Saúde

Estudo brasileiro contesta uso de maconha no tratamento de dependentes de cocaína

Foto: (OpenRangeStock/Getty Images)

Pesquisa brasileira publicada na revista Drug and Alcohol Dependence contesta o uso recreativo de maconha como estratégia de redução de danos para dependentes de crack e cocaína em reabilitação. Dados do artigo indicam que o consumo da erva piorou o quadro clínico dos pacientes em vez de amenizar, como esperado, a ansiedade e a fissura pela droga aspirada ou fumada em pedra (crack).

O estudo acompanhou um grupo de dependentes por seis meses após a alta da internação voluntária de um mês no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-USP). Os pesquisadores do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (GREA) e do Laboratório de Neuroimagem dos Transtornos Neuropsiquiátricos (LIM-21) da Faculdade de Medicina da USP constataram que a maconha prejudica as chamadas funções executivas do sistema nervoso central, relacionadas, entre outras atividades, com a capacidade de controlar impulsos.

“Nosso objetivo é garantir que políticas públicas para usuários de drogas sejam baseadas em evidências científicas. Quando as políticas de redução de danos foram implementadas no Brasil, para usuários de cocaína e crack, não havia comprovação de que seriam benéficas. Os resultados deste estudo descartam completamente essa estratégia para dependentes de cocaína”, disse Paulo Jannuzzi Cunha, autor do artigo.

O professor do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e pesquisador do LIM-21 foi bolsista de pós-doutorado da FAPESP.

Foram incluídos na pesquisa 123 voluntários divididos em três grupos: dependentes de cocaína que fizeram uso recreativo da maconha (63 pessoas), dependentes de cocaína que não consumiram a erva (24) e grupo controle (36), composto por voluntários saudáveis e sem histórico de uso de drogas.

Um mês após receberem alta, 77% dos dependentes de cocaína que fumaram maconha mantiveram a abstinência. Já entre aqueles que não fizeram uso de maconha, 70% não tiveram recaídas.

Mas três meses após a internação a situação se inverteu e a estratégia de redução de danos mostrou-se pouco efetiva. Entre os que não fumaram maconha, 44% permaneceram sem recaídas, enquanto só 35% dos que fizeram uso recreativo da maconha mantiveram-se abstinentes. Ao fim dos seis meses de acompanhamento, permaneceram sem recaídas 24% e 19% dos voluntários, respectivamente, mostrando que os pacientes que usavam maconha acabaram recaindo mais no longo prazo.

“Os resultados desbancam a hipótese de que o uso recreativo de maconha evitaria recaídas e ajudaria na recuperação de dependentes de cocaína. Um quarto daqueles que não fumaram maconha conseguiu controlar o impulso de usar cocaína, enquanto só um quinto não teve recaída entre os que supostamente se beneficiariam da estratégia de redução de danos. O uso pregresso de maconha não traz melhoras de prognóstico no longo prazo, o estudo até sugere o contrário”, disse o psiquiatra Hercílio Pereira de Oliveira Júnior, primeiro autor do artigo.

Prejuízo cognitivo

De acordo com os resultados, os dois grupos de dependentes de cocaína em reabilitação apresentaram déficits neurocognitivos importantes em tarefas que incluíam memória operacional, velocidade de processamento, controle inibitório, flexibilidade mental e tomada de decisão, quando comparados ao grupo controle.

Porém, aqueles que fizeram uso recreativo de maconha apresentaram resultados ainda piores em relação às chamadas funções executivas – relacionadas à capacidade de sustentar a atenção em determinados contextos, memorizar informações e elaborar ou planejar comportamentos mais complexos. Também apresentaram lentidão no processamento mental e maior dificuldade para frear impulsos.

Durante todo o projeto foram realizados testes cognitivos e exames de neuroimagem. Os voluntários também fizeram exames de urina para verificar o eventual uso de drogas.

