Diversos

Dia dos Namorados impulsiona mercado de vibradores e sugadores

Foto: Ilustrativa

Considerado o Natal para donos de sex shops, o Dia dos Namorados deste ano deve ter mais brinquedos sexuais para casais e solteiros. Confinados e sem restaurantes, os brasileiros devem seguir a tendência francesa, que teve alta nas vendas no dia de São Valentim, celebrado em 14 de fevereiro.

Segundo o portal MercadoErotico.Org, o número de negócios voltados ao mercado erótico em 2020 triplicou em relação a 2019. O levantamento, de fevereiro deste ano, mostrou que 76% das 135 empresas pesquisadas cresceram durante a pandemia, com um aumento médio de 10% nas vendas em relação ao período anterior.

O relatório ainda aponta que o isolamento social trouxe novos clientes para metade dos entrevistados. A procura cresceu tanto que 28,9% relataram dificuldade em encontrar produtos entre fornecedores, principalmente os importados.

As vendas da Pantynova, loja online de produtos eróticos, superaram em 20% no primeiro Dia dos Namorados da pandemia, e a expectativa é que o percentual cresça mais neste ano, contam as empresárias Izabela Starling e Heloisa Etelvin.

“Em vendas, o Dia dos Namorados é o nosso Natal, logo em seguida vem a Black Friday”, contam as empresárias.

A ideia de criar o ecommerce, que começou em 2018, veio de experiências frustradas em achar produtos que atendessem à necessidade do casal. Hoje separadas, mas tocando a empresa juntas, expandiram o negócio com podcasts com conteúdos voltados para educação sexual e contos eróticos.

“Nunca quisemos nos posicionar apenas como uma loja. A ideia veio do descontentamento de um mercado como um todo, que é muito voltado para o universo masculino”, diz Izabela.

A produção de strapons (uma calcinha com um vibrador acoplado) é feita no Brasil, na mesma fábrica que é responsável pelas roupas íntimas da Calvin Klein. Os vibradores são importados da China, e são personalizados em uma fábrica no interior de São Paulo.

“Escolhemos os produtos que têm mais sucesso no exterior, e fazemos a parte de dar a identidade visual”, afirmam.

Até a cantora Anitta colaborou com o impulso das vendas de brinquedos sexuais, afirma o trio de empresárias Clariana Leal, Larissa Ely e Marcela Bull, da loja Climaxxx. No ano passado, após a cantora mostrar sua vasta coleção de vibradores, a loja registrou uma alta procura pelos produtos. O alvo das pesquisas teve um objeto específico: o sugador.

Ao contrário do nome, o aparelho de alta tecnologia não suga. Com uma cavidade arredondada, ele funciona com uma pulsação de ar, estimulando o clitóris e proporcionando orgasmos mais potentes. O item virou um dos queridinhos de vendas durante a pandemia.

“Há cinco anos percebi uma fatia de mercado grande, o feminismo estava tomando uma forma mais universal e o prazer feminino ganhou mais corpo”, diz Larissa. A empresária afirma que sempre gostou de ir a sex shops, mas era uma experiência bizarra, voltada para brinquedos fora da realidade feminina. “Nossa ideia é ter uma empresa que foque no prazer feminino, que atendesse as mulheres”.

O empreendimento, que começou em 2016, faz curadoria de brinquedos e outros produtos como óleos excitantes e lubrificantes. A loja virtual também conta com um espaço para discutir educação sexual e como potencializar o prazer.

Os números para quem produz também saltaram. A Fun Factory, marca alemã de vibradores, teve crescimento de 40% em vendas no ano passado, e o faturamento deste ano de janeiro a maio é o dobro do mesmo período em 2020.

Em maio, viu as vendas aumentarem 170%, tendo como destaque a venda do anel peniano “Nós”, que estimula tanto o pênis quanto o clitóris. “Estamos pregando o ‘slow sex’: uma transa mais exploratória para curtir e apreciar o momento em parceria, não mais aquela coisa da rapidinha”, diz Andréia Paro, diretora da Himerus, representante da Fun Factory no Brasil.

