Acidente

Ex-presidente do Flamengo e mais 10 viram réus por incêndio do Ninho do Urubu

Foto: Agência Estado

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) aceitou a denúncia feita pelo Ministério Público (MP-RJ) no último dia 15 listando 11 réus após a conclusão das investigações sobre o incêndio no Ninho do Urubu que matou 10 adolescentes. Entre os acusados está o ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello. A informação foi publicada inicialmente pelo site “Esporte News Mundo” e confirmada pelo ge.

O ofício comunicando o recebimento da denúncia foi expedido pelo juiz titular da 36ª Vara Criminal – onde transcorrerá o processo – Marcelo Laguna Duque Estrada. Os 11 réus responderão por incêndio culposo (sem intenção) qualificado, que terminou em morte (de dez pessoas) e lesão corporal, no caso dos três jovens que sobreviveram. Como não foram denunciados por homicídio, e sim por incêndio culposo, eles não vão a júri popular.

Para estes crimes, na forma culposa, o Código Penal não prevê pena de prisão em regime fechado, apenas detenção em regime aberto ou semi-aberto, que é quando o réu precisa dormir na prisão, mas pode sair durante o dia. As penas podem variar de 1 ano e quatro meses até 6 anos.

Na madrugada de 8 de fevereiro de 2019, as chamas causadas pelo curto-circuito atingiram as instalações onde dormiam os jogadores do Flamengo entre 14 e 17 anos que não tinham residência no Rio. O incêndio causou a morte de 10 jovens: Athila Paixão, de 14 anos; Arthur Vinícius de Barros Silva Freitas, 14 anos; Bernardo Pisetta, 14 anos; Christian Esmério, 15 anos; Gedson Santos, 14 anos; Jorge Eduardo Santos, 15 anos; Pablo Henrique da Silva Matos, 14 anos; Rykelmo de Souza Vianna, 16 anos; Samuel Thomas Rosa, 15 anos; Vitor Isaías, 15 anos.

Três garotos ficaram feridos: Cauan Emanuel Gomes Nunes, 14 anos; Francisco Diogo Bento Alves, 15 anos; Jhonatan Cruz Ventura, 15 anos.

Os 11 réus

Eduardo Bandeira de Mello – ex-presidente do Flamengo

Márcio Garotti – ex-diretor financeiro do Flamengo

Carlos Noval – ex-diretor da base do Flamengo, atual gerente de transição do clube

Luis Felipe Pondé – engenheiro do Flamengo

Marcelo Sá – engenheiro do Flamengo

Marcus Vinicius Medeiros – monitor do Flamengo

Claudia Pereira Rodrigues – NHJ (empresa que forneceu os contêineres)

Weslley Gimenes – NHJ

Danilo da Silva Duarte – NHJ

Fabio Hilário da Silva – NHJ

Edson Colman da Silva – técnico em refrigeração

Blog da Gabriela Moreira – Globo Esporte

 

Opinião dos leitores

  1. Mesmo sendo culposo e a justiça ser muito branda no tocante as penas, 10 vidas se foram, 10 sonhos de se tornarem jogadores profissionais não se concretizaram. No mínimo, a pena deve ser por indivíduo morto e feridos, o que poderia ser transformada em prisão em regime fechado, dado o número de vítimas. A pena informada, é mais uma vergonha pro judiciário brasileiro. Claro que não houve crime doloso, porém, a negligência e o descuido, no mínimo, contribuiram para ceifar a vida desses jovens. Que seja aplicada uma pena na proporção dessas perdas.

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Esporte

(FOTOS) – Tragédia no Ninho: e-mails mostram que Flamengo sabia da situação de “grande risco” nove meses antes do incêndio

Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

Documentos em poder da Justiça revelam que o Flamengo foi alertado para a situação de “grande risco” do alojamento nove meses antes do incêndio que matou 10 adolescentes da base. A informação foi primeiramente publicada pelo site “Uol”.

Em um e-mail datado de 11 de maio de 2018, por exemplo, os responsáveis pela administração do centro de treinamento receberam um relatório feito por um técnico contratado pelo Flamengo que apontava problemas em diversos itens do sistema elétrico. Esse relatório apontava a necessidade de um “atendimento emergencial”.

Trecho do relatório que apontava necessidade de reparos no sistema elétrico do Ninho, CT do Flamengo — Foto: Reprodução

No dia 8 de fevereiro de 2019, uma pane na eletricidade causou o incêndio que tirou a vida de Athila Souza Paixão, Arthur Vinícius de Barros, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Gedson Santos, Jorge Eduardo Santos, Pablo Henrique da Silva, Rykelmo de Souza, Samuel Thomas Rosa e Vitor Isaías.

Três dias depois do relatório, o Flamengo, de acordo com um contrato que também está nas mãos da Justiça, recebeu a proposta de uma empresa para realizar os reparos. A “CBI Instalações” foi chamada e recebeu no dia 25 de maio a primeira parcela do contrato cujo valor total era de R$ 8.500. O pagamento consta nessa nota fiscal.

Nota fiscal do pagamento do Flamengo da primeira parcela à “CBI” — Foto: Reprodução

Em outubro, o Flamengo pagou a segunda parcela, emitindo a nota fiscal da imagem abaixo.

Nota fiscal do pagamento do Flamengo da segunda parcela à “CBI” — Foto: Reprodução

O serviço, no entanto, não foi realizado. É o que acusa outra empresa contratada pelo Flamengo já após o acidente. A “Anexa Energia Serviços de Eletricidade” foi contratada para fazer uma espécie de vistoria particular para o clube, com o objetivo de identificar as causas do acidente e consertar o que ainda pudesse trazer riscos.