“Um dos limitadores do nosso estudo foi a impossibilidade de analisar o tipo de maconha usada pelos voluntários. Era a droga que eles consumiam em casa ou no seu contexto social”, disse Cunha.

Um preparado de maconha é composto por pelo menos 80 tipos diferentes de canabinoides. Dois deles têm maior relevância: o THC, associado aos efeitos de relaxamento da droga, à dependência e a danos neurológicos; e o canabidiol, que poderia modular os efeitos do THC. “Nosso trabalho não envolveu uma avaliação específica dos possíveis efeitos do canabidiol, que pode até ter potencial terapêutico, mas se apresenta em proporção muito menor na maconha fumada e é muito difícil de ser extraído puro da Cannabis”, disse.

Dados do artigo também indicam que, quanto mais precoce foi o uso de maconha e cocaína na vida dos dependentes, maiores as chances de recaída durante a reabilitação por cocaína.

“Trabalhos anteriores demonstraram que a precocidade prejudica o neurodesenvolvimento e a organização de importantes redes neurais no cérebro. Portanto, a exposição precoce à maconha teria um prognóstico pior não só em relação à própria maconha, como também a outras substâncias”, disse Oliveira Júnior.

“Esse dado é preditivo e sugere o impacto negativo da maconha e da cocaína no processo de maturação cerebral e na caracterização de um pior prognóstico da doença”, disse Oliveira Júnior.

Redução de danos

O uso de substâncias como a metadona (narcótico do grupo dos opioides) tem sido considerado uma estratégia de redução de danos eficaz na reabilitação de dependentes de heroína e outras drogas injetáveis, atingindo, desde os anos 1990, determinado sucesso em diferentes países.

Com base nos resultados com dependentes de heroína, trabalhos anteriores não controlados vinham sustentando a hipótese de que o uso recreativo da maconha poderia ser também uma estratégia eficaz na redução da fissura em dependentes de cocaína e crack. “Isso resultou, inclusive, na implementação de organizações na área de redução de danos e políticas públicas que indicavam o uso da maconha fumada como estratégia para redução da ansiedade e fissura pelo uso de cocaína. Nosso estudo contradiz esse tipo de estratégia”, disse Oliveira Júnior.

Cunha explica que a diferença de resultados na política de redução de danos entre usuários de heroína e cocaína ou crack se dá pelas peculiaridades de cada droga. “A abstinência por heroína traz sintomas corporais, fisiológicos e biológicos muito rapidamente. Se o usuário fica sem um opioide, começa a suar frio, passar mal, pode ter convulsões e problemas físicos graves”, disse.

O pesquisador afirma que uma estratégia farmacológica de redução de danos que ajude na remissão dos sintomas e que seja um passo intermediário até que o paciente consiga se manter abstinente é completamente apropriada.

“Já o usuário de cocaína em abstinência vai ter mais sintomas de humor, como irritabilidade e depressão. Pode ter uma depressão logo após cessar o uso, mas nada equiparável aos efeitos físicos observados em usuários de drogas injetáveis. Por isso, nesse caso, são importantes as estratégias comportamentais que ensinam o paciente a lidar melhor com as emoções e o ajudam a se manter sem uso de drogas, sendo bem mais eficientes em longo prazo”, disse.

De acordo com os pesquisadores, as abordagens mais indicadas são terapia cognitivo-comportamental, manejo de contingências (reforço de comportamentos desejáveis) e o tratamento médico-psiquiátrico de eventuais doenças associadas, como depressão, transtornos de ansiedade e transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH).

Esses transtornos mentais tendem a ocorrer, em muitos casos, paralelamente à dependência química e prejudicam a aderência ao tratamento e a recuperação do paciente. “Um tratamento integrado e com base em evidências científicas tem mais chance de apresentar eficácia no médio e longo prazo. Além do atendimento multidisciplinar, é indicada a participação em grupos de apoio formados por ex-usuários”, disse Cunha.

