Polêmica

“Bolsa estupro”: senador propõe lei que veta aborto e dá auxílio a vítimas

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) é autor do PL chamado de “estatuto da gestante”. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O projeto de lei para a criação do “Estatuto da Gestante” que está em tramitação no Senado quer proibir um direito já adquirido na Justiça pelas brasileiras, o do aborto legal em casos de gestação que coloca em risco de vida a mulher, que seja resultado de um estupro e quando o feto é anencéfalo.

De autoria do senador cearense Eduardo Girão (Podemos), o PL 5435/2020 vai além: quer incentivar as vítimas de estupro a não abortarem mediante pagamento de auxílio financeiro. A ideia de Girão é que a vítima seja assistida por um programa de “suporte subsidiário que assegure o nascimento da criança concebida” — ou seja, que a mulher receba dinheiro do Estado para manter a criança que nascer em decorrência de um estupro.

Por esse motivo, a proposta, amplamente repudiada por entidades de defesa dos direitos da mulher, ativistas e advogadas, está sendo chamada nas redes sociais de “bolsa estupro” — o termo inclusive ganhou uma hashtag.

“Em resumo, esse PL diz que nem os poucos direitos reprodutivos já previstos por lei as mulheres poderão exercer”, diz Isabela Del Monde, advogada especialista em direitos da mulher e colunista de Universa.

Del Monde diz que o dever do Estado seria garantir apoio psicológico, jurídico e financeiro para vítimas de estupro, mas isso não acontece. E que a proposta de Girão é inconsistente, uma vez que não informa qual será o valor desse auxílio, por quanto tempo será pago, qual órgão do governo será o responsável pelo pagamento e de onde sairão os recursos.

A preocupação do projeto não é garantir a recuperação da vítima, mas o nascimento, independentemente do trauma que aquela gestação pode causar à mulher. É como se esse PL dissesse que o grande problema da gravidez advinda de estupro é o dinheiro gasto da criação da criança, mas não há dinheiro que pague esse trauma, afirma

Grupos como o CFEMEA (Centro Feminista de Estudos e Assessoria) e a deFEMde (Rede Feminista de Juristas) começaram a se articular e a pressionar senadores e opinião pública para evitar a aprovação do PL, que seria votado pelo Senado nesta semana.

No entanto, a senadora Simone Tebet (MDB-MS), relatora do projeto, está escrevendo um texto substitutivo ao proposto por Girão, para não permitir que a restrição ao aborto legal vá a votação, como informou a assessoria da parlamentar. A substituição do PL ainda não foi confirmada pelo Senado e também não há data para votação.

Suspender aborto por estupro coloca meninas em risco de vida

Em entrevista a Universa, a antropóloga Débora Diniz classifica a proposta de lei como “perversa”.

Pesquisadora de questões de gênero e autora de duas edições da Pesquisa Nacional de Aborto (2010 e 2016), ela lembra que parte das vítimas de estupro no Brasil são crianças e adolescentes — o país recebe uma denúncia de estupro de meninas de até 14 anosa cada duas horas, segundo dados do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos.

“Essas meninas terão um Estado impondo a elas a condição de gestantes. Essa é uma tentativa de cercear a dignidade não só de mulheres, mas de meninas, que têm suas vidas colocadas em risco ao não poder abortar”, diz.

O projeto transforma a vítima de violência sexual em gestante e o estuprador em pai, dando a eles direitos a respeito da vida da vítima. Além disso, transforma o estupro numa batalha moral sobre futuros de crianças, o que sequer é uma questão quando uma menina ou mulher sofre um estupro.”

“Estatuto da gestante é nome populista para impedir direito ao aborto”

Marina Ruzzi, da Rede Feminista de Juristas, alerta que, com o nome de Estatuto da Gestante, o PL tenta passar de maneira silenciosa, “como geralmente acontece com ataques aos direitos da mulher”. E que, na verdade, o projeto nada mais é do que uma nova versão do Estatuto do Nascituro, defendido em 2018 pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves.

