Política

Michelle quebra protocolo e discursa em libras antes de Bolsonaro

O segundo discurso de Jair Bolsonaro como presidente teve uma quebra de protocolo com a participação inédita da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, falando em libras aos apoiadores em frente ao Palácio do Planalto.

Em sua participação, que durou pouco mais de dois minutos, Michelle agradeceu o apoio e orações de eleitores em prol do marido desde o começo da campanha. Agradeceu também à família, amigos, mas especialmente ao enteado Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), “pela sua parceria nos 23 dias em que o marido ficou internado em São Paulo” após o atentado em Juiz de Fora (MG), em 6 de setembro.

“As eleições deram voz a quem não era ouvido. E os brasileiros querem paz, segurança e prosperidade. Um país em que todos sejam respeitados”, afirmou a primeira-dama.

Michelle afirmou ainda que, como primeira-dama, terá condições de ampliar seu trabalho junto à comunidade surda.

“Vocês serão valorizados e terão seus direitos respeitados. Tenho esse chamado no meu coração e desejo contribuir com o desenvolvimento do ser humano”, disse Michelle.

Durante a transição, Michelle disse que pretende trabalhar em causas ligadas à “comunidade surda, pessoas com deficiência e portadores de síndromes, algo que Deus colocou na minha vida, no meu coração”.

Em seguida, atendendo a pedidos do público, Micheldeu dois beijos em Bolsonaro antes de concluir seu posicionamento. Ela encerrou o discurso agradecendo novamente pela saúde do marido e citou o slogan da campanha eleitoral, “Brasil Acima de Tudo, Deus Acima de Todos”.

Folhapress

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Economia

Expectativa é de economia liberal com nova gestão, dizem especialistas

O governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) deve conduzir uma agenda econômica com ações para reduzir despesas governamentais e estimular o crescimento. Deverá dar atenção a demandas “conservadoras” de aliados e eleitores, mas agirá com pragmatismo político para que suas propostas sejam aprovadas no Legislativo e obtenha bons resultados.

A avaliação é de intelectuais ouvidos pela Agência Brasil. O sociólogo Simon Schwartzman, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (1994-1998), diz que na área macroeconômica as prioridades estão bem definidas: “Reforma da Previdência, medidas para redução do déficit público, abertura da economia”.

Para Antônio José Barbosa, professor de História Contemporânea da Universidade de Brasília (UnB), o novo governo, sob o ponto de vista político e econômico, será “liberal”, disse ao lembrar da promessa de Bolsonaro “em cumprir a Constituição Federal” e da decisão de escolher Paulo Guedes, “com carta branca”, para o Ministério da Economia.

Prioridades

Para Barbosa, o novo presidente fará “acenos” ao eleitorado conservador preocupado com os “costumes”, mas deverá dar prioridade à economia. “Ele é inteligente e sabe que o ponto central é a economia que criar milhões de empregos.”

O historiador analisa que, assim como Bolsonaro, os ministros serão pragmáticos. “O novo ministro da Educação [Ricardo Vélez Rodríguez] rapidamente vai compreender que a realidade é muito mais ampla”, disse.

Simon Schwartzman espera que, para melhorar a formação escolar e aumentar a produtividade da força de trabalho qualificada, o novo governo avance “na implementação da reforma do ensino médio e na melhoria da qualidade da educação básica, aperfeiçoando a implementando a Base Nacional Curricular Comum e apoiando e ampliando as experiências bem-sucedidas de educação pública de qualidade”.

Modelo Novo

A adoção de medidas econômicas, da pauta social, como educação, e a “agenda de costumes”, a serem propostas pelo novo governo, vai depender do relacionamento com o Congresso Nacional, onde ainda não dispõe de maioria para aprovar reformas constitucionais (3/5 de votos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, em votações em dois turnos).

O cientista político Lúcio Rennó, da UnB, autor de estudo sobre o reposicionamento conservador dos brasileiros nas eleições de outubro deste ano, destaca a força que as lideranças partidárias têm na Câmara e no Senado.

“Questões transversais não têm como não ser negociadas sem essas lideranças”, ponderou. Ele lembra que as regras de funcionamento do Congresso nas últimas eleições “fortalecem os partidos”, por isso “suas estruturas institucionais não poderão ser ignoradas”.

Para o especialista, é possível que o novo governo adote uma forma inédita de relacionamento com as lideranças partidárias. Em substituição à política baseada em troca de apoio, por meio de cargos e recursos do Orçamento, o Palácio do Planalto orientaria as negociações para que avancem com a maior participação das lideranças, também responsáveis pela concepção e elaboração das propostas. “Essa construção conjunta seria um modelo novo.”

Agência Brasil

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Religião

Papa Francisco faz apelo por ‘olhar materno’ em 2019

O papa Francisco realizou nesta terça-feira (1) sua primeira missa de 2019, no Vaticano, e propôs uma Igreja de “ternura”, que valorize a dimensão materna para enfrentar o novo ano em um mundo “cada vez mais desunido”. O apelo foi feito durante a homilia da celebração da Solenidade de Maria Santíssima, Mãe de Deus, que coincide com a Jornada Mundial da Paz, na Basílica de São Pedro, e faz uma reflexão sobre o papel da Virgem Maria e de todas as mães do mundo. “Na vida fragmentada de hoje, onde nos arriscamos a perder o fio à meada, é essencial o abraço da Mãe. Há tanta dispersão e solidão à nossa volta! O mundo está todo conectado, mas parece cada vez mais desunido”, alertou Francisco.

Segundo o Pontífice, atualmente há a necessidade dos fiéis terem um “olhar materno” no mundo contemporâneo, principalmente porque “a família humana se fundamenta nas mães”. “Um mundo que olha para o futuro, privado de olhar materno, é míope. Aumentará talvez os lucros, mas jamais será capaz de ver, nos homens, filhos. Haverá ganhos, mas não serão para todos.

