Prazer no sexo e muito mais: ginástica íntima, pompoarismo traz benefícios para o corpo e a autoestima da mulher

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“Pouca gente sabe, mas o pompoarismo é uma arte milenar indiana de fortalecimento da musculatura íntima”, explica Cátia Damaceno, coach de relacionamento e especialista em sexualidade feminina.

A prática se tornou conhecida no Ocidente por volta de 1950, com um médico chamado Arnold Kinel, que tinha várias pacientes com problemas de incontinência urinária. “Então ele desenvolveu uma série de exercícios para o fortalecimento dessa musculatura”, diz a especialista.

Entenda mais sobre o pompoarismo

As vantagens

O pompoarismo tem muitos benefícios para o corpo. No quesito saúde, ele melhora as cólicas menstruais e o funcionamento do intestino, facilita o trabalho de parto e a recuperação pós-parto, e previne as incontinências urinária e fecal.

Já quando o assunto é sexo, esses exercícios melhoram a lubrificação e aumentam a libido . “A mulher pompoarista não tem dificuldades para atingir o orgasmo e eles são mais intensos, de maior qualidade e em grande quantidade, ou seja, essa mulher se torna multiorgásmica”, explica Cátia.

Além disso, como melhora a performance sexual, a autoestima da mulher também aumenta. “Com o pompoarismo, você também consegue fazer vários tipos de movimentos no pênis do parceiro, aumentando também a autoconfiança na hora do sexo.”

E se você acha que não terá habilidade para praticar os exercícios, está enganada. Segundo Cátia, todo mundo pode praticar, independentemente da idade. Até mesmo meninas, depois da primeira menstruação, podem praticar para evitar as cólicas. “Só não pode utilizar os acessórios em pessoas virgens”, alerta.

Os exercícios

Assim como a academia, é preciso que os exercícios sejam feitos corretamente e por um período constante para ter resultados. E você pode praticar com auxílio de professores e fisioterapeutas especializados, em aulas coletivas ou individuais, ou até mesmo em casa.

O primeiro passo para começar é ter consciência corporal. Um exercício muito simples é você imaginar que está com vontade de fazer xixi e não pode naquele momento, então faz um movimento para segurar a urina. “Esse movimento contrai os músculos que seguram o nosso assoalho pélvico, fortalecendo-o”, explica Cátia.

Você pode realizar de 20 a 30 contrações por dia, com descanso de 30 segundos a 1 minuto entre elas. Faça isso por 10 minutos. “Só é bom não praticar quando você estiver com vontade de fazer xixi de verdade. Segurar a urina pode gerar infecção urinária”, diz ela.

Quais acessórios usar no pompoarismo?

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OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Olivia Morena disse:

    Aqui é a Olivia Morena, eu gostei muito do seu artigo seu conteúdo vem me ajudando bastante, muito obrigada.

Ciência explica o prazer na desgraça alheia

O atleta mais bem pago do mundo começou a trilhar sua derrocada ao bater em um Cadillac SUV, um hidrante e uma árvore, em 2009. Relatórios iniciais do acidente de Tiger Woods, um dos maiores golfistas de todos os tempos, informavam que sua esposa havia quebrado a janela do veículo com um taco de golfe para resgatá-lo, mas quando a notícia de que o casal estava brigando devido à infidelidade de Woods se espalhou, a janela quebrada tornou-se uma metáfora para sua reputação destruída.

À medida que o escândalo se desenrolava, a celebridade esportiva que tinha construído um império sobre sua imagem de homem de família íntegro foi revelado como um glutão do sexo extraconjugal, e autor de textos de mau gosto para amantes e acompanhantes pagas. Do dia para a noite, Woods havia se tornado alvo de comparações com o ridículo, para não falar de um site e uma conta no Twitter com o único propósito de propagar piadas sobre ele.

