Audiência na Câmara Municipal de Parnamirim sobre o Dezembro Vermelho alerta para a prevenção do HIV

Fotos: Divulgação

Na manhã desta quinta-feira (19), a Câmara Municipal de Parnamirim realizou audiência pública alusivo à Campanha ‘Dezembro Vermelho’, mês destinado ao combate ao vírus HIV, e a prevenção da Aids. A proposição foi da vereadora Rhalessa Freire e teve o objetivo de conscientizar à população com informações pertinentes ao tema, como formas de contágio, prevenção e tratamento.

Rhalessa destacou a importância da temática e da casa legislativa promover a discussão. “Uma audiência de suma importância e de uma temática que precisa ser enfatizada também por meio de ações que possam chegar a todos os munícipes através da conscientização e informação”, ressaltou.

Na ocasião da audiência, Salineide Mafaldo, Infectologista do SAE – Serviço de Atendimento Especializado de Parnamirim, explicou o manejo clínico sobre os tipos de infecções. Ivan Soares, administrador técnico do programa IST/Aids do município apresentou dados sobre a doença e tratamentos sobre a transmissão.

“Momento muito bom para chegar à casa do cidadão, são quase 38 anos de luta para tentar entender sobre o HIV, em nome da Secretária Municipal de saúde, Terezinha Rego, agradecemos o convite. Estamos passando por uma reestruturação na saúde, e estamos buscando priorizar esse atendimento. Precisamos acabar com esse Tabu, com o preconceito.”, afirma o coordenador geral da Atenção Básica de Saúde de Parnamirim, Júnior Azevedo.

A vereadora Ana Michele, esteve presente na audiência e ressaltou a iniciativa da parlamentar Rhalessa Freire. “Gostaria de destacar sua colocação enquanto mulher, jovem, parlamentar em trazer para esta casa assuntos tão relevantes. Parabéns pela iniciativa e pelo mandato importante e participativo!”, relatou a parlamentar.

Ao final da audiência, Rhalessa agradeceu a presença de todos e reforçou a união dos poderes para a promoção de mais políticas públicas no combate e prevenção ao HIV/Aids.

O debate também reuniu demais profissionais da saúde, como psicólogos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde.

 

Ministério da Saúde: 135 mil convivem com HIV no país e não sabem

Foto: Arquivo/Agência Brasil

Às vésperas do Dia Mundial de Luta Contra a Aids, celebrado no domingo (1) o Ministério da Saúde fez um alerta: 135 mil pessoas no Brasil convivem com o vírus HIV e não sabem.

Na avaliação do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, houve ganhos importantes nos últimos anos, mas ainda há uma série de desafios. ”Temos uma epidemia estabilizada em torno de 900 mil pessoas com casos de Aids, e podemos observar uma epidemia, principalmente em homens jovens, na faixa etária de 25 a 39 anos. É com essa população que precisamos trabalhar prioritariamente”, disse.

De acordo com os dados apresentados hoje (29), das 900 mil pessoas com HIV, 766 mil foram diagnosticadas, 594 mil fazem tratamento com antirretroviral e 554 mil não transmitem o HIV.

O balanço aponta ainda que o número de contaminados continua subindo no país: há um ano, eram 866 mil pessoas. Somente no ano passado, foram notificados 43,9 mil novos casos.

Ao ressaltar que o Brasil oferece acesso universal ao tratamento, não só de Aids, mas também HIV, o ministro da Saúde comemorou a redução nos casos e, também, na mortandade causada pela doença. Foram evitados quase 12 mil registros de Aids entre 2014 e 2018, e houve queda de mortalidade em 22,8% no período de cinco anos. “Encerrando o ano de 2019, veremos uma diferença ainda maior. Não podemos ter casos de morte com aids”, disse.

Campanha

A nova campanha do Ministério é direcionada à população jovem, onde a contaminação está crescendo. O foco é reforçar a importância da prevenção, testagem e tratamento: “Se a dúvida acaba, a vida continua. Precisamos incentivar o diagnóstico precoce para salvar vidas. O maior problema ainda é o medo. É importante esse incentivo para fazer o teste. Temos que atingir metas internacionais, como algumas cidades já estão fazendo. E o Brasil, da forma como está indo, ainda precisa testar 90% da população”, disse o diretor do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids, Gerson Pereira.

Até o fim do ano, o governo estima que serão distribuídos 462 milhões de preservativos, que segundo o Ministério é a forma mais eficaz de prevenção. HIV e Aids têm diferença. A primeira situação é quando a pessoa é portadora do vírus. Na segunda, o infectado já desenvolveu a doença.

Transmissão vertical

Mandetta também comemorou a informação de que o município de São Paulo receberá certificação pela erradicação vertical do HIV, quando o vírus é transmitido durante a gestação, parto e amamentação. No Paraná, as cidades de Curitiba e Umuarama foram as primeiras a serem certificadas em 2017 e 2019, respectivamente.

Agência Brasil

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Flauberto Wagner disse:

    Se o pessoal do Ministério da Saude sabe por que não avisa a estas pessoas!!

    • Marcelo disse:

      Flauber, trabalho no Hospital especializado em doenças enfectocontagiosas , e fazemos por amostragem esses dados eles tem uma credibilidade de 97,9% de acertos. inclusive hoje não existe grupo de risco, todos: (héteros,homos, trans…), são grupos de riscos, a cidade do Natal tem a cultura de sexo sem preservativo e sempre com muitos parceiros, inclusive a Bi sexualidade em natal é fato, enfim todos os dias chegam novos casos . Quando descobrimos cedo o paciente leva uma vida normal….
      Pressão Alta mata, câncer mata, pneumonia mata, todas as doenças quando não tratadas matam, com a AIDS não é diferente.
      Façam o teste, grátis no sistema SUS, ou compra na farmácia.

