Saúde

Esquizofrenia é um dos principais fatores de risco para a Covid-19, diz estudo

Foto: Freepik/Reprodução

Pacientes que sofrem de esquizofrenia têm 2,7 vezes mais chances de morrer de Covid-19, segundo novo estudo publicado na revista JAMA Psychiatry. Com esses resultados, o diagnóstico do transtorno mental pode ser um dos agravantes mais relevantes para a progressão da infecção, atrás somente do fator idade.

Na pesquisa, cientistas analisaram dados de mais de 7.300 pacientes diagnosticados com Covid-19 e tratados em hospitais de Nova York, EUA. Os pacientes que não tinham nenhum diagnóstico de transtorno mental serviram de grupo de controle; já os restantes foram divididos em três grupos: aqueles com problemas no espectro da esquizofrenia, os com diagnóstico de algum transtorno de humor (como depressão ou transtorno bipolar) e, por fim, os pacientes com ansiedade.

Os dados dos voluntários foram ajustados de acordo com vários fatores conhecidos por influenciar na progressão de infecções por Covid-19: sexo, idade, raça e outras comorbidades (como diabetes, doenças cardíacas, câncer e doenças crônicas). Entre os pacientes com algum diagnóstico de transtorno mental, havia 75 pessoas com histórico de esquizofrenia, 564 tinham histórico de transtorno de humor, e 360 sofriam transtorno de ansiedade. Os grupos foram acompanhados por 45 dias.

Comparando os resultados clínicos dessas pessoas com os pacientes sem histórico de transtornos mentais, a equipe não encontrou diferença significativa causada pelos transtornos de humor ou de ansiedade. No entanto, eles verificaram que aqueles com esquizofrenia tinham cerca de 2,7 mais chances de morrer do que os pacientes do grupo controle.

É um número muito significativo – possivelmente o segundo fator mais impactante para a mortalidade da doença depois da idade, segundo os pesquisadores. Em termos de comparação, pacientes com idades entre 45 e 54 anos tinham 3,9 vezes mais chance de morrer de Covid-19 do que pacientes mais jovens, independente se tinham ou não transtornos mentais. A cada 10 anos de idade após os 54, esse risco dobrava. Já pacientes com problemas cardíacos ou diabetes tiveram um risco 1,65 e 1,28 vezes maior de morrer, respectivamente.

A esquizofrenia é um transtorno mental crônico que afeta cerca de 23 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde. Ela é caracterizada por distorções no pensamento, percepção, emoções, linguagem, comportamento e podem incluir alucinações e/ou delírios.

O diagnóstico de esquizofrenia e outros transtornos psiquiátricos já havia sido associado com uma maior chance de contrair Covid-19 em estudos anteriores, mas nenhum outro trabalho havia analisado o impacto desses transtorno na letalidade da doença.

Não se sabe exatamente o que causa esse maior risco de morte em pacientes com esquizofrenia. Sabe-se que pessoas diagnosticadas com o transtorno possuem uma expectativa de vida menor (entre 10 e 20 anos a menos do que pessoas sem a condição), em geral. Mas isso geralmente é associado com outros fatores que comumente acompanham a esquizofrenia, como obesidade, doenças cardíacas ou o hábito de fumar. O estudo, no entanto, descobriu que mesmo ajustando esses fatores entre os pacientes, a esquizofrenia continuou sendo um fator de risco por si só.

Uma hipótese é que existam diferenças genéticas entre os pacientes com esquizofrenia que alteram a resposta imunológica de seus corpos, aumentando o risco de inflamações severas no sistema respiratório; estudos anteriores já demonstraram que há diferenças entre o sistema imunológico de pessoas com esquizofrenia, embora não se compreenda totalmente o fenômeno. Outra hipótese é que as medicações utilizadas nos tratamentos mais comuns de esquizofrenia possam ter um papel no fenômeno. Sabe-se que efeitos colaterais desses fármacos podem incluir ganho de peso e maior risco de desenvolver diabetes, por exemplo.

Mas essa é apenas uma hipótese – e os autores do novo estudo admitem que não incluíram dados sobre medicações em seu estudo, então não dá para concluir nada. Pacientes com esquizofrenia não devem abandonar seus tratamentos com base nisso, alertam os cientistas, mas devem considerar seguir os protocolos de proteção e distanciamento social com mais seriedade.