O texto apresenta uma série de medidas proteção às gestantes que, na realidade, já estão previstas na lei há anos — como a obrigação do pai de pagar pensão, e o direito da gestante ao pré-natal no SUS (Sistema Único de Saúde).

Essa é uma “estratégia evidente” para revogar direitos reprodutivos já garantidos no Brasil, como um cavalo de troia, acredita a advogada Isabela Del Monde. “O projeto traz esse nome populista [Estatuto da Gestante] para tentar passar o fim do direito ao aborto. Todo o foco do projeto está no feto, e não na mulher”, diz. Segundo ela, o texto do PL mostra que o senador Girão enxerga as mulheres como “máquinas reprodutoras”, e não como sujeitas de direito que podem decidir o melhor momento para levar adiante uma gestação.

O projeto ignora dados sobre quem é a mulher que aborta no Brasil — a maioria delas já tem outros filhos e está nas camadas mais pobres. Com isso, ao invés de proteger a vida de um feto, mata mulheres e coloca em risco outras crianças, que ficam órfãs por conta do aborto clandestino”, diz Del Monde.

Um relatório publicado em 2018 pelo Instituto Anis mostra que 67% das mulheres que realizam aborto clandestino já têm filhos. Além disso, a maioria é negra ou indígena (15% e 24%, respectivamente, em comparação a apenas 9% de mulheres brancas) e do nordeste (18%, em comparação ao Sul, por exemplo, com 11%).

Até pílula do dia seguinte está em xeque

A advogada Marina Ruzzi, conta que, além do aborto, o projeto de lei coloca em xeque até a contracepção de emergência. “Se a lei for aprovada nestes termos, nem a pílula do dia seguinte poderia ser usada como método de contracepção, afinal, colocaria em risco um feto que ainda não se fixou no colo uterino, mas que já foi concebido.”

Ela destaca que o texto tem pelo menos outros dois pontos problemáticos:

Artigo 5º: diz que as mulheres grávidas em decorrência de estupro terão direito a entregar a criança à adoção, o que corrobora para forçar que esta mulher leve a gravidez adiante;

Artigo 9º: afirma que o genitor também é responsável pela salvaguarda do nascituro, ou seja, que a mulher deve negociar com o pai da criança a manutenção da gravidez ou a entrega do bebê à adoção.

“PL é inconstitucional”

O PL 5435/2020 vai na contramão da Constituição, da opinião pública e também do que acontece em países vizinhos — caso da Argentina, que legalizou o aborto no ano passado.

Ao assinar tratados internacionais que tratam de direitos reprodutivos o Brasil incorporou esses direitos à sua Constituição — e por isso, defende Isabela Del Monde, proibir a interrupção da gravidez é inconstitucional.

“Constitucionalmente, o Brasil deveria garantir esse direito, mas criminalmente ainda é proibido”, explica a advogada. Essa foi a tese apresentada pelo PSOL em 2018, ao levar ao STF uma ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) tratando do assunto. Naquele mesmo ano, a Corte discutiu o direito ao aborto em audiência pública, mas a ADPF está parada deste então.

Pelo mesmo motivo, Del Monde afirma que o PL 5435/2020 é “frontalmente contrário à Constituição”, e por isso não deve ser votado.

Enquete de opinião pública realizada no site do Senado com mais de 17 mil pessoas mostra que, até esta terça (23), menos de 5% dos brasileiros e brasileiras são favoráveis à PL.

Outro lado

Procurado por Universa, Eduardo Girão diz que o foco do PL “é a proteção integral da gestante”, mas que o texto será modificado pela relatora, a senadora Simone Tebet. O senador afirma que sua proposta “aumentava a penalização do estuprador” e que “reforçava as políticas públicas de saúde em favor da gestante e ampliava o nível da responsabilidade paterna”, se referindo ao estuprador como pai.

Leia a nota na íntegra:

“O PL 5435/20 tem doze artigos cujo foco é a proteção integral da gestante. O artigo 11, que trata da proteção pecuniária à mulher vítima do terrível e hediondo crime de estupro, será retirado pela relatora, a senadora Simone Tebet.

