Judiciário

STF aprova por 7 votos a 4 tese que pode levar à anulação de sentenças da Operação Lava Jato

Foto: (Cristiano Mariz/VEJA)

O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou nesta quarta-feira (2), por 7 votos a 4, a tese que pode levar à anulação de sentenças da Operação Lava Jato e de outros processos criminais no país.

O resultado do julgamento definiu que réus delatados devem apresentar as alegações finais (última etapa de manifestações no processo) depois dos réus delatores, garantindo direito à ampla defesa nas ações penais.

Com isso, processos em que réus delatores e delatados apresentaram as alegações finais ao mesmo tempo – como os da Operação Lava Jato – podem vir a ser anulados. Caberá aos ministros definir em que hipóteses isso ocorrerá.

Em agosto, a Segunda Turma do STF anulou a condenação do ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine com base nesse argumento. Foi a primeira vez que se anulou uma sentença na Lava Jato assinada pelo então juiz federal e atual ministro da Justiça, Sergio Moro.

Um balanço divulgado pela força-tarefa da operação indicou que podem vir a ser anuladas 32 sentenças de casos da operação, que envolvem 143 condenados.

A maioria dos ministros (6 votos a 5) também decidiu anular a sentença do ex-gerente da Petrobras Márcio de Almeida Ferreira na Operação Lava Jato, caso específico que serviu de base para a decisão sobre a tese.

A decisão tomada no julgamento vale apenas para Ferreira, mas cria uma jurisprudência, uma interpretação sobre o assunto pelo STF.

O entendimento não terá aplicação obrigatória pelos demais tribunais, mas deve servir de orientação para decisões de juízes, criando uma jurisprudência.

Por esse motivo, o STF deve definir sob quais condições essa tese já poderia ser seguida pelas demais instâncias.

Nesta quarta, a sessão teve início com votos sobre a tese dos ministros Marco Aurélio Mello e o presidente do STF, Dias Toffoli. Os demais ministros votaram na sessão de quinta-feira (26) da semana passada.

Ministros que votaram nesta quarta

Marco Aurélio Mello

O ministro Marco Aurélio Mello votou contra a apresentação de alegações finais em momentos diferentes por réus delatados e delatores. O ministro negou anular a sentença do ex-gerente da Petrobras.

“O Supremo não legisla. Entender que o delatado deve falar depois do delator é esquecer que ambos têm condição única no processo, ou seja, de réus, estabelecendo-se ordem discrepante da legislação de regência”, disse.

Marco Aurélio defendeu ainda que a função colaborativa do corréu, ou seja, de delator, “não viabiliza a distinção de prazo”. “O que é a delação premiada? Simples depoimento prestado à autoridade”, afirmou.

O ministro ainda citou a Operação Lava Jato, afirmando que a mudança de entendimento “gera descrédito”.

“A guinada não inspira confiança. Ao contrário, gera descrédito. Sendo a história impiedosa, passa a transparecer a ideia de um movimento para dar o dito pelo não dito em termos de responsabilidade penal, com o famoso jeitinho brasileiro, e o que é pior, com o benefício não dos menos afortunados, mas dos chamados tubarões da República. Guarda-se um preço por se viver num estado de direito e esse preço módico é o respeito”, afirmou.

Dias Toffoli

O ministro Dias Toffoli, último a votar, acompanhou a divergência do ministro Alexandre de Moraes, a favor da tese que pode anular as condenações e de anular a sentença do ex-gerente da Petrobras.

Segundo o ministro, as alegações finais são o “verdadeiro momento culminante da instrução processual”.

No começo do voto, Toffoli ainda contestou a fala do ministro Marco Aurélio Mello. “Se existe combate à corrupção neste país, é graças ao Supremo que, junto com Congresso e chefes do Executivo, elaboraram pactos republicanos”, disse.

Segundo ele, “é falácia dizer o contrário. Se não fosse este Supremo Tribunal Federal, não haveria combate à corrupção no Brasil”.

Ministros que votaram na última quinta

Edson Fachin (relator)

Fachin votou contra a anulação da sentença de Ferreira, entendendo que a defesa teve acesso a todos os dados necessários do processo durante a fase de interrogatórios e colheita de provas.

Em seu voto, o relator disse que não há na lei brasileira norma ou regra expressa que sustente a tese de que deve haver prazo diferente para as alegações finais de réus delatores e delatados.

