Política

Grupo político de ministra do Turismo é alvo de denúncia que envolve uso de homens armados contra empresários

Waguinho, prefeito de Belford Roxo, e Daniela Carneiro, nomeada ministra do Turismo no governo Lula: casal é alvo de investigações na Justiça | Foto: Fabio Rossi/Agência O Globo

O grupo político da ministra do Turismo do governo Lula, Daniela Carneiro (União Brasil), é alvo de ação penal proposta pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ) envolvendo o uso de homens armados com o suposto objetivo de intimidar empresários da Baixada Fluminense. A denúncia, apresentada pelo MP em abril de 2019, chegou a afastar do cargo por dois meses o prefeito de Belford Roxo, Waguinho (União), acusado de liderar uma organização criminosa junto com o deputado estadual Márcio Canella (União).

Os detalhes do caso foram publicados pelo jornal “Folha de S. Paulo” nesta sexta-feira e confirmados pelo GLOBO. Waguinho é casado com Daniela Carneiro e o principal articulador de suas eleições a deputada federal, em 2018 e 2022, ocasiões em que usou o nome “Daniela do Waguinho” nas urnas.

O MP acusa Waguinho, Canella e outros 23 denunciados de serem responsáveis por desvios acima de R$ 14 milhões desde que o marido de Daniela assumiu a prefeitura de Belford Roxo, em 2017; ele se reelegeu em 2020. Daniela não é alvo da denúncia, mas é citada pelo MP na ação penal porque sua irmã, Djelany Mote de Souza Alves Machado, recebeu um carro adquirido pelo empresário Jorge Luiz dos Santos Santana, um dos participantes do esquema.

Segundo o MP, Waguinho e Canella teriam se associado a um grupo de empresários, que controlavam uma série de empresas através de laranjas, para fraudar licitações e desviar recursos públicos na prefeitura. Um dos episódios narrados na denúncia, ocorrido no início da administração de Waguinho, afirma que emissários do prefeito teriam pressionado Moisés de Souza Boechat, proprietário da BOB Ambiental, que gerenciava um aterro sanitário contratado pela prefeitura, para “arrendar” sua empresa por até R$ 1 milhão. A BOB Ambiental tinha contratos de R$ 91 milhões com a prefeitura de Belford Roxo, além de atender outros municípios.

Diante da negativa, Boechat afirmou em depoimento aos investigadores que foi alvo de represálias e teve seu contrato rescindido unilateralmente com a prefeitura. Em seu depoimento, ele creditou a rescisão a “interesses escusos por parte do Prefeito de Belford Roxo, o qual, juntamente com o Vice-Prefeito Marcio, tencionava contratar e colocar outra empresa para prestar tais serviços”.

Funcionários da empresa de Boechat narraram que, no período que antecedeu a rescisão, a empresa foi alvo de hostilidades por parte da Guarda Municipal de Belford Roxo e de homens armados sem identificação. Em um dos depoimentos colhidos pelo MP, o engenheiro Wagner Aparecido Ribeiro declarou que a região onde fica o aterro sanitário passou receber blitzes de “agentes uniformizados da guarda municipal de Belford Roxo, juntamente com outras pessoas não uniformizadas, em viaturas descaracterizadas”, que bloqueavam o acesso de caminhões à empresa.

Outra testemunha, identificada como José Batista Filho, relatou ao MP que ao longo de 2017 a empresa foi alvo de “operações de fiscalização diárias (…) muitas vezes, até no período noturno”, realizadas pela Guarda Municipal e “por civis, descaracterizados, porém, com vestimentas do tipo militar, não oficiais”, e disse que visualizou os referidos agentes não caracterizados portando arma de fogo”.

Segundo a testemunha, esses homens armados usavam “veículos particulares totalmente brancos com placas também brancas; que tais veículos detinham películas e circulavam de modo a impedir a identificação e visualização do seu interior”.

O funcionário afirmou ainda que foram abertas valas na estrada de terra que dá acesso à empresa, para impedir a chegada de caminhões que transportavam resíduos para o aterro sanitário. Segundo o relato, a presença das valas atrapalhou ainda a chegada de uma viatura do Corpo de Bombeiros chamada para conter um “incêndio de grande proporção” no aterro sanitário, ocorrido no primeiro semestre de 2017. Os depoimentos colhidos pelo MP não trazem elementos que apontem possíveis intuitos criminosos nos incêndios.

Em outro episódio citado na denúncia, o engenheiro Leandro Meira da Silva, representante da empresa EJC Construções, que tentava participar de um pregão realizado pela prefeitura de Belford Roxo, afirmou ter sido ameaçado, em junho de 2017, por pessoas ligadas ao empresário Jorge Luiz Santos de Santana, que buscava preferência na licitação em questão. Santana, de acordo com o relato contido na denúncia, se apresentou como “dono do contrato” porque havia “ajudado o prefeito e trabalhava com o mesmo”, e chamou um policial militar à paisana para intimidar o engenheiro.

“Nesse interregno, um policial militar ainda não identificado, à paisana, porém, portando arma de fogo, compareceu ao local em apoio ao denunciado Jorge Luiz dos Santos Santana, momento em que ambos novamente intimidaram Leandro Meira da Silva, exigindo-lhe que ‘saísse do jogo’ ou teriam ‘que resolver lá embaixo’, já que ‘não ficaria no prejuízo'”, afirma a denúncia.

O Globo

Opinião dos leitores

  1. Isso é no Rio de Janeiro ou no Rio Grande do Norte? Vindo do grupo Globo de comunicação é coisa boa ou ruim? A Globo agora deixa de ser lixo e vira luxo? É isso? Kkkkkkk Aqui no Rio Grande do Norte é parecido.

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Judiciário

Monark foi censurado por dizer que Moraes censura pessoas, diz relatório

Foto: reprodução/YouTube

A Comissão de Assuntos Judiciários da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos disse em documento divulgado na quarta-feira (17) que o influenciador, podcaster e youtuber, Bruno Aiub Monteiro, conhecido como Monark, foi “censurado” pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), por criticar justamente a censura supostamente praticada pelo ministro. Leia a íntegra do relatório, em inglês.

O documento cita o bloqueio das contas de Monark, determinado por Moraes, sob a alegação de que o influenciador teria divulgado “notícias fraudulentas” sobre ações do STF e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Leia a íntegra da decisão de 13 de junho de 2023, em que Alexandre de Moraes determina o “afastamento excepcional de garantias individuais” nas suas ordens para remover conteúdo e bloquear contas nas redes sociais.

Na ocasião, em seu canal na plataforma Rumble (que decidiu sair do Brasil por discordâncias com a Justiça brasileira no final de 2023), Monark afirmou:

Toda vez que o Supremo faz um movimento desse [determina o bloqueio de contas], ele gasta fichas políticas. Isso tem um custo para ele. […] Então, por que ele [Supremo] está disposto a pagar este custo? Por que ele [Supremo] está disposto a garantir uma não-transparência nas eleições? A gente vê o TSE censurando gente, a gente vê o Alexandre de Moraes prendendo pessoas, você vê um monte de coisa acontecendo, e, ao mesmo tempo, eles impedindo a transparência das urnas? Você fica desconfiado, que maracutaia está acontecendo nas urnas ali? Por quê? Por que o nosso sistema político não quer deixar o povo brasileiro ter mais segurança? Qual é o interesse? Manipular as urnas? Manipular as eleições?”.

A comissão afirma que Moraes teria discordado especificamente das declarações de Monark sobre ele. Como exemplo, destaca um trecho da fala acima: “A gente vê o TSE censurando gente, a gente vê o Alexandre de Moraes prendendo pessoas”. Na avaliação dos norte-americanos, “Moraes ordenou a censura de um cidadão brasileiro por criticar Moraes por censurar brasileiros”.

Antes de ter suas contas bloqueadas, em uma entrevista feita em fevereiro de 2022 com os deputados federais Kim Kataguiri (União Brasil-SP) e Tabata Amaral (PSB-SP), quando fazia parte do “Flow Podcast”, Monark afirmou que “deveria existir um partido nazista legalizado no Brasil”. A repercussão levou à demissão do influenciador, que criou um podcast chamado “Monark Talks”, no Rumble, onde fez as declarações citadas pela comissão norte-americana.

A acusação contra Moraes é parte de uma série de documentos em que a comissão do Congresso dos EUA afirma que o ministro censura qualquer oposição brasileira com “uma plataforma de crítica” ao atual “governo de esquerda”, em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A apuração começou depois da divulgação do bloqueio de contas do X no Brasil e de um embate público entre o dono da plataforma, o empresário Elon Musk, e Moraes (leia mais abaixo).

ADVOGADO CONTESTA “EXCEPCIONALIDADE”

Para o advogado constitucionalista e articulista do Poder360 André Marsiglia, o “afastamento excepcional de garantias individuais” mencionado na decisão é inconstitucional e atenta contra o Estado Democrático de Direito. Ele também afirma que a justificativa seria inédita em decisões conhecidas do Supremo e, no caso de outras menções em ações sob sigilo, não se trataria de uma excepcionalidade, como citado na decisão.

“Banir contas é censura prévia. Pressupõe-se o crime e se impede a manifestação futura bloqueando perfis. Crime não se pressupõe, e ao impedir manifestações futuras, impedem-se também as lícitas, atingindo a liberdade de expressão do usuário”, criticou Marsigilia em seu perfil no X.

Marsiglia também chama a atenção na decisão sobre Monark para “os trechos que imputam a ele conduta delituosa” que “confundem desinformação/notícias fraudulentas com opinião”.