TJRN condena Estado a pagar R$ 30 mil a mulher que teve exame falso positivo para HIV

Foto: Reprodução

A 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do RN, por unanimidade de votos, confirmou sentença da 4ª Vara da Fazenda Pública de Natal que condenou o Estado do Rio Grande do Norte a reparar os danos morais causados a uma cidadã em razão da divulgação de exame de AIDS com resultado errado. O Estado, por meio do Laboratório Central, não se certificou de todos os cuidados necessários para a elaboração dos exames, vindo a causar um tormento na vida da autora, o que a levou a um estado emocional sensível, evoluindo para o quadro de ansiedade.

A Justiça Estadual condenou o poder público a pagar a quantia de R$ 50 mil por danos morais devidos em razão do abalo moral sofrido pela autora da Ação de Indenização por Danos Extrapatrimoniais causado pela conduta ilícita do ente estatal. Com o recurso interposto pelo Estado, os desembargadores que integram a 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça mantiveram a condenação, mas reduziram o valor para R$ 30 mil.

Veja todos os detalhes aqui no Justiça Potiguar.

 

Vacina para prevenir HIV pode estar disponível em 4 anos, mostra estudo

Foto: Pixabay

Uma vacina para prevenir o HIV, que serviria para que o próprio sistema imunológico produza anticorpos que atuem contra o vírus, pode estar disponível em quatro anos, segundo afirmou o infectologista e epidemiologista Jorge Sánchez à Agência Efe nesta terça-feira (23).

Durante a 10ª Conferência Mundial Científica sobre HIV (IAS 2019), realizada na Cidade do México, o vice-presidente do Centro de Pesquisas Tecnológicas, Biomédicas e Ambientais de Lima, no Peru, afirmou que a vacina pode ser eficaz para várias cepas do vírus.

A ideia é que, com esta nova ferramenta, seja possível frear pelo menos em 65% a propagação do HIV.

“A vacina tem insertos de várias partes que se assemelham a partes do vírus, portanto a possibilidade de ser efetiva para diferentes cepas ou tipos de HIV é alta”, explicou Sánchez, que faz parte dos pesquisadores do estudo.

Essa vacina levou 12 anos para ser desenvolvida e foi testada em macacos. Já foram realizados estudos nas fases I, IB e IIA, etapas feitas antes de avaliar a eficácia em seres humanos.

O estudo, chamado “Mosaico”, contará com pesquisadores do Instituto Nacional de Doenças Alérgicas e Infecciosas, os Institutos Nacionais de Saúde, a rede de Testes de Vacinas contra o HIV e o Comando de Pesquisa e Desenvolvimento Médico do Exército dos Estados Unidos.

Essa pesquisa, que começará em setembro, será realizada com 3.800 pessoas de Brasil, Argentina, Itália, México, Peru, Polônia, México, Espanha e Estados Unidos, em 55 clínicas ao redor do mundo. Os participantes serão homens que têm relações sexuais com homens e pessoas transgênero.

“Estamos motivados a desenvolver uma vacina efetiva contra o HIV em nível mundial para reduzir a trajetória das 1,5 milhão de novas infecções estimadas por HIV ao ano que estão ocorrendo”, afirmou Larry Corey M.D., pesquisador principal da organização HIV Vaccine Trials Network, virologista e membro da Faculdade do Centro de Pesquisa Oncológica Fred Hutchinson, em Seattle.

O especialista explicou que metade dos pacientes receberá um placebo e a outra metade a vacina dividida em quatro doses que contêm o adenovírus sorotipo 26, que fornecem antígenos contra o HIV. Esses antígenos servirão para ativar a resposta imunológica do indivíduo em relação ao vírus.

“Não é o vírus como tal, são pedaços de vírus modificados que identificarão o HIV e o combaterão para que não chegue a lugar algum do corpo”, acrescentou Sánchez.

De acordo com Sánchez, a vacina já foi testada em alguns centros em fases prévias “e teve resultados sem maiores efeitos indesejáveis”. O especialista afirmou que a vacina será uma ferramenta a mais para prevenir o HIV, e não substituirá outros métodos.

“Existem várias ferramentas para prevenir o HIV. Temos a camisinha há décadas, mas na implementação não é usada de maneira suficiente, e esta vacina seria uma ferramenta adicional”, comentou.

O estudo e o desenvolvimento da vacina são patrocinados pela farmacêutica Janssen. Embora a expectativa seja de resultados claros sobre a sua eficácia em quatro anos, ainda não há uma previsão de quando a vacina chegará ao público em geral.

R7, com EFE

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Lucio disse:

    Ainda vai demorar 4 anos? Pode ser ignorância minha, mas acredito que se não fosse a industria farmacêutica por trás, a gente já tinha a cura da AIDS, Gripe, Câncer. Quando você gripa, você toma uma "reada" de remédio para melhorar, a AIDS, você toma também, o Câncer você tem medicações caríssimas para combater. Somos tão inteligente para ir a lua, por que não descobrimos as cura dessas doenças?

Cientistas apontam 2º paciente com HIV curado após transplante

Foto: Thinkstock

Cientistas consideram que um londrino, que está em remissão do HIV há um ano e meio, é o segundo paciente no mundo com o vírus a ser curado, 12 anos depois do primeiro, segundo veículos de imprensa dos Estados Unidos.

Divulgado na segunda-feira (4) pela revista britânica Nature, o caso é “prematuro demais” para se declarar oficialmente curado, mas os especialistas falam abertamente de “cura” em entrevistas, após um ano e meio sem tomar medicamentos anti-HIV, segundo o jornal The New York Times.

