Diário Oficial publica lei que inclui autismo nos censos do IBGE

O Diário Oficial da União publica em sua edição desta sexta-feira (19) a Lei nº 13.861/2019, sancionada nessa quinta-feira (18) pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. Ela trata da inclusão de informações específicas sobre pessoas com autismo, nos censos demográficos realizados a partir deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Atendendo à necessidade da comunidade autista no Brasil e reconhecendo a importância do tema, sancionamos hoje a Lei 13.861/2019 que inclui dados específicos sobre autismo no Censo do IBGE. Uma boa tarde a todos!”, escreveu o presidente da República, em sua conta no Twitter.

A lei sancionada pelo presidente altera a Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, para incluir as especificidades inerentes ao transtorno do espectro autista nos censos demográficos. Atualmente, não existem dados oficiais sobre as pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) no Brasil.

A expectativa inicial era que presidente vetasse o texto e tentasse incluir eventuais questionamentos sobre os autistas na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Pelo Twitter, Bolsonaro chegou a compartilhar, na semana passada, um vídeo da presidente do IBGE, Susana Guerra, em que ela defendia a inclusão dos autistas na PNAD e não no censo demográfico.

Os dois levantamentos são organizados pelo IBGE, mas o censo é realizado a cada dez anos e apura a totalidade dos dados demográficos. Nesta quinta-feira pela manhã, no Palácio do Alvorada, o presidente chegou a dizer, a um grupo de pessoas que pediam a sanção do projeto, que seguiria a orientação de sua equipe, favorável ao veto.

Autismo

O Transtorno do Espectro Autista resulta de uma desordem no desenvolvimento cerebral e engloba o autismo e a Síndrome de Asperger, além de outros transtornos, que acarretam modificações na capacidade de comunicação, na interação social e no comportamento. A estimativa é que existam 70 milhões de pessoas no mundo com autismo, sendo 2 milhões delas no Brasil.

Agência Brasil

 

Autismo teria ligação em comum com mutações existentes no estômago, segundo cientistas

MODELO DE UMA REDE DE NEURÔNIOS (FOTO: PIXABAY)

Um time internacional de pesquisadores descobriu que o autismo estaria relacionado a problemas estomacais, pois há mutações genéticas comuns entre estruturas semelhantes no cérebro e no estômago. Com isso, podem surgir novas possibilidades de tratamento para atenuar as disfunções comportamentais ligadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA).

“Nós sabemos que o cérebro e o estômago compartilham muitos neurônios e agora pela primeira vez nós confirmamos que eles também compartilham as mesmas mutações genéticas”, afirmou Elisa Hill-Yardin da Universidade do Instituto Real de Tecnologia de Melbourne, na Austrália. O intestino possui a maior concentração de neurônios fora do sistema nervoso central: o processo de digestão, por exemplo, não depende de uma ação comandada pelo cérebro.

Segundo Hill-Yardin, mais de 90% das pessoas com autismo sofrem de problemas estomacais, o que pode afetar a vida diária dessas pessoas. Porém, por muito tempo, cientistas se focaram no estudo do cérebro para entender melhor a doença, sem investigar o sistema digestivoo. “Nossos achados sugerem que os problemas gastrointestinais podem vir das mesmas mutações nos genes que são responsáveis pelas anomalias comportamentais e cerebrais do autismo”, explicou a pesquisadora.

Os cientistas estudaram a função e a estrutura do estômago em ratos e também analisaram estudos pré-clínicos anteriores feitos em animais. A pesquisa se baseou ainda em uma pesquisa de 2003, na qual um grupo de cientistas teria descoberto uma mutação genética que causa o distúrbio neurológico, ao alterar a estrutura responsável pela ligação entre os neurônios.

Os pesquisadores encontraram agora diferenças significativas nos micróbios dos estômagos dos ratos que apresentavam a mutação, quando comparados àqueles que não possuíam a mesma mutação genética.

Segundo Hill-Yardin, a alteração genética é rara, alterando o número de neurônios do intestino e afetando a resposta de um neurotransmissor ligado ao autismo. De acordo com a pesquisa, tal mutação também aumentaria a velocidade com que a comida se movimenta no intestino delgado.

