Audiência na Câmara Municipal de Parnamirim sobre o Dezembro Vermelho alerta para a prevenção do HIV

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Na manhã desta quinta-feira (19), a Câmara Municipal de Parnamirim realizou audiência pública alusivo à Campanha ‘Dezembro Vermelho’, mês destinado ao combate ao vírus HIV, e a prevenção da Aids. A proposição foi da vereadora Rhalessa Freire e teve o objetivo de conscientizar à população com informações pertinentes ao tema, como formas de contágio, prevenção e tratamento.

Rhalessa destacou a importância da temática e da casa legislativa promover a discussão. “Uma audiência de suma importância e de uma temática que precisa ser enfatizada também por meio de ações que possam chegar a todos os munícipes através da conscientização e informação”, ressaltou.

Na ocasião da audiência, Salineide Mafaldo, Infectologista do SAE – Serviço de Atendimento Especializado de Parnamirim, explicou o manejo clínico sobre os tipos de infecções. Ivan Soares, administrador técnico do programa IST/Aids do município apresentou dados sobre a doença e tratamentos sobre a transmissão.

“Momento muito bom para chegar à casa do cidadão, são quase 38 anos de luta para tentar entender sobre o HIV, em nome da Secretária Municipal de saúde, Terezinha Rego, agradecemos o convite. Estamos passando por uma reestruturação na saúde, e estamos buscando priorizar esse atendimento. Precisamos acabar com esse Tabu, com o preconceito.”, afirma o coordenador geral da Atenção Básica de Saúde de Parnamirim, Júnior Azevedo.

A vereadora Ana Michele, esteve presente na audiência e ressaltou a iniciativa da parlamentar Rhalessa Freire. “Gostaria de destacar sua colocação enquanto mulher, jovem, parlamentar em trazer para esta casa assuntos tão relevantes. Parabéns pela iniciativa e pelo mandato importante e participativo!”, relatou a parlamentar.

Ao final da audiência, Rhalessa agradeceu a presença de todos e reforçou a união dos poderes para a promoção de mais políticas públicas no combate e prevenção ao HIV/Aids.

O debate também reuniu demais profissionais da saúde, como psicólogos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde.

 

Câmara Municipal de Parnamirim terá homenagens e audiências sobre feminicídio e dezembro vermelho em última semana de trabalhos

Foto: Divulgação

O ano legislativo na Câmara Municipal de Parnamirim está chegando na reta final. 2019 contou com inúmeras ações dentro do calendário parlamentar, tendo como principal objetivo o bem estar e qualidade de vida do povo Parnamirinense.

E para esta última semana de atividades no legislativo, a agenda contará com sessões solenes e audiências públicas que envolvem saúde, esporte, educação e outros temas relevantes para a sociedade do município de Parnamirim.

Confira abaixo a programação:

· 16/12 às 16h – Uma preposição do vereador Thiago Cartaxo e irá homenagear três personalidades de Parnamirim que se destacam no ambiente científico e tecnológico receberão comenda do mérito.

· 18/12 às 10h – Em Sessão solene o Capitão-Tenente RMIAFN Luciano Bispo da Silva, o Sub-oficial Sérgio Marques Barreto e o 1º SGT Irisbergue Filgueira, receberão comenda do mérito ao marinheiro, proposta pelo vereador Ítalo Siqueira.

19/12 às 10h – A vereadora Rhalessa Freire fará uma audiência pública para discutir o ‘Dezembro Vermelho’ – mês alusivo de luta e prevenção do vírus HIV/AIDS.

· 19/12 às 14h – Uma audiência pública tratará sobre o feminicídio, abordando a garantia de direitos, conquistas de espaço e o triunfo da paz. O tema é uma preposição da vereadora Ana Michele.

· 20/12 às 17h30 – A vereadora Professora Nilda foi a propositora da sessão solene que concederá comenda do mérito desportivo para 18 pessoas que se destacaram nesse âmbito na cidade de Parnamirim.

Os eventos têm transmissão ao vivo pelo facebook e portal da Câmara de Parnamirim.

