Secretários estaduais que tiveram a prisão decretada pela justiça estão foragidos

Nenhum dos dois secretários estaduais que tiveram a prisão decretada pela justiça foram localizados. A informação nas duas pastas, tanto a de Planejamento como a de Recursos Humanos, é de que seus titulares não apareceram para trabalha.  Obery Rodrigues Júnior e Antônio Alber da Nóbrega  tiveram a prisão decretada pelo desembargador Virgílio Macedo Júnior pelos reiterados descumprimentos de decisões judiciais que determinam a concessão de reajuste salarial a servidores públicos estaduais.

Os secretários deverão ser recolhidos ao Quartel do Comando da Polícia Militar após realizarem exames de corpo de delito no Instituto Técnico-Científico de Polícia (Itep).O procurador-geral do Estado, Miguel Josino, já oficializou o pedido de revogação de prisão dos secretários.

Perguntar não ofende, já procuraram na casa da Governadora?

 

Pense duas vezes antes de falar do Tribunal de Justiça do RN

O judiciário no Rio Grande do Norte parece completamente intocável. Como o próprio Deus, livre de dúvidas ou questionamento. Que o diga, o secretário estadual de Planejamento, Obery Rodrigues, que foi alvo de nota oficial bastante agressiva após fazer um comentário para uma  matéria da Tribuna do Norte e repeti-lo em reportagem da InterTV .

Em entrevista , Rodrigues observou que no relatório de gestão fiscal, onde é calculado os gastos com pessoal para fins da Lei de Responsabilidade Fiscal, o Tribunal de Justiça exclui o gasto com as Gratificações de Técnico de Nível Superior (GTNS) do cálculo feito para computar a folha de servidores. Embora tenha afirmado que não lhe cabe trazer opinião, o secretário “constata” que a despesa com pessoal da Corte não inclui o benefício da gratificação paga.  “A lei diz que decisão judicial cumprida há mais de um ano deve ser colocada como despesa para efeito de dedução na Lei de Responsabilidade Fiscal, mas não é isso que o Tribunal faz”, observa Obery Rodrigues.

Foi o suficiente para que, de acordo com a Tribuna do Norte, a presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do norte, Judite Nunes, fizesse uma ligação nada amistosa para a governadora do Estado e ainda, 48 horas depois, emitisse uma nota oficial rechaçando as declarações de Obery e classificando-as como ” intromissão descabida do Secretário nas questões internas do Poder Judiciário”.

Ora, então quer dizer que ninguém pode falar nada sobre o poder judiciário do RN? Onde foi que o secretário se intrometeu?

Vejam nota do TJ na íntegra:

 Presidência rebate alegações do secretário de planejamento

A Presidente do Tribunal de Justiça, Desembargadora Judite Nunes, rebateu, na manhã desta terça-feira, as alegações do Secretário Estadual de Planejamento, Obery Rodrigues, que afirmou, ao Jornal Tribunal do Norte e ao Programa Bom Dia RN, que o Tribunal de Justiça estaria descumprindo a Lei de Responsabilidade Fiscal ao não incluir a GTNS no cálculo de pagamento de pessoal, além de insinuar que não estaria observando o teto constitucional no pagamento das remunerações.

Segundo a Presidente, “despesas decorrentes de decisão judicial não devem ser consideradas para efeito dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte entende que é assim que dispõe a Lei e é assim que decide o Superior Tribunal de Justiça e que é esta, também, a linha de pensamento do Tribunal de Contas do Estado” e conclui: “Estamos procedendo de acordo com a lei e com a interpretação que lhe é dada pelos nossos tribunais”.

Quanto à gratificação, destaca a Presidente: “Não farei juízo de valor acerca da GTNS. Apenas cumpro a decisão judicial que determinou a sua implantação. É minha obrigação cumpri-la e fazer da forma como determinado pelo órgão julgador. Como agente administrativo, não me cabe discutir tal decisão e muito menos criticá-la”.

No que diz respeito ao teto constitucional, a Desembargadora reafirmou o que já havia dito em entrevistas anteriores, de que “o Tribunal de Justiça cumpre rigorosamente a regra estabelecida pela Constituição Federal. Afirmar o contrário fere a verdade e normalmente ocorre em decorrência de sensacionalismo, despreparo ou má fé, o que me nego a acreditar ser o caso do Secretário”.