O estigma e o preconceito que essas pessoas enfrentam também pode estar ligado a cuidados de saúde menos adequados e a negligência da sociedade, que influenciam tanto em uma menor expectativa de vida quanto no tratamento da Covid-19.

A equipe espera que outros estudos sejam feitos para confirmar os resultados e tentar entender melhor o fenômeno. A pesquisa atual tem limitações reconhecidas: incluiu uma população relativamente pequena de pessoas com esquizofrenia e foi feita entre março e maio de 2020, quando Nova York enfrentava sua pior fase na pandemia e o sistema de saúde da cidade estava a beira do colapso, o que pode ter impactado nos resultados finais. Até novas informações, a comunidade médica deve estar atenta para a população de pessoas com transtornos mentais, já que parecem ser especialmente vulneráveis à Covid-19.

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Opinião dos leitores

  1. Eu sou bem aposentado, trabalhei muito, por mérito da minha capacidade e esforço, sou de família Humilde, tenho todo o tempo e prazer do mundo de ler e comentar as baboseiras de vcs e suas em particular ?????????????

  2. Pior Zezinho do Gado é a incapacidade de vcs agirem como seres racionais ????????????????????? que Deus tenha piedade de vcs. Agora vc Desmaia e depois vai DeLira.

    1. Todos sabem que o gado tem chifre, usa argola, tem badalo no pescoço para ser vigiado e recebe o ferrão do dono. Coisa dos eleitores da esquerda, tanto que temos o ZéGado.
      Se essa matéria tem algum fundo de verdade, acho que os zumbis da esquerda poderiam pegar o covid, pois é melhor ficar com esquizofrenia que ser atestado como anencéfalo.

    2. Jumento faia em causa própria, o vagabundo chora até hoje a perda da BOQUINHA , chora pelo seu LADRAO DE ESTIMAÇÃO ,
      Estou adestrando jumentos, começo dando pão com mortadela e uma camisa vermelha , com dizeres de qualquer MERDA,

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Judiciário

Irmãos de portador de esquizofrenia que faleceu após fugir de hospital psiquiátrico em Natal serão indenizados

Foto: Ilustrativa

Os irmãos de um jovem de 25 anos que era portador de esquizofrenia e que cometeu suicídio depois que fugiu de um hospital psiquiátrico público serão indenizados por danos morais pelo Estado do Rio Grande do Norte no valor de R$ 10 mil para cada um dos dois, perfazendo o valor global de R$ 20 mil, com juros e correção monetária. A sentença é do juiz Bruno Montenegro Ribeiro Dantas, da 3ª Vara da Fazenda Pública de Natal.

A ação indenizatória foi proposta pelos irmãos e pelos sobrinhos do falecido, estes últimos representados em juízo pelas mães. Na ação, alegaram que o irmão e tio deles era portador de esquizofrenia, CID 10 – F20.8 e estava internado em um hospital psiquiátrico público, mas fugiu do local e acabou tirando sua própria vida.

Afirmaram ainda que ele foi internado na unidade de saúde em 9 de outubro de 2015 e lá permaneceu até o dia 20 do mesmo mês, quando, por falta de vigilância, evadiu-se do local. Assim, alegaram que o episódio foi ocasionado por ausência de vigilância por parte da instituição, requerendo a indenização por danos morais.

O Estado do Rio Grande do Norte alegou que o caso reflete a omissão do Estado em não zelar pelo dever de vigilância, assim como pela conduta ilegítima de algum agente estatal, pelo dano e pelo nexo de causalidade entre um e outro. Todavia, aduziu que não existem elementos que indiquem a previsibilidade de que o então paciente tinha predisposição ao cometimento de suicídio, ou que os agentes públicos tinham conhecimento dessa situação e, podendo atuar, nada fizeram.

Matéria completa AQUI no Justiça Potiguar

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Polêmica

Após fumar em local proibido e bater em policial, homem é internado em clínica psiquiátrica

Na madrugada de hoje, de acordo com informações divulgadas pela Polícia Federal do RN, um funcionário público de 53 anos foi detido no Aeroporto Internacional Augusto Severo após dar um soco em um policial. O homem, que sofre de esquizofrenia, foi abordado por estar fumando em local proibido.

O BLOG divulgará apenas as iniciais do nome do funcionário público: LHCF. Ele foi transferido para um hospital psiquiátrico após a intervenção da família e segue internado.

Confira toda a história: (Leia de baixo para cima)

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