O CLIMA E UM DRAMA MUNDIAL: Portugal prorroga período crítico de incêndios em florestas; mais de 41.006 hectares destruídos

FOTO: REUTERS / Bruno Kelly

O governo de Portugal decidiu prolongar até 10 de outubro o período crítico de incêndios no âmbito do Sistema de Defesa da Floresta, que terminaria nesta segunda-feira (30).

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera – Ipma – de Portugal prevê que, nos primeiros dez dias, as temperaturas se mantenham com valores elevados acima da média padrão para a época, uma baixa probabilidade de ocorrência de precipitação, com tendência de tempo seco e quente em todo o país.

“Face às condições descritas, considera-se necessário adotar medidas e ações especiais de prevenção de incêndios florestais, que decorrem durante o período crítico, no âmbito do Sistema de Defesa da Floresta contra Incêndios”, informou nota oficial.

Durante o período crítico de incêndios, nos espaços florestais ou agrícolas, é proibido fumar; fazer fogueiras; queimadas; lançar foguetes e balões; desinfestar apiários; e fazer circular tratores, máquinas e veículos de transporte pesados que não possuam extintor de incêndio.

Portugal registra 10.289 incêndios rurais

Até ao último dia 27, segundo o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, houve 10.289 incêndios rurais, que queimaram 41.006 hectares.

A partir de 10 de outubro, o nível de empenho operacional passa a reforçado de nível III. De 16 de outubro até ao fim do mês, o nível passa a reforçado de nível II. Portugal esteve coberto pelo nível de empenhamento operacional reforçado de nível IV desde julho.

Dados do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas mostram que, até 27 de setembro, houve 10.298 incêndios rurais, que queimaram 41.006 hectares – 51% de povoamentos florestais, 38% de mato e 11% de agricultura.

Agência Brasil

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Arthur disse:

    Eu acho que é o mesmo cara de bicicleta que Bolsonaro disse que tá tocando fogo na Amazônia.

  2. toni disse:

    E FOI MESMO O BOLSONARO MANDOU TACAR FOGO LA EM PORTUGAL ELE DISSE E SE PEGA FOGO AQUI TEM QUE PEGAR LA ORA POIS POIS!!!!!!!!

  3. Luís disse:

    Matéria chapa branca!!

  4. SINCERO disse:

    será q por lá tbm irão dizer q a culpa é de Bolsonaro?

    • Maria disse:

      A culpa dele aqui é no sentido de desmontar o IBAMA, tirou 21 dos 27 chefes, as multas diminuíram e ele disse publicamente que ia acabar com as multas, acabou com o Funda da Amazônia, em fim, disso tudo já se sabe e o pior encorajou os criminosos a desnatarem mais ainda, são palavras das autoridades de lá.

  5. Manoel disse:

    Só pode ser culpa de Bolsonaro!

Cientistas temem que chicungunha repita febre amarela e se instale em florestas

O ‘Aedes aegypti’ é o mosquito transmissor da dengue, zika e chicungunha Foto: PAULO WHITAKER / Reuters

O vírus chicungunha segue o caminho da febre amarela e ameaça se tornar silvestre no Brasil. Uma vez instalado nas florestas, ele se tornaria impossível de erradicar no país, pois, diferentemente da febre amarela, não existe vacina.

As matas serviriam como fonte perene da doença, que se espalhou pelas cidades brasileiras e causa epidemia urbana no Rio, alertam os autores da descoberta, cientistas dos institutos Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e Pasteur, na França.

Publicado na revista científica “Plos Neglected Tropical Diseases”, o estudo tem implicação direta no controle da infecção.

Como a febre amarela, a chicungunha é causada por um vírus de origem africana, e desembarcou no Brasil como uma doença humana. A forma urbana de ambas as febres é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti .

Mas o grupo liderado pelo entomologista da Fiocruz Ricardo Lourenço, um dos maiores especialistas do país em insetos transmissores de doenças, descobriu que duas espécies de mosquitos silvestres comuns no estado do Rio são capazes de transmitir o chicungunha.

— Existe a forte possibilidade de que os mosquitos silvestres já estejam infectados. É um grave problema de saúde pública, pois vai dificultar ainda mais o combate à doença — afirma Lourenço, chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do IOC. — Mais do que nunca, vigilância sanitária é crucial, e ela também precisa ser feita nas matas, com mosquitos e macacos.

Lourenço e seus colegas coletaram em matas do estado do Rio mosquitos silvestres das espécies Haemagogus leucocelaenus e Aedes terrens . Ambas são comuns e encontradas em grande parte das florestas da América do Sul, da Mata Atlântica à Amazônia.

Em laboratório, os pesquisadores infectaram os mosquitos com o chicungunha e viram que este se multiplicava nos insetos e era passado adiante apenas três dias após terem contraído o vírus.

— Nosso próximo passo é descobrir se os macacos ou outros animais silvestres brasileiros podem funcionar como reservatórios do chicungunha, a exemplo do que aconteceu com a febre amarela — explica Lourenço.

Este mesmo grupo de pesquisadores já havia alertado em 2014, antes da detecção dos primeiros casos de chicungunha, que os Aedes aegypti e albopictus poderiam transmitir o vírus.

A febre amarela é uma enfermidade que acompanhou a escravidão. Os navios negreiros do século XVII trouxeram da África o vírus e o mosquito Aedes aegypti , seu transmissor.

A febre era inicialmente urbana, mas o vírus se espalhou e, nos anos 1930, a forma silvestre foi descrita no Vale do Canaã, no Espírito Santo.

