Emissões globais de CO2 têm maior queda da história na primeira metade de 2020, diz estudo

Foto: Reuters/Yves Herman

As restrições do coronavírus provocaram uma queda inédita das emissões de dióxido de carbono (CO2) no primeiro semestre de 2020, mostrou um estudo nesta quarta-feira (14). A queda é maior do que as registradas durante a crise financeira de 2008 e a Segunda Guerra Mundial.

A pesquisa, publicada por um grupo de cientistas de China, França, Japão e Estados Unidos no periódico científico Nature Communications, disse que as emissões diminuíram em 1,551 milhão de toneladas (8,8%) na primeira metade de 2020 quando comparadas com o mesmo período do ano passado.

No primeiro semestre, as emissões de CO2 derivadas do transporte caíram 40%, as da produção de energia 22% e as da indústria, 17%. Os cientistas destacaram, entretanto, que as emissões voltaram a subir para seus níveis habituais em julho de 2020, quando a maioria dos países flexibilizou as restrições.

Os pesquisadores usaram dados baseados na atividade em tempo real e analisaram as tendências diárias, semanais e sazonais de emissões de CO2 antes e depois da pandemia de Covid-19 e da retração econômica que ela desencadeou.

Na última primavera no Hemisfério Norte, governos de todo o mundo impuseram lockdowns para conter a pandemia de Covid-19. Isso reduziu o consumo de energia da produção industrial e dos transportes, o que resultou em um declínio das emissões de gases de efeito estufa.

O clima mais quente do que o normal visto na maior parte do Hemisfério Norte ainda significa que as emissões foram um pouco menores do que teriam sido na mesma época do ano passado.

G1

Comércio varejista brasileiro atinge maior patamar de vendas em 20 anos

Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil

O volume de vendas do comércio varejista brasileiro teve alta de 3,4% na passagem de julho para agosto deste ano. Com o resultado, o indicador atingiu o maior patamar da série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), iniciada em 2000, ficando 2,6% acima do recorde anterior, de outubro de 2014.

Essa foi a quarta alta consecutiva do indicador, depois dos recuos de 2,4% em março e de 16,7% em abril, devido ao início das medidas de isolamento adotadas por causa da pandemia de covid-19. O estudo foi feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.

O varejo também registrou altas de 5,6% na média móvel trimestral, de 6,1% na comparação com agosto de 2019 e de 0,5% em 12 meses. No acumulado do ano, no entanto, teve queda de 0,9%.

Na passagem de julho para agosto, cinco das oito atividades do comércio varejista tiveram alta: tecidos, vestuário e calçados (30,5%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (10,4%), móveis e eletrodomésticos (4,6%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (1,5%) e combustíveis e lubrificantes (1,3%).

Perdas

Ao mesmo tempo, houve perdas nos segmentos de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos (-1,2%), hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,2%) e livros, jornais, revistas e papelaria (-24,7%).

O varejo ampliado, que também inclui materiais de construção e veículos/peças teve crescimento de 4,6% na comparação com julho deste ano, com altas nos materiais de construção (3,6%) e nos veículos, motos e peças (8,8%).

O varejo ampliado também cresceu 7,6% na média móvel trimestral e 3,9% na comparação com agosto do ano passado. Mas teve perdas de 5% no acumulado do ano e de 1,7% no acumulado de 12 meses.

A receita nominal do varejo teve altas de 3,9% na comparação com julho deste ano, de 10,1% na comparação com agosto de 2019, de 2,4% no acumulado do ano e de 3,4% no acumulado de 12 meses. Já a receita do varejo ampliado teve altas de 5,2% se comparado com o mês anterior, de 7,7% em relação a agosto do ano passado e de 1% em 12 meses. Mas teve queda de 1,8% no acumulado do ano.

Agência Brasil

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. José Macedo disse:

    Para os que torcem para o quanto pior melhor e aqueles que fizeram piada da declaração do ministro Paulo Guedes dizendo que a recuperação da economia seria em "V", está aí a resposta.

  2. GCF disse:

    Então não foram apenas as exportações do agronegócio que melhoraram os índices econômicos, como alguns dizem em seus comentários!

    • Devolva o Brasil para os Índios disse:

      Vamos torcer para ñ ser um vôo de galinha sustentado pelo auxílio emergencial.

  3. GCF disse:

    Contra fatos não há argumentos…

  4. Pixuleco disse:

    O Véio Bolsonaro foi o grande responsável por não deixar a economia quebrar, como queria essa esquerda imunda, asquerosa e maldita.
    Mito 2022 , Flávio Bolsonaro em 2026 e Lula preso.

    • Mestrecuca disse:

      fora Bolsonaro ! Sem futuro..mentiroso…ganhou pela fake news.. não foi para um debate, com medo…

    • Biro biro Fake disse:

      quem ta mais perto de ser preso é flavio laranjinha

Genebra, na Suíça, adota maior salário mínimo do mundo, equivalente a R$ 25 mil por mês

Foto: Divulgação/Centro de Informações Turísticas de Genebra

Eleitores em Genebra, na Suíça, concordaram em introduzir um salário mínimo equivalente a US$ 25 por hora (o equivalente a mais de R$ 142).

Considerando-se 41 horas trabalhadas por semana, são US$ 4.347 por mês (cerca de R$ 24.700 por mês) – o que se acredita ser o mais alto salário mínimo em todo o mundo.

De acordo com dados governamentais, 58% dos eleitores do cantão suíço – estado soberano, com fronteiras, exército e moeda próprios – foram a favor da iniciativa de fixar o salário mínimo em 23 francos suíços por hora.

A medida foi apoiada por uma coalização de grupos sindicais, que tem como objetivo “lutar contra a pobreza, favorecer a integração social e contribuir para o respeito da dignidade humana”.

Enquanto a Suíça não tem uma lei nacional de salário mínimo, Genebra é o quarto dos 26 cantões suíços a decidirem sobre o assunto nos últimos anos, após Neuchâtel, Jura e Ticino.

“Esse novo salário mínimo vai se aplicar a cerca de 6% dos trabalhadores do cantão a partir de 1º de novembro”, disse Mauro Poggia, conselheiro de Estado de Genebra, à CNN em nota.

A comunidade genebrina de ação sindical, um guarda-chuva das organizações sindicais da cidade, descreveu o resultado como uma “vitória histórica, que vai beneficiar diretamente 30 mil trabalhadores, dos quais dois terços são mulheres”.

A decisão também foi elogiada por Michel Charrat, presidente do Agrupamento Transfronteiriço Europeu, uma associação de trabalhadores que viajam diariamente entre Genebra e cidades próximas na França.

Charrat disse ao jornal The Guardian que a pandemia do novo coronavírus “mostrou que uma certa parcela da população suíça não consegue viver em Genebra” e argumentou que o novo salário mínimo é o “minímo para não cair abaixo da linha da pobreza e se encontrar em uma situação muito difícil”. Charrat não respondeu a um pedido de comentário da CNN.

O Conselho de Estado de Genebra, o braço local do Executivo, disse em um editorial contra a medida que o novo salário mínimo seria “o mais alto do mundo”.

Uma medida proposta por cidadãos

O sistema suíço de democracia direta chama os eleitores a exercerem seus direitos quatro vezes por ano, e permite que os cidadãos coletem assinaturas para propor decretos de “iniciativas populares”.