Para o advogado, “opinião não tem compromisso com a neutralidade da informação, é a visão particular de mundo de alguém. E não cabe ao Estado dizer que opinião seus indivíduos devem ter, sob pena de violar o artigo 37 da Constituição, que lhe impõe o dever de impessoalidade”. Eis o que diz esse trecho da Carta Magna:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

“Opinião é passível de punição, caso atente contra a honra de alguém, mas não pode ser considerada desinformação, como expresso na decisão [contra Monark]. Há, a meu ver, uma imprecisão técnica relevante no fundamento principal de uma decisão que, ao restringir gravemente a liberdade de expressão do podcaster, torna-se censória”, diz Marsiglia.

Em suma, para o advogado, quando alguém diz ter dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral, expressa contrariedade sobre decisões judiciais e emite opinião crítica ao que faz um ministro do STF isso não poderia ser considerado como ato de desinformar nem de atentar a democracia.

Poder 360

Opinião dos leitores

  1. Opnião de advogado bolsominion é fácil, é a mesma coisa que passar manteiga em venta de gato. Ter a sua opinião é uma coisa, publicar a sua opinião é outra, agora ficar compartilhando mentiras sem provas, so no achismo sobre o processo eleitoral são outros 500. O Monark sempre foi um propagador de mentiras, ele ganha com as curtidas, então ele fala o que os bolsonaristas quer vê e escutar, mas não tem coragem de perder um minuto para saber o que é mentira ou verdade.

    1. Imbecil, particularmente não gosto do monark, no entanto, ter os seus direitos suspensos por falar besteira é insano, se isso fosse possível, o atual presidente jamais iria aparecer em qualquer canto, o bichim mente que nem presta, e aí?

    2. Sai pra lá, carniça! O cara nem Bolsonarista é! Vai se informar, retardado! Petista falar em verdade, quem é o maior mentiroso do Brasil?

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Geral

Justiça nega pedido de suspensão do registro de candidatura de Marçal feito por secretário-geral do partido do candidato

Foto: Renata Bitar/g1

O juiz Antonio Maria Patiño Zorz, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, negou nesta quarta-feira (21) o pedido de suspensão do registro de candidatura de Pablo Marçal, candidato do PRTB à Prefeitura da capital paulista .

Na decisão, o juiz afirmou que não pode suspender candidatura até análise do mérito. “Desse modo, desrespeitar o rito do registro de candidatura previsto na legislação supramencionada violaria o princípio do devido processo legal previsto na Constituição”.

O pedido havia sido feito pelo secretário-geral do PRTB, Marcos André de Andrade. Ele alegava que Marçal não respeitou o estatuto do seu próprio partido, que exige no mínimo seis meses de filiação para poder confirmar um candidato em convenção partidária.

Caso concedesse a liminar, o juiz explica que a ausência do nome do candidato na urna eletrônica seria irreversível.

A defesa de Marçal afirmou que a decisão foi acertada. “A decisão do magistrado foi técnica e acertada, que expressou justiça e bom senso. No mérito confiamos na improcedência total”.

Em agenda nesta quarta, Marçal parabenizou a Justiça.

“Isso aí eles estão querendo baixar a pressão do meu crescimento, né? Essa notícia não tinha fundamento nenhum já tinha falado não faz sentido porque eu já fui prejudicado em 2022. Por isso não vou aceitar é um prejuízo em relação a isso nessa eleição. Parabéns aí para a justiça, né. TRE de São Paulo que tomou a providência certa e obrigado pelos meus oponentes que estão tremendo de medo.”

Ação do PSB

 

Outra ação foi aberta após representação do PSB, partido da candidata Tabata Amaral, afirmar que Marçal desenvolve uma “estratégia de cooptação de colaboradores para disseminação de seus conteúdos em redes sociais”.

Se a Justiça aceitar o pedido, Marçal poderia ficar inelegível por 8 anos e ter o registrado cassado.

A ação cita uma reportagem do jornal “O Globo”: “Marçal turbina audiência nas redes sociais com promessa de ganhos financeiros a apoiadores”.

O MP Eleitoral conclui que, de acordo com o material e com a documentação, “o estímulo das redes sociais para replicar sua propaganda eleitoral é financiado, mediante a promessa de pagamentos aos ‘cabos eleitorais’ e ‘simpatizantes’ para que as ideias sejam disseminadas no sentido de apoio eleitoral à sua candidatura.”

“Neste sentido, tem-se que o impulsionamento pago é vedado pela legislação eleitoral. Para desviar desta proibição, o candidato não faz o impulsionamento diretamente. Ao contrário, estimula o pretenso cabo eleitoral ou eleitor para que, de vontade própria, façam sua própria postagem ou propaganda. Neste momento, poder-se-ia até identificar a voluntariedade. Mas o comportamento não repousou apenas neste aspecto.”

Segundo a ação, a lei prevê claramente quando há “transgressão pertinente à origem de valores pecuniários, o abuso de poder econômico, o abuso de poder de autoridade e o uso indevido de meios de comunicação social em benefício de candidaturas devem ser reprimidos com veemência, gerando a cassação do registro/diploma e a pena de inelegibilidade cominada potenciada por oito anos quando demonstrada a procedência das acusações.”

Em nota, a campanha do candidato Pablo Marçal (PRTB) rebateu as acusações de que “não há financiamento nenhum por trás disso”.

“Não há financiamento nenhum por trás disso, nem na pré-campanha, nem na campanha. Isso é só uma tentativa desesperada do bloco da esquerda, MDB, PSB, PT e PSOL, de tentar frear quem realmente vai vencer as eleições. Essa manobra só reforça o medo que estão do efeito Marçal, mas eles não vão nos parar!”, diz a nota enviada pela assessoria do candidato.

O presidente Nacional do PRTB, Leonardo Avalanche, também se pronunciou sobre a ação do MPE e disse que “todos os gastos de pré-campanha não excedem os limites do razoável”.

“A ação de investigação judicial eleitoral proposta pelo Ministério Público em face do candidato Pablo Marçal será julgada improcedente pela Justiça eleitoral. A defesa do candidato demonstrará, em juízo, que todos os gastos de pré-campanha não excedem os limites do razoável. Sem prejuízo, o pedido de suspensão liminar do registro de candidatura não encontra qualquer amparo legal, razão pela qual será indeferido pela Justiça Eleitoral”, afirmou.

O MP eleitoral também chegou a pedir a cassação da candidatura de Guilherme Boulos (PSOL). O órgão investigou ações irregulares do Boulos no Carnaval e suposto abuso de poder político e econômico. No entanto, o pedido foi negado pela Justiça Eleitoral.

Na decisão, assim como no caso de Marçal, o juiz argumenta que não existem motivos no pedido do MPE para a suspensão do registro. “Desse modo, desrespeitar o rito de registro de candidatura previsto na legislação supramencionada violaria o princípio do devido processo legal previsto na Constituição”, decidiu o magistrado.”

Opinião dos leitores

  1. Eu E Muitos PATRIOTAS BRASILEIROS Que Queremos Um BRASIL Livre De Tantas Autoridades CORRUPTAS, Esperamos que Deus Ilumine Os Nossos Juízes e Eles Juguem As Pessoas Com Justiça JUSTA, E Não Partidária

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Geral

Em avanço da agenda pró-aborto, Lula revoga decreto que protegia crianças desde a gestação

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revogou um decreto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que protegia os direitos das crianças, desde a gestação. A ação foi percebida por especialistas como avanço silencioso do governo na agenda pró-aborto, já que a revogação não foi amplamente divulgada e um novo decreto (12.574/2025) foi assinado pelo petista sem usar os termos “gestação” ou “nascimento”.

O novo decreto estabeleceu a Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI), que promete garantir proteção, desenvolvimento e direitos das crianças de zero a seis anos. No entanto, não faz nenhuma referência a respeito da proteção dada à criança no período anterior ao nascimento.

O programa foi lançado no dia 5 de agosto pelo ministro da Educação, Camilo Santana, e pelo presidente Lula durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), no Palácio do Itamaraty, em Brasília (DF).

“Movimento gravíssimo”, diz especialista em direito infantil

“Estamos diante de um movimento sutil, porém gravíssimo, de instrumentalização jurídica para o avanço de uma agenda abortista no Brasil”, alerta o advogado Gabriel Carvalho de Jesus.

Especialista em direito das crianças, ele aponta que excluir o nascituro das diretrizes de proteção pública é negar, por decreto, seu “reconhecimento como vida digna de tutela estatal”. Além disso, aponta que a falta de referências à proteção da vida humana desde a concepção transmite uma compreensão de que o ser humano somente seria portador de direitos e merecedor de garantias após o parto.

“Sob a ótica dos direitos humanos, tal concepção é incompatível com o princípio fundamental de que a dignidade da pessoa humana é inerente a todo indivíduo pelo simples fato de pertencer à espécie humana”, aponta o especialista. “A vida intrauterina e a extrauterina são igualmente dignas, e a exclusão de uma delas do âmbito protetivo estatal representa um retrocesso ético e jurídico”, continua.

“Estamos diante de um movimento sutil, porém gravíssimo, de instrumentalização jurídica para o avanço de uma agenda abortista no Brasil”, afirma Gabriel Carvalho.

O que diz o novo decreto assinado por Lula

No decreto, foi estabelecida a “proteção integral das crianças”, com garantia à vida, ao cuidado, à saúde e à educação, por exemplo. Também é citada a proteção e defesa “contra o abuso, o racismo e as diversas formas de discriminação e violência”, pontuando que cada criança tem direito a “viver com dignidade”.