Para o relator, não há qualquer prejuízo se réu delator e o delatado se manifestarem simultaneamente. Fachin defendeu que a colaboração premiada representa uma “das possíveis formas do exercício da ampla defesa”.

Fachin argumentou que, caso a apresentação das alegações fosse sucessiva, também exigiria a análise prévia de cada uma pelo juiz. “Não se verifica a nulidade arguida pela defesa”, disse.

Ainda segundo Fachin, a defesa do ex-gerente sequer argumentou que a ordem das alegações finais teria causado prejuízo “efetivo, concreto e específico”.

Alexandre de Moraes

O ministro Alexandre de Moraes votou pela anulação da sentença, argumentando que o direito do réu de falar por último está contido no exercício pleno da ampla defesa, e esse princípio também se aplica a réus delatores e delatados. “Não são meras firulas jurídicas.”

Moraes considerou que o réu delator tem interesse “totalmente oposto” do réu delatado, em razão de ter fechado acordo de delação premiada com o Ministério Público. Como a pena do delator já está estabelecida, a ele caberia apenas acusar.

“O interesse é demonstrar que suas informações [do delator] foram imprescindíveis para obtenção de provas e condenação. Até porque, se de nada prestar a delação, o delator não terá as vantagens que foram prometidas”, completou.

“Nenhum culpado, nenhum corrupto, nenhum criminoso deixará de ser condenado porque o estado deixou de observar o devido processo legal. Não há relação entre impunidade e o respeito aos princípios da ampla defesa, do contraditório”, concluiu.

Luís Roberto Barroso

O ministro Luís Roberto Barroso votou pela manutenção da sentença. Em seu voto, afirmou que as alegações finais não são uma inovação no direito penal e, por isso, não devem servir como motivo para anular sentenças.

“Ninguém é surpreendido por nada que se traga em alegações finais. As alegações finais se limitam a interpretar, analisar e comentar as provas já produzidas”, disse.

Barroso acrescentou que, no caso específico, o réu teve novo prazo para apresentar alegações finais complementares, mas não quis aproveitá-lo. Além disso, afirmou que a defesa não trouxe nenhum argumento que comprove prejuízo sofrido. “O que o colaborador disse que não se sabia?”

Relembrando vários casos de corrupção, Barroso defendeu ainda que o caso julgado não é isolado. “Produz efeito sistêmico na legislação que ajudou o Brasil a romper o paradigma que vigorava em relação a corrupção e criminalidade de colarinho branco”, disse. “Agora chega-se a esse ponto, com o risco de se anular todo o esforço que se fez até aqui.”

Luiz Fux

O ministro Luiz Fux foi o terceiro a votar contra momentos diferentes para réus delatores e delatados apresentarem alegações finais e para manter válida a sentença do ex-gerente.

“É claro que o delator e delatado, ambos, são réus. E corréu não pode assumir posição de assistência de acusação. Delator e delatado se defendem em face do Ministério Público”, defendeu.

O ministro disse também que “as alegações finais não representam meio de prova”. “Ao chegar nessa parte, os réus já tiveram acesso a todas as provas”, argumentou. Fux afirmou ainda que o contraditório e ampla defesa se referem a fatos que podem surpreender.

Ao final, o ministro ponderou a necessidade de uma modulação, ou seja, de reflexão sobre restringir os efeitos de um futuro entendimento sobre o assunto.

“Entendo que juízes devem ter em mente as consequências do resultado judicial. Nesse sentido, tenho absoluta certeza que vamos debater uma modulação da decisão para que ela não seja capaz de pôr por terra operação que colocou o país num padrão ético e moral.”

Rosa Weber

A ministra Rosa Weber, quarta a votar, deu o segundo voto pela anulação da sentença do ex-gerente da Petrobras e favorável à tese que pode anular outras condenações. Para a ministra, é preciso dar tratamento específico para “igualar os desiguais”.

“A interpretação da legislação há que se fazer forte nos princípios do contraditório e da ampla defesa”, defendeu a ministra.

Segundo Rosa Weber, o conteúdo da manifestação do réu delator deve ser levado previamente a conhecimento do réu delatado. “O prazo há de ser sucessivo”, afirmou.

“O prejuízo ao paciente se presume, o prejuízo emerge do descumprimento do devido processo legal”, completou Rosa Weber, argumentando que a ordem das alegações, em si, já prejudica o réu delatado.

Cármen Lúcia

A ministra Cármen Lúcia votou a favor da tese que pode afetar outras condenações da Lava Jato. Porém, ela fez a ressalva de que a defesa precisa comprovar que os réus delatados sofreram prejuízo sofrido.

