Saúde

AVANÇO: Cientistas conseguem remover vírus HIV das células de ratos

rato-de-laboratorioBiomédicos da Universidade Técnica de Dresden, na Alemanha, conseguiram curar vários ratos com HIV a partir de um novo método que utiliza uma enzima capaz de eliminar o vírus no DNA das células infectadas. Segundo o estudo, a iniciativa alcançou resultado positivo em mais de 90% dos casos. O passo seguinte é realizar testes em seres humanos, informa a publicação cientifica “The Local”.

Segundo o chefe da seção de estratégia antiviral do “Heinrich Pette Institute”, órgão parceiro na elaboração do trabalho, existem várias abordagens que trabalham com esse objetivo, mas a única que conseguiu a remoção total do vírus foi esta.

A técnica consiste na aplicação de uma enzima nas células-tronco retiradas após uma amostra de sangue ser colhida. Ela é responsável pela alteração do DNA. Assim, as células autoimunes geneticamente modificadas podem se reproduzir e eliminar o vírus nas células infectadas.

A equipe de Dresden conseguiu criar a enzima por meio de processos de mutação e seleção. Os pesquisadores a manipularam de modo que ela pudesse identificar o HIV e removê-lo dentro de uma sequência de DNA.

Sobre a possibilidade da técnica funcionar em seres humanos, o cientista aponta que a resposta só virá após uma série de testes clínicos. Para isso, é preciso captar recursos para as novas fases do projeto.

De acordo com o líder da equipe que fez a pesquisa na Universidade de Dresden, Frank Buchholz, se todas as etapas forem cumpridas conforme o grupo planeja, em cerca de 10 anos a técnica poderá estar pronta para ampla utilização.

Para o Presidente da Sociedade Alemã de combate à Aids, Jürgen Rockstroh, a pesquisa representa uma nova esperança de cura. Mas, para que a esperança vire realidade, a técnica precisa antes ser comprovada.

O Globo

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Esporte

Teste rápido de HIV deve ser vendido nas farmácias a partir de fevereiro de 2014

Para facilitar o diagnóstico do HIV e antecipar o tratamento de pessoas que podem desenvolver a aids, o Ministério da Saúde deve autorizar a venda, em farmácias, de um teste rápido para detectar o vírus, a partir de fevereiro de 2014. Produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o exame é feito em 20 minutos, com coleta de saliva pela própria pessoa, e deverá custar R$ 8.

A informação foi confirmada pelo diretor do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do ministério, Fábio Mesquita, durante evento hoje (1°), Dia Mundial de Luta contra a Aids, no Rio de Janeiro. Na ocasião, o governo federal anunciou a antecipação do tratamento para pessoas com o HIV. Antes, somente pacientes com a doença desenvolvida recebiam medicamentos.

De acordo com o diretor, o teste rápido de HIV tem duas vantagens: “Uma delas é a confidencialidade. A pessoa vai à farmácia pega o teste e faz em casa, sem precisar ver um agente de saúde e dividir isso com ninguém. A segunda vantagem é a rapidez, não tem fila, não precisa ir ao posto, não precisa esperar o tempo que leva [para sair] o resultado de um exame normal”, esclareceu Mesquita.

Ao disponibilizar o teste rápido de HIV, vendido na internet por um laboratório americano por cerca de R$ 160, o ministério pretender iniciar o tratamento mais cedo e melhorar a qualidade de vida de pessoas com HIV, além de reduzir em cerca de 96% o risco de contágio, principalmente para parceiros fixos ou durante a gestação, quando o vírus pode passar da mãe para o bebê.

Dados do ministério apontam que cerca de 150 mil pessoas, de um total de 700 mil estimadas com a doença, não sabem que têm o vírus HIV. No Brasil, embora a prevalência de pessoas convivendo com o vírus seja considerada baixa para o conjunto da população (0,4%), a infecção é alta entre meninas entre 14 e 19 anos e meninos gays, de acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Segundo Padilha, grande parte dos casos de detecção de HIV em meninas ocorre durante o pré-natal. “Nessa faixa etária tem muita gravidez na adolescência, em situação vulnerável, por isso, descobrimos mais meninas que homens [com o vírus]”, disse. “Elas engravidam já infectadas”, reforçou. Os jovens são público-alvo da campanha contra a aids lançada hoje (1°).
AIDS
Agência Brasil

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Saúde

ALERTA: Nova forma mais agressiva do HIV causa aids mais rápido

Estocolmo – Uma nova variedade mais agressiva do vírus HIV descoberta na África Ocidental causa uma progressão mais rápida da síndrome da imunodeficiência adquirida (aids), declararam nesta terça-feira pesquisadores suecos da Universidade de Lund.