Segundo especialistas, estamos vivendo um novo momento em relação ao prazer. “Vamos cada vez gozar mais e transar menos”, diz Michel Alcoforado, antropólogo e sócio fundador do Grupo Consumoteca. “Estamos vivendo uma quebra da visão de que a masturbação é um sexo piorado. Na verdade, são dois olhares distintos sobre o prazer”, diz.

Esse movimento é puxado principalmente pelos millennials, a geração entre 18 e 35 anos, que trata o sexo como bem-estar. Michel classifica como um momento de virada individualista. “Na geração dos nossos pais o sexo era a conquista da liberdade, uma forma de exploração do próprio corpo, o que era proibido”, diz o antropólogo. “Hoje vemos no mundo todo uma queda do sexo entre os mais jovens, e os sex toys trazem o prazer sem ter o outro”.

Segundo uma pesquisa do grupo, 4% dos consumidores compraram seus primeiros sex toys na pandemia, enquanto outros 4% já compravam e aumentaram a frequência de compra depois da pandemia.

Os sex shops também passaram por uma releitura ao longo das últimas duas décadas, deixando de se concentrar em produtos de má qualidade e focados no prazer masculino, com fantasias e brinquedos pouco adequados à realidade feminina.

“O sex shop era uma coleção de falos de todos os tamanhos, e os novos estimuladores não precisam ter essa característica fálica, ele só precisa cumprir a função dele, que é dar prazer”, afirma o antropólogo.

“A pandemia trouxe uma terceira onda de mudança da visão do produto erótico com foco na saúde e bem-estar”, diz Paula Aguiar, escritora e especialista em mercado erótico. Para a especialista, desde 2010 o mercado começou a ter um olhar mais atento para o orgasmo feminino.

Outro ponto que chama a atenção da especialista é a formação do mercado erótico. Segundo a pesquisa da MercadoErotico.Org, das 135 empresas entrevistadas, 76% eram chefiadas por mulheres. “Elas enxergam o mercado como uma missão, muitas são sexólogas e trazem o acolhimento necessário para deixar o cliente muito à vontade”, diz.

“As pessoas tiveram que se voltar para elas mesmas, se preocupar mais com saúde e vida, e consequentemente a sexualidade entrou em pauta”, afirma. “E o Dia dos Namorados é um momento voltado para sua intimidade, seja com o parceiro ou sozinho”.

Folha de São Paulo

Opinião dos leitores

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Diversos

Microcrédito impulsiona negócios de 452 empreendedores em 24 cidades do RN

Cinco dias, 452 empreendedores atendidos e um volume total de R$ 1,8 milhão em crédito para negócios de 24 cidades do Rio Grande do Norte. Esse é o resultado da caravana do crédito realizada pelo Governo do Estado através da equipe da Agência de Fomento do Rio Grande do Norte (AGN-RN).

A equipe passou por Acari, Afonso Bezerra, Apodi, Bodó, Caicó, Campo Redondo, Caraúbas, Carnaúba dos Dantas, Cerro Corá, Coronel Ezequiel, Currais Novos, Jaçanã, Jardim de Piranhas, Lagoa Nova, Lajes, Lajes Pintadas, Jucurutu, Santa Cruz, São Fernando, Serra Caiada, Serra Negra do Norte, Tangará, Timbaúba dos Batistas e Triunfo Potiguar.

Desde o último dia 23, a equipe de colaboradores e parceiros tem realizado no interior do estado uma série de atendimentos, assinatura de contratos e concessões de financiamento para impulsionar negócios e promover a retomada econômica em meio à instabilidade provocada pela pandemia da Covid-19.

Apenas a região Seridó, que teve 12 cidades atendidas neste período de cinco dias, 146 empreendedores foram beneficiados com o crédito em condições especiais e que alcançou o montante de R$ 618 mil. O crédito atendeu setores como serviços, comércio, turismo, indústria e artesanato.

A diretora-presidente da AGN, Márcia Maia, destaca a atuação da instituição e as parcerias realizadas pelo interior do estado para ampliar e facilitar o acesso dos empreendedores ao crédito. “Sabemos da importância do crédito para as empresas e empreendedores, especialmente neste momento. Por isso, temos feito um grande esforço para alcançar cada vez mais pessoas, garantir a manutenção de empresas e, principalmente, do emprego e da renda dos potiguares. É uma luta incansável

De 24 de março a até hoje, a AGN financiou mais de 4,1 mil empreendimentos com um investimento superior a R$ 19,5 milhões em apenas sete meses. A média mensal de recursos liberados através de financiamentos durante o período de pandemia é de R$ 2,7 milhões. O investimento realizado durante a pandemia supera em cerca de R$ 1,1 milhão o volume de recursos injetados nos empreendimentos em todo ano passado. Em 2019, em 12 meses, o valor investido foi de R$ 18,4 milhões.