Mesmo assim, considero importante esclarecer que esse artigo aumentava a penalização do estuprador, e tratava-se de uma opção que poderia livremente ser aceita ou rejeitada por aquelas mulheres que, por questão de foro íntimo, desejassem prosseguir com a gravidez. Os demais artigos, não fazem qualquer alteração no Código Penal, reforçam as políticas públicas de saúde em favor da gestante e ampliam o nível da responsabilidade paterna.

O PL também fortalece o pré-natal propondo que o acompanhamento ocorra desde o início da gravidez, pois a partir de respaldo científico, podem ser reduzidos drasticamente os riscos de doenças tanto para a mulher gestante quanto para a criança.”

Universa – UOL

Opinião dos leitores

  1. Péssima ideia! Tem que procurar meios para inibir os estupradores e não pagar pelo que ele fez.

  2. A lei protege a vítima e a criança.
    Admiro-me , fico chocada os comentaristas serem a favor do assassinato de bebês no ventre da mãe, o ser humano mais indefeso.
    Afinal, Vcs lutam a favor da vida de quem?

    1. Pimenta no c* das outras é refresco. Queria ver se você fosse estuprada, se ia criar essa criança com tanto amor e carinho? Claro que não. Não sejamos hipócritas. Ela (a criança) ia ser rejeitada. Toda vez que você olhasse pra ela ia lembrar o trauma que essa situação deixa.

  3. O estupro é um crime hediondo, porém, o que se quer evitar é o assassinato de bebês, inúmeras familias querem ter filhos e não têm a possibilidade, então, por que não deixar a pessoa gerar a criança e depois entregar para adoção. caso não queira ou não tenha condições de criar?

  4. Tem que ter uma LEI para CASTRAR estupradores . Aí sim o cara pensa duas vezes em cometer o crime. No Brasil só muda se endurecer as leis e regras. Do contrário a cada dia que passa a coisa piora.

  5. Que projeto bandido! Que cara sem escrúpulos. Esse cara não vale o chorume do estrume. Tipo de gente a mais nojenta que existe.

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[VÍDEO] Abandonado pelo PT, Ivan Baron declara apoio a Allyson Bezerra no 2º turno

Após ter retirado a candidatura ao cargo de deputado estadual pelo PT por falta de apoio do partido, alegando que legenda não havia lhe dado condições de disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa do RN, Ivan Baron declarou apoio ao candidato Allyson Bezerra no segundo turno da disputa pelo Governo do RN.

Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que sua posição não representa uma mudança ideológica, mas uma reflexão sobre o atual cenário político e a necessidade de respeitar opiniões divergentes. “Eu não me tornei uma pessoa de direita, até porque o meu perfil nem combina com isso. Eu sei muito bem de onde eu vim, as pautas que eu defendo, quem eu sou de verdade”, declarou.

Baron defendeu que pautas como respeito à diversidade e inclusão não devem ser exclusividade de um partido. Para ele, o momento exige diálogo entre diferentes correntes políticas. “Conversar apenas com os iguais não vai trazer solução. É preciso, sim, exercer a democracia no seu significado maior, respeitando as opiniões divergentes, desde que elas não sejam autoritárias ou com viés de perseguição”, afirmou.

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Natal Sem Igual: Faltam 60 dias para inscrições e premiação a jornalistas chega a R$ 82 mil

Faltam 60 dias para o encerramento das inscrições do 4º Prêmio Natal Sem Igual, que vai distribuir R$ 82 mil entre trabalhos jornalísticos dedicados à história, à memória e ao patrimônio cultural da capital potiguar. Com o maior valor de premiação já registrado em Natal para um concurso de jornalismo, a iniciativa busca reconhecer produções que ajudam a revelar personagens, trajetórias e lugares fundamentais para compreender a cidade.