Com esse argumento, a ministra votou pela manutenção da sentença específica do ex-gerente da Petrobras, pois não ficou comprovado que houve prejuízo da defesa.

Segundo a ministra, embora não haja previsão na lei sobre a ordem das alegações finais, é preciso fazer uma interpretação.

“O acordo de colaboração premiada é uma espécie de negócio jurídico celebrada com o Ministério Público e a Polícia Federal. A partir dessa sistemática, o réu, quando colaborador, tem interesse na efetividade de suas colaborações”, afirmou.

Ricardo Lewandowski

O ministro Ricardo Lewandowski votou pela anulação da sentença e favorável à tese de que réus delatores devem apresentar alegações finais antes de réus delatados.

“O contraditório é um dos valores mais caros da civilização ocidental”, afirmou. O ministro afirmou que não assusta o risco de vários processos terem que voltar à “estaca zero”.

“Houve, sim, gravíssimo prejuízo nesse caso porque o juiz de primeiro grau negou-lhe o direito de os delatados falarem por último”, argumentou.

Segundo o ministro, a legislação processual é anterior ao instituto da delação premiada.

“O que está em jogo é um dos valores fundantes do estado democrático de direito, exatamente o direito ao contraditório e a ampla defesa. Sem estes valores, não existe estado democrático de direito”, afirmou Lewandowski.

Gilmar Mendes

O ministro Gilmar Mendes acompanhou o voto do ministro Alexandre de Moraes, pela anulação da sentença e favorável à tese de alegações finais de réus delatores e delatados em momentos diferentes.

“Não se pode combater a corrupção cometendo crimes”, afirmou.

Mendes argumentou que não há nenhuma dúvida sobre o prejuízo sofrido pela defesa em razão da ordem das alegações finais.

“Nenhuma dúvida de prejuízo. A não ser por um cinismo de pedra nós podemos dizer que não há prejuízo aqui”, afirmou o ministro.

“Ele [réu delatado] foi condenado e pediu em todas as instâncias [para falar por último e não o obteve]”, argumentou Mendes, acompanhando o voto de Moraes.

Celso de Mello

O ministro Celso de Mello formou maioria a favor da tese de que alegações finais de réus delatados devem ser apresentadas depois das dos réus delatores.

Celso de Mello também concedeu o pedido do ex-gerente da Petrobras para anular sua sentença na Lava Jato.

“Entendo que a prerrogativa do réu delatado traduz solução mais compatível do direito de defesa”, afirmou o ministro.

“Nos casos em que há réus colaboradores e delatados, não havendo previsão no Código de Processo Penal, a lacuna deve ser suprida pelo princípio da ampla defesa”, afirmou o decano (mais antigo ministro) da Corte.

Segundo ele, “é inegável que o acusado tem o direito de conhecer a síntese da acusação contra ele”.

G1

 

 

Opinião dos leitores

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Geral

Cheque surpresa? Brasileiros recebem dinheiro da Amazon após acordo bilionário por acusações de práticas abusivas

Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File Photo

Alguns brasileiros começaram a receber pelos Correios cheques em dólar enviados pela Amazon, com valores que podem chegar a US$ 51 (cerca de R$ 269). O pagamento faz parte de um acordo judicial de US$ 2,5 bilhões firmado nos Estados Unidos após acusações de que a empresa teria inscrito consumidores no Amazon Prime de forma enganosa e dificultado o cancelamento do serviço.

O ressarcimento é voltado a clientes que assinaram o Prime pelo site norte-americano entre junho de 2019 e junho de 2025. Segundo a empresa, além dos cheques enviados pelo correio, parte dos valores também será depositada automaticamente por aplicativos de pagamento digital. A Amazon Brasil confirmou o envio das cartas e orientou consumidores a buscar informações no site oficial do acordo.

Um dos contemplados foi o brasileiro Luan Melito, que recebeu apenas US$ 1,99 após ter utilizado o site internacional em uma compra para entrega nos Estados Unidos. Ele afirmou que inicialmente pensou se tratar de um golpe e relatou dificuldades para resgatar o valor, já que o sistema exige um PIN que não aparece no documento recebido.

Nas redes sociais, outros brasileiros dizem ter recebido quantias maiores, variando entre US$ 12 e US$ 51, mas muitos ainda não sabem como descontar os cheques em bancos nacionais. O prazo para depósito, segundo a carta enviada aos consumidores, vai até 21 de fevereiro de 2026.

