Além de destaque entre as sete unidades federativas com nota 1000, alunos do RN alcançam bom desempenho com redações acima da média

Foto: Divulgação

O Rio Grande do Norte obteve um bom desempenho na última edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cujo resultado individual dos participantes foi divulgado na última sexta-feira (17) pelo Ministério da Educação (MEC). Além de estar entre as sete unidades federativas que atingiram nota 1000 na redação, sendo o segundo no Nordeste, o RN também conta com outras redações que alcançaram notas altas, acima da média divulgada pelo MEC.

Foi o caso, por exemplo, das estudantes Isabelle Lima e Lídia Giovana, alunas concluintes do Centro Estadual de Educação Profissional João Faustino, localizado no bairro do Pitimbú, em Natal. Discorrendo sobre a “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”, tema da redação do Enem, as duas elaboraram redações que lhe conferiram as notas 880 e 940, respectivamente.

Além delas, quem também ficou surpreso com o resultado foi o estudante Joab Arruda, 20, concluinte do curso técnico em Nutrição e Dietética do CEEP João Faustino. Alcançando 760 pontos na redação (nota acima da média) o aluno conta que desenvolveu o seu texto seguindo critérios como acesso à cultura e desigualdade social.

“O tema da redação foi algo bem fora do esperado pelos os estudantes de todo o país, mas eu percebi que poderia falar sobre desigualdade social, e que ainda muitas pessoas no nosso país não têm acesso ao cinema, até mesmo o cinema nacional! Desenvolvi meu texto sob duas pautas: a primeira que foi falar dessa tecnologia avançada que é o cinema, e a segunda que o cinema também é um direito, logo, é dever do Estado manter e assegurar esse direito”, explica.

Joab mora no bairro de Cidade Nova, região periférica da capital potiguar, e conta que alterna as atividades escolares com a rotina doméstica. “O meu dia a dia é bem agitado, pois tenho muitas obrigações em casa e quando eu estava na escola essa demanda aumentava cada vez mais. Por isso eu não esperava ter um bom resultado pois tive umas dificuldades no meio do percurso”, conta.

Recém-formado no curso técnico e também no ensino médio, o jovem conta que usará sua nota do Enem para ingressar em alguma instituição pública federal. “Vou usar minha nota para ingressar no curso de Educação Física, ou também em Gestão em Políticas Públicas”, afirma.

Os bons resultados também foram comemorados em Macau, como na Escola Estadual José Olavo do Vale, onde os alunos Ítalo Miranda e Sayonara Santos também alcançaram 720 e 800 pontos, respectivamente. Uma das mais tradicionais unidades de ensino de Assu, a Escola Estadual Juscelino Kubitschek, também comemorou os resultados dos seus alunos. André Lucas, concluinte do ensino médio, alcançou 920 pontos. “É muito bom ver que, por toda a rede estadual, escolas comemoram os bons resultados dos seus alunos. Para nós, cada resultado é importante e nos motiva a trabalhar ainda mais por nossos jovens”, explica Getúlio Marques, secretário de Educação do RN.

(mais…)

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Verdade disse:

    Entendeu os motivos que servem de fundamentos para garantir a escola estatal pública e gratuita como um direito social?
    Quando que a população teria acesso a esse tipo de política numa quantidade de alunos e numa progressiva melhora da qualidade?
    Parabéns aos alunos, aos professores as equipes pedagógicas e a governadora Fátima que acreditou nessa possibilidade.

    • Ceará-Mundão disse:

      "Cumpanhero", o que essa governadora inepta e incompetente tem a ver com o mérito desses alunos? Aliás, a política educacional (se é que existiu) do PT é baseada na anarquia, nas cotas RACIAIS, na tal ideologia de gêneros e no desperdício de dinheiro em ensino superior de péssima qualidade, com cursos sem qualquer utilidade para a sociedade e distribuindo títulos de bacharéis para semi analfabetos. Deveria, ao invés disso, tentar melhorar a QUALIDADE do ensino básico e fundamental. A propósito, esse artigo refere-se a redações do ENEM. Vc ao menos leu?

    • Minion alienado disse:

      Ceará, compreendo a sua ignorância. É difícil entender que um bom resultado por parte de alunos da rede pública estadual é fruto de um ensino de qualidade que deve ser extendido para todos e não exclusividade dos mais favorecidos. Por falar em políticas públicas de educação recomendo que leia a LDB é demais documentos relativos ao tema e não precisa xingar os outros. 😘 no ❤️

    • Victorino disse:

      Obrigado BG por não ter publicado meu comentário.