Em 2020, o volume de recursos investidos ultrapassa os R$ 23,3 milhões nas mais diversas regiões do estado. São 5.329 empreendedores dos setores de serviços, passando ainda pela agricultura familiar, indústria, artesanato, cultura e turismo.

Microcrédito

O programa Microcrédito do Empreendedor Potiguar é uma ferramenta de estímulo a implantação de novos negócios e para promoção do crescimento sustentável dos empreendimentos e empreendedores do estado.

De 1º de janeiro de 2019 até esta quinta-feira (29/10), o programa Microcrédito do Empreendedor já beneficiou mais de 11 mil empreendedores e injetou um volume de recursos superior a R$ 41,7 milhões. A estimativa é de que o programa tenha impactado diretamente mais de 30 mil pessoas com geração e manutenção de emprego e renda em todas as regiões do RN.

Os financiamentos realizados através do Microcrédito são direcionados a micro e pequenos empreendedores, sejam eles formais ou informais, dos mais diversos segmentos da economia potiguar. Os prazos para pagamento variam de acordo com a atividade produtiva e a natureza física ou jurídica do contratante.

Confira os canais de atendimento:

Microcrédito formal e informal:
84 3232-6106 ou 84 99607-1360 (Whatsapp)
E-mail: micro@agnrn.com.br
Site: www.agnrn.com.br

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Comportamento

Quarentena impulsiona busca por relações extraconjugais; homens e mulheres revelam usar aplicativos, chats e ‘sexting’

FOTO: DANAE DIAZ/BBC THREE

“Ele estava dormindo e eu levei o celular para o banheiro. Não precisa de um grande esquema secreto para a troca de mensagens, dos nudes…. Todo mundo carrega o telefone pra todo canto, pro banheiro, pra cozinha, não é algo tão calculista como pode parecer”, conta a arquiteta Bianca*, 36, que está em isolamento social com o namorado Gabriel, no Rio de Janeiro (RJ) desde março.

Os dois estão juntos há cinco meses, mas Bianca conta que as consequências da pandemia do novo coronavírus foram decisivas para a maneira como o relacionamento foi construído. “Antes da quarentena, não tinha um status de namoro. Gosto do Gabriel e de estar com ele, mas não queria que nosso relacionamento tivesse se aprofundado tanto como aconteceu por causa da pandemia “, confessa ela, que se sente “traindo” o parceiro.

“Continuo em contato com outros homens e uma mulher, trocando mensagens, nudes e praticando sexo virtual, mas me sinto um pouco culpada. Não sofro por isso, mas não acho que seja justo com ele. Só que também não consigo abrir mão do conforto emocional que o namoro me traz e nem da vida sexual que eu gostaria de estar levando e estaria, sem culpa e sem amarras, se não fosse pela pandemia”, diz ela.

Também no Rio, a publicitária Luciana*, 35, divide o apartamento com o marido – como o reconhece e chama – há cinco anos. Como Bianca, ela sentiu os efeitos do isolamento social sobre seu relacionamento, que já estava, como conta, em crise.

“Antes de a pandemia ‘estourar’ eu já estava cogitando a possibilidade de me separar. Sentia que a gente estava se afastando afetivamente, sexualmente e emocionalmente. Daí veio a quarentena e a crise ficou meio ‘em stand by’. Não ouso ‘mexer neste vespeiro’ porque não tem como resolver. Não tem como a gente se separar em meio a este caos, não tem como dar um tempo, então prefiro manter uma convivência minimamente harmônica enquanto isso durar”, explica ela.

Apesar de destacar um convívio agradável com o marido – “gosto da companhia dele”, ela diz -, Luciana conta que se aproximou, durante a pandemia, de um outro homem, um conhecido de faculdade. Os dois se reencontraram em uma festa de amigos em comum no início do ano e passaram a trocar mensagens.