As inscrições seguem abertas até 21 de dezembro de 2026. Nesta edição, o tema é “Uma mulher fez história aqui”, um convite para investigar e contar histórias de mulheres que contribuíram para a construção de Natal, muitas vezes ausentes dos registros oficiais ou pouco reconhecidas na memória coletiva. A iniciativa também busca valorizar o patrimônio histórico e arquitetônico da cidade.

Realizado pela Quero Prosa, sob a coordenação do jornalista e escritor Octávio Santiago, o prêmio contempla diferentes formatos e categorias, incluindo texto, vídeo, áudio e produto especial, além de reconhecer jornalistas e veículos de comunicação comprometidos com a valorização do patrimônio. A iniciativa também prevê categorias voltadas a estudantes, estimulando o interesse das novas gerações pela história da cidade.

Ao propor um olhar atento às mulheres e às suas contribuições, o Natal Sem Igual reforça o papel do jornalismo na preservação da memória e na valorização da identidade cultural potiguar. A proposta é mostrar como essas histórias permanecem inscritas nos espaços, nas tradições e na vida cotidiana da capital.

O 4º Prêmio Natal Sem Igual conta com o apoio do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, por meio da Lei Câmara Cascudo, e incentivo da distribuidora Riograndense.

As informações sobre o regulamento, as categorias e o processo de inscrição estão disponíveis no perfil do prêmio no Instagram: @concursojornalismodonatal.

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Distante durante todo mandato, Lula recorre a carta para tentar conquistar votos dos evangélicos na reta final das eleições

Foto: Ricardo Stuckert

Sem diálogo algum com o eleitorado evangélico ao longo do atual mandato, o presidente Lula (PT) recorreu a uma carta direcionada ao segmento na reta final da disputa pela reeleição. A iniciativa é um tentativa ampliar o contato com os fiéis e reduzir a larga vantagem que Flávio Bolsonaro (PL) possui nesta parcela da sociedade.

Divulgada nesta quarta-feira (14), carta reúne referências religiosas e promessas de atenção às demandas das famílias evangélicas no entendimento do presidente. Lula cita o combate às apostas on-line, a proposta de fim da escala 6×1, melhorias na saúde pública, aumento da renda e segurança. Lula também pede que os eleitores orem e busquem “discernimento” antes de escolher seu candidato.

Na mensagem, o presidente afirma ainda que pretende ouvir e atender às reivindicações do segmento e defende que suas ações demonstram compromisso com as famílias. A carta foi elaborada com auxílio da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito. O coordenador-geral da campanha petista, Edinho Silva, disse que a iniciativa atende a demandas de grupos religiosos.

Leia a carta na íntegra

“Carta de Luiz Inácio Lula da Silva às Famílias Evangélicas Brasileiras
Queridas famílias evangélicas do Brasil,

Resolvi escrever a vocês com o coração aberto, cheio de verdade, pois os cristãos com quem tenho dialogado estão me ensinando que a Bíblia nos orienta a “seguir a verdade em amor.” Não sou evangélico, mas tenho total respeito por quem é, assim como tenho por todas as religiões e profissões de fé. Temos uma coisa em comum: o compromisso de cuidar das famílias brasileiras, pois somente lares fortes podem produzir uma nação forte!

Aprendi dentro de casa o valor do trabalho, resistindo bravamente com minha mãe, Dona Lindu, para criar uma família com sete irmãos. Com essa base familiar sólida, aprendi a amar e a lutar para transformar a realidade. É nesse chão que a minha história se encontra com a história de vida e de fé da sua família. Entrei para a política com esse compromisso em meu coração: ajudar a mudar as condições de vida das famílias pobres e batalhadoras.

Numa longa e difícil jornada, me tornei Presidente do Brasil por três vezes. Agora, disputo o quarto mandato. Cheguei até aqui com a proteção divina, orientado por um propósito e missão. Tenho absoluta certeza de que, se não fosse a boa mão de Deus, eu nem teria saído vivo das várias batalhas que enfrentei. Guiado por Ele estou aqui, mais uma vez, fazendo a defesa das famílias brasileiras com ações concretas, como tenho feito ao longo de toda a minha jornada política, e não com discursos vazios, como muitos outros fazem. As famílias são a base do Brasil que queremos.