A nova variedade do vírus causador da aids, chamada A3/02, é uma fusão de duas cepas muito comuns do vírus, encontrado em Guiné-Bissau em estudos de longo prazo acompanhando pessoas soropositivas no país. Até agora, a nova cepa foi encontrada somente na África Ocidental.

“Indivíduos infectados com o novo tipo do vírus desenvolvem aids dentro de cinco anos, o que é cerca de dois anos a dois anos e meio mais rápido do que a doença causada por uma das cepas que deram origem”, disse a cientista responsável pelo estudo Angélica Palm.

Vírus recombinantes têm origem quando uma pessoa é infectada por duas formas diferentes, cujo DNA se funde para criar um novo tipo. “Estudos mostram que sempre que há um recombinante, ele parece ser mais agressivo do que as cepas parentais”, diz Palm no estudo publicado no Journal of Infectious Diseases.

Segundo os pesquisadores, a velocidade com que a A3/02 leva as pessoas adoecerem não tem impacto sobre a eficácia dos medicamentos. “Até onde sabemos, os medicamentos disponíveis hoje no mercado funcionam igualmente para todas as formas do vírus HIV”, explica Palm.

O estudo adverte que tais cepas recombinantes podem estar se espalhando com velocidade, especialmente em regiões com altos níveis de imigração, como Europa e Estados Unidos.

A nova forma de vírus foi descoberta em 2011 pelo grupo sueco em Guiné-Bissau.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 35,3 milhões de pessoas pelo mundo são infectadas pelo HIV, que destrói o sistema imunológico e causou mais de 25 milhões de mortes desde seu surgimento, no início dos anos 1980. Fonte: Dow Jones Newswires.

Exame

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Saúde

Vacina brasileira contra o HIV começa a ser testada em macacos

 08_21_19_398_fileComeçaram nesta semana os testes em macacos da vacina contra o HIV, que está sendo desenvolvida pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em parceria com o Instituto Butantan. Os quatro animais começaram a ser imunizados com a vacina que contém partes do vírus. Depois, os macacos receberão um vírus modificado que causa o resfriado como parte dos estudos para desenvolver o imunizante.

Segundo Edecio Cunha Neto, um dos pesquisadores responsáveis por conduzir o projeto, o diferencial da vacina é usar partes do vírus que não se alteram.

— Um dos grandes problemas de se fazer uma vacina contra o HIV é que ele é hipervariável. Nos componentes que nós escolhemos para colocar na vacina estão somente as regiões mais conservadas do vírus, ou seja, aquelas que não variavam de um HIV para o outro.

Além de ter pouca variação, as partes do vírus foram selecionadas por provocarem forte reação no organismo da maioria das pessoas.

— Nós fizemos o que chamamos de desenho racional, para embutir dentro da nossa vacina mecanismos para que ela fosse capaz de dar uma resposta que funcionasse para os HIVs mais variados possíveis e que funcionasse em um número grande de pessoas.

Após os testes com os quatro animais, serão feitos experimentos com um grupo de 28 macacos e três tipos de vírus diferentes, todos modificados com partes do HIV.

— As combinações desses três vírus são, até hoje, as melhores combinações para gerar respostas imunes potentes em primatas. Então, o que a gente vai fazer é escolher, de quatro combinações diferentes, aquela que deu resposta mais forte. E usar essa combinação para teste em humanos.

Caso seja bem sucedida, a vacina vai aumentar a reação dos imunizados ao vírus, diminuindo a capacidade de transmissão e melhorando a qualidade de vida do paciente.

