Google anuncia superação da ‘supremacia quântica’

O chip Sycamore desenvolvido pelo Google, com 54 qubits Foto: DIVULGAÇÃO

Após anos de investimentos e pesquisas, o mundo está prestes a entrar na era da computação quântica . Em artigo publicado nesta quarta-feira na revista “Nature” , o Google anunciou ter alcançado a “ supremacia quântica ”, o ponto onde essas máquinas do futuro realizam cálculos considerados inviáveis com a computação clássica. Segundo a companhia, o processador batizado como Sycamore , com 54 qubits, foi capaz de realizar uma tarefa em 200 segundos, que para o mais poderoso supercomputador levaria 10 mil anos.

“Hoje, a revista científica ‘Nature’ publicou os resultados dos esforços do Google para construir um computador quântico que pode realizar uma tarefa que nenhum computador clássico pode”, explicou Hartmut Neven, diretor de engenharia do Google AI Quantum Team, em texto publicado no blog da companhia. “Este feito é resultado de anos de pesquisas e dedicação de muitas pessoas. É também o começo de uma nova jornada: descobrir como colocar esta tecnologia para trabalhar”.

A mecânica quântica é um ramo da física que opera na escala atômica e subatômica. Está presente fundamentalmente na natureza, mas invisível aos nossos olhos. E o uso de suas propriedades na computação tem potencial para revolucionar o mundo. Basicamente, a explicação está nas menores unidades de informação. A computação tradicional opera com bits, que podem assumir os valores de “0” ou “1”. Na computação quântica existem os qubit — ou bits quânticos —, que podem assumir os valores de “0”, “1”, ou uma superposição entre eles.

“Então, se você tem dois bits quânticos, existem quatro estados possíveis que podem ser colocados em superposição, e isso cresce exponencialmente. Com 333 qubits existem 2³³³ estados computacionais que podem ser postos em superposição, o que permite aos computadores quânticos explorar simultaneamente um rico espaço de muitas soluções possíveis para um problema”, explicou o diretor executivo do Google, Sundar Pichai.

No experimento, os pesquisadores realizaram uma tarefa aparentemente simples, de provar que um gerador de números aleatório é realmente aleatório. A tarefa, com nenhuma aplicação prática, serviu apenas para comparar a velocidade de processamento do processador quântico com a computação tradicional, e demonstrar a supremacia quântica.

— Este é um feito maravilhoso. A engenharia é fenomenal — opinou Peter Knight, da Imperial College London, ao site New Scientist. — Isso mostra que a computação quântica é realmente difícil, mas não impossível.

IBM contesta dados

Mas enquanto o Google comemora, a IBM, outra gigante na corrida pela computação quântica, contesta os números apresentados. Em texto publicado no blog da companhia, os engenheiros Edwin Pednault, John Gunnels e Jay Gambetta argumentam que “uma simulação ideal da mesma tarefa pode ser realizado num sistema clássico em 2,5 dias e com maior fidelidade”. Dessa forma, dizem os pesquisadores, a supremacia quântica não foi alcançada pelo rival.

“Como o significado original do termo ‘supremacia quântica’, como proposto por John Preskill em 2012, era descrever o ponto em que os computadores quânticos podem fazer coisas que os computadores clássicos não conseguem, esse limite não foi atingido”, afirma o trio de pesquisadores da IBM.

Eles apontam que a simulação realizada pelo Google não considerou o espaço de armazenamento dos computadores clássicos na realização dos cálculos, apenas a memória RAM. Mas mesmo que a posição da IBM seja aceitável, o experimento do Google demonstra o poder revolucionário da computação quântica.

— A IBM está clamando que, mesmo rodando o maior computador do mundo, por dois dias e meio, com petabytes de memória, eles podem simular o que um chip quântico fez em 200 segundos — comparou Ciarán Gilligan-Lee, da College London. — Quando se coloca isso em contexto, é um feito muito impressionante.

Quais são as aplicações da tecnologia?

A disputa entre duas gigantes da tecnologia ilustra a importância da computação quântica para o futuro. A IBM criou o supercomputador mais poderoso do mundo em operação, o Summit, instalado no Departamento de Energia dos EUA, mas a empresa também investe no desenvolvimento de computadores quânticos. Ela possui um protótipo com 53 qubits, concorrente do Sycamore.

Mesmo que se tornem realidade, os computadores quânticos não irão fazer parte do dia a dia das pessoas. Ninguém vai num shopping comprar um computador quântico, mas eles serão capazes de destravar cálculos hoje inviáveis no campo científico. O Google, por exemplo, afirma que já está desenvolvendo aplicações para simulações em física quântica e em química quântica, além de aplicações em machine learning e inteligência artificial.

“Nós imaginamos a computação quântica ajudando no desenvolvimento de novos materiais, como baterias mais leves para carros e aviões, catalisadores que podem produzir fertilizantes de forma mais eficiente e medicamentos mais eficazes”, afirmou o Google, em comunicado. “Alcançar as capacidades computacionais necessárias ainda vai demandar anos de engenharia e pesquisas. Mas agora vemos um caminho claro e estamos ansiosos para seguir em frente”.

O Globo

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Rodrigo Duarte disse:

    Um feito impressionante, mas agora entra alguns de nossos medos. Como irão misturar computação quântica com IA e machine learning, fica muito próximo de surgir uma Skynet na vida real.

Brasil vai superar meta de 15 medalhas em Londres, afirma COB

Com a medalha que a equipe de vôlei masculino garantiu, após vitória por 3 sets a 0 na semifinal contra a Itália, o Brasil conseguirá 16 medalhas, superando a meta de 15 projetada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para os Jogos Olímpicos de Londres.

