Saúde

China e a origem do coronavírus: morcego e acidente de laboratório são pontos investigados

Foto: Thomas Peter/Reuters

Quase quatro milhões de mortos no mundo em um ano e meio – mais de 500 mil só no Brasil. Nações se fecharam, se abriram, se uniram na busca por protocolos, vacinas, medicamentos, por uma saída. Mas até hoje não se pode afirmar com precisão a origem do novo coronavírus, causador da doença que varre o planeta, a Covid-19.

A possibilidade mais plausível era a de que a evolução natural teria se encarregado de permitir que um vírus que habita morcegos contaminasse humanos. A hipótese de a origem da pandemia ter sido um laboratório alimentou estapafúrdias teorias da conspiração sobre a China ter manipulado, propositalmente, o coronavírus.

Nas últimas semanas, porém, cientistas renomados e figuras que investigam o caminho do vírus até os humanos passaram a aventar um cenário em que um acidente de laboratório seja a origem da pandemia.

Em maio deste ano, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, deu 90 dias para que os serviços de inteligência do país produzam, com “esforço redobrado”, um novo relatório sobre as origens do coronavírus – medida considerada “manipulação política” e “desrespeito à ciência” pela China.

O argumento americano é de que os dados atuais são insuficientes para determinar se o vírus veio da natureza ou escapou, acidentalmente, do Wuhan Institute of Virology (WIV), laboratório que trabalha com engenharia genética de diferentes coronavírus e que fica a poucos quilômetros do mercado ligado ao primeiro surto da Covid, que aconteceu no fim de 2019.

A hipótese dos morcegos

Em uma amostra de 41 dos primeiros casos confirmados, 70% dos infectados eram fregueses e vendedores do Mercado de Frutos do Mar de Huanan, ponto tradicional do comércio de carne de animais selvagens, incluindo bichos vivos. Entre os produtos à venda nas prateleiras, estavam iguarias como língua de crocodilo, escorpiões, raposas, salamandras e filhotes de lobos.

As circunstâncias lembravam as origens de duas outras epidemias: a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, na sigla em inglês) de 2002, também registrada inicialmente na China; e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers), com o primeiro caso na Arábia Saudita, em 2012. Ambas se originaram de vírus de morcegos que, antes de infectar humanos, passaram uma temporada por outros hospedeiros. Na Sars, civetas, animal selvagem vendido em mercados como o de Wuhan. E na Mers, camelos.

Em 11 de janeiro de 2020, data em que a Covid-19 fez a primeira vítima fatal de que se tem notícia – um frequentador assíduo do mercado –, cientistas chineses revelavam uma importante descoberta: a sequência genética do novo vírus, que ganhou o nome de Sars-CoV-2.

A análise revelou parentesco com um coronavírus de morcego chamado RaTG13, que já tinha amostras armazenadas no WIV, o laboratório de Wuhan. Os dois genomas têm semelhança de 96% – algo aproximadamente equivalente à diferença genética entre humanos e orangotangos.

“Desde então, não se encontrou na natureza nenhum vírus mais parecido”, disse à CNN o geneticista e professor de biologia evolutiva Sergio E. Matioli, do laboratório de Bioinformática do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP). Com base no ritmo esperado para as mutações virais, os 96% em comum sugerem que, há pelo menos dez anos, o ancestral do Sars-CoV-2 contaminou um hospedeiro intermediário e então sofreu mutações até infectar o primeiro ser humano, raciocina Matioli. Mas que intermediário seria esse? Até agora ninguém sabe. “É um crime em que não se encontrou o culpado, só se achou o parente.”

A hipótese do acidente

O elo perdido é apontado por alguns como argumento para a investigação da hipótese de o novo coronavírus ter escapado, acidentalmente de um laboratório. Entre os defensores da ideia está o jornalista e escritor especializado em ciência Nicholas Wade, com passagem em veículos de peso, como os periódicos científicos Nature e Science HIV e o jornal The New York Times.

“Cerca de 15 meses depois do início da pandemia do Sars-COV-2, os pesquisadores chineses não conseguiram encontrar a população original de morcegos ou a espécie intermediária para a qual o vírus poderia ter migrado”, afirmou ele em reportagem de repercussão internacional publicada em maio no periódico norte-americano Bulletin of the Atomic Scientist.

Mas o fato em si não prova nada. “A falta de identificação de um hospedeiro não significa que não seja zoonose”, declarou à CNN o infectologista Ricardo Diaz, chefe do laboratório de retrovirologia da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ele exemplifica: “Até agora não encontramos na natureza o link para um tipo de HIV do grupo 1, mas, ainda assim, sabemos que o vírus tem origem no gorila”.

A refuta da hipótese

Pouco depois do início do surto na China, duas publicações científicas de prestígio trouxeram textos descartando a possibilidade de o vírus ter surgido no laboratório WIV. “Todos nós condenamos veementemente as teorias da conspiração que sugerem que a Covid-19 não tenha origem natural”, dizia carta publicada em fevereiro de 2020 no periódico britânico “The Lancet”, assinada por 17 cientistas.

