de que esse pensamento não representa nenhum perigo, e com isso, os pensamentos vão enfraquecendo.”

No artigo “Why the OCD Community Holds the Key to Coping with covid-19 Anxiety” (em tradução livre para o português, “Por que a comunidade portadora de TOC detém a chave para lidar com a ansiedade da covid-19”), publicada em 24 de março no site da International Obsessive-Compulsive Disorder Foundation (IOCDF), a fundação afirma que, embora os pacientes com transtornos de ansiedade (sobretudo TOC) que não estejam em tratamento tendam a lidar pior com a pandemia, “há os que gerenciam o TOC com sucesso para aprender habilidades eficazes para lidar com a ansiedade e manter a saúde mental” durante esse período.

O médico concorda. “É válido estimular os pacientes a se utilizarem do aprendizado que tiveram ao longo do tratamento do TOC para lidar com as incertezas da pandemia. A incerteza é um dos focos do tratamento comportamental. O paciente é orientado a não verificar por diversas vezes se trancou a porta, e com isso, ele aprende a lidar com essa dúvida.”

Clara, no entanto, não acredita que os aprendizados adquiridos durante o tratamento estejam a ajudando a lidar melhor com a pandemia. “Não vejo dessa forma. Minha ansiedade aumentou muito.”

Ela faz terapia uma vez por semana. As sessões, que antes eram realizadas presencialmente, agora estão sendo feitas por chamada de vídeo. “No começo foi meio estranho, porque quando você está em casa, você não quer muito compromisso. Mas, no final das contas, acabei me acostumando e agora estou gostando até mais.”

R7

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Pepe disse:

    Nesta hora ter um pouco de TOC faz bem,esta é uma doença que o ruim é a intensidade.

Doente com sarampo em teatro em Florianópolis leva à busca por 529 espectadores

Foto: Reprodução/Facebook Fundação Catarinense de Cultura

Uma pessoa com sarampo na plateia do teatro Ademir Rosa (CIC), em Florianópolis, Santa Catarina, deflagrou a busca por 529 espectadores pela Secretaria Municipal de Saúde. A doença é altamente contagiosa.

Segundo a assessoria de imprensa da pasta, o paciente, que estava no show de stand up comedy Meu nome não é Jorge, do artista Cris Pereira, realizado em 22 de setembro, às 19h, apresentou resultado preliminar positivo para a doença, de acordo com a Vigilância Epidemiológica. O diagnóstico final leva 15 dias.

“Como procedimento padrão, neste tipo de caso, é realizado o levantamento de todas as pessoas que estiveram em contato com o doente, para que as devidas medidas para barrar a transmissão do sarampo sejam tomadas”, afirmou a secretaria por meio de nota.

A orientação é que as pessoas que estavam na plateia nessa edição do espetáculo entrem em contato com a Vigilância Epidemiológica pelos telefones (48) 3212-3910 e (48) 3212-3907.

O sarampo é transmitido quatro dias antes e quatro dias depois da manifestação dos sintomas, que duram em média 10 dias, segundo o Ministério da Saúde. Uma única pessoa contaminada infecta 18 em média. Diferentemente da gripe, o sarampo não é transmitido por gotículas de saliva, mas pelo chamado aerossol, que são partículas ainda menores e com maior alcance. A doença fica incubada nas pessoas, e não no ambiente, daí seu grande potencial de proliferação.

Até o momento, apenas uma pequena porcentagem de pessoas que estiveram no teatro na mesma ocasião que o paciente se apresentou em postos de saúde da prefeitura, segundo a assessoria.

A pasta afirma que não se trata da primeira ocorrência de sarampo em local fechado com grande número de pessoas. Recentemente, houve caso semelhante registrado em casa noturna e dois voos da TAM.

Arte/R7

R7

 

Doente, intérprete do Professor Girafales faz apelo por ajuda médica; veja carta

ruben-aguirre-divulgou-uma-carta-cobrando-seus-direitos-a-associacao-nacional-de-atores-do-mexico-anda-1434488401676_300x420 ruben-aguirre-como-professor-girafales-roberto-gomez-bolanos-o-chaves-e-maria-antonieta-de-las-nieves-a-chiquinha-do-seridado-mexicano-chaves-1417214943836_300x420Com problemas de saúde e sem nenhuma assistência médica, Rubén Aguirre, o Professor Girafales no seriado “Chaves”, pediu ajuda à Associação Nacional de Atores do México (ANDA) nesta segunda-feira (15). Aos 81 anos, o ator divulgou uma carta em espanhol nas redes sociais revelando as suas condições físicas e, principalmente, cobrando providências da entidade.

Com título “E agora, quem poderá me defender?”, uma referência ao personagem Chapolin, Rubén revelou que há dez anos luta pelo direito de ter assistência médica, já que sempre contribuiu com as cotas estabelecidas pela associação. “Minhas forças se acabaram”, assumiu o ator mexicano que também explicou o motivo do texto nas redes sociais.

“Que essa carta sirva para mostrar a responsabilidade da Associação Nacional de Atores pelo detrimento da minha saúde e da minha esposa, e as consequências de desatenção. Apelo, uma vez mais, à consciência de algum defensor social que me apoie em minha luta para fazer valer esse direito básico”, escreveu Rubén em um trecho da carta. Em agosto de 2014, o ator foi internado na capital do México com quadro de desidratação e anemia, mas ele tomava medicamentos há pelo menos duas décadas para controlar doenças renais e diabetes.

A repercussão da carta foi imediata entre os fãs do atores e a classe artística. Em entrevista ao jornal “El Universal”, secretário da ANDA,o ator Felipe Nájera, (que interpretou o Pascoal de novela “Rebelde”), explicou que no final do ano passado, Rubén chegou a ser hospitalizado com auxílio da entidade. Antes, ele já tinha conversado com o veterano ator sobre o problema da falta de assistência médica. Felipe reconheceu que o serviço tem falhas a serem corrigidas e assumiu que pretende conversar com Rubén para resolver logo a questão.

ruben

UOL

Newton Faria poderá ser submetido à outra cirurgia ainda hoje

Irmão da ex-governadora Wilma, o economista Newton Faria, internou-se ha alguns dias no Hospital Albert Einstein (SP), após a descoberta de um tumor no fígado, quando ainda estava no Rio Grande do Norte.

Segundo informações de amigos próximos, ao dar entrada no hospital paulista, a equipe médica descobriu um novo tumor localizado no estômago, o que levou a primeira cirurgia, realizada ontem. Infelizmente o quadro veio a se agravar hoje e a competente equipe que atende o irmão de Wilma, estuda a possibilidade de realizar um novo procedimento cirúrgico até o final do dia.

Newton Faria é casado com Nina Salustino, mãe do Deputado Fábio Faria.

Por interino.