Galileu

Bombástico: Messi foi diagnosticado com autismo quando criança, revela escritor

> at Camp Nou on August 18, 2013 in Barcelona, Spain.Gênio inquestionável do futebol, para muitos já no patamar de Diego Armando Maradona e Pelé, o argentino Lionel Messi, dono das últimas quatro Bolas de Ouro da Fifa, pode sofrer de uma forma leve de autismo, a síndrome de Asperger.

A revelação bombástica foi feita pelo escritor Roberto Amado, sobrinho de Jorge Amado e autor do livro Poucas Palavras, em um artigo publicado na internet.

Segundo Amado, o autismo de Messi ajudou o argentino a se tornar o gênio que é e foi diagnosticado quando o craque ainda era criança, aos oito anos de idade.

Em seu artigo publicado na internet e que está causando rebuliço nas redes sociais, o escritor explica sua tese baseado na observação ao comportamento de Messi e também nos depoimentos de pais de crianças altistas.

— Ter síndrome de Asperger não é nenhum demérito. São pessoas, em geral do sexo masculino, que apresentam dificuldades de socialização, atos motores repetitivos e interesses muito estranhos. Popularmente, a síndrome é conhecida como uma fábrica de gênios. É o caso de Messi. É possível identificar, pela experiência, como o autismo revela-se no seu comportamento em campo, nas jogadas, nos dribles, na movimentação, no chute.

Um dos depoimentos que integra o artigo é dado por Nilton Vitulli, pai de um portador da síndrome de Asperger e membro atuante da ong Autismo e Realidade e da rede social Cidadão Saúde, que reúne pais e familiares de aspergianos.

Segundo Vitulli, é possível encontrar sinais da condição de Messi até nos momentos em que o argentino comemora seus gols.

— O Messi sempre faz os mesmos movimentos: quase sempre cai pela direita, dribla da mesma forma e frequentemente faz aquele gol de cavadinha, típico dele. É como se ele previsse os movimentos do goleiro. Ele apenas repete um padrão conhecido.Quando ele entra na área, já sabe que vai fazer o gol. E comemora, com aquela sorriso típico de autista, de quem cumpriu sua missão e está aliviado.

A dificuldade de Messi para lidar com a imprensa em grandes eventos ou simples entrevistas foi apontada por Giselle Zambiazzi, presidente da AMA Brusque, (Associação de Pais, Amigos e Profissionais dos Autistas de Brusque e Região, em Santa Catarina), e mãe de um menino de 10 anos diagnosticado com síndrome de Asperger, como outro ponto a ser observado.

— É visível o quanto aquele ambiente o incomoda. Aquele ar perdido, louco pra fugir dali. A coçadinha na cabeça, as mãos, o olhar que nunca olha de fato. Um autista tem dificuldade em lidar com esse bombardeio de informações do mundo externo.

R7

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Pergunta que não quer calar.... disse:

    E os jogadores do ABC e América? Tem o que atualmente?

    • Pode ser disse:

      Ele, mesmo se "não for normal" joga muito bem e ajuda seu time, que é vencedor. Todo mundo tem problema!

  2. junior disse:

    E deixou o autismo no meio do caminho foi? rsrs. Cada uma desse autor do livro.

Cientistas encontram ligação inesperada entre autismo e câncer

AUTISM_ADULTHOOD_4-1Ao estudar duas condições aparentemente não relacionadas – o autismo e o câncer -, pesquisadores convergiram para uma inesperada descoberta. Algumas pessoas com autismo têm genes tumorais que aparentemente causam o transtorno cerebral. Dez por cento das crianças com mutações num gene chamado PTEN, que causa câncer de mama, cólon e outros órgãos, também têm autismo.

– É estranho – diz Evan Eichler, professor de Ciência do Genoma da Universidade de Washington, sobre a convergência.

Ele e outros alertam que a descoberta se aplica a uma pequena parcela de pessoas com autismo. Na maioria dos casos, a causa permanece misteriosa. E como acontece com quase todas os distúrbios genéticos, nem todos com as mutações desenvolvem autismo ou câncer, ou outras doenças associadas com os genes, como a epilepsia, os cérebros dilatados e os tumores cerebrais benignos.

