Oferta de vagas no comércio para o Natal será a maior em seis anos; estimativa de contratação de 91 mil trabalhadores temporários

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou nesta segunda-feira (14) uma estimativa sobre os postos de trabalho temporários para o Natal deste ano. De acordo com a CNC, espera-se a contratação de 91 mil trabalhadores temporários para atender ao aumento da demanda do varejo no período natalino, ou seja, 4% maior do que em 2018 e a maior oferta dos últimos seis anos.

Estima-se que o Natal movimente R$ 35,9 bilhões no comércio varejista de todo o país, neste ano, segundo a CNC.

Para o presidente da confederação, José Roberto Tadros, essa “retomada parcial do nível de atividade do setor” está sendo influenciada pela inflação baixa, pelos juros básicos no piso histórico, por prazos mais amplos para a quitação de financiamentos e, principalmente, pela liberação de recursos extraordinários para o consumo, como os saques no FGTS e no PIS/Pasep.

Os estados que devem mais gerar vagas são São Paulo (22,6 mil), Minas Gerais (10 mil), Rio de Janeiro (9,4 mil) e Rio Grande do Sul (7,6 mil), que concentrarão mais da metade da oferta de vagas.

Já entre os setores do comércio, os maiores volumes de contratações deverão ocorrer nos ramos de vestuário (62,5 mil vagas) e de hiper e supermercados (12,8 mil). Oito em cada dez vagas ofertadas deverão ser preenchidas por vendedores (57 mil), operadores de caixa (13 mil) e pessoal de almoxarifado (4,6 mil).

Os maiores salários médios deverão ser pagos aos contratados para os cargos de gerente de marketing e vendas (R$ 2.724) e gerentes de operações comerciais (R$ 2.020).

A taxa de efetivação dos trabalhadores temporários deverá ser maior do que nos últimos cinco anos, com expectativa de absorção definitiva de 26,1%.

Agência Brasil

Risco país cai a menor nível em seis anos

Foto: (Amanda Perobelli/Reuters)

O risco Brasil, medido pelo Credit Default Swap (CDS), um título que protege contra calotes na dívida soberana, vem registrando nova rodada de queda e está em 116 pontos. É o menor nível em seis anos, desde maio de 2013. Mas outros ativos brasileiros, principalmente o dólar e a Bolsa, não estão acompanhando o movimento de melhora de percepção dos investidores sobre o País. Economistas e gestores ouvidos pelo Estadão/Broadcast avaliam que este “descolamento” mostra que os investidores estão antecipando um cenário doméstico melhor pela frente, mas, no momento, ainda seguem cautelosos e não vão aportar recursos em ativos locais sem maior crescimento econômico e avanço de outras reformas, inclusive o término da Previdência.

Historicamente, o CDS, o dólar e o Ibovespa têm correlação próxima – sendo que câmbio e risco costumam caminhar na mesma direção -, mas desde o segundo semestre do ano passado os comportamentos passaram a divergir. Um ex-diretor do Banco Central calcula que, com o CDS na casa dos 120 pontos, como agora, era para o dólar estar em R$ 3,60 ou abaixo. Mas a moeda está em R$ 4,10 e a visão dos especialistas é a de que não deve cair para abaixo de R$ 4 tão cedo. Para o mercado de ações, a avaliação é que, com o CDS neste nível, o Ibovespa deveria, pelo menos, estar acima da pontuação atual – que tem ficado entre 103 mil e 104 mil pontos nos últimos sete pregões.

Lucas Tambellini, estrategista de renda variável do Itaú BBA, afirma que, após vários anos com excesso de liquidez global, os contratos de CDS de vários países estão perto das mínimas históricas. No caso do Brasil, o nível de risco tem caído também diante da sinalização de melhora do lado fiscal. “No passado, a correlação era mais forte, mas estamos agora em um momento descolado. Na questão cambial, a taxa está se comportando de maneira diferente por motivos externos, uma vez que o dólar está forte praticamente contra o resto do mundo”, diz.

Para o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa, as taxas do CDS mostram que “a solvência externa do Brasil está sendo vista como positiva”. Segundo ele, no entanto, o que falta para o estrangeiro entrar aqui é crescimento econômico. “O Brasil não tem PIB para mostrar ao investidor estrangeiro”, afirma.

O Bradesco calcula que o País perdeu ao redor de US$ 50 bilhões nos últimos meses de recursos externos. Três fatores têm contribuído para este movimento, segundo o economista do banco. A redução do diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos, que pode diminuir ainda mais esta semana, deixando o país menos atrativo para os estrangeiros. O outro é que muitas empresas passaram a trocar dívida externa por dívida em real, por conta dos custos atrativos de captar recursos no mercado de capitais brasileiro. Um terceiro ponto que ainda pesa é o fato de o Brasil não ser mais classificado como grau de investimento, o que impede determinados investidores de aplicar no País.

De acordo o Itaú BBA, na ausência de boas notícias externas, principalmente em relação à guerra comercial, o real deve permanecer depreciado. Assim, a instituição projeta o dólar a R$ 3,80 em 2019 e R$ 4 em 2020, indicando, porém, que a moeda poderá se estabilizar próximo aos patamares atuais, na ausência de acontecimentos positivos na economia global.