No que concerne à internação, o grupo do LIM-21 defende que seja feita apenas durante o período de desintoxicação dos dependentes químicos. Cunha enfatiza a importância de a reabilitação ser conduzida em caráter voluntário e sem isolar o paciente da sociedade, tendo em vista que se trata de um processo passível de recaídas.

“Buscamos fazer um trabalho de fortalecimento para que ele enfrente os problemas reais e no seu próprio contexto de moradia, aprendendo estratégias para desvencilhar-se da tentação de usar a droga novamente. Longas internações, além de custosas financeiramente, tiram o paciente da realidade e não garantem que, ao sair da reclusão, não terá recaídas”, disse.

O artigo Distinct effects of cocaine and cocaine + cannabis on neurocognitive functioning and abstinence: A six-month follow-up study (doi: 10.1073/pnas.1904384116), de Hercílio Pereira de Oliveira Junior, Priscila Dib Gonçalves, Mariella Ometto, Bernardo dos Santos, André Malbergier, Ricardo Amaral, Sergio Nicastri, Arthur Guerra de Andrade e PauloJannuzzi Cunha pode ser lido em https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0376871619304193?dgcid=raven_sd_aip_email.

Exame

 

Opinião dos leitores

  1. Pode não ser bom para tratamento de viciados em cocaina mas é efetiva no tratamento de diversos males. Desconhecer isso é ignorância e preconceito. Cachaça é mil vezes mais perigoso.

  2. Com a palavra o defensor da liberação da maconha, Doutor Sidarta Ribeiro, professor da gloriosa UFRN- Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

    1. Rapaz, você entende muiiiiito de pesquisa científica ? Generaliza sem conhecer os argumentos.

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Flamengo vence Palmeiras e entra para história como primeiro time brasileiro tetra da Libertadores

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

O filme de 2019 se repete e o Flamengo volta a conquistar a Glória Eterna do continente sul-americano em solo peruano. O título da Copa Libertadores 2025 veio após o rubro-negro vencer o Palmeiras por 1 a 0 neste sábado (29).

O resultado coloca a equipe carioca como maior time brasileiro na história da competição. Agora, são quatro troféus de Libertadores no currículo do Flamengo. Palmeiras segue com três títulos, assim como São Paulo, Santos e Grêmio.

O gol que colocou o Flamengo no patamar mais alto do pódio da Libertadores 2025 foi marcado por Danilo na segunda etapa. O defensor se torna o terceiro atleta rubro-negro a marcar em uma final, igualando Zico em Gabigol.

CNN Brasil

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Brasil é a sexta economia mais endividada da América Latina, mostra FMI; veja ranking

Foto: Freepik

O Brasil aparece como a sexta economia mais endividada da América Latina e Caribe, segundo dados atualizados do FMI (Fundo Monetário Internacional). A instituição estima que a dívida bruta do governo geral brasileiro alcance 92% do PIB em 2025, patamar superior ao de todos os grandes emergentes da região.

Na comparação regional, o Brasil fica atrás apenas de economias que enfrentam desequilíbrios fiscais mais acentuados, como Venezuela, Dominica, Barbados, São Vicente e Granadinas e Bolívia.

Ranking – Dívida Bruta (% do PIB) na América Latina e Caribe (2025, FMI)

  1. Venezuela – 138,46%
  2. Dominica – 97,78%
  3. Barbados – 97,73%
  4. São Vicente e Granadinas – 93,55%
  5. Bolívia – 92,40%
  6. Brasil – 92,04%
  7. El Salvador – 87,87%
  8. Suriname – 86,59%
  9. Bahamas – 79,39%
  10. Santa Lúcia – 73,63%

O nível brasileiro supera com folga a média regional, estimada pelo FMI em cerca de 71% do PIB, e consolida a posição do país entre as economias mais alavancadas do continente.

O cálculo do FMI segue o GFSM 2014 (Government Finance Statistics Manual), padrão global de estatísticas fiscais. Esse método amplia o escopo da dívida bruta ao incorporar todos os passivos do governo geral, independentemente do tratamento contábil adotado localmente.