Com informações do G1

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Geral

Dono do Master fez maratona no Banco Central: foram 17 visitas e até 8 horas dentro do órgão em ano da crise

Foto: Banco Master/Divulgação

O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do liquidado Banco Master, esteve ao menos 17 vezes nas sedes do Banco Central, em Brasília e São Paulo, ao longo de 2025, em reuniões com áreas estratégicas da autarquia. Registros obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que ele acumulou mais de 34 horas dentro do BC justamente durante o período mais crítico da tentativa de salvar a instituição financeira.

As visitas ocorreram enquanto o Master buscava recuperar liquidez, negociava ativos com o BRB e enfrentava o avanço das investigações que culminariam na liquidação do banco. Parte dos encontros foi diretamente com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, inclusive em datas sensíveis, como abril e maio, quando decisões relevantes sobre o banco foram tomadas.

Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em 22 de julho, quando Vorcaro permaneceu mais de oito horas nas dependências do Banco Central. Dois dias depois, a autarquia autorizou a venda do Banco Voiter, ligado ao conglomerado do Master, a um ex-sócio do banqueiro — operação que posteriormente entrou no radar da Operação Compliance Zero.

A defesa de Vorcaro sustenta que ele nunca foi alertado sobre risco iminente de liquidação, enquanto a área de fiscalização do BC afirma ter identificado indícios de irregularidades e acionado rapidamente Ministério Público e Polícia Federal. Procurados, nem o Banco Central nem os advogados do empresário comentaram os registros das visitas.

Com informações do Estadão

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Política

PT oferece vaga de vice para atrair MDB à chapa de Lula, mas Alckmin e divisões internas travam avanço

Presidente Lula e o Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e Vice-Presidente da República, Geraldo Alckmin, Ministro da Fazenda, Fernando Haddad e Aloizio  Mercadante (BNDS) anunciam nova linha de crédito para Indústria 4.0.Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

O PT iniciou articulações para tentar levar o MDB à chapa presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro. A principal proposta seria a vaga de vice, atualmente ocupada por Geraldo Alckmin (PSB), que poderia ser deslocado para disputar cargos em São Paulo. Apesar de ocupar três ministérios no governo, a cúpula emedebista ainda resiste a um alinhamento nacional com o petista.

Entre os nomes citados como possíveis vices estão o ministro dos Transportes, Renan Filho, e o governador do Pará, Helder Barbalho, embora ambos tenham planos eleitorais próprios em seus estados. O histórico de divisões regionais dentro do MDB também é visto como um obstáculo, já que alianças nacionais nem sempre se traduzem em apoio uniforme nos diretórios estaduais.

Nos bastidores, o entorno de Lula avalia que oferecer a vice seria a única forma de atrair o partido de centro, sobretudo após o PSD indicar que terá candidatura própria. Ainda assim, a resistência de lideranças como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, que mantém postura crítica ao governo, evidencia o tamanho do desafio para fechar a aliança.

Aliados do presidente dentro do MDB defendem a aproximação, mas reclamam da demora nas negociações. Caso não haja consenso, a decisão pode acabar sendo levada à convenção nacional da sigla, onde as alas pró e contra o apoio a Lula afirmam ter força para vencer a disputa interna.

Com informações do O Globo

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Geral

Lula reúne base em jantar, cita Trump, ignora polêmica de penduricalhos e crava candidatura à reeleição

Foto: Luis Nova/Especial Metrópoles

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu um jantar com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes da base aliada na noite da quarta-feira (4), na Granja do Torto, em Brasília. O encontro ocorreu a portas fechadas e contou com discursos apenas de Lula, Motta e da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

A informação é do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles. Segundo relatos de deputados presentes, Lula destacou indicadores econômicos positivos e chegou a mencionar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao falar sobre possíveis parcerias internacionais no combate ao crime organizado. O petista também avaliou que o início da gestão de Motta foi turbulento, mas afirmou que o cenário político já está mais estável.

Apesar da repercussão recente, Lula evitou comentar o aumento de benefícios salariais aprovados pela Câmara para servidores, tema que gerou críticas nos bastidores. Durante o jantar, o presidente reforçou que disputará a reeleição em outubro e demonstrou confiança em uma nova vitória nas urnas.

