
A contragosto, Jair Bolsonaro foi convencido na manhã desta sexta-feira a manter Gustavo Bebianno no cargo de ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência. À tarde, entretanto, o presidente deu meia-volta. Após reunir-se com ministros e travar um diálogo encrespado com o próprio Bebianno, Bolsonaro informou aos auxiliares sobre sua decisão de exonerar o ex-amigo.
O presidente usou como pretexto não mais a suspeita de envolvimento de Bebianno no repasse de verbas para candidaturas fantasmas do PSL, mas o vazamento de áudios que trocara com o ministro. Incomodou-se especialmente com a divulgação de mensagem que envolve encontro que Bebianno teria com o vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet Camargo. Alega que houve “quebra de confiança.”.
No início da madrugada deste sábado, o blog conversou com uma das autoridades que acompanharam a evolução da crise ao longo da sexta-feira. Vai abaixo o miolo da conversa:
— Por que o presidente desistiu de manter Gustavo Bebianno no ministério?
— Para encurtar uma história longa: a coisa caminhava bem, mas o presidente se aborreceu ao saber do vazamento de mensagens privadas. Acha que houve quebra de confiança.
— Então, o ministro não mentiu ao dizer que havia conversado com o presidente por WhatsApp?
— Não quero falar sobre isso.
— A saída do ministro está 100% certa?.
— No fim do dia, os ânimos chegaram a um ponto que não favorece a concórdia. Digo que, enquanto não sair um comunicado oficial, há esperança. Mas devo reconhecer que a hipótese de um desfecho favorável está mais distante. Não há Diário Oficial no final de semana. Mas o Twitter é como pronto-socorro, aberto 24 horas por dia. Então, não me faça pergunta difícil.
— Os senhores receiam por uma reação bombástica do Bebianno?
— Não quero falar sobre isso, me perdoe. Vocês precisam ajudar o Brasil. Não é hora de estimular desavenças. O país precisa de paz para votar as reformas no Congresso e avançar.
— Acha que revelações de Bebianno podem atrapalhar as reformas?
— Não quero falar sobre isso. Me perdoe. Um bom resto de noite pra você.
O áudio cujo vazamento deixou Bolsonaro particularmente abespinhado foi veiculado no site de Veja. Traz o conteúdo de mensagem trocada na última terça-feira (12). Ainda internado no hospital Albert Einstein, o presidente ralhou com Bebianno: “Como você coloca nossos inimigos dentro de casa?” O capitão irritara-se com o agendamento de uma audiência do seu ministro com Paulo Tonet Camargo, o executivo do Grupo Globo. Ele seria recebido naquela terça-feira, no Planalto. O encontro foi cancelado.
O relacionamento de Bolsonaro com a Globo azedou desde a campanha. Piorou depois que Flávio Bolsonaro, o filho-senador do presidente, tornou-se protagonista do noticiário sobre movimentações bancárias suspeitas detectadas pelo Coaf. Para Bolsonaro, o noticiário dos veículos de comunicação do Grupo Globo sobre seu filho não é isento. Daí a expressão “inimigos”.
No período da manhã, a sexta-feira parecia se encaminhar para um arrefecimento da crise fabricada pelo próprio Bolsonaro, em parceria com o filho-tuiteiro Carlos Bolsonaro. O entendimento entre o presidente e Bebianno foi esboçado numa reunião no Alvorada. Foram recebidos no palácio residencial os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria Geral), além da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP).
Embora se referisse a Bebianno de forma pouco amistosa, Bolsonaro foi convencido a manter o ministro no cargo. A trinca de interlocutores do presidente dirigiu-se, então, ao Planalto. Informado sobre a disposição do chefe de manter a sua cabeça sobre o pescoço, Bebianno foi aconselhado a baixar as armas durante o final de semana, distanciando-se de polêmicas. Ficou entendido que Bolsonaro receberia Bebianno na segunda-feira, para selar o armistício.
No início da tarde, contudo, ao farejar o vazamento de áudios que enviara a Bebianno, o capitão deu de ombros para a recomendação médica de permanecer em repouso e rumou para o Palácio do Planalto. Reuniu-se com os ministros que estavam em Brasília. Inteirou-os sobre os fatos. Sintomaticamente, excluiu Bebianno da conversa. Só depois, no final da tarde, mandou chamar seu novo desafeto.
Foi o primeiro encontro de Bebianno com Bolsonaro desde que o presidente e seu filho Carlos o chamaram de “mentiroso”. Considerando-se o teor dos fragmentos que vieram à luz, a conversa foi rude. Um pedaço do diálogo foi testemunhado pelo vice-presidente Hamilton Mourão e por dois ministros: Augusto Heleno (chefe do GSI) e Onyx Lorenzonni (Casa Civil). Mas Bolsonaro e Bebianno também tiveram a oportunidade de falar a sós.
O presidente chegou a oferecer ao ministro a possibilidade de transferir-se do primeiro escalão do governo para uma diretoria de estatal. Mencionou a hidrelétrica de Itaipu. Ao relatar a conversa para um amigo, Bebianno declarou ter ficado “profundamente ofendido” com a oferta. Considera-se “traído” pelo presidente. Expressou-se numa linguagem que o capitão é capaz de compreender: “Um comandante não atira num soldado assim, pelas costas.”.
Tomado pelas palavras, Bebianno parece estar pintado para a guerra. Disse que Bolsonaro “enlouqueceu”. Contou ter sido abordado pelo general Hamilton Mourão. Munido de panos quentes, o vice de Bolsonaro, pediu que tivesse calma. Mas até a noite passada Bebianno não parecia disposto a atender. Seu amargor começou a transbordar para as redes sociais já durante a madrugada.
Pela manhã, em viagem oficial à cidade de Sorriso, no Mato Grosso, Mourão fora questionado por um repórter sobre a conveniência de silenciar os filhos do presidente. Sem citar Carlos Bolsonaro, que frequenta o noticiário sobre a crise ao lado do pai, Mourão declarou: “Os filhos são um problema de cada família. Eu tenho certeza que o presidente, no momento aprazado, correto, ele vai botar ordem na rapaziada dele. Fica tranquilo.”.
Embora as declarações de Mourão soem sensatas, a encrenca é mais complexa. Pode-se gostar ou não da loquacidade do vereador Carlos Bolsonaro nas redes sociais. Mas a maior injustiça que se pode cometer com o personagem é atribuir-lhe toda a culpa pela produção da crise que eletrifica o governo. O ‘pitbull’, como o presidente se refere ao filho, é apenas coadjuvante no enredo de uma encrenca estrelada pelo pai.
JOSIAS DE SOUZA
o presidente foi pego na mentira? Moral de cuecas né?
Essa corja é ridícula ,tudo envolvido com o ilícito, com roubalheira, mais a imprensa ñ é para noticiar,se assim o fizer, passa a ser inimiga das facções . Todos na cadeia URGENTEMENTE!! Esses filhos do presidente são totalmente desajustados, ñ merecem credibilidade nenhuma, é a geração de retardados produzido pela mistura biscoito recheado + Danoninho . Tenho certeza q a 1 minuto do jogo coneçar o EX Juiz MORO está arrependidíssimo de ter deixado o cargo onde era respeitado para se juntar esse bando de LUNÁTICOS.
Votei em Bolsonaro se ele mentiu sobre ter conversado com um ministro de estado mostra que não tem moral para governar .
"Vamos deixar o Bolsonaro sentar na cadeira. Aquela cadeira queima; queima aquela cadeira de presidente."
O profeta; Dirceu, José 19/12/2018