No entanto, o advogado Gabriel Carvalho de Jesus aponta que não há qualquer indício no documento de que essas garantias sejam válidas aos bebês no ventre materno, como proteção contra o aborto, o que sugere a retirada da proteção ao nascituro de uma das mais importantes políticas públicas do país voltadas à infância.

“Isso fragiliza o reconhecimento do direito à vida e à proteção integral da criança em seu estágio mais vulnerável”, afirma o especialista, ao apontar que “ainda há no Brasil leis que protegem a vida desde a concepção, mas estão pavimentando o caminho para facilitar o aborto”, alerta.

A Gazeta do Povo entrou em contato com o governo Lula questionando a retirada dos termos “gestação” e “nascimento” do decreto, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

Oposição denuncia decreto de Lula e tenta sustar a medida

Enquanto isso, parlamentares de oposição se mobilizam para sustar os efeitos do Decreto nº 12.574/2025, publicado por Lula. De acordo com a líder da Minoria na Câmara, Carol De Toni (PL-SC), a ação é necessária, pois, ao retirar a proteção “desde a gestação”, o governo ataca o direito à vida antes mesmo do nascimento e abre brechas para a legalização do aborto.

Ela também denuncia que foram inseridos conceitos ideológicos sobre gênero na Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI) por meio da inclusão do termo “interseccionalidade de gênero” no texto.

De acordo com a parlamentar, essa é uma brecha para incluir ideologia de gênero e debates sobre identidade sexual para crianças de 0 a seis anos. “É o velho modus operandi da esquerda: eles mudam uma frase aqui, um conceito ali, e de repente derrubam direitos fundamentais”, afirmou.

Gazeta do Povo

Opinião dos leitores

  1. Mas o TSE não proibiu a campanha de Bolsonaro de associar Lula ao aborto sob pretexto de “Fake News”? E agora como fica? Aí o povo de bem que se revoltou contra as interferências do TSE e a falta de transparência das urnas foi chamado de “terrorista” pela Globo e associados – não esqueceremos. O golpe existiu, e foi aplicado com sucesso pelo sistema.

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Brasil

PoderData: Governo Lula é desaprovado por 53% e aprovado por 42%

Foto: Reprodução

As taxas de aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 79 anos, tiveram uma leve melhora. De maio a julho, os percentuais oscilaram favoravelmente ao petista, que surfa no discurso da soberania depois do tarifaço imposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), sobre os produtos brasileiros.

A pesquisa do PoderData feita de 26 a 28 de julho mostra que o governo é hoje desaprovado por 53% dos eleitores. A taxa oscilou 3 pontos percentuais para baixo em 2 meses. No mesmo período, a aprovação foi de 39% para 42%. A distância entre as taxas positiva e negativa caiu de 17 pontos percentuais para 11 pontos percentuais.

Com a desaprovação em alta há aproximadamente 1 ano, como mostram as curvas do gráfico acima, é a 1ª vez que os percentuais oscilam favoravelmente ao governo. Isso se deve, em parte, pelas tarifas anunciadas por Trump sobre os produtos brasileiros, justificadas pelo tratamento que o Poder Judiciário brasileiro deu ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no processo em que ele responde por tentativa de golpe de Estado, e a relação comercial entre os 2 países –que considera discrepante.

Há um mérito na estratégia de comunicação do governo, que tem conseguido, a partir das justificativas apresentadas por Trump para o tarifaço, emplacar o discurso da soberania, que se assemelha a momentos de Copa do Mundo, quando o sentimento nacionalista do brasileiro fica mais vívido.

Apesar de ser comum ouvir reclamações de brasileiros sobre o país, a população costuma se unir quando a disputa é contra um agente estrangeiro. Um caso recente de patriotismo e fora da política foi a disputa pelo Oscar do filme “Ainda Estou Aqui”. O sentimento nacionalista tomou conta do país, que estava em período de Carnaval, e brasileiros dominaram as redes e as ruas em defesa e torcida pelo longa e pela protagonista Fernanda Torres, indicada na categoria de melhor atriz.

A leve melhora nos números do governo reacende o debate sobre a corrida ao Planalto em 2026 com uma possível reeleição do presidente Lula. Integrantes da esquerda afirmam que o Brasil deve repetir o cenário visto no Canadá e na Austrália, onde as declarações de Trump reverteram as vantagens de candidatos que tinham afinidade com o norte-americano e levaram à vitória de seus opositores –o chamado efeito anti-Trump.

Só que é preciso levar em conta que as falas do presidente norte-americano nesses casos se deram no meio dos debates eleitorais, causando esse efeito realmente positivo para os candidatos vitoriosos no Canadá e na Austrália –que eram críticos da Casa Branca.

No Brasil, o processo eleitoral será ainda daqui a mais de 1 ano (o 1º turno é em 4 de outubro de 2026). O imbróglio econômico continua a ser um desafio para o governo, que não entendeu como lidar com o deficit federal. Basta ver a trajetória da dívida pública, o aumento constante das despesas (Lula deve anunciar mais 6 programas sociais até as eleições) e sem quase nenhum corte relevante de gastos.

Tudo considerado, no Brasil, o tarifaço de Trump tem um efeito rebote para os Bolsonaros e ajuda Lula neste momento. No médio e no longo prazo, não se sabe.

A pesquisa foi realizada pelo PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo, com recursos próprios. Os dados foram coletados de 26 a 28 de julho de 2025, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 182 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O intervalo de confiança é de 95%.

Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, são mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população.

Poder 360

Opinião dos leitores

  1. Diferença entre aprovação e desaprovação caiu 6 pontos e o folhetim de 5ª me sai com essa manchete.

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Luto

Dia da saudade celebra memórias e afetos

 

Reprodução

No dia 30 de janeiro, é celebrado o Dia da Saudade, uma data dedicada a recordar e honrar a memória de entes queridos e as experiências que moldaram a vida.

Neste dia, a saudade é abordada como um sentimento multifacetado, capaz de envolver mentes e corações de maneiras diversas. Ele se manifesta por meio da ausência de amigos distantes, da lembrança de animais de estimação, dos momentos vividos no passado ou até mesmo daqueles que já não compartilham mais a vida neste plano.

A psicologia propõe uma abordagem singular à saudade, vendo-a como uma oportunidade que o amor proporciona. Em meio à ausência, compreender a importância do processo de luto torna-se fundamental para a reconstrução dos vínculos e a superação do sofrimento.

A psicóloga especialista em luto Simône Lira, do Cemitério, Funerária e Crematório Morada da Paz, destaca que a saudade, embora acompanhe a dor da perda, é um sentimento importante e reconfortante, representando uma conexão eterna com aqueles que foram amados em vida.

“É natural sentir saudade, e este é um componente vital do processo emocional. A dor pode ser grande, mas a saudade, de certa forma, conecta o indivíduo às boas lembranças e ao afeto compartilhado”, destaca Simône Lira.

Além disso, uma pesquisa da Universidade de Southampton revelou que a saudade desempenha um papel crucial como resposta imunológica psicológica. Esse sentimento emerge em períodos de dificuldades, funcionando como um mecanismo de defesa psicológico.

Para superar a saudade, a psicóloga Simône Lira compartilha três abordagens valiosas:
Honrar e celebrar a memória: organizar rituais ou atividades que honrem a memória da pessoa querida pode proporcionar conforto e uma sensação de conexão.

Encontrar significado na perda: refletir sobre o significado da perda e buscar maneiras de encontrar propósito e crescimento pessoal pode ajudar na jornada de superação.

Buscar apoio: compartilhar sentimentos com amigos, familiares ou profissionais de saúde mental pode auxiliar no processo de luto e proporcionar apoio emocional. Nesse ponto, o Morada da Paz apresenta uma alternativa conhecida como o Chá da Saudade, que oferece acolhimento, escuta e orientações para as pessoas vivenciarem o processo de luto da melhor maneira.

No Dia da Saudade, são recordados não apenas as ausências, mas também os laços que foram perdurados nos corações de quem ficou. Nesse quesito, a reflexão sobre o passado pode contribuir para um presente pleno e uma perspectiva de futuro com significado.

Chá da Saudade

O Morada da Paz, uma empresa do Grupo Morada com atuação nos estados da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, tem oferecido aos seus clientes paraibanos o serviço Chá da Saudade, que tem o objetivo de ajudar os enlutados a compartilhar as experiências, dores e superações, refletir e redescobrir a importância da vida. A iniciativa busca acolher, escutar e orientar as pessoas a vivenciar o processo de luto da melhor maneira possível e é realizado pela Psicologia do Luto do Morada da Paz de forma gratuita aos clientes.

Segundo Simône Lira, o encontro é um espaço de apoio e escuta, onde as pessoas podem compartilhar suas vidas, sua perda e saudade.

Para participar é preciso fazer a inscrição no site do Morada da Paz. Em seguida, é realizada uma triagem pelas psicólogas especialistas em luto da empresa, para verificar se o mais recomendado é que o cliente participe dos encontros ou seja encaminhado para uma psicoterapia. O enlutado participa conforme a sua necessidade, não existindo a obrigatoriedade de ir.

Simône Lira explica que é através do acolhimento e amparo dos profissionais, que o projeto permite que o enlutado não se sinta sozinho em sua dor. “O feedback que recebemos dos clientes é que eles nos têm como referência, segurança e uma rede de apoio. A iniciativa do Morada da Paz com o Chá da Saudade ajuda as pessoas a construírem um sentido para a dor que estão sentindo, por isso é tão importante termos esse espaço de escuta e acolhimento para eles”, ressalta a psicóloga.

Para mais informações, basta acessar: www.moradadapaz.com.br/cha-da-saudade.