Os autores basearam o argumento no primeiro sequenciamento genético do novo coronavírus, sem maiores detalhamentos. Em tempo: segundo Wade, o esboço do comunicado é de autoria de Peter Daszak, presidente da EcoHealth Alliance, entidade que financiou pesquisas no WIV com subsídios do governo dos EUA – conflito de interesse não mencionado pelo “The Lancet”.

Daszak virou notícia pelo mundo afora também por outro motivo: o email que enviou em abril de 2020 ao conselheiro da Casa Branca para assuntos relacionados à Covid-19, o infectologista Anthony Fauci. Na mensagem, ele elogiava o médico pela “coragem” por ter refutado a hipótese da origem em laboratório.

Com base nessas e em outras mensagens, divulgadas pela mídia no começo deste mês, críticos acusaram Fauci de ter vínculos com figuras por trás da pesquisa do WIV. Fauci negou as acusações, disse ter a “mente aberta” para a possibilidade de o vírus ter escapado de um laboratório, mas afirma acreditar que a origem natural é mais provável.

Em março do ano passado, um mês após a polêmica carta publicada no “The Lancet”, outro grupo de cientistas afirmou na revista “Nature Medicine”: “Não acreditamos que qualquer tipo de cenário laboratorial seja plausível”. Os pesquisadores alegavam que os coronavírus surgem comumente na natureza. Também diziam que não havia sinais de manipulação genética na sequência do SARS-CoV2.

A reportagem de Wade contesta essa ideia, com o pressuposto de que nem todas as técnicas de engenharia genética deixam pistas. O autor também alega que, entre os quatro níveis de segurança possível, o WIV realizou grande parte dos experimentos com coronavírus no nível 2, o segundo menos rigoroso, o que aumentaria o risco de acidentes.

As investigações

Se for o mesmo o caso, por que os chineses teriam transformado o vírus no laboratório de Wuhan? “Não há evidências de que o SARS-CoV2-2 tenha sido produzido como parte de um programa de armas biológicas. Mas é possível que tenha sido gerado como parte de um esforço para produzir uma vacina eficaz contra todos os betacoronavírus”, afirmou Wade em entrevista por e-mail à CNN. “Outra possibilidade é militares chineses terem apoiado ou participado de tal programa para garantir uma vacina para suas tropas. Se for o caso, isso não seria surpreendente nem maléfico.”

Enquanto cientistas estudavam o tema – e UTIs pelo mundo afora lotavam de doentes –, a Organização Mundial da Saúde (OMS) travava uma queda de braço com a China em busca de autorização para enviar uma delegação para investigar a origem da pandemia em Wuhan. Só em janeiro de 2021, o grupo internacional de cientistas ganhou sinal verde para viajar à cidade para, em parceria com pesquisadores chineses, visitar hospitais, mercados e laboratório, sempre sob vigilância cerrada das autoridades locais.

“Como condição para a admissão de sua comissão, a OMS concordou com muitas demandas chinesas, incluindo exigências a respeito dos membros da equipe. Entre os integrantes, estavam pessoas como o Dr. Peter Daszak, que já havia declarado que considerava teoria da conspiração a hipótese de o vírus ter escapado de um laboratório”, diz Wade.

Na bagagem de volta da delegação faltaram conclusões definitivas. “Ainda não descobrimos a origem do vírus. Todas as hipóteses estão sobre a mesa”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Ainda assim, das 120 páginas do relatório, só duas foram dedicadas à possibilidade, considerada “extremamente improvável”, de um acidente num laboratório ter iniciado a pandemia.

Embora reconheça que, em casos raros, acidentes podem ocorrer, o documento diz que “não há registros de vírus relacionados ao SARS-CoV-2 em qualquer laboratório antes de dezembro de 2019, ou genomas que em combinação poderiam fornecer um genoma SARS-CoV-2″.

Segundo o relatório, a possibilidade de contágio por meio de um animal que tenha contraído o vírus de um animal de outra espécie é “provável ou muito provável”. A conclusão, porém, foi feita sem a pesquisa de registros de dados originais do laboratório, com acesso vetado pelas autoridades chinesas. A censura do material despertou críticas do próprio diretor-geral da OMS, que defendeu a realização de novos estudos.

Também expressaram insatisfação com a falta de transparência da China os Estados Unidos e outros 13 países, como Coreia do Sul, Austrália e Reino Unido. “Dado o grau da influência chinesa na OMS, as conclusões da equipe provavelmente já estavam esboçadas mesmo antes de pousarem em Pequim”, afirmou Wade.

A insistência

O coro dos descontentes aumentou em maio deste ano, quando um grupo de 18 cientistas de universidades de ponta, como as americanas Harvard, Yale, MIT e Stanford, nos Estados Unidos, publicou uma carta na revista “Science”. “As teorias de liberação acidental de um laboratório e de ‘spillover’ zoonótico permanecem viáveis”, diz o documento.

