Auxílio no tratamento do autismo: Startup da UFRN desenvolve novas funcionalidades para diagnóstico e processo terapêutico

O tratamento de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é essencial para o desenvolvimento da comunicação, processo de aprendizagem e interação social. Pensando nisso, a startup WayAba – empresa vinculada à Inova Metrópole, incubadora do Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN) – desenvolveu uma série de novas funcionalidades para sua plataforma de auxílio ao diagnóstico e tratamento do autismo.

Implantadas no último mês, as funções já estão disponíveis para os usuários, que podem acessá-las tanto na plataforma web como no aplicativo mobile. Ambos funcionam de forma integrada, priorizando a metodologia da Análise de Comportamento Aplicada – tradução em português para a sigla ABA: Applied Behavior Analysis. Essas melhorias permitem, por exemplo, o compartilhamento de documentos entre analistas e os responsáveis pelo paciente, envio de mensagens entre usuários, agenda de compromissos, checklist de materiais pedagógicos e protocolos de avaliação.

A função central da WayAba é servir como um suporte para digitalização e tratamento das informações que são geradas pelo paciente durante a terapia, permitindo que o terapeuta possa arquivar tais dados ainda durante a sessão, poupando tempo e também agregando recursos que proporcionam a geração de relatórios e gráficos, que ajudam no diagnóstico e auxiliam o processo terapêutico.

Plataforma compara e analisa crianças com perfis parecidos e indica ao terapeuta o melhor tratamento para determinado paciente. Foto: Ana Karla Santiago

O CEO da startup, Assis Barbosa, destaca que outra função específica é a capacidade da própria plataforma de analisar e comparar crianças com perfis parecidos e, a partir da identificação de um padrão, indicar ao terapeuta qual seria o melhor tratamento para determinado paciente. Ele explica que essa sugestão dada pela plataforma é baseada nos próprios dados armazenados ao longo de seu uso pelo terapeuta.

Diferente de outras soluções que existem no mercado, a WayABA é elaborada exclusivamente para aqueles profissionais que utilizam o método ABA em suas rotinas.

“O que existe hoje no mercado são aplicações para digitalização de informações e isso o nosso protótipo da WayABA já atende, mas vamos além, com a inteligência de dados, que é o nosso grande diferencial. A geração de relatórios que descrevem os dados coletados, por exemplo, permitem que o terapeuta possa tomar uma decisão a partir dessas informações organizadas”, reforça Assis Barbosa.

A WayABA é elaborada exclusivamente para aqueles profissionais que utilizam o método ABA em suas rotinas. Foto: Ana Karla Santiago

Melhorias

Ao comentar sobre as recentes melhorias da WayAba, o CEO afirma que se trata de um importante amadurecimento da tecnologia. “À medida que novas pessoas entram na plataforma, mais demandas surgem, o que agrega cada vez mais valor à nossa solução. Enquanto isso, nossos usuários terão à sua disposição um leque de recursos cada vez maior”, avalia.

Pai de uma criança com autismo, Assis Barbosa destaca que a startup irá continuar desenvolvendo novas funcionalidades levando em conta as necessidades dos usuários. Ele explica que a Análise de Comportamento Aplicada se trata de uma metodologia complexa e que as funções atuais oferecidas pela plataforma asseguram um forte apoio ao usuário.

“A ABA é uma ciência muito eficiente, por isso mesmo exige muito de seus profissionais. A nossa plataforma garante aos usuários um trabalho otimizado, eliminando retrabalhos e gerando gráficos e análises estatísticas automaticamente”, destaca o CEO.

A equipe da startup continuou desenvolvendo suas atividades durante a pandemia. Foto: divulgação

Crescimento e pandemia

Mesmo diante do atual período de pandemia e isolamento social, os trabalhos da WayAba não pararam e, além do desenvolvimento das novas funções, a startup também conseguiu, em seu processo de vendas, firmar contrato com mais oito novos clientes, distribuídos em diferentes estados do país: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso.

Além disso, na última semana de setembro, a startup também acrescentou à sua carta de clientes, a Clínica Núcleo Desenvolve – primeira clínica situada em Natal a contratar os serviços da startup.