O HIV do “Paciente de Londres”, que permanece em anonimato, começou sua remissão como consequência de um transplante de medula óssea cujo objetivo era tratar o câncer que também sofria.

O caso é quase idêntico ao de Timothy Brown, conhecido nos meios médicos como “Paciente de Berlim”, que em 2007 foi o primeiro paciente declarado curado do HIV.

Nos dois casos, as cédulas ósseas que receberam vieram de doadores com um gene CCR5 disfuncional. Outros pacientes de HIV que receberam transplantes de cédulas com o gene CCR5 funcional, tiveram melhora e ficaram meses sem medicação, mas o vírus retornou.

A cura desse segundo paciente seria de vital importância, já que o “Paciente de Berlim” deixaria de ser mais um caso isolado.

“Ninguém duvidava da veracidade sobre o ‘Paciente de Berlim’, mas era um só paciente. E qual das muitas coisas que foram feitas contribuíram para a aparente cura? Não estava claro que se pudesse repetir”, disse ao jornal The Washington Post, o chefe do setor de doenças infecciosas do Hospital Brigham and Women’s, de Boston, Daniel Kuritzkes.

Embora seja improvável que os transplantes de medula óssea sejam estabelecidos como tratamento para o HIV por causa do risco que carregam, células imunes semelhantes poderiam ser usadas, dizem os especialistas.

“Isso motivará as pessoas de que a cura não é um sonho. É alcançável”, disse ao NYT a médica Annemarie Wensing, virologista do Centro Médico Universitário de Utrecht, na Holanda.

Em declarações ao jornal nova-iorquino, o “Paciente de Londres” considerou “surreal” e “arrasador” que um apenas transplante tenha lhe curado do câncer e HIV.

“Sinto-me responsável por ajudar os médicos a entender como isso aconteceu para que eles possam desenvolver a ciência”, afirmou. “Eu nunca pensei que haveria uma cura durante a minha vida”, acrescentou.

EFE

 

O médico brasileiro que busca a cura definitiva do HIV combinando tratamentos e vacina personalizada; conseguiu superar obstáculos e eliminar completamente o vírus do organismo de 2 pacientes na 1ª fase

Getty Images/BBC BRASIL

Há seis anos, o infectologista Ricardo Diaz devota a maior parte do tempo do seus dias à solução de um problema global: a infecção pelo vírus HIV. E ele pode estar chegando mais perto da cura, conforme indicam os resultados preliminares de seu experimento, obtidos pela BBC News Brasil.

Diaz, que é pesquisador da Escola de Medicina da Unifesp, lidera um estudo que, no último ano, conseguiu erradicar completamente o vírus HIV de duas pessoas soropositivas, segundo os resultados.

Agora, elas estão sendo acompanhadas para ver como seu organismo reage sem o tratamento experimental.

O estudo ainda não foi publicado, mas será apresentado na íntegra, pela primeira vez, no Congresso Internacional de Aids, o mais importante do mundo sobre o tema, que acontece na Holanda a partir desta segunda-feira.

A infectologista Melissa Medeiros, especialista em HIV e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, diz que a pesquisa é “extremamente promissora” e “traz esperança, acima de tudo”. No entanto, ela afirma que é preciso avançar nos testes para saber qual seria o impacto do tratamento nas pessoas.

“Quando se fala de algo assim, as pessoas já acham que a cura chegou. Mas é importante saber que há um tempo de pelo menos cinco a 10 anos até as pesquisas chegarem à população. É preciso bastante tempo até sabermos se a pesquisa será mesmo bem-sucedida e se é segura”, disse à BBC News Brasil.

Impedindo a volta do vírus HIV

O tratamento contra o HIV disponível atualmente no Sistema Único de Saúde (SUS) é um coquetel de três medicamentos que inibe o máximo possível a reprodução do vírus no corpo, enquanto mantém o sistema imunológico atuante e protege contra infecções oportunistas.

O HIV, no entanto, não é completamente eliminado do organismo, e pode voltar.

A equipe de pesquisadores brasileiros fez uma combinação de medicamentos já utilizados em todo o mundo com mais duas substâncias ainda não usadas neste tipo de tratamento e vacinas personalizadas, feitas com base no DNA de cada participante.

“É a primeira vez no mundo que alguém experimenta esse tratamento específico que fizemos, e a primeira vez que temos resultados tão positivos na primeira etapa. Estamos dando mais um passo na direção da cura”, afirmou Diaz à BBC News Brasil.

Em 2015, um estudo dinamarquês combinou um medicamento usado no tratamento de câncer com o coquetel antirretroviral e uma vacina baseada em DNA e conseguiu eliminar os reservatórios do vírus HIV no organismo de pacientes por alguns meses.

Desde então, outros testes do tipo têm sido feitos na Espanha, na Grã-Bretanha, na Noruega, na Alemanha e na Itália, e começam a ocorrer nos Estados Unidos.

A primeira etapa do estudo de Diaz – feito com 30 pessoas – foi finalizada. Apenas cinco delas receberam a combinação completa de tratamentos, e entre elas, duas parecem estar livre do vírus, de acordo com os exames. Este grupo deve ser expandido para pelo menos 50 pessoas até o fim do ano.

Qual o objetivo do novo tratamento?

O tratamento proposto pelos pesquisadores brasileiros quer chegar à “cura esterilizante”, que é a eliminação completa do vírus, sem a possibilidade de que ele volte a se replicar – algo que atualmente pode ocorrer se o soropositivo para de tomar o coquetel.

