Médicos preveem que Brasil não volta ao ‘normal’ antes de agosto

Foto: Alexandre Schneider/Getty Images

Já são quase 50 dias desde que o primeiro caso de coronavírus foi confirmado no Brasil. Entretanto, o combate à covid-19 está só no começo. Tanto o Ministério da Saúde quanto especialistas ouvidos pelo UOL esperam que a situação piore cada vez mais até o mês de junho, e as estimativas mais otimistas projetam a doença sob controle apenas em agosto.

Há cerca de dez dias, o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), projetou o retorno à normalidade “quem sabe em agosto”. Já o governador Wilson Witzel (PSC), chegou a falar em preparação para “uma crise de seis meses” no Rio de Janeiro. Em Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) mudou de posição nas últimas semanas e passou a falar em afrouxamento do isolamento social, mas seu secretário de Saúde avisou ontem que “não dá para pensar em vida normal antes de junho”.

As datas podem não bater, mas a mensagem é clara: as coisas vão demorar para voltar ao normal. Conforme divulgou na semana passada, o Ministério da Saúde projeta a aceleração descontrolada da covid-19 durante o mês de maio, o que levaria a um pico de contaminação no início de junho. Duas semanas depois, começaria a diminuição dos casos.

O número de mortos e infectados dependerá essencialmente do modelo de distanciamento social a ser adotado em todo o país, mas a pasta imagina que a duração do surto seja semelhante com ou sem quarentena ampliada.

De acordo com essa projeção do Ministério da Saúde, a pandemia do novo coronavírus só estará sob controle na primeira semana de agosto. Os prazos mais ou menos batem com o que o ministro Luiz Henrique Mandetta havia adiantado ainda em 17 de março.

“Em agosto ou setembro a gente deve estar voltando [à normalidade], desde que seja construída a imunidade de mais de 50% das pessoas”, disse na ocasião Mandetta, que também é médico.

Especialistas ouvidos pelo UOL pensam em datas parecidas, mas pedem cuidado: projeções não são certezas.

“[O declínio] pode ser junho mesmo, mas por enquanto é na base do ‘achômetro’. A situação ainda não se desenhou completamente no Brasil”, alerta o infectologista Marcos Boulos, da Superintendência de Controle de Endemias de São Paulo (SUCEN).

“A progressão da doença deve assumir um platô no mês de junho, e em seguida começar a entrar em declínio”, reforça o também infectologista Jean Gorinchteyn, médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.

“O grande problema seria abrir as portas, relaxar a quarentena, porque neste caso muita gente ficaria doente e muita gente morreria nos próximos dois meses”, adverte Gorinchteyn.

Boulos argumenta que a desigualdade social e a chegada da covid-19 às periferias das grandes cidades pode chacoalhar as previsões. “A gente pode torcer para que em junho comece a ficar tudo bem, vamos ver. Mas é só uma torcida neste momento.”

UOL – BOL

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Cigano Lulu disse:

    De repente o mundo inteiro se viu tomado por Becos da Quarentena, um legítimo souvenir desta Natal bela e banguela.

  2. Piolho disse:

    Deve ser brincadeira isso, cada vez mais jogam o pico e o número de infectados para frente.
    O pico era no fim de março, passou para meio de abril, migrou para maio, falavam em talvez junho e agora parecem palpiteiros jogando para agosto.
    Parece que estão preocupados em manter o medo e aumentar o pânico.
    Não estão levando em conta as pessoas curadas e as que estão imunes.
    Não estão contabilizando tudo que já foi usado e comprovado ser eficiente contra o vírus.
    Qual a razão de só no Brasil o período de pico ser cada vez mais distante?
    Comparam o Brasil com o resto do mundo, por mais diferentes que sejamos. Nossos números são menores que a maioria dos países, embora tenhamos uma população muito maior.
    A Itália já teve o pico, a Espanha já teve o pico e isso ficou dentro de 45 dias, por aqui querem que a situação dure 04, 06 meses ou mais?

  3. Rei disse:

    Os médicos estão entendendo de coronavírus mais ou menos como um chef de cozinha entende de física nuclear. Ficam no palpitômetro o tempo todo.

  4. Manoel disse:

    O mundo não vai voltar a ser o mesmo nem tão cedo, talvez leve anos e anos. Isso não quer dizer que não se pode ir voltando aos poucos , abrindo serviços e comércios desde que com cuidados, testes e equipamentos na saúde. Mas uma matéria pessimista assim chama muita atenção e causa pânico e histeria no povo… E parece ser esse o objetivo da maioria da imprensa.

  5. Lirinho disse:

    Triste previsão de 11.000 óbitos aqui no estado do RN. Até quando tanta insensatez, maluquice, doidera, misturada com estupidez e maldade pura. Outra coisa faltaram a aula de tabuada.

    • Caio disse:

      Qual foi a parte que vc não entendeu que a previsão de 11 mil mortes seria se não as autoridades não tivessem feito nada ????

Médico diz que não volta para Cuba: ‘Fico no Brasil nem que tenha que recolher lixo ou varrer rua’

Adrian Brea Sánchez chegou ao Brasil em março de 2017 e tinha um contrato de três anos assinado com a Opas Foto: Arquivo pessoal / O Globo

Na tarde dessa quinta-feira, o médico cubano Adrian Brea Sánchez, de 30 anos, recebeu em sua caixa de email a mensagem que tanto temia. O governo cubano marcou para o próximo dia 5 o voo de retorno dele para Cuba. Segundo o comunicado, a passagem aérea será enviada na véspera da viagem e ele terá que se apresentar no aeroporto de Brasília.

Sánchez está a mais de mil quilômetros de distância da capital federal. Desde que chegou ao Brasil em março de 2017, vindo de Santiago de Cuba para trabalhar no programa Mais Médicos , ele vive em Pirapetinga, um município de cerca de 10 mil habitantes em Minas Gerais. Até ontem, o cubano diz que era o único médico de família da cidade, quando foi avisado pela secretaria de saúde municipal que seria desligado do programa por ordem da Organização Pan Americana de Saúde (Opas). Ele já decidiu que não atenderá à convocação do governo de seu país.

Indignado, Sánchez rompeu o silêncio e deu uma entrevista ao GLOBO nesta tarde. Ela fez duras críticas a Opas e ao governo cubano e diz que ficará no Brasil nem que tenha que “trabalhar recolhendo lixo ou varrendo rua”. Ele afirma não acreditar mais no governo cubano e, diferentemente da maioria dos médicos da ilha que estão no Brasil, diz não temer represálias.

Com informações de O Globo

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Manoel disse:

    De 8 mil encontraram 3 q nao querem voltar?
    Patético.

  2. Arnaldo disse:

    Melhor Jair pagando o que Cuba gastou com tua formação, já que quer ser coerente.

  3. Pedro disse:

    Agora para fechar esse episódio sórdido patrocinado pelo PT e Cuba, via OPAS, só falta dizer que o Senhor citado na entrevista não é médico.

    • M.D.R. disse:

      O PT, passou o tempo todo mentindo e fazendo acordo debaixo do pano, praticando atos que prejudica os profissionais de boas intenções.

  4. LULADRÃO disse:

    Na verdade quem deveria ir para Cuba seriam todos os petistas. Imagine você sair de uma democracia para retornar para uma ditadura sanguinária. No regime comunista a pobreza é socializada e a riqueza é do ditador e de seus babões.