“Em duas ocasiões passadas, iniciativas para ficar um salário mínimo obrigatório em Genebra foram a voto popular e foram rejeitadas”, disse Poggia, que é encarregado do departamento de Segurança, Trabalho e Saúde para o cantão de Genebra.

As últimas votações ocorreram em 2011 e 2014, e nessa última instância, foi um referendo nacional para fixar um salário mínimo de 22 francos suíços, ao que 76% dos eleitores se opuseram.

“Em 27 de setembro, uma nova votação sobre o assunto finalmente foi finalmente aceita, por um salário de 23 francos suíços por hora, ou um pouco mais que 4.000 francos suíços por mês por 41 horas por semana”, Poggia acrescentou. Isso dá quase US$ 4.347 por mês (cerca de R$ 24.700).

Enquanto um salário mínimo de US$ 25 (R$ 142) por hora pode parecer impressionante de uma perspectiva dos Estados Unidos, onde o salário mínimo federal é de US$ 7,25 (R$ 41) por hora, o contexto é importante.

Genebra é a 10ª cidade mais cara do mundo, de acordo com a pesquisa mundial de custo de vida conduzida pela unidade de inteligência da The Economist em 2020.

Esse salário de 4.000 francos suíços coloca os trabalhadores ligeiramente acima da linha da pobreza de 3.968 francos suíços para um lar composto por dois adultos e dois filhos com menos de 14 anos, como estimado pelo Gabinete Estatístico Federal da Suíça em 2018.

A Suíça está entre as nações mais ricas do mundo, mas não ficou imune aos danos da pandemia do novo coronavírus sobre a economia.

O grupo de especialistas do governo suíço espera que o PIB local caia – 6,2% em 2020 e que o desemprego fique em 3,8%, a maior recessão desde 1975.

O novo coronavírus impactou o resultado da votação?

Michael Grampp, o economista-chefe da Deloitte na Suíça, disse que acreditava que a pandemia do novo coronavírus teve impacto sobre quantos eleitores foram a favor de aprovar a iniciativa.

Trabalhadores com salários baixos do setor de serviços foram os mais afetados pelas medidas de quarentena implementadas na Suíça.

“Eu acho que muitos perceberam quantas pessoas trabalham nesses setores. Não é como se todos aqui trabalhassem para bancos ou fábricas de chocolate. Nós também temos um amplo setor de serviços que foi muito afetado pela quarentena”, disse Grampp à CNN.

“[A pandemia] definitivamente ajudou a empurrar os votos para quase 60%”, acrescentou.

Grampp acredita que mais cantões vão fixar salários mínimos no futuro. Poggia, no entanto, não acredita que a pandemia teve efeito significativo sobre a votação.

“Comparado a outros países, dado o forte sistema de segurança social na Suíça, os efeitos econômicos do Covid estão sendo contidos atualmente, apesar de perdas de emprego estarem acontecendo em setores diretamente afetados, como turismo, hotelaria e restaurantes”, disse.

Longas filas para comida gratuita

Essas perdas de emprego estão levando as pessoas a procurarem ajuda.

As filas quilométricas para distribuição de comida gratuita em Genebra se tornaram manchete em vários lugares do mundo, e elas continuam, de acordo com Charlemagne Hernandez, o co-fundador da Caravane de Solidarité, um grupo ativista em Genebra que tem organizado essas doações durante a pandemia.

Hernandez disse à CNN que o grupo ajudou cerca de 6 a 9 mil pessoas semanalmente durante a pandemia, distribuindo sacos de vegetais frescos e produtos não-perecíveis obtidos principalmente através de doações.

Ele acredita que a adoção da iniciativa do salário mínimo em Genebra era “necessária”, uma vez que o desemprego representa uma ameaça à existência para muitos dos trabalhadores de baixa renda na cidade. “Tudo se resume a não ter o suficiente para comer”, disse.

Genebra é conhecida como a capital humanitária do mundo devido à presença de muitas organizações internacionais e os escritórios da ONU (Organização das Nações Unidas) focados em assuntos humanitários.

Hernandez disse que a solidariedade na cidade está “muito mais forte nos últimos dias do que o normal”, conforme muitas pessoas atendem aos pedidos de contribuição, o que ajuda a continuar as doações de alimentos.

Àqueles que não acreditam que a pobreza seja um problema em um país rico como a Suíça, Hernandez pede que não façam julgamentos.

“Eu venho de uma favela em Manila, originalmente, então é verdade, não é o mesmo tipo de pobreza, mas se você está passando fome, você está passando fome. Esse é um patamar que é inegável”, diz ele.

CNN Brasil

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Ariston disse:

    É lá onde mora Paulo "Seixas" Coelho?

  2. Anderson disse:

    #partiugenebra
    #byebyebrasil

  3. Neco disse:

    A Suiça paga altos salários por que é rica OU é rica por que paga altos salários?
    PISTAS: ÍNDICE DE LIBERDADE ECONOMICA – HERITAGE FOUNDATION
    Posição da Suiça 4º – Brasil 153. Tem ainda o Fraser Institute e o Banco Mundial.
    Suiça no top 5.

    • george disse:

      "A Suiça paga altos salários por que é rica OU é rica por que paga altos salários?"
      Nem uma coisa nem outra.

    • Pixuleco disse:

      Vai pra lá NECO . Aproveita e leva a bomba de ozônio. Um balaio de CLORIQUINA é um cesto de Ivermectina . Chocolate 🍫 Copenhagen não precisa , afinal vc vai Lara terra do chocolate . Leva uma fogo do Tonho da lua pra colocar no guarda roupa .

    • Neco disse:

      Se for por isso, levo sim.

Ipea: renda dos mais pobres foi 32% maior que o habitual em agosto

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Cerca de 4,25 milhões de domicílios brasileiros, o equivalente a 6,2% dos lares, sobreviveram, em agosto, apenas com a renda do auxílio emergencial de R$ 600, pago pelo governo federal para enfrentar os efeitos econômicos da pandemia da covid-19. A proporção de domicílios exclusivamente dependentes do auxílio foi maior no Nordeste, ultrapassando os 13% no Piauí e na Bahia.

Entre os domicílios mais pobres, os rendimentos atingiram 132% do que seriam com as rendas habituais em agosto. A ajuda financeira também foi suficiente para superar em 41% a perda da massa salarial entre as pessoas que permaneceram ocupadas.

Os resultados constam do estudo divulgado nesta terça-feira (29) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), intitulado Os efeitos da pandemia sobre os rendimentos do trabalho e o impacto do auxílio emergencial: os resultados dos microdados da PNAD Covid-19 de agosto, que utiliza dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O papel do auxílio emergencial na compensação da renda perdida em virtude da pandemia foi proporcionalmente maior do que no mês anterior”, disse, em nota, o autor da pesquisa Sandro Sacchet.

Em comparação com o mês anterior, a redução da diferença entre a renda efetiva e a habitual foi generalizada. De modo geral, os trabalhadores receberam em agosto 89,4% dos rendimentos habituais (2,3 pontos percentuais acima de julho) – R$ 2.132 em média, contra uma renda habitual de R$ 2.384.

Já os trabalhadores do setor privado sem carteira assinada receberam 86,1% do habitual contra 85% no mês anterior. Trabalhadores do setor privado com carteira e funcionários públicos continuaram a receber, em média, 95% do rendimento habitual.

A recuperação do nível de renda foi maior entre os trabalhadores por conta própria, que receberam em agosto 76% do que habitualmente recebiam, contra 72% em julho, alcançando rendimentos efetivos médios de R$ 1.486.

