Total de novos casos de coronavírus continua caindo na China

Foto:  Nicolas Asfouri/AFP

A China voltou nesta segunda-feira (9) a registrar uma queda no número de novos casos de coronavírus – 40, face a 44 no dia anterior – ao mesmo tempo que ocorreram 22 mortes, quase todas na província de Hubei, epicentro da epidemia.

Até esta segunda-feira, a China continental, que exclui Macau e Hong Kong, contabilizava 80.735 infectados e 3.119 mortos devido ao novo coronavírus.

Todas as mortes ocorridas nas últimas 24 horas, exceto uma, que na província de Guangdong, foram registradas em Hubei, assim como 36 dos 40 novos casos.

No total, Hubei soma 3.007 mortes e 67.743 casos confirmados. Várias cidades da província foram colocadas em quarentena, com entradas e saídas bloqueadas, numa medida que afeta quase 60 milhões de pessoas.

Nas últimas 24 horas, a China reportou ainda quatro casos importados na província de Gansu, no noroeste do país.

Além disso, a Comissão Nacional de Saúde informou que, no mesmo período de 24 horas, 1.535 pessoas receberam alta porque superaram a doença.

Desde o início do surto, 674.760 pessoas que tiveram contacto próximo com os infectados foram acompanhadas pelas autoridades, entre as quais, 20.146 permanecem em observação.

A epidemia do covid-19 foi detectada em dezembro, na China, e já provocou 3.800 mortes, entre mais de 109 mil pessoas atingidas pela doença numa centena de países e territórios.

Agência Brasil

37ºC é coisa do passado: a temperatura corporal média dos humanos está caindo

Foto: (Colin Anderson Productions pty ltd/Getty Images)

Em algum momento da infância, aprendemos que a temperatura corporal considerada normal é de 37º C — alterações muito grandes nesse número podem ser sintomas de problemas de saúde. Mas essa informação que guardamos para toda a vida provavelmente está desatualizada em mais de um século: uma nova pesquisa indica que a temperatura corporal dos seres humanos vêm caindo desde a Revolução Industrial.

O que hoje consideramos “normal” foi estabelecido em 1851, quando o médico alemão Carl Reinhold August Wunderlich mediu a temperatura das axilas de mais de 25 mil pessoas, chegando ao valor de 37º C. Desde então, o número tem sido aceito como padrão na medicina, incluindo por órgãos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em um estudo publicado na revista eLife, porém, uma equipe de cientistas da Universidade Stanford, nos EUA, argumenta que esse valor está desatualizado, e que estamos ficando mais frios – literalmente. Os pesquisadores analisaram três bases de dados de períodos distintos: uma de soldados da Guerra Civil norte-americana (1861 a 1865), uma da década de 1970 e outra dos anos 2000 e 2010. No total, foram 677.423 amostras de pessoas diferentes (e épocas) diferentes.

A comparação entre as medições revelou que os homens de hoje têm uma temperatura média 0,59º C menor do que a dos homens que nasceram na primeira metade do século 19. As mulheres também estão mais frias: -0,23º C, em média. Em vez de 37º C, a nova temperatura padrão é de 36,62º C para homens – para as mulheres, o valor é ligeiramente maior.

Estudos anteriores já haviam encontrado uma possível redução na nossa temperatura média, mas essa inconsistência geralmente era atribuída à falta de confiabilidade em bases de dados antigas. Essa questão também surgiu no novo estudo – afinal, o controle da higiene, dos métodos utilizados e do quadro de saúde dos soldados na Guerra Civil dos EUA não era lá dos melhores, o que poderia afetar os resultados.

Ao utilizar também de bases de dados mais recentes, porém, os pesquisadores argumentam que a queda não se deve a falhas, e sim a um padrão contínuo de perda de temperatura, década após década.

Nova vida, nova temperatura

Embora o estudo não aponte um motivo exato para essa redução da temperatura, os cientistas têm alguns palpites, como o conjunto de mudanças no nosso estilo de vida desde a Revolução Industrial: temos acesso mais fácil a roupas quentes, ambientes com temperatura controlada (seja com ar-condicionados, seja com aquecedores), somos mais sedentários, a dieta se tornou mais variada, etc..

Além disso, sabemos que outras características humanas, como altura e massa corporal, vêm se alterando ao longo das décadas – o que também pode influenciar o resultado do termômetro.

Mas o que parece ser mais decisivo para a mudança são os avanços da medicina. Na época em que Wunderlich estabeleceu o valor de 37º C, a expectativa de vida era de 38 anos, e uma parte significativa da população estava exposta a doenças como tuberculose ou gengivite. Com a popularização de vacinas, antibióticos potentes, processos de higiene mais adequados e um melhor padrão de vida em geral, os processos inflamatórios em nossos corpos caíram — desacelerando, assim, nosso metabolismo, o que se traduz em uma temperatura corporal mais amena.

Apesar da nova descoberta, é importante destacar que a temperatura “normal” não é um valor único: na verdade, ela está mais para um intervalo. Algumas pessoas são naturalmente mais quentes que outras. Mulheres, por exemplo, têm temperaturas levemente maiores que a de homens, e que sofrem alteração durante o ciclo menstrual. Diferenças étnicas também influenciam, e o novo estudo se restringiu apenas a amostras de norte-americanos. Mesmo a temperatura de uma única pessoa pode variar, dependendo da parte do corpo ou do momento em que for medida.

