Venderam uma coisa, vão entregar outra. Arena das Dunas terá 10 mil assentos descobertos e estacionamento para poucos carros

Diário de Natal

Para os natalenses que estavam na expectativa de reunir a família ou os amigos para assistir a emocionante implosão do estádio Machadão ou do ginásio Machadinho, o Governo do Estado deu ontem, um banho de água fria. A Arena das Dunas será construída paralelamente à demolição das duas praças esportivas, mas todo o processo de “desconstrução” será mecânico, com uso de máquinas rompedoras gigantes. Em 15 dias o ginásio Machadinho começará a ser retirado de cena, e posteriormente será a vez do vizinho, o “Poema de Concreto”. O anúncio foi feito durante visita da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) ao canteiro de obras do futuro estádio da Copa 2014 em Natal, que depois de dois anos e três meses após o anúncio da capital como sede, começa a sair da prancheta e virar realidade. A previsão é que a Arena das Dunas seja entregue em dezembro de 2013.

Entre as principais novidades anunciadas durante a visita ao canteiro de obras, foi apresentado o novo formato que a Arena terá. Ao contrário do projeto original, que previa cobertura em todos os assentos do futuro estádio, 10 mil torcedores (de um total de 42 mil) acompanharão os jogos na Arena das Dunas desprotegidos de cobertura. “Essa mudança foi feita do primeiro para o segundo edital, quando nenhuma empresa havia manifestado interesse no projeto. Como não podíamos mudar a quantidade de assentos, deixamos uma parte deles descoberta, mas tudo com autorização da Fifa”, garantiu o secretário da Copa (Secopa), Demétrio Torres. “Mas uma vantagem é que todo o público assistirá aos jogos muito próximos ao espetáculo que será os jogos. Esse modelo de Arena é um dos mais modernos do mundo. O nosso estádio é um dos seis mais belos da Copa”, afirmou.

Outra mudança que provavelmente será decepcionante aos que pretendem assistir algum jogo da Copa em Natal é o estacionamento da Arena – que funcionará no local onde hoje é o Machadão. “Próximo à Arena só poderão ficar carros de autoridades, ambulâncias e viaturas policiais. Para quemquiser estacionar próximo ao futuro complexo, só haverá vagas no Centro Administrativo e próximo ao Campus Universitário. Todo o acesso será através de transporte coletivo ou passeios públicos”, anunciou o secretário da Secopa que apresentou as plantas à governadora Rosalba.

Canteiro de obras

Como o tempo estava chuvoso na manhã de ontem, a governadora literalmente sujou seus sapatos para observar o andamento das obras e posar para fotografias. “Vim observar como está o andamento e aviso logo que isso será constante. Quero acompanhar de perto porque é muito dinheiro investido aqui e o mesmo valor gasto para fazer uma obra boa se gasta para fazer uma obra ruim. Quero acompanhar passo-a-passo para ver onde está sendo gasto cada centavo”, frisou Rosalba. “Sou curiosa, quero entender todos os detalhes do projeto. Quero que essa obra seja bem feita. Nisso serei rigorosa”.

A governadora esteve acompanhada do secretário Demétrio Torres, e de outros auxiliares do primeiro escalão, como os secretários Kátia Pinto (Infraestrutura), Obery Rodrigues (Planejamento) e Domício Arruda (Saúde). A Arena das Dunas está orçada em R$ 400 milhões e sua execução está a cargo da empresa baiana OAS, vencedora da licitação pública. O empresário Charles Maia também esteve presente na visita.

O secretário mostrou à governadora que “o canteiro é menor do que a obra em si. A área total é de 13,5 hectares” e inclui, por exemplo, o cartódromo, que também será retirado do entorno do Centro Administrativo. “Só que não precisamos retirá-lo agora, se só faremos intervenções daqui a 30 meses, o mesmo com relação a esse trecho do Machadão. A prioridade em derrubá-lo agora é zero”, disse Demétrio, referindo-se ao setor do estádio que fica próximo à caixa d’água. A futura Arena só vai ser construída em 20% do Machadão, e se localiza no trecho do portão 2, vizinho ao Machadinho.

A implosão do Machadão foi descartada porque, embora seja um procedimento rápido, demanda mobilização e tempo para fazer análise dos imóveis do entorno. “Por isso optamos peladerrubada mecânica. Até o final de setembro o Machadinho estará no chão”, disse Demétrio Torres. Ele explicou que o processo será feito por uma máquina parecida com uma retroescavadeira, que possui um rompedor que é uma espécie de barra de metal. “Esse rompedor encosta na parede do estádio e vibra. Dai a estrutura cai”.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Fernanda Oliveira disse:

    Também achei uma ótima ideia no projeto diminuir vagas do estacionamento no estádio, isso irá viabilizar mais a área que hoje em qualquer hora do dia sofre com o trânsito, especialmente em dias de jogos. E nada melhor que implementar e investir em qualidade do transporte público, nossa cidade realmente necessita, há carros demais nas ruas, acredito que seja devido a ineficiência e precariedade dos coletivos assim como o alto preço da taxa.

  2. RODRIGO PIRES DE OLIVEIRA disse:

    SÓ NÃO ENTENDI A SUA BG, DE REUNIR AMIGOS E FAMILIARES PARA ASSISTIR A EMOCIONANTE IMPLOSÃO, DO NOSSO POEMA DE CONCRETO ARMADO. NA VERDADE É DE SE LAMENTAR TANTO DINHEIRO JOGADO AO RALO, POR UM ESTADO POBRE METIDO A RICO E UMA CIDADE PAUPÉRRIMA METIDA A POBRE.
    ABRAÇO!
    RODRIGO PIRES DE OLIVEIRA.

  3. Para onde vai o Cartódromo ?
    Simplismente vai acabar???

  4. Arrison Oliveira disse:

    Quanto a parte descoberta realmente foi uma mudança muito infeliz. Mas o estacionamentos, desde o começo, tinha sido ventilado que seriam poucos, visto que algo que a FIFA exige são bons transportes públicos para que se chegue ao estádio, bem como que muitas pessoas percorram a pé as curtas distâncias entre o local para que se deixe o carro e o estádio…

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