A reunião contou ainda com a presença da primeira-dama Janja, que convidou parlamentares para o Carnaval do Rio, onde Lula será homenageado pela escola Acadêmicos de Niterói. O evento durou cerca de três horas e teve pirarucu no cardápio, preparado pelo chef paraense Saulo Jennings.

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Política

[VÍDEO] Waack: Crise interna se escancara e ministros do STF trocam recados públicos em meio a pressão por código de conduta

 

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Vídeo: Reprodução/CNN Brasil

A tensão no Supremo Tribunal Federal ganhou novos capítulos após ministros passarem a divergir publicamente sobre a necessidade de um Código de Conduta para a Corte. A discussão ocorre em meio à repercussão do caso envolvendo o banco Master, que ampliou críticas externas e acirrou o debate interno sobre limites éticos e comportamento dos magistrados.

A informação é da coluna de William Waack, da CNN. Dois dias depois de o presidente do STF, Edson Fachin, defender autocontenção e avançar na criação de regras formais, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli reagiram durante sessão no plenário. Em tom crítico, ambos afirmaram que os integrantes do Supremo já são suficientemente fiscalizados e que não haveria necessidade de novas normas específicas.

Nos bastidores, a avaliação é que o embate expõe uma divisão rara dentro da própria Corte. Enquanto Fachin tenta responder ao desgaste de imagem e à pressão pública, parte dos ministros sustenta que as críticas são motivadas por má-fé ou desconhecimento sobre o funcionamento do Judiciário.

A troca de posicionamentos ampliou a percepção de crise institucional no STF, que enfrenta questionamentos sobre credibilidade e transparência. O cenário evidencia um racha político interno e coloca em evidência a disputa sobre como a Corte deve reagir às cobranças externas e preservar sua imagem perante a opinião pública.

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Política

Fachin adia reunião sobre código de ética no STF em meio a resistências internas

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, cancelou a reunião marcada para o próximo dia 12 que discutiria a criação de um Código de Ética para a Corte. A decisão foi comunicada aos demais ministros nesta quarta-feira (4) e ocorre em meio à falta de consenso interno e à baixa adesão ao encontro, que ainda não tem nova data definida.

O adiamento acontece em um momento de pressão sobre o tribunal, principalmente após debates envolvendo o caso do Banco Master. Durante sessão recente, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli fizeram comentários indiretos sobre a discussão de regras de conduta, defendendo limites já existentes e criticando questionamentos feitos à atuação dos magistrados.

Sem citar casos específicos, Moraes afirmou que há críticas feitas “de má-fé” e reforçou que ministros não podem julgar processos nos quais tenham vínculos pessoais ou familiares. Já Toffoli destacou a importância da autocontenção e afirmou que magistrados têm direito a atividades privadas, desde que respeitados os limites legais.

A proposta de criação de um código de ética ganhou força após episódios recentes que colocaram o STF no centro de debates sobre transparência e conduta. Na última segunda-feira (2), Fachin anunciou a ministra Cármen Lúcia como relatora da iniciativa, que ainda depende de articulação interna para avançar.

Com informações da CNN

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Geral

Escritório de Lewandowski recebeu contrato milionário do Master sem atuação em processos

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Apesar de ter mantido um contrato de consultoria jurídica no valor de R$ 250 mil mensais com o banco Master, o escritório ligado ao ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski não aparece como representante da instituição financeira em nenhum processo judicial. O acordo foi firmado em agosto de 2023 e seguiu em vigor até setembro de 2025, período que inclui parte da passagem de Lewandowski pelo governo Lula.

A informação é da colunista Andreza Matais, do Metrópoles. O contrato estava em nome da Lewandowski Advocacia, escritório registrado em nome da esposa do ex-ministro, Yara de Abreu Lewandowski, e do filho, Enrique de Abreu Lewandowski. Nenhum dos dois, no entanto, atuou formalmente em ações relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro ou às empresas do grupo Master, segundo registros nos tribunais.

Em nota, Ricardo Lewandowski confirmou que o escritório foi contratado para prestar serviços de consultoria jurídica, mas sem atuação direta em processos ou representação do banco junto a órgãos do Poder Executivo. Durante o período do contrato, há registro de apenas uma reunião de Enrique Lewandowski com autoridades públicas, em maio de 2024, na Advocacia-Geral da União, para tratar de um tema relacionado a seguros habitacionais — sem qualquer menção ao Master.