Ainda que tenham recuperado parcela mais significativa da perda salarial devido à pandemia, os que trabalham por conta própria continuam tendo um dos menores índices de renda efetiva. O estudo cita como exemplo os trabalhadores de tratamento de beleza e serviços pessoais que receberam em agosto apenas 68,6% da renda habitual, auferindo uma renda média de R$ 1.072. O resultado, porém, é melhor que o de julho, quando receberam 60% da renda habitual.

Outros grupos que sofreram muito com a pandemia, mas que apresentaram maior recuperação em seus rendimentos são os trabalhadores de atividades artísticas, esportivas e recreação (crescimento de 15% da renda); atividades imobiliárias (aumento de 20%); hospedagem (10,5%); serviços de alimentação (7,1%); e transporte de passageiros (7,3%).

Segundo o Ipea, os trabalhadores menos afetados pela pandemia estão na administração pública, na indústria extrativa, nos serviços de utilidade pública, na educação, em serviços financeiros e armazenamento, nos correios e nos serviços de entrega.

No Nordeste, a renda efetiva subiu de 86,7% do habitual em julho para 89,6% em agosto, enquanto o Centro-Oeste continua sendo a região menos impactada (91,8%).

Conforme o estudo, o efeito da pandemia continua mais severo entre os idosos (85,6%) e menor entre os mais jovens (90,8%), e o impacto foi menor entre aqueles com ensino médio ou superior (89% para trabalhadores com médio completo e 91,1% para aqueles com ensino superior).

Agência Brasil

 

Contas externas têm saldo positivo de US$ 3,7 bilhões; maior para agosto na série histórica do Banco Central

Foto: © Reuters/Direitos Reservados

As contas externas registraram saldo positivo em agosto pelo quinto mês seguido, informou nesta quarta-feira (23) o Banco Central (BC).

O superávit em transações correntes, que são as compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda do Brasil com outros países, chegou a US$ 3,721 bilhões, o maior resultado positivo já registrado em agosto, na série iniciada em janeiro de 1995. Em agosto de 2019, foi registrado déficit em transações correntes de US$ 3,032 bilhões.

“Essa reversão seguiu tendência observada no mês anterior e decorreu da alta de US$ 2,4 bilhões no superávit da balança comercial de bens e das reduções de US$ 3,5 bilhões e de US$ 882 milhões nos déficits em renda primária e serviços, respectivamente”, disse o BC, em relatório.

Nos oito primeiros meses do ano, as transações correntes tiveram déficit de US$ 8,539 bilhões, contra o saldo negativo de US$ 34,020 bilhões em igual período de 2019.

Em 12 meses encerrados em agosto, o déficit chegou a US$ 25,4 bilhões (1,64% do Produto Interno Bruto – PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país), ante US$ 32,2 bilhões (2,03% do PIB) até julho deste ano.

Balança comercial

Em agosto, as exportações de bens totalizaram US$ 17,810 bilhões e as importações, US$ 11,850 bilhões, resultando no superávit comercial de US$ 5,960 bilhões, contra US$ 3,552 bilhões no mesmo mês do ano passado. De janeiro a agosto, o superávit comercial chegou a US$ 31,870 bilhões, ante US$ 27,462 bilhões do mesmo período de 2019.

Serviços

O déficit na conta de serviços (viagens internacionais, transporte e aluguel de equipamentos, entre outros) atingiu US$ 1,346 bilhão em agosto, ante US$ 2,228 bilhões em igual período de 2019. Nos oito primeiros meses do ano, o saldo negativo chegou a US$ 13,727 bilhões, resultado menor que o registrado de janeiro a agosto de 2019, de US$ 23,087 bilhões.

Viagens internacionais

O resultado das viagens internacionais – que fazem parte da conta de serviços – ficou negativo em US$ 123 milhões, contra US$ 842 milhões em agosto de 2019. O saldo do mês passado é o menor para agosto desde 2005 (US$ 103 milhões).

O saldo de viagens internacionais é formado pelas receitas de estrangeiros no Brasil, no valor de US$ 146 milhões, e os gastos de brasileiros no exterior, de US$ 270 milhões. De janeiro a agosto, as despesas superaram as receitas em US$ 1,892 bilhão, contra o saldo também negativo de US$ 7,872 bilhões em igual período de 2019.

As viagens internacionais têm sido afetadas pelas restrições de entrada e saída dos países e pelas medidas de isolamento social, necessárias para o enfrentamento da pandemia da covid-19.

Rendas

Em agosto, o déficit em renda primária (lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários) chegou a US$ 1,188 bilhão, contra US$ 8,165 bilhões no mesmo período de 2019. De janeiro a agosto, o saldo negativo ficou em US$ 28,464 bilhões, ante US$ 39,092 bilhões em igual período do ano passado.

A conta de renda secundária (gerada em uma economia e distribuída para outra, como doações e remessas de dólares, sem contrapartida de serviços ou bens) teve resultado positivo de US$ 295 milhões, contra US$ 325 milhões em agosto de 2019. Nos oito primeiros meses do ano, o resultado positivo chegou a US$ 1,782 bilhão, ante US$ 697 milhões em igual período de 2019.

De acordo com o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, a alta do dólar tem incentivado o envio de recursos de brasileiros que moram no exterior para a família no Brasil.

Investimentos

Os ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP) somaram US$ 1,430 bilhão no mês passado, ante US$ 9,524 bilhões em agosto de 2019. “As incertezas decorrentes da pandemia e seus impactos na economia mundial continuam apesar dos investimentos diretos”, disse Rocha.

De janeiro a agosto, o IDP chegou a US$ 26,957 bilhões, ante US$ 46 bilhões nos oito primeiros meses de 2019. Nos 12 meses encerrados em agosto de 2020, o IDP totalizou US$ 54,5 bilhões, correspondendo a 3,51% do PIB, em comparação a US$ 62,6 bilhões (3,94% do PIB) em julho. Esse é o menor resultado acumulado em 12 meses desde agosto de 2010, quando ficou em US$ 50,795 bilhões.

Em agosto, os investimentos em carteira no mercado doméstico totalizaram ingressos líquidos (descontadas as saídas) de US$ 2,345 bilhões, dos quais US$ 2,045 bilhões em títulos de dívida e US$ 300 milhões em ações e fundos de investimento.

Nos oito primeiros meses de 2020, houve saídas líquidas de US$ 28,281 bilhões, contra ingressos líquidos de US$ 7,509 bilhões, em período similar do ano passado. A saída registrada de janeiro a agosto é a maior da série do BC, iniciada em 1995.

Agência Brasil

Com Saúde e e-commerce na ponta, veja cargos que tiveram maior alta em vagas de emprego entre março e agosto no país

Levantamento da empresa de recrutamento online Catho mostra cargos que apresentaram maior crescimento no número de vagas de emprego abertas durante a pandemia do novo coronavírus.

Segundo o estudo, que compara o período de março a agosto de 2019 com o mesmo período de 2020, as profissões ligadas à área da saúde, essenciais para o tratamento de pacientes com Covid-19, continuam liderando a pesquisa. Profissionais como fisioterapeuta respiratório (924%) e hospitalar (900%) seguem na ponta do ranking desde março.

Alternativa para as empresas desde a implementação da quarentena, a importância do e-commerce refletiu diretamente na abertura de vagas de trabalho no segmento, que apresentou crescimento de até 162% entre os meses de março a agosto ante 2019.

