Justiça impede fechamento de UTIs pediátrica e neo nos hospitais Walfredo Gurgel e Santa Catarina


Foto: Divulgação Sesap

Na manhã desta terça-feira (10), durante uma audiência nos autos da Ação Civil Pública ajuizada pelo Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte – Cremern (ação estruturante que trata sobre o aumento de leitos de UTI no RN), na Justiça Federal, a juíza da 4ª Vara Federal, Dra. Gisele Leite, determinou o impedimento do fechamento da UTI Pediátrica do Hospital Walfredo Gurgel e da UTI Neo do Hospital Santa Catarina, após decisão homologatória.

Leia a matéria completa no Justiça Potiguar

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Madeira disse:

    O MP e a Assembleia Legislativa já estão demorando demais para pedir o afastamento desta governadora irresponsável. A calamidade na saúde provocada pela corrupção e dos mal gestores, tem causado muito sofrimento e a morte de muitos que precisam de atendimento. A incapacidade do Secretário da pasta da saúde é um absurdo, a solução que ele dá para melhorar a qualidade do atendimento, é o fechamento de hospitais , leitos e UTI. Fora Fatão.

  2. Manoel disse:

    E eu pensava que o RN era rico, já que Fátima e o PT eram contra a reforma da previdência do congresso nacional … Ah, mas ela mudou de opinião não foi?! Está querendo fazer uma reforma pior que a federal! Enquanto não faz, pra cortar gastos, corta do lado mais fraco: o pobre desassistido q não tem plano de saúde… Haja coerência!

  3. Itan vieira de douza disse:

    E um deus nos acuda e uma verdadeira vergunha ese governo do pt pra saude

  4. Zanoni disse:

    Não é mãe. Não tem elos. Que se dane as crianças cujos pais não podem pagar um plano de saúde.

  5. Ricardo disse:

    A governadora não tem filhos. Não tem misericórdia da vida de crianças carentes.

  6. Nordestino disse:

    Parabéns pra governadora, investindo pesado na morte das crianças do RN

  7. Chicó disse:

    Rapaz… Fátima está acabando com o que resta da saúde no estado. É na unha do guaxinim !!!

Greve de médicos em Natal leva maior hospital do RN a sofrer com corredores lotados e falta de remédios

Está no Uol. Mais uma vez a crise da saúde do Rio Grande do Norte. Problema conhecido por todos nós está ganhando espaço na mídia nacional com frequência. Greves, falta de material médico, corredores lotados e paciente  esperando atendimento, toda a calamidade da saúde é destaque na material de capa do portal.

Confira a reportagem na íntegra.

Corredores lotados de pacientes clamando por atendimento, falta de material médico e remédios. Esta é a realidade do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, o maior em urgência e emergência do Rio Grande do Norte, e que sintetiza em sua estrutura a calamidade na saúde pública pela qual passa o Estado, agravada nos últimos dias pela greve dos médicos cooperados que prestam serviço ao município.

Com o fechamento das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e AMEs (Atendimento dos Ambulatórios Médico Especializado), responsáveis pelo atendimento básico na saúde, a demanda destas unidades está seguindo para o Walfredo Gurgel, que sente em suas estruturas também o impacto da falta de atendimento nos outros hospitais do município cujos médicos estão em greve.

“Deveríamos cuidar apenas de casos graves, mas estamos recebendo aqui desde pacientes com unhas encravadas, ou outros problemas mais simples, até pessoas que estão necessitando de atendimento da mais alta complexidade. Nosso maior problema hoje é a ortopedia. Isso porque a Prefeitura de Natal é a responsável por contratar os serviços de cirurgias ortopédicas, mas como há uma dívida do município de milhões com a Coopmed, e os médicos desta cooperativa estão com os salários atrasados desde junho, há esse caos. O ideal é que tivéssemos também um outro hospital para traumas”, explicou a diretora-geral do Walfredo Gurgel, a médica cirurgiã Fátima Pereira.

Nesta quinta-feira (13), 209 pacientes foram atendidos na unidade. Um total de 61 passaram por cirurgia geral e outros cinco pelo setor de queimaduras. Nesta sexta-feira (14), 79 esperavam nos leitos e corredores por cirurgias ortopédicas.