E não se assuste: você não vai precisar fazer ajustes nas contas para saber se está com febre ou não. A variação é muito pequena para afetar nossas vidas diretamente. Se você não quer abandonar o bom e velho 37ºC como padrão no termômetro, está tudo bem.

Super Interessante

Com número de alunos caindo, Brasil formará mais 1,5 milhão de professores em cinco anos

Foto: Anna Carolina Negri / Agência O Globo

O Brasil é um país de professores. Isso é o que defende o economista-chefe do Instituto Ayrton Senna , Ricardo Paes de Barros. Segundo ele, de todos os formandos no ensino superior no Brasil nos últimos cinco anos, 21% são professores .

Nesse período, o país formou 1,148 milhão de profissionais. Esse número é a metade de docentes que existem atualmente no país (2,2 milhões). Se considerarmos apenas a rede pública, o índice sobe para 66%.

Os dados foram apresentados, nesta quinta-feira, no lançamento de um estudo na oficina “Enfrentando os desafios educacionais” , com propostas de ações e políticas públicas voltadas para o ensino básico de cada um dos estados e o Distrito Federal.

— Há cinco anos, mandamos para as universidades a mensagem: formem professores. Mas ninguém avisou: parem de formar. Nos próximos cinco anos, serão mais 1,5 milhão. Não estamos preparados para essa queda da demanda. Temos que prestar atenção nisso, não é impacto pequeno no sistema de formação superior. Pode haver uma frustração grande desses formados que não vão conseguir emprego — afirmou Paes e Barros.

A tese, no entanto, não é consenso. Na avaliação de Claudia Costin, ex-diretora global de Educação do Banco Mundial, creches e pré-escolas ainda precisam de mão de obra porque o Brasil ainda não chegou à universalização.

Além disso, as redes do primeiro ciclo de ensino fundamental (1º ao 5º ano) estão recheando os currículos com professores especialistas em Artes, Educaçao Física e Inglês.

— Isso facilita o cumprimento da lei que prevê o planejamento. Ela diz que o professor tem que cumprir um terço da carga horária fora da sala de aula, para planejamento e formação continuada — explica Costin.

Corte de turmas e escolas

O sistema público, segundo Ricardo Paes de Barros, vai ter que reduzir o número de alunos por turma, fechar turmas ou até escolas. Ainda de acordo com o economista, a adoção de tempo integral pode ser um caminho para melhorar a educação e empregar esses professores.

No entanto, Barros acredita que o melhor caminho é melhorar a atratividade da carreira, não só com salários, mas nas condições de trabalho.

— Tem que avisar aos candidatos às universidades que não vai ter vaga para todo mundo. Tudo passa por tornar a carreira mais cobiçada. E não é só salário que conta, como os dados mostram.

Apesar de a formação estar crescente, enquanto a população em idade escolar vem caindo, ainda há áreas que precisam de formação específica.

Segundo o estudo, nos anos finais do ensino fundamental, somente a metade tem formação específica para área que está trabalhando. No ensino médio, essa parcela sobe para 62%. Em ciências, há 22% dos professores sem formação específica.

E a rotatividade dos professores não será tão grande para absorver os 200 mil professores formados a cada ano. Um quinto, na média, tem mais de 50 anos e pode estar mais perto de se aposentar.

A carreira é um instrumento de mobilidade social. Pelo estudo, esses professores, em sua maioria, são mulheres (74%), negros (52%), que concluíram o curso por faculdade privada (62%) e 18% fizeram a formação à distância. Vieram de famílias nas quais as mães não completaram o fundamental. No Brasil, essa parcela chega a 61% dos docentes.

— A maior parte veio de família pobres. A carreira é uma tremenda janela de mobilidade social no Brasil — afirmou.

Contratos

Segundo Ricardo Paes de Barros, um dos problemas de aprendizado no Brasil em relação à União Europeia é a parcela de professores que têm contrato por tempo integral. Lá, são 84% dos professores, contra 43% no Brasil.

— No Brasil, o professor tem contrato para a vida toda, mas roda por muitas escolas. Na União Europeia, a média em cada escola é de 10 anos, no Brasil, sete anos. No Acre, por exemplo, fica somente cinco anos.

Leia Mais: ‘Falta reforma sistêmica no ensino’, diz especialista sobre uma década de estagnação do Brasil no Pisa

O secretário de Educação de São Paulo, Rossieli Soares, levantou outras questões prementes a resolver como o ensino médio noturno, o que reduz o rendimento. Segundo ele, um terço dessa faixa escolar funciona à noite, problema também do Rio de Janeiro.

— Temos que trazer esses jovens para o ensino diurno.

No Rio, não há vagas para todos os alunos do ensino médio em idade regular estudarem de manhã ou de tarde. Em 2018, 20 mil alunos não conseguiram se matricular no começo do ano e foram absorvidos principalmente nas turmas noturnas.

O Globo

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Lucio disse:

    Em todos os governos fascistas do mundo os professores, artistas, cientistas e jornalistas são as primeiras vítimas.
    Esse discurso anti educação, anti universidades, anti jornalistas, anti ciência e anti arte, que vem do bolsão fanático dos evangélicos liderados pela Universal de Edir Macedo e Silas Malafaia, trarão a idade média de volta com suas barbáries e perseguições aos que não se converterem.