Isso inclui títulos públicos, empréstimos, contas a pagar e outras obrigações que impactam a solvência do setor público.

A padronização é essencial porque cada país utiliza práticas próprias na apuração da dívida — algumas mais restritas, outras mais abrangentes.

Ao uniformizar definições, o FMI permite que os dados sejam comparáveis entre países, reduzindo distorções metodológicas e garantindo que rankings ou análises regionais reflitam diferenças reais de endividamento, e não apenas diferenças de cálculo.

CNN Brasil

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Avião que já foi usado pelo ditador Maduro em viagens oficiais viaja para fronteira com o Brasil

Avião do regime venezuelano viaja para a fronteira com o Brasil • Reprodução/ADSB ExchangeAvião do regime venezuelano viaja para a fronteira com o Brasil | Imagem: Reprodução/ADSB Exchange

Um avião oficial do regime venezuelano voou até a fronteira com o Brasil neste sábado (29), em meio ao aumento da pressão militar dos Estados Unidos no Caribe. O deslocamento foi registrado pelo site de rastreamento ADSB Exchange.

A aeronave é um Airbus A-319 (YV2984) da estatal Conviasa, classificada como avião VIP do governo e já utilizada por Nicolás Maduro. O voo partiu de Caracas, teria pousado em Santa Elena de Uairén — a 250 km da fronteira com Roraima — e depois retornado à capital. Até o momento, não há indicação de que o ditador Nicolás Maduro estivesse a bordo.

O avião está sob sanções dos EUA desde 2020, podendo ser apreendido em território americano ou aliado. Outras aeronaves da Conviasa também são alvo de restrições, acusadas pelo Tesouro dos EUA de transportar “funcionários corruptos” do regime.

A movimentação ocorre após Donald Trump afirmar que pode fechar o espaço aéreo sobre e ao redor da Venezuela, alegando riscos para aeronaves civis. O governo venezuelano classificou a declaração como “ameaça colonialista”.

Na semana passada, a aviação americana alertou companhias aéreas para riscos ao sobrevoar a Venezuela devido ao aumento da atividade militar. Em resposta, Caracas revogou autorizações de seis grandes companhias aéreas que haviam suspendido seus voos após o alerta.

Com informações de CNN Brasil

Opinião dos leitores

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PRINTS: Médica admite erro em prescrição que causou morte de criança

Imagens: Portal Vizinho TV

Uma médica admitiu ter errado a prescrição que resultou na morte de Benício Xavier de Freitas, 6 anos, após o menino receber uma dose de adrenalina aplicada de forma equivocada em um hospital particular de Manaus (AM). O caso é investigado pela Polícia Civil do Amazonas.

Benício havia sido levado à unidade no último fim de semana com tosse seca e suspeita de laringite. A médica recomendou lavagem nasal, soro e três doses de adrenalina de 3 mg cada, a serem aplicadas por via endovenosa, em intervalos de 30 minutos. A equipe de enfermagem seguiu a prescrição.

Mensagens obtidas pelo Portal Vizinho TV mostram a médica assumindo o erro ao chefe de plantão:
“O paciente desmaiou. Pelo amor de Deus. Eu errei a prescrição.”

Ela afirma ainda que havia prescrito inalação com adrenalina, mas a aplicação foi feita na veia: “Prescrevi inalação com adrenalina e acabaram fazendo ‘ev’. O paciente está passando mal, ficou todo amarelo. Pede para alguém da UTI descer. Urgente.”

A mãe da criança acusa o hospital de negligência. “Ela não sabia o que fazer, não saía do telefone. A impressão é que alguém estava orientando pelo telefone, porque ela não sabia como agir”, disse ao Imediato Online.

O pai afirma aguardar esclarecimentos. “Só buscamos a verdade, a justiça. Quem errou, que sofra as consequências.” A Polícia Civil já ouviu familiares e profissionais envolvidos e segue investigando o caso.