Cargos como vendedor, atendente, gerente e supervisor de e-commerce cresceram, respectivamente, 162%, 161%, 76% e 67% durante a pandemia. Veja abaixo:

Cargos com aumento de vagas durante a pandemia, segundo a Catho — Foto: Divulgação

“O crescimento expressivo na área de comércio eletrônico comprova que as empresas, de todos os portes e nichos, estão apostando na transformação digital e se adaptando à nova realidade de pouco contato físico com os clientes para evitar a propagação do vírus. Atualmente, oferecer serviços on-line pode ser a garantia de continuidade de negócios”, explica a diretora de Operações da Catho, Regina Botter.

G1

 

FOTO E VÍDEO: Brasileira Maya Gabeira volta a estabelecer recorde mundial com a maior onda já surfada por uma mulher; veja dimensão de 22,4 metros

A brasileira Maya Gabeira voltou a estabelecer o recorde mundial com a maior onda já surfada por uma mulher. O Big Wave Awards (principal premiação mundial de ondas grandes) anunciou nesta quinta-feira que a onda que a brasileira surfou em Nazaré, Portugal, em fevereiro deste ano, chegou a 22,4 metros de altura. A marca anterior já pertencia a Maya, com uma onda de 20,7 metros.

Se é dificil dimensionar o tamanho do feito, pense que 22,4 metros é quase equivalente à altura de um prédio de sete andares. Mais alto que a Esfinge, no Egito. Não é pouca coisa.

Foto: Arte O Globo

— A velocidade era muito alta e o barulho que a onda fez quando quebrou me fez perceber que esta era provavelmente a maior onda que surfei — disse Maya.

Em julho deste ano, Maya foi escolhida a segunda maior surfista da história do Brasil em eleição promovida pelo GLOBO com 30 jornalistas especializados, ficando atrás apenas da cearense Silvana Lima.

A marca de maior onda da história também pertence a um brasileiro. O paulista Rodrigo Koxa pegou uma onda de 24,4 metros, também em Nazaré, em 2017.

O Globo e R7

Planeta 39 vezes maior que a Terra é visto orbitando

Vista da lua de Júpiter: segundo cientistas, essa seria uma oportunidade para entender melhor o interior de gigantes gasosos como Júpiter (NASA/JPL-Caltech/SETI Institute/ Handout/Reuters Business)

Um planeta rochoso 39 vezes maior que a Terra foi visto orbitando uma estrela distante a uma velocidade vertiginosa, com astrônomos concluindo que pode ser o núcleo sobrevivente de um planeta antes maior que Júpiter.

Pesquisadores disseram nesta quarta-feira que é o maior planeta rochoso já descoberto e seria o primeiro núcleo planetário já encontrado, oferecendo uma oportunidade única para entender melhor o interior de gigantes gasosos como Júpiter, o maior planeta do nosso sistema solar.

O planeta, chamado TOI-849b, orbita uma estrela um pouco menor e mais fria que o sol, a 730 anos-luz da Terra. Um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, 9,5 trilhões de quilômetros.

Gigantes gasosos são compostos de um núcleo sólido cercado por uma vasta atmosfera, principalmente de hidrogênio e hélio.

“O planeta poderia ter sido um gigante gasoso como Júpiter, que então perdeu seu envelope externo por alguma evolução violenta. Isso pode ter ocorrido porque colidiu com outro planeta no fim de sua formação ou se aproximou muito de sua estrela anfitriã e saiu de sua atmosfera”, disse o astrônomo David Armstrong, da Universidade de Warwick, na Inglaterra, principal autor da pesquisa publicada na revista Nature.

Super Interessante, com Reuters

Imunidade ao coronavírus pode ser maior na população do que dizem os testes, indica estudo

FOTO: SCIENCE PHOTO LIBRARY

Pessoas que apresentam resultados negativos em testes de anticorpos contra o coronavírus podem, ainda assim, ter alguma imunidade ao vírus, indica um estudo do Instituto Karolinksa, na Suécia.

Na pesquisa, feita com 200 pessoas, os cientistas verificaram que para cada pessoa que teve resultado positivo em testes para anticorpos contra o Sars-Cov-2 (vírus que causa a covid-19), duas tinham células T específicas capazes de identificar e destruir células infectadas.

As células T são um tipo de linfócito, células de defesa do sistema imunológico presentes no sangue.

Essa presença das células T capazes de identificar e destruir células infectadas com o coronavírus mesmo em pessoas que não têm anticorpos específicos para o vírus foi observada também em pessoas que tiveram casos leves ou sem sintomas de covid-19.

Mas ainda não está claro se isso apenas protege esse indivíduo ou se também pode impedi-lo de transmitir a infecção a outras pessoas.

A pesquisa já foi submetida para uma publicação científica, mas ainda não foi publicada nem passou oficialmente por peer review (avaliação de outros cientistas).

Mas o imunologista Danny Altmann, professor do Imperial College de Londres, disse que o estudo é “robusto, impressionante e completo” e que ele acrescenta dados a um crescente corpo de evidências de que “o teste de anticorpos subestima a imunidade”.

Entre as pessoas que participaram do estudo, algumas eram doadoras de sangue e outras foram rastreadas no grupo de primeiras pessoas infectadas na Suécia — que tinham voltado ao país vindo principalmente de áreas afetadas anteriormente, como o norte da Itália.

Isso pode significar que um grupo mais amplo de pessoas tenha algum nível de imunidade à covid-19 do que indicam os testes para anticorpos.

É provável que, em algum momento, o corpo dessas pessoas tenha dado uma resposta à contaminação pelo vírus com a produção de anticorpos, mas essa reação tenha, depois, desaparecido — ou não seja detectável pelos testes atuais.

Em tese, essas pessoas devem estar protegidas se forem expostas ao vírus pela segunda vez.

Imunidade de rebanho

Apesar de os cientistas estarem encontrando mais evidências de que pode haver mais imunidade na população do que retratam os testes de anticorpos, isso não necessariamente nos aproxima da chamada “imunidade de rebanho”, de acordo com o médico Marcus Buggert, um dos autores do estudo.

É necessário fazer mais análises para entender se essas células T fornecem “imunidade esterilizante” (quando elas bloqueiam completamente o vírus) ou se podem proteger um indivíduo de ficar doente, mas não impedem que ele carregue o vírus e o transmita.

Grande parte da discussão sobre a imunidade à covid-19 se concentrou em anticorpos — proteínas em forma de Y que são específicas para cada patógeno e agem como “mísseis atingindo um alvo”, explica Buggert.

Os anticorpos se ligam ao vírus antes que ele possa entrar nas células e o neutralizam. Se os anticorpos falharem em neutralizar o vírus, ele pode entrar nas células do corpo e transformá-las em “fábricas” que produzem mais vírus.

As células T, por outro lado, têm como alvo células já infectadas e as destroem completamente, impedindo que os vírus se espalhem para outras células saudáveis. Ou seja, enquanto os anticorpos destroem os vírus, as células T destroem as células do corpo que se tornaram “fábricas de vírus”.

Assim como os anticorpos, as células T fazem parte da parte do sistema imunológico que tem uma espécie de memória. Uma vez que elas reconhecem um vírus específico, podem atingir rapidamente as células infectadas com ele e matá-las.

Pesquisadores no Reino Unido estão testando um medicamento chamado interleucina 7, conhecido por aumentar a produção de células T, para averiguar se pode ajudar na recuperação dos pacientes com covid-19.

