ALÉM DO HOME OFFICE: Semana de 4 dias e escritórios sem aperto são tendências fortes no mundo do trabalho pós-pandemia

TUDO EM CASA – Agatha Matias, gerente de marketing da Unilever, trabalha sempre acompanhada do gatinho Fubá: “Em tempos tão difíceis, o home office me proporcionou segurança e melhor qualidade de vida”. A empresa é pioneira em flexibilização, o que facilitou sua adaptação à pandemia – Egberto Nogueira/Ímãfotogaleria/VEJA

“A única coisa que devemos temer é o próprio medo”, discursou o presidente americano Franklin Delano Roosevelt (1882-1945) em março de 1933, durante o lançamento do New Deal, o bem-sucedido plano de recuperação econômica para combater a crise de 1929, a Grande Depressão. O programa revolucionou o mercado com inovações como o salário mínimo, a redução da jornada de trabalho e o seguro-desemprego. Quase um século depois, outro grande e trágico acontecimento — a pandemia do novo coronavírus — também mudará para sempre a vida do trabalhador e dos patrões. Cada vez mais, flexibilização será regra do jogo, mesmo depois de a vacina chegar. Em tempos normais, apenas algumas empresas consideradas excêntricas apostavam no home office. O isolamento social, porém, pôs o paradigma do trabalho remoto à prova e agora até mesmo os mais céticos reconhecem que é possível ganhar dinheiro, até mais, fora do escritório — na mais visível das mudanças provocadas pela disseminação do vírus, que mexeu também com as famílias (leia aqui) e com os serviços de telemedicina (leia aqui).

VEJA entrevistou nos últimos dias executivos de algumas das maiores empresas do Brasil para descobrir quais tendências dominarão o mercado daqui por diante. Logo de cara, ficou evidente: não há pressa para voltar ao escritório. O Itaú já avisou seus 55 000 colaboradores que o trabalho remoto será mantido ao menos até fevereiro de 2021. Na companhia de alimentos Kraft Heinz, só 10% do pessoal tem ido até a sede, mas apenas às segundas e terças-feiras, e sempre de forma voluntária. Aqueles que pertencem ao grupo de risco ou usam transporte público estão proibidos de retornar. Já a XP Investimentos decidiu dar um passo além das rivais e aboliu definitivamente o trabalho presencial.

Todas as empresas consultadas pela reportagem afirmaram que estão plenamente satisfeitas com o desempenho de seu pessoal durante a pandemia e que, mesmo a distância, a produtividade aumentou. Segundo David Vélez, CEO do banco digital Nubank, as taxas de engajamento dos funcionários que estão em casa bateram recorde de 90% durante a pandemia. “Todos os times reportaram ganhos de produtividade”, afirma. O corte de custos, a melhora na qualidade de vida e a possibilidade de contratar talentos em qualquer parte do mundo são outros benefícios do trabalho remoto apontados pelos gestores. A falta de interação pessoal, aquele cafezinho no corredor que pode suscitar ideias geniais, é um ponto negativo, mas as empresas estão atrás de soluções. “Tivemos de revisar as formas de comunicação, com reuniões pontuais e concisas”, diz Maurício Rodrigues, vice-presidente de finanças da farmacêutica alemã Bayer.

AMBIENTE AREJADO – Selda Klein, gerente de RH da C&A, na reformada sede da empresa: “Agora temos espaços mais abertos e integrados, sem baias nem mesas fixas, e com fácil comunicação” – Egberto Nogueira/Ímãfotogaleria/VEJA

Gigantes estrangeiros como Twitter e Facebook já sinalizaram o desejo de implementar o home office permanente para quem assim preferir. No Brasil, o Bradesco deu a seus funcionários a opção de trabalhar remotamente de forma fixa, oferecendo uma ajuda de custo de 1 080 reais no primeiro ano para cobrir gastos com internet e luz. A tendência geral, porém, caminha em direção ao modelo “híbrido”, com os funcionários indo de um a três dias até a firma.

A pandemia, sem dúvida alguma, quebrou as barreiras do horário comercial e rotinas preestabelecidas. A multinacional Unilever, que foi pioneira em medidas de flexibilização no Brasil, como o job sharing (no qual pessoas dividem uma mesma função e trabalham apenas três dias por semana) e jornada de meio período, pretende ampliar seu leque, com horários livres para os funcionários — eles decidem o melhor período para a labuta. Algumas empresas usam a tecnologia para monitorar e controlar os horários dos funcionários, mas a tendência é que as relações sejam cada vez mais de confiança. “O que importa é entregar as tarefas”, diz Flavia Caroni, diretora de RH da Kraft Heinz. Entre as novas ideias destaca-se a adoção de um dia a mais de descanso, incentivada até por governos como o da Alemanha, Nova Zelândia e Reino Unido. “A semana de quatro dias pode funcionar em qualquer negócio ou país”, diz o neozelandês Andrew Barnes, autor do livro The 4 Day Week (A Semana de Quatro Dias). “A redução da jornada de trabalho protege todas as tradições e estilos de vida, fatores cruciais para a coesão familiar, qualidade de vida e senso de comunidade.”

A maioria das empresas brasileiras, porém, não se entusiasma com a ideia de reduzir a jornada. Na realidade, os funcionários têm trabalhado mais, o que explica inclusive a alta produtividade. Especialmente no começo da pandemia, muitos esticaram a jornada temendo perder o emprego. A conta, porém, sempre chega e a saúde mental passou a ser prioridade. A Ambev criou um departamento exclusivo para o atendimento psicológico de seus funcionários. Palestras e aulas de mindfulness (atenção plena) foram incorporadas ao expediente.

O novo normal afetou mais drasticamente o topo e a base da pirâmide corporativa. Os mais jovens se ressentem do acompanhamento presencial, o que exige maior capacidade de adaptação e amadurecimento, mas têm a seu favor a familiaridade com as tecnologias. Já os chefes tiveram de se tornar mais facilitadores e menos controladores. “A pandemia trouxe tristeza, mas também aprendizado”, afirma Sofia Esteves, fundadora da Cia de Talentos, a maior empresa de recrutamento do país. “O líder tinha uma exigência muito grande de ser o super-­homem e, diante da incerteza, teve de assumir suas fragilidades e desenvolver sua sensibilidade.”

Nesse cenário, os escritórios não vão morrer, mas terão de ser “ressignificados”, para usar uma palavra típica do mundo corporativo. “A sede da empresa é um catalisador de sua cultura e ganhou um papel mais importante, já que as pessoas não têm de estar lá o tempo todo. O novo escritório tem de ser uma experiência mais atrativa e sedutora”, diz Sérgio Athié, presidente do Athié Wohnrath, maior escritório de arquitetura do país, especializado em projetos corporativos. “As grandes mesas com porta-retratos da família devem ser extintas e dar lugar a espaços colaborativos. Até pelo temor de uma nova pandemia futura, espaços mais abertos e ventilados, como a cobertura dos prédios ou o térreo, devem ser reaproveitados.”

Diante da necessidade de cortar custos, os chamados coworkings, ou escritórios compartilhados, tendem a ganhar tração. “A demanda por flexibilidade, que já existia, explodiu”, diz Lucas Mendes, CEO da WeWork no Brasil. Recentemente, a empresa lançou um cartão que dá acesso a todos os prédios da empresa no mundo. No Brasil, o passo mais ousado, reafirme-se, foi da XP Investimentos. A empresa aboliu o trabalho presencial e está construindo a Villa XP, um câmpus amplo e futurista que lembrará as sedes de Apple e Google, no Vale do Silício, e da Tencent, em Shenzhen, China.

São Roque, no interior de São Paulo, receberá o projeto, que contará com hotel, restaurantes, áreas de lazer e esportes, clínicas médicas, creches, laboratórios, auditórios e salas de reuniões abastecidas por fontes de energia renováveis. Engana-se, porém, quem pensa que os funcionários terão de se deslocar para o ambiente. O espaço receberá eventos corporativos, e não só da XP, além de atividades pontuais para funcionários, como o treinamento de novos contratados. “A ideia é ter um espaço moderno, em consonância com a dinâmica do trabalho descentralizado”, diz Guilherme Sant’Anna, head de gente e gestão da XP. “O escritório será utilizado só por funcionários em treinamento e para reuniões específicas.”

A tecnologia, evidentemente, se torna cada vez mais fundamental para viabilizar essa mudança. A Via Varejo, dona de Casas Bahia, Ponto Frio e do site de vendas do Extra, avançou a digitalização da empresa, pondo de pé um modelo até então ignorado pelas varejistas: a venda pelo Whats­App. As questões relacionadas aos benefícios também demandam mudanças. “Estando mais em casa, o colaborador deve ter maior autonomia e flexibilidade”, diz Raphael Machioni, CEO da Vee, startup de benefícios como vale-cultura e planos de academias de ginástica. “Ele pode, por exemplo, trocar o vale-transporte por um auxílio home office.” As novidades do mercado também são fruto da reforma trabalhista, que atualizou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e regulamentou o teletrabalho. Melhor ou não, só o tempo dirá, mas certamente o novo mundo profissional será muito diferente.

Para 96%, home office será diferencial para escolher um emprego, diz pesquisa

Foto: Reprodução

Quanto mais a pandemia se prolonga e algumas empresas estendem o home office, mais os colaboradores e gestores passam a enxergar o trabalho remoto como uma alternativa que veio para ficar. Pesquisa da Workana, plataforma que conecta freelancers a empresas, mostra que, para 96,7% dos profissionais entrevistados, o benefício do home office será um diferencial na hora de escolher a empresa onde desejam trabalhar. Já 94,2% dos profissionais com carteira assinada gostariam de continuar trabalhando remotamente após a pandemia.

O levantamento foi realizado entre abril e maio com 2.810 entrevistados entre CLTs, gestores, empreendedores e freelancers.

Trabalhar com foco em resultados é possível, bem como cumprir todas as tarefas sem a necessidade de estar em um escritório durante 8 horas por dia, sem contar o tempo gasto em deslocamento. Foi o que apontaram 91% dos CLTs entrevistados.

E a opinião dos gestores não foi muito diferente: 84,2% deles pensam em promover o trabalho remoto e acreditam que o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal é um aspecto que terão de priorizar, considerando também a flexibilidade de horários.

Para o country manager da Workana no Brasil, Daniel Schwebel, esses números altos e positivos sobre o home office mostram que os trabalhadores provaram uma nova realidade e gostaram.

“As pessoas têm se atentado mais à qualidade de vida, à importância de estar em um ambiente confortável, junto à família, e com mais liberdade”, diz.

Mas, por que todas as vantagens dessa modalidade de trabalho não eram notadas antes?

Segundo a pesquisa da Workana, 59,1% dos líderes de empresa responderam que, mesmo antes da pandemia, sempre incentivaram o home office. Porém, não é que os colaboradores dizem, tanto que só 36,3% dos profissionais CLT afirmaram que o trabalho remoto era incentivado nas empresas antes do isolamento social.

Schwebel acredita que o motivo dessa diferença de opiniões pode estar na dificuldade em abandonar padrões antigos – que até então mantinham todos na zona de conforto, num ambiente de trabalho controlado -, para identificar as novas necessidades dos líderes e colaboradores e se readequar.

As empresas que mudaram rapidamente seus padrões, ouvindo mais seus funcionários, foram as que demonstraram ter se adaptado mais facilmente ao “novo normal”.

Para 35,2% dos profissionais, o trabalho ficará mais flexível e o sucesso será medido pelo resultado oferecido e não pelas horas trabalhadas. Para 17,2%, haverá mais liberdade e autonomia no trabalho e, mais do que nunca, os chefes terão que se tornar líderes; e 16,4% acreditam que a empresa deverá ter uma comunicação mais transparente para que o colaborador esteja alinhado com seus objetivos, mesmo à distância.

Da ótica dos gestores, os dados mostram que as prioridades e desafios daqui para frente – que vêm ao encontro das necessidades dos trabalhadores – estão ligados exatamente à comunicação, mas também à empatia. Para 28,6% dos líderes, o desafio está em gerar mais flexibilidade nas horas de trabalho para garantir o equilíbrio entre vida e trabalho, e para 14,3%, oferecer alguma solução para ajudar os pais que trabalham em casa com crianças.

Melhora da tecnologia

Outra barreira encontrada por colaboradores e empresas diante dessas mudanças é o aprimoramento da tecnologia e da conectividade. Na atual conjuntura, a estrutura ou a falta do departamento de TI, por exemplo, podem ditar se o home office será uma experiência positiva ou não para um negócio.

Para que a continuidade do trabalho remoto se dê de forma eficiente, 35,7% das empresas disseram que precisarão melhorar a tecnologia e a conectividade e, para 7,1%, será prioridade atualizar computadores e servidores para que os funcionários possam usá-los normalmente em casa.

G1

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. joao disse:

    Em tempos de desemprego, nao da pra optar ou escolher.

NOVO NORMAL COMEÇA A GANHAR FEIÇÕES: Com home office, Banco do Brasil vai devolver 19 de 35 edifícios de escritórios no país

Foto: Junior Silgueiro/Gcom-MT

O coronavírus forçou mudanças mesmo nas empresas mais tradicionais do País. O Banco do Brasil resistiu por anos ao home office. No início de 2020, antes do início da pandemia de covid-19, a instituição financeira tinha um total de 257 pessoas de seus 93 mil trabalhadores trabalhando de casa (menos de 0,3%) Desde março, tudo mudou: o banco colocou 32 mil trabalhadores para trabalhar de casa. Agora, essa experiência em larga escala vai se traduzir em uma economia de R$ 1,7 bilhão em 12 anos, com a devolução de 19 de um total de 35 edifícios de escritórios que o BB hoje ocupa em sete Estados e no Distrito Federal.

De acordo com o vice-presidente corporativo do BB, Mauro Ribeiro Neto, o programa internamente apelidado de Flexy, que previa a modernização dos escritórios da instituição, estava sendo estruturado desde 2019, mas ganhou novo significado e mais velocidade durante a pandemia. O executivo diz que o banco, a exemplo de milhares de outras empresas, foi obrigado a testar o modelo remoto. A avaliação foi de que os resultados foram positivos e deixaram a proposta de transformação de espaços corporativos ainda mais ousada.

A redução de espaço será profunda e vai afetar as grandes áreas corporativas do BB – o Flexy, por ora, não está sendo aplicado a agências ou a pequenos escritórios espalhados pelo País. Do total de 5 milhões de metros quadrados de área locada do banco, 750 mil metros incluem escritórios de maior porte em Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraná e Pernambuco, além do Distrito Federal. Com a aposta de longo prazo no home office, 38% desses espaços, ou 290 mil metros quadrados, serão devolvidos, segundo o executivo.

Restarão 16 grandes edifícios corporativos nessas localidades. “Vamos nos concentrar nas lajes de maior porte, que permitem uma aplicação maior do escritório de conceito aberto”, explica Ribeiro Neto. No redesenho dos espaços corporativos, o BB vai ficar mais parecido com os modelos associados a empresas de tecnologia: saem as estações de trabalho individuais e entram os espaços compartilhados; as salas de reunião ficam mais flexíveis, priorizando grupos menores; e o escritório ganha armários para que os funcionários guardem pertences pessoais, que devem ser levados para casa ao fim de cada expediente.

Por trás da mudança de perfil dos escritórios, que vai custar um total de R$ 500 milhões, deverá ser iniciada este ano e concluída em 2022, está também uma meta de economia: entre cortes de custos com aluguéis e manutenção, o BB prevê uma redução de gastos anual na casa de R$ 185 milhões. Em 12 anos, já descontados os valores gastos com a reforma, a economia não será nada desprezível: R$ 1,7 bilhão.

Muitas empresas estão buscando espaços mais flexíveis para o período pós-pandemia, uma vez que ficou claro que o home office é uma possibilidade a ser considerada. No BB, cerca de 30% dos trabalhadores – ou mais de 30 mil pessoas – vão continuar a atuar parcialmente de casa mesmo depois que a pandemia estiver controlada. “A medição de produtividade por permanência no escritório é coisa do passado. Precisamos deixar isso para trás”, diz o vice-presidente do banco.

Tendência

Segundo Fábio Maceira, presidente da JLL, companhia que administra espaços corporativos, as grandes empresas vão inevitavelmente repensar a função de seus escritórios no pós-pandemia. Tanto é assim que algumas companhias proprietárias de imóveis corporativos já começam a flexibilizar os contratos de aluguel para permitir permanências mais curtas. Muitos clientes, de acordo com o especialista, deverão optar por contratos mais flexíveis por algum tempo para medir com exatidão se precisam mesmo de todo o espaço que atualmente ocupam.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Correio Braziliense, com Estadão

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Rodrigo disse:

    Essa pandemia trouxe a baila uma realidade que poderá mudar a estrutura do estado e das empresas, trabalhos em home office teremos condições desinchar a máquina administrativa do estado, reduzindo a folha, e todo o custo pesado da máquina, como pessoal, passagens aéreas, diárias, estruturas físicas, carros de representação, salários. Caso um gestor perceber as vantagens e tiver espírito público, revolucionará a forma de governar, e terá mais recursos para investir nas reais nescessidades do país, e assim desempenhar o real papel de estado.

  2. Raul disse:

    Dois setores vão sofrer muito no futuro próximo: o de lajes corporativas e os shoppings centers. Quem tem FI desse setor vai ter perda grande.

Empresas entregam escritórios para enxugar custo e ampliam home office até fim do ano

Benjamim Quadros, CEO da BRQ, que vai ter todos os funcionários remotos, diz que vai manter escritórios apenas para servirem como ambientes de convivência — Foto: Divulgação

Os 150 funcionários que trabalhavam no escritório da LafargeHolcim, no centro no Rio de Janeiro, não vão mais voltar para lá quando a pandemia passar. Eles atuam na área administrativa da multinacional suíça que fabrica materiais de construção e, a partir de agora, vão trabalhar de casa. A companhia, que emprega 1.500 funcionários no país, vai entregar o imóvel do escritório carioca e estima economizar R$ 2 milhões por mês, ao eliminar custo fixo com aluguel, condomínio, estacionamento, copa, manutenção e recepcionista. O teletrabalho para a área administrativa já era adotado uma ou duas vezes por semana, mas a pandemia foi o empurrão para que a prática fosse estendida em tempo integral nesta unidade, segundo a diretora de recursos humanos, Juliana Andrigueto.

Empresas ouvidas pelo Valor estão indo na mesma direção. Como a LafargeHolcim, algumas já decidiram entregar escritórios e colocar uma parte dos funcionários trabalhando definitivamente de casa após o fim da pandemia. Outras estudam adotar o regime para todo o efetivo e há ainda as que estenderam a permanência do home office para o fim deste ano ou 2021. A justificativa, em geral, é o ganho de produtividade que obtiveram nesse período experimental, além do corte de custos fixos com a manutenção de escritórios. A tendência, na visão delas, é que os escritórios virem espaços para reuniões, treinamentos e não representem mais o local para o expediente de trabalho.

Leia matéria completa da Valor AQUI.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Gustavo disse:

    Isso aumenta qualidade de vida e satisfação. Que seja de fato uma tendência.

  2. Moro 2022 disse:

    Moro 2022

    • bawer disse:

      kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk "moro de vrgonha". Moro é a volta do PSDB ao governo.

    • Yago disse:

      Moro 2022 para substituir o Faustão kkkkk

    • Zé Ruela disse:

      Terá meu voto se candidato. Melhor que qualquer outro que existe por aí. Apesar de ser atacado agora tanto pela esquerda quanto pela direita é o único com passado limpo e perspectiva de futuro limpo.

Adoção em grande escala do home office em função do isolamento social tem afetado a saúde mental de profissionais brasileiros; 62% mais ansiosos e estressados

Foto: © Reuters/Kevin Lamarque/Direitos Reservados

A adoção em grande escala do home office [escritório em casa] em função do isolamento social para conter o novo coronavírus tem afetado a saúde mental de profissionais brasileiros.

Uma pesquisa do LinkedIn, que ouviu duas mil pessoas na segunda quinzena de abril, indica que 62% estão mais ansiosos e estressados com o trabalho do que antes. O LinkedIn é a maior rede social profissional do mundo.

O levantamento mostrou, também, que, para o brasileiro, a falta de interação com colegas de trabalho tem sido impactante: 39% dos entrevistados se sentem solitários, 30% se confessam estressados pela ausência de momentos de descontração no trabalho e 20% sentem-se inseguros porque têm dificuldades em saber o que está acontecendo com seus colegas de trabalho e a empresa onde trabalham.

Por outro lado, a falta de interação com os colegas e a redução das interrupções relacionadas ao ambiente do escritório fazem com que 33% considerem que estão mais produtivos.

Não é só a saúde mental que está sendo afetada. A física também sofreu impacto com a chegada da quarentena: 43% dos entrevistados estão se exercitando menos e 33% disseram ter o sono afetado negativamente.

Horas extras

O home office também tem significado horas extras de trabalho para muitos profissionais. Segundo o estudo, 68% dos brasileiros que estão em casa têm trabalhado pelo menos uma hora a mais por dia, com alguns profissionais chegando a trabalhar até quatro horas a mais/dia (21%).

Além das horas extras, trabalhar em casa impõe outro desafio para os profissionais: desligar-se das atividades do trabalho. A pesquisa revelou, ainda, que 24% se sentem pressionados a responder mais rapidamente e estar online por mais tempo do que normalmente estariam.

A preocupação de se mostrar ocupado com o trabalho tem relação com o medo de perder o emprego, destacado por 18% dos entrevistados.

Essa pressão também faz com que os profissionais adotem algumas posturas para mostrar que, mesmo em casa, estão labutando muito, levando 27% a enviar e-mails fora do horário do expediente.

Desafios do trabalho em casa

Além das preocupações com as atividades do trabalho, a necessidade de conciliar o trabalho com a atenção à família e, ao mesmo tempo, gerenciar a preocupação com o avanço do coronavírus representam desafios em casa.

O estudo mostra, também, que 34% acabam por se distrair ouvindo ou assistindo notícias sobre a covid-19, 20% enfrentam dificuldades para conciliar o trabalho e o cuidado com os filhos e 22% consideram desafiador trabalhar com o parceiro em casa.

Mesmo que com impactos negativos em algumas áreas, o trabalho remoto trouxe benefícios em outros aspectos. Os entrevistados indicam ganhos na convivência familiar: 59% afirmam que, com a quarentena, o tempo de qualidade com a família aumentou. Outro ponto positivo foi a adoção de uma alimentação mais saudável, apontada por 32%.

Retorno ao trabalho

A expectativa é que a volta para o escritório implique em mudanças de comportamento, tanto nas relações pessoais e aspectos emocionais quanto no uso de recursos tecnológicos.

Quando voltarem ao trabalho, 52% acreditam que os contatos com os colegas serão mais frequentes, 41% apostam no uso mais intenso da tecnologia e 28% acreditam que a ansiedade vai diminuir por poderem interagir com outras pessoas ao voltar para o escritório.

Agência Brasil

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Santos disse:

    O que está deixando as pessoas mais anciosas e estressadas é a incerteza, a doença, o medo de adoecer ou de transmitir para outra pessoa.

‘Zoom fatigue’: quando o home office pode levar à exaustão mental

Foto: Freepik / Yanalya

A necessidade do isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus levou muitos profissionais a recorrerem ao chamado home office, traduzido como trabalho em casa. Mas a prática, acompanhada de reuniões por vídeo, tem gerado relatos de exaustão mental.

O cansaço gerado pelo excesso de videoconferências já inclusive recebeu nome: Zoom fatigue. O termo pode ser traduzido como cansaço do Zoom, e faz referência à empresa estadunidense que fornece serviços de chamadas de vídeo.

Thaís Gameiro, neurocientista com doutorado na UFRJ e sócia da empresa de assessoria e educação corporativa Nêmesis, destaca que o termo é novo, se espalhou com a crise e tem motivado estudos sobre a relação entre uma quantidade alta de videoconferências e uma sensação de exaustão. A expressão vale para qualquer chamada de vídeo, incluindo pelo WhatsApp, Skype, Google Meet e outras plataformas.

Para ela, a grande causa do fenômeno é uma ausência de mudanças da rotina de trabalho para o mundo virtual. “A rotina de trabalho presencial foi substituída pela virtual, mas sem discussões sobre limitações e adaptações necessárias”, comenta Thaís.

As reuniões são exaustivas não apenas por serem feitas em grande quantidade e demorar mais tempo, mas também porque a tela de computadores e notebooks, e as imagens mostradas por eles, geram mais estímulos para o cérebro, que gasta mais energia para interpretá-los. É esse gasto de energia que gera a sensação de exaustão.

“A expectativa em torno do home office é que ele trouxesse mais qualidade de vida, mais tempo livre e menos cansaço físico ou mental ao economizar o tempo e processo de deslocamento”, observa Thaís, destacando que para muitos essa expectativa acabou não se confirmando.

A neurocientista alerta, porém, que o Zoom fatigue é diferente da chamada síndrome de Burnout. “O Burnout é uma exaustão por conta do trabalho, mas é um excesso de trabalho acompanhado de sentimentos negativos, como frustração, falta de retorno ou um ambiente de trabalho nocivo”, explica Thaís. Apesar do fenômeno ser recente, a princípio o Zoom fatigue não se associa a esses sentimentos negativos.

Além da exaustão, a exposição a telas por longos períodos de tempo também pode levar à dor de cabeça e dores musculares: a própria luz emitida por elas cansa, e também faz com que pisquemos menos, favorecendo um ressecamento e irritação dos olhos.

“A dor de cabeça vem pelo excesso de funcionamento da parte cognitiva do cérebro, localizada principalmente na testa, já que ela funciona em uma velocidade e um tempo em que não estamos acostumados. Quando prestamos atenção na tela também tencionamos alguns músculos faciais, o que gera dor”, explica Thaís.

Mas como solucionar esses problemas? A neurocientista pondera que a solução depende das empresas e dos empregados. Para as empresas, ela considera que “é importante que os membros da área de recursos humanos possam conversar com os colaboradores, entender a situação deles e passar treinamentos para conscientizar a organização a respeito dos limites das pessoas”.

Nesse sentido, medidas práticas que já ajudam são a diminuição de quantidade e da duração de reuniões por chamadas de vídeo. Elas podem ser substituídas por conversas via mensagens de texto, e-mails ou por áudios. A eliminação das imagens, que estimulam muito mais o cérebro que textos ou áudios, já reduz o trabalho do cérebro e evita a sensação de cansaço mental, evitando problemas para a equipe de trabalho e uma queda da produtividade.

Já o empregado deve identificar as mudanças na rotina que pode fazer para diminuir a fatiga. É importante focar em uma atividade por vez, já que fazer várias, ou pensar em várias, ao mesmo tempo gera cansaço. O uso de câmeras em reuniões pode ser limitado a situações de necessidade, também para retirar o estímulo das imagens em movimento na tela. Além disso, deve-se evitar passar todo o período de trabalho olhando para a tela do computador ou notebook, e procurar tirar alguns descansos esporádicos.

Expectativa x realidade

Para a neurocientista o cenário atual também está ligado a uma expectativa de que o home office traria mais produtividade para as pessoas, o que gera não apenas uma autocobrança, mas também uma exigência por parte das empresas.

“É importante lembrarmos que não é um home office tradicional, estamos no meio de uma pandemia, isolados, saindo pouco, e tudo isso estressa a gente. São elementos de dificuldade que competem pela atenção, isso afeta a disposição”, observa Thaís.

Nesse sentido, é necessário entender o que pode ser feito nas condições atuais, buscando não aumentar a produtividade, mas apenas mantê-la dentro do possível: “busque uma rotina que faz sentido para você, defina o que é essencial para o dia e o que pode passar para o outro dia caso não dê para entregar, e seja gentil consigo e suas dificuldades”.

Emais – Estadão

Vivo tem 130 vagas de emprego pelo país com home office e seleção remota

Foto (Vivo/Divulgação)

Mesmo durante a quarentena do novo coronavírus, a Vivo continuou contratando: já foram mais de 400 admissões até o momento e ainda existem 130 vagas abertas.

As oportunidades são para analistas, consultores, especialistas e gerentes, a maioria para as áreas de tecnologia, cibersegurança e comercial (B2B).

Embora as vagas sejam distribuídas por São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Brasília, Recife e outras cidades pelo Brasil, todos os contratados terão direito a fazer home office desde o início e todas as etapas do processo seletivo serão online.

O uso de ferramentas digitais para seleção não é novo na empresa, mas ganhou um reforço nos últimos meses com a assinatura digital de contratos e integração virtual com a equipe.

Para Niva Ribeiro, VP de Pessoas da Vivo, todos estão aprendendo com o momento difícil de distanciamento social e trabalho remoto integral.

“Por isso, competências como empatia, colaboração, adaptabilidade, espírito de dono e confiança são consideradas diferenciais nos nossos processos seletivos”, comenta ela.

Para os interessados, é possível se candidatar pelo site da empresa na Gupy.

Exame

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Maria Lúcia N. Mello disse:

    Tem vaga disponível para o Rio de Janeiro,capital ? Home office?

Home office: veja como a música pode aumentar a sua produtividade

Foto: (Westend61/Getty Images)

Trabalhar em casa pode ser difícil. Além de ter que conciliar o expediente com as tarefas domésticas, há também muitas distrações (animais, filhos, a cama chamando para uma soneca) para atrapalhar – sem contar a falta de motivação natural provocada pela quarentena.

Diante disso, muita gente tem recorrido à música, numa tentativa de aumentar o foco e a produtiva durante as horas de labuta. Numa busca rápida no Spotify, por exemplo, e você encontra playlists especificamente voltadas para isso, com milhares de seguidores.

Parceria duradoura

Misturar música e trabalho não é de hoje. Nos anos 1940, em plena Segunda Guerra Mundial, a BBC lançou um programa de rádio chamado Music While You Work (literalmente “Música Enquanto Você Trabalha”, em inglês). Por incrível que pareça, era uma estratégia do governo britânico para incentivar a produção de armas e munição.

As músicas eram tocadas ao vivo e transmitidas para as fábricas do país, duas vezes ao dia. A ideia era que, com as canções, quem estivesse trabalhando produzisse mais. Foi um sucesso: a BBC recebia diversas cartas e relatórios elogiando o programa – em um desses feedbacks, um gestor disse que, durante a transmissão, a produtividade aumentava em até 15%.

Desde então, a ciência estuda a relação entre música e trabalho. Um dos casos mais famosos é o chamado “efeito Mozart”, que ficou popular a partir de 1993, quando um jornal publicou que, após 10 minutos ouvindo Mozart, um grupo de pessoas apresentou um desempenho maior na hora de realizar determinadas tarefas.

Com isso, tornou-se padrão associar a música do compositor austríaco como algo benéfico para o cérebro – e diversos experimentos demonstraram que, de certa forma, isso poderia ser verdade. Em uma pesquisa, ratos que foram expostos a 10 horas diárias da composição “K.448”, por dez semanas, foram significativamente melhores em navegar por um labirinto complexo em comparação àquelas que ouviram a música “Für Elise”, de Beethoven.

Além disso, recentemente, um estudo mostrou que músicas com ritmo acelerado podem aprimorar os efeitos dos exercícios físicos, reduzindo a sensação de esforço e aumentando a frequência cardíaca. Uma outra pesquisa, da Holanda, sugeriu que músicas podem ajudar quem está com bloqueio criativo: os voluntários se deram melhor em testes que exigiam pensamento “fora da caixa” quando estavam ouvindo canções felizes.

Não é bem assim

Mesmo com tudo isso, a resposta para a pergunta “Ouvir música no trabalho traz benefícios?” ainda é: depende. A ciência ainda não chegou a uma conclusão sobre isso, justamente porque a recepção das pessoas é algo muito variável. “Depende de muitos fatores, como o tipo de trabalho, o gênero da música (e o quanto de atenção está sendo dado para ela) e a própria personalidade de alguém”, explica à BBC a musicista Karen Landay, que pesquisa sobre o tema.

Um estudo de 2011 defende que colocar uma música ao fundo para tocar compromete o processo de leitura e memorização, mas melhora a capacidade esportiva e as reações emocionais. O próprio efeito Mozart, não raro, é posto à prova, e alguns sugerem que a música “K.448” só atingiu aqueles resultados por ser uma composição mais animada que a de Beethoven.

Um manual para ouvir música no trabalho

A ciência pode nunca chegar a uma conclusão. Mas, seja como for, o que importa no fim do dia é o impacto que a música tem na sua rotina. Se ela funciona para você, continue escutando. E se você tem dúvidas em relação a isso, vale a pena experimentar.

Pensando nisso, o jornal britânico The Guardian montou um manual com dicas e boas práticas para quem gosta de ligar o som na hora do expediente. Dá uma olhada nas principais recomendações:

Comece devagar

As primeiras músicas da sua playlist não devem te deixar em um estado de maior produtividade, mas sim ajudá-lo a chegar lá. De manhã, nada melhor como algo pacífico: canções como “Here Comes The Sun”, dos Beatles, são boas pedidas.

Transições são importantes

Depois que você já aqueceu, é hora de partir para músicas mais agitadas – canções com velocidade mais rápida da trilha podem resultar em maior desempenho – como na pesquisa com exercícios físicos. A sugestão é escolher músicas a 121 bpm (batidas por minuto). Exemplos: “Call Me Maybe”, da Carly Rae Jepsen, “I Wanna Dance with Somebody”, da Whitney Houston, e “I Will Survive”, de Diana Ross.

Cuidado com suas músicas favoritas

Nada melhor do que ouvir as músicas do coração, certo? Mas, segundo especialistas, são elas que podem, justamente atrapalhar a sua concentração. E vale o aviso: enquanto músicas animadas podem melhorar a concentração (e o ânimo) para tarefas repetitivas, canções com letras complicadas (ou que contam uma história) podem distrair trabalhos que exigem mais do cérebro.

Esteja aberto a novos sons

Quanto a ouvir músicas cantadas ou apenas instrumentais, não há uma resposta definitiva: tudo dependerá da sua personalidade. O mais importante é testar novas músicas e playlists e guardar tudo o que funciona para você. Esse, inclusive, é um trabalho cumulativo: ouviu algo bom para trabalhar? Vá colocando em uma lista específica e, depois, organize as faixas na ordem que preferir.

Super Interessante

 

Home office bateu recorde no Brasil em 2018, diz IBGE

Foto: Economia G1

Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, em 2018, 3,8 milhões de brasileiros trabalhavam dentro de casa, o chamado home office. Trata-se do maior contingente de pessoas nesta condição de trabalho já registrado – resultado da alta informalidade no país, que encerrou o ano passado em 41,1%, e segue em patamares semelhantes em 2019.

De acordo com o IBGE, o home office correspondia a 5,2% do total de trabalhadores ocupados no pais, excluídos da conta os empregados no setor público e os trabalhadores domésticos. Na comparação com 2012, quando teve início a série histórica da pesquisa, esse contingente teve alta de 44,4%.

O home office, destacou o IBGE, teve queda de 2,1% entre 2012 e 2014, cresceu 7,3% em 2015, e voltou a ter queda de 2,2% em 2016. Já entre 2017 e 2018, cresceu em 21,1%.

Também bateram recordes, em 2018, os números de trabalhadores trabalhando em veículo automotor (3,5 milhões), em via pública (2,3 milhões) e em empreendimentos distintos daqueles para o qual a pessoa foi contratada (1 milhão). As altas destes contingentes, na comparação com 2012, foram de 35,21%, 25,9% e 49,78%, respectivamente.

De acordo com a gerente da pesquisa, Adriana Beringuy, esses números refletem o movimento observado nos últimos anos no mercado de trabalho, que diante do desemprego crescente, viu aumentar a informalidade.

“São os arranjos que as pessoas encontraram para se ocuparem no mercado de trabalho”, disse.

Outros locais

O IBGE enfatizou, que a maior parte dos trabalhadores do país atuam no próprio estabelecimento do contratante. Porém, esse número vem registrando queda desde 2014, quando teve início a crise no mercado de trabalho. Em 2012, eram 44,9 milhões nesta condição, número que cresceu em 3 milhões até 2014, uma alta de 6,5%. Desde então, ele foi reduzido em 3,4 milhões (-7,1%), chegando a 44,5 milhões.

Em contrapartida, o trabalho em local designado pelo empregador aumentou em 19,9% entre 2012 e 2018, passando de 8,3 milhões para 10 milhões. Já o trabalho em estabelecimento diferente do contratado, o que indica a terceirização de mão de obra, quase dobrou no mesmo período, passando de 687 mil para 1,029 milhão.

Já o trabalho em fazenda, sítio, granja ou chácara vem registrando queda constante. Segundo a gerente da pesquisa, essa tendência de redução é observada desde o início da série histórica. “Essa diminuição está ligada ao processo de êxodo rural e mecanização dos processos”, disse Adriana Beringuy.

Transporte por aplicativo

O trabalho em veículo automotor é aquele realizado por taxistas, motoristas e trocadores de ônibus, motoristas de caminhão, entre outros. Mas, a alta deste contingente, segundo o IBGE, está relacionado ao crescimento do transporte particular por aplicativo.

“As recentes altas podem estar relacionadas ao crescimento dos serviços de transportes de passageiros e de entregas por aplicativos de celular, refletindo as mudanças na economia atual”, destacou a pesquisadora do IBGE Adriana Beringuy.

Já o trabalho em via pública tem relação direta com o aumento de pessoas trabalhando por conta própria como ambulantes.

G1

 

Com nova lei, mais empresas aderem ao home office

Reprodução: Veja

Duas vezes por semana a administradora e gerente de finanças Fernanda Raiza, 33 anos, não precisa sair de casa para começar a sua jornada de trabalho. Bastam alguns passos até o escritório que montou em casa para se conectar com a equipe que coordena na multinacional Unilever e iniciar suas atividades. Toda semana, em dois dias a sua escolha, ela pode trabalhar de forma remota, no chamado home office. Ela não é a única. A companhia oferece essa e outras flexibilizações na jornada de trabalho para todos os seus funcionários de setores administrativos no Brasil.

A prática não é novidade. Nos últimos anos, o avanço da tecnologia permitiu que mais empresas diversificassem seus regimes de trabalho nas funções que permitem tais mudanças, se adaptando inclusive à necessidade de repensar a mobilidade dos funcionários em grandes cidades. As mudanças mais comuns, além do home office, são os horários flexíveis de entrada e saída para que os funcionários escapem do rush no trânsito, a carga horária mais curta às sextas-feiras, o part-time — quando a jornada semanal é reduzida pela metade — e a licença não-remunerada.

No Brasil e no mundo, trabalhar no escritório durante o horário comercial ainda é a prática predominante, revela levantamento da consultoria de recursos humanos Randstad. A empresa fez uma pesquisa online sobre flexibilização no trabalho com funcionários de diversas empresas em 33 países e constatou que sete em cada dez entrevistados brasileiros gostariam de trabalhar de casa ou de outro local, mas em seu emprego atual não encontram essa possibilidade. No entanto, a tendência é que a flexibilização ganhe cada vez mais espaço — principalmente depois da reforma trabalhista, que regulamentou o teletrabalho (home office). Na pesquisa, 45% dos entrevistados brasileiros afirmam que a maneira tradicional de trabalho está mudando para formas mais flexíveis. A percepção no Brasil é parecida com a média global, de 44%.

Outra pesquisa, feita pelo MindMetre Research a pedido do International Workplace Group (IWG) com 18000 pessoas em 96 países, constatou que mais de dois terços dos executivos trabalham de forma remota ao menos uma vez por semana em todo o mundo. “Na medida em que os ambientes de trabalho ficam mais dinâmicos e há o avanço da tecnologia, as empresas têm que se flexibilizar e adotar essas novas políticas”, explica João Paulo Klüppel, gerente-executivo da Michael Page. “Boa parte das empresas já fazem uma previsão de adotar políticas flexíveis como padrão até 2020”, completa o especialista.

Fonte: Randstad

Vantagens e desafios

Segundo o levantamento da IWG, 77% dos brasileiros entrevistados afirmam que o home office oferece maior qualidade de vida aos funcionários. Na pesquisa da Randstad, 90% dos entrevistados dizem que gostam de trabalhar de modo mais flexível, pois assim conseguem manter um equilíbrio maior entre trabalho e vida pessoal.

Para os empregadores, ao aumentar a satisfação do funcionário, a flexibilização gera maior engajamento, produtividade e ajuda a reter o trabalhador na empresa. “A base desse modelo é aumentar a produtividade visando a qualidade de vida dos colaboradores, mas, além disso, não deixa de ser uma política de retenção e uma forma de reduzir custos”, avalia Klüppel, da Michael Page.

Para Edivaldo Bardella Junior, 34 anos, líder dos centros de serviços compartilhados da Roche Farma na América Latina, a flexibilização oferecida pela empresa permitiu levar os dois filhos à escola todas as manhãs sem ter a preocupação de chegar atrasado no escritório. Na matriz da farmacêutica, em São Paulo, o funcionário pode escolher iniciar seu dia de trabalho entre 6h e 10h e consequentemente sair entre 15h e 19h.

Uma vez por semana ele também pode trabalhar de casa. Bardella Junior foi um dos primeiros funcionários a adotar a prática na Roche, em 2016, e revela que não teve dificuldades com a adaptação.

“A rotina não muda no home office. Começo no mesmo horário, faço meus intervalos para o café e almoço. Uso as ferramentas que a empresa disponibiliza para fazer conferências e ligações como se estivesse no escritório.”

Edivaldo Bardella Junior, 34 anos, líder dos centros de serviços compartilhados da Roche Farma na América Latina

Há oito anos na Unilever, a facilidade do home office fez Fernanda economizar, pelo menos duas vezes na semana, três horas que perderia no trânsito para ir e voltar da casa dos pais, na região do ABC, até o escritório da empresa, no Itaim Bibi, zona oeste da capital. Essa rotina durou nove meses. Além de economizar tempo no deslocamento, o home office permite que a administradora passe mais tempo com o filho de dois anos e quatro meses.

Fernanda fez nova mudança no seu ritmo de trabalho no início de junho. Ela passou a trabalhar no regime part-time, e terá a jornada reduzida para 20 horas nos próximos dois meses, enquanto o filho se adapta à rotina escolar e ela termina os últimos detalhes de uma reforma em casa. “Levei minhas necessidades para o RH da empresa e eles apresentaram essa proposta”, conta. “Dessa maneira, consigo equilibrar tudo o que tenho que fazer, não deixo a parte pessoal de lado, nem a carreira, que para mim é muito importante. Eu consigo fazer um pouco de tudo, sem deixar a desejar.”

O segredo, segundo a gerente de finanças do setor de alimentos da Unilever na América Latina, é a organização. “Preciso estar sempre em contato e todos devem saber o que está acontecendo, quando eu vou estar disponível e quando não vou estar. Dessa maneira as pessoas também se adaptam para pedir as coisas quando eu estou na empresa”, afirma a administradora.

A flexibilização pressupõe que a relação empregado e empregador seja baseada na construção de metas, de confiança e diálogo. “Conversas honestas entre gestor e funcionário sobre as necessidades individuais e do time são fatores críticos para o sucesso na implementação de modelos flexíveis”, afirma a gerente de recursos humanos da Unilever Brasil, Thais Simão. “É fundamental a confiança entre líder e funcionário, além do estímulo à postura de autonomia com responsabilidade, valorizando que o colaborador seja protagonista em suas entregas e gerencie bem as suas atividades”, reforça Denise Horato, diretora de recursos humanos da Roche Farma.

Por isso, em algumas empresas, os modelos de trabalho mais flexíveis ainda ficam restritos aos funcionários com cargos mais altos, de gestão e coordenação. Na própria Roche, por exemplo, o home office foi inicialmente implementado para gestores e, somente no ano passado, foi ampliado a todos os colaboradores administrativos da matriz em São Paulo.

Na empresa de tecnologia Softtek, o trabalho remoto ainda é exclusivo para funcionários mais experientes. “Percebemos que, conforme o nível de senioridade da equipe, você precisa ter um trabalho presencial para garantir desempenho. No caso de trainees e juniores, que ainda estão no processo de maturação profissional, de entender o que é o trabalho por resultado e quais são as responsabilidades com o cliente, sentimos que é preciso realizar o trabalho presencial”, explica o vice-presidente de operações da companhia, Alexandre Hernandes. Mas o executivo acredita que a tendência é de que cada vez mais formas de flexibilização ganhem espaço e se tornem a regra, inclusive para atender às demandas dos novos profissionais que chegam ao mercado esperando relações de trabalho mais modernas.

“Essa transformação acontece com o tempo e com exemplos. Aos poucos as pessoas vão percebendo que é possível ser eficiente trabalhando de outras formas”, afirma o diretor de RH da Bosch América Latina, Fernando Tourinho. O executivo explica que a Bosch adota medidas de flexibilidade há quatro décadas, mas os modelos foram mudando conforme a legislação e a tecnologia disponível. Hoje, além do banco de horas, o primeiro método de flexibilização adotado pela empresa, também é oferecido o turno com horário de entrada e saída variável, o home office opcional duas vezes na semana, o regime part-time e o trabalho remoto permanente para algumas funções. Os modelos variam conforme o cargo, a necessidade da empresa e do funcionário.

No caso de Weenna Ribeiro, 38 anos, analista de RH sênior da Bosch, a mudança ocorreu por um motivo muito pessoal. Em 2013, depois de 16 anos na empresa, ela estava decidida a pedir demissão para se dedicar integralmente à filha, que havia sido diagnosticada com um problema de saúde. Ao trazer a questão para empresa, Weena recebeu a proposta de mudar para a jornada parcial. “Foi um momento de revisão da minha vida pessoal, meus valores estavam sendo repensados e foi ótimo pode ficar na empresa nessa modalidade”, afirma a analista. “Fui a primeira part-time da organização. No começo era diferente para todo mundo, mas nos adaptamos”. Hoje mãe de mais uma menina, Weena escolheu seguir trabalhando no regime mesmo após a melhora da primeira filha. “Trabalho na parte da manhã e à tarde me dedico a elas”, conta.

Quando o home office não funciona

Apesar de as empresas estarem abertas para essas mudanças, muitas ainda estão estudando qual é o modelo ideal para sua área de atuação — se a flexibilidade do funcionário deve ser total ou se é preciso ter algumas regras, se o trabalho pode ser feito de forma completamente remota ou se o home office deve ser adotado apenas em um ou dois dias da semana.

“O trabalho remoto não é necessariamente uma virtude para todas as empresas e para todas as funções. A empresa precisa ter uma cultura e um modelo de trabalho que permitam isso para que essa flexibilidade potencialize o negócio e não o contrário”, afirma Klüppel, da Michael Page.

A troca presencial, na visão do especialista, continua sendo importante para fortalecer o engajamento dos colaboradores. “Em alguns casos, é importante que o funcionário esteja dentro da companhia se estiver numa posição em que a sua presença é fundamental para gerar uma influência nos demais. Para aquele cargo que precisa inspirar e motivar, não adianta a pessoa estar fora. Ou até mesmo nos casos em que as pessoas precisam estar próximas para tomar uma decisão mais rápida, de forma mais ágil, o trabalho remoto pode não funcionar.”

O ideal é que empresa avalie o que funciona para cada função e equipe, mas a adoção home office deve voluntária. “Se não tem essa cultura, a empresa precisa de adaptar e implementar novas práticas para que possa permitir esse novo modelo. Tem gente que prefere trabalhar dessa forma, mas tem gente que não, que prefere o modelo tradicional”, completa.

O que diz a legislação

Para o funcionário que faz a mudança para o part-time, é preciso um novo contrato de trabalho conforme as regras específicas desse tipo de regime. Desde novembro do ano passado, quando a reforma trabalhista entrou em vigor, a jornada parcial pode ser de até 30 horas semanais, ou 26 horas com até seis horas extras por semana.

A reforma também estabeleceu regras para o teletrabalho — aquele realizado fora da empresa, como o home office — e deixou claro elas só valem para quem trabalha majoritariamente dessa forma, explica o advogado trabalhista José Carlos Wahle, sócio do escritório Veirano Advogados. Ou seja, não se aplicam para quem trabalha em casa alguns dias na semana conforme sua própria conveniência ou da empresa. Nesses casos, segue valendo o regime tradicional celetista, de jornada de 44 horas semanais e controle de horas extras.

“Quem passar a trabalhar a semana inteira ou quatro dias em casa passará para o regime de teletrabalho. Nesse caso vai ser obrigatório um aditivo ao contrato de trabalho com cláusulas específicas, inclusive sobre o custeio da estrutura necessária para as atividades”, afirma o especialista.

Nos dois casos, do home office permanente ou eventual, é preciso que a empresa assuma a responsabilidade de dar ao empregado o equipamento profissional ergonômico e ofereça um treinamento sobre segurança no trabalho, diz Wahle. “O funcionário que trabalha em casa tem que cumprir normas de segurança e confidencialidade. A partir do momento que oferecer um acesso remoto a ele, a empresa tem que treiná-lo”, explica o advogado.

Esse tipo de preparo é feito na Bosch. “O funcionário passa por um treinamento antes de começar, sobre condições de ergonomia, saúde, segurança do trabalho”, explica Tourinho. O executivo conta que há equipes dentro da empresa que, ao adotar o home office eventual, conseguiram registrar aumentos de 20% na produtividade.

Para o controle de horário, embora esteja fora do escritório é preciso que o funcionário registre sua jornada. A empresa pode instituir um ponto externo ou dar a possibilidade de marcar as horas trabalhadas posteriormente, no retorno a empresa, mesmo que, na prática, o controle seja feito por projetos ou metas.

O regime de teletrabalho, por outro lado, pode não ter controle de jornada ou pagamento de horas extras. A regra está estabelecida na reforma trabalhista mas, na avaliação de Wahle, não vale para todos os casos de funcionários que trabalham total ou majoritariamente de forma remota. A lei presume que o controle remoto da jornada não é efetivo, explica o advogado, porém, se a empresa encontrar um meio de fazer isso, o trabalhador terá direito às horas extras. Isso vale para a companhia que usa algum programa que monitora a atividade no computador profissional ou até mesmo para o funcionário que preenche uma ‘time sheet’, especificando quantas horas trabalhou em determinada tarefa ou projeto.

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