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Cidades

Polícia recolhe cinzas que causaram queimaduras em fiéis para investigação no RN

Neuma Alves, agricultora, também contou que sentiu ardência na testa após receber o sinal da cruz com cinzas na Quarta-feira de Cinzas — Foto: Reprodução/Inter TV Costa Branca

A Polícia Civil recolheu na tarde desta nesta quinta-feira (6) as cinzas que causaram queimaduras na testa de fiéis durante uma missa de Quarta-feira de Cinzas (5) no interior do Rio Grande do Norte. O material vai passar por perícia e deve auxiliar na investigação do caso.

Alguns fiéis relataram reações na pele após receberem a marca da cruz na testa. O caso aconteceu na missa das 19h da Quarta-feira (5) na Paróquia de São José, na cidade de Carnaúba dos Dantas, na Região Seridó.

Segundo o padre Ronney Galvão, responsável pela celebração, a confecção das cinzas faz parte da tradição da Igreja Católica e simboliza que os seres humanos são pó, além de representar um chamado para que os cristãos católicos vivam “a radicalidade dos exercícios quaresmais”.

Essa é uma tradição aplicada no início da quaresma, o período de 40 dias de preparação para a Semana Santa.

A Paróquia de São José emitiu uma nota informando que a preparação das cinzas “foi feita como de costume, absolutamente normal, como todos os anos”.

O padre Ronney Galvão disse não ter informações de quantas pessoas podem ter sido afetadas pelo problema. Ele contou que as cinzas foram “confeccionadas como nos anos anteriores”.

“Vou completar quatro anos como padre e estou em Carnaúba dos Dantas há um ano. Nunca aconteceu uma eventualidade como esta. Aqui em Carnaúba dos Dantas também nunca aconteceu algo parecido”, disse.

A agricultora Neuma Alves contou que foi à missa das 19h na Paróquia de São José, em Carnaúba dos Dantas, com o neto e sentiu uma “queimação” quando recebeu o sinal da cruz com as cinzas na testa.

Fiéis alegam queimaduras na testa

“Ontem eu fui à missa de cinzas com o meu neto. Na hora da distribuição, a gente recebeu [as cinzas]…Com alguns minutinhos a gente percebeu uma ‘ardenciazinha’, uma queimação”, contou.

A estudante Sara Heloísa Sousa e o namorado, Luan Jackson, também sentiram queimações. Logo após receber a marca da cruz junto com o namorado, ela conta que os dois começaram a sentir a ardência na pele.

“Quando a gente entrou na fila, a gente escutou algumas pessoas reclamando de uma queimação na testa, depois de passar essas cinzas. A gente não tinha sentido nada, até então”, disse.

“Só que começou a queimar, batia o vento e queimava muito, imediatamente eu comecei a tirar e ficou essa marquinha ainda. Meu namorado ficou muito queimado, porque ele passou mais tempo que eu”.

Ainda de acordo com Sara, algumas pessoas, entre elas o próprio padre, brincaram dizendo que a dor seria causada pelos pecados saindo do corpo. Outras acreditavam que podia ser uma alergia, mas a jovem considera que aparentemente foi alguma reação química, pelo fato de várias pessoas terem sido queimadas.

Fiel ficou com marca na testa
O estudante Luan Jackson, namorado de Sara Heloísa, disse que a lesão só “queima” um pouco quando ele fica exposto ao sol, mas que dói “muito pouco” no geral. Ele disse que nem ele e nem a namorada procuraram atendimento médico e que levaram a situação na esportiva.

“A gente é muito amigo do padre, do pessoal de lá. Pessoal muito acolhedor, gente boa. Eles não tiveram culpa não”, acredita.

Luan, que ficou com uma marca mais vísivel na testa do que a namorada, disse que começou a sentir ardência na pele logo após receber o sinal da cruz.

“Foi colocada a cinza sobre o nosso rosto, eu voltei para o lugar que eu estava e, com pouco tempo, começou a queimar, e não passava”, disse.

“Estava queimando muito e eu corri para um amigo meu que é vizinho da igreja, lavei, e percebi que tinha queimado a pele. Eu perguntei ao pessoal se estava queimando e responderam que estava”, completou.

G1RN

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Geral

Fernanda Torres vence o Globo de Ouro de “Melhor Atriz”

Reprodução

A atriz brasileira Fernanda Torres, 59 anos, venceu o Globo de Ouro na madrugada desta 2ª feira (6.jan.2025) na categoria “Melhor Atriz em Filme de Drama”. Interpretando a advogada e ativista pelos direitos humanos Eunice Paiva no filme “Ainda Estou Aqui”, a atriz desbancou nomes como Nicole Kidman, Angelina Jolie e Kate Winslet.

O Globo de Ouro é um prêmio inédito nas categorias de atuação para o Brasil. A última indicação em filmes veio em 1999, justamente com a mãe de Fernanda Torres, a atriz Fernanda Montenegro, por “Central do Brasil”. Na ocasião, ela perdeu o prêmio para a australiana Cate Blanchett, por “Elizabeth”.

Ainda Estou Aqui” é baseado no livro homônimo do escritor Marcelo Rubens Paiva sobre a história de sua mãe após o desaparecimento do deputado Rubens Paiva em 1971, durante a ditadura.

O jejum brasileiro no Globo de Ouro, portanto, acabou neste domingo com a vitória de Torres. O último prêmio do Brasil havia sido na categoria de “Melhor Filme Estrangeiro” por “Central do Brasil”, também do diretor Walter Salles. “Orfeu Negro”, de Marcel Camus, em 1960, foi outro a ser premiado. O filme é ítalo-franco-brasileiro.

Na categoria deste ano, o prêmio para filmes de fora dos EUA foi para o francês “Emilia Pérez”.

Segundo revistas norte-americanas prestigiadas no ramo do entretenimento, como a The Hollywood Reporter e a Vanity Fair, Fernanda Torres tinha chances claras de ser premiada, sendo considerada favorita na categoria pela revista Variety na 4ª feira (1º.jan).

A atriz brasileira concorreu com as seguintes atrizes na categoria de Melhor Atriz de Filme de Drama:

Pamela Anderson, por “The Last Showgirl”;
Angelina Jolie, por “Maria”;
Nicole Kidman, por “Babygirl”;
Tilda Swinton, por “O Quarto Ao Lado”;
Kate Winslet, por “Lee”.
Das indicadas, apenas Angelina Jolie, Nicole Kidman e Kate Winslet já venceram o prêmio em outras edições. As três também são vencedoras do Oscar.

Apesar da vitória no Globo de Ouro, Fernanda Torres não entrou na lista de pré-indicados ao BAFTA, a premiação de cinema mais prestigiada do Reino Unido e que indica prováveis nomes ao Oscar. Especialistas avaliam que o fato da distribuição do filme não ser realizada igualmente em todos os países afetou o critério de escolha do júri britânico.

O Globo de Ouro serve como um “termômetro” para o Oscar 2025, sendo a cerimônia que abre o circuito de premiações. O filme de Walter Salles ainda mira a indicação ao Oscar em 17 de janeiro.

Fez história

Torres bateu concorrentes de peso, como Angelina Jolie por “Maria Callas” e Nicole Kidman por “Babygirl“. Com a vitória, a brasileira aumenta suas chances de competir na categoria de Melhor Atriz no Oscar 2025.

Em seu discurso, ela agradeceu ao diretor Walter Salles, ao marido Andrucha Waddington e aos filhos. Surpresa, começou dizendo: “Meu Deus, eu não preparei nada, não sabia se estava pronta. Este foi um ano extraordinário para as atrizes. Há tantas aqui que eu admiro profundamente.”

Ela prosseguiu: “E, claro, quero agradecer ao Walter Salles, meu parceiro e amigo. Que trajetória, Walter! Também quero dedicar este prêmio à minha mãe. Vocês não fazem ideia… Ela esteve aqui há 25 anos. Isso é uma prova de que a arte permanece ao longo da vida, mesmo em momentos difíceis, como os que Eunice Paiva enfrentou.”

Encerrando seu discurso, Torres relembrou a indicação da mãe, há 25 anos, por “Central do Brasil”: “Vocês não imaginam o quanto isso significa para mim. Por isso, dedico este momento à minha mãe, à minha família, ao Andrucha, ao Selton [Mello], aos meus filhos e a todos. Muito obrigada ao Globo de Ouro, a Michael Barker [diretor da Sony Pictures Classics], Mara e tantas outras pessoas. Muito obrigada!”

A Variety havia destacado que a brasileira era uma das favoritas ao prêmio.

A publicação destaca que Fernanda Torres “é a única atriz entre os indicados cujo filme também foi reconhecido em outra categoria, concorrendo a Melhor Filme em Língua Não Inglesa“. No entanto, “apesar do forte apoio que Fernanda Torres recebe dos eleitores, Nicole Kidman (“Babygirl“) e Angelina Jolie (“Maria Callas“) continuam sendo concorrentes de peso na disputa”.

Poder 360 e CNN Brasil

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Geral

Audiência no STF quer garantir “efetivamente o fim do orçamento secreto”, diz Dino

Foto – Rosinei Coutinho/SCO/STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu nesta quinta-feira (1º) uma audiência de conciliação com representantes do governo, do Congresso e de órgãos de controle e fiscalização para discutir o integral cumprimento da decisão da Corte que barrou o chamado “orçamento secreto”.

O ministro disse, na abertura dos trabalhos, que o objetivo da audiência é garantir “efetivamente o fim do orçamento secreto no Brasil”.

Conforme Dino, o STF já decidiu que qualquer modalidade de orçamento secreto está banida do país, independentemente da sua classificação ou do nome que o tipo de emenda tenha.