Mais estudos são necessários

Pesquisadores do Instituto Francis Crick, do King’s College London, notaram que um grupo de 60 pacientes gravemente doentes pareceu sofrer uma queda no número de células T.

Isso não foi observado no estudo do Instituto Karolinska, que descobriu que quanto mais doente o paciente, maior o nível de anticorpos e células T que eles pareciam produzir.

A equipe da Suécia disse que são necessárias mais pesquisas para confirmar as descobertas. Embora o estudo deles seja a maior pesquisa com células T e coronavírus realizada até agora, ela ainda envolveu um grupo relativamente pequeno de pacientes.

As células T são muito complexas e muito mais difíceis de identificar do que os anticorpos, exigindo laboratórios especializados e pequenos lotes de amostras sendo testados manualmente ao longo de dias.

Isso significa que a testagem em massa de células T capazes de combater a infecção por coronavírus não é uma perspectiva muito provável no momento.

BBC

 

Confinamento por causa do coronavírus é ‘o maior experimento psicológico da história’, diz especialista em trauma, que alerta “bomba relógio” que pode custar caro ao mundo

FOTOS: CECILIA TOMBESI/GETTY

Estima-se que pelo menos 2,6 bilhões de pessoas foram colocadas sob alguma forma de quarentena em março. Isso representa um terço da população mundial.

Em meados de junho, a covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, já havia contaminado mais de 9 milhões de pessoas e matado pelo menos 470 mil.

Alguns países da Europa e Ásia começaram a relaxar suas medidas de contenção, mas na América Latina muitos continuam com severas restrições.

Esses longos meses de confinamento podem levar a consequências psicológicas em grande parte da população.

Segundo Elke Van Hoof, professora de psicologia da saúde na Universidade de Vrije, em Bruxelas, e especialista em estresse e trauma, estamos diante do “maior experimento psicológico da história”.

A falta de atenção das autoridades à assistência psicológica durante a pandemia fará o mundo pagar o preço, diz ela.

A seguir, veja trechos da entrevista de Elke Van Hoof à BBC Mundo, feita por telefone.

BBC Mundo – O que a pandemia pode nos ensinar sobre como as pessoas respondem à adversidade?

Elke Van Hoof – Primeiro, que somos resilientes, ou seja, a maioria de nós conseguiu se reinventar e recriar nossas vidas da melhor maneira possível durante a quarentena.

Elke Van Hoof, professora de psicologia da saúde na Universidade de Vrije, em Bruxelas, e especialista em estresse e trauma. FOTO: INGE WACHTELAER

Temos forças para nos tornar a melhor versão de nós mesmos, independentemente da situação difícil em que nos encontramos. Então, há uma mensagem de esperança.

Segundo, temos as habilidades e o treinamento para melhorar ainda mais, porque podemos treinar as pessoas para terem resiliência.

Poderíamos estar mais bem preparados se tivéssemos abordado a importância da saúde mental antes da covid-19.

Infelizmente, não vi a saúde mental recebendo a atenção adequada nos meses em que estivemos na pandemia. E acho que é certamente algo necessário, porque existe a possibilidade de que isso aconteça novamente.

Pode haver muitos obstáculos para a saúde mental daqueles que enfrentaram a doença em unidades de terapia intensiva ou têm um membro da família doente.

Aí vemos que existe um alto nível de estresse tóxico que devemos abordar e que precisamos monitorar. Também prevemos que haverá uma reação tardia nessa população, de três a seis meses após o final da pandemia.

Portanto, ainda não temos uma boa imagem do escopo do que estamos enfrentando. Esse período de pandemia e a longevidade das possíveis consequências é algo para o qual não estamos bem preparados. É realmente um grande desafio.

BBC Mundo – Por que diz que a quarentena é o maior experimento psicológico da história?

Van Hoof – Porque não sabemos como as pessoas vão reagir. O surto de Ebola, foi local, em menor escala e apenas em alguns países.

Agora, temos empresas que tiveram que fechar e um terço do mundo está confinado. Portanto, não temos um modelo, não sabemos o que vai acontecer. E isso para mim é a definição de um experimento.

BBC Mundo – Quais podem ser as consequências psicológicas?

Van Hoof – A quarentena tem algumas possíveis consequências mentais. A primeira pode ser a pessoa ter a sensação de estar sobrecarregada, não ser capaz de lidar (com obrigações), ter problemas para dormir, ficar mais irritada…

Se você tem uma estrutura familiar, não está sozinho. Mas se você não tiver, tudo se torna bastante solitário. Muitas pessoas estão em quarentena há mais de dois meses, apenas com o contato social de ir ao supermercado ou conectar-se online em uma reunião ou encontro social. Então, os sentimentos de solidão aumentaram muito.

Ao mesmo tempo, quando somos atingidos por uma pandemia de tal magnitude, também tendemos a ser mais solidários e a ter um maior sentimento de coesão social, porque todos sentimos o mesmo. Existem más consequências, mas também existem algumas que dão esperança.

Mas com pessoas vulneráveis ​​é outra coisa. Existe um alto risco de que suas condições tenham progredido ou de que terão de enfrentar desafios adicionais. Falo de abuso de substâncias, vítimas de abuso físico ou de abuso de poder. Veremos quais são as consequências em alguns meses.

Os números variam em todo o mundo, mas existe o risco de a violência aumentar em casa. Esse não é um sinal bom, pois indica que a quarentena tem um efeito severo nas pessoas. Existem muitas incertezas e é por isso que acho que o que está acontecendo deve ser monitorado de perto para que possamos nos adaptar o mais rápido possível.

Precisamos garantir que exista um sistema de atendimento psicológico bem coordenado, que permita às pessoas resolver seus problemas por conta própria, mas para que também possam procurar ajuda para pessoas ou familiares que estão com problemas.

BBC Mundo – É possível que pessoas desenvolvam distúrbios com estresse pós-traumático, como observamos em guerras?

Van Hoof – Sim. Se olharmos para as pesquisas que existem hoje, vemos que o nível de estresse está alto. No entanto, acreditamos que apenas uma pequena porcentagem desse nível de aumento se transformará de fato em transtorno de estresse pós-traumático aproximadamente de 5 a 10%.

E existem certos grupos de risco que podemos identificar. Os mais óbvios são as pessoas que trabalham na área da saúde porque estão na linha de frente.

Há também aqueles com membros da família que foram afetados ou que morreram devido à covid-19. E também mulheres com crianças pequenas, jovens e adultos jovens, porque não suportam o confinamento.Portanto, há vários grupos de alto risco que podem ser identificados. Mas os números ainda não estão claros e só saberemos com certeza em um ano, eu acho.

BBC Mundo – Que sintomas devem causar alerta?

Van Hoof – Uma pessoa pode desenvolver qualquer sintoma. Entre eles: sentir-se mais ansioso, sentir pressão no peito, falta de ar, não dormir bem, ficar mais irritado, ficar muito emotivo…

Temos que enfatizar que essas são reações normais a uma situação excepcional e é um sinal de que o corpo e o cérebro estão tentando se adaptar à nova realidade.Mas quando ficar alerta? Quando a pessoa não consegue mais funcionar normalmente em sua rotina. É aí que é bom procurar ajuda, e pode ser autoajuda ou apoio profissional.