Para a diretora, já é possível prever um fim de semana de caos, já que é a partir de sexta-feira que ocorre a maior procura por hospitais, em virtude de acidentes de trânsito e brigas. “Não há como fazer um plano para o fim de semana, se não estamos dando conta nem do que tem aqui. A capacidade de nosso hospital é de 261 vagas. Estamos com nossos cinco leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) lotados e todos os outros setores cheios também. O reflexo desta superlotação está nos corredores”, contou.

Só ontem, quando a reportagem do UOL esteve no hospital, 56 pacientes ocupavam macas pelos corredores. Entre eles, o pedreiro Adriano Barbosa, 31. Ele está há 15 dias no local depois de um acidente de trânsito em Parnamirim (a 15 quilômetros de Natal). Para dar “maior sustentação” à sua “cama”, os parentes de Adriano trouxeram de casa travesseiros, cobertores e uma caixa de papelão, que ergue a cabeça do paciente. “Chamamos esta área aqui de corredor da morte porque quando não morre alguém aqui, passa o corpo de quem acabou de morrer. Só na quinta, nas minhas contas, passaram seis corpos por aqui”, contou Barbosa. Dados oficiais do hospital mostram que morrem no Walfredo Gurgel de sete a oito pessoas diariamente.

Adriano explicou que precisa fazer muito barulho para ser ouvido e atendido no hospital. “Nós ficamos nos corredores sem receber nenhum medicamento. Eu estou tomando um remédio por conta própria. Temos que fazer barulho o tempo todo para enfrentar os problemas daqui. De vez em quando os funcionários passam com uns tambores de lixo encostando nas nossas macas. O banheiro é para homem e mulher. Não tem higiene alguma. O pior é que já recebemos o comunicado de que se fizermos mais barulho, vão chamar a polícia”, desabafou.

Perto da cama de Adriano está o agricultor Marcondes Paixão, 37, também esperando por atendimento ortopédico após ter se machucado em uma briga no município de Nova Cruz (a 80 quilômetros de Natal). “Cheguei aqui há 19 dias”, disse. Com o braço quebrado, o pescador José Hélio, 34, andava de um lado para o outro em um dos corredores, no início da tarde de sexta. Sua agonia era conseguir dinheiro para comprar medicamentos que, segundo ele, não há no hospital. “Estou há 31 dias aqui. A situação é vergonhosa, não há remédio, a alimentação é ruim”.

Funcionários

A superlotação no Walfredo Gurgel e todos os problemas decorrentes da greve está levando funcionários do hospital a pedirem exoneração. “Dois médicos vasculares assinaram o pedido, sei que há dois cardiologistas também querendo deixar a unidade e hoje soube pela imprensa de um ortopedista”, relatou a diretora.

Na quinta-feira (13), médicos revoltados com as condições de trabalho aproveitaram a visita de representantes do Creme-RN (Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte) e do CEDH (Conselho Estadual de Direitos Humanos) e armaram um protesto pedindo soluções. Depois do que viram, membros do Conselho de Direitos Humanos avaliam comunicar à Corte Latinoamericana de Direitos Humanos a situação de caos na saúde pública do Rio Grande do Norte.

O pedreiro Adriano Barbosa, 31, está há 15 dias no hospital Walfredo Gurgel depois de um acidente de trânsito em Parnamirim (a 15 quilômetros de Natal). Para dar “maior sustentação” à sua “cama”, os parentes de Adriano trouxeram travesseiros, cobertores e uma caixa, que ergue sua cabeça

O cirurgião Edesio Macario estava na manhã desta sexta-feira como plantonista na traumatologia do Walfredo Gurgel e relatou o caos no hospital. “Sou funcionário público e cirurgião há 41 anos. Estou no Walfredo desde 1975 e já assumi diversas diretorias dentro deste hospital, mas nunca vi uma fase tão ruim como agora. O secretário de saúde do Estado [Isaú Gerino] já declarou por aí que há exagero por parte dos médicos, mas não é verdade. Não temos material para fazer nossos procedimentos. Pacientes não podem fazer hemodiálise, as seringas que temos aqui não têm qualidade. Combinamos uma reunião entre os médicos e a diretoria do hospital, na segunda à noite. Nossa intenção é expormos a real situação na qual estamos trabalhando. Queremos acabar com esta imagem de que estamos exagerando”, justificou.

Enquanto o médico relatava as dificuldades de trabalho, uma enfermeira passava avisando que não havia mais oxigênio.