Habitaremos na mesma casa, mas não como irmãos”, acrescentou. Jorge Mario Bergoglio também ressaltou que é preciso “aprender das mães que o heroísmo está em se doar, a força em ser misericordioso e a sabedoria na mansidão”.

Ele afirmou que todas as mães introduzem os filhos na vida com amor, mas lembrou que há filhos que vivem “por conta própria, perdem o rumo, se acham fortes e se perdem, se acham livres e se tornam escravos”.

“Quantos, esquecidos do carinho materno, vivem zangados e indiferentes a tudo! Quantos, infelizmente, reagem a tudo e a todos com veneno e maldade! Às vezes, mostrar-se mau até parece um sinal de fortaleza; mas é só fraqueza”, declarou.

Além disso, o líder da Igreja Católica convidou a todos os fiéis a ficarem “maravilhados” com o dom da vida, pois é isso que permite “começar sempre de novo”. “É preciso ter atitude no início do ano, porque a vida é um presente que nos dá a oportunidade de recomeçar, mesmo dos mais baixos”, disse Francisco, ressaltando que a Igreja tem que renovar sua capacidade de espanto, para que não se torne um “lindo museu do passado.

Para o Papa, a “fé é um encontro, não é uma religião. A vida, sem espanto, torna-se cinzenta, habitual, e a Igreja também precisa renovar a maravilha de ser o lar do Deus vivo”. “Nós compreendemos melhor o amor divino, que é paterno e materno, como o da mãe que não cessa de acreditar nos filhos e nunca os abandona”, finalizou Francisco, defendendo que a “unidade conta mais que a diversidade”. Dia Mundial da Paz – Durante a oração do Ângelus, o papa Francisco recordou a celebração do 52º Dia Mundial da Paz, dedicado ao tema da “boa política a serviço da paz”, e afirmou que a “política não é reservada apenas aos governantes”. “Somos todos responsáveis pela vida da cidade, pelo bem comum e a política é boa na medida em que cada um contribui com sua parte para o serviço da paz”, acrescentou o argentino.

Ansa

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Judiciário

STJ define ausência de tributação em permuta de imóveis

Os contribuintes passam agora a contar com um importante precedente para afastar a ilegal cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins sobre os imóveis recebidos por meio de contrato de permuta.

A 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça confirmou a tese da não incidência de tributos federais nas operações de permuta de imóveis, em julgamento recente, cujo acórdão foi publicado em 21/11/2018.

O caso tratava de uma Ação de Repetição de Indébito, na qual a Autora visava ter reconhecido o seu direito de obter a restituição do montante pago a título de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins sobre o valor de imóveis recebidos em decorrência de um contrato de permuta. A Autora, empresa do setor de incorporação de imóveis, firmou contrato de permuta por meio do qual receberia o domínio e posse de um imóvel e se comprometeu a edificar um empreendimento residencial. Em troca da área recebida, acordou transferir à permutante proprietária algumas unidades, no valor correspondente ao terreno.

Acolhendo integralmente o acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o STJ concluiu que a “permuta configura mera substituição de ativos, e não receita ou faturamento”, não compondo, portanto, a base de cálculo do IRPJ e das demais contribuições sociais.

Nos termos da decisão, o conceito de receita, previsto na legislação do Imposto de Renda, não se refere ao ingresso de qualquer tipo de recurso ao patrimônio da empresa, mas sim, exclusivamente, àqueles previstos no artigo 12 do Decreto-Lei nº 1.598/77.

No caso das operações de permuta, restou decidido que somente eventual torna está sujeita à tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e Cofins.

Assim, ao contrário do que entende a Receita Federal, decidiu o STJ que a previsão do artigo 533 do Código Civil, no sentido de que à permuta se aplicam as mesmas disposições previstas para a compra e venda, não basta para a equiparação dessas operações para fins tributários.

Essa decisão é de extrema relevância para as empresas do setor imobiliário, que usualmente são compelidas a recolher os valores exigidos pela Receita Federal para manter sua regularidade fiscal. Especialmente para aquelas optantes pelo regime do lucro presumido, que não podem se valer dos benefícios previstos na IN/SRF 107/88.

Consultor Jurídico

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Economia

Guedes indica atual presidente da Firjan para comando do Conselho do Sesi

O atual presidente da Federação das Indústrias do Rio Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, foi indicado pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, para ocupar a presidência do Conselho Nacional do Sesi.

Segundo nota divulgada pela assessoria de Guedes, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, “aprovou com satisfação a nomeação de Eduardo Eugênio”.

A Firjan integra o Sistema S, que recebe anualmente cerca de R$ 17 bilhões em repasses do governo federal. Essa verba será alvo de cortes, já anunciaram integrantes da equipe de transição e o próprio Guedes. O Sesi também integra o Sistema S.

Em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo em meados deste mês, Gouvêa Vieira afirmou que o futuro ministro da Economia “faz muito bem” em pensar no corte de verbas para o Sistema S. Para ele, a indústria deveria ajudar o novo governo a pensar em novas formas de bancar os serviços.

“Não tem cabimento irmos a público para mostrar os benefícios sociais dessas instituições. Isso está dado. A discussão é sobre financiamento”, disse na ocasião. “Queremos debater para salvar o trabalho que fazemos ou será terra arrasada.”

Estadão Conteúdo

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Política

Governadores criam frente por reforma da Previdência

Os novos governadores sabem que, para restabelecer o equilíbrio fiscal dos Estados, precisarão fazer mudanças profundas na estrutura estadual. Isso inclui a redução da folha de pagamento dos funcionários inativos (aposentados e pensionistas), que depende da reforma da Previdência do governo federal. Nas últimas semanas, alguns governadores começaram a articular uma frente pró-reforma da Previdência para garantir a aprovação de um texto que alcance os servidores estaduais.