“Começou como uma amizade e de uns meses para cá, falarmos abertamente sobre o interesse que temos um no outro. Só não tem nada em tom explicitamente sexual: troca de nude, sexo virtual, nada disso. Mas falamos sobre nosso dia, conto meus planos para o futuro, ele fala dos dele, mandamos fotos do cotidiano. De certa forma, me sinto como se fôssemos um casal, tirando as relações sexuais/eróticas, até porque pela pandemia, não tem a pressão da possibilidade de um encontro físico. Mas me sinto envolvida afetivamente, conectada sentimentalmente, com uma rotina a dois de certa forma com ele, de um jeito que eu não me sinto mais em relação ao meu marido”, confessa.

Desejo de ‘estar fora’

Segundo Cláudio Paixão, doutor em psicologia social e professor da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o isolamento social necessário como medida de prevenção contra a covid-19 causa uma redução do espaço físico vivenciado pelas pessoas, o que não acontece com os espaços psíquicos, impactando a maneira como vivenciam seus desejos.

“As pessoas estão o tempo todo em diálogo com o mundo, em seu trabalho, sua vida social, outros lugares que não a casa e o próprio relacionamento. Com o isolamento, há uma redução deste espaço físico de interatividade, mas o campo psicológico não passa por isso de pronto. Então as pessoas não entendem ou aceitam imediatamente que sua rede de relacionamentos também está limitada. Isso faz com que se olhe para fora: de casa, do relacionamento. É um desejo de ‘estar fora’. Isso aparece nos memes de saudades do bar, da vontade de ‘se aglomerar’, de praticar atividades físicas, os mais diversos desejos de troca, inclusive a sexual e afetiva. E o que se tem feito como alternativa é uma virtualização das relações para suprir estes desejos”, aponta o especialista, citando exemplos como troca de nudes e a prática de ‘sexting’, sexo virtual por mensagens.

Sem sair desde março da casa em que vive com o namorado em Belo Horizonte (MG), o pesquisador Caio, de 28 anos, passou a utilizar o que ele chama de “aplicativos de pegação” e tem participado de chats em busca de parceiros sexuais.

“Acho que sempre tivemos um relacionamento aberto velado. Já fiquei com outros caras e sei que ele também. Mas era algo esporádico, quando rolava um clima numa festa, coisa de momento. Não falamos sobre isso, e nunca busquei esses encontros ativamente, acredito que nem ele. Agora na pandemia, me vi mais impelido a fazer isso, tenho usado aplicativos de ‘pegação’, inclusive trocando nudes neles e em chats como do Facebook, coisa que nunca tinha feito. Não sei se ele também faz, mas não me incomodaria”.

Caio diz que isso não afetou sua relação com Igor, com quem mora há 8 anos. “Apesar de estarmos na mesma casa, que é antiga e enorme, não ficamos o dia todo no mesmo ambiente. Além disso, eu trabalho muito tempo diante do computador, então temos uma certa privacidade. Não frequento esses aplicativos e chats descaradamente, na frente dele. Nossa vida sexual continua bastante ativa e nosso envolvimento afetivo e emocional continua o mesmo de antes, mais intenso até, eu diria. Sinto que nosso relacionamento é muito estável”.

‘Tinderização’ das relações

Para o psicólogo Cláudio Paixão, outro fator que impacta a busca por relações extraconjugais é um padrão de se relacionar que ele chama de ‘tinderização’ (referência ao aplicativo Tinder, que permite interação entre as pessoas a partir de um “match”, função que aponta interesse mútuo entre dois usuários).

“Com o advento das redes sociais, criou-se a possibilidade de se navegar e ver outras pessoas, possibilidades de relacionamento diferentes das que se tem. Surge um cardápio maior de possibilidades, o que sugere, atiça uma série de outros desejos, ainda que baseados em fantasias, porque na internet as pessoas se mostram como querem ser vistas.”

Cláudio sugere, ainda, que essa ‘tinderização’, trazendo a grande possibilidade de outras escolhas sexuais e afetivas, também tende a tornar as gerações atuais menos tolerantes aos aspectos que as desagradam em seus parceiros.