“Ou seja, não basta mudar o número para mudar a essência. Se não é possível uma execução privada de recursos públicos com opacidade sob a RP9 [emendas de relator, que ficaram conhecidas como ‘orçamento secreto’], do mesmo modo isso é vedado sob qualquer outra classificação”, declarou.

Serão discutidos na audiência temas como a publicidade de dados sobre serviços e obras viabilizadas por verbas oriundas da destinação das emendas do orçamento secreto (emendas de relator), entre 2020 e 2022, e se houve transparência sobre restos a pagar dessa modalidade em 2023 e 2024.

Outro ponto de debate é o que trata da suposta mudança de classificação das verbas de emendas de relator para as emendas de comissão, mantendo a falta de transparência do mecanismo.

Entidades citam descumprimento da decisão

A fala inicial de Dino foi aberta à imprensa. A audiência será fechada.

Participam o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, o ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Vinícius Marques de Carvalho, os advogados-gerais da Câmara e do Senado, representantes da Advocacia-Geral da União (AGU), do PSOL (autor da ação que derrubou o orçamento secreto), da Procuradoria-Geral da República (PGR) e de entidades admitidas para colaborar com informações.

A audiência foi convocada por Dino depois que entidades se manifestaram ao STF dizendo que existem “elementos que configuram a persistência do descumprimento da decisão” sobre o tema.

Em 2022, o STF decidiu declarar inconstitucional o sistema de uso das emendas de relator que ficou conhecido como orçamento secreto.

As entidades também questionavam o uso das “emendas PIX” (emendas individuais na modalidade transferência especial) pela “alta opacidade” e “baixo controle”.

Dino tirou este ponto do escopo da audiência, por não fazer parte da ação sobre orçamento secreto.

Esse tema é discutido em uma outra ação, movida pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

Entenda

Dino herdou as ações sobre o tema da ministra Rosa Weber, que se aposentou em outubro do ano passado.

Em 18 de abril, ele desarquivou a ação em que o PSOL contesta o orçamento secreto e abriu prazo de 15 dias para que os presidentes da República, da Câmara e do Senado se manifestassem sobre o cumprimento da decisão que derrubou o sistema.

A Associação Contas Abertas, a Transparência Brasil e a Transparência Internacional Brasil haviam enviado manifestação ao ministro citando que a decisão da Corte continuava sendo descumprida.

Em dezembro de 2022, o STF declarou, por 6 votos a 5, a inconstitucionalidade das indicações de despesas por deputados e senadores para o chamado orçamento secreto.

A decisão seguiu o voto da presidente Rosa Weber, relatora das ações, ajuizadas pelo Cidadania, pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e pelo Partido Verde (PV).

Em seu voto, a relatora afirmou que as emendas de relator violam os princípios constitucionais da transparência, da impessoalidade, da moralidade e da publicidade por serem anônimas, sem identificação do proponente e clareza sobre o destinatário.

O sistema foi alvo de críticas pela falta de transparência e por beneficiar somente alguns congressistas.

O destino dos recursos era definido em negociações entre parlamentares aliados e o governo. Justamente por isso, se tornou, durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), moeda de troca entre o governo federal e o Congresso Nacional.

Fonte: CNN

Opinião dos leitores

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Gastronomia

PAPO DE FOGÃO: Confira as receitas de filé de peixe ao molho de camarão e do drink Aperol Spritz

FILÉ DE PEIXE AO MOLHO DE CAMARÃO

Ingredientes:
180g de filé de garoupa
100g de filé de camarão sem vísceras
100ml de leite de coco
5g de cúrcuma
5g de sal
5g de pimenta do reino moída
5g de cebola roxa picada em cubos
10g de pimentões coloridos cortados em cubos
5g de pimenta de cheiro fatiada sem semente
10ml de azeite de dendê
25ml de azeite
30g arroz branco pré-cozido
10g de molho pesto da casa

Modo de preparo:
Tempere o peixe com sal e pimenta do reino.
Em uma frigideira bem quente coloque metade do azeite, grelhe o filé dos dois lados, retire da frigideira e reserve.
Tempere os camarões com sal e pimenta do reino a gosto.
Na mesma frigideira, acrescente o camarão e doure por no máximo 5 min. Reserve.

Em outra frigideira, acrescente o restante do azeite, a cebola roxa, os pimentões coloridos, a pimenta de cheiro e refogue até até soltar os aromas. Acrescente o leite de coco, o dendê, a cúrcuma, o sal e deixe apurar. Acrescente os camarões e misture.

Em outra frigideira, colocar o arroz, a metade do molho pesto e deixe incorporar.

Tempo de preparo: 8 min
Tempo de cozimento: 15 min

MOLHO PESTO
Ingredientes:
10g salsa
10g manjericão
5g tomilho
10g castanha de caju assada
10g de parmesão
100ml azeite
2g sal

Modo de preparo:
Bata todos os ingredientes no liquidificador e reserve.

Tempo de preparo: 4 min

FAROFA DE MARACUJÁ
Ingredientes:
10g da polpa de maracujá com sementes
20g de farinha panko
2g de sal
2g de pimenta do reino
10ml de azeite
2g alho picado

Modo de preparo:
Em uma frigideira puxar o alho no azeite, acrescente o maracujá, a farinha panko, o sal, a pimenta e mexa para incorporar.
Deixe dourar um pouco e reserve.

Montagem do prato:
Colocar o molho de camarão sobre o peixe e ao lado o arroz de pesto, a farofa de maracujá acompanhando. Coloque um pouco do molho pesto para decorar o prato.

Tempo de preparo: 3 min
Tempo de cozimento: 8 min

DICA RÁPIDA

APEROL SPRITZ

Ingredientes:
1 dose de Aperol
1 dose e meia de espumante seco
1 dose de suco de laranja

Modo de preparo:
Coloque gelo em uma taça grande.
Colque duas rodelas de laranja entre o gelo e a taça.
Acrescente o Aperol, o suco de laranja e finalize com o espumante.
Decore com um raminho de hortelã e sirva em seguida.

Tempo de preparo: 6 min

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Opinião

ARTIGO: Quem quer um terreno na Via Costeira sem pagar nada? Por Marcus Aragão

FOTO: ALEX RÉGIS/ TRIBUNA DO NORTE

Muitos querem, mas esse foi um privilégio para poucos. Não sei se você sabe, mas as áreas da Via Costeira foram cedidas na década de 80. Não foi pago nem 1 real, nem 1 cruzeiro, nem 1 cruzado, nem 1 cruzado-novo. Empresários receberam a concessão dessas áreas apenas com o compromisso de construir hotéis, bares e restaurantes. Acontece que 8 grandes áreas não foram construídas, e o governo do estado, ano passado, tentou retomar esses terrenos — mas desistiu.

Esse problema ainda está para ser resolvido. O natalense espera, sentado, que seja homologado na justiça um acordo em que quem recebeu as concessões dos terrenos tenha 6 meses para solicitar o licenciamento na Semurb e, após o recebimento do alvará de construção, mais 3 anos para construir.

— A cidade vai esperar até quando para poder usufruir da Via Costeira?

Uma outra questão é sobre o uso da Via Costeira, o que se pode construir na orla. O novo Plano Diretor melhorou essa situação, mas as novas diretrizes para as Áreas Especiais de Interesse Turístico Paisagístico, entre elas a Via Costeira, estão com nossos vereadores para serem regulamentadas. Por que ainda não resolveram?

“Tudo poderá ser construído nessas áreas, é uso misto. Só que na Via Costeira, a única restrição é para equipamentos multifamiliares, ou condomínios residenciais. Vai ser possível construir multipropriedades”, explicou o titular da Semurb, Thiago Mesquita. A ideia é viabilizar empreendimentos pequenos, sejam comerciais, residenciais ou de serviços.

— A Via Costeira equivale a uma área onde poderíamos ter 9 praias. Vou explicar.

A distância do restaurante Tábua de Carne até o Forte dos Reis Magos dá aproximadamente 5 km e engloba 5 praias — Praia do Forte, do Meio, dos Artistas, Miami e Areia Preta. Como a Via Costeira tem aproximadamente 9 km, poderíamos ter umas 9 praias nesse espaço. É muita coisa. Um povo sofrido como o nosso não poderia abrir mão desse presente de Deus. A nossa economia nem se fala. A enorme área sem uso dentro da cidade é absurda. Para você ter uma ideia, a Avenida Afonso Pena tem aproximadamente 2 km. Imagine a quantidade de comércio, serviços e habitação que deixamos de fazer em quase 9 km? Logicamente, com planejamento adequado.

— É justo que essa extensa faixa de praia tenha utilidade hoje para aproximadamente 10 hotéis?

A Via Costeira é admirada por todos, mas usufruída por bem poucos. O pernambucano pode desfrutar tranquilamente, basta se hospedar. O baiano, da mesma forma. O capixaba, idem. O gaúcho e o alagoano, também. Enfim, só quem não pode somos nós — os nativos. Afinal, não vamos nos hospedar nos hotéis em nossa própria cidade.

— O que queremos? Poder utilizar uma orla digna e de todos, como ocorre em Maceió, João Pessoa, Fortaleza ou Recife. Por que não podemos?

A Orla de Boa Viagem, por exemplo, tem quase o mesmo tamanho da Via Costeira e tem tudo. Catorze quadras esportivas, cinco parques infantis, ciclovia, trinta módulos de musculação, jardim com pista de cooper, área de atividades físicas para terceira idade, uma academia e muito mais.