Dentre as várias ações do meu governo que abençoam suas famílias, relembro a vocês, por exemplo, o combate às apostas online, as Bets, que estão destruindo tantos lares, e meu empenho para que todos tenham dois dias de descanso semanal, pois a vida não se resume ao trabalho. As pessoas precisam de mais tempo para descansar, ter lazer e estar em casa com os seus, fortalecendo os vínculos familiares. Para o povo evangélico, isso garante, inclusive, mais tempo para estar na igreja em comunhão com os irmãos e em adoração.

Sigo também empenhado em proteger as mulheres, combater todos os tipos de violência e o crime organizado com inteligência: prender os bandidos, proteger as nossas crianças e adolescentes e poupar as vidas inocentes.
Jamais poderão nos acusar de estarmos comprometidos com políticas que destroem vidas, que fecham templos ou que não demonstrem respeito, como Jesus nos ensinou, que devemos amar a todas as pessoas. Precisamos avançar mais, precisamos amar mais! Até aqui, ajudei a arrumar a nossa casa, o Brasil. Mas sei que ainda há muito a ser feito. Estou escutando o clamor legítimo e urgente de vocês por mudanças, por segurança, por futuro e prosperidade.

Estou comprometido com a melhoria da saúde pública, para que sua família fique bem cuidada; com o aumento real da renda, com poder de compra; e com a preservação da natureza criada por Deus. O Brasil é nosso! Eu vou escutar e atender aos anseios de vocês.

Sei que, nas famílias evangélicas, tudo se decide em oração. Por isso, conclamo vocês a pedirem discernimento a Deus para fazer a escolha nesta eleição. Vá às urnas com a consciência livre e com a aliança renovada com o nosso amado Brasil.

Com gratidão por sua atenção e generosa leitura, conto com suas orações e sigo olhando firmemente para a esperança da vitória e de um Brasil mais justo, respeitoso e com oportunidades para todos.”

Opinião dos leitores

  1. A mim ele não engana, a escola de samba que o homenageou, fazendo piadas contra a família cristã em fevereiro, jamais será esquecida, e ele apoiou… Sema papo pra esse ateu.

  2. Mentiu pouco ele. Muito preocupado com os mandamentos de Deus e aos anseios dos evangélicos. Pobe Lule, não consegue mais iludir ninguém com suas mentiras.

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Promessas eleitorais de Lula podem gerar impacto de até R$ 49,8 bilhões no Orçamento de 2027

Foto: Wilton Junior

As medidas e promessas anunciadas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha eleitoral podem exigir ajustes de até R$ 49,8 bilhões no Orçamento da União de 2027. A conta ficará para o próximo governo, independentemente de quem vencer o segundo turno, Lula ou Flávio Bolsonaro (PL), e dependerá de negociações com o Congresso Nacional.

Entre as iniciativas anunciadas estão o reajuste de 15% do Bolsa Família, o Desenrola 3.0, com custo estimado de R$ 15 bilhões entre 2027 e 2028, e um pacote para microempreendedores individuais (MEIs), que inclui perdão de dívidas tributárias, ampliação do limite de faturamento e pagamento de até R$ 5 mil. Lula também prometeu expandir o Pé-de-Meia para universitários.

A maior parte das medidas não está prevista no projeto orçamentário enviado ao Congresso em agosto. Segundo o levantamento, elas podem acrescentar R$ 43,55 bilhões às despesas e reduzir as receitas em R$ 6,27 bilhões. A ampliação do teto de faturamento dos MEIs é a única dessas iniciativas contemplada na proposta, com impacto estimado de R$ 1,57 bilhão na arrecadação de 2027.

O governo projetou superávit de R$ 18,6 bilhões para o próximo ano. A inclusão dos novos compromissos pode comprometer essa meta caso não haja cortes em outras despesas ou aumento da arrecadação. A equipe econômica pretende encaminhar os ajustes ao relator do Orçamento após a eleição.