Mas o lamentável deste episódio, segundo a Desembargadora, é a intromissão descabida do Secretário nas questões internas do Poder Judiciário. A própria Governadora, afirma a Presidente, “não interfere nas questões dos outros Poderes e tem tido uma postura institucional absolutamente correta. E é lamentável que um Secretário seu venha a tentar tal tipo de ingerência. A descabida intromissão do servidor do Executivo ofende a todos do Poder Judiciário”. E a infeliz colocação do Secretário, acrescenta a Presidente, “é uma crítica contra atos administrativos e judiciais do Poder Judiciário, o que não é o que se espera de uma pessoa que está falando na qualidade de auxiliar de outro Poder”.

A Presidente fez questão de frisar que “o TJ/RN foi o mais transparente possível na divulgação das remunerações e tem aceitado, com absoluta tranquilidade, o exame, o controle e a crítica dos cidadãos, da imprensa e dos demais setores sociais. Isto faz parte do debate democrático que deve existir e é a própria razão de ser da Lei de Acesso à Informação. Mas o que é impróprio é um Secretário de um Poder tentar se intrometer nos atos dos demais Poderes”.

Por fim, concluiu a Presidente do Tribunal que “o Secretário deveria respeitar os preceitos constitucionais que norteiam as relações entre os Poderes, respeitando a independência, o que faria se evitasse se intrometer em assunto que não lhe diz respeito, e a harmonia, abstendo-se de criar celeumas institucionais desnecessárias”.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. O Sr. Obery deveria ter ficado calado. Ele é um mero secretário de estado, de livre nomeação e exoneração. Já seria impróprio à Governadora meter-se em assuntos do Judiciário, ou do Legislativo. E vice-versa. A tripartição de poderes é preceito do sistema democrático e do regime republicano desde o século XVIII.

    Quem fala o que quer, ouve o que não quer

  2. Maria disse:

    Não conheço a Chefe do Poder Judiciário do RN, mas achei perfeita a nota, apesar de muito educada.
    Que tal o Judiciário ir pra imprensa questionar a forma como tem sido tratada a saúde pública ou os valores absurdos pagos por propagandas? 
    Não se trata de ser intocável, caro jornalista. Existe um princípio constitucional que dita o "respeito" entre os Poderes.

    Aliás, não seria mais inteligente questionar a razão oela qual não pagam melhor aos médicos, professores e policiais? Reclamem do chefe que paga mal e não daquele que paga bem.
    A péssima gestão do atual governo não é culpa do Judiciário, mas é essa a justificativa que parece mais fácil.
    O que dirão da folha do Legislativo?
    O que dirão dos servidores do próprio Executivo que percebem salários acima do que recebe nossa Governadora?
    Aguardemos.

  3. José de freitas neto disse:

    Houve um pequeno equivoco no meu comentario anterior.O que quero dizer é:a sabedoria popular diz que 80% da folha do governo vão para o judiciario e o legislativo e o restante vai para a escoria,onde me incluo.

  4. José de freitas neto disse:

    Alguns setores do  judiciario potiguar,para não se desmoralizar de vez ,precisa de uma séria faxina em todos os seus setores,principalmente o moral e etico acabando com a chamada gestão de camarilha tipicos de ditaduras.Há muito que a sabedoria popular costuma dizer:80% da folha de pagamento do estado vão para este poder e o restante para a escoria(professores,medicos,enfermeiros,soldados e  e outras classes que recebem salários de fome).O Sr. Obery,ao qual não conheço,disse a verdade e a verdade doi.

Secretário de Planejamento nega que tenha pedido demissão do cargo

Por interino

O secretário de Estado do Planejamento e das Finanças (Seplan), Obery Rodrigues, nega que tenha pedido demissão do cargo que ocupa no Governo Rosalba Ciarlini (DEM). De acordo com matéria na Tribuna do Norte, o secretário assegurou que não fez pedido e que não está sabendo de nada.

A declaração é uma resposta ao boato na imprensa local de que o atual titular da Seplan está insatisfeito com a notícia de sua substituição pelo engenheiro Jaime Mariz, assessor do ministro Garibaldi Alves. Com a suposta troca, Obery já teve o nome cotado para conselheiro do Tribunal de Contas do Estado e mais recentemente para a Secretaria de Turismo.