Tá preocupado com o impacto ambiental? Fique tranquilo. O Parque das Dunas tem 1.172 hectares ou 11 milhões e 720 mil metros quadrados — utilizaríamos dessa área gigantesca apenas uma fração mínima. O impacto em nossa qualidade de vida compensaria toda flexibilidade. Sempre devemos pensar na proteção ambiental, mas o Idema tem que pensar no desenvolvimento da cidade e na nossa qualidade de vida, também. Essa desenfreada proibição verde tem seus efeitos colaterais — onde o comércio não dá frutos nem o progresso floresce — só brota o desemprego e o atraso.

— Precisamos de um lugar ao sol.

Como você, meu leitor indignado, não vai conseguir de graça terreno nem no cemitério, que lhe seja permitido ao menos desfrutar da Via Costeira. O povo agradece, a construção civil agradece, a economia e o turismo nem se fala — afinal, teríamos muito mais atrativos também para os turistas.

Já perdemos 40 anos sem poder utilizar a nossa Via Costeira ou melhor, nossas “9 praias” — por enquanto, só nos permitem tomar multas de trânsito nessa orla.

Marcus Aragão
@aragao01

Opinião dos leitores

  1. Parabéns!!!A situação da via Costeira deveria estar na pauta de todos os natalenses,o direito de aproveitar aquele paraíso 👏👏👏👏👏👏

  2. Concordo plenamente com o Sr Marcus, nos estamos muito atrasados mesmo, principalmente nas áreas de laser e turismo os nossos governantes só pensam em seus umbigos, nada que venha nos causar conforto, lazer e crescimento turístico lhes interessa apenas os votos. As eleições vêm aí saibamos nos defende, vamos esquecer as picuinhhas e saber escolher quem tem propostas reais para desenvolvimento de nossa cidade que tão hospitaleira.

  3. Excelente reflexão trás o seu artigo, parabéns. É preciso que a população seja “possuída” pela indignação e mostre a força que tem reinvindicando a “ordem e o progresso”.

  4. Eu e a minha família, já nos hospedamos na Via Costeira. Não existe proibição pro turismo local. Quanto a melhor distribuição do espaço, acredito que se fosse entregue a iniciativa privada, ela de forma associativa, não só construiria melhores hotéis, como certamente melhorariam a segurança na pista de rolamento. Da pra transformar aquilo em uma pequena Las Vegas litorânea, basta que se use o bom senso, em prol do turismo local, nacional e internacional. Mas volto a dizer, não é nenhum absurdo, um natalense ou potiguar, se hospedar nos poucos bons hotéis que ainda restam na Via Costeira. Nós hospedamos no Marsol, no Carnaval de 2023, e foi muito legal. E não foi caro!

    1. Muito bom. Esse tema estava meio esquecido. Parabéns Aragão.

  5. Concordo com o texto. Cadê o Parque da Costeira, equipamento para a população, que nu cá siu do papel?
    E acrescento mais : uma parte mínima daquela área baldia da Av. Eng Roberto Freire seria o suficiente para alargar uma pista em cada sentido da via, fazer um calçadão decente e uma ciclovia digna e segura.
    A cidade precisa se desenvolver, o natalense precisa de uma cidade com qualidade de vida. O impacto ambiental não seria nada perto dos benefícios urbano e para a população.

  6. Com o Estado que temos hoje, empresa sérios não tem coragem de investir no RN. Tivemos décadas de retrocesso administrativo sem obras estruturantes… Estamos 30 anos atrás da mínima evolução satisfatória.
    Dêm condições e segurança jurídica que investimentos virão

  7. Todos os prazos já foram dados e renegociados com os “terreneiros”. Não construíram, então uma canetada resolve. Afinal foram 40 anos, não 40 meses de espera. Está faltando coragem do poder público.

    1. Um dos problemas, é que quase a totalidade dos “terreneiros” fazem parte ou são amigos dos que estão na administração, em qualquer que seja o cargo e, certamente, não abrirão mão dessa vergonhosa posse sem utilização e sem cobrança alguma de que o faça. TUDO COMO DANTES NO QUARTEL DE ABRANTES !

    2. Viva a cidade de João Pessoa que tem uma orla bacana, a única cidade que não tem uma orla bacana é natal, faz vergonha , não um restaurante , não tem onde se caminhar é um pequeno o espaço estreito não temos gestores, esperamos a tempo q melhore.

    3. Parabéns Aragão pela provocação com inteligência. Precisamos URGENTEMENTE de uma política de ocupação de área discutida com a população e rntregue a iniciativa PRIVADA com prazos definidos

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Política

EDITORIAL: ‘São Paulo aponta o caminho das pedras’

Foto: Reprodução

O governo do Estado de São Paulo apresentou as diretrizes de um plano para modernizar a administração pública, expandir investimentos, melhorar a qualidade do gasto público e reduzir as despesas correntes.

São medidas interdependentes. A ampliação dos investimentos se dará por iniciativas de qualificação da infraestrutura e melhoria do ambiente de negócios do Estado, por meio de medidas como a reestruturação das agências reguladoras e parcerias com a iniciativa privada. Para viabilizar investimentos públicos, o decreto prevê vendas de ativos imobiliários, medidas de redução de custeio e de pessoal e revisão de programas de governo e benefícios fiscais.

Por enquanto, são apenas diretrizes. Muito ainda precisará ser detalhado. Cada secretaria precisará elaborar, nos próximos 90 dias, diagnósticos e propostas de otimização dos gastos. Parte das medidas dependerá da aprovação da Assembleia Legislativa. Até por isso o governo evita apresentar uma estimativa total do projeto. Mas só a revisão dos benefícios fiscais concedidos a empresas, hoje na casa de R$ 60 bilhões anuais, pode aumentar a arrecadação em até R$ 20 bilhões por ano.

Não se trata da mera redução do tamanho do Estado ou de simplesmente gastar menos, mas de buscar um Estado eficiente, que gaste bem. Tampouco basta investir, se esse investimento não aumenta a produtividade. Por isso, uma das medidas mais importantes do decreto, com potencial de se transformar em política de Estado, é a implementação de um Sistema de Avaliação da Qualidade do Gasto. O decreto estabelece ainda a criação de um conselho gestor do plano, que revisará mensalmente sua eficácia e poderá propor novas diretrizes e ações.

O plano paulista é praticamente uma foto em negativo do “plano”, por assim dizer, do governo federal para a consolidação fiscal. O governo de São Paulo não esconde esse contraste – ao contrário, enfatiza-o implicitamente já no nome do programa: “São Paulo na Direção Certa”.

De fato, bastou a ministra do Planejamento, Simone Tebet, sugerir medidas no mesmo sentido, como um mecanismo de revisão de gastos ou a desindexação dos benefícios previdenciários do reajuste do salário mínimo, para ser escorraçada pelas bases petistas da malfadada “frente ampla”.

Respondendo à monomania lulopetista por mais gastos, o Ministério da Fazenda foi praticamente reduzido a um “Ministério da Arrecadação”. Mas mesmo esse expediente já começa a fazer água. A cada nova projeção fiscal, fica mais claro que, na composição do Orçamento federal, não só as receitas foram superestimadas e as despesas foram subestimadas, mas os gastos fixos foram criados com base no entusiasmo ou na ilusão de receitas provisórias.

Espaço para aumentar impostos não há. Entre os grandes países emergentes, o Brasil já tem a maior carga tributária. A dívida pública do Brasil também só não é maior que a da Argentina e a do Egito. Pelos critérios de cálculo do FMI, a dívida bruta do setor público brasileiro subiu de 85% do PIB em 2022 para 88% em 2023, enquanto a média dos emergentes é de 68%. A manter essa rota, pelas projeções do FMI a dívida chegará em 2028 a 96% do PIB.

O Brasil conhece esse roteiro. Foi justamente o descontrole fiscal das gestões petistas que precipitou a economia nacional na pior recessão da história moderna. Mas o negacionismo do governo é invencível, e ele ruma obstinado em sua volta ao passado.

Segundo as projeções fiscais da Secretaria do Tesouro, o espaço já marginal para as despesas discricionárias, ou seja, de custeio e investimentos, encolherá aceleradamente até desaparecer em 2030.

Em contraste, São Paulo está mostrando o caminho. É incerto ainda em que medida o governo terá capacidade de articulação para resistir às pressões corporativistas e se terá pulso e habilidade para dirigir a máquina pública nessa direção. O governo ainda precisará detalhar os meios para chegar ao fim desejado – e, como se sabe, o diabo mora nos detalhes. Mas do que se sabe até o momento dessa nova política econômica, São Paulo está, de fato, se orientando na direção certa.

Estadão

Opinião dos leitores

  1. PERFEITO e vale a pena destacar ” Não se trata da mera redução do tamanho do Estado ou de simplesmente gastar menos, mas de buscar um Estado eficiente, que gaste bem. Tampouco basta investir, se esse investimento não aumenta a produtividade. Por isso, uma das medidas mais importantes do decreto, com potencial de se transformar em política de Estado, é a implementação de um Sistema de Avaliação da Qualidade do Gasto. O decreto estabelece ainda a criação de um conselho gestor do plano, que revisará mensalmente sua eficácia e poderá propor novas diretrizes e ações.”

  2. É proibido falar em controle de gastos no governo do rato, e as especialidades deles é criar e aumentar impostos para ter gastos sem limites , com seus parceiros políticos.

  3. Tarcísio de Freitas é a bala de prata para salvar o Brasil, 2026 é Tarcísio de Freitas presidente ..

    1. Só não podia ser do nine, um ano e meio e só problemas e mentiras, espera aí na tua cadeira suja, ao final de 2026, se chegar lá, tu vai estar embaixo de uma barraca comendo só arroz.