“Atualmente, nós tratamos a pessoa, o vírus morre, paramos de tratar, e o vírus volta. Isso ocorre porque o vírus continua se multiplicando no corpo da pessoa mesmo com o tratamento eficiente”, explica o infectologista

De acordo com Diaz, a cura total de pacientes com HIV enfrenta três grandes obstáculos – o fato de que o vírus continua se replicando no corpo mesmo com o coquetel, que apenas mantém essa replicação baixa; o fato de que o vírus fica latente, ou seja, “adormecido”, e pode voltar à atividade de maneira aleatória; e a existência dos “santuários”, locais do corpo humano onde os medicamentos são pouco distribuídos e o HIV pode continuar se desenvolvendo.

“O que fizemos foi combinar tratamentos que pudessem superar todas estas barreiras”, afirma.

Foto: Arquivo pessoal /BBC BRASIL

Como funcionaram os testes

O estudo foi feito inicialmente em 30 pacientes, divididos em grupos de cinco pessoas. Cada um deles experimentou uma combinação diferente, e o último grupo usou todos os tratamentos em conjunto.

Além do coquetel antirretroviral, eles usaram a nicotinamida, ou vitamina B3, um suplemento alimentar que é vendido em farmácias, mas nunca foi usado contra o vírus HIV. Ele “acorda” as células com o vírus latente no corpo.

A pesquisa usou também o sal de ouro, medicação usada para tratar doenças como artrite que não chega a despertar as células com HIV, mas as leva a um “suicídio”, explica Diaz.

E, para eliminar os “santuários” de vírus no organismo dos pacientes, os pesquisadores desenvolveram, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), uma complexa vacina personalizada, que faz com que o sistema imunológico volte a reconhecer o vírus dentro do corpo, encontre esses santuários e mate o vírus.

“Desenhamos, de acordo com o perfil genético da pessoa, o pedacinho do vírus que seria importante pra despertar o seu sistema imunológico”, diz o infectologista.

Nas cinco pessoas do grupo 6, que fizeram o tratamento completo, a quantidade de vírus diminuiu mais do que em todas as outras. E em duas delas, o vírus sumiu completamente das células.

“Agora estamos estudando como fazer a interrupção desse tratamento, para ver se elas permanecem sem o vírus por mais tempo. Depois, vamos expandir o estudo.”

A cura do HIV está próxima?

O primeiro homem considerado curado do HIV no mundo, o americano Timothy Ray Brown, foi declarado livre do vírus em 2006 após receber a medula óssea de um doador com uma mutação genética rara, que o tornava imune ao vírus.

Brown precisou do transplante porque ele tinha leucemia. Em 2008, a doença voltou e ele teve que fazer um segundo transplante de medula. No entanto, continuou completamente livre do HIV.

Mas, segundo os especialistas, isso não quer dizer que um transplante de medula resolveria os casos de todas as pessoas que são soropositivas no mundo – cerca de 37 milhões em 2017, segundo a ONU.

“Timothy Brown é um caso raro e bastante específico, porque ele teve a sorte de encontrar um doador de medula com uma mutação genética raríssima que faz com que as células de defesa do corpo não tenham um receptor que pode se ligar ao vírus HIV”, explica Melissa Medeiros.

“Mas esse tipo de transplante tem um índice de 50% de mortalidade. Não é uma opção terapêutica para todas as pessoas que têm HIV.”

Por isso, nos últimos anos, cientistas de todo o mundo têm investido em pesquisas como a feita por Diaz, em que pessoas que já estão em tratamento para controlar o vírus recebem medicamentos extra e uma vacina específica.

Foto: Mesmo com tratamento, vírus pode ficar escondido em “santuários” dentro do organismo, áreas onde o medicamento não chega

Getty Images/BBC BRASIL

“Ser portador do HIV é viver em silêncio, porque as pessoas sentem que não podem contar para a família nem para os amigos, vivem com medo de novos relacionamentos, de como a sociedade vai aceitá-los no trabalho, etc. A cura ainda pode demorar um pouco, mas é realmente essencial”, diz Melissa Medeiros.

Necessidade de investimento na prevenção da Aids

Mas, para a epidemiologista Lígia Kerr, que produz estudos sobre HIV para o Ministério da Saúde, é preciso mais do que um tratamento médico para resolver o problema da Aids no mundo.

“Os avanços tecnológicos no tratamento e na cura da Aids são muito bem vindos, mas não são somente eles que vão controlar a situação. Se você tem um tratamento super caro e governos que não estão mais querendo investir na saúde, fica difícil”, disse à BBC News Brasil.

É necessário, segundo Kerr, um pacote que inclua prevenção, educação sexual, campanhas com populações mais vulneráveis e tratamento médico, para impedir que o vírus circule.

“Alguns pesquisadores como eu não acreditam nesta cura total da Aids, porque alcançar isto não envolve só medicação, mas comportamento, comprometimento com o outro, uso do preservativo, investimento dos governos”, diz.

“Tentamos eliminar completamente outras doenças há anos e não conseguirmos. Por exemplo, a hanseníase. É uma doença tratável, mas, se você não tratar todo mundo, não tem jeito. Você ainda terá o bacilo infectando outras pessoas.”

Se for bem-sucedido, o tratamento para curar o HIV seria muito caro?

Diaz afirma que uma vacina personalizada para cada paciente soropositivo no Brasil – e no mundo – seria muito custosa, ainda que ele não tenha uma estimativa real do valor gasto em sua pesquisa até agora. Mesmo assim, ele se diz otimista.

“Há outras coisas na saúde que são caras, mas, quando viram praxe, são feitas mais rapidamente. Temos vários exemplos disso na medicina.”