“Decidimos apoiar a reforma para que o sistema não entre em colapso. No Rio Grande do Sul, o déficit já chega a R$ 12 bilhões”, diz o governador Eduardo Leite (PSDB). Além do Estado, os governos de São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Pará já aderiram ao movimento. “Essa reforma é urgente, pois os Estados estão caminhando para uma situação de insolvência”, completa o novo governador de Minas, Romeu Zema.

Para Fabio Klein, economista da Tendências Consultoria Integrada, apoiar a agenda federal da reforma da Previdência é uma boa estratégia para os Estados, que têm papel importante como agente de pressão no Congresso. Hoje, diz ele, um dos gastos que mais pesam no caixa da administração estadual é a folha de servidores inativos.

Até 2017, todos os Estados brasileiros estavam acima do nível de alerta para os gastos com pessoal, segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN). A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) estabeleceu como limite prudencial e de alerta os porcentuais de 57% e 54% das receitas correntes líquidas, respectivamente. O teto é 60%, mas várias administrações estavam – e continuam – acima do limite.

Além da conta

A economista Ana Carla Abrão, ex-secretária da Fazenda do Estado de Goiás, se diz otimista com as novas administrações, que têm sinalizado disposição em adotar uma agenda estrutural importante. “Os Estados estão em colapso porque gastaram além do que deveriam. Agora eles não têm opção a não ser adotar uma agenda rígida. Caso contrário, não vão conseguir governar.”

Para ela, é preciso quebrar o círculo vicioso que tem se perpetuado nos últimos anos – e o início disso é reduzir os gastos. “Na média, temos Estados em situação pior que em 2016 e 2017. Se não mudarem a administração, teremos mais Estados pendurados em 2019 e 2020.” Na avaliação de Ana Carla, o corte de gastos está entre as prioridades dos governos, mas também há uma questão de calibragem dos incentivos fiscais e uma agenda pró-privatização que podem gerar receitas importantes para os Estados.

Em Minas Gerais, Zema quer agregar valor às estatais por meio de uma gestão eficiente e torná-las atrativas antes de tentar vendê-las. Hoje, diz ele, as companhias estão subavaliadas. O governador destaca, porém, que esse é um assunto que deverá ser discutido dentro da renegociação da dívida com a União. “Uma das exigências do Tesouro no acordo é que algumas estatais sejam vendidas.”

Mesma situação vive o Rio Grande do Sul. Na primeira tentativa de adesão ao plano de recuperação fiscal, o Tesouro tentou incluir a privatização do Banrisul, mas não teve sucesso. Agora, o assunto deve voltar à tona com a nova rodada de negociações. “Essa não é uma agenda rápida e exige cuidados. Não podemos queimar patrimônio para cobrir despesas de custeio. Não adianta cobrir os gastos do mês e continuar com o problema”, afirma Eduardo Leite.

Segundo ele, sua equipe econômica está incumbida, por exemplo, de fazer um levantamento detalhado de bens (como imóveis) com utilização inadequada e que geram custos para o Estado. A exemplo de Minas Gerais, a ideia é vender esses ativos. O economista Fabio Klein afirma que os Estados também devem aproveitar o momento para rever incentivos fiscais e elevar suas receitas. Por enquanto, Goiás foi o único que decidiu cortar subsídios.

O novo governador do Estado, Ronaldo Caiado, destaca que a decisão da Assembleia Legislativa de cortar alguns incentivos fiscais vai representar acréscimo de quase R$ 1 bilhão na arrecadação de 2019. “Precisamos de uma mudança de perfil para que possamos ter condição de colocar ordem na casa. Além disso, a população precisa conhecer a realidade fiscal do Estado.”

Governabilidade

Uma das preocupações de Klein é com a governabilidade das novas administrações. A agenda de ajuste fiscal depende de uma série de questões e da adesão de terceiros. No caso da renegociação do regime de recuperação fiscal, os Estados terão de entrar em acordo com o governo federal, que fará uma série de exigências. Também vão depender das Assembleias para aprovar venda de ativos e privatização. Isso sem contar o apoio popular já que muitas medidas são polêmicas e desagradam os eleitores.

“É preciso considerar se os novos governadores têm alinhamento com o governo federal e se tem experiência com a máquina pública”, explica Klein. Para ele, tudo isso conta na hora de implementar a agenda de ajuste fiscal. Na avaliação do economista, as propostas apresentadas até agora para conter a crise dos Estados deixam a desejar. Mas, com a posse dos governadores, é possível que essa situação mude e medidas mais concretas sejam apresentadas pelas equipes econômicas.

Lei de Responsabilidade Fiscal faz 18 anos sob ataques

A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) chegou à maioridade em 2018, quando as contas fiscais consolidadas das três esferas de governo registram o quinto ano seguido de déficit primário, cálculo que exclui os gastos com dívida e juros. Ao mesmo tempo, os 18 anos chegam com a LRF sob ataque.

No fim do ano, a LRF foi alterada para permitir que prefeitos ultrapassem o limite de gastos com pessoal (de 60% da receita) sem sofrer punições, desde que haja queda na receita, e alguns governadores, ameaçados de prisão por causa da regra que exige terminar o mandato com recursos em caixa para cobrir todas as despesas contratadas, articulavam manobras para evitar o pior, como revelou o Estadão/Broadcast no início de dezembro.

Nas palavras de Pedro Malan, ministro da Fazenda quando a LRF foi assinada, em 2000, as regras completam uma “turbulenta maioridade”. Para José Roberto Afonso, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) e professor do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), a LRF ficou incompleta.

