Vacina brasileira contra o HIV começa a ser testada em macacos

 08_21_19_398_fileComeçaram nesta semana os testes em macacos da vacina contra o HIV, que está sendo desenvolvida pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em parceria com o Instituto Butantan. Os quatro animais começaram a ser imunizados com a vacina que contém partes do vírus. Depois, os macacos receberão um vírus modificado que causa o resfriado como parte dos estudos para desenvolver o imunizante.

Segundo Edecio Cunha Neto, um dos pesquisadores responsáveis por conduzir o projeto, o diferencial da vacina é usar partes do vírus que não se alteram.

— Um dos grandes problemas de se fazer uma vacina contra o HIV é que ele é hipervariável. Nos componentes que nós escolhemos para colocar na vacina estão somente as regiões mais conservadas do vírus, ou seja, aquelas que não variavam de um HIV para o outro.

Além de ter pouca variação, as partes do vírus foram selecionadas por provocarem forte reação no organismo da maioria das pessoas.

— Nós fizemos o que chamamos de desenho racional, para embutir dentro da nossa vacina mecanismos para que ela fosse capaz de dar uma resposta que funcionasse para os HIVs mais variados possíveis e que funcionasse em um número grande de pessoas.

Após os testes com os quatro animais, serão feitos experimentos com um grupo de 28 macacos e três tipos de vírus diferentes, todos modificados com partes do HIV.

— As combinações desses três vírus são, até hoje, as melhores combinações para gerar respostas imunes potentes em primatas. Então, o que a gente vai fazer é escolher, de quatro combinações diferentes, aquela que deu resposta mais forte. E usar essa combinação para teste em humanos.

Caso seja bem sucedida, a vacina vai aumentar a reação dos imunizados ao vírus, diminuindo a capacidade de transmissão e melhorando a qualidade de vida do paciente.

— O que ela vai fazer é reduzir muito a quantidade de vírus, matar as células que estão infectadas. Mas ela dificilmente vai erradicar a infecção. Vai bloquear a transmissão para outra pessoa, porque a quantidade de vírus vai ser muito baixa.

Atento aos recentes protestos contra o uso de animais em pesquisas, que levaram inclusive ao fechamento de um instituto no interior paulista, Cunha fez questão de dizer que os animais são bem tratados.

— Os animais neste estudo não sofrem de maneira nenhuma. Até mesmo para o procedimento de colher sangue ou vacinar, eles estão anestesiados.

O pesquisador defendeu ainda o uso de animais em experimentos.

— Não é possível substituir um teste com animais por um teste de cultura ou teste de laboratório mais simples. O teste em animais vai observar a repercussão de uma nova vacina, uma nova droga, no organismo inteiro.argumentou.

R7

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Rafael Vale disse:

    Acho que essas vacinas deveriam ser testadas naqueles atividas que quebraram o laboratório e soltaram os cachorros beagles.
    Alias, todos os testes de medicamentos feitos em macacos, ratos e cachorros deveriam ser testados nesses ativitas.

Avanço: Vacina contra Aids funciona em macacos

2013-597275913-2013-593730887-VIRUS_20130304.jpg_20130316Uma vacina contra o HIV desenvolvida pela Universidade de Ciência e Saúde de Oregon, nos Estados Unidos, tem tido bons resultados e foram publicados na revista “Nature”. Ela está sendo testada numa forma do vírus que ocorre em primatas, o vírus da imunodeficiência símia (SIV, na sigla em inglês).

– Até agora, apenas casos clínicos raros foram curados da Aids – afirmou o diretor da Universidade de Oregon, Louis Picker. – Esta pesquisa sugere que certas respostas do sistema imune provocadas pela vacina podem remover completamente o HIV do corpo.

Os pesquisadores modificaram geneticamente o citomegalovírus, o CMV, um vírus que está presente em grande parte da população, e o tornaram capaz de buscar e destruir as células infectadas pelo HIV. No estudo, cerca de 50% dos macacos infectados que receberam o patógeno acabaram eliminando todos os traços do vírus, ou seja, foram curados “funcionalmente”.

– Através deste método, ensinamos o corpo do macaco a preparar suas defesas para combater a doença – explicou Picker. – Nossa vacina mobilizou a resposta das células T que foram capazes de suprimir os invasores de HIV em 50% dos casos tratados. Além disso, nestes casos com resposta positiva, nossos testes sugerem que o vírus foi banido. Estamos esperançosos de que parear o CMV modificado com o HIV poderá nos levar a resultados similares em humanos.

O Globo