Para Melissa Medeiros, o alto custo do tratamento poderia ser compensado em sua escala de produção, caso os resultados finais da pesquisa signifiquem, de fato, uma cura definitiva.

“Hoje o governo já comprou algumas batalhas como essa, como a da Hepatite C. O tratamento cura quase que 100% das pessoas, e não é barato. Custa em torno de R$ 100 mil a R$ 300 mil por paciente, mas o Ministério fornece gratuitamente.”

A polêmica do estudo feito somente com homens

Para fazer parte do estudo da Unifesp, era necessário que os soropositivos fossem todos maiores de 18 anos e do sexo masculino, o que significa que os pesquisadores ainda não sabem como o tratamento pode funcionar em mulheres. Por essa razão, Diaz admite que foi “muito criticado”.

“Não é uma coisa correta fazer essa discriminação. Temos que investigar para todos os indivíduos. Mas tive uma intuição de que, nesse momento, seria mais seguro fazer só com homens”, diz.

“Achei que para alguns medicamentos poderia haver mais efeitos colaterais nas mulheres. Mulheres às vezes engravidam e não sabíamos o que essa combinação poderia fazer. Mas já está no plano incluir mulheres na próxima etapa. Como vimos que a associação de medicamentos não causou mal detectável, então ficamos mais seguros.”

Segundo o infectologista, tratamentos experimentais contra o vírus HIV geralmente têm 75% de pacientes homens e 25% de mulheres, que costumam ser infectadas em menor número.

No entanto, seu estudo deve obedecer a nova diretriz na comunidade científica de ter o mesmo número de mulheres e homens.

R7, com BBC Brasil

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. gorete disse:

    Deus haverá de permitir, isso basta!

  2. Patricia disse:

    Amém…. mas concordo com o comentário acima! A indústria farmacêutica não vão deixar!!!

  3. Guilherme disse:

    Infelizmente vão arquivar porque a indústria farmacêutica no mundo é muito forte e elas ganham muito dinheiro com remédios que não curam, é a mesma coisa do câncer, esse tempo todo que existe o câncer voces acham mesmo que já não descobriram a cura, claro que sim, mais corre muitos bilhões de dinheiro com remédios e tratamento apenas para minimizar o sofrimento

AINDA MAIS SIGILO: Farmácias de Natal passam a vender teste rápido de HIV

por Dinarte Assunção

Já está sendo comercializado na rede de farmácias de Natal o teste rápido de HIV, até então disponível apenas na rede pública e feito com supervisão de profissionais, o que inibia, por medo ou vergonha, muitas pessoas de realizá-lo.

Em levantamento em algumas drogarias, o blog detectou que o preço do teste tem média de R$ 80,00.

O exame, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em maio, detecta a presença dos anticorpos contra o vírus HIV a partir da coleta de gotas de sangue.

O exame traz o dispositivo de teste, um líquido reagente, uma lanceta para furar o dedo, um sachê de álcool e um capilar (tubinho para coletar o sangue) e o resultado demora de 15 a 20 minutos para sair.

O recomendável é que o teste só seja feito após 30 dias depois da relação de risco, tempo em que o corpo produz anticorpos contra o HIV.

Medicamento que imuniza contra o HIV deverá chegar a Natal em 2018, estima SMS

por Dinarte Assunção

Tem o nome comercial de Truvada a panaceia contra o HIV a que está se submetendo quem quer adquirir formas de se imunizar contra o vírus causador da AIDS.

Ao contrário da PEP, a chamada profilaxia pré exposição (PrEP) serve para evitar que se contraia o vírus. Na prática, quem faz PrEP e transa sem camisinha com quem tem HIV não contrai o vírus. O tratamento, no entanto, não deve ser encarado como estímulo para dispensar o preservativo em razão dos riscos que ainda envolve.

O Truvada, ao contrário da camisinha, não protege de outras infecções transmitidas pelo sexo, como a gonorreia e as hepatites, para citar apenas alguns exemplos. Por isso, o Truvada não deve ser usado como um substituto do preservativo e, sim, como um método adicional de prevenção do HIV
A medicação começou a ser distribuída no SUS para grupos de riscos neste ano.

Em Natal, a Secretaria Municipal de Saúde estimou ao Blog do BG que deve estar disponível a partir do segundo semestre de 2018.

PrEP, assim como a medicação contra o HIV, deve ser tomada todos os dias. Os estudos indicam que a partir da primeira semana, o nível de imunização do organismo contra o vírus da AIDS já se eleva.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. David disse:

    Já vou procurar tomar o meu… #áreadasaude #gay #eu

Bebê pode ter sido curada do HIV após tratamento nas primeiras horas

Uma menina nascida com o vírus da aids mantém-se sem sinais da infecção 11 meses depois de ter sido submetida a tratamento com antirretrovirais. É o segundo caso conhecido no mundo, segundo as agências de notícias internacionais.

Nascida no subúrbio de Los Angeles, nos Estados Unidos, em abril do ano passado, a menina recebeu tratamento com antirretrovirais quatro horas depois de ter nascido. Quase um ano depois, não tem sinais da infecção e os médicos estão otimistas, apesar de não afastarem a possibilidade de o HIV voltar ou estar oculto nos tecidos, dizem as agências.

Trata-se do segundo caso idêntico no mundo, depois de, no ano passado, ter sido anunciado que um bebê norte-americano recebeu tratamento nas primeiras horas de vida. Agora com 3 anos, a menina parece estar livre do vírus.

O caso mais recente, apresentado hoje (6) durante uma conferência científica em Boston, é recebido pelos médicos com otimismo, sobretudo pela rapidez do desaparecimento do vírus.

