MAIS DE R$ 600 MIL ENTRE ABRIL E JUNHO: PF identifica movimentações suspeitas na conta de presos por invasão de celulares

O ministro da Justiça, Sergio Moro, teve o celular hackeado no começo de junho Foto: Márcio Alves / Agência O Globo

A Polícia Federal identificou movimentações suspeitas nas contas do ex – DJ Gustavo Henrique Elias Santos e de Suelen Priscila de Oliveira , presos na terça-feira durante a Operação Spoofing , que investiga a invasão de contas do aplicativo Telegram do ministro da Justiça, Sergio Moro , e outras autoridades. Segundo a PF, entre abril e junho deste ano, o ex-DJ movimentou R$ 424 mil e Suelen, R$ 203 mil.

A PF informou à Justiça Federal que há indícios de incompatibilidade entre a movimentação financeira de Gustavo e Suelen e as rendas declaradas por ambos. De acordo com dados cadastrais do DJ, sua renda mensal seria de R$ 2,8 mil. Suelen, por sua vez, teria uma renda de R$ 2,1 mil.

O advogado que faz a defesa de Gustavo e Suelen, Ariovaldo Moreira, afirmou nesta quarta-feira que eles não têm relação com os crimes e que os rendimentos de seu cliente se devem à operação com criptomoedas, mas são de origem lícita. Afirmou que os R$ 100 mil apreendidos pela PF em sua residência tinham origem em criptomoedas.

Além da prisão temporária do grupo e dos mandados de busca e apreensão, o juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília, determinou a quebra dos sigilos bancários e telemáticos, além do bloqueio de ativos financeiros acima de R$ 1 mil. O nome do quarto preso é Danilo Cristiano Marques .

Outros três presos já haviam sido identificados na terça-feira. Eles são: Gustavo Henrique Elias Santos, de 28 anos, que trabalhava como DJ e já foi condenado anteriormente por posse ilegal de arma; sua esposa, Suelem, e Walter Delgatti Neto. O grupo foi transferido ainda ontem para Brasília, onde vem sendo interrogado.

Inicialmente, a Justiça Federal do Distrito Federal havia anunciado que levantaria o sigilo do processo, mas o juiz informou que o segredo continuaria em vigor porque os autos contêm informações pessoais que não poderiam ser divulgados neste momento das investigações. Até agora, foi divulgada apenas a decisão do magistrado.

‘Vulnerabilidade’ das operadoras

Para Vallisney de Oliveira, há indícios de que o grupo integra uma “organização criminosa para a prática de crimes e se uniram para violar o sigilo telefônico de diversas autoridades públicas brasileiras via aplicativo Telegram”.

De acordo com o parecer do Ministério Público Federal, o grupo usou uma “vulnerabilidade” das operadoras de telefonia para invadir as contas de Telegram de Moro.

“Os criminosos utilizaram uma vulnerabilidade da rede de telecomunicações comum a todas as operadoras: as chamadas em que o número de origem é igual ao número de destino são direcionadas diretamente para a caixa postal, sem necessidade de inserção de senha para acesso ao conteúdo das mensagens gravadas “, diz um trecho do parecer.

Operação Spoofing

A Polícia Federal deflagrou ontem a Operação Spoofing, que resultou na prisão de quatro pessoas . Segundo a PF, o grupo foi responsável pela invasão de contas no aplicativo Telegram do ministro Sergio Moro, do desembargador do TRF-2 Abel Gomes e de mais três autoridades.

As investigações que resultaram na operação começaram após os ataques sofridos por Moro. Há pouco mais de dois meses, ele teria sido alvo de uma tentativa de invasão de suas contas no aplicativo Telegram.

O Globo

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Manoel disse:

    São todos inocentes e vítimas da sociedade! Um ex DJ que nem trabalha mas aplica em CRIPTOMOEDAS ?! KKK. Ainda criticam quem acredita que a terra é plana… Eu também acredito em papai noel viu!

  2. Davi disse:

    Nem um píu dos petralhas?

  3. Delano disse:

    Cadê a petralhada compradora de hackers? Todos pianinho. Kkkkkkk

  4. Bento disse:

    Criminosos tentando incriminar um Juiz Decente Herói Nacional, cambada de FDP.
    Apertem que tem mais coisas.

Juízes e Servidores do judiciário movimentaram R$ 855 milhões em operações atípicas

Um relatório do Coaf (órgão de inteligência financeira do Ministério da Fazenda) revela que 3.426 magistrados e servidores do Judiciário fizeram movimentações consideradas “atípicas” no valor de R$ 855 milhões entre 2000 e 2010.

O documento ressaltou algumas situações consideradas suspeitas, como o fato de três pessoas, duas delas vinculadas ao Tribunal da Justiça Militar de São Paulo e uma do Tribunal de Justiça da Bahia, terem movimentado R$ 116,5 milhões em um único ano, 2008.

Segundo o relatório, 81,7% das comunicações consideradas atípicas estão concentradas no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (Rio de Janeiro), Tribunal de Justiça da Bahia e o Tribunal de Justiça Militar de São Paulo.

Sem apontar nomes ou separar entre servidores e juízes, os dados também mostram que ocorreram depósitos, em espécie, no total de R$ 77,1 milhões realizados nas contas dessas pessoas.

O documento de 13 páginas, ao qual a Folha teve acesso, foi encaminhado na tarde desta quinta-feira ao STF (Supremo Tribunal Federal) pela corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Eliana Calmon. Ela disse ao STF não ter havido quebra de sigilo para se chegar às informações.

“Atipicidade” nas movimentações não significa crime ou irregularidade, mas apenas que aquela operação financeira fugiu aos padrões da norma bancária e do sistema nacional de prevenção à lavagem de dinheiro.

O Coaf apurou uma relação de 216 mil servidores do Poder Judiciário. Deste universo, 5.160 pessoas figuraram em 18.437 comunicações de operações financeiras encaminhadas ao Coaf por diversos setores econômicos, como bancos e cartórios de registro de imóveis.

As comunicações representaram R$ 9,48 bilhões, entre 2000 e novembro de 2010. O Coaf considerou que a maioria deste valor tem explicação plausível, como empréstimos efetuados ou pagos.

Dos R$ 855 milhões considerados “atípicos” pelo Coaf, o ápice ocorreu em 2002, quando “uma pessoa relacionada ao Tribunal Regional do Trabalho da 1a Região”, no Rio de Janeiro, movimentou R$ 282,9 milhões.

Em 2010, R$ 34,2 milhões integraram operações consideradas suspeitas.