“Obviamente (a lei) se desgastou e tem sido driblada, cada vez mais, inclusive por quem teria a função institucional de zelar por ela”, diz Afonso, que trabalhou na redação da LRF.

Especialistas ouvidos pelo Estado foram unânimes em reconhecer os avanços com a introdução da LRF, mas destacaram desafios que precisam ser enfrentados. “A lei de responsabilidade foi um marco institucional. Ajudou a melhorar significativamente o quadro geral das contas públicas”, afirma Felipe Salto, diretor executivo da Instituição Fiscal Independente do Senado Federal (IFI).

Na visão do secretário diretor-geral do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), Sérgio Ciquera Rossi, a introdução do planejamento nas contas públicas foi o ponto alto da LRF. “Com a lei, passou a ser necessário planejar as despesas de acordo com o planejamento de receitas.”

Segundo Salto, da IFI, a aprovação da LRF coroou um processo iniciado desde os anos 80 e 90, que incluiu o fim da conta movimento (mecanismo pelo qual o Banco Central supria o Banco do Brasil de recursos que eram usados na expansão de crédito), a renegociação da dívida externa e das dívidas dos Estados e a criação da Secretaria do Tesouro Nacional.

Ainda assim, fica a questão: se representou tamanho avanço, por que a LRF foi incapaz de evitar a atual crise fiscal? “O Brasil é pródigo em criar regras fiscais, mas não tão pródigo em cumpri-las”, diz Salto. Para ele, há uma questão cultural aí.

É preciso que se espalhe pela sociedade a consciência de que “sem contas públicas arrumadas, não vamos a lugar nenhum”.

Sem essa cultura, a letra da lei acaba morta na falta de fiscalização e da aplicação de punições pelos órgãos de controle, com destaque para os tribunais de contas e os órgãos do Poder Legislativo, responsáveis, em última instância, pela supervisão das contas do Poder Executivo.

Pelo contrário, disse Afonso, do Ibre/FGV. Ele destacou que alguns tribunais de contas fomentaram o descumprimento da LRF, desenhando medidas criativas de interpretação de despesa de pessoal, justamente para gastar mais com servidores.

Incompleta

Nesse sentido, um dos pontos previstos na LRF que não saiu do papel foi o Conselho de Gestão Fiscal. O órgão teria caráter federativo, com a missão de padronizar, em todo o País, a aplicação das regras da LRF por parte dos tribunais de contas estaduais.

Também faltou regulamentar o limite para a dívida pública, lembra Afonso. “O mais grave é a falta de limites para dívida consolidada e para a (dívida) mobiliária da União, uma vez que a dívida não para de crescer no País. Esse, certamente, é o problema mais grave e a lei poderia ter ajudado, mas nenhum governo deixou voltar esse limite.” Afonso mencionou ainda o fato de uma lei de 1964, que define as regras básicas de orçamento e contabilidade, não ter sido revista.

Apesar das ameaças de relaxamento na LRF, como no caso da flexibilização da punição para as prefeituras que ultrapassarem o limite de gastos com pessoal, Ciquera Rossi, do TCE-SP, vê pouca interferência no trabalho dos órgãos de controle. “Vamos continuar dizendo que as contas não devem ser aprovadas”, diz. Para ele, o próprio fato de políticas tentarem flexibilizar a LRF é sinal de que a legislação foi eficaz nos 18 anos.

Salto, da IFI, pondera que é preciso entender a situação de prefeitos e governadores que, em meio à recessão de 2014 a 2016, passaram por um período muito difícil para a arrecadação. “Nesse contexto, há um movimento natural de pensar em flexibilizações. Agora, as mudanças são preocupantes”, afirma o especialista, lembrando que, quando é feita uma flexibilização, ainda que justificada em determinado contexto, é mais difícil revertê-la depois.

Argumentos atuais. Procurado para comentar sobre os 18 anos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan fez referência a um artigo seu, publicado no ‘Estadão’ em 2010, por ocasião dos dez anos da criação da lei.

Na época, Malan escreveu que “tão ou mais importante” do que comemorar o aniversário da lei seria “resistir às inúmeras pressões para que ela seja desrespeitada na prática” e “não permitir que o espírito que presidiu à sua elaboração, no final dos anos de 1990, seja gradualmente deixado de lado”. Malan disse apenas que, atualmente, os argumentos do artigo de 2010 estão válidos ou ainda mais atuais do que quando foram escritos.

No artigo escrito na época, ele já falava dos riscos que a lei estava correndo por causa do “apreço” que os governos brasileiros tinham pelo gasto público. “Mas esse apreço geral, que não está de forma alguma restrito aos anos eleitorais, e a voracidade com que se procura o acesso privilegiado a recursos públicos constituem o ovo da serpente de futuras crises fiscais.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Estadão Conteúdo

Opinião dos leitores

  1. Meu amigo mais de 70% dos servidores do estado tem aposentadoria especial. PM, civil e professor se aposentam com 40 e poucos anos. Como ninguém fez nada a previdência do RN simplesmente quebrou.

  2. SE QUISEREM FAZER JUSTIÇA E DIMINUIR DESPESAS , COMECEM REDUZINDO OS ALTOS SALÁRIOS ABSURDOS DOS MARAJÁS DOS TRÊS PODERES, E PRINCIPALMENTE DO LEGISLATIVO E JUSTIÇA , TEM MUITO CACIQUE PARA POUCO ÍNDIO. A REMUNERAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS QUE PEGAM PESADO SÃO INSIGNIFICANTES.
    PRINCIPALMENTE REDUZIR GASTO COM CARGOS COMISSIONADOS , LEIA-SE FANTASMAS CRIADOS PARA INCREMENTAR OS SALÁRIOS OBESOS PAGO COM O DINHEIRO PÚBLICO ORIUNDO DO CONSUMO , LUCRO DAS EMPRESAS E DOS TRABALHADORES. GOVERNO SOMENTE PRODUZ DESPESAS E ARRECADADOR, O RESTO É PERFUMARIA DE PSEUDO ADMINISTRADORES .