“Há a tendência de redução de tolerância ao erro do outro. Antes você acabava convivendo por um tempo, ia estreitando laços com alguém para aprender sobre a pessoa em diversos níveis. Neste momento de tinderização, as pessoas têm muitas escolhas e um baixo limiar de resistência à frustração de expectativas. Você vê o outro, se interessa e começa a conversar. Se surge algo que desagrada, é só ‘jogar pro lado’ e interromper o contato”, aponta o especialista, destacando como o isolamento social impacta este efeito.

“Neste momento, o que há de bom e ruim nas relações se sobressai ao mesmo tempo em que há essa diminuição da tolerância. Somando a isso fatores como o cuidado com filhos e com pessoas idosas, o teletrabalho e o ensino à distância, cria-se um desgaste da relação a dois. Isso pode fazer com que o interesse da pessoa se volte ‘para fora’ da relação confinada naquele espaço de tensão. Por isso é sempre importante dialogar.”

Moralização dos relacionamentos

Apesar dessa tendência em se querer experimentar “o que está fora” de um relacionamento monogâmico diante do confinamento, a pandemia do novo coronavírus pode trazer uma certa moralização dos modelos conjugais. É a análise feita pelo antropólogo Antônio Pilão, doutor em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com pós-doutorado em gênero e sexualidades em andamento no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora (PPGCSO- UFJF).

“Vejo uma relação muito estreita com o fenômeno da aids nos anos 1980 e 1990. O mundo havia saído de um contexto de experimentação afetiva e sexual dos anos 1970. Com a aids, houve uma remoralização dos desejos e práticas, porque entendia-se que a proliferação do HIV era proveniente da promiscuidade sexual. Então a limitação das experiências afetivas e sexuais e a monogamia como regra foram uma resposta a essa premissa”, analisa Antônio, um dos pesquisadores pioneiros no estudo de relações não monogâmicas no país.

“Estamos diante de um vírus que se alastra a partir das interações sociais, do abraço, do beijo. Essas são, na sociedade ocidental, porta de entrada para a sexualidade. Com isso, os relacionamentos tornam-se uma discussão sanitária, o que também influencia nossa visão moral. Antes da pandemia estávamos em um momento, desde o início dos anos 2000, de maior abertura para o questionamento das limitações da monogamia. Agora, parece que estamos entrando em uma fase em que ela se apresentaria como a única possibilidade conjugal possível, até por questões de saúde pública”, avalia o antropólogo.

“A infidelidade é uma afirmação da monogamia”

Antônio explica também a diferença entre estar em uma relação não monogâmica e ter relacionamentos extraconjugais:

“A monogamia dificilmente é um acordo. Nascemos em uma sociedade em que essa normatividade está posta, limitando a sexualidade, a afetividade e o que chamamos de amor (num relacionamento) exclusivamente a outra pessoa. As relações não monogâmicas questionam esse modelo e não são a ausência total de regulação, mas a proposta de regulações e contratos que não sejam absolutos como a monogamia. Já a infidelidade é uma afirmação da monogamia. Driblar os pressupostos e as regras da norma vigente não constrói novos acordos, mas representa uma manutenção dos antigos, ainda que seja no descumprimento deles. Por isso também há o sentimento de culpa, arrependimento, vergonha e as práticas se mantêm clandestinas.”

Para Antônio, é impossível prever como serão construídos os modelos de conjugalidade em um possível mundo pós-pandemia.

“Não sabemos se no que ano que vem o cenário atual vai estar superado. Se vamos passar anos, décadas usando máscara, e temendo o contato com pessoas estranhas, perdendo hábito de ‘ficar’, por exemplo. Nesse sentido, a preocupação com a infidelidade não deve vir de suas questões morais, mas do risco iminente de contágio. Principalmente num contexto de possíveis encontros clandestinos, podendo expor pessoas que nem sabem dos perigos que correm. O ideal seria que os casais pudessem conversar e encontrar alternativas de acordos sanitariamente seguros que funcionassem para eles e para a sociedade, já que se trata de uma questão coletiva”.