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Geral

PAPO DE FOGÃO RAIZ: Confira as receitas de Coxinha de Siri; e Caldo de Kenga

COXINHA DE SIRI

Ingredientes:
Caldo
200g de Carcaça de peixe
100g de cenoura
100g de cebola branca
20g de gengibre
50g de talo de coentro
Açafrão da terra e sal a gosto
2 colheres de óleo
600ml de água

Modo de preparo:
Corte a cebola, a cenoura, o gengibre e os talos do coentro.
Em uma panela tipo caçarola coloque todos os ingredientes e refogue por 5 minutos.
Adicione a água e deixe cozinhar por 40mim, em seguida peneire o caldo e reserve.

Recheio
500g de siri
50g de cebola
15g de pimenta de cheiro
20g de pimentão verde
20g de pimentão amarelo
20g de pimentão vermelho
Sal, coentro, cebolinha, pimenta do reino
Óleo

Modo de preparo:
Pique todos os ingredientes, menos o siri.
Em uma panela coloque um pouco de óleo e refogue a cebola, os pimentões e a pimenta de cheiro.
Em seguida adicione o siri e refogue por mais uns dois minutos até pegar o sabor, corrija o sal e a pimenta do reino, coloque o cheiro verde, misture e reserve.

Massa
500ml de caldo de peixe
Em torno de 300g de farinha de trigo sem fermento
Sal a gosto

Modo de preparo:
Ferva o caldo de peixe e adicione a farinha aos poucos sempre mexendo até o ponto de napê (desgrudar do fundo da panela).
Em seguida leve para uma bancada e sove a massa até que ela esfrie e fique bem lisa.

Modelagem da coxinha:
Com a massa e o recheio já prontos agora é só modelar no formato desejado e em seguida empanar(farinha de trigo, ovo e panko) e fritar em óleo pré-aquecido a 150°c até a coloração desejada.
Retire da frigideira e coloque sobre um papel toalha e sirva em seguida.

Tempo de preparo: 20 min
Tempo de cozimento: 50 min

DICA RÁPIDA

CALDO DE KENGA

Ingredientes:
300g de bacon
1 calabresa
1kg de mandioca (macaxeira)
1 pimentão verde
1 pimentão amarelo
1 pimentão vermelho
1 cebola
3 alhos
Ervas finas
1 sachê de milho
1kg de filé de frango
1 cheiro verde
1 L de água

Modo de preparo:
Pique a cebola, os pimentões, o alho, o cheiro verde, a calabresa e o bacon.
Cozinhe a macaxeira com 1L de água até ficar bem mole e bata no liquidificador com a água do cozimento, pra ficar um caldo.
Cozinhe o frango com ervas finas e, após cozido, desfie.
Em uma panela coloque o bacon e deixe fritar um pouco.
Quando começar a dourar acrescente a calabresa e deixe dourar.
Coloque a cebola, os pimentões, o alho e refogue bem.
Acrescente o frango, o milho e misture bem.
Acrescente o cheiro verde e misture.
Coloque o caldo de macaxeira, misture e deixe ferver.
Se necessário, acrescente água para não ficar tão grosso.
Sirva em seguida.

Tempo de preparo: 15 min
Tempo de cozimento: 40 min

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Brasil

União banca R$ 46 bilhões em dívidas não pagas por estados e só recupera 11%

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

O Tesouro Nacional desembolsou nos últimos anos R$ 46,8 bilhões por ser garantidor de dívidas que governos estaduais deixaram de pagar a bancos, instituições financeiras e organismos multilaterais. Desse valor, só R$ 5,3 bilhões foram recuperados pela União —ou 11% do total.

Os números se referem ao período entre 2016 e 2022 (série histórica do Tesouro) e devem aumentar ainda mais nos próximos meses após decisões favoráveis aos estados concedidas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), autorizando governadores a suspenderem o pagamento de dívidas com credores.

Decisões judiciais têm blindado os cofres dos estados contra ressarcimentos ao Tesouro, embora os contratos de empréstimos autorizem a União a buscar a devolução dos recursos em caso de inadimplência.

A consequência para o governo federal é o aumento da dívida pública, uma vez que o país precisa emitir mais títulos para honrar os compromissos e evitar a declaração de um calote, o que arranharia a reputação do Brasil como um todo.

Sem considerar o efeito da inflação ou os juros pagos sobre essa dívida, o valor não recuperado equivale a cerca de 0,6 ponto percentual da dívida bruta do país, que encerrou o mês de maio em 78,2% do PIB (Produto Interno Bruto).

Ao pedir a suspensão de pagamentos, os estados costumam alegar dificuldades financeiras. A União, por sua vez, é obrigada a quitar as prestações porque é garantidora desses contratos. É um papel semelhante ao de um fiador no contrato de locação de imóvel, que fica responsável pela quitação de dívidas caso o inquilino deixe de honrar seus compromissos.

As liminares que suspendem o pagamento de dívidas de estados com outras instituições são apenas mais um capítulo de um histórico de batalhas judiciais entre governos estaduais e a União.

A mais recente delas envolve a fixação de um limite para a cobrança de ICMS sobre combustíveis, energia elétrica, transporte e telecomunicações, medida aprovada pelo Congresso Nacional neste ano em meio à queda de braço entre os governadores e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

O STF busca intermediar um acordo após ser acionado pelos governadores, para quem as perdas podem chegar a R$ 92 bilhões. Já a União alega que os estados estão com os cofres abastecidos, diante do crescimento geral da arrecadação, e podem reduzir impostos.

Enquanto não se chega a um denominador comum, a Corte já decidiu em favor de alguns estados, permitindo que eles suspendam o pagamento de parcelas da dívida com a União para compensar suas perdas de arrecadação.

No caso dos compromissos com bancos e outras instituições, os atrasos começaram em 2016, e os estados conseguiram as primeiras liminares em 2017, no auge da crise que os obrigou a parcelar salários de servidores e atrasar repasses a fornecedores.

Anos depois, alguns governos estaduais conseguiram renegociar os passivos ao ingressar no RRF (Regime de Recuperação Fiscal), programa de socorro desenhado para ajudar estados muito endividados em troca de ajuste nas contas. Mesmo assim, o dinheiro só será recuperado gradualmente, conforme cronograma acertado com o governo federal.

Segundo o Tesouro Nacional, em 100% dos casos em que não houve recuperação dos valores honrados pelo governo federal, as razões foram impedimentos judiciais.

“O aumento de honras de garantia sem a correspondente recuperação das contragarantias tem como efeito final o aumento da dívida pública federal, uma vez que essas despesas são pagas com recursos de emissão de dívida”, diz o órgão em nota.

O Tesouro afirma ainda que não é possível estimar quanto já foi pago em juros da dívida pública devido ao acionamento dessas garantias. “Contudo, verifica-se que a inadimplência de alguns entes tem o reflexo de aumentar as despesas financeiras do governo federal, onerando a sociedade como um todo.”

Parte das dívidas não pagas pelos estados foram contratadas entre 2012 e 2014, período em que o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) facilitou o endividamento dos estados para turbinar obras de infraestrutura.

O problema é que não houve um aumento real dos investimentos, apenas uma substituição das receitas que os bancavam. Ao usar os empréstimos, os estados passaram a ter mais espaço no orçamento para conceder aumentos salariais a servidores —um tipo de despesa difícil de ser revertida em momentos de crise.

De lá para cá, o sistema de garantias foi reformulado pelo Tesouro para dificultar o endividamento de estados que já estão com a saúde financeira comprometida. Uma das regras prevê que apenas aqueles com nota A ou B (em uma escala até D) estão aptos a receber aval federal. Antes, era possível conceder garantia a qualquer um, por meio de uma autorização especial.

Com informações de FolhaPress

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  1. Campanha mau começou e já temos dados impressionantes de como essa ‘GANG’ da Pêtêlândia trata o imposto do contribuinte.

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Geral

Exército antevê escalada de polarização política e muda planos de ação até 2040

 Foto: Reprodução

O Exército Brasileiro iniciou estudos detalhados para projetar como será a força terrestre no horizonte até 2040.

O plano – batizado internamente de Força 40 – já mapeou o cenário de riscos geopolíticos pela próxima década e meia.

Os estudos vão apontar as necessidades de atualização e readequação do Exército em termos de diretrizes estratégicas, capacidades operativas, doutrina e necessidades de pessoal até 2040.

O resultado deverá orientar a elaboração dos próximos planos estratégicos da força: 2024-2027, 2028-2031, 2032-2035 e 2036-2039.

Liderado pela 7ª Subchefia do Estado-Maior do Exército (EME), que tem à frente o general de brigada Fernando Bartholomeu Fernandes, o Força 40 poderá indicar — eventualmente — necessidade de mudanças na organização territorial das tropas e ajustes em projetos estratégicos de reaparelhamento.

O essencial é “a obtenção de novas capacidades e o desenvolvimento de novas competências [que] permitirão alcançar o desenho de uma Força organizada, articulada e preparada” no horizonte até 2040, conforme se lê em um dos documentos preparatórios do plano.