Atualmente com 11 medalhas conquistadas (duas de ouro, duas de prata e sete de bronze), o Brasil tem garantidas três medalhas de prata no futebol masculino, no vôlei masculino e no vôlei feminino, modalidades em que suas equipes disputarão a final; além de uma de prata e uma de bronze no boxe, com os irmãos Esquiva e Yamaguchi Falcão. Esquiva, que luta na categoria até 75 quilos, está na final de amanhã. Na categoria até 84 quilos, Yamaguchi disputa, ainda hoje, o bronze. Se vencer, avança à final.

A seleção olímpica de futebol jogará a final contra o México amanhã (11), às 10h. As finais de vôlei feminino, contra os Estados Unidos, e do boxe, de Esquiva Falcão contra Ryota Murata, do Japão, também serão amanhã, 14h30 e às 17h45, respectivamente.

 

Com informações da Agência Brasil

 

Tetraplégico, ex-goleiro do São Paulo alcança, na vela, o sonho olímpico

Marisa Cauduro/Folhapress
Bruno, com a parceira Elaine (ao fundo), em treino na represa de Guarapiranga

Enquanto São Paulo fervilha em carros, barulho e fumaça, Bruno, 26, veleja por horas pelas águas tranquilas da represa de Guarapiranga.

Ele fecha os olhos para sentir o barco nas mãos, conforme orienta seu treinador, e se lembra que um dia lhe disseram que mexer as pálpebras seria o único movimento físico que conseguiria fazer.

Foi em 2006. Bruno Neves tinha acabado de completar 20 anos, era o terceiro goleiro do São Paulo, campeão mundial sub-20 com a seleção candidato a sucessor de Rogério. Planejava disputar a Olimpíada de 2008.

Então, sofreu um acidente de carro na rodovia Régis Bittencourt. Seu colega Weverson Saffiotti, 19, quarto goleiro do clube, e a jogadora de vôlei Nathália Manfrin, 19, que atuava no Osasco, estavam no carro. Morreram.

Bruno passou oito meses internado, três deles sem falar, mais outros três sem comer, e ficou tetraplégico.

Seis anos se passaram, e Bruno vai realizar o que sempre sonhou: estará em uma Olimpíada, a Paraolimpíada, em Londres, daqui a três meses. Ao lado da amiga Elaine Pedroso da Cunha, que ficou paraplégica também em decorrência de um acidente de carro, Bruno conduzirá a única embarcação da vela brasileira na competição inglesa.

“Tinha programado ir à Olimpíada em 2008. Mudou a data, o lugar e o esporte. Mas o sonho será realizado”, contou Bruno àFolha enquanto navegava em uma tarde de treinamento em barco à vela adaptado, na represa, na zona sul de São Paulo.

APAGÃO

Bruno conta que não se lembra de quase nada. Dirigia pela Régis, já madrugada, quando veio um apagão. Acordou 20 dias depois na cama de um hospital: foi o tempo que passou na UTI. Não se mexia. Aos poucos ele foi se dando conta do ocorrido.

Ele dirigia o carro que capotou na estrada. Com 1,92 m, sofreu o efeito chicote no acidente: lesão medular das vértebras C5 e C6. Foi submetido a cirurgias, teve água drenada do pulmão, recebeu placas de titânio e pinos. Ficou oito meses internado.

“Nesse período fiquei, no máximo, duas horas sentado. Os médicos diziam que eu só conseguiria abrir e fechar os olhos”, afirmou.

Começou a fazer fisioterapia ainda no hospital, três vezes por dia. “Tive que aprender tudo de novo, tinha muita dor no pescoço, não havia resistência”, relembrou.

“Fui melhorando aos poucos, sempre me cobrei muito. Por que só os outros é que fariam as coisas por mim?”

E foi assim, um dia de cada vez. Primeiro mexeu um dedo, depois uma mão, o pescoço já não doía tanto, até que conseguiu mexer os braços para frente e para trás. O suficiente para sentar em um barco adaptado e velejar.

Conheceu Elaine, com quem faz dupla na vela, nas sessões de fisioterapia em uma universidade. Uma das professoras sugeriu que ele experimentasse a sensação de velejar. Nunca havia subido em um barco. Como gostou da ideia, conseguiu que um barco fosse adaptado.

“Era mais pra sair de casa, fazer exercícios, trabalho de reabilitação. E fui gostando.”

Para disputar provas em sua categoria, porém, precisava de uma mulher. Foi quando convidou Elaine.

Ganhou o apoio de amigos, parentes e do Clube Paradesportivo Superação. Hoje integra o Time São Paulo Paralímpico, apoiado pelo Governo do Estado. Treina com um barco alugado e obteve a vaga para Londres no Mundial disputado em Weymouth, Inglaterra, ano passado.

Até então, a dupla jamais havia navegado no mar e, mesmo assim, foi o único time nacional a conseguir a vaga na vela nos Jogos.

Bruno é o timoneiro: controla a direção. Usa uma cadeira adaptada com alavancas que move com os braços. Elaine controla a velocidade.

Hoje ele treina vela de quinta a domingo, de três a cinco horas por dia. Ainda faz fisioterapia, hidromassagem e musculação. E quase tudo mais: vai a barzinhos, baladas, cinema, shopping.

A próxima meta não é ganhar medalha -ele diz que dificilmente chegará entre os quatro ou cinco primeiros.

“Quero voltar a andar. Mesmo que seja com andador. Um dia de cada vez.”

Fonte: Folha

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Ricardoprojetos disse:

    Já não mais tetra, pois retornou o movimento dos braços