Neste parecer técnico entregue ao clube no dia 20 de março de 2019, a empresa afirma que, ao vistorias o disjuntor que atendia o módulo onde estava o ar condicionado que deu início ao fogo no alojamento, verificou que “as instalações continuavam as mesmas de quando a inspeção fora realizada”.

Trecho do relatório da empresa entregue ao Flamengo — Foto: Reprodução

Trecho do relatório da empresa entregue ao Flamengo — Foto: Reprodução

De acordo com o relatório da empresa, após o incêndio, o disjuntor permanecia com os mesmos problemas detectados em maio.

Trecho do relatório da “Anexa” entregue ao Flamengo — Foto: Reprodução

Por fim, para os técnicos que analisaram o aparelho, “a causa do incêndio está ligada às tensões da instalação elétrica, que podem ter sido provocadas pelas oscilações da rede elétrica e/ou pela má instalação elétrica do CT”.

Trecho do relatório da “Anexa” entregue o Flamengo — Foto: Reprodução

O ge procurou todos os envolvidos no caso. Esses são os posicionamentos:

CBI Instalações: não respondeu até a publicação dessa reportagem.

Marcelo Helman, diretor responsável pela administração do Ninho do Urubu que recebeu o e-mail alertando para as necessidades de reparo na época: não respondeu até a publicação dessa reportagem.

Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo na época do incêndio: não respondeu até a publicação dessa reportagem.

Flamengo: informou que não vai se pronunciar.

Globo Esporte

 

Opinião dos leitores

  1. Por muito menos (muito menos mesmo, já que não tiveram vidas ceifadas), o Manchester City e um time da Escócia, foi punido com o rebaixamento pra última série daquele País! O City conseguiu reverter a sua situação pra não ficar de fora da Champions, mas o time escocês foi rebaixado. Aqui no Brasil, o Cruzeiro começou a série B com seis pontos a menos, por problemas financeiros. Repito, em nenhum desses casos acima, houveram vítimas fatais! Não basta só a indenização, até porque não trará a vida dos garotos de volta! Tem que haver no âmbito do futebol, uma punição severa e exemplar, para que fatos como esse, não voltem a manchar o futebol brasileiro. Cito isso, sem nenhum clubismo. Por muito menos nos anos 70 e também sem vítimas fatais, o ABC ficou dois anos sem poder atuar no campeonato nacional!

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Esporte

Jogadores do Flamengo vão ao Ninho do Urubu após 65 dias para exames e são informados de protocolos para volta

Última visita dos jogadores ao CT tinha acontecido no dia 14 de março — Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

Sessenta e cinco dias depois, os jogadores do Flamengo estão de volta ao Ninho do Urubu.

A partir das 9h desta segunda-feira, o elenco começou a chegar no centro de treinamento para realização de exames de Covid-19 e para serem informados dos protocolos para volta das atividades. O clube deseja voltar aos trabalhos ainda nesta semana.

Qualquer decisão só acontecerá após os resultados dos testes de atletas e comissão técnica. As 38 pessoas que testaram positivo há duas semanas também foram examinadas. O Flamengo, por sua vez, intensifica as conversas com as autoridades públicas por um aval para retomar as atividades.

Apesar dos decretos de quarentena até o fim do mês, o clube sente uma flexibilização maior no diálogo com o governo do estado, enquanto a prefeitura se mostra mais rígida. Judicialmente, no entanto, a diretoria entende que não há infração caso volte com os treinamentos.

Funcionários realizaram o segundo exame na sexta-feira. Jogadores e a comissão técnica portuguesa, encabeçada por Jorge Jesus, fazem o teste sorológico nesta segunda.

A última atividade do elenco no CT tinha acontecido no dia 14 de março, véspera da partida contra a Portuguesa, pela Taça Rio. A coleta para o primeiro exame foi realizada em casa.

Na visita ao Ninho, os jogadores tomaram conhecimento das adaptações realizadas no local para volta aos treinos e já experimentaram protocolos. O Flamengo prepara o terreno para retomada.

Globo Esporte

 

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Acidente

FOTOS: Vítima de incêndio do Ninho, goleiro do Flamengo defendia seleção e era monitorado pelo exterior

O goleiro Christian em ação pela seleção de base — Foto: Reprodução

Uma das vítimas do trágico incêndio do Ninho do Urubu é o goleiro Christian Esmério. O jogador de 15 anos era uma das maiores promessas de sua geração e um dos destaques das categorias de base do Flamengo. Christian colecionava convocações para a seleção brasileira em sua categoria e era, inclusive, monitorado por clubes do exterior.

No fim do ano passado, inclusive, chegou a postar uma foto ao lado do técnico da Seleção, Tite, em uma de suas passagens pela Granja Comary. Goleiro profissional do Flamengo e também cria da base do clube, Gabriel Batista usou as redes sociais para lamentar a perda.

Goleiro postou foto com o técnico Tite no ano passado — Foto: Reprodução

Adelizia Damasceno da Silva, mãe de um dos atletas do clube, falou com a imprensa sobre o incidente. Ela também citou o goleiro Christian.

– Um nome foi confirmado que foi a óbito, o goleiro Christian, ele foi para a seleção em dezembro, eu que levei para o Galeão. Quando a gente ligou a televisão, eu nem quis saber de reportagem, eu vim direto para cá. Meu filho também podia ter sido vítima, é muito triste a dor que esses pais estão passando. Era um ótimo goleiro, eu gostava muito dele – disse.

Não houve nenhuma outra confirmação sobre as outras vítimas do incêndio. Os bombeiros confirmam dez mortos. Três jovens estão hospitalizados.

Globo Esporte

 

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