Em outro documento, são abordadas oito premissas para o planejamento do Exército:

  • Não existem indicações de que a missão constitucional e as atribuições da força terrestre sofrerão alterações no horizonte temporal considerado.
  • Visualiza-se um aumento exponencial da aplicação militar de tecnologias críticas, como inteligência artificial, veículos e sistemas de armas autônomos, internet das coisas no campo de batalha, cibernética, propulsão nuclear. Tudo isso contribuirá cada vez mais para o agravamento das assimetrias de poder, modificando constantemente o caráter da guerra.
  • Estratégias militares da presença e da dissuasão continuarão a ser priorizadas. No entanto, assumirá também posição de destaque a estratégia da projeção de poder.
  • Serviço militar terá que continuar sendo obrigatório, pois a estratégia da presença requer um grande contingente de reservas mobilizáveis.
  • Atividades de monitoramento, controle e pronta-resposta a qualquer ameaça ou agressão vão demandar que as Forças Armadas possam operar em rede, buscando a interoperabilidade, com sinergia para ações em conjunto.
  • Importância da Amazônia — com extensão territorial, baixa densidade demográfica, dificuldades logísticas, abundantes reservas de recursos naturais e biodiversidade — exigirá presença efetiva do Exército.
  • Forma de atuação e emprego das Forças Armadas será cada vez mais influenciada por agravamento das mudanças climáticas, com mais desastres naturais e afetando as relações entre países.
  • Comunicação institucional do Exército será dificultada por ações de inteligência artificial, bots, trolls, deep fakes

O mundo e o Brasil até 2040

Para nortear o planejamento estratégico do Exército, foi realizado um amplo diagnóstico das principais tendências para o Brasil e o mundo no horizonte até 2040.

Mais de 350 especialistas, de diversas áreas do conhecimento, foram ouvidos durante o processo. Desse longo processo de oitiva surgiram dez características que devem afetar o ambiente operativo do Exército, segundo a própria força terrestre:

  1. Incremento da competição entre potências: maior conflitividade regional e estabelecimento de “guerras por procuração” (proxy wars), disputa por acesso a recursos naturais estratégicos, fragilização dos instrumentos de concertação internacional, aumento da sensação de desconfiança entre países, ampliação dos gastos militares.
  2. Aumento da dependência tecnológica em todos os segmentos: crescente automação e informatização das relações sociais e econômicas, dificuldade na identificação de agentes responsáveis por ações cibernéticas, concentração do poder digital, incremento das vulnerabilidades nos países que dependem das tecnologias empregadas para navegação e geoposicionamento.
  3. Agravamento das questões climáticas: risco de desestabilização social por causa de desastres naturais, redução da disponibilidade de recursos hídricos, novos movimentos migratórios, incremento da presença militar nos polos (Ártico e Antártica), mais operações civis e militares de ajuda humanitária.
  4. Aumento da polarização política: risco de fragilização política-institucional, mais pressão sobre as Forças Armadas para manutenção da ordem pública e institucional, aumento da mobilização popular, fortalecimento do crime organizado no contexto de Estados enfraquecidos.
  5. Incremento de tecnologias disruptivas aplicadas ao campo militar: emergência de uma quinta revolução industrial na década de 2030 e implementação progressiva ao longo da década de 2040, desenvolvimento contínuo da inteligência artificial e automação de processos robóticos.
  6. Intensificação da corrida especial por grandes e médias potências: incremento de dispositivos autônomos de emprego militar demandará crescente acesso a comunicações satelitais, aumento de serviços privados que exploram capacidades especiais, dificuldades na regulamentação do uso do espaço tensionam relações internacionais.
  7. Crime transnacional organizado: aumento da violência vinculada a grupos armados (demandando participação das Forças Armadas em operações na fronteira), aumento da violência urbana (demandando participação das Forças Armadas em operações de GLO), risco de associação do crime organizado com organizações terroristas.
  8. Ambiente de desinformação: incremento da manipulação da informação em favor do atingimento de objetivos políticos, econômicos, psicossociais e militares.
  9. Agravamento da desigualdade entre países: mais pobreza nas regiões menos desenvolvidas do mundo, aumento dos movimentos migratórios rumo a regiões mais desenvolvidas e ampliação de tensões sociais, maior importância dos recursos naturais como fonte de tensão entre nações.
  10. Mudança do perfil demográfico: envelhecimento progressivo e diminuição da população, urbanização acentuada dificulta situação socioeconômica de muitos países, dificuldades para o recrutamento militar.

Fonte: CNN

Opinião dos leitores

  1. Todas estas observações elencadas já se faz presente , não li nenhuma novidade. Parece que as forças armadas estão tb desatualizadas da realidade do planeta, lamentavelmente.

  2. Depois que esses caras do exército de Brasília encaminharam pessoas inocentes pra dentro de ônibus para serem presos como marginais, perdir a admiração pelo exército brasileiro.
    Generai$ Melancia$.
    Muito parecido com o exército de Maduro, não acho que pareça com o do duque de caxias.

    1. Nem parece aquela pessoa que rastejava e se humilhava em frente aos quartéis pedindo um golpe…
      Chora mais, gado véio…kkkkkkkkk

    2. Saudades do Bolsonaro.
      Dos melancias não, saudades do Bolsonaro eterno MITO.
      Dia 16 estaremos juntos em Parnamirim.
      Vou lá ver um cara decente.
      Honesto!
      Vc fique aí pastando e adorando o ladrão condenado Luiz Inácio Ladrão Maduro da Silva.

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Geral

Governo deve cobrar manutenção de emprego para setores que tiverem crédito contra tarifaço

Foto: Adriano Machado/Reuters

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia cobrar a manutenção de emprego das empresas que tomarem crédito subsidiado pelo Tesouro Nacional para enfrentar os prejuízos da sobretaxa de 50% imposta aos produtos brasileiros pelo governo Donald Trump.

Com essa contrapartida, segundo a proposta em discussão, o empresário que tiver acesso aos empréstimos com os juros mais baratos não poderá demitir, de acordo com um integrante do governo que participa da elaboração do plano de contingência de enfrentamento da guerra comercial com os Estados Unidos.

O pacote também deve conter o chamado diferimento de impostos federais, como é chamada a postergação do pagamento de tributos, para dar alívio de caixa nesse momento inicial de maior dificuldade após a entrada em vigor do tarifaço. A proposta é que o adiamento seja de no máximo de 90 dias para que o seu impacto seja concentrado neste ano. As tarifas entraram em vigor na quarta-feira (6).

As medidas da primeira fase do plano serão levadas a Lula em reunião nesta segunda-feira (11) com o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin (Indústria) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para serem anunciadas até terça (12). Os dois são responsáveis pela coordenação dessas medidas. Na agenda oficial do petista, divulgada na noite de domingo (10), consta compromisso à tarde com Alckmin.

Na semana passada, Lula pediu à equipe que apresentassem medidas para uma segunda fase, caso o pacote emergencial não seja suficiente.

O presidente também está preocupado com as taxas de juros que serão oferecidas nas linhas de crédito emergencial e o que o governo pode fazer para enfrentar as tarifas mais altas por um tempo mais prolongado.

A proposta que será entregue prevê as mesmas taxas de juros para todas as empresas. As notas técnicas que embasam as ações já estão prontas.

Segundo um interlocutor de Lula, integrantes da equipe de Haddad têm falado em medidas pontuais para setores e empresas que efetivamente serão afetados pela sobretaxa de Trump.

As linhas de crédito estarão ligadas ao FGO (Fundo de Garantia de Operações), operado pelo Banco do Brasil, e o FGE (Fundo de Garantia à Exportação), administrado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Essas linhas serão disponibilizadas para bancos públicos e privados.

Uma autoridade do governo disse que a taxa deverá ser um pouco mais baixa do que as oferecidas no pacote lançado para socorrer as empresas afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul.

Também estão na lista final a ser apresentada ao presidente a antecipação de benefícios tributários para as empresas, como o ressarcimento de crédito de PIS e Cofins, e a possibilidade de flexibilização de prazos de banco de horas e antecipação de férias coletivas.

O pacote também vai prever compras públicas por parte do governo. Para isso, são citados o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), e seriam priorizados os setores de pescados e os produtores de frutas. O governo federal vai bancar essas compras, por exemplo, para as escolas.

Um aliado de Lula diz que também está entre as possibilidades discutidas pelo governo o uso de recursos do Fundo Social para socorrer produtores afetados pela sobretaxa.

Nos bastidores, petistas têm manifestado desconfiança em relação aos empresários, alegando que, mesmo beneficiados pelas medidas do Executivo, um grupo deles tem apoiado bolsonaristas que trabalharam pelo tarifaço e estão agora estimulando novas sanções contra o país.

Há uma preocupação também dos petistas para que o crédito subsidiado seja primordialmente focado nas empresas menores, não nos grandes exportadores, que têm acesso a financiamento com taxas menores pelo seu tamanho.

No fim de semana, integrantes do governo buscaram afastar rumores de que esteja havendo divergências no Executivo sobre as medidas do pacote e insatisfação do presidente em relação às taxas de juros do crédito.

De acordo com um ministro e dois outros auxiliares do presidente, Lula também tem aproveitado essas discussões para cobrar de sua equipe medidas para que os valores das taxas de juros dos empréstimos consignados para trabalhadores sejam reduzidas.

No sábado (9), o vice-presidente confirmou que o pacote sai nesta segunda ou na terça (12), mas insistiu que a prioridade é não retaliar e procurar ampliar o número de setores sejam excluídos do tarifaço. Ele aproveitou para criticar a rebelião no Congresso que impediu os trabalhos legislativos em ação de bolsonaristas que criticaram a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e têm defendido as ameaças de Trump.

“Eu vejo como inadmissível. O Parlamento é a casa de todos. O Executivo é de quem ganhou a eleição. O Legislativo é de todos. Participa quem ganhou, quem perdeu. É o pulmão da democracia. Não tem sentido se você não gostou de uma decisão que, aliás, é do Judiciário, impedir a casa de funcionar.”

Folha de S.Paulo

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