Outro nome para a inveja

Os alemães têm um termo excelente para o prazer perverso em acontecimentos como estes: schadenfreude (em tradução livre para o português, “a alegria do mal”). A satisfação derivada do infortúnio dos outros é o principal foco de estudo de Richard H. Smith, professor de psicologia da Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos. Desde 2000, o professor publicou cinco livros sobre o assunto, que falam sobre comparações sociais, inveja e a schadenfreude num contexto político e de identificação social.

A emoção pode parecer perversa, mas possui uma função adaptativa e foi tema do novo livro de Smith, “The joy of pain: Schadenfreude and the dark side of human nature” (“O prazer da dor: schadenfreude e o lado negro da natureza humana”). A narrativa tem como base as comparações sociais que nos permitem avaliar nossos talentos e determinar nossa posição na sociedade. Elas são tão instintivas que na vida selvagem também se manifestam. Estudos mostram que macacos e cães medem suas qualidades por seus pares.

Assim, quando nos deparamos com alguém que é mais amado ou apreciado do que nós, o nosso instinto é rebaixá-lo ao nosso nível. Se este desejo ilícito é cumprido por acaso, a schadenfreude aparece.

O sucesso de Woods no campo de golfe e, aparentemente, na vida — linda esposa, família e reputação perfeitas — “forneceu um contraste agudo para a maioria das pessoas, mesmo que elas não se interessassem pelo esporte”, escreve Smith, no livro. Embora algumas pessoas tenham sido inspiradas por ele, talvez a maioria tenha se sentido diminuída pelo seu sucesso. A sua queda o trouxe para mais perto, e, assim, permitiu que outras pessoas se sentissem melhor.

“Nós assistimos televisão para adquirir conhecimentos preciosos sobre a condição humana?”, pergunta Smith. E ele mesmo responde: “Por favor, nós assistimos para ver aquelas cenas constrangedoras que nos fazem sentir um pouquinho melhor sobre nossas vidas insignificantes”.

Esse é o combustível das revistas de fofoca. Em uma análise de dez semanas da revista americana “The National Enquirer“, Smith e Katie Boucher, psicóloga da Universidade de Indiana, também nos Estados Unidos, descobriram que a popularidade de uma celebridade era maior quando havia um artigo tratando de alguma desgraça em sua vida.

Vingança é outra coisa

O prazer aumenta quando a schadenfreude parece merecida. Uma pesquisa feita por Benoît Monin, um psicólogo social de Stanford, mostra que a mera presença de um vegetariano pode fazer onívoros se sentirem moralmente inferiores. “Os vegetarianos não precisam dizer uma palavra, a sua própria existência, do ponto de vista de um comedor de carne, é uma irritante moral”, afirma Smith. Desta maneira, descobrir hipocrisia na pessoa considerada de mente elevada faz com que o contentamento seja ainda maior.

Por definições tradicionais, schadenfreude é uma emoção passiva entre os espectadores que não desempenham funções nas desgraças alheias. Quando o sentimento inclui a vingança, o termo foge da sua especificidade. É a falta de participação por parte do testemunho que faz o reconhecimento da schadenfreude possível: seu alvo secreto caiu e você não teve nada a ver com isso.

A parte mais polêmica do livro é um capítulo destinado a analisar o que levou ao surgimento do nazismo na Alemanha. Segundo Smith, a schadenfreude foi um dos maiores motivadores para o antissemitismo, que teria surgido como uma tática para rebaixar o objeto de comparação e afirmar a superioridade ariana. No entanto, o Holocausto foge completamente da expressão, pois perde o caráter passivo.

Apesar da conotação negativa do termo, Smith afirma que schadenfreude “não precisa ser demonizada”. Segundo o autor, é melhor abraçar a oportunidade de saciar nossos lados obscuros do que negar a sua existência. Enquanto permanece passivo, “a alegria do mal” pode melhorar a nossa autoestima e servir como um lembrete de que até mesmo as pessoas mais invejáveis são falíveis — assim como nós.

O Globo