Mulher desenvolve infecção cerebral por limpar errado os ouvidos

 (FOTO: PIXABAY)

Uma australiana de 37 anos desenvolveu uma infecção no cérebro por limpar os ouvidos com hastes flexíveis. Identificada como Jasmine, a mulher relatou aoThat’s Life! que higienizava a parte interna da orelha diariamente, até começar a ter problemas de audição no órgão esquerdo.

Jasmine procurou um médico, que a diagnosticou com uma infecção leve e receitou antibióticos. Embora tenha feito o tratamento, os sintomas continuaram e a paciente notou sangue saindo de seu ouvido durante suas limpezas diárias.

Depois de realizar um teste de audição que apontou surdez moderada, a australiana foi encaminhada a um especialista em ouvidos, nariz e garganta. Foi só após uma bateria de exames que o profissional detectou a real causa do problema: uma infecção bacteriana que estava “corroendo” o osso do crânio de Jasmine.

“Você deveria ter vindo me ver quatro ou cinco anos atrás”, disse o especialista, de acordo com a paciente. Ela foi submetida a uma cirurgia de cinco horas para remover o tecido infectado e reconstruir seu canal auditivo. Segundo os cirurgiões, Jasmine tinha fibras de algodão alojadas em seu ouvido: “O algodão estava acumulado e purulento há cinco anos. Meu osso do crânio atrás da orelha estava fino como papel”, disse a mulher.

O caso prova que utilizar esses objetos para higienizar os ouvidos não é uma boa ideia, embora a prática seja comum. De acordo com a Academia Americana de Otorrinolaringologia, deve-se evitar colocar qualquer artefato dentro da orelha, incluindo itens próprios para higienizar o órgão auditivo. Os bastonetes acabam empurrando a cera de volta ao ouvido e podem causar irritações ou até lesões. O correto é usá-los para limpar apenas a parte externa.

Felizmente, a cirurgia de Jasmine foi um sucesso e ela foi curada da infecção, mas ficou com perda auditiva permanente. “Nossos ouvidos são partes delicadas e sensíveis do nosso corpo e precisam ser tratados com cuidado.”

Galileu

 

Médicos explicam como a depressão se desenvolve nas diferentes etapas da vida; veja características de acordo com cada faixa de idade

SEGUNDO O ÚLTIMO LEVANTAMENTO DA ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE (OPAS), HÁ MAIS DE 300 MILHÕES DE PESSOAS DEPRIMIDAS NO MUNDO (FOTO: PIXABAY)

Segundo o último levantamento da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), há mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades que sofrem de depressão no mundo. No Brasil, dados da Vittude (plataforma online voltada para a saúde mental), feitos com 492.790 pessoas, mostram que 5,9% dos respondentes se encontram em estado extremamente severo de depressão.

Principalmente se não for tratada, a doença pode voltar em diferentes períodos da vida ou se tornar crônica: o que muita gente não sabe é que é possível ficar deprimido não apenas na vida adulta e na adolescência, mas também na velhice e até mesmo na infância.

Depressão infantil: o tédio que nunca acaba

Durante o 8º Fórum de Sistema Nervoso Central da América Latina, evento promovido pela empresa farmacêutica Pfizer, nos dias 02 e 03 de agosto, a psiquiatra Sheila Caetano conta que embora a depressão tenha sido descrita no século 5 a.C por Hipócrates — sob o nome de “melancolia” — só começou a se falar em depressão infantil no século passado.

“Não porque não existia a criança deprimida no passado, mas porque não existia o conceito de infância. Até o século 17 e 18 as crianças eram ‘mini adultos’. Durante a Revolução Industrial na Inglaterra, você tinha crianças de 7 a 10 anos trabalhando”, afirma Caetano, que é pesquisadora da Escola Paulista de Medicina (Unifesp).

Segundo a psiquiatra, o que pode causar depressão nesse período são fatores como doenças crônicas reumatológicas (em tecidos como ossos, músculos e articulações), histórico familiar de suicídio, abuso, abandono e contato com substâncias psicoativas. Mas ter depressão abaixo dos 6 anos de idade é considerado algo muito raro pelos especialistas.

Isso porque a criança ainda está “aprendendo os sentimentos” e como lidará com eles. “Geralmente quando vem a depressão ela é mais física, é uma criança que está sem comer, porque está fraca, porque não quer ir à escola e porque tem medo”, conta.