‘Eu tenho mais medo do preconceito do que do HIV e por isso enfrentei a PEP’

por Dinarte Assunção

A arquiteta Talita, nome fictício, parou a três passos da mesa ao ver o telefone jogado perto de uma xícara antes de perguntar:
– Não vai ter foto, não é?

Sorvi o café quente, enquanto a olhava assustada, para responder em seguida: – Não. Não vai ter foto. Ninguém saberá de nossa conversa. Sente-se. – E indiquei-lhe a cadeira imediatamente à minha frente.

– Eu ainda não acredito como você me achou – disse jogando a bolsa na cadeira à sua direita. Mais inacreditável ainda é que eu topei. – Colocou as duas mãos sobre a mesa e começou a tamborilar com os dedos sobre a tolha impecavelmente branca. – O que você quer saber?

Jovem, morena, alta, bonita. Aos 29 anos, Talita é um rosto numa multidão invisível de jovens que têm buscado cada vez mais a profilaxia pós exposição (PEP) contra o HIV, um tratamento de fortes efeitos colaterais a que muitos jovens de minha geração estão se expondo após relações sem camisinha em que acreditam terem sido expostos ao vírus que provoca a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS).

– A primeira é a pior de todas as noites. Eu me contorcia de dor no estômago sobre a cama. Eu suava muito, sentia arrepios. Tive falta de ar. Eu achei que ia morrer.

A PEP é um procedimento que deve ser feito durante 28 dias consecutivos e deve ser administrada até 72 horas após a relação de risco. Talita conta que procurou o tratamento no dia seguinte a uma relação de risco depois que soube que o homem com quem saíra na noite anterior tinha o hábito de sair com travestis.

– Quando ele me confirmou que não só saía com travestis mas que também eventualmente transava sem camisinha, eu surtei e fui para o Hospital Giselda Trigueiro – relata Talita. O hospital foi procurado para contribuir com estatísticas para essa reportagem, mas não obtivemos sucesso após uma semana de contato.

Depois de fazer um teste rápido no hospital, com resultado negativo, a arquiteta foi orientada sobre os procedimentos da PEP: por 28 dias consecutivos precisaria tomar um comprimido, o mesmo utilizado no tratamento de HIV, mas com outra finalidade: evitar a contaminação pelo vírus, caso o parceiro com quem teve relação de risco fosse portador da doença.

– Nos dias seguintes, os sintomas amenizam, mas ainda são muito desconfortáveis. Era muito angustiante. Foram os piores dias da minha vida até hoje. Eu não sei o que era pior: os efeitos físicos ou psicológicos.

Amedrontada pela perspectiva de ter se contaminado e com medo de se expor, Talita atravessou a via crucis da PEP calada.

– Perguntavam-me no trabalho o que eu tinha. Porque era muito perceptível, eu vivia calada, abatida, sempre paranoica sobre o que iria acontecer. Com constante falta de ar, com calafrios. Quando anoitecia, eu chorava ao lembrar que as dores iriam recomeçar logo mais, quando eu tomasse mais uma dose da medicação.

– Mas você não contraiu o HIV. Por que ainda tem vergonha de falar sobre esse assunto? – Perguntei a Talita, que continuava tamborilando os dedos sobre a mesa. Ela me fitou demoradamente e, cessando os movimentos dos dedos, respondeu assertiva.

– O pior do HIV, me parece, não é a doença. É o preconceito. Como eu vou explicar à minha mãe e meu filho de 10 anos que aquele junho de 2016 o que eu tinha não era uma indisposição, mas um tratamento para evitar o HIV? Eu tenho medo do preconceito mais do que da doença.

Desde então, Talita disse que jamais voltou a ter relações desprotegidas. Aprendeu a lição e conta que só topou dar a entrevista para expor como é torturante, embora necessário, fazer a profilaxia pós exposição.

– Se você teve relação de risco, não perca tempo. Procure ajuda. Conviver com a dúvida é um peso muito alto – aconselha a arquiteta.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. luna disse:

    E porque inventa de ir ter relações sexuais sem camisinha? Aposto que o uso do preservativo iria ser o bastante, ao invés desse mimimi de trauma pós PEP. Sorte sua que não contraiu o vírus, que consegui fazer o tratamento, que sirva de alerta para não dar bobeira outra vez.