Apesar de 19 votos contrários à cassação e de cinco abstenções, ninguém defende Demóstenes

Isso é reflexo da ferramenta do voto secreto para algumas das votações do Senado Federal.

Apesar dos 19 votos contrários à cassação e das cinco abstenções, nenhum senador fez qualquer declaração pública em defesa de Demóstenes Torres, que perdeu o mandato nesta quarta-feira com o aval de 56 parlamentares por quebra de decoro parlamentar.

Eram necessários 41. A votação terminou com 15 votos a mais do que o necessário. Mesmo assim, ficam alguns mistérios. Quem são esses senadores que votaram contra a cassação? E os que se abstiveram? Porque nenhum deles ainda falou publicamente o que levou eles a tomar tais decisões? Nos corredores do Senado já se especulam alguns nomes, mas todos, até agora, seguem calados.

Porque o silêncio? Por causa do voto secreto? O voto secreto, em muitos casos, encobre políticos que falam de um jeito, mas que agem de outro completamente diferente. Na frente das câmeras é uma coisa, mas na hora de agir é outra. Pelo andar da carruagem, ninguém vai falar. Afinal, eles estão respaldados legalmente pelo “voto secreto”.

 

Conselho de Ética abre processo para apurar caso Demóstenes

O novo presidente do Conselho de Ética, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), aceitou na tarde desta terça-feira (10) a representação do PSOL contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e abriu processo para verificar se houve quebra de decoro parlamentar, o que pode levar à perda do mandato.

Demóstenes será investigado por denúncias de que usou seu mandato para beneficiar o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal sob suspeita de chefiar uma quadrilha de jogo ilegal. Devido às denúncias, Demóstenes deixou a lidenraça do DEM na Casa e se desfiliou do partido.

“Acato a presente representação. Determinando seu registro e a notificação do representado para que no prazo de 10 dias úteis contados da intimação pessoal ou por intermédio do seu gabinete apresente sua defesa prévia”, disse o presidente do conselho.

Apesar da abertura do processo no Conselho de Ética, foi adiada para a próxima quinta-feira (12), às 10h, a escolha do relator para o processo. A escolha será mediante sorteio, de acordo com o novo presidente do conselho.

Valadares afirmou que tomou uma atitude “importante” ao aceitar o pedido. “Eu já fiz a coisa mais importante, aceitar a representação. O processo tem início aqui”, disse o novo presidente. Ao final da sessão, Valadares disse que Demóstenes não tem mais como escapar de um eventual processo de cassação.

“O clima aqui no Senado, que antes era de torcida para que não fossem verdadeiras as acusações hoje é de inteira decepção e frieza com o nome do Demóstenes Torres […] Não há mais como [Demóstenes] escapar de um processo de cassação”, disse Valadares.

A partir da abertura do processo, Demóstenes terá 10 dias úteis para prestar explicações prévias ao Conselho. Valadares afirmou que espera que Demóstenes preste explicações pessoalmente ao grupo. O senador Demóstenes Torres não vai ao Senado há cerca de três semanas, desde o dia 20 de março, no auge das denúncias.

Fonte: G1