Dos 7 aos 12 anos, a doença tem mais chances de ocorrer e é um período em que já há capacidade de verbalizar o sofrimento — apesar de não entendê-lo. No período seguinte, dos 8 anos até a pré-adolescência, a criança já consegue interpretar os sentimentos. “O que eles falam muito quando estão deprimidos é que tudo é muito tédio e que o tédio não sai”, explica. “E elas já começam a esboçar um desejo de morte.”

Segundo Caetano, na infância não há noção avançada de letalidade em relação ao suicídio, mas há a intencionalidade. Com 7 anos, uma criança “quer dormir e não acordar”, mesmo que ela não entenda que isso não é reversível. “Elas não entendem que não vão viver de novo, mas já há esse ato”, diz a psiquiatra.

Adolescência: irritabilidade e impulsividade

ADOLESCÊNCIA É MARCADA POR FLUTUAÇÕES HORMONAIS INTENSAS QUE AUMENTAM OS RISCOS DE DEPRESSÃO (FOTO: PIXABAY)

Ter depressão durante a juventude traz principalmente sintomas como humor irritável, alternação de peso, anedonia (perda de prazer em atividades que se gostava de fazer antes) e mudanças anormais no sono. “O que vemos muito são adolescentes dormindo 12 a 17 horas por dia. Mas a família não entende como eles dormem tanto e ainda ficam cansados”, explica Caetano.

Quando se tem depressão na adolescência, há uma percepção subjetiva de tristeza, mas somada à impulsividade e à agressividade — fatores que apresentam um “pico” devido às mudanças hormonais. Assim como na infância, a noção de letalidade é menor: não por baixa compreensão, mas devido aos impulsos — nem sempre há um plano de suicídio. Por isso, é importante o diálogo dos pais com os jovens em um espaço sem julgamentos.

“A prevenção começa em uma questão simples de ter com quem falar”, diz Caetano. “A gente precisa sempre ter essa rede de suporte, pois as depressões mais leves e moderadas nós tratamos com intervenções psicossociais.”

Vida adulta: preocupações do trabalho e vida reprodutiva

Durante a vida adulta, a depressão se manifesta de modo diferente entre homens e mulheres. Elas são mais suscetíveis à doença, principalmente devido às regulações hormonais como o déficit de estrogênio, hormônio fabricado pelos ovários e liberado na primeira fase do ciclo menstrual.

“Até 8% das mulheres vão apresentar o quadro da depressão cíclica. Durante a gravidez e a lactação, até um quarto das mulheres deprimem”, afirma Carmita Abdo, psiquiatra da Universidade Universidade de São Paulo (USP), durante palestra no 8º Fórum de Sistema Nervoso Central da América Latina.

Segundo Abdo, as mesmas mulheres que sofrem com depressão durante a gravidez têm ainda mais chances de desenvolver a doença no puerpério, período de 45 a 60 dias após o parto. Muitas adquirem transtorno disfórico pré-menstrual, doença marcada por mudanças de humor extremas que desaparecem após a menstruação.

“Essa mulher só vai ser diagnosticada como deprimida no climatério [transição do período reprodutivo para o não reprodutivo] ou na menopausa, quando de fato o risco de recorrência da depressão é maior”, explica Abdo. Nos homens, ela conta, a depressão na vida adulta pode ocorrer devido à oscilação de testosterona, mas isso ocorre mais no final da vida, quando os índices dos hormônios começam a cair.

À GALILEU, José Alberto Del Porto, psiquiatra da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), explica que para os adultos é muito comum a manifestação do burnout, que alguns pesquisadores classificam até mesmo como sendo um tipo de depressão.

“Ele alude a fatores estressores no ambiente de trabalho e não é uma situação rara. Pode começar como uma situação de estresse ambiental e em pessoas predispostas ele pode acabar evoluindo para a depressão”, afirma Del Porto.

DEPRESSÃO É MAIS COMUM EM IDOSOS DO QUE EM IDOSAS (FOTO: PIXABAY)

Velhice

O psiquiatra Sérgio Blay, da Unifesp, conta que a incapacitação nos idosos com depressão é bem maior, considerando todas as doenças da medicina clínica e psiquiátrica. A depressão também pode aumentar os riscos de demência — Blay cita uma revisão de estudos de Lars Kessing, pesquisador da Dinamarca, sobre o assunto.

Um fator protetor para evitar as disfunções cerebrais atreladas à demência, segundo o psiquiatra, seria os níveis de escolaridade, que “protegem o cérebro” quase 60 anos depois. Na velhice, há maior incidência de depressão em homens, pois é o período em que os níveis de testosterona começam a diminuir de forma mais acenturada. Desse modo, na mulher idosa, a depressão é frequentemente não reconhecida. “A doença costuma estar muito associada com quadros de doenças cerebrovasculares e com a maior ocorrência de perda de função física e de problemas de visão nas mulheres idosas”, afirma Carmita Abdo.