CDS e Bolsa

Tambellini afirma que, entre as diversas variáveis para os cálculos do preço justo do Ibovespa, um CDS em 200 pontos já permitiria a projeção para o índice perto de 132 mil pontos em dezembro de 2020. Mas com o CDS atualmente abaixo disso, há espaço para ver a Bolsa avançando mais. Por exemplo, diz, caso o risco médio a ser considerado seja de 160 pontos, a expectativa seria de 147 mil pontos no mesmo período.

Regina Nunes, sócia fundadora da RNA Capital, diz que, apesar do CDS, o Ibovespa só não estabelece uma tendência mais forte de alta porque, comparado a outros emergentes, o Brasil sofre com retiradas quando os investidores precisam de liquidez. Neste ano, os estrangeiros já retiraram R$ 22 bilhões da Bolsa. “Quando querem fugir de risco, os investidores tiram dos países mais líquidos e aqui a liquidez é brutal”, afirma. Para ela, a Bolsa tem sinal de compra e deve chegar a 120 mil pontos no médio prazo.

O economista para Brasil do Citi, Leonardo Porto, ressalta que o CDS brasileiro vem caindo desde as eleições presidenciais, mas o movimento tem sido em linha com outros emergentes, a exceção da Argentina. A evolução de indicadores externos, como a redução do déficit da conta corrente para 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB), além do crescimento das reservas internacionais nos últimos anos, ajudaram a melhorar a percepção do Brasil. As obrigações externas do Brasil (incluindo dívida pública e privada) caíram de 47% do PIB em 2001 para 33% no primeiro trimestre deste ano.

Câmbio

O real caminha para fechar o dia com a moeda com pior desempenho mundial entre o dólar, considerando uma cesta de 34 divisas. O dólar era negociado a R$ 4,14, perto das máximas do dia, destoando do clima de bom humor visto em outros ativos. O Ibovespa se mantém acima dos 105 mil pontos e os juros futuros recuam, em meio à sinalização de que o Banco Central pode cortar novamente os juros em sua próxima reunião de política monetária.

A alta do dólar, segundo operadores, reflete o fortalecimento da divisa americana ante emergentes, com os investidores em dúvidas sobre os próximos passos do Federal Reserve, o banco central dos EUA que ontem cortou os juros do país. Também em meio ao aumento dos riscos geopolíticos após os ataques na Arábia Saudita no fim de semana. Em tempo, o presidente da Shell no Brasil, André Araujo, disse que o ataque à Arábia Saudita não interfere na indústria petroleira brasileira e afirmou que o plano da empresa holandesa é investir US$ 3 bilhões por ano em renováveis no mundo.

Estadão

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Chicão disse:

    Governo não se move pra sair desse marasmo econômico, fica no aguardo da reforma da previdência, cujo congresso pouco está se lixando. E o povo tomando na tampa.

  2. gilberto ivan disse:

    Parabéns ao Governo Bolsonaro, no caminho certo.

Atividade e emprego na construção atingem maior valor em seis anos

Os indicadores de atividade e de emprego na indústria da construção alcançaram, em julho, o maior valor dos últimos seis anos, informou nesta sexta-feira (23), a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A Sondagem Indústria da Construção mostra que o índice de nível de atividade aumentou 0,2 ponto frente a junho e ficou em 48,4 pontos em julho. O índice de número de empregados teve leve alta de 0,1 ponto e foi para 47,3 pontos. No entanto, os dois indicadores continuam abaixo dos 50 pontos, o que mostra queda da atividade e do emprego, observa a pesquisa.

“Entretanto a queda é cada vez menos intensa e menos disseminada no setor. Os níveis de atividade e emprego melhoraram gradativamente desde o começo deste ano”, diz o levantamento.

De acordo com a pesquisa, o nível de utilização da capacidade operacional ficou em 57% em julho, mesmo patamar registrado em junho, e 5 pontos percentuais acima da média histórica. Isso significa que o setor operou com 43% do pessoal, das máquinas e dos equipamentos parados no mês passado. A ociosidade é menor nas grandes empresas, segmento em que a média de utilização da capacidade instalada alcançou 59%. Nas pequenas empresas o nível de utilização da capacidade instalada foi de 51% e, nas médias, de 57%.

Segundo a CNI, com a elevada ociosidade, a disposição dos empresários para fazer investimentos diminuiu. O índice de intenção de investimentos caiu 3,5 pontos em agosto na comparação com julho e ficou em 33,1 pontos, praticamente o mesmo patamar de maio, e 0,6 ponto abaixo da média histórica. O indicador varia de zero a cem pontos. Quanto maior o valor, maior é a disposição para fazer investimentos.

Previsão

O Índice de Confiança do Empresário da Construção (ICEI-Construção) ficou estável em 58,8 pontos em agosto e se mantém acima da média histórica de 53,3 pontos. O ICEI-Construção varia de zero a cem pontos. Quando está acima dos 50 pontos, mostra que os empresários estão confiantes.

De acordo com a CNI, essa edição da Sondagem Indústria da Construção foi feita entre 1º e 13 de agosto com 494 empresas. Dessas, 169 são pequenas, 213 médias e 112 de grande porte.

Agência Brasil