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Política

Empossado governador, Doria critica passado do PSDB e diz que partido vai mudar

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), endureceu o discurso em prol de mudanças no PSDB durante discurso na cerimônia de transmissão do cargo no Palácio dos Bandeirantes, nesta terça-feira, 1. Doria declarou que o partido não vai “virar as costas” para o País e que deve apoiar as medidas do presidente eleito, Jair Bolsonaro.

“Nada de apego ao passado, o passado é para ser respeitado. Mas hoje o que vale é o presente”, disse o tucano, em crítica indireta a governos tucanos anteriores. “E o PSDB, o meu partido, será um exemplo disso porque vai mudar e vai mudar para sintonizar à realidade da população do Estado e, se souber fazer isso em São Paulo, irá fazer também no Brasil.”

No discurso, Doria citou o ex-governador Mário Covas como exemplo. Geraldo Alckmin e José Serra foram citados de forma protocolar em fala anterior, no discurso de posse na Assembleia Legislativa. Para o novo governador, a legenda tucana precisa de novas posições. Ele prometeu que seu governo vai “enterrar” a velha política.

Estadão Conteúdo

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Política

Futuro governo Bolsonaro é destaque na imprensa mundial

O futuro governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro, é tema hoje (1º) dos principais veículos de imprensa do mundo. Muitos deles comparam o brasileiro ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também destacam as diferenças entre Bolsonaro e os antecessores, assim como os desafios que terá de enfrentar, do combate à violência à corrupção.

O jornal norte-americano Washington Post publica uma foto de perfil do presidente eleito com o semblante compenetrado. Na reportagem, associam as semelhantes entre Bolsonaro e Trump e relembram uma antiga frase do presidente eleito: “Trump é um exemplo para mim”.

O francês Le Monde põem em destaque uma fotografia em que Bolsonaro está com o chapéu que ganhou de cantores sertanejos durante almoço em Brasília. A reportagem, a exemplo do Washington Post, menciona as semelhanças entre Trump e o o presidente eleito. No Le Monde, há menção à análise feita por Steven Bannon, aliado de Trump, que destacou as virtudes de Bolsonaro.

A RTP, emissora pública de televisão de Portugal, a foto de destaque é uma imagem do Congresso Nacional. O título resume: “Bolsonaro toma posse. Nova era no Brasil”. Também cita que os brasileiros clamam por mais segurança e que as dificuldades econômicas imperam. Destaca a presença do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, na cerimônia.

Na Tass, agência estatal de notícias da Rússia, o destaque é para a comitiva russa que representará o presidente Vladimir Putin. O presidente da Duma (Câmara dos Deputados da Rússia), Vyacheslav Volodin, estará na cerimônia de posse com um grupo de parlamentares.

O ABC Color, um dos principais jornais do Paraguai, ressalta que o presidente paraguaio, Abdo Benítez, pegará uma carona no avião do presidente do Chile, Sebastián Piñera, na viagem até Brasília. Ambos aproveitarão o tempo para realizar a primeira reunião bilateral.

O argentino La Nación traz uma fotografia de Bolsonaro sorrindo e fazendo o sinal de positivo. A reportagem informa que Brasil, México e Estados Unidos os “três gigantes americanos” estarão governados por líderes que “abraçam o nacionalismo”. O texto menciona um “triunvirato”.

Agência Brasil

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Saúde

UPA Macaíba fecha no primeiro dia do ano por falta de médicos

A Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Macaíba está fechada desde as 7h, desta terça (1), por falta de médicos.

De acordo com informações repassadas ao blog, a empresa contratada pela Prefeitura não apresentou os médicos necessários para prestar os serviços para a população. Sem médicos, a unidade não abriu as portas.

A UPA funciona com médicos do próprio município e com médicos terceirizados, mas compra uma escala a ser preenchida, em alguns dias não há servidores, ficando apenas os terceirizados.

A unidade atende cerca de 200 pessoas por dia e moradores estão reclamando que a situação está caótica no município.

Opinião dos leitores

  1. Certeza a população e que perde com o cartel de médicos e cooped investigar essa cooperativa quero ver o caixa que não paga que tem onde tá o dinheiro , Abra os olhos Doutores , #MPF e # MPE

  2. O dia que a prefeitura, e, ampliando o espectro, o Brasil investir mais na saúde, evitando encolhimento de salários, sobrecarga de trabalho e falta de insumos, com certeza a UPA e outros serviços de saúde no país não fecharão, isso podem ter certeza!

  3. Cateterização de serviços. Uma empresa ganha uma concorrência e a copmed bloqueia o serviço. Acho que isso se enquadrada também em Cartel, crime organizado, crime contra o patrimônio público , entre outros.

    1. Falando merda sem ter conhecimento algum. Putz. Calado o amigo passa menos vergonha!

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Política

Decreto sobre posse de armas pode ser questionado no STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) poderá barrar decreto de Jair Bolsonaro sobre a posse de armas no país caso ele altere o Estatuto do Desarmamento.

A conclusão é de técnicos jurídicos de gabinetes da Corte que, a pedido de magistrados, se debruçaram sobre as normas legislativas depois que Bolsonaro anunciou, pelo Twitter, que tornará o registro de armas definitivo por meio de um decreto.

A medida seria ilegal já que um decreto não pode alterar uma lei. E a do desarmamento é clara: em seu artigo 5º, ela diz que os requisitos para manter uma arma em casa devem ser comprovados periodicamente.

