Dilma cria 4 novas universidades e amplia institutos militares

A presidente Dilma Rousseff sancionou nesta quarta-feira (5) a criação de quatro novas universidades no Norte e no Nordeste brasileiros e, ao lado do ministro Aloizio Mercadante (Educação), afirmou que irá ampliar o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) e o IME (Instituto Militar de Engenharia).

As leis criam as universidades federais do Cariri, no Ceará, do Sul-Sudeste do Pará, do Oeste da Bahia e do Sul da Bahia. São, ao todo, 38.360 novas vagas em 145 cursos de graduação e pós-graduação.

“Este é um desafio que temos que fazer: ampliar com qualidade e aumentar o número de pessoas com acesso [ao ensino superior]”, disse Dilma, em discurso no Palácio do Planalto. “A gente tem que buscar formas de transformar nossa diversidade não num fator de desigualdade, mas de (…) distribuição de renda e prosperidade do nosso país”, afirmou.

INSTITUTOS MILITARES

Segundo o ministro, o ITA será duplicado em número de vagas e o IME, triplicado. Mercadante não estabeleceu prazos, mas, a partir de 2014, novas vagas já serão criadas em ambos os institutos.

“O ITA aumentará em 60 vagas agora em 2014. E dobra o número de vagas, aumenta em 50% a pós-graduação, o que também é um grande reforço”, disse.

O governo também quer transferir alguns alunos do IME, no campus da Praia Vermelha, na zona sul do Rio, para Mangaratiba, na região metropolitana.

“O IME está comprimido na Praia Vermelha, não tem mais espaço físico. Nós já vamos aumentar mais 30 vagas o curso de engenharia no ano que vem, dentro da Praia Vermelha, e vamos deslocar agora para um novo parque tecnológico de Mangaratiba, para poder triplicar o número de vagas no IME”, continuou Mercadante.

Segundo ele, o Ministério da Defesa, ao qual as instituições estão submetidas, deverá entrar com contrapartidas junto ao MEC. A pasta vai autorizar a entrada do ITA e do IME para atuar no Pronatec (Programa Nacional de acesso ao Ensino Técnico e Emprego) e manterá parcerias com as universidades federais de Santa Catarina, Brasília, Itajubá (MG) e Pará.

Da Folha

ITA pode não adotar reservas sociais; especialista diz que cotas podem diminuir qualidade de ensino

Apesar de ser federal, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) pode não ter de seguir as regras que instituem a reserva de 50% das vagas para estudantes oriundos de escolas públicas.

 É que a instituição – uma das que mais valorizam o mérito e formam a elite tecnológica do País – é ligada ao Ministério da Defesa e não ao MEC, como são as 59 universidades e os 38 institutos de ensino federais.

Além do ITA, o Instituto Militar de Engenharia (IME) e as escolas navais também são ligados ao Ministério da Defesa. O órgão informou ontem que instituirá um grupo de estudo para avaliar os possíveis impactos da implementação do programa de cotas nessas instituições. Apenas após essa avaliação, decidirá se aderirá ou não ao sistema. Não há, segundo a pasta, prazo para a decisão. De qualquer forma, a resolução não deve sair neste ano.

O Estado apurou que, durante a tramitação no Senado, interlocutores do ministério se reuniram com relatores do projeto para negociar a não obrigatoriedade das cotas nesses institutos.

O texto final, aprovado na terça-feira, diz que as cotas devem ser cumpridas pelas “instituições federais de educação superior vinculadas ao Ministério da Educação”. A polêmica fica por conta do termo “vinculadas”, uma vez que, apesar de geridas pelo Ministério da Defesa, essas escolas obedecem às diretrizes pedagógicas e são avaliadas pelo MEC.

Nos corredores do ITA tem ganhado espaço especulações sobre o estabelecimento de cotas sociais e o uso do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no processo de seleção. Seria parte do processo de aproximação gradual que tem acontecido entre Defesa e Educação.

Consequência. Caso haja a adesão às cotas, haverá uma revolução nessas instituições. Hoje, no ITA, o número de inscritos vindos de escola públicas não chega a 50% – 30% são de escolas estaduais e 7,3%, de federais. As particulares respondem por 61,2%.

“Se isso acontecer, nosso perfil vai mudar bastante”, afirma José Renato Carvalho, estudante do 3.º ano de Engenharia Aeronáutica. Ele diz que são raros os colegas que vieram da rede pública – e mesmo esse pequeno porcentual é diferenciado. “São egressos dos colégios militares, que têm ensino mais forte.”

Além disso, muitos fizeram cursinho. Em 2012, das 120 vagas, 46 foram ocupadas por egressos do Poliedro, curso que tem preparação específica para postulantes ao ITA.

Por lá, cresce a preocupação dos alunos em garantir a vaga neste ano. “Com as cotas, vai ficar muito mais difícil”, diz Marcelo Telisson, coordenador do curso.

Por tudo isso, a consultora de Educação Ilona Becskeházy afirma que a opção de popularizar as universidades públicas é justa, mas desconfia de que o Senado não tenha consciência da consequência disso. “Talvez vejamos no ensino superior público o que houve com a escola básica: entram os pobres, não se faz nenhum esforço pela qualidade e as classes média e alta mudam para instituições privadas”, diz Ilona.

Fonte: O Estadão