O vírus tornou-se capaz de infectar os mosquitos silvestres, que se tornaram o principal reservatório; os insetos o transmitiram para suas vítimas preferenciais, os macacos, que se tornaram hospedeiros.

Epidemia silvestre

Mas não é o homem que morre da doença do macaco. É o macaco que morre da doença do homem. A epidemia de febre amarela iniciada em 2016 é silvestre.

Já o chicungunha — descoberto na África, em 1952 — chegou ao Brasil, aparentemente, em 2014.

Em países africanos há surtos simultâneos das formas urbana e silvestre. Os macacos africanos são suscetíveis a eles. Porém, os primatas brasileiros são de outras espécies e não se sabe se apresentam vulnerabilidade.

Se o Aedes aegypti é um inimigo formidável, presente em quase 90% dos municípios brasileiros, os mosquitos silvestres têm hábitos de vida que também os tornam extremamente difíceis de combater.

Eles põem seus ovos em ocos de árvores e conseguem sobreviver mesmo em temperaturas mais frias.

O Globo

 

Brasil pode gerar eletricidade a partir de biomassa de florestas

Foto: Flávio Forner

Quando ratificou o Acordo de Paris — um esforço empreendido por 195 países para evitar a escalada do aquecimento global —, em 2016, o Brasil traçou uma série de metas que poderiam ajudar a reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa. Um dos objetivos era ampliar o uso de fontes alternativas de energia e restaurar, ou reflorestar, 12 milhões de hectares de florestas até 2030. Mas pouco se fez para atingir esse compromisso.

Um estudo inédito do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), ONG que pesquisa emissões de poluentes, sugere que é possível traçar um plano para avançar no cumprimento de duas metas simultaneamente: plantar florestas e aumentar a participação das fontes renováveis de energia. Segundo o relatório, batizado de Florestas Energéticas, o Brasil tem potencial para gerar 11,6 GW por ano — o equivalente a mais de duas usinas hidrelétricas como a de Belo Monte — a partir da biomassa de florestas plantadas, uma fonte de energia renovável. A ideia, grosso modo, é plantar árvores para produzir eletricidade.

— Nossa intenção foi demonstrar que temos alternativas às termelétricas alimentadas por combustíveis fósseis, muito poluentes — diz o pesquisador Munir Soares, um dos responsáveis pelo estudo. — Avaliamos se isso é factível. A conclusão é de que o Brasil tem uma opção de acelerar seu processo de descarbonização.

Descarbonizar, no caso, significa gerar eletricidade sem emitir gás carbônico, um dos gases responsáveis pelo aquecimento global. Nesse esquema, queima-se a madeira cultivada em florestas de eucalipto, menos poluente que o carvão ou o gás natural usados nas usinas termelétricas. Há outra vantagem ambiental: ao crescer, as árvores de eucalipto absorvem dióxido de carbono em quantidade suficiente para neutralizar os gases emitidos pela queima.

6,3 milhões de hectares até 2030

Segundo o instituto, o Brasil tem potencial para ocupar 6,3 milhões de hectares com florestas de eucalipto até 2030. As novas florestas poderiam ocupar áreas hoje destruídas, como regiões de pastagem degradadas. Dos 6,3 milhões, 1,6 milhão comporiam a chamada reserva legal, uma porção dos imóveis rurais destinada a recomposição e preservação da mata nativa.

Essa área de floresta, diz o estudo, poderia absorver 17 vezes a quantidade de gás carbônico produzida pela geração de toda a energia que hoje abastece o Sistema Integrado Nacional (SIN), a infraestrutura responsável por levar eletricidade à maior parte do país.

André Ferreira, professor da USP e presidente do Iema, afirma que o objetivo do estudo não é estimular o Brasil a plantar florestas de eucalipto maciçamente. Mas demonstrar que existem caminhos para a produção de energia mais sustentáveis:

—Se quiser expandir a geração de energia hidrelétrica, o país precisará explorar o potencial da região amazônica, a um custo socioambiental muito alto — diz Ferreira.

A discussão é urgente, segundo o pesquisador, porque, nos últimos anos, o Brasil aumentou a produção de energia a partir de termelétricas fósseis, em reação aos problemas de abastecimento dos reservatórios de hidrelétricas. A biomassa de florestas plantadas é uma alternativa interessante por ser mais controlável, em oposição a alternativas como a energia solar ou eólica, que são intermitentes e variam em função do clima.

Se quiser crescer economicamente nos próximos anos, o Brasil terá de gerar mais energia. Segundo projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), até 2032, o consumo energético brasileiro deverá saltar, dos 465 TWh empregados em 2017, para 787,5 TWh.

Energia produzida é cara

Por ora, a energia produzida a partir de biomassa de florestas plantadas é cara. Há somente 12 projetos do gênero em funcionamento, cuja energia é vendida por cerca de R$ 500 por MWh. Muito mais que os R$ 200 por MWh que se paga pela eletricidade proveniente de termelétricas a gás natural.

Políticas públicas adequadas, que valorizem atributos ambientais, poderiam torná-la mais competitiva. Ainda que neutralizem emissões, florestas de eucalipto também causam impacto.

— Produzir energia a partir de eucalipto é algo positivo. Mas é preciso cuidado para que essas árvores não desabasteçam lençóis freáticos e agravem os efeitos das mudanças climáticas nas regiões em que forem plantadas — diz Pedro Brancalion, do Laboratório de Silvicultura Tropical da Esalq/USP.

O Globo