O decreto de Bolsonaro, portanto, poderia até alterar o prazo previsto para a comprovação e a renovação do registro da arma. Mas não torná-lo definitivo, como
ele anunciou.

Michel Temer, por exemplo, aumentou a periodicidade para a renovação do registro, de três anos para cinco anos. Fez isso por meio de decreto. Mas não alterou a lei.

Uma outra mudança que Bolsonaro poderá fazer por decreto, segundo o estudo, é eliminar a previsão de que cabe à Polícia Federal comprovar a necessidade real antes de autorizar a posse de arma a um cidadão.

Desta forma, bastaria a declaração da pessoa de que precisa ter uma arma para que a posse seja autorizada, sem o crivo da PF.

Folhapress

Opinião dos leitores

  1. E o referendo que foi feito com a população votando favorável e os ptRALHAS desconsideraram, o que tem a dizer o STF?????

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Diversos

52 apostas dividem prêmio de R$ 302,5 milhões da Mega da Virada; confira quais os ganhadores

Os números da Mega da Virada foram sorteados na noite desta segunda (31), em São Paulo. O valor do prêmio foi de R$ 302,5 milhões.

As dezenas sorteadas foram: 05 – 10 – 12 – 18 – 25 – 33.

Segundo a Caixa, 52 apostas dividirão o prêmio. Assim, cada aposta ganhadora levará R$ 5.818.007,36.

Confira os ganhadores por estado

São Paulo (dez apostas: Adamantina, Guarujá, Pedreira, Praia Grande, Ribeirão Preto, São Bernardo do Campo, Votorantim e três na capital);
Acre (uma aposta em Rio Branco);
Amazonas (uma aposta em Manaus);
Bahia (cinco apostas: Salvador, Feira de Santana, Mata de São João, Valença e três em Euclides da Cunha);
Ceará (uma aposta em Várzea Alegre);
Distrito Federal (uma aposta em Brasília);
Goiás (duas apostas: Bela Vista de Goiás e Jataí);
Maranhão (duas apostas: Pedreiras e São Luís);
Minas Gerais (seis apostas: Alfenas, Divinópolis, Martinho Campos, São Sebastião do Paraíso e duas em Belo Horizonte);
Mato Grosso do Sul (três apostas: Corumbá, Costa Rica e Coxim);
Pará (duas apostas: Almeirim e Itaituba);
Paraíba (uma aposta em João Pessoa);
Pernambuco (uma aposta em Lagoa do Itaenga);
Paraná (duas apostas: Campo Mourão e Curitiba);
Rio de Janeiro (oito apostas: Angra dos Reis, Barra do Piraí, Nova Iguaçu, Santo Antônio de Pádua e quatro na capital);
Santa Catarina (uma aposta em Blumenau).
Três apostas ganhadoras foram feitas por canal eletrônico.

Outros ganhadores

Na segunda faixa de premiação (acerto de cinco números), 7.688 apostadores vão levar R$ 6.644,73 cada um. Outros 303.857 apostadores que acertaram quatro números vão receber R$ 240,17 cada um.

G1

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Política

‘Laranja, de mim, nunca foi’, diz Bolsonaro sobre Queiroz

Valter Campanato/Agência Brasil

Em sua última entrevista em 2018, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou, nesta segunda-feira, 31, que possui amizade com Fabrício Queiroz, ex-assessor de seu filho Flávio Bolsonaro investigado por movimentações atípicas em sua conta, desde 1984, mas ressaltou que não participou de nenhum ato ilícito. “Laranja, de mim, nunca foi”, disse, ao Jornal da Record.

As movimentações atípicas de Queiroz foram apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O fato levantou uma crise em torno do presidente eleito. O valor divulgado pelo Coaf é de R$ 1,2 milhão.

O presidente eleito falou que Fabrício Queiroz sempre teve confiança da família e que seu filho Flávio Bolsonaro não é investigado por nada. “(Queiroz) Foi trabalhar com o meu filho (Flávio Bolsonaro, no gabinete da Alerj), sempre gozou de toda a liberdade e confiança nossa. Era uma pessoa que já foi pescar comigo. Já curtiu férias comigo, lá em Mambucaba, no Rio de Janeiro.”

Sobre os valores na conta de Queiroz, Bolsonaro disse que quem tem que prestar esclarecimento é o próprio ex-assessor. “As outras cinco pessoas que transferiram (além dos familiares de Bolsonaro), que eu tive acesso ao relatório do Coaf, são pessoas que depositaram de R$ 300 a R$ 8 mil, durante um ano, não foi todo mês. E ele tem que explicar no tocante a isso aí. Agora, ele já falou claramente, sempre há aquela desconfiança, ‘ah, é caixa 2’, ‘é um laranja’. de mim, nunca foi?”, afirmou Bolsonaro. “Agora, se tiver algo mais, que eu desconheço, cabe essa explicação ao Fabrício Queiroz, não cabe a mim”, emendou.

Bolsonaro também falou sobre a quantia que foi depositada por Queiroz na conta de Michelle Bolsonaro, futura primeira-dama. “A questão da minha esposa, não é apenas dessa vez. O Coaf falou que foram R$ 24 mil (depositados na conta dela), na verdade, foram R$ 40 mil. Foi uma dívida que foi se acumulando dele e cobrei dele. E a maneira de cobrar foi o quê? Me dar um cheque”, explicou.

Queiroz cedeu entrevista ao SBT no último dia 26 e deve prestar esclarecimentos ao Ministério Público. Ele já faltou a dois depoimentos ao MP alegando motivos de saúde.