IG, com BBC

 

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Turismo

Pico do dólar impulsiona busca de brasileiros por destinos nacionais

FOTO: BRUNO ROCHA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Desde o início de 2019, o Brasil tem assistido o valor do dólar aumentar. Em julho, a moeda americana ultrapassou a barreira dos R$ 4,00, e chegou a R$ 4,16. Desde então, o dólar tem oscilado em torno disso e as consequências desse período de instabilidade podem ser observadas também no mercado de turismo. Segundo levantamento feito pelo Kayak, maior ferramenta de buscas de viagem do mundo, destinos nacionais e na América Latina têm sido cada vez mais visados pelo público brasileiro. Em contrapartida, opções estrangeiras tradicionais, como Miami, Orlando, Nova York e Lisboa têm ficado para trás.

De acordo com a pesquisa, Curitiba lidera o ranking dos destinos nacionais mais visados pelo brasileiro, com alta de 81%. Logo atrás vem Belo Horizonte (79%), Brasília (74%) e São Paulo (63%). A única cidade internacional da lista é Santiago (60%), no Chile, que, por estar localizada na América do Sul, está relacionada à tendência de procura por lugares menos ‘dolarizados’.

“Com a alta do dólar, é natural que o viajante procure destinos nacionais e na América Latina, já que eles oferecem um custo do dia a dia mais acessível”, comenta Eduardo Fleury, líder de operações do Kayak no Brasil.

Foto: Divulgação

Vale ressaltar que a alta do dólar também impacta os preços das passagens aéreas nacionais, já que vários dos fatores que determinam esses valores são calculados de acordo com a moeda americana. “Uma viagem compreende muitos custos diferentes. Quando se viaja na América Latina, a maioria dos custos de viagem, além da passagem aérea (alimentação, lazer, compras e hospedagem), é paga nas moedas locais, que de modo geral também estão desvalorizadas em relação ao dólar”, explica Fleury.

“Portanto, são destinos menos dolarizados, ou seja, os custos da viagem como um todo não são tão afetados pelo câmbio real-dólar como são os de uma viagem para os Estados Unidos, por exemplo”, diz.

Fleury também pontua que planejar a viagem com antecedência é essencial. “Para aqueles que continuam buscando viajar para o exterior, recomendamos comprar passagens com, no mínimo, três a quatro meses de antecedência da data da viagem. Para passagens nacionais, a antecedência ideal é de um mês”, completa Fleury.

Alta do dólar

O mês de setembro foi marcante para o Brasil. Isso porque o dólar passou, pela primeira vez na história, um mês inteiro acima dos R$ 4,00. O alto valor da moeda americana não se explica somente pelo que acontece nacionalmente. De acordo com o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, acontecimentos internacionais repercutem no preço do dólar não só em terras brasileiras, mas no mundo inteiro.

Entre os motivos por trás da alta, alguns têm maior destaque, como a tensão entre Arábia Saudita e o Irã, a guerra comercial envolvendo a China e Estados Unidos, além do processo de impeachment contra Donald Trump.

Apesar disso, nos últimos dias, foi possível observar um movimento de leve queda no preço do dólar. “Se a gente olhar nos últimos dias, o dólar caiu bem. E tem um motivo muito específico para isso. Indicadores econômicos dos Estados Unidos vieram muito abaixo do esperado e isso pressionou o dólar para baixo. Porque o mercado busca segurança, mas não está buscando nos EUA e no dólar, mas em outras moedas, como o iene, o euro, franco suíço, dólar canadense, dólar australiano, etc. Isso pressiona o dólar para baixo no mundo inteiro, então a moeda está se enfraquecendo e os investidores já não estão mais buscando tanta segurança no dólar”, comenta Laatus.

“O dólar está atrelado aos Estados Unidos, e o país, como veio exposto nos indicadores, está mostrando que a recessão não está tão longe como se imaginava”, completa.

R7

 

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Diversos

Busca ativa por pretendentes impulsiona adoção internacional no Rio Grande do Norte

Na manhã dessa terça-feira (27) a equipe da Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional do Estado do Rio Grande do Norte (CEJAI/RN) se despediu de dois irmãos adotados por um casal de italianos, em um café da manhã realizado na sede da Corregedoria Geral de Justiça. Os dois fazem parte do grupo de onze crianças e adolescentes que foram adotados por famílias estrangeiras em 2019. O número, mais alto que a média registrada até então, se deve ao novo método de busca ativa adotada pelas Corregedorias do país.

