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Ampern emite nota de repúdio contra delegada Sheila Freitas

Primeiro o Ministério Público quem se manifestou acerca das declarações da delegada Sheila Freitas, titular da Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (Deicor), de que a promotora Izabel Pinheiro seria despreparada alegando que ela vivia no paraíso do Olimpo. O que motivou as declarações de Sheila, foi o fato de a promotora ter entrado com um recurso de correição parcial por causa do grande número de interceptações telefônicas feitas durante a investigação que terminou com o jovem Porcino Segundo, o “Popó”, resgatado.

Agora, chegou a vez da Associação do Ministério Público do RN (Ampern) se manifestar por meio de uma nota de repúdio. No documento assinado pelo promotor Eudo Rodrigues Leite, presidente da associação e titular da 22ª Promotoria de Natal, a Associação qualifica de agressivas e inadmissíveis as críticas de Sheila contra.

Confira a nota na íntegra:

Nota de repúdio

A Associação do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte – AMPERN, diante de ataques emanados da Delegada de Polícia Civil Sheila Freitas quanto à atuação da Promotora de Justiça Izabel Cristina Pinheiro, vem a público esclarecer e repudiar o seguinte:

Conforme esclarecido em nota oficial pela Procuradoria-Geral de Justiça do RN, o recurso manejado pela referida Promotora de Justiça, chamado Correição Parcial, nos autos do processo relacionado com o sequestro de Porcino Fernandes da Costa Segundo, destinou-se tão-somente à preservação da regularidade do processo e evitar futuras alegações de nulidade. Não houve representação contra a Juíza da Comarca de Ceará-Mirim, nem contra a Delegada Sheila Freitas;

Em nenhum momento se questionou a celeridade das decisões da Juíza da Vara Criminal de Ceará-Mirim. O que foi objeto do recurso de Correição Parcial foi a decisão que indeferiu requerimento do Ministério Público no sentido de que fossem justificados a inclusão de alguma linhas telefônicas na interceptação, de modo a ficar clara a relação dos números interceptados com o fato em apuração, cumprindo-se os requisitos legais e evitando-se a suscitação de eventuais nulidades processuais;

Causou espécie o pronunciamento e a reação da Delegada de Polícia Civil Sheila Freitas que, em verdade, adentrou na seara do mero ataque pessoal a um membro do Ministério Público pelo simples fato deste haver interposto um recurso processual com único objetivo de preservar a regularidade processual, devendo ser repudiadas as afirmações de que a referida Promotora de Justiça é “despreparada”, que estaria “querendo aparecer no caso” e que, enfim, “vive no Olimpo”;

Em que pese o reconhecimento do sucesso da referida operação policial e o desejo de que outras tantas sejam levadas a pleno efeito pela Polícia Civil do RN, são inadmissíveis, inaceitáveis e merecedoras de repúdio estas agressões. Afinal, não é dado o direito a nenhuma autoridade policial de promover ataques pessoais a quem quer que seja, mormente contra um membro do Ministério Público que age no estrito cumprimento do dever legal e pelo simples fato deste haver interposto um recurso processual dentro das regras do Estado Democrático de Direito;

Por outro lado, os membros do Ministério Público potiguar, mormente a Promotora de Justiça injustamente atacada, não “vivem no Olimpo”, estando em suas comarcas diuturnamente, agindo em defesa dos interesses sociais e individuais indisponíveis, como é testemunha a ampla maioria da sociedade potiguar;

As afirmações da delegada revelam desconhecimento de sua parte em relação a atuação do Ministério Público potiguar, reconhecido pela sua postura destemida e combativa, investigando e processando quem quer que seja achado em culpa, bem como não condiz com o relacionamento respeitoso que deve haver entre instituições que atuam em combate a criminalidade, no caso o Ministério Público e a Polícia Civil;

Cumpre ainda ressaltar que a Promotora de Justiça em questão é reconhecida pela sua competência técnica e combatividade na atuação e que pugnará incessantemente, na qualidade de titular da ação penal, pela condenação dos autores de tão hediondo crime, não sendo razoável sequer se imaginar a hipótese de algum membro do MP querer “aparecer” às custas de um processo sigiloso;

Enfim, deve ser ressaltado que o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte tem uma convivência institucional histórica com a Polícia Civil do RN, reafirmando a sua plena confiança e harmoniosa relação com esta instituição, sendo tal ataque, certamente, afirmação individual e isolada da citada Delegada de Polícia, que sequer deve conhecer o teor do recurso interposto.

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Delegada diz que promotora é despreparada, quer aparecer e que "vive no Olimpo"

A delegada de Combate ao Crime Organizado (Deicor) Sheila Freitas, que conduziu as investigações que resultou na prisão de cinco, de seis suspeitos do sequestro do estudante Porcino Fernandes da Costa Segundo, o Popó Porcino, criticou em entrevista a TRIBUNA DO NORTE  a postura da promotora da Comarca de Ceará Mirim, Isabel Cristina Pinheiro, em interpelar judicialmente a juíza Valentina de Lima Damasceno por ter concedido medidas cautelares à Polícia a pedido da Deicor. Sheila classificou o fato como um desrespeito e criticou a promotora.

Afirmando que a atitude da promotora demonstra despreparo, Sheila Freitas disse que Isabel Pinheiro não participou do andamento da investigação e que a promotora “vive no Olimpo”.

Confira abaixo trechos e vídeos da entrevista com a delegada Sheila Freitas:

Qual a sua posição com relação à atitude da promotora?

Classifico isso como um absurdo, como um despreparo dessa representante do Ministério Público, porque isso não é comum aos promotores, está querendo aparecer no caso, porque o que houve foi uma integração da Polícia com o Judiciário, em razão do caso e não só desse caso, porque a juíza Valentina Damasceno é conhecida como uma pessoa séria, trabalha muito, não foi só no caso de “Popó”, nos outros casos ela sempre atuou da mesma forma.

O Ministério Público chegou a participar das investigações, ou ficou à margem desse processo?

Não, no momento em que a Polícia pede alguma coisa ao Judiciário, o Judiciário informa ao Ministério Público e isso o Judiciário fez. Mas, em momento nenhum essa promotora ligou para mim, para saber como estava o andamento das investigações, como ela “vive no Olimpo”, ela não desce onde estão os pobres mortais, não seria eu que ficaria ligando para ela, eu estava ligando para a juíza, que era uma pessoa que sempre estava em contato comigo para saber o que estava acontecendo e sendo informada sobre tudo o que estava havendo.

 

Opinião dos leitores

  1. O MP gosta de muito de aparecer como o paladino da justiça e muitas vezes cometem absurdos como esse.

  2. Parabéns DELEGADA  SHEILA FREITAS. A sociedade do RN está com a senhora. É desta forma que o MP deseja trabalhar? Ou melhor ATRAPALHAR um trabalho sério?

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