Primeiras medidas

Jair Bolsonaro afirmou, em sua entrevista cedida à TV Record, que uma de suas primeiras medidas a serem tomadas nos primeiros 100 dias de governo será desburocratizar o sistema brasileiro. “Tirar o peso do Estado para quem produz. Vale para todas as áreas”, disse o presidente eleito, que toma posse hoje.

 

Estadão Conteúdo

Opinião dos leitores

  1. É no que dá o "filhotismo" político. O cara chega ao posto de presidente da República Surrealista dos Trópicos tendo de se justificar pela lambança da filharada, apegada ao poder como carrapatos famélicos e insaciáveis.

  2. Então é meu laranja, o povo não é burro sr presidente, essa prática é antiga, aqui no RN é o que mais tem, lembram dos Gafanhotos? Estão todos soltos e o dinheiro dos laranjas nos empreendimentos deles.

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Polícia

Esquema de segurança da posse de Bolsonaro inclui agentes especializados em defesa química

Um forte esquema de segurança já está montado na Esplanada dos Ministérios para a cerimônia de posse do presidente eleito Jair Bolsonaro. Logo no primeiro ponto de revista, um caminhão de som alerta que, “para a festa de paz” e para garantir a segurança, “vários atiradores estão posicionados, além de agentes especializados em defesa química, biológica e nuclear”.

Pessoas que vieram à Esplanada para acompanhar a posse não enfrentam, por enquanto, longas filas para passar em dois postos de revista. Frutas precisam ser cortadas e somente sacos transparentes são permitidos. Superada a barreira, populares têm um espaço limitado para circulação. Desta vez é permitido o acesso apenas no gramado central, sem a possibilidade de movimentação para áreas próximas dos prédios dos Ministérios.

Tapumes foram montados em frente à Catedral, onde deverá ter início o desfile do presidente eleito. Populares não poderão acompanhar esse início.

O tenente coronel Henrique Pinto informou que 2.900 homens da Polícia Militar já participam da operação de segurança na Esplanada. No efetivo, homens do Corpo de Bombeiros, Exército e a Caesb – companhia encarregada da distribuição de água potável, visto que não é permitida a entrada com garrafas de água ou ambulantes.

Por enquanto, há na Esplanada mais policiais do que pessoas interessadas em acompanhar a posse. O porta-voz da Polícia Militar, major Michello Bueno, disse não ser possível, ainda, dizer quantas pessoas já chegaram à Esplanada. “Elas estão espalhadas. Pode ter duas mil, três mil. Mas o movimento está crescendo”.

Estadão Conteúdo

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Política

TV Assembleia e redes sociais da Assembleia Legislativa farão transmissão ao vivo da posse de Fátima Bezerra

A solenidade de posse da governadora do RN Fátima Bezerra e do vice-governador Antenor Roberto desde a chegada deles na Escola de Governo terá cobertura ao vivo e especial da TV Assembleia.

Um programa direto do estúdio e com entradas ao vivo das equipes de reportagem no Centro Administrativo mostrará todos os detalhes da posse e da transmissão de cargo e discutirá os desafios do governo do RN.

Acompanhe ao vivo nos canais 51.3 (aberto) 9 e 109 da Cabo e 16 da NET e também nas redes sociais da Assembleia Legislativa.

Serviço

Dia: 01.01.2019
Hora: a partir das 14h30min
Local: Escola de Governo

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Economia

Novo governo pode usar brechas para flexibilizar regras trabalhistas sem mexer na Constituição ou CLT

Sem mexer na Constituição ou na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), o governo de Jair Bolsonaro tem espaço para uma nova flexibilização na aplicação de direitos dos empregados, pouco mais de um ano após a lei trabalhista passar por sua mais profunda reforma.

Promessa de campanha do presidente eleito para a geração de emprego, a carteira de trabalho verde e amarela existiria simultaneamente à tradicional azul, mas funcionaria como um contrato individual da empresa com cada funcionário. Suas determinações prevaleceriam sobre a CLT, mas os direitos constitucionais seriam mantidos.

Professores de direito observam, no entanto, que as garantias ao trabalhador na Constituição, listadas no artigo 7º, são apresentadas de forma genérica.

“A Constituição garante direitos como salário mínimo, 13º salário, seguro-desemprego, irredutibilidade salarial. Mas outras leis trazem especificações, como a de que o 13º deve ser pago em duas parcelas”, afirma Fabíola Marques, professora da PUC-SP.

Com isso, ela diz, haveria brecha, por exemplo, para que o 13º fosse pago mensalmente para os registrados com a carteira verde e amarela.

A adesão à nova carteira seria voluntária e válida para novos ingressantes no mercado.

“Quem estiver com 16 anos pode escolher: porta da esquerda, você tem sindicato, tem legislação trabalhista para te proteger, tem encargos, tem uma porção de coisas. Porta da direita, você tem contas individuais, não mistura assistência com previdência, […] não tem encargos trabalhistas e a legislação é como em qualquer lugar do mundo, se você for perturbado no trabalho, você vai à Justiça e a Justiça resolve seu problema”, afirmou o ministro da Economia, Paulo Guedes, em entrevista à GloboNews ainda durante a campanha eleitoral.

“O que parece que está sendo proposto é uma alteração na forma de praticar e aplicar esses direitos. Não será o FGTS [Fundo de Garantia do Tempo de Serviço] como está na lei específica do fundo, por exemplo. O título estará assegurado, mas não na forma daquela lei”, diz Paulo Sergio João, professor da FGV Direito SP.

Bolsonaro já sinalizou a intenção de flexibilizar mais as leis trabalhistas e disse que, mesmo após a reforma de 2017 na CLT, continua sendo difícil ser patrão no Brasil.