Nos idosos, a depressão conta com alguns “fatores de risco”, como baixa renda (aposentadorias que prejudicam condições de vida e de alimentação), solidão e a viuvez, em decorrência da morte parceiro amoroso.

“Muito mais para homens há uma piora do quadro devido ao uso de álcool e à baixa inserção social”, afirma Abdo. “A mulher costuma continuar a manter no envelhecimento as relações familiares e de vizinhança.” O tratamento da depressão na terceira idade também tende a ser mais complicado, pois geralmente o idoso já toma muitos medicamentos: receitar o melhor antidepressivo, portanto, fica mais difícil. “Os nossos pacientes ainda se queixam na disfunção sexual, da insônia. É preciso perguntar para escolher um medicamento que tenha eficácia”, explica Abdo.

Galileu

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Franci Diniz disse:

    Muito boa a matéria, está de parabéns, o blog sempre trazendo informações de qualidade.

FOTOS: Estudante de mestrado em Engenharia Civil da UFRN desenvolve estrutura inovadora em madeira

Uma estrutura inovadora com estética contemporânea. Assim é a Gridshell Dunas, uma construção desenvolvida no Laboratório de Estudos da Madeira (Labem), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que utiliza a madeira pinus e parafusos rosqueados em seu método construtivo. Gridshell Dunas é considerada a primeira iniciativa do modelo para pesquisa no Nordeste brasileiro.

Desenvolvida no mestrado da estudante Isabela Souza, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil com foco em Materiais e Processos Construtivos, o projeto tem orientação da professora Edna Moura Pinto e co-orientação do professor Alfredo Manuel Dias (Universidade de Coimbra/Portugal).

Montada no estacionamento do Núcleo Tecnológico da UFRN, ao lado do Labem, a Gridshell Dunas segue o modelo de casca reticulada, comumente utilizada na Itália e na Espanha. “Essas estruturas podem ser projetadas em diferentes materiais, e aqui escolhemos a madeira. As principais características do método dizem respeito à ausência de necessidade do uso de pilares intermediários e o baixo consumo de material em relação à superfície de cobertura da estrutura. Por esse motivo, o método se adequa satisfatoriamente à construção de ambientes de convivência, como pavilhões de feiras”, explica a professora Edna Moura Pinto.

“A materialização dessa pesquisa envolveu o apoio de diferentes agentes e a participação de alunos da pós-graduação da Engenharia Civil, graduação em Arquitetura, Centro de Tecnologia, Superintendência de Infraestrutura, Laboratório de Estudos da Madeira/ UFRN, a Escola Agrícola de Jundiaí, bem como o envolvimento da iniciativa privada e do terceiro setor, parceiros como o Estúdio Oito Engenharia e o Instituto de Inovação e Sustentabilidade”, comenta a mestranda Isabela Souza.

A Gridshell Dunas vem sendo planejada desde 2017. Foram feitas pesquisas, desenvolvimento de estrutura virtual em autocad e maquete até chegar à etapa de construção da grid, que cobre uma área de 20 metros quadrados.

O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PEC), Fagner Alexandre Nunes de França, destaca o quanto o trabalho desenvolvido representa inovação. “É muito pertinente e interessante o trabalho desenvolvido com a Gridshell no PEC. É algo inexistente em Natal, que poderia ser muito bem aplicado em restaurantes da cidade sem muito custo para o investidor”.

Para o professor João Inácio da Silva Filho, vice-diretor interino da Escola Agrícola de Jundiaí, é motivo de muita felicidade colaborar com o projeto. “É muito bom ver a Universidade desenvolvendo projetos inovadores para o Estado, juntando o terceiro setor e a academia. Temos vários departamentos unidos no desenvolvimento deste projeto, que é o primeiro do Nordeste. Esta inovação deve ser valorizada e incentivada para sua ampliação”, aponta o João Inácio.

Em nova etapa do projeto, a estrutura montada na UFRN receberá uma fundação com eucalipto para ser construída uma área de convivência, que vai contar com jardineiras. Será também uma área de visitação para outras universidades, que tenham interesse em pesquisar o método.

Com informações da UFRN

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Maria José cavalcante barbosa disse:

    Fui ver de perto a estrutura montada, adorei é muito segura e bonita tenho certeza que vai bombar entre os arquitetos de natal.