Sem atendimento

Nas outras unidades de saúde do município, as portas estão fechadas ou recebendo pacientes “à conta gotas”. Na UPA de Pajuçara, por exemplo, um paciente que enfartava na manhã desta sexta-feira aguardava posicionamento se deveria ou não ser encaminhado para o Walfredo Gurgel. Além desta unidade, na sexta-feira, o atendimento também foi suspenso nas AMEs de Brasília Teimosa, Planalto e Nova Natal.

No Hospital da Mulher, o atendimento está reduzido, limitando-se aos 30% dos médicos, conforme a lei para greves. Assim como nesta e em outras unidades de saúde de Natal o que se vê são pacientes retornando sem atendimento ou corredores vazios. “Acho que todo mundo que está precisando de atendimento médico em Natal e nos municípios próximos está indo para o Walfredo Gurgel porque já sabe que se for para outro hospital não vai conseguir nada”, comentou a dona de casa Maria Lúcia Antunes, 42, enquanto procurava atendimento para o marido Antônio Carlos Antunes, 47, no Hospital dos Pescadores.

Dos 56 pacientes  que aguardavam atendimento pelos corredores do Walfredo ontem, mais de 30 vieram de municípios próximos a Natal. “Há um problema na saúde pública em todo o Estado. E as ambulâncias que vêm com pacientes de outras cidades simplesmente não nos ligam para saber se temos vaga e ao chegarem deixam o paciente aqui na entrada do hospital e vão embora. Sem contar que estes mesmos pacientes recebem alta e ficam dias aqui à espera das ambulâncias para levá-los de volta. As unidades de saúde do interior sempre respondem que só poderão levar estes pacientes de volta quando estiverem com outro para trazerem”, contou a diretora do maior hospital do Rio Grande do Norte.

Falta de acordo

Depois de a secretária de Saúde de Natal, Maria do Perpétuo Socorro Nogueira Lima, ter apelado aos médicos cooperados para que usem o ‘bom senso’ e voltem ao trabalho, os profissionais vinculados à Coopmed decidiram, em assembleia na noite de quinta-feira (13), não aceitar a proposta da Secretaria Municipal de Saúde e lançaram uma contraproposta. Os médicos querem que os pagamentos referentes aos meses de junho e julho sejam feitos imediatamente. E que a remuneração referente ao mês de agosto seja paga no dia 15 de outubro.

Mesmo após a prefeitura já ter feito o pagamento de algumas parcelas da dívida com a cooperativa, ainda faltam R$ 4 milhões.

Não bastassem os problemas dentro dos hospitais, o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) também é afetado pela paralisação na saúde. O serviço está reduzido por conta da greve dos enfermeiros e dos técnicos, que se iniciou no dia 30 de agosto.

A crise na saúde pública do Rio Grande do Norte vai levar os médicos para as ruas de Natal neste sábado (15). Eles farão um manifesto principalmente contra as precárias condições na pediatria. A concentração será no Pronto-Socorro Infantil Sandra Celeste, na avenida Jaguarari, às 9h. Do local, o grupo seguirá à pé até o Hospital Walfredo Gurgel.

Estado

O governo do Rio Grande do Norte informou que desde o dia 4 de julho vem tomando as providências necessárias para resolver os problemas da rede de urgência e emergência do Estado, o que inclui a reforma de hospitais e o chamamento de parceria público-privada destinada à construção do novo hospital de trauma de Natal.

O Estado informou ainda que realizou todos os repasses devidos à Cooperativa dos Médicos e que a atual situação de paralisação de algumas unidades de saúde em Natal diz respeito a serviços e pagamentos de responsabilidade da prefeitura, incluindo os do Samu.

Funcionária denuncia descaso no Walfredo Gurgel; telefones estão cortados

Não é novidade para ninguém o descaso com o Walfredo Gurgel. Mas o fato é que a situação do maior hospital de urgência do RN está só piorando. O BLOG do BG recebeu ontem um e-mail de uma funcionária indignada com o estado crítico do hospital.

“A governadora vem tratando a greve instalada há mais de 02 meses com total descaso. Lidamos diariamente com o desabastecimento de medicamentos básicos, com a câmara do necrotério quebrada, máquina da lavanderia também quebrada e para completar o caos, hoje – 28.05, todas as linhas telefônicas foram cortadas por falta de pagamento”, diz trecho do e-mail.

