Judiciário

MENSALÃO: ‘É o começo do fim’, diz Simone Vasconcelos, ex-funcionária de Marcos Valério

2013111662762.jpg-GNC1DGO4M.1Foto: Givaldo Barbosa – O Globo

Depois do pavor dos primeiros momentos da prisão, Simone Vasconcelos, que faz parte da primeira leva de condenados do mensalão a cumprir pena, recuperou a calma e já faz planos para o futuro. Condenada a 12 anos de prisão, 7 meses e 20 dias de prisão ela já assimilou a ideia de passar pouco mais de dois anos em regime fechado e a partir daí tentar vida nova. Para ela, mais terrível do que estar isolada numa cela, era a a longa indefinição do processo do mensalão,que resultou na condenação dela, do ex-chefe Marcos Valério e de outros réus à prisão.

– É o começo do fim. Estou aliviada – desabafou Simone a uma amiga no domingo.

Ex-diretora da SMP&B de Marcos Valério, o operador do mensalão, Simone foi condenada por corrupção ativa, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Pela lei, ela deve cumprir um sexto da pena, mais de dois anos de prisão, em regime fechado e, se tiver bom comportamento, poderá pedir progressão de regime. Simone está desde à noite de sexta-feira numa das celas da Superintendência da PF e nesta segunda-feira deve ser transferida para a Papuda ou para Colmeia, presídio que abriga exclusivamente mulheres.

– Ela estava cansada, exaurida pelo prende, não prende. O que ela quer agora é cumprir logo a pena e recomeçar a vida – disse Fabiane Barbosa, advogada da ex-diretora da SMP&B.

Simone se entregou à PF em Belo Horizonte na última sexta-feira e, em seguida, foi levada para a Papuda, em Brasília. Por falta de acomodação apropriada, foi levada para uma cela da Superintendência da PF ainda na noite de sexta-feira. A cela tem dois quartos, com beliches, um cano de água fria que serve de chuveiro e uma privada sem assento. No domingo, ela pediu um pijama novo e um mamão. Simone tem problema de intestino e precisaria do mamão para facilitar a digestão.

Simone não se queixa das condições da cela, mas lamenta que não tem acesso direto aos pertences pessoais. Quando precisa de pente, escova de dente, escova de cabelo ou sabonete tem que pedir ao responsável pela carceragem. O único objeto permitido na cela até o momento foi o livro, que ela está lendo. A ex-diretora já decidiu também que quer trabalhar para reduzir a pena, o que a permitiria sair da cadeia antes de completar 60 anos de idade.

O advogado Marcelo Leonardo, chefe do escritório responsável pela defesa da ex-diretora da SMP&B, deverá entrar ainda nesta segunda-feira com um pedido para que ela seja transferida para um presídio em Belo Horizonte. A exemplo dos demais réus do mensalão, Simone quer cumprir pena num local próximo à família, o marido, dois filhos e um neto.

Simone tem como vizinha de cela a ex-presidente do Banco Rural Kátia Rabello. As celas são parecidas e o tratamento da policia tem sido o mesmo às duas presas. Mas, segundo interlocutores, a banqueira, que passou boa parte da vida fazendo balé, está tendo mais dificuldades para enfrentar os primeiros dias na cadeia.

– A Kátia está muito abatida – disse uma testemunha com acesso à carceragem da polícia.

O Globo

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Jornalismo

Advogado da funcionária de Valério garante: "Ela era empregada. O dinheiro não lhe pertencia"

Continua a série de sustentações orais das defesas dos réus do julgamento do Mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) nesse quarto dia de julgamento. O terceiro advogado a apresentar a defesa é Leonardo Isaac Yarochewski, que defende Simone Vasconcelos, ex-diretora financeira das empresas de Marcos Valério.

Simone é acusada de participar do esquema movimentando a grana do mensalão que envolvia a SMP&B de Valério, mas Yarochewski, assim como os outros advogados que já fizeram a sustentação, manteve a linha de que nos autos não consta qualquer tipo de prova que incrimine sua cliente, afirmando que ela não era dona do dinheiro, e sim uma simples funcionária que sequer conhecia as pessoas a quem fazia os pagamentos. De acordo com o advogado, ela não tinha autonomia.

“Ela era empregada, o dinheiro não lhe pertencia. Muitas das pessoas para quem ela entregou o dinheiro ela identificava por roupa, na hora. Ela não conhecia, não sabia quem eram os parlamentares. Ela sabia que era um empréstimo que era para o PT. O que o patrão faz com o dinheiro não cabe ao funcionário questionar”, disse.

Ainda durante a leitura da defesa, Leonardo Yarichewski fez duras críticas contra a apresentação feita pelo procurador-Geral da República (PGR), Roberto Gurgel, em deixá-la no rol dos réus do processo.

“Isso remonta à idade medieval, em que o indivíduo era punido por aquilo que ele era, remonta ao Código de Hamurabi. O que mais se faz nesse processo é culpar pessoas pelo cargo que ocupava, ou porque ocupava cargo em determinado banco, ou em determinado partido, ou em determinada agência de publicidade”, alfinetou.

Já fizeram a sustentação oral neste quarto dia de julgamento os advogados Paulo Sérgio Abreu e Silva (que defende o advogado Rogério Tolentino, sócio de Marcos Valério) e  Castellar Guimarães Filho (que defende o empresário Cristiano Paz, outro sócio de Marcos Valério)

Confira a cobertura do BG para este quarto dia de julgamento do mensalão:

Advogado de sócio de Marcos Valério isenta cliente de culpa lembrando que ele trabalhava na criação

Advogado de outro sócio de Marcos Valério afirma: “Não há participação de Rogério Tolentino nessa representação”

AO VIVO: Acompanhe o quarto dia de julgamento do mensalão no BG; defesas continuam

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