“O que é mais notável em relação a este bebê é a rapidez com que o vírus desapareceu, os testes de DNA estavam negativos quando tinha seis dias e continuaram negativos despois”, disse Yvonne Bryson, professora de pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia.

Agência Brasil

AVANÇO: Cientistas conseguem remover vírus HIV das células de ratos

rato-de-laboratorioBiomédicos da Universidade Técnica de Dresden, na Alemanha, conseguiram curar vários ratos com HIV a partir de um novo método que utiliza uma enzima capaz de eliminar o vírus no DNA das células infectadas. Segundo o estudo, a iniciativa alcançou resultado positivo em mais de 90% dos casos. O passo seguinte é realizar testes em seres humanos, informa a publicação cientifica “The Local”.

Segundo o chefe da seção de estratégia antiviral do “Heinrich Pette Institute”, órgão parceiro na elaboração do trabalho, existem várias abordagens que trabalham com esse objetivo, mas a única que conseguiu a remoção total do vírus foi esta.

A técnica consiste na aplicação de uma enzima nas células-tronco retiradas após uma amostra de sangue ser colhida. Ela é responsável pela alteração do DNA. Assim, as células autoimunes geneticamente modificadas podem se reproduzir e eliminar o vírus nas células infectadas.

A equipe de Dresden conseguiu criar a enzima por meio de processos de mutação e seleção. Os pesquisadores a manipularam de modo que ela pudesse identificar o HIV e removê-lo dentro de uma sequência de DNA.

Sobre a possibilidade da técnica funcionar em seres humanos, o cientista aponta que a resposta só virá após uma série de testes clínicos. Para isso, é preciso captar recursos para as novas fases do projeto.

De acordo com o líder da equipe que fez a pesquisa na Universidade de Dresden, Frank Buchholz, se todas as etapas forem cumpridas conforme o grupo planeja, em cerca de 10 anos a técnica poderá estar pronta para ampla utilização.

Para o Presidente da Sociedade Alemã de combate à Aids, Jürgen Rockstroh, a pesquisa representa uma nova esperança de cura. Mas, para que a esperança vire realidade, a técnica precisa antes ser comprovada.

O Globo

Teste rápido de HIV deve ser vendido nas farmácias a partir de fevereiro de 2014

Para facilitar o diagnóstico do HIV e antecipar o tratamento de pessoas que podem desenvolver a aids, o Ministério da Saúde deve autorizar a venda, em farmácias, de um teste rápido para detectar o vírus, a partir de fevereiro de 2014. Produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o exame é feito em 20 minutos, com coleta de saliva pela própria pessoa, e deverá custar R$ 8.

A informação foi confirmada pelo diretor do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do ministério, Fábio Mesquita, durante evento hoje (1°), Dia Mundial de Luta contra a Aids, no Rio de Janeiro. Na ocasião, o governo federal anunciou a antecipação do tratamento para pessoas com o HIV. Antes, somente pacientes com a doença desenvolvida recebiam medicamentos.

De acordo com o diretor, o teste rápido de HIV tem duas vantagens: “Uma delas é a confidencialidade. A pessoa vai à farmácia pega o teste e faz em casa, sem precisar ver um agente de saúde e dividir isso com ninguém. A segunda vantagem é a rapidez, não tem fila, não precisa ir ao posto, não precisa esperar o tempo que leva [para sair] o resultado de um exame normal”, esclareceu Mesquita.

Ao disponibilizar o teste rápido de HIV, vendido na internet por um laboratório americano por cerca de R$ 160, o ministério pretender iniciar o tratamento mais cedo e melhorar a qualidade de vida de pessoas com HIV, além de reduzir em cerca de 96% o risco de contágio, principalmente para parceiros fixos ou durante a gestação, quando o vírus pode passar da mãe para o bebê.

Dados do ministério apontam que cerca de 150 mil pessoas, de um total de 700 mil estimadas com a doença, não sabem que têm o vírus HIV. No Brasil, embora a prevalência de pessoas convivendo com o vírus seja considerada baixa para o conjunto da população (0,4%), a infecção é alta entre meninas entre 14 e 19 anos e meninos gays, de acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Segundo Padilha, grande parte dos casos de detecção de HIV em meninas ocorre durante o pré-natal. “Nessa faixa etária tem muita gravidez na adolescência, em situação vulnerável, por isso, descobrimos mais meninas que homens [com o vírus]”, disse. “Elas engravidam já infectadas”, reforçou. Os jovens são público-alvo da campanha contra a aids lançada hoje (1°).
AIDS
Agência Brasil

ALERTA: Nova forma mais agressiva do HIV causa aids mais rápido

Estocolmo – Uma nova variedade mais agressiva do vírus HIV descoberta na África Ocidental causa uma progressão mais rápida da síndrome da imunodeficiência adquirida (aids), declararam nesta terça-feira pesquisadores suecos da Universidade de Lund.

A nova variedade do vírus causador da aids, chamada A3/02, é uma fusão de duas cepas muito comuns do vírus, encontrado em Guiné-Bissau em estudos de longo prazo acompanhando pessoas soropositivas no país. Até agora, a nova cepa foi encontrada somente na África Ocidental.

“Indivíduos infectados com o novo tipo do vírus desenvolvem aids dentro de cinco anos, o que é cerca de dois anos a dois anos e meio mais rápido do que a doença causada por uma das cepas que deram origem”, disse a cientista responsável pelo estudo Angélica Palm.

Vírus recombinantes têm origem quando uma pessoa é infectada por duas formas diferentes, cujo DNA se funde para criar um novo tipo. “Estudos mostram que sempre que há um recombinante, ele parece ser mais agressivo do que as cepas parentais”, diz Palm no estudo publicado no Journal of Infectious Diseases.