Em muitos países, há sites nos quais uma pessoa que não está se sentindo bem pode obter ajuda. Uma boa ferramenta para saber quando você está em uma zona vermelha (alerta) é o que chamo de “pontuação APGAR (pela sigla em inglês)”, que normalmente é usada para monitorar crianças pequenas e que agora adaptamos como uma ferramenta para saber quando alguém precisa fazer alguma coisa sobre seu emocional.

APGAR significa “aparência, desempenho, crescimento, emoções e relacionamentos”.

A aparência se refere a que você não pareça estar bem porque não está dormindo ou se cuidando durante esse período, enquanto o desempenho pode ser baixo ou alto e funciona tanto no trabalho quanto em casa.

Crescimento é a capacidade e vontade de adquirir novas informações. Se você geralmente entende as coisas razoavelmente rápido e de repente se vê dizendo: “eu não estou entendendo o que estão tentando me dizer” e pede para as pessoas repetirem as coisas três vezes e ainda assim você não entende pode ser sinal de que seu cérebro não está tendo a capacidade ou a vontade de assimilar novas informações.

As emoções dizem respeito a como você as controla, se fica mais emotivo, mas também se mostra uma resposta mais agressiva. E os relacionamentos estão ligados a uma mudança dramática na maneira como você se relaciona com outras pessoas. Pode ser que você fique mais solitário ou procure outras pessoas porque tem medo de ficar sozinho.

A regra geral é que, se pelo menos dois desses cinco denominadores pararem de funcionar abruptamente, você deve procurar ajuda, pois pode estar sofrendo de estresse tóxico.

BBC Mundo – Por que diz que é necessário prestarmos atenção aos tratamentos psicológicos, do contrário, sofreremos consequências?

Van Hoof – Se não prestarmos atenção suficiente e dermos uma reação tardia ao estresse tóxico, as pessoas ficarão mal e não conseguiremos fazer a economia funcionar novamente. As empresas fecharam e, para recuperar a economia e prosperar novamente como sociedade, precisamos que as pessoas se sintam bem, sem estresse ou esgotamento. Portanto, se não prestarmos atenção suficiente à saúde mental, não haverá resiliência. Se não reagirmos rapidamente a possíveis problemas que as pessoas possam sofrer, teremos uma bomba-relógio. Essas pessoas são as mesmas de que precisamos para dirigir nossa sociedade após o confinamento.

BBC Mundo – No início da pandemia, você fez uma pesquisa para descobrir os efeitos do confinamento na saúde mental dos participantes. Que resultados observou até aqui?

Van Hoof – Cerca de 50 mil pessoas de todo o mundo participaram da pesquisa online. Os resultados mostram que tivemos uma queda geral na resiliência de nossa população de 10%. E registramos um aumento nos níveis de estresse tóxico na população geral de mais de 10%. Cerca de 30%, ou 1 em cada 3 pessoas, se sentem muito estressados. E isso é muito.

BBC Mundo – É tarde demais para agir?

Van Hoof – Nunca é tarde demais, mesmo que um país não esteja fazendo nada no momento. Você sempre ganha quando se encaminha para melhores cuidados de saúde mental para a população em geral. Temos muitas ferramentas, como assistentes sociais, psicólogos e autoajuda. Se você tentar os métodos de autoajuda três vezes e eles não funcionarem, é bom procurar ajuda profissional. Pergunte ao seu clínico geral e ele poderá encaminhá-lo para o melhor atendimento psicossocial possível. Não duvide.

BBC

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Fábio disse:

    Detalhe: não é DEIXA, o correto é deixe.
    Fica a dica.

  2. Fábio disse:

    Zanoni, a 2° grande guerra foi MUNDIAL.
    Análise rasa, com todo respeito foi o seu comentário.
    Começou na Europa, em 1939, se alastrou pelo mundo.
    Acabou em maio de 1945, com aproximadamente 50 milhões de mortes.

  3. Fábio disse:

    Sei não.
    Morar em Londres durante a segunda grande guerra , por exemplo, deve ter sido pior.
    Sem comida, sem energia, com bomba todo dia e toda noite caindo na cabeça, sem falar no número imenso de mortes tanto nas cidades como no campo de batalha…
    Sei não, a humanidade saiu do eixo.
    Ficamos muito fracos.

    • Zanoni disse:

      Deixa de fazer análise rasa das questões. Estão falando de uma questão global, não local.

Saiba em quais lugares o contágio pelo novo coronavírus pode ser maior, segundo estudo

Foto: © REUTERS / Ricardo Moraes/Direitos Reservados

Um estudo feito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) tornou mais fácil identificar lugares onde, segundo pesquisadores, a chance de ser infectado pelo vírus SARS-Cov-2, responsável pela pandemia de covid-19, é bem maior. Os resultados parecem comprovar o que já é protocolo sanitário em todo o Brasil: a residência é o lugar mais seguro para as pessoas nesse momento.

A equipe de virologistas responsáveis pelo levantamento coletou amostras de lugares públicos de alta circulação na cidade de Belo Horizonte. O método utilizado foi parecido com os testes realizados para detectar a presença do vírus no organismo: o swab – um tipo de cotonete alongado que, quando friccionado contra superfícies, coleta o material em repouso – foi usado em pontos de ônibus, corrimãos, entradas de hospitais e até mesmo bancos de praças. Das 101 amostra colhidas, 17 continham traços do novo coronavírus.

“Para se avaliar o risco de um determinado local, levamos em consideração três elementos: o número de pessoas que podem portar a infecção, o nível de aglomeração esperado nos ambientes e a chance de haver pessoas com a infecção no local”, explicou o infectologista e professor de medicina da UFMG, Matheus Westin.

O médico lembra, ainda, que objetos também podem ter partículas infecciosas inertes. Frutas, verduras, caixas e outros itens que ficam expostos podem carregar o vetor de infecção. O estudo classificou as áreas de risco de acordo com os três pilares sanitários identificados pelos médicos. Veja o infográfico:

Linha de frente

O estudo mostrou também que profissionais que trabalham na linha de frente de combate ao novo coronavírus estão muito mais suscetíveis ao contágio, já que a proximidade com infectados é inevitável.

“Todas as formas de assistência direta envolvem proximidade. Desde os cuidados primários, como administrar medicação ou conversar com o paciente, aos procedimentos invasivos, como ajustar o ventilador mecânico, aspirar as vias aéreas ou entubar o paciente, tudo isso cria um grande risco de transmissão”, argumenta Westin.

Segundo o médico e professor, o investimento em equipamentos de proteção individual (EPIs) de qualidade é crucial, e pode definir se o profissional médico será contaminado ou não ao tratar pacientes. “Boa parte desse equipamento é de uso único. A troca deve ser periódica. Mas não dá pra esquecer que o profissional de saúde, ao chegar em casa, deve lavar bem com água e sabão as vestimentas hospitalares para remover traços de contaminação das roupas”, informou.

Agência Brasil

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Augusto Carvalho disse:

    Uma dúvida: se foram feitos testes, como concluíram que os cinemas são lugares de risco pra contaminação, já que estão todos fechados há meses????

  2. Apir Pertinente disse:

    Faltou falar em mercados, porque são lugares que precisamos ir com frequência.

  3. Falando sério disse:

    Via pública está na lista e supermercados não!? Essas pesquisas são uma piada.

Guarapes e Redinha são os bairros em Natal com maior índice de letalidade por covid-19

Guarapes e Redinha são os bairros na capital onde uma pessoa infectada por covid-19 tem maiores chances de morrer. A informação é do Grupo de Estudos da Dinâmica e Modelagem computacional  de Sistemas Complexos, formado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da Universidade Federal do Ceará (UFC).