— O que ela vai fazer é reduzir muito a quantidade de vírus, matar as células que estão infectadas. Mas ela dificilmente vai erradicar a infecção. Vai bloquear a transmissão para outra pessoa, porque a quantidade de vírus vai ser muito baixa.

Atento aos recentes protestos contra o uso de animais em pesquisas, que levaram inclusive ao fechamento de um instituto no interior paulista, Cunha fez questão de dizer que os animais são bem tratados.

— Os animais neste estudo não sofrem de maneira nenhuma. Até mesmo para o procedimento de colher sangue ou vacinar, eles estão anestesiados.

O pesquisador defendeu ainda o uso de animais em experimentos.

— Não é possível substituir um teste com animais por um teste de cultura ou teste de laboratório mais simples. O teste em animais vai observar a repercussão de uma nova vacina, uma nova droga, no organismo inteiro.argumentou.

R7

Opinião dos leitores

  1. Acho que essas vacinas deveriam ser testadas naqueles atividas que quebraram o laboratório e soltaram os cachorros beagles.
    Alias, todos os testes de medicamentos feitos em macacos, ratos e cachorros deveriam ser testados nesses ativitas.

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Saúde

HIV poderá ser combatido com auxílio de nossos próprios genes no futuro, indica pesquisa

1383005_481753905255161_231564478_nOs nossos próprios genes podem guardar a chave para o futuro das terapias contra a Aids. Com o auxílio de supercomputadores, um grupo de cientistas suíços analisou os genomas de cepas do vírus HIV e de indivíduos soropositivos e chegou ao primeiro mapa da resistência do corpo humano contra a doença. Eles acreditam que a descoberta poderá permitir a criação de tratamentos mais individualizados.

— A possibilidade de adaptar o tratamento ao genoma de cada pessoa com HIV é muito animador, pois assim é possível atingir a máxima eficiência e a mínima toxicidade para que os pacientes vivam uma vida normal — afirmou ao GLOBO o coautor do estudo, Jacques Fellay, professor da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL). — A identificação de variações genéticas humanas que são capazes de combater com mais força o vírus é, portanto, essencial para otimizar as estratégias terapêuticas.

O genoma do vírus

O vírus HIV ataca as células do sistema imunológico, destruindo os glóbulos brancos (linfócitos T CD4+). Com isso, o sistema de defesa vai perdendo a capacidade de responder aos agentes infecciosos e se tornando mais vulnerável. Todos os infectados pelo vírus desenvolvem estratégias de defesa, e alguns até conseguem manter o vírus sob controle sem nenhuma terapia por longos períodos.

No entanto, o genoma do vírus também se modifica numa taxa de milhões de mutações por dia. Esta verdadeira batalha do sistema imune deixa suas marcas dentro do patógeno, ou seja, as mutações genéticas indicam que o vírus reagiu aos ataques do seu hospedeiro. Cientistas da EPFL e do Centro Hospitalar Universitário Vaudois (UNIL-CHUV), da Suíça, refizeram toda a cadeia de eventos desta briga, do genoma do vírus ao genoma da vítima, para chegar ao que eles chamaram de mapa da resistência humana ao vírus.

— Nós agora temos um verdadeiro banco de dados que nos diz qual variação genética humana vai induzir a que tipo de mutação no vírus — explicou Amalio Telenti, outro coautor e pesquisador do UNIL-CHUV.

Telenti diz que o banco de dados fornece uma visão geral das partes do vírus que são alvo da imunidade. Ele distingue as partes onde haverá danos ao vírus daquelas em que o efeito das nossas defesas é facilmente compensado. O trabalho foi publicado na revista científica “eLife”.

— Os dados são importantes, principalmente, para aqueles que trabalham no desenvolvimento de vacinas. A razão é que assim é possível identificar os melhores lugares para atacar o vírus — acrescentou.

Quando o organismo não tem mais forças para combater os agentes externos, a pessoa adoece com facilidade e é quando se diz que ela tem Aids. É geralmente este momento que marca o início do tratamento com os medicamentos antirretrovirais, que combatem a replicação do vírus e o consequente avanço da doença. Os pesquisadores usaram informações de pacientes antes de passarem por este tratamento, exatamente para entender a resposta do corpo sem nenhuma interferência.