Segundo os pesquisadores, a velocidade com que a A3/02 leva as pessoas adoecerem não tem impacto sobre a eficácia dos medicamentos. “Até onde sabemos, os medicamentos disponíveis hoje no mercado funcionam igualmente para todas as formas do vírus HIV”, explica Palm.

O estudo adverte que tais cepas recombinantes podem estar se espalhando com velocidade, especialmente em regiões com altos níveis de imigração, como Europa e Estados Unidos.

A nova forma de vírus foi descoberta em 2011 pelo grupo sueco em Guiné-Bissau.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 35,3 milhões de pessoas pelo mundo são infectadas pelo HIV, que destrói o sistema imunológico e causou mais de 25 milhões de mortes desde seu surgimento, no início dos anos 1980. Fonte: Dow Jones Newswires.

Exame

Vacina brasileira contra o HIV começa a ser testada em macacos

 08_21_19_398_fileComeçaram nesta semana os testes em macacos da vacina contra o HIV, que está sendo desenvolvida pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em parceria com o Instituto Butantan. Os quatro animais começaram a ser imunizados com a vacina que contém partes do vírus. Depois, os macacos receberão um vírus modificado que causa o resfriado como parte dos estudos para desenvolver o imunizante.

Segundo Edecio Cunha Neto, um dos pesquisadores responsáveis por conduzir o projeto, o diferencial da vacina é usar partes do vírus que não se alteram.

— Um dos grandes problemas de se fazer uma vacina contra o HIV é que ele é hipervariável. Nos componentes que nós escolhemos para colocar na vacina estão somente as regiões mais conservadas do vírus, ou seja, aquelas que não variavam de um HIV para o outro.

Além de ter pouca variação, as partes do vírus foram selecionadas por provocarem forte reação no organismo da maioria das pessoas.

— Nós fizemos o que chamamos de desenho racional, para embutir dentro da nossa vacina mecanismos para que ela fosse capaz de dar uma resposta que funcionasse para os HIVs mais variados possíveis e que funcionasse em um número grande de pessoas.

Após os testes com os quatro animais, serão feitos experimentos com um grupo de 28 macacos e três tipos de vírus diferentes, todos modificados com partes do HIV.

— As combinações desses três vírus são, até hoje, as melhores combinações para gerar respostas imunes potentes em primatas. Então, o que a gente vai fazer é escolher, de quatro combinações diferentes, aquela que deu resposta mais forte. E usar essa combinação para teste em humanos.

Caso seja bem sucedida, a vacina vai aumentar a reação dos imunizados ao vírus, diminuindo a capacidade de transmissão e melhorando a qualidade de vida do paciente.

— O que ela vai fazer é reduzir muito a quantidade de vírus, matar as células que estão infectadas. Mas ela dificilmente vai erradicar a infecção. Vai bloquear a transmissão para outra pessoa, porque a quantidade de vírus vai ser muito baixa.

Atento aos recentes protestos contra o uso de animais em pesquisas, que levaram inclusive ao fechamento de um instituto no interior paulista, Cunha fez questão de dizer que os animais são bem tratados.

— Os animais neste estudo não sofrem de maneira nenhuma. Até mesmo para o procedimento de colher sangue ou vacinar, eles estão anestesiados.

O pesquisador defendeu ainda o uso de animais em experimentos.

— Não é possível substituir um teste com animais por um teste de cultura ou teste de laboratório mais simples. O teste em animais vai observar a repercussão de uma nova vacina, uma nova droga, no organismo inteiro.argumentou.

R7

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Rafael Vale disse:

    Acho que essas vacinas deveriam ser testadas naqueles atividas que quebraram o laboratório e soltaram os cachorros beagles.
    Alias, todos os testes de medicamentos feitos em macacos, ratos e cachorros deveriam ser testados nesses ativitas.

HIV poderá ser combatido com auxílio de nossos próprios genes no futuro, indica pesquisa

1383005_481753905255161_231564478_nOs nossos próprios genes podem guardar a chave para o futuro das terapias contra a Aids. Com o auxílio de supercomputadores, um grupo de cientistas suíços analisou os genomas de cepas do vírus HIV e de indivíduos soropositivos e chegou ao primeiro mapa da resistência do corpo humano contra a doença. Eles acreditam que a descoberta poderá permitir a criação de tratamentos mais individualizados.

— A possibilidade de adaptar o tratamento ao genoma de cada pessoa com HIV é muito animador, pois assim é possível atingir a máxima eficiência e a mínima toxicidade para que os pacientes vivam uma vida normal — afirmou ao GLOBO o coautor do estudo, Jacques Fellay, professor da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL). — A identificação de variações genéticas humanas que são capazes de combater com mais força o vírus é, portanto, essencial para otimizar as estratégias terapêuticas.

O genoma do vírus

O vírus HIV ataca as células do sistema imunológico, destruindo os glóbulos brancos (linfócitos T CD4+). Com isso, o sistema de defesa vai perdendo a capacidade de responder aos agentes infecciosos e se tornando mais vulnerável. Todos os infectados pelo vírus desenvolvem estratégias de defesa, e alguns até conseguem manter o vírus sob controle sem nenhuma terapia por longos períodos.

No entanto, o genoma do vírus também se modifica numa taxa de milhões de mutações por dia. Esta verdadeira batalha do sistema imune deixa suas marcas dentro do patógeno, ou seja, as mutações genéticas indicam que o vírus reagiu aos ataques do seu hospedeiro. Cientistas da EPFL e do Centro Hospitalar Universitário Vaudois (UNIL-CHUV), da Suíça, refizeram toda a cadeia de eventos desta briga, do genoma do vírus ao genoma da vítima, para chegar ao que eles chamaram de mapa da resistência humana ao vírus.