“No que for possível, sei que está engessado o artigo 7º [da Constituição], mas tem que se aproximar da informalidade”, afirmou o presidente em reunião com deputados do DEM em 12 de dezembro.

Para Nelson Mannrich, professor da USP e sócio do Mannrich e Vasconcelos Advogados, a iniciativa pode ser boa para fomentar o emprego em grupos específicos. “Temos no Brasil jovens de 16, 17 anos que querem trabalhar e não têm condições de acesso ao mercado. Eles não podem se beneficiar da lei de estagiários, então por que não ter uma lei específica para fomentar o emprego desses jovens?”

Sem regras claras para o novo tipo de vínculo empregatício, porém, o temor é que a carteira verde e amarela “engula” a azul. “É óbvio que, se esse modelo for mais conveniente para o empregador, a nova carteira vai ser quase compulsória”, diz João.

Ele compara a situação com a instituição do FGTS, em 1967, que acabou tornando letra morta artigo da CLT que assegura estabilidade no emprego ao trabalhador com dez anos ou mais na mesma empresa.

Há dúvidas também sobre como seria a validade de negociações coletivas nesses casos.

“A Constituição garante o adicional noturno, a CLT estipula em 20%, mas algumas convenções determinam mais. Com essa nova carteira, 0,1% já seria suficiente?”, questiona Ivandick Cruzelles, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Para instituir a carteira verde e amarela, o governo poderia apresentar um projeto de lei, que requer aprovação por maioria simples na Câmara e no Senado, “desde que estabeleça como garantir os direitos do artigo 7º”, diz Otavio Pinto e Silva, sócio do escritório Siqueira Castro e também professor da USP.

“Outra opção seria via medida provisória, mas aí teria uma duração limitada”, diz Marques. Medidas provisórias produzem efeitos imediatos, mas têm prazo de vigência de até 180 dias e dependem de aprovação do Congresso para se transformar em lei.

Uma nova regra no âmbito trabalhista não deve passar sem gerar discussões sobre sua constitucionalidade, avalia Marques.

“É possível que, dependendo da legislação, seja arguida a inconstitucionalidade da norma, porque poderia criar duas categorias de trabalhadores, o que violaria o princípio da igualdade.”

Ela pondera, no entanto, que já existem categorias de trabalhadores com características diferentes, como o temporário e o intermitente (sem jornada fixa regular).

“Até pode ser que se crie uma legislação diferente, mas, para isso, é preciso que haja um tipo de trabalho distinto”, afirma Marques.

“A Constituição Federal assegura direito a trabalhadores sob vínculo de emprego, e outras modalidades de contrato são possíveis”, diz João.

Na avaliação de Cruzelles, a existência de duas carteiras de registro criaria duas classes de trabalhadores, “e a Constituição não estabelece essa possibilidade”, ele diz.

“Além disso, não cabe ao direito trabalhista a geração de empregos. Não é ele que vai aumentar ou diminuir postos de trabalho. Em 2014, o Brasil vivia uma situação perto do pleno emprego sem a redução de nenhum direito, mas pelo aquecimento da economia e condições do país que atraiam investimentos”, afirma.

Direitos Trabalhistas

O artigo 7º da Constituição Federal lista os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, mas há outras leis que especificam suas aplicações

Seguro-desemprego
É garantido pelo inciso II do artigo 7º da Constituição, mas regulamentado por lei própria. Em 2015, no governo de Dilma Rousseff (PT) e em meio à crise econômica, as regras de acesso ao benefício se tornaram mais duras: para fazer o primeiro pedido, o trabalhador precisa ter sido empregado por ao menos 12 meses seguidos

FGTS
O inciso III da Constituição de 1988 assegura o direito ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Mas lei que regula o fundo existe desde 1966. Ela determina, por exemplo, que a presidência de seu Conselho Curador será de representante do Ministério do Trabalho, pasta que será extinta no governo de Jair Bolsonaro

Salário
A Constituição garante o salário mínimo “fixado em lei, nacionalmente unificado” e “com reajustes periódicos”. A atual política de valorização do mínimo, no entanto, foi estipulada por outra lei, de 2011, no governo Dilma, e tem validade apenas até 2019. A Constituição garante ainda o princípio de irredutibilidade do salário

Licenças-maternidade e paternidade
Os 120 dias da licença-maternidade são garantia constitucional, bem como os cinco dias para a licença dos pais, e, portanto, não poderiam ser alterados em contratos individuais, como a carteira verde e amarela

13º salário
É direito constitucional do trabalhador o recebimento de um 13º salário, com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria. Há lei específica determinando que esse pagamento deve ser feito em duas parcelas, mas, com a carteira verde e amarela, o empregador poderia estipular uma periodicidade diferente, por exemplo

Adicional noturno
A remuneração do trabalho noturno deve, segundo o inciso IX, ser superior à do diurno. Mas é a CLT que determinou que o acréscimo é de 20% sobre a hora diurna. A lei trabalhista também considera que será computada como hora noturna 52 minutos e 30 segundos; em um contrato individual, esse período poderia virar uma hora cheia

Repouso e férias
Os incisos XV e XVII garantem, respectivamente, repouso semanal remunerado e férias anuais remuneradas “com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal”. O número de dias das férias é determinado pela CLT, que passou a permitir, com a reforma de 2017, o fracionamento do descanso em até três parcelas. No contrato pela carteira verde e amarela, essa divisão poderia ser mais livre

Trabalho insalubre
Quem exerce atividade penosa, insalubre ou perigosa tem direito constitucional a um adicional. A definição de insalubridade, no entanto, é da CLT. É a lei trabalhista que também estabelece como será a remuneração extra: de 40%, 20% e 10% do salário mínimo da região, dependendo de como é classificado o grau de insalubridade da atividade (máximo, médio e mínimo)

Folhapress

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