Portanto, tiveram que pesquisar bancos de dados das décadas de 1980 e de 1990, antes do início da terapia antirretroviral. Ao todo, eles analisaram várias cepas do HIV em 1.071 indivíduos soropositivos e cruzaram mais de três mil mutações no genoma viral com mais de seis milhões de variações nos genomas dos pacientes.

— Nossa esperança é que esta descoberta apresentada hoje poderá contribuir para melhores estratégias contra o HIV, incluindo o tratamento, mas também o desenvolvimento de uma vacina. Na verdade, a natureza nos mostra o caminho para a atenuação da virulência do HIV. Devemos agora tentar imitar o efeito das variantes genéticas humanas que reduzem a virulência do HIV em pacientes — disse Jacques Fellay.

Antirretrovirais ainda eficientes

Os antirretrovirais continuam a ser a principal arma contra o HIV, permitindo que mais indivíduos infectados tenham vidas relativamente normais e expectativa de vida aumentada, embora não curem a doença.

— O tratamento com antrretrovirais funciona muito bem, mas requer uso prolongado. Isto é problemático em termos de toxicidade, além de ter um impacto financeiro grande no sistema de saúde. Há muita ênfase hoje em soluções como as vacinas, e também em novos medicamentos para “erradicar” o vírus para que possamos, eventualmente, parar este tratamento — assinalou Telenti.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 9,7 milhões de soropositivos receberam o tratamento até o fim de 2012. Destes, 630 mil eram crianças. Segundo o órgão, o número é 20% maior na comparação com 2011 (oito milhões de pessoas).

Ao todo, 25 milhões de pessoas morreram nas últimas três décadas. Até o ano passado, eram 35 milhões vivendo com HIV. No Brasil, de 1980 a junho de 2012, 656.701 casos de Aids foram registrados, de acordo com o Ministério de Saúde, que distribui antirretrovirais a pacientes. Em 2011, foram notificados 38.776 casos da doença, e a taxa de incidência de Aids no Brasil foi de 20,2 casos por 100 mil habitantes.

O Globo

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Diversos

Homem que tentou contaminar mais de 300 pessoas com o vírus HIV pode pegar perpétua

313Promotores do Missouri, EUA, estão acusando um americano de um crime chocante. Segundo os relatos, ele escondeu de seu parceiro e de pelo menos 300 pessoas que é portador do HIV, vírus que provoca a AIDS.

David Mangum disse à polícia que ele teve centenas de encontros sexuais sem nenhum tipo de proteção com centenas de pessoas que conheceu pela internet ou em parques desde o dia em que foi diagnosticado com HIV, em 2003.

Os investigadores dizem que vai ser difícil ou impossível ir atrás dessas pessoas para alertá-las sobre o fato de existir a possibilidade de estarem contaminadas porque o acusado apenas sabe o primeiro nome de algumas.

O juiz estipulou a fiança no valor de R$ 500.000 reais para soltá-lo da cadeia. Mangum tem 36 anos e comentou que 60% dos seus parceiros sexuais moram na cidade de Stoddard County.

No Missouri, expor alguém ao vírus do HIV sem o seu consentimento é um crime que pode ocasionar 15 anos de prisão. Caso alguma das 300 pessoas tenha contraído o vírus, ele pode ser condenado à prisão perpétua.

Jornal Ciência

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Diversos

Castigo: Estuprador pode ter contraído HIV de uma das suas vítimas

estu_3O britânico Richard Thomas, condenado a cinco anos e quatro meses de prisão na última segunda-feira (2) por estupro, pode ter sido contaminado pela vítima soropositiva, diz o jornal Daily News. O resultado dos exames deve sair na sexta-feira.

Segundo policiais, ao ser informado sobre essa possibilidade, durante o interrogatório, Thomas entrou em choque e pediu para ser levado para fazer os testes.

O homem confessou ter invadido a casa da vítima na noite do dia 20 de julho e cometido o estupro. Apesar de não se lembrar do fato por estar sob efeito de álcool, cocaína e ecstasy, ele diz que “a mulher não iria mentir, ela diz a verdade. Se ela diz que eu fiz isso, eu fiz isso”, de acordo com a advogada Virginia Hayton.