Em paralelo à expansão em sua área de atuação, a empresa também encontra-se em processo de transição do programa de Pré-incubação, iniciado em abril de 2019, ao de Incubação na Inova Metrópole.

“A pré-incubação foi um período de muito trabalho e muitas conquistas. Sempre recebemos suporte e fomos auxiliados nas estratégias para o nosso projeto, com treinamentos, indicações e consultorias. Nessa fase de pré-incubação, fomos contemplados em um edital de subvenção econômica do Banco do Nordeste e iniciamos nosso processo de vendas”, analisa o CEO.

Com UFRN

 

“Já vivi com R$ 8 na conta”, diz empresária que vendeu startup ao Bradesco

Foto: Divulgação

Stephanie Fleury, 36, já estava cansada de levar calote de amigos na hora de dividir a conta quando, em 2015, durante uma viagem a Nova York, descobriu o Venmo, um aplicativo usado para a transferência de dinheiro entre amigos pelo celular. De volta ao Brasil, ela registrou o domínio para criar a DinDin e começou a planejar sua futura empresa. “Eu me apaixonei pela ideia, porque, dos eventos que eu organizava com amigos, eu sempre levava calote ou saía no prejuízo”, conta.

Nesta semana, Stephanie anunciou a venda da DinDin, uma carteira digital e conta de pagamentos criada há quatro anos, para o Bradesco, um dos principais bancos do país. A operação é a primeira feita com startup fundada por uma mulher, segundo o banco.

Formada em administração de empresas pela PUC-Rio e com passagens por empresas do Brasil, da Jamaica e dos Estados Unidos, Stephanie tinha um problema para colocar a ideia em prática: faltava experiência com finanças e tecnologia. Foi então estudar o mercado e, um ano mais tarde, lançou a DinDin oficialmente em 2016.

“Muita gente me disse que eu estava louca, que ia concorrer com bancos, empresas grandes, mas juntei todas minhas economias e resolvi insistir”, diz.

A ideia era lançar um aplicativo que funcionasse como rede social e permitisse a transferência de valores com pessoas cadastradas na sua agenda telefônica. Mas os planos mudaram nos primeiros meses da empresa. Isso porque ela percebeu que o mercado aqui era bem diferente do americano, onde havia se inspirado.

Além de outro sistema de tarifas, o mercado mais atrativo no Brasil não era de millennials, como são conhecidos os jovens nascidos nos anos 2000, mas o dos milhões de pessoas que não tem conta bancária. A saída foi partir para a criação de uma conta digital, oferecendo uma série de serviços, além de um cartão pré-pago.

“Eu acho que nós chamamos a atenção de empresas como o Bradesco, porque a gente significa para eles uma economia de tempo, [que permite] saltar a curva de aprendizagem. Já passamos por vários problemas e temos certa expertise”, diz.

Enfrentando barreiras

Stephanie Fleury é a primeira mulher a vender uma fintech, como são chamadas as startups de bancos digitais, para o Bradesco. Para ela, o feito é sinônimo de orgulho, já que gênero era um dos obstáculos na hora de conseguir investimentos e mostrar que o negócio tinha futuro.

“O mercado de fintech, tal qual o financeiro, é muito masculino. O dinheiro vai mais para empresas lideradas por homens do que para as dirigidas por mulheres”, diz. “Eu já notei que, em algumas situações, gerava desconfiança o fato de eu ser mulher e parecem jovem. Então já cheguei a convidar amigos para participarem comigo de reuniões, porque percebi que seria melhor para o negócio.”

Em quatro anos de empresa, o maior obstáculo mesmo foi o dinheiro, ou a falta dele, o que faz com que muitas startups fechem nos primeiros dois anos de vida, a chamada “curva da morte”. “Você pode ter clientes, pode estar no caminho certo, mas o maior problema é ter caixa, porque às vezes ele seca e você tem que se virar. Eu já fiquei com R$ 8 na conta”, lembra.

