Nos Postos de Saúde da Prefeitura falta até Aas e dipirona

Tribuna do Norte

Em meio a investigações que apuram o descarte ilegal de medicamentos da rede pública de saúde, o abastecimento ainda é um problema longe de ter solução. Nas unidades de saúde, reclamações não faltam. A reportagem da TRIBUNA DO NORTE percorreu ontem quatro unidades de saúde – uma em cada região administrativa da cidade – e constatou que o problema do desabastecimento continua.

Falta desde medicamentos básicos, como dipirona, Aas (Ácido Acetil  Salicílico) e vitaminas, como Ácido Fólico, à medicações específicas, como os psicotrópicos Tegretol e Diazepan 5mg; os antibióticos Amoxilina e Ampicilina; e anticoncepcionais em comprimidos e injetáveis. O mais grave é que o problema está exatamente nas unidades de referência, como a Policlínica da Zona Oeste, no bairro da Cidade da Esperança.
Nessa unidade, o abastecimento melhorou, segundo o diretor da unidade, Eleázaro Damião de Carvalho. Ainda assim, alguns medicamentos continuam em falta. É o caso do Tegretol (Carbamazepina) e  do Diazepan 5mg, em falta há mais de dois meses. Na farmácia da unidade, a caixa do Diazepan 10mg (o único tipo disponível) está quase vazia. A quantidade se resume a dois envelopes, com 20 comprimidos,  o que é insuficiente para um único paciente.

Normalmente, o mínimo receitado pelo médico para o tratamento de um paciente é de 30 comprimidos.  Há cerca de 15 dias, a unidade foi abastecida com cerca de 4 mil comprimidos de Diazepan 10mg. Mas, na semana passada, por ordem judicial um paciente, em tratamento psiquiátrico, levou 270 comprimidos de Diazepan, segundo o setor farmacêutico.

A Policlínica Oeste tem mais de 2 mil pacientes psiquiátricos cadastrados. O Aas é outra medicação que está no fim. Depois da entrega de dois envelopes, com 60 comprimidos à aposentada Algemira Rodrigues Pereira, 63, a farmácia ficou com apenas dois envelopes, com 30 comprimidos. O setor informou que vai solicitar nova remessa, mas não tem previsão de recebimento.

A resposta é a mesma para o remédio Sinvastatina (controle de Colesterol). Essa era uma das duas medicações da receita da aposentada Algemira Rodrigues. Na Unidade de Saúde de Nova Natal I, na Zona Norte, a prateleira tem muitos desfalques. “Há mais de cinco meses, faltam os anticoncepcionais injetáveis Contracep e Mesigyna. o psicotrópico Tegretol; os antibióticos Amoxilina e Ampicilina; e o creme vaginal Nistatina, só pra exemplificar”, afirmou o funcionário Marcos Aurélio Alves Souto.

Ele disse que o setor já encaminhou vários pedidos, mas não foi atendido. “Tem medicação, como o Tegretol  e a Glibenclamida (controle de diabetes) que falta em toda a rede. As pessoas já chegam aqui estressadas, da peregrinação que fazem”, disse. Na Unidade Mista de Saúde de Mãe Luiza a diretora Lúcia Rosa disse que “é impossível um abastecimento 100%”, devido a alta demanda. Segundo ela, por determinação da Secretaria Municipal de Saúde os pedidos serão feitos mensalmente, e não mais semanalmente.

A unidade é uma das poucas da rede que possui farmacêutico.  No caso dos medicamentos para hipertensos e diabéticos, ela garantiu que não estão em falta. A informação dada pela Assessoria de Imprensa da SMS é de que alguns dos medicamentos em falta nas unidades devem ser recebidos ainda hoje. Outros, como o Aas 100, não está em falta. Mas, a Assessoria não soube explicar porque a medicação não chega na rede.