Outro fator de pressão são as emendas de comissão, que devem acrescentar R$ 12,7 bilhões às despesas. Além disso, consultorias da Câmara e do Senado apontaram incertezas nas projeções oficiais, incluindo uma estimativa de crescimento econômico acima da expectativa do mercado e receitas previstas com tributos cujas regras ainda não estavam definidas.

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Erika Hilton cria canal “Tropa do Lula” após suspensão de grupo de Janones

Fotos: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados | Cleia Viana/Câmara

A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) criou o canal “Tropa da Erika Hilton com Lula” no WhatsApp após a suspensão do “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG). Até a manhã desta quarta-feira (14), o novo grupo já reunia 375 mil seguidores.

A suspensão do canal de Janones, que tinha mais de 4 milhões de seguidores, foi determinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, e vale por 48 horas, até quinta-feira (15).

A decisão condicionou o funcionamento do canal ao registro do endereço pela campanha de Lula na Justiça Eleitoral. Mesmo após o cumprimento da exigência, o ministro manteve a suspensão pelo prazo estabelecido. Janones classificou como uma “grande coincidência” o fato de a interrupção ocorrer no período da votação da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1, prevista para esta quarta-feira no Senado.

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Flávio pede que Justiça investigue propaganda que foi ao ar na TV sem áudio

Foto: Charles Vieira/ Divulgação

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) acionou a Justiça Eleitoral nesta terça-feira (13) para pedir a investigação da falha que deixou sem áudio a propaganda do senador exibida na televisão na segunda-feira (12).

A defesa solicitou que as emissoras preservem as gravações e que sejam autorizadas novas diligências para esclarecer o ocorrido. Na representação, os advogados afirmam que o programa foi ao ar apenas com imagens e questionam por que a falha foi corrigida a tempo na propaganda de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), exibida posteriormente.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que um problema técnico no sistema de finalização de arquivos afetou as propagandas dos dois candidatos. Segundo a Corte, porém, houve tempo para corrigir o material de Lula antes da transmissão.

A campanha também levantou suspeitas sobre uma possível relação entre o episódio e a desinformação disseminada no fim de setembro sobre uma suposta intenção do senador de retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A defesa afirma que o tema foi explorado politicamente pela campanha adversária.

Os advogados ainda questionaram a atuação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que teria atribuído a exibição a outra empresa integrante do grupo responsável pela transmissão. A representação menciona também vínculos pessoais e políticos da presidente da EBC, Antonia Pellegrino, mas não apresenta, no trecho divulgado, prova de que ela tenha participado da falha.

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[VÍDEO] Secretário de Saúde do RN nega perseguição a médico, diz que o afastou das escalas após ‘episódio grave’ em hospital de Assú e denunciou caso à Polícia Civil e ao CRM

O secretário estadual de Saúde do Rio Grande do Norte, Alexandre Motta, negou perseguir o médico Elder Freire da Silva Bezerra, que o acusou de determinar a suspensão de seu plantão no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal.

“Eu quero dizer que a SESAP tem quinze mil profissionais de saúde. Dentre esses, três mil são médicos e eu não persigo nenhum deles”, afirmou Motta em vídeo divulgado nas redes sociais. O secretário não mencionou e também não negou que haja superlotação no Hospital Walfredo Gurgel.

A respeito do caso envolvendo o Hospital Regional de Assú, o secretário disse que o médico foi afastado das escalas como profissional efetivo e terceirizado diante da gravidade do ocorrido, mas não detalhou o que teria acontecido. Motta disse que o caso foi encaminhado à Polícia Civil e ao Conselho Regional de Medicina (CRM), além de ser alvo de uma sindicância interna.

LEIA TAMBÉM: [VÍDEO] Médico acusa secretário de Saúde do RN de perseguição e denuncia superlotação no Walfredo Gurgel

“De nossa parte, enquanto autoridade sanitária, a gente tomou as medidas cabíveis e espera que essas instituições possam dar celeridade ao caso”, declarou.

