RJ tem menor número de homicídios desde 1991, mas mortes por ações policiais subirão até dezembro, diz secretário

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O secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Marcus Vinícius Braga, adiantou em uma entrevista concedida na manhã desta quarta-feira (21) ao Bom Dia Rio que os números de homicídios por ação policial cresceram e devem aumentar até, pelo menos, o mês de dezembro deste ano. Ele afirmou também que o estado registrou o menor número de homicídios dolosos desde 1991.

“A tendência é subir até dezembro, porque as ações estão sendo feitas. Conforme a gente for trabalhando as investigações, a inteligência, a integração com a Polícia Militar, a tendência é abaixar. É um número alto, não é o número que a gente deseja”, explicou Braga, que não citou os números.

No primeiro trimestre do ano, foram 434 pessoas mortas, de acordo com os dados do ISP. Uma média de sete óbitos por dia. Foi o maior número desde 1998.

De acordo com os números apresentados pelo secretário, que devem ser oficialmente divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) durante a tarde, foram registrados 2.392 casos de janeiro a julho desde ano. Em 2018, foram 3.101 casos.

“Só esse ano a gente prendeu 700 homicidas. Em mais ou menos quatro semanas, fizemos uma operação em Queimados e prendemos uma quadrilha enorme de homicidas. Ficamos 14 dias sem homicídio lá. Além da ostensividade, temos que focar na investigação”, ressaltou Braga, afirmando que os números são “maravilhosos”.

Sequestro na Ponte Rio-Niterói

O delegado afirmou que o sequestro do ônibus na Ponte Rio-Niterói, que terminou com o sequestrador Willian Augusto da Silva morto por atiradores de elite e 39 reféns libertados, está sob a investigação da Divisão de Homicídios (DH) e que o caso aparenta ser um atuação isolada.

“Pela experiência que eu tenho, acredito que seja um surto psicótico. Já era uma pessoa com alguns problemas, isso foi falado pela família. Isso o torna mais perigoso do que um criminoso comum, que sabe o que está fazendo”, contou Braga.

Ele definiu a operação como “exitosa”.

Operação na CDD

Sobre a operação realizada na terça na Cidade de Deus, na Zona Oeste, e questionada por moradores pelo uso de aeronaves e por artefatos serem jogados no meio da comunidade, Marcus Vinícius Braga destacou ainda que acredita que o helicóptero é necessário por ser um “salvador de vidas”, e por oferecer uma visão privilegiada e permitir uma visão de cima das comunidades.

“Quando não tem o águia, a reportagem mostra de 30 a 40 minutos de tiroteio. O tempo de tiroteio com a presença do águia é de três minutos”, contou.

Segundo o secretário, as bombas jogadas de helicóptero eram armamentos não letais e que a polícia não possui granadas defensivas, capazes de machucar.

“A Polícia Civil, quando vai a uma operação, ela já fez um trabalho de investigação, já obteve um mandado de prisão, já fez o planejamento prévio e trabalha com inteligência na hora”, explicou Braga.

Morte de jovens

Sobre a morte de seis jovens a tiros em cinco dias, o secretário afirmou que as operações são dificultadas quando inocentes são atingidos. Ele afirmou que criminosos têm interesse em atingir pessoas que não possuem relação com o crime em situações como essa.

Na última sexta-feira (16), o governador Wilson Witzel também deu uma declaração nesse sentido ao afirmar que se solidariza com as famílias das vítimas, mas que a culpa pelas mortes não era das forças de segurança, mas sim dos criminosos.

“Há situações que traficantes, assim que a polícia entra, atiram em inocentes pois sabem que a operação vai acabar”, afirmou Braga.

G1