Desde o ano passado, uma nova versão do Cadastro Nacional de Adoção, agora chamado Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), traz a criança como sujeito ativo na busca por pretendentes à adoção. Isso tem sido feito tanto para adoções dentro do território nacional quanto para as internacionais. O sistema encontra para as crianças pretendentes que buscam por um perfil parecido com o dela, não necessariamente igual, para que as chances sejam ampliadas.

O juiz corregedor Diego Cabral, membro da CEJAI/RN, ressaltou que o processo de adoção internacional é extremamente seguro para ambas as partes, principalmente para a criança. “Existe uma convenção por trás que exige uma série de pré-requisitos para serem preenchidos”, explicou.

“Se tem a ideia que o Brasil está se desfazendo de suas crianças, mas não é isso, é preciso desmistificar e abrir os olhos, na verdade a adoção internacional é uma oportunidade para crianças e adolescentes de terem uma família. E notadamente uma adoção internacional é uma alternativa para que essas crianças, que a gente chama de ‘perfil difícil’ na adoção nacional. Quando chega entre os 10 ou 12 anos se percebe uma dificuldade na adoção aqui, mas ainda existem chances na internacional”, completou o juiz.

Agora, com o uso da busca ativa pela Corregedoria, o juiz acredita que cada vez mais crianças possam ter a oportunidade de encontrar uma família. Ele atribuiu o crescimento no número de adoções ao trabalho que se tem feito dentro da Corregedoria em parceria com outros atores importantes no processo. “Foi fruto de um trabalho conjunto, a confiabilidade do procedimento foi fundamental. A comissão estadual tem se envolvido muito fazendo, juntamente com a 1ª Vara da Infância de Natal, a equipe técnica e dos juízes do acolhimento uma busca ativa, que procura fazer esse contato com os organismos internacionais, com as equipes técnicas e com as varas para fazer a vinculação adequada”.

Ineditismo

A servidora Celly Elane, da CEJAI/RN, destaca que o processo de adoção das onze crianças foi inédito pela quantidade, por todas pertencerem a grupos de irmãos, pelo fato de todas já estarem em casas de acolhimento (destituídas do poder familiar, sob a tutela do Estado) e também por terem vindo de cidades do interior.

Cinco famílias italianas adotaram três grupos de irmãos. Segundo Celly a adoção de mais de três irmãos é muito rara, mas os que se separaram durante o processo vão continuar cultivando vínculos, estimulados pelos seus novos grupos familiares.

“No exterior, principalmente, a gente busca manter o maior número de irmãos possíveis juntos”, disse a servidora. “A lei preconiza que eles adotem mediante ao comprometimento de vinculação, eles se encontram nas festas, nas férias, via internet, para não perderem o contato, fazem isso por amor e por comprometimento dos pais”, completou Celly.

Despedida

Os irmãos G.P., de 11 anos, e A.E., de 5 anos, não pareciam tímidos junto aos seus novos pais, afinal, as crianças passaram 30 dias em Natal convivendo diretamente com eles. Antes disso, já estavam se comunicando por videoconferência desde que a busca ativa formou a nova família. Os pais, italianos, compraram uma camisa do time de futebol favorito do filho, decoraram o quarto da filha com personagens de seu desenho preferido. Mesmo antes de se encontrarem, o vínculo entre eles já estava estabelecido.

O estágio de convivência mínimo de um mês é obrigatório para todos os casais internacionais que buscam a adoção no Brasil. Agora, ao fim desse período, eles estão prontos para prosseguir com o processo e levar os filhos para o novo lar.

O corregedor geral de Justiça, desembargador Amaury Moura, chamou atenção dos presentes no café da manhã para dizer o quanto ele estava feliz em estar presente na oportunidade.

“Realmente é um momento que emociona, é um momento sobretudo de demonstração de amor, é uma família que recomeça. A gente percebe a satisfação e vê no semblante do casal essa alegria, esse ar de felicidade quando adota. No contato com as crianças a gente vê que eles estão ali realizando um sonho e isso é o que é mais importante, esse gesto de amor que leva ao caminho para a felicidade, para a convivência em família com pai e filho e que tem que ser sempre amparada pelo amor”, comentou o desembargador.