Estuprador e vítima já se conheciam, entretanto, Thomas afirma não saber que ela é portadora do vírus HIV. “Mas isso tudo é culpa dele. Se ele não tivesse cometido o abuso, não teria se colocado nessa posição”, completa a advogada.

Folha do Sertão e O Globo

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Saúde

Aumento de infecções por HIV no carnaval é mito, diz pesquisa

A crença de que o número de infecções por aids aumenta no carnaval é mito – pelo menos em Niterói e em outros seis municípios da região metropolitana da capital fluminense. A constatação faz parte de uma pesquisa desenvolvida por médicos da Universidade Federal Fluminense (UFF), lançada hoje (26), que analisou durante seis anos a distribuição temporal de demanda e positividade de testes sorológicos anti-HIV no Laboratório Central de Saúde Pública Miguelote Viana, de Niterói.

O laboratório faz cerca de 1.150 exames por mês e é referência no diagnóstico sorológico para todas as unidades de saúde da rede pública da cidade e dos municípios de São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Tanguá e Silva Jardim.

O estudo avaliou a sazonalidade existente entre o número de pedidos de exames e os resultados positivos encontrados em todos os meses do ano, de janeiro de 2005 a dezembro de 2010.

“O Ministério da Saúde tem basicamente duas campanhas anti-HIV, uma para o carnaval e outra para o fim de ano. E resolvemos investigar se esse comportamento nessas épocas festivas realmente era de risco aqui em Niterói”, contou o médico Christóvão Damião Júnior, autor da pesquisa de mestrado. “Verificamos que não há relação entre as épocas festivas nem com a demanda por testes nem com a positividade dos exames.”

O estudo também mostrou que, nos dois meses após o carnaval, a incidência de abortos era uma das mais baixas do município. O número de nascimentos, nove meses após esse período festivo, também era baixo. “As pessoas abortam mais no fim do ano e os nascimentos ocorrem mais em maio, ou seja, engravidando mais em agosto e setembro”, destacou.

Para o médico Mauro Romero, orientador da pesquisa, embora a análise não possa ser transposta para nível nacional, o estudo é um incentivo para que pesquisas similares e de maior abrangência sejam feitas. Com isso, será possível um retrato mais fiel da situação do HIV no país e, consequentemente, a adoção de políticas públicas mais eficazes. “Esse imaginário popular, e mesmo de alguns profissionais médicos, de que aumentam os casos de HIV no carnaval não é verdadeiro. O mundo não pode mais ficar no ‘achismo’. Não há números que suportem essa hipótese. Esse estudo deve ser ampliado para se criar uma estratégia de combate ainda mais eficiente”, defendeu Romero.

Dos 64,5 mil exames de aids registrados no período estudado, cerca de 10 mil a 11 mil por ano, foi constatada uma aleatoriedade no número de casos positivos e não uma taxa mais acentuada logo após o carnaval, em fevereiro. Nos seis anos estudados, a média mensal de testes HIV positivo em janeiro chegou a 39,3 casos; em fevereiro, 29,3; em março, 40,8; em abril, 31,8; em maio, 31,1; em junho, 34,6; em julho, 33,8; em agosto, 38,6; em setembro, 35; em outubro, 34,8; em novembro, 31,5 e em dezembro, 33,6 casos.

Romero, que há 30 anos estuda doenças sexualmente transmissíveis e aids, acredita que o Brasil não tem o hábito de fazer análises estatísticas de forma sistemática. “Não vou me assustar se na Bahia esse quadro for diferente, mas também não vou me assustar se for igual. Os laboratórios centrais precisam estudar os seus números para saber qual é a realidade.”

Um dado positivo, segundo ele, é o que mostra queda significativa tanto na demanda quanto na positividade de exames anti-HIV no decorrer dos anos estudados.

“O sistema de saúde está fazendo um bom trabalho, mas pode fazer ainda mais”, avaliou Romero. “O ideal é que se mantenham trabalhos educativos robustos e contínuos envolvendo escolas, mídia e toda a sociedade. Educação em saúde não pode ser uma vez por ano”, disse ele, defendendo que as campanhas de prevenção à aids sejam feitas não só no carnaval, mas durante todo o ano.

Agência BRasil

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