Elder Freire afirmou que foi informado sobre a suspensão de seu plantão no Walfredo Gurgel em 4 de outubro, apesar da superlotação da unidade. O médico também atribuiu ao secretário decisões semelhantes em outras ocasiões.

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Às vésperas do 2º turno, “pacote de bondades” do governo Lula cresce em R$ 25,8 bilhões

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou em R$ 25,8 bilhões o conjunto de medidas econômicas anunciadas após o primeiro turno das eleições, visando a reeleição. O valor é uma estimativa divulgada por integrantes da própria equipe econômica.

O chamado “pacote de bondades”, repleto de medidas eleitoreiras, inclui redução de impostos sobre combustíveis, benefícios para estudantes e medidas de renegociação de dívidas de microempreendedores.

Somadas às ações anunciadas antes da primeira votação, as medidas podem alcançar R$ 74,6 bilhões em impacto nas contas públicas até o fim de 2027, conforme os cálculos apresentados pelo governo.

O pacote prevê o perdão de até R$ 12,6 bilhões em dívidas tributárias de 3,6 milhões de MEIs, incentivos de até R$ 5 mil por beneficiário, com impacto de R$ 5 bilhões até 2030, e renegociação de dívidas privadas, com custo fiscal de R$ 600 milhões.

Também propõe elevar o teto anual de faturamento dos MEIs de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, além de permitir a contratação de um segundo funcionário. As mudanças dependem do Congresso.

Na área dos combustíveis, a redução de impostos sobre gasolina e etanol tem impacto estimado em R$ 3,6 bilhões em 2026, enquanto a subvenção adicional ao diesel importado custará R$ 1,6 bilhão em 30 dias. Lula também prometeu auxílio mensal de R$ 700 por dez meses para universitários.

As medidas se somam ao reajuste de 15,17% do Bolsa Família, que elevou o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691, e à nova etapa do Desenrola, com custo potencial de R$ 15 bilhões.

Opinião dos leitores

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PESQUISA BG/AFFARE – Comparecimento: 89,5% dos eleitores do RN dizem que certamente vão votar no segundo turno

A pesquisa BG/Affare mostra que 89,5% dos eleitores potiguares afirmam que certamente vão votar no segundo turno, em 25 de outubro. Outros 8,6% dizem que provavelmente comparecerão às urnas.

Entre os entrevistados, 1,3% declara que não vai votar e 0,6% não sabe. Os percentuais representam a intenção declarada de comparecimento, e não uma previsão de participação efetiva.

O levantamento realizou 1.366 entrevistas telefônicas automatizadas no RN entre 9 e 12 de outubro. O nível de confiança é de 95%. A margem planejada era de 2,67 pontos percentuais, com referência de 3,74 pontos considerando os pesos da amostra. Os registros na Justiça Eleitoral são RN-08411/2026 e BR-05784/2026.

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PESQUISA BG/AFFARE – PRESIDENTE X GOVERNADOR: 96,2% dos eleitores de Flávio escolhem Allyson; entre os de Lula, 80,9% votam em Cadu

Fotos: Reprodução

O cruzamento da pesquisa BG/Affare mostra que 96,2% dos eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) escolhem Allyson Bezerra (União Brasil) para governador do RN. Outros 3,8% votam em Cadu de Lula (PT).

Entre os eleitores de Lula (PT), 80,9% escolhem Cadu para o Governo do Estado, enquanto 19,1% declaram voto em Allyson.

O recorte considera somente os entrevistados que escolheram um candidato nas duas disputas. Brancos, nulos, indecisos e aqueles que dizem não votar estão fora desse cruzamento.

A pesquisa realizou 1.366 entrevistas telefônicas automatizadas no RN entre 9 e 12 de outubro, com confiança de 95%. A margem geral planejada é de 2,67 pontos percentuais, com referência de 3,74 pontos após a ponderação; ela não se aplica automaticamente aos subgrupos. Os registros são RN-08411/2026 e BR-05784/2026.

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