Uma das organizadoras da carta é Alina Chan, pesquisadora de Harvard e do MIT (Massachusetts Institute of Technology). Em entrevista à revista online ”Slate”, ela defende uma apuração livre de disputas diplomáticas, sejam elas pró ou contra a China. “Ainda acho que o comércio de vida selvagem é um cenário plausível [para a disseminação do vírus entre humanos], mas é essencial que tenhamos uma investigação real, confiável e sem influência política”, afirmou.

Outro responsável pela iniciativa é o ex-presidente da Sociedade de Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, David Relman, professor de microbiologia e imunologia da Escola de Medicina Universidade de Stanford.

“Sabemos que no centro da cidade de Wuhan estão algumas das maiores coleções de coronavírus de morcegos do mundo e também um vigoroso programa de pesquisas envolvendo a criação de coronavírus quiméricos de morcego, realizadas com a integração de sequências genômicas de coronavírus desconhecidos a conhecidos”, afirma ele em entrevista à Universidade de Stanford. “E sabemos que acidentes de laboratórios acontecem, com bem mais freqüência do que muitas vezes admitimos”, continua.

A tese é reforçada pelo fato de três pesquisadores do WIV terem procurado atendimento hospitalar com sintomas semelhantes ao da Covid em novembro de 2019, antes do início do surto em Wuhan, segundo os serviços de inteligência dos Estados Unidos. Cientistas do laboratório também viajaram 1.500 quilômetros para coletar amostras de vírus como parte do estudo sobre a origem de pneumonia com sintomas semelhantes à Covid-19, que acometeu, em abril de 2012, seis homens encarregados de retirar fezes de morcegos de uma mina – três dos quais morreram.

Entre os nove tipos de coronavírus levados da mina para estudos no WIF estava justamente o RaTG13, aquele parente mais próximo do SARS-COV-2. “A questão é: como o vírus SARS-CoV-2 chegou do sul à região central da China, já que morcegos não voam tão longe?”, indaga Alina Chan.

Mas para o brasileiro Marioli a tese é frágil. “Ainda que o morcego não voe mais que 50 km, é possível que transmita o vírus para outro animal da espécie, que por sua vez voe 50 km, transmita para mais um e assim por diante”, afirma.

Há também argumentos ainda mais técnicos. Wade ressalta que o próprio laboratório chinês informa em documentos que trabalha com os chamados experimentos de “ganho de função”, nos quais vírus são manipulados para que tenham mais capacidade de infectar células humanas, com a justificativa de assim possibilitar estudos para combater epidemias. Na sua visão, um possível indicador de que o SARS-COV-2 seja resultado dessas experiências seria o alto grau de adaptação do vírus à espécie humana – algo esperado de vírus resultantes da engenharia genética.

Wade menciona uma peculiaridade do SARS-COV-2 em relação a outros coronavírus da mesma família: a existência do chamado sítio de clivagem da furina. A estrutura facilita a entrada do vírus nas células e resulta de uma combinação de aminoácidos não encontrada em vírus proximamente aparentados. “Essas características representam um grande desafio à ideia de origem natural para o SARS2”, diz ele, reproduzindo fala de David Baltimore, virologista e ex-presidente do Instituto de Tecnologia da Califórnia.

Mais uma vez, Matioli discorda. “Em primeiro lugar, o fato de algo ser pouco provável não significa que seja impossível. Em segundo, a chance de o sítio da clivagem surgir de forma natural é maior do que o texto de Wade sugere.”

A controvérsia

Naturalmente, nem todos estão convencidos. “A carta da Science sugere falsa equivalência entre o incidente em um laboratório e os cenários de origem natural”, diz o virologista Kristian Andersen, do Instituto de Pesquisa Scripps, um dos autores da carta da Nature que descarta a hipótese do acidente no WIV. “A hipótese de vazamento de laboratório permanece baseada na especulação”, defende.

Será possível um dia saber quem tem razão? Para isso, seria preciso encontrar um vírus geneticamente muito parecido com o Sars-CoV-2. “Quanto mais semelhante às linhagens da pandemia um vírus for, melhor candidato ele será a ter originado a pandemia, seja por meio de um vazamento de laboratório ou de uma origem natural a partir de hospedeiro silvestre, diz Matioli. A tarefa não será fácil. “A natureza politizada da questão tornará muito difícil realizar uma investigação adequada, mas isso não significa que não devemos dar nosso melhor”, afirma Relman.

CNN Brasil

Opinião dos leitores

  1. Essa governo Chines são uns BANDIDOS, provocaram uma catástrofe mundial em todos os sentidos, principalmente na SAÚDE, economia, familiar e tudo o mais. Não merecem nada. CAFAJESTES.

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Saúde

Origem da covid-19: pesquisador defende estudