POR O GLOBO
O ato central que está na origem da mala com R$ 500 mil supostamente destinada a Michel Temer passou a ser investigado pelo Ministério Público Federal (MPF), apesar da blindagem ao presidente garantida pelo Congresso. Na denúncia dirigida a Temer por corrupção passiva, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, lançou suspeita sobre um contrato de R$ 406,6 milhões assinado entre uma termelétrica do grupo JBS e a Petrobras para fornecimento de gás boliviano, depois de suposta interferência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) — foi a partir deste contrato que surgiu a primeira parcela de R$ 500 mil em propina, conforme as investigações. A denúncia contra Temer foi barrada na Câmara. A investigação sobre a atuação de Petrobras e Cade, não.
As suspeitas contra Temer vieram a público em série de reportagens de Lauro Jardim.
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A Procuradoria da República no DF encaminhou documentos à Polícia Federal (PF) para a abertura de um inquérito que investigue suspeitas de corrupção passiva e advocacia administrativa na assinatura do contrato. Além disso, a Procuradoria instaurou um inquérito civil público para apurar se houve improbidade administrativa no episódio. Os procedimentos foram adotados em 6 de julho, depois de Janot pedir e o Supremo Tribunal Federal (STF) encaminhar cópias dos autos à primeira instância.
O pedido do procurador-geral, de compartilhamento de documentos com a Justiça Federal em Brasília, está expresso na denúncia em que acusa Temer de corrupção passiva. O presidente da República era o destinatário da propina decorrente do fornecimento de gás à termelétrica, por intermédio de seu ex-assessor especial Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), o “deputado da mala”, como consta na denúncia. Temer se safou de uma investigação – pelo menos enquanto estiver no cargo de presidente da República – porque era necessário o aval da Câmara ao prosseguimento da denúncia. Temer foi salvo por 263 deputados.
A suspensão da investigação dos atos do presidente não se estende nem a Loures nem aos casos correlatos mencionados na denúncia. Na semana passada, o ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no STF, determinou que o caso do ex-deputado filmado com a mala com R$ 500 mil seja remetido à Justiça Federal em Brasília. Supostas irregularidades de funcionários da Petrobras e do Cade na assinatura do contrato para fornecimento de gás já são investigadas na primeira instância. Ao pedir a remessa dos documentos, Janot defendeu a “adoção das providências pertinentes em relação à eventual prática de crime por parte de servidores do Cade e da Petrobras”.
GÁS BOLIVIANO
A atuação do Cade em casos de interesse do grupo JBS é alvo de questionamentos do MPF em outra investigação, a Operação Bullish, que investiga fraudes nos aportes de R$ 8,1 bilhões feitos pelo BNDES para a expansão do grupo dos irmãos Joesley e Wesley Batista. No último dia 3, a Procuradoria no DF encaminhou ofício ao Cade em que faz a seguinte cobrança: “Para que se manifeste sobre os atos de concentração praticados pela JBS, tais como a compra da Bertin.” O Cade ainda não respondeu.
Um ano e quatro meses atrás, a Procuradoria já havia feito cobrança semelhante, no âmbito da Bullish: “Solicito que informe se houve alguma análise sobre a concentração econômica realizada pela JBS com apoio do BNDES, tanto por meio da aquisição de empresas sediadas no Brasil quanto no estrangeiro, bem como sobre os potenciais efeitos maléficos ao consumidor nacional decorrentes dessa concentração.” A resposta do Cade foi uma lista com os números de dez processos nos quais a JBS foi parte no órgão, sem juízo de valor sobre concentração econômica.
No caso da termelétrica em Mato Grosso, Joesley disse em sua delação premiada que o grupo decidiu acionar o Cade para conseguir restabelecer o fornecimento de gás boliviano. Se a interferência do presidente da República, via “deputado da mala”, fosse exitosa, haveria pagamentos milionários de propina, calculados a partir de ganhos em contrato firmado com a Petrobras, segundo as investigações da PGR. Em 17 de abril, o contrato foi assinado com a estatal.
Depoimentos anexados ao inquérito – agora paralisado pelo Congresso – apontam que “a rapidez dos atos se deveu a risco de aplicação de medida preventiva pelo Cade”, como afirmou um advogado da JBS que participou das negociações. A PGR disse que o tempo foi curto para se chegar a uma conclusão sobre a efetiva influência de Loures no órgão. O Cade fez ainda alertas à Petrobras sobre o risco de existir um monopólio do gás, conforme a delação de Joesley.
Fontes que acompanharam essas negociações do contrato relataram ao GLOBO que o acordo foi um dos poucos assinados com a estatal, e que somente gás boliviano foi fornecido a partir da assinatura. Além disso, segundo essas fontes, a termelétrica ficou sem funcionar em 2016 e nos primeiros meses de 2017 em razão da negociação em curso com a Petrobras.
O contrato foi assegurado no fim de março. Neste momento, o grupo já havia garantido apoio de Loures e de Temer para resolver a questão, segundo a denúncia de Janot. Depois de as delações virem à tona, a Petrobras rescindiu o contrato (que vigoraria até dezembro) com base em cláusula ancorada na Lei Anticorrupção.
O GLOBO
Quero ver quando nós, principais interssados nessa safadeza, vái ficar sabendo dos nomes. Quero os nomes!!!
Se for verdade, vai ter muita gente sem dormir
Justiça federal eu confio….já a estadual ???????????????????