Nessa época, o alívio foi a mãe, que ganhou um carro em um sorteio e resolveu dividir o valor com Stephanie e o irmão. Só na fase inicial, a empresária já tinha investido pelo menos R$ 50 mil no negócio.

Em 2018, a solução enfim parecia ter chegado. Naquele ano, a startup captou investimento de 46 pessoas através de outra fintech brasileira, a EqSeed. Foi uma captação recorde para a plataforma: R$ 600 mil em apenas 12 dias. O negócio prometia decolar, mas aí apareceu um contratempo.

“O investimento estava na conta e no dia seguinte eu ia aplicar. Acordei e o Banco Central tinha pedido liquidação do Neon, onde estava o meu dinheiro. Eu me desesperei. Pensei ‘agora que eu consegui, ele vai ficar preso?'”, lembra. Apesar do susto, a operação não afetou o montante da DinDin.

A partir daí, as coisas realmente mudaram para a startup. Stephanie ganhou prêmios, foi indicada para representar o Brasil em uma competição internacional da empresa de cartões Visa para mulheres empreendedoras, até que no fim do ano passado foi procurada por representantes do Bradesco. “Quando você chama a atenção de um dos maiores bancos do país, pensa que realmente está no caminho certo”, diz.

“Se eu soubesse que era tão difícil eu acho que não teria feito, mas ainda bem que eu não sabia”, brinca a empreendedora. “Então o meu conselho é: tem que acreditar, porque a gente pensa em desistir todo santo dia”, diz. “Também é muito importante fazer networking, além de estudar, estar preparada.”

Na última terça-feira, as empresas fizeram o anúncio oficial da venda. A partir de agora, a carteira de clientes da DinDin (cujo número não é divulgado pela empresa) deve ser migrado gradualmente para o Bitz, do Bradesco. “É um processo de desapego, porque você começa a ver o filho trocando de nome. Então desapeguei em prol do propósito de bancarizar mais pessoas e de forma mais rápida”.

Por enquanto, ela seguirá como CEO da DinDin e diretora comercial do Bitz. A formalização da aquisição depende da aprovação do Banco Central e outras entidades reguladoras. O valor da transação não foi revelado.

Universa – UOL

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Jorge disse:

    Muito bom o círculo de amizades dela…

Startup cria saquinho comestível para água que substitui garrafa

A meia-maratona de Londres, que será disputada no 29 de março, não terá as tradicionais mesas com copos d’água para hidratar os corredores. Em vez disso, os organizadores se juntaram a Notpla, startup de tecnologia que trabalha com embalagens.

A embalagem alternativa — batizada de Ooho — é um sachê transparente e comestível, feito com algas marinhas. Com eles, os corredores poderão simplesmente morder a ponta e beber a água. Se quiserem, podem até comê-lo “como um tomate-cereja”, nas palavras do co-fundador da empresa, Pierre-Yves Paslier.

“Você coloca dentro da sua bochecha e morde. Ela explode, então é bem surpreendente,” disse Paslier a Fast Company. O sachê não tem sabor.

Segundo Paslier, que já trabalhou como engenheiro de embalagens da L’Oreal, a ideia é garantir que não haja impacto ambiental no descarte do sachê.

“Queremos ter uma solução a prova de balas, que não importa onde terminar, nossas embalagens não vão causar consequências negativas,” disse Paslier. “Se a natureza consegue lidar com isso caso acabem indo para o lugar errado, é o maior tipo de proteção.”

A embalagem comestível é criada utilizando conceitos de gastronomia molecular. Segundo a Notpla, um cubo de gelo é colocado em uma solução de cloreto de cálcio e extrato de alga marinha. A mistura se junta a redor do cubo, criando uma camada que, após o gelo derreter, retém a água.

Além de eventos esportivos, a Notpla já se juntou com uma marca de whisky, Glenlivet, para criar “coquetéis sem copos.” A empresa também pretende investir no mercado de embalagens de molhos como ketchup e mostarda.

“Nós acreditamos que vai funcionar junto com pessoas utilizando mais garrafas reutilizáveis e esquemas de devolução de embalagens, e muitas outras coisas que, juntas, vão criar uma sociedade livre do plástico,” disse Paslier.

Época