Amaury Moura pontuou que além da parte burocrática, a CEJAI lida com emoções. “Nós que lidamos com isso no dia a dia, no trato e no procedimento das ações de adoção, nos realizamos profissionalmente e como ser humano. Vemos nesse gesto a grandeza do casal, adotar de uma vez só outro casal de crianças que vão agora ter seu lar e enfim serem felizes”, completou o presidente da CEJAI/RN.

Estágio de convivência

O casal de italianos, agora pais de duas crianças, comenta que o estágio de convivência foi fator determinante para que eles pudessem escolher o Brasil como o país em que procurariam por seus filhos. “Eu achei muito importante, pois é um período que a criança vai aproveitar com os pais e vai se adaptar dentro do país dela, com sua língua e seus costumes para depois ir para a Itália. Imagine se não houvesse estágio de convivência e a criança fosse direto para o outro país? Assim não tem o trauma e a criança já se acostuma com o processo”, comentou o pai, Giovanni Carrelli.

A mãe, Lucia, diz que inicialmente só pensavam em adotar uma criança, “mas frequentamos grupos com outros casais e vimos que se a criança tivesse irmãos seria bom mantê-los juntos, para que crescessem juntos, fazer companhia e dar força um para outro”. Sobre o perfil da adoção o casal disse não se importar com todas as exigências que geralmente são feitas. “A cor da pele não é importante e nós não queríamos uma criança muito pequena. Quanto ao sexo, a gente não escolheria também se fosse biológico então não é importante para nós”, comentou Lucia.

Giovanni salientou que durante o período de convivência eles se comportaram como eles mesmos, para que a adaptação fosse natural. “Tanto nas partes boas quanto ruins. Como qualquer pai falando, por exemplo, se vamos comprar determinada coisa ou não, se precisar colocar de castigo colocamos. Tudo muito natural”, explicou.

O advogado do casal, Marco Baroni, é representante da Il Mantello, uma organização internacional que atua na Itália, na Bulgária e tem representantes nos estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Ainda na Itália, eles iniciaram o processo de adoção junto a Commissione per le Adozioni Internazionali (CAI), o órgão equivalente à CEJAI no país.

Procedimento Adoção Internacional

Para se habilitar para adotar uma criança no Brasil, o estrangeiro deve primeiro fazer o processo no seu país de origem. Lá, seguindo a legislação local, eles informam o perfil e é realizado um estudo psicossocial.

Depois, o país em questão encaminha todo o dossiê do pretendente, por meio do organismo internacional, para o órgão responsável no Brasil. Eles se submetem a um segundo processo de habilitação por meio da CEJAI, composta por um colegiado que é presidido pelo corregedor geral de Justiça, dois magistrados e um membro representante da OAB. O Ministério Público também analisa toda a documentação.

O processo de habilitação leva no máximo 40 dias se toda a documentação entregue estiver correta. São seguidas rigorosamente as determinações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e do regimento interno da CEJAI.

Depois de todos os passos de segurança, os pretendentes recebem um laudo de habilitação com validade de um ano. Então, por meio de seu advogado, podem dar entrada na esfera judicial do processo quando a criança é escolhida. A 1ª Vara de Infância e Juventude de Natal é a única do estado que tem competência para realizar esse processo, e o juiz responsável, José Dantas de Paiva, também faz parte da CEJAI.

Realizada a entrada no processo de adoção é marcada uma audiência, onde é deflagrado o prazo de 30 dias de estágio de convivência. O casal tem que ficar esse período mínimo no país, convivendo com a criança. A equipe técnica da 1ª Vara vai até o local onde eles estão, realizando várias visitas durante esse período, para fins de acompanhamento. Ao final a equipe faz um relatório que fica anexado ao processo. O Ministério Público, de posse desses documentos, vai deferir ou não o processo de adoção. Em caso positivo, o juiz marca uma nova audiência, escuta todas as partes novamente e dá a sentença.

O processo então volta para a esfera administrativa, na CEJAI, onde o Corregedor emite o último documento, o certificado de conformidade, dizendo a todas as autoridades dos dois países, inclusive a Polícia Federal, que todo aquele regulamento está de acordo com a Convenção de Haia, com o Estatuto da Criança e do Adolescente e com a Constituição Federal, é um documento de segurança. Feito isso é finalizado o processo de adoção, mas a nova família deve enviar semestralmente, por dois anos os relatórios semestrais pós adotivos.

TJRN

 

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