Mas pesquisadores dizem que a descoberta é intrigante. Como não existem animais que naturalmente iniciem um quadro de autismo, não há nenhuma maneira de analisar o que pode causar distúrbio em cérebros em desenvolvimento e tampouco há cura.

A ligação recém-descoberta permitiu aos cientistas analisar camundongos com sintomas do transtorno, o que levou ao primeiro teste clínico de um possível tratamento para crianças com autismo, que receberam drogas para tratar tumores com a mesma base genética.

Richard Ewing, um menino de 10 anos, que tem uma forma de autismo causada pelo gene tumoral, está entre os voluntários do estudo. Seus pais, Alexandra e Rick Ewing, sabem que ele tem risco de desenvolver tumor no cérebro, coração, rim, pele e olhos. Mas a má notícia foi minimizada com sua elegibilidade para o teste clínico, que acabou de começar.

– Existe uma grande diferença entre nós e o resto da comunidade autista – diz o pai. – Nós temos um diagnóstico genético.

Nem todos concordam que a descoberta é tão promissora. Steven McCarroll, geneticista de Harvard, ressalta que o autismo em crianças com o gene tumoral têm “um cérebro que está falhando de várias formas”. O autismo nessas crianças pode ser uma manifestação de um mau funcionamento do cérebro em geral, disse ele, acrescentando que “o fato de que o autismo é um dos muitos problemas neurológicos que surgem nestes pacientes não necessariamente nos diz algo relevante sobre os déficits sociais e de linguagem que são específicos para o transtorno”.

Mas outros cientistas que não estão envolvidos na pesquisa dizem que o trabalho está mudando a compreensão sobre o autismo e seu desenvolvimento. Assim como o câncer, o distúrbio envolve o crescimento irregular de células, neste caso, de neurônios.

O chefe do Centro de Genoma Molecular e Doenças Neuropsiquiátricas da Universidade da Califórnia, Jonathan Sebat, descreve o paralelo entre câncer e autismo como “muito estranho”.

– Nós não resolvemos tudo, só uma pequena parte. Mas isto já é muito esclarecedor – disse.

Foi Charis Eng, geneticista da Clínica Cleveland, que primeiro notou uma surpreendente incidência de autismo em crianças cujos pais tinham a mutação PTEN. Os pesquisadores viram que esta taxa de autismo era de 10%, cerca de 10 vezes maior do que o esperado.

Esclerose tuberosa também ligada ao autismo

No mesmo período, cientistas descobriram outro distúrbio genético tinha ainda mais propensão de resultar em autismo: a esclerose tuberosa, que aumenta o risco de câncer no rim e no cérebro. Cerca de metade dos pacientes com esclerose tuberosa tinham autismo.

Embora o PTEN e os genes da esclerose tuberosa não sejam os mesmos, eles são parte de uma mesma rede de genes que freiam o crescimento celular. Desativando o PTEN ou um dos genes da esclerose tuberosa, este freio é liberado. O resultado disto pode ser câncer, anormalidade nas fibras nervosas ou autismo.

Mustafa Sahin, do Hospital de Crianças de Boston, decidiu testar se as drogas usadas para tratar tumores causados pela mutação do gene da esclerose tuberosa também poderiam tratar o autismo em pessoas com a mesma mutação.

Ele começou o experimento em camundongos, deletando os genes do cerebelo. As fibras nervosas do cérebro do animal cresceram descontroladamente, e os animais desenvolveram comportamentos anormais, que lembram o autismo, como movimentos repetitivos.

Mas a substância rapamicina, que tem como alvo o bloqueio do gene da esclerose tuberosa e bloqueia a proteína envolvida na divisão celular, provocou melhoras nos animais, que passaram por testes de memória e aprendizado, assim como tiveram maior controle do crescimento das fibras nervosas no cérebro.

Agora Sahin dá uma droga similar, a everolimus, para crianças autistas com a mutação genética. Richard está entre as crianças. Cada uma tomará a droga ou o placebo por seis meses. O estudo está previsto para terminar em dezembro de 2014.

O Globo