    • Ceará-Mundão disse:

      Seu pseudônimo (alienado) parece fazer jus à suas "análises". Mesmo que essa governadora estivesse melhorando o ensino do RN (É não está), os efeitos de suas hipotéticasações ainda não seriamsentidos por absoluta falta de tempo, já que essa senhora só está no poder há 1 ano. Por outra, o PT notabilizou-se por abrir cursos superiores no atacado, sem qq cuidado com sua qualidade ou utilidade. E os resultados são notórios, com o Brasil na lanterna dos medidores internacionais de qualidade no ensino. Aliás, indo mais adiante, esse (des) governo de Fatão ainda não disse a que veio. NADA de proveitoso para o estado já foi feito. E veja que o governo Bolsonaro tem ajudado MUITO. Enfim, reputo o sucesso desses alunos a méritos pessoais. Parabéns à eles.

    • Ceará-Mundão disse:

      E a propósito, "cumpanhero" alienado, Fatão vai pagar o aumento de 13% que o presidente Bolsonaro deu no piso dos professores? E os sindicalistas PELEGOS e os próprios professores não vão cobrar o aumento?

    • Papa Jerry Moon disse:

      Concordo com o que você diz, quanto à importância da escola pública e gratuita, mas atribuir esses bons resultados ao governo de Fátima é no mínimo um exagero descabido.

No funcionalismo federal, remuneração por bom desempenho é a regra, e não a exceção

Foto: Pixabay

O funcionalismo público brasileiro tem planos de carreira muito curtos e dispõe de poucos instrumentos para estimular o crescimento profissional do servidor, avalia o estudo “Gestão de pessoas e folha de pagamentos no setor público brasileiro: o que dizem os dados?”, do Banco Mundial (Bird). Segundo a instituição, o cenário é ainda mais agudo na esfera federal . Em 2017, em 164 das 187 carreiras aptas a receber gratificação por desempenho, pelo menos 90% dos servidores foram contemplados com o benefício.

De acordo com o documento, num cenário em que muitas carreiras têm um percentual muito grande de servidores que já progrediram ao último nível da função, é provável que “a progressão não necessariamente tem relação com desempenho”.

No caso de algumas carreiras jurídicas, com salário inicial em torno de R$ 23.000, em até 10 anos, quase 80% dos servidores já atingiram o nível máximo da função. Na avaliação do Banco Mundial restringe o espaço de incentivos por um desempenho diferenciado dos funcionários.

Durante evento de divulgação do estudo, o secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Paulo Uebel, afirmou que o custo com servidores é insustentável no longo prazo , e que o governo pretende concluir a proposta de reforma administrativa ainda em outubro.

O peso do Judiciário nos gastos da folha de pagamento do executivo federal também chama a atenção ao longo do tempo: o aumento de contratações e do número de aposentados nessa esfera levou essa despesa a uma fatia de 13,8%, ante uma fatia de 7,3% em 1995.

Os pagamentos por desempenho também chegam aos inativos. Dados do governo federal mostram que, somente em dezembro de 2017, foram pagos R$ 685,5 milhões em gratificações por desempenho a aposentados e pensionistas, quase o dobro do que foi pago em 2008.

Ainda de acordo com o Banco Mundial, boa parte do problema se concentra no número de carreiras do funcionalismo público brasileiro: são mais de 300 rubricas, e maior parte delas está associada a um órgão específico, o que dificulta a mobilidade dos servidores entre as diferentes instâncias do executivo federal.

“A flexibilização permitiria a mobilidade de servidores entre órgãos e a ampliação da gama de atividades em que eles poderiam ser alocados, diminuindo a necessidade de novos concursos”, afirma o documento.

Nesse sentido, o Brasil se distancia de países de renda média e produtividade altas. Nos Estados Unidos, a quantidade de carreiras do setor público federal se restringe a 22. No Canadá, são 27 agrupamentos de funções. Já o Reino Unido conta com um número ainda menor de postos, 14, e Portugal conseguiu reduzir um contingente de mais de 1000 rubricas a 18 funções de 2008 para cá.

Como o Brasil, está a Argentina, que dispõe de mais de 400 carreiras diferentes no serviço público federal.

A discrepância também está no nível dos salários. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério da Economia, mostram que o prêmio salarial do serviço público federal em relação ao setor privado é de 96%. Esse é o maior percentual entre 53 países pesquisados pelo Banco Mundial.

O Globo