Com informações de Metrópoles

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Líder do PT diz que Tarcísio usa defesa da anistia para buscar votos de Bolsonaro

Foto: Lula Marques | Marcelo Camargo/Agência Brasil

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) criticou nesta sexta-feira (28) a posição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobre a anistia aos condenados do 8 de Janeiro.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o petista afirmou que Tarcísio defendeu o tema apenas para se aproximar do eleitorado bolsonarista após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A declaração de Zarattini ocorreu depois de Tarcísio pedir, na terça-feira (25), que o Congresso avance na anistia durante evento com prefeitos no Palácio dos Bandeirantes. Segundo o deputado, o gesto ocorreu porque o governador pretende disputar a Presidência em 2026. “Ele sabe que só com o centrão ele não vai a lugar nenhum”, afirmou.

Zarattini também criticou a gestão estadual e disse que Tarcísio deveria apresentar resultados em São Paulo antes de entrar no debate nacional. O governador segue na defesa de sua reeleição em São Paulo e afirma que o campo da centro-direita deverá apresentar um plano conjunto para 2026.

A prisão do ex-presidente aumentou a pressão dentro da direita por um nome competitivo para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026.

InfoMoney

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Voto de Moraes prevê que cinco PMs réus por omissão no 8 de janeiro paguem R$ 6 milhões, cada um, de indenização

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes votou para condenar cinco dos sete policiais militares do Distrito Federal réus por omissão no 8 de Janeiro. No voto, o relator do processo defendeu que, caso sejam condenados, os cinco PMs paguem R$ 6 milhões, cada um, de indenização por danos morais coletivos.

Durante o processo, os réus tiveram bens, como imóveis e carros, bloqueados. Moraes votou para absolver Flávio Silvestre e Rafael Pereira. Em relação aos outros réus, o ministro defendeu a condenação a 16 anos de prisão e ao pagamento de R$ 30 milhões de forma solidária por danos morais coletivos, além da perda dos cargos públicos.

O voto de Moraes foi publicado no julgamento da cúpula da PMDF por suposta omissão no 8/1, iniciado nessa sexta-feira (28/11).

São réus nesse processo:

  • os coronéis Fábio Augusto Vieira, então comandante-geral da PMDF;
  • Klepter Rosa Gonçalves, então subcomandante-geral da PMDF;
  • Jorge Eduardo Barreto Naime, ex-chefe do Departamento de Operações;
  • Paulo José Ferreira de Sousa Bezerra;
  • Marcelo Casimiro Vasconcelos;
  • além do major Flávio Silvestre de Alencar;
  • e do tenente Rafael Pereira Martins.

Segundo Moraes, “a necessidade de indenização pelos danos advindos da prática dos crimes é indiscutível nos autos”.

O ministro ainda afirmou no voto que “o 8/1 foi facilitado pela “omissão dolosa de autoridades responsáveis pela segurança institucional”, e que os integrantes da cúpula da PMDF teriam “aderido, de forma dolosa e consciente, aos propósitos golpistas dos insurgentes, omitindo-se na adoção de medidas preventivas e operacionais, mesmo detendo posição funcional de garantidores e plenas condições de atuação”.
Metrópoles

Opinião dos leitores

  1. Seis milhões? Para um PM? Tá fácil, fácil pagar…..com o salário de 1 mês eles pagam isso. Ridículo! Acostumados a viver do dinheiro alheio, esses ministros acreditam que todo mundo tem acesso fácil aos milhões

  2. Esse homem é patético. É tão ridículo que chega a ser engraçado. Dano moral coletivo é o que esse pateta deverá pagar ao brasileiro daqui a pouco tempo. Esperemos!