O estudo, realizado com base na correlação entre dados georreferenciados, rede de contágio, vulnerabilidade e transmissibilidade na região metropolitana de Natal, observou que no bairro Guarapes, zona oeste da capital, a cada 100 pessoas testadas positivamente, 20 vão a óbito. O índice de letalidade no bairro é de 20%, número quatro vezes maior que a média da OMS que é de 5,4%.

Já na Redinha, este índice de letalidade está em 10.6%, indicando um óbito para cada 10 pessoas infectadas. Outros bairros na região metropolitana também apresentam um índice de letalidade acima da média da OMS, como, por exemplo, o Bom Pastor, Lagoa Seca, Dix-Sept Rosado e Nordeste em Natal e os bairros Olho D’Água e Golandim em São Gonçalo do Amarante.

Na fase anterior, o grupo demonstrava que o índice de letalidade está associado à renda. Nesta fase os pesquisadores se concentraram nos bairros mais críticos do momento.  Ao comparar a renda do Guarapes, de aproximadamente meio salário mínimo à média salarial de outros bairros cuja média é de pouco mais que um salário mínimo, a pesquisa indica uma situação de gravidade.

Em comparação, no bairro Petrópolis, que tem maior renda média na capital potiguar, a cada 100 pessoas infectadas, cerca de 2 morrem. Ali, o índice é de 1,83%, cerca de 10 vezes menor que em Guarapes. Outros bairros com renda média alta, como Capim Macio, Tirol e Lagoa Nova, têm taxas de letalidade ainda mais baixas.

Foto: Divulgação

No caso de Ponta Negra, por exemplo, a cada 100 pessoas infectadas, cerca de 3 morrem, pois o índice é de 2,6%. “A baixa renda é um fator de risco, pois funciona como uma espoleta para uma série de fatores subjacentes como acesso à saúde, qualidade espacial do isolamento, impossibilidade de ficar em casa, rede dinâmica de contágio em transportes públicos, e outros.  Estes são somadas as predisposições dos fatores da saúde já conhecidos, como os problemas cardíacos, diabetes, sobrepeso, idade. A combinação é fator determinante.” Destaca o professor José Dias do Nascimento Jr., do departamento de física da UFRN.

Foto: Divulgação

Nesta fase do estudo, o grupo de pesquisadores da UFRN e UFC analisou os dados epidemiológicos e a letalidade da doença focados em zonas específicas. Além de José Dias, participam do trabalho os pesquisadores César Rennó-Costa (IMD/UFRN), Leandro Almeida (DFTE/UFRN), Renan Cipriano Moioli (IMD/UFRN),  José Soares (Física – UFC),  Humberto Carmona (Física – UFC),   Wladimir Lyra (NM, USA). Colaboradoram também Ricardo Valentim e Ion Andrade, ambos do LAIS/UFRN.

UFRN

 

FOTOS: Entrevista de Pelé em que ele diz ser torcedor do Vasco repercute na imprensa mundial

Foto: Reprodução/Instagram

A entrevista do Pelé ao canal Pilhado do Youtube, do jornalista Thiago Asmar, no Youtube, em que o Rei do Futebol reafirmou sua torcida pelo Vasco repercutiu em todo o mundo. O ex-jogador falou de sua paixão pelo clube carioca, explicando também por que seu coração bate mais forte pelo Vasco.

“Não fui vascaíno, sou ainda. Para quem não se lembra, sou ainda. Meu time era o Santos, eu joguei no Santos, mas tenho o direito de escolher. Nunca deixei de ter carinho pelo Vasco”, disse Pelé, que justifica a escolha: “Naquela época, meu pai jogava com um jogador que se chamava Marinho, que era centroavante, e ele foi para o Vasco”.

Veja, abaixo algumas das manchetes:

Fotos: Reprodução

Com Extra e NetVasco

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Anderson disse:

    O Vasco pode estar num mau momento, mas tem história de sobra e craques como Pelé e Romário.

  2. Miranda disse:

    Faltou a cruz de malta no currículo. Primeiro clube a permitir que negros jogassem futebol.

R$ 4,80: Pânico por coronavírus leva dólar a bater a maior cotação nominal da história

David Dee Delgado/Getty Images

Em meio ao pânico que tomou os mercados financeiros globais, o dólar abriu o dia em forte alta de 3,7% e chegou a encostar no patamar de 4,80 reais. É a maior cotação nominal da história e reflete a forte desvalorização do real em relação à principal moeda global. Desde o início do ano, a moeda brasileira é a que mais cai no mundo. A comparação é feita com o papel de outros 40 países que possuem influência sobre o comércio global. Desde a virada do ano, o real perdeu 19,4% de valor frente ao dólar.

O choque acontece devido à histeria global perante o avanço do coronavírus (Covid-19) e às decisões erráticas de governos. No domingo, a Arábia Saudita, em retaliação à Rússia, decidiu depreciar em 10% o preço do petróleo. Isso derrubou as cotações da commodity, que chegaram a cair 30% durante o domingo, 8. Às 9h30, o óleo tipo Brent, comercializado em Londres (Reino Unido), cai 22,3%, cotado a 35,2 dólares. Por isso, no exterior, os papeis da Petrobras já afundam quase 20%.

A disparada do câmbio forçou o Banco Central a intervir cedo. Às 9h10 anunciou um leilão de 3 bilhões de dólares, à vista. Ou seja, está injetando diretamente no mercado moeda estrangeira. O leilão à vista tem dois objetivos: disponibilizar dólares aos bancos, para que não aconteça um estresse maior devido à falta de liquidez, e suavizar a volatilidade no mercado cambial. Após o leilão, a alta refluiu. Às 9h50, o dólar era comercializado a 4,73 reais — um avanço de 2,1% em relação ao fechamento de sexta-feira, 6.

A alta do dólar prenuncia um dia agitado na bolsa brasileira. O índice futuro do Ibovespa afunda 10%. Caso isso se reflita no pregão do índice corrente, a B3 precisa deflagrar o chamado Circuit Breaker — quando todos os negócios são interrompidos por meia hora. Após o retorno, caso caia mais 5%, um novo Circuit Breaker é acionado por uma hora. Se no total a bolsa cair 20%, os negócios são interrompidos por todo o dia. A Petrobras, que derrete no exterior, é o papel com maior peso no Ibovespa: 10,8%.

Veja

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Ceará-Mundão disse:

    A crise é mundial. Bolsas caindo e dólar subindo em TODO canto. Mas tem problemas que só existem no RN. Por exemplo, hospitais fechando, salários de servidores atrasados, reforma da previdência (aquela que Fatão dizia não ser necessária), economia do estado em queda livre, aumento do piso dos professores (que Bolsonaro concedeu e Fatão não quer pagar)… E cadê os sindicalistas PELEGOS, não vão fazer nada a respeito?

    • Cristian disse:

      Seus malabarismos mentais o fazem ser cotado para o cirque du soleil.

    • Diógenes disse:

      Vc que é do Ceará explique aí por que a economia de seu estado é tão solida? Seria devido às gestões anteriores dos Ferreira Gomes?

  2. Fábio disse:

    O dólar já vinha batendo recordes seguidos antes mesmo do coronavírus.
    Aqui temos o bolsonavírus…

    • Ojuara disse:

      E durante 16 anos, o vírus mais poderoso que já surgiu foi, vírus Luladrao- 9, contaminou todo um partido PT e seus apoiadores. Mas esse virus é muito antigo e ele é disseminado em toda classe política.