A funcionária disse não poder se identificar, por medo de represália. Ela ainda está em estágio probatório.

Decisões no Hospital Walfredo Gurgel esperam por secretário

No momento, os problemas mais críticos da Saúde Pública ainda não estão sendo enfrentados como deveriam. Foi o que ficou evidente na plenária do Conselho Estadual de Saúde (CES-RN), que aconteceu na manhã de ontem. À frente da Sesap, como interina, a mossoroense Dorinha Bularmaqui afirmou aos conselheiros, que “está fazendo o que pode”, mas que está no cargo à espera do novo titular da pasta. Um exemplo é a falta de definição quanto aos novos diretores geral e médico do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, um ponto que para a promotora de Justiça da Saúde, Iara Pinheiro, é prioritário e urgente.

Essa posição foi externada pelo MP, na segunda-feira, 7, em documento entregue à governadora Rosalba Ciarlini. Ela pediu oito dias para dar retorno às promotoras de Saúde, Iara Pinheiro, Kaline Correia e Danielle Carvalho, e ao procurador-geral em substituição do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas do Estado, Luciano Ramos. Uma nova audiência deve acontecer na próxima semana.

Na plenária do CES-RN Dorinha afirmou que está aguardando a governadora chegar de Brasília para conversar sobre a “escolha do novo titular da pasta e da pessoa ou do grupo para ficar administrando o Walfredo Gurgel”. O complexo hospitalar está sem diretor geral e médico há mais de 30 dias. Pela primeira vez, depois que assumiu, interinamente, a Sesap, Dorinha Bularmaqui, falou à TRIBUNA DO NORTE, após a plenária, e afirmou  não ter intenção de assumir o cargo de titular da Saúde Estadual.

“Já falei para a governadora, na sexta-feira”, revelou Dorinha, “que me deixe na retaguarda, na execução das ações, e que veja uma outra pessoa para assumir o cargo”. A possibilidade de terceirização da gestão do HMWG, levantada durante a plenária do CES-RN, foi negada por Dorinha Bularmaqui. “Hoje não existe intenção de terceirizar a gestão do Walfredo. Não existe essa determinação”, garantiu a gestora, que assumiu, há uma semana, após a exoneração do titular Domício Arruda, em meio a uma crise de assistência e de gestão na Saúde, principalmente no Walfredo Gurgel, onde a superlotação alcançou um pico de 93 pacientes em corredores e o lixo se acumular em um dos acessos do complexo.

Na terça-feira, 8, o complexo hospitalar teve a Unidade de Emergência (a Reanimação) interditada eticamente, pelo Conselho Regional de Medicina (Cremern), por internação de pacientes graves em leitos improvisados para terapia intensiva. No dia da inspeção feita pelo Cremern (4 de maio) nove pacientes entubados estavam em leitos improvisados de UTI, nesta unidade. Na terça-feira, 8, o número havia caído para seis.

Ontem, a secretária interina disse que as providências recomendadas pelo conselho já estão sendo adotadas. Uma equipe técnica foi enviada para o HMWG, após a oficialização da interdição ética, na terça-feira, 8. “Já estamos fazendo a adaptação do ambiente, a substituição de alguns leitos, e a medicação já tinha sido providenciada, antes da recomendação”, afirmou Dorinha Bularmaqui.

Segundo ela, o mais difícil, que é a parte da garantia de mais leitos, “está sendo visto”, para que a transferência dos pacientes, conforme recomendado pelo Cremern, seja feita. A interina da Saúde admitiu que a efetividade da transferência de pacientes  depende da nomeação dos diretores do HMWG.

“Estamos aguardando uma definição por parte do governo quanto à nomeação dos diretores geral e médico, “que vão poder responder melhor pela unidade”. Dorinha  ressaltou que “o  desejo é que os pacientes fiquem internados em condições humanas” e que tem “angústia por ver o tipo de assistência que está sendo prestada aqui”.

Segundo ela, a Sesap estuda como disponibilizar técnicos, em número suficiente, para ativar 25 leitos de clínica médica e seis de UTI, no Hospital Dr. Ruy Pereira, em Natal. Outra alternativa é a utilização dos leitos disponíveis no Hospital Regional Alfredo Mesquita, em Macaíba.  Mas lá tem plantonista e tem condição de receber os pacientes e vamos investir nessa solução”.

Fonte: Tribuna do Norte