— Nós agora temos um verdadeiro banco de dados que nos diz qual variação genética humana vai induzir a que tipo de mutação no vírus — explicou Amalio Telenti, outro coautor e pesquisador do UNIL-CHUV.

Telenti diz que o banco de dados fornece uma visão geral das partes do vírus que são alvo da imunidade. Ele distingue as partes onde haverá danos ao vírus daquelas em que o efeito das nossas defesas é facilmente compensado. O trabalho foi publicado na revista científica “eLife”.

— Os dados são importantes, principalmente, para aqueles que trabalham no desenvolvimento de vacinas. A razão é que assim é possível identificar os melhores lugares para atacar o vírus — acrescentou.

Quando o organismo não tem mais forças para combater os agentes externos, a pessoa adoece com facilidade e é quando se diz que ela tem Aids. É geralmente este momento que marca o início do tratamento com os medicamentos antirretrovirais, que combatem a replicação do vírus e o consequente avanço da doença. Os pesquisadores usaram informações de pacientes antes de passarem por este tratamento, exatamente para entender a resposta do corpo sem nenhuma interferência.

Portanto, tiveram que pesquisar bancos de dados das décadas de 1980 e de 1990, antes do início da terapia antirretroviral. Ao todo, eles analisaram várias cepas do HIV em 1.071 indivíduos soropositivos e cruzaram mais de três mil mutações no genoma viral com mais de seis milhões de variações nos genomas dos pacientes.

— Nossa esperança é que esta descoberta apresentada hoje poderá contribuir para melhores estratégias contra o HIV, incluindo o tratamento, mas também o desenvolvimento de uma vacina. Na verdade, a natureza nos mostra o caminho para a atenuação da virulência do HIV. Devemos agora tentar imitar o efeito das variantes genéticas humanas que reduzem a virulência do HIV em pacientes — disse Jacques Fellay.

Antirretrovirais ainda eficientes

Os antirretrovirais continuam a ser a principal arma contra o HIV, permitindo que mais indivíduos infectados tenham vidas relativamente normais e expectativa de vida aumentada, embora não curem a doença.

— O tratamento com antrretrovirais funciona muito bem, mas requer uso prolongado. Isto é problemático em termos de toxicidade, além de ter um impacto financeiro grande no sistema de saúde. Há muita ênfase hoje em soluções como as vacinas, e também em novos medicamentos para “erradicar” o vírus para que possamos, eventualmente, parar este tratamento — assinalou Telenti.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 9,7 milhões de soropositivos receberam o tratamento até o fim de 2012. Destes, 630 mil eram crianças. Segundo o órgão, o número é 20% maior na comparação com 2011 (oito milhões de pessoas).

Ao todo, 25 milhões de pessoas morreram nas últimas três décadas. Até o ano passado, eram 35 milhões vivendo com HIV. No Brasil, de 1980 a junho de 2012, 656.701 casos de Aids foram registrados, de acordo com o Ministério de Saúde, que distribui antirretrovirais a pacientes. Em 2011, foram notificados 38.776 casos da doença, e a taxa de incidência de Aids no Brasil foi de 20,2 casos por 100 mil habitantes.

O Globo

Homem que tentou contaminar mais de 300 pessoas com o vírus HIV pode pegar perpétua

313Promotores do Missouri, EUA, estão acusando um americano de um crime chocante. Segundo os relatos, ele escondeu de seu parceiro e de pelo menos 300 pessoas que é portador do HIV, vírus que provoca a AIDS.

David Mangum disse à polícia que ele teve centenas de encontros sexuais sem nenhum tipo de proteção com centenas de pessoas que conheceu pela internet ou em parques desde o dia em que foi diagnosticado com HIV, em 2003.

Os investigadores dizem que vai ser difícil ou impossível ir atrás dessas pessoas para alertá-las sobre o fato de existir a possibilidade de estarem contaminadas porque o acusado apenas sabe o primeiro nome de algumas.

O juiz estipulou a fiança no valor de R$ 500.000 reais para soltá-lo da cadeia. Mangum tem 36 anos e comentou que 60% dos seus parceiros sexuais moram na cidade de Stoddard County.

No Missouri, expor alguém ao vírus do HIV sem o seu consentimento é um crime que pode ocasionar 15 anos de prisão. Caso alguma das 300 pessoas tenha contraído o vírus, ele pode ser condenado à prisão perpétua.

Jornal Ciência

Castigo: Estuprador pode ter contraído HIV de uma das suas vítimas

estu_3O britânico Richard Thomas, condenado a cinco anos e quatro meses de prisão na última segunda-feira (2) por estupro, pode ter sido contaminado pela vítima soropositiva, diz o jornal Daily News. O resultado dos exames deve sair na sexta-feira.

Segundo policiais, ao ser informado sobre essa possibilidade, durante o interrogatório, Thomas entrou em choque e pediu para ser levado para fazer os testes.

O homem confessou ter invadido a casa da vítima na noite do dia 20 de julho e cometido o estupro. Apesar de não se lembrar do fato por estar sob efeito de álcool, cocaína e ecstasy, ele diz que “a mulher não iria mentir, ela diz a verdade. Se ela diz que eu fiz isso, eu fiz isso”, de acordo com a advogada Virginia Hayton.

Estuprador e vítima já se conheciam, entretanto, Thomas afirma não saber que ela é portadora do vírus HIV. “Mas isso tudo é culpa dele. Se ele não tivesse cometido o abuso, não teria se colocado nessa posição”, completa a advogada.

Folha do Sertão e O Globo