    • Chico da burra disse:

      Que é uma mutação do Lulaladrãovirus

Risco de transmissão da Covid-19 é maior entre membros de uma família, e isso até é uma notícia boa, diz novo estudo; entenda

Foto: (monzenmachi/Getty Images)

Enquanto a Covid-19 avança para a marca de 100 mil casos confirmados no mundo, especialistas em saúde pública estão correndo para tentar entender melhor como o vírus se espalha pela população. Agora, uma nova análise revelou o que parece ser uma boa notícia: as chances de infecção entre membros de uma mesma família são muito mais altas do que entre um paciente e pessoas que tenham contato com ele fora de casa – o que ajuda a conter o espalhamento do vírus.

O estudo, feito pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, acompanhou os 10 primeiros casos da doença confirmados em território americano. Os pesquisadores rastrearam todas as pessoas que tiveram “contato próximo” com os pacientes – ou seja, que permaneceram a no máximo 1,8 metros do infectado por um intervalo maior que 10 minutos. Isso levou a um total de 445 pessoas acompanhadas, entre pessoas que moram na mesma casa que os infectados (19), indivíduos que compartilharam espaços com eles fora de casa (204) e agentes de saúde que atenderam os pacientes (222).

Dessa amostragem, apenas duas pessoas acabaram infectadas com o coronavírus – ambas eram parentes que compartilhavam a mesma casa com os pacientes confirmados. Nenhum outro caso testou positivo para o SARS-cov-2019, incluindo cinco pessoas que permaneceram em contato domiciliar com pessoas infectadas por longos períodos.

Os resultados são positivos porque indicam que muitas pessoas que entram em contato com infectados fora de suas casas não acabam infectadas. E também mostra que a epidemia pode ser enfraquecida com medidas de precaução e de higiene, especialmente dentro de famílias com casos suspeitos ou confirmados.

A conclusão da pesquisa também faz sentido: o vírus passa de pessoa para pessoa através de fluídos, como gotículas de saliva. O contato é essencial para que a doença entre no organismo: principalmente através das mãos sendo levadas à boca ou ao nariz. Esses tipos de contato mais diretos se concetram em relações familiares, o que explicaria os resultados.

Mas há ressalvas importantes: o estudo foi feito com uma base de dados pequena: apenas 10 casos (até essa quarta, dia 04, os Estados Unidos já haviam confirmado 138 ocorrências). E o país, assim com a Alemanha, já registrou casos de Covid-19 sem fonte determinada, ou seja, em pessoas que não viajaram para o exterior e nem tiveram contato claro com nenhuma pessoa conhecida que esteve em outro país ou que teve o diagnóstico confirmado. Isso pode indicar que a doença pode sim se espalhar por contatos aleatórios, apesar de parecer bem mais difícil.

Além disso, muitos casos são assintomáticos ou apresentam sintomas leves, principalmente em pessoas mais jovens – mas, mesmo nesses casos, parece ser possível a transmissão do vírus para outras pessoas. Resumindo: não dá para se descuidar.

No Brasil, até agora, são três casos confirmados, todos em São Paulo. Não se conhece nenhum caso de transmissão entre familiares por enquanto – todos parecem ter sido “importados” da Europa, especialmente da Itália, que enfrenta um surto da doença. De qualquer forma, o Ministério da Saúde recomenda precauções, como lavar bem as mãos com água e sabão ou higienizá-las com gel antisséptico; evitar grandes aglomerações e pessoas com sintomas; evitar tocar a boca, nariz e olhos antes de lavá-las e procurar uma unidade de saúde caso sintomas apareçam.

Exame

Maior iceberg do mundo está prestes a entrar em mar aberto

Foto: (NASA/Divulgação)

O A68 – maior iceberg da atualidade, com área quatro vezes maior que a cidade de São Paulo – está perto de entrar em mar aberto, segundo observações de satélite. A placa se desprendeu da plataforma de gelo Larsen em 2017 e, desde então, vinha se movendo lentamente para o norte ao longo da Península Antártica.

Agora, o iceberg está no limite do Círculo Polar Antártico, e deverá se aventurar pelas águas do Oceano Austral em breve, indo para longe de qualquer terra firme.

Quando se desprendeu, o iceberg tinha área de cerca de 6000 km² e pesava quase 1 trilhão de toneladas. Desde então, ele perdeu pouco dessas dimensões. Apesar de não ser o maior iceberg já registrado (o B-15, que se desprendeu da Antártida em 2000, tinha uma área de 11 mil km²), as medidas impressionam, principalmente porque o iceberg tem “apenas” 200 metros de grossura para 16 mil quilômetros de comprimento – ou seja, é relativamente fino.

“Com uma proporção de espessura/comprimento semelhante a de cinco folhas de A4 agrupadas, fico surpreso que as ondas ainda não tenham transformado o A68 em cubos de gelo”, disse à BBC Adrian Luckman da Universidade de Swansea, no País de Gales, que vem monitorando o iceberg desde seu desprendimento.

Mas especialistas esperam que as agitadas águas do oceano Antártico quebrem o iceberg em pedaços menores em breve. E isto é bom: objetos grandes como este oferecem um risco óbvio para a navegação. Quanto menor os blocos, melhor para os navios.

Após se desprender em julho de 2017, o A68 ficou praticamente parado por um ano, levando alguns pesquisadores a especular que ele poderia ter se fixado em uma área mais rasa do oceano, como uma “ilha congelada”. Depois, em 2018, ele foi atingido pelo chamado Giro de Weddell, uma forte corrente oceânica que o levou mais de 200 km para o norte.

Na sequência, o iceberg passou a se mover lentamente para o norte, levado por correntes marítimas e fortes ventos. O professor Adrian Luckman publicou em seu blog a trajetória do iceberg entre janeiro de 2018 e janeiro de 2019:

Crédito: Adrian Luckman/Swansea University/Copernicus Programme/ESA (/)

A boa notícia é que a rota do iceberg é estável e bem previsível por enquanto, o que diminui o risco de acidentes. Após passar pelo Oceano Antártico e (provavelmente) se fragmentar, os blocos resultantes serão levados ao Atlântico Sul, onde também deverão quebrar em pedaços ainda menores. Não é uma novidade: outros icebergs já percorreram esse caminho, que é conhecido como “iceberg alley” (algo como “rua dos icebergs”) justamente por isso.

E novos icebergs deverão seguir o mesma mesma rota em breve, segundo os pesquisadores. Um deles, medindo cerca de 300 km², deve se desprender do Glaciar de Pine Island, no oeste da Antártida. Felizmente, ele deve se fragmentar pouco depois disso. Nesse meio tempo, na plataforma de gelo Brunt, da Antártida Oriental, um iceberg de 1500 km² (o equivalente à cidade de São Paulo) deve se desprender em algum momento no futuro próximo, embora ninguém saiba ao certo ainda.

Super Interessante

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Papa Jerry Moon disse:

    O movimento desse iceberg me lembrou a mudança da posição da governadora sobre a necessidade da reforma da previdência de antes para depois de eleita, um giro de 180 graus.

  2. Marcio disse:

    16 mil km de comprimento?

    • Esquerdalha arrependido disse:

      Isso não é pior do que dilmanta, desprender da surra de votos que sofreu em MG, e vir feder aqui no rn. Vai encosto!