A revelação do vínculo entre Lewandowski e o banco reacendeu pressões políticas sobre o governo federal, especialmente em torno da possível instalação de uma CPI para investigar o Master. Parlamentares da base aliada passaram a recolher assinaturas para tentar controlar a comissão, caso ela seja criada, após virem à tona as conexões envolvendo o banqueiro e lideranças do governo.

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Esporte

ABC consegue empate no fim, mantém liderança e segue invicto no Potiguar

Foto: Guilherme Drovas/ABC F.C.

ABC e Globo empataram por 2 a 2 na noite desta quarta-feira, no Frasqueirão, em um jogo marcado por atraso, viradas no placar e emoção até os minutos finais. O Alvinegro saiu atrás, reagiu nos acréscimos e garantiu não só o ponto, mas também a manutenção da liderança e da invencibilidade no Campeonato Potiguar 2026.

A partida começou com mais de meia hora de atraso após problemas no transporte da delegação do Globo, que chegou ao estádio sem tempo sequer para aquecimento. Mesmo com uma equipe alternativa escalada por Marcelo Chamusca, o ABC tomou a iniciativa e abriu o placar aos 34 minutos do primeiro tempo, quando Thalissinho aproveitou belo lançamento de Randerson e finalizou com categoria.

Na volta do intervalo, o Globo mudou a postura e respondeu rapidamente. Murilo acertou um chute indefensável de longa distância para empatar, e pouco depois Breno virou o jogo após falha defensiva do ABC. Diante da desvantagem, Chamusca lançou titulares em campo, aumentando a pressão ofensiva nos minutos finais.

A reação foi coroada já aos 48 minutos do segundo tempo. Thiaguinho fez boa jogada pela esquerda e cruzou para Igor Bahia marcar de cabeça, garantindo o empate no apagar das luzes. Com o resultado, o ABC chegou aos 14 pontos e segue líder do estadual, enquanto o Globo somou dois pontos e, por ora, assegura permanência na elite do futebol potiguar.

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Esporte

Vexame histórico: América empata com Potiguar, é rebaixado e cai para a Série B do Estadual

Foto: João Filho/ACD Potiguar

O América está matematicamente rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Potiguar. O empate sem gols contra o Potiguar de Mossoró, no estádio O Fião, em Serra do Mel, decretou a queda do clube centenário, dono de títulos regionais e que já disputou a Série A do Campeonato Brasileiro.

A situação dramática é consequência direta da punição aplicada pela Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF), que retirou 18 pontos do Alvirrubro por escalação irregular do lateral-direito Elias. Com isso, a equipe entrou na reta final do estadual precisando vencer todos os jogos restantes, o que não aconteceu.

Mesmo com o empate, o América chegou a -4 pontos e não tem mais chances matemáticas de escapar do rebaixamento na tabela atual. Ainda há expectativa por um possível efeito suspensivo ou reversão da punição no julgamento marcado para esta quinta-feira (5) no Tribunal de Justiça Desportiva do RN (TJD-RN), com possibilidade de o caso seguir até o STJD. Até lá, porém, a realidade é a Segundona.

Dentro de campo, o roteiro foi de frustração. O América criou as principais chances, mas parou em uma atuação decisiva do goleiro Wadson, destaque do Potiguar. Souza acertou a trave em cobrança de falta no primeiro tempo, e Alexandre Aruá desperdiçou boa oportunidade na etapa final, selando um empate que entrou para a lista dos capítulos mais constrangedores da história do clube.

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Geral

Defesa apela ao STF e pede prisão domiciliar para Bolsonaro após alegada piora de saúde

Foto: Reprodução

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) entrou, nesta quarta-feira (4), com um novo pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a concessão de prisão domiciliar. O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes e se baseia na alegação de piora do quadro clínico do ex-presidente enquanto está preso.

Segundo os advogados, Bolsonaro apresentou nos últimos dias episódios eméticos — termo médico usado para vômitos — e uma crise de soluços considerada acentuada. A defesa afirma que a situação exige avaliação técnica imediata para analisar a necessidade de uma prisão domiciliar de caráter humanitário.

No pedido, os representantes solicitam que a Superintendência da Polícia Federal seja intimada, com urgência, a juntar aos autos um laudo pericial. O objetivo é permitir que o assistente técnico da defesa apresente um parecer e, a partir disso, o STF avalie a possibilidade de mudança no regime de prisão.

Bolsonaro está detido desde o dia 15 de janeiro no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. A transferência do ex-presidente da sede da Polícia Federal para a unidade da PM foi determinada pelo próprio ministro Alexandre de Moraes.

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