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VÍDEO: Motoentregador explica como foi agredido em frente a condomínio em Parnamirim; homem envolvido na confusão dá outra versão

Imagens: RN News

O motoentregador agredido por um homem em Parnamirim na tarde deste sábado (29) comentou sobre o ocorrido. “Revoltante, a gente sai pra trabalhar e um cara desse chega humilhando, dizendo que tem mais do que eu, que é melhor do que eu porque tem um apartamento”, disse o motoentregador João Vitor que também relatou que o homem ainda quebrou a moto dele.

“Fui fazer uma entrega para uma cliente, cheguei, falei com o porteiro e esse cara veio de dentro do condomínio já me chamando de boiola, querendo saber de quem era a entrega, falando alto, e eu mandei ele calar a boca. Ele parecia muito alterado. Ele deve ter se sentido ofendido, voltou, passou pela porta do condomínio, chegou perto de mim, deu uma cabeçada e começou a me bater. Nessa hora, pra mem defender, bati nele também e corri”, detalhou o motoentregador.

Homem que agrediu motoentregador dá outra versão do ocorrido

O homem que aparece agredindo o motoentregador se chama Micael. Ele deixou o condomínio após o episódio. Em seguida, gravou um vídeo que circula nas redes sociais, afirmando ter sido agredido primeiro pelo motoentregador após ter feito uma ‘piada de mau’ e que ‘apenas se defendeu’. Ele ainda pediu desculpas à família do motoentregador e à própria família, mas enfatisou que o pedido era somente pela piada feita e não pelas agressões físicas. Veja o vídeo abaixo:


Imagens: Via Certa Natal

Opinião dos leitores

  1. Moto entregador e moto Uber é uma raça de indivíduos violentos e agressivos, esse, levou a pior.

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3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica em 2025, mostra pesquisa do DataSenado

Foto: Arquivo EBC

A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher 2025, realizada pelo DataSenado, mostra que 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar neste ano. O estudo ouviu mais de 21 mil mulheres entre maio e julho e, apesar da leve redução em relação a 2023, o cenário segue alarmante.

Agressões presenciadas por crianças

Um dos dados mais graves é a alta presença de testemunhas durante as agressões. Sete em cada dez vítimas (71%) afirmam que havia outras pessoas por perto — e a maioria eram crianças, muitas delas filhas das próprias vítimas. Mesmo assim, 40% dos casos não receberam qualquer ajuda de quem presenciou.

Reincidência e início precoce

A violência costuma ser recorrente. Cerca de 6 em cada 10 mulheres vivem agressões há menos de seis meses, enquanto 21% relatam sofrer há mais de um ano. Os episódios também começam cedo: 38% foram agredidas pela primeira vez antes dos 19 anos.

Percepção x vivência

A pesquisa detectou um descompasso entre o que as mulheres entendem como violência e o que de fato enfrentam.

“A pesquisa é dividida em dois blocos… a partir dali, começa um bloco das mulheres que viveram de fato a violência”, explicou Maria Teresa Prado, coordenadora do OMV.

Embora 33% das entrevistadas tenham vivenciado ao menos uma das 13 formas de violência listadas, muitas não se reconhecem como vítimas quando perguntadas diretamente. Entre os casos mais graves, 17% ainda convivem com o agressor — índice que sobe para 19% entre mulheres fora da força de trabalho.

Avanço da violência digital

A violência também migra para o ambiente virtual. Uma em cada dez mulheres (10%) declarou ter sofrido agressões digitais, como ofensas recorrentes, invasão de contas ou criação de perfis falsos.

Por que não denunciam

A maioria das vítimas não procura ajuda formal. As principais razões para não denunciar incluem:

  • preocupação com os filhos (17%),

  • descrença na punição (14%),

  • esperança de que a agressão não se repetisse (13%).

As redes informais — amigos, familiares e igrejas — permanecem como os principais pontos de apoio, enquanto a procura por delegacias da mulher ou serviços oficiais, como o Ligue 180, segue baixa.

Percepção sobre o país e a Lei Maria da Penha

A sensação geral é de agravamento: 79% das brasileiras acreditam que a violência contra a mulher aumentou no último ano, e 71% consideram o Brasil um país muito machista. Apesar de a maioria conhecer a Lei Maria da Penha, apenas 19% dizem conhecer bem a legislação — e a confiança na proteção oferecida pela lei caiu em comparação com 2023.

Medidas protetivas

A pesquisa avaliou ainda o uso de medidas protetivas. A maioria das vítimas (62%) não solicitou nenhuma. Entre as que pediram, 17% afirmaram que a medida foi descumprida e 20% disseram que a proteção foi totalmente observada.

Com informações de Congresso em Foco

Opinião dos leitores

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R$ 807 MILHÕES: Por Messias no STF, Lula prioriza liberação de emendas de bancadas de Alcolumbre e relator

Foto: Vinicius Schmidt/ Metrópoles

O governo Lula intensificou o pagamento de emendas do chamado orçamento secreto para tentar reduzir a resistência à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF. Desde 20 de novembro, quando o nome foi anunciado, o Planalto liberou R$ 807 milhões, sendo R$ 699 milhões (86,57%) em emendas de bancadas e comissões — modalidades sem autoria individual identificável.

Os principais beneficiados foram as bancadas do Maranhão, base do relator da indicação, senador Weverton Rocha (PDT), que recebeu R$ 119,6 milhões, e do Amapá, estado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), que obteve R$ 65,2 milhões. Juntos, eles concentram 22,9% de todo o valor liberado. Emendas de comissões somaram R$ 213,8 milhões, enquanto apenas R$ 108,4 milhões (13,43%) foram de emendas individuais.

Esta é a radiografia dos R$ 807,4 milhões em emendas pagos desde a indicação de Messias, até o dia 27/11:

  • R$ 108,4 milhões em emendas individuais
  • R$ 481,2 milhões em emendas de bancada (RP7), sendo R$ 119,6 milhões para o MA e R$ 65,2 milhões para o AP.
  • R$ 213,8 milhões em emendas de comissão (RP8)
  • R$ 3,9 milhões em emendas de relator (RP9).

Messias precisa de 41 votos no Senado, mas enfrenta forte resistência, impulsionada pelo próprio Alcolumbre, que defende a escolha do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga. A votação está marcada para 10 de dezembro, mas Lula ainda não enviou a indicação formal.

Nos bastidores, senadores temem que Lula fortaleça sua influência no STF e avance sobre o controle das emendas parlamentares, que hoje dominam parte significativa do Orçamento federal. A disputa expõe o embate entre Executivo e Legislativo pelo poder sobre as contas públicas.

Com informações de Metrópoles

Opinião dos leitores

  1. Povo brasileiro acordem! Vamos nos unir e tirar esses canalhas do poder nem que seja a ferro e fogo…

  2. Povo brasileiro sem vergonha, não aprendem a votar todo mundo sabe que esses políticos não ficaram cretrinos agora, são velhos conhecidos da população

  3. Que é país de certos vagabundos é esse Brasil, a corrupção a céu aberto, negociando interesses particulares com dinheiro do povo, pra comprar políticos sem caráter. Vergonha vergonha e vergonha dessa situação do Brasil, isso é imoral.

  4. Bandalheira geral. País esculhambado, cheio de malandros e bandidos. E muitos canalhas aplaudindo.

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Geral

VÍDEO: Motoentregador é agredido enquanto trabalhava em Parnamirim

Um motoentregador foi agredido enquanto trabalhava na tarde desde sábado (29). A agressão aconteceu em frente ao Condomínio Ideal Vila Nova, no Parque das Árvores, Parnamirim.

O homem sem camisa partiu pra cima do motoentregador desferindo socos, enquanto o trabalhador tentava se afastar.

Segundo informações do Via Certa Natal, a Polícia Militar esteve no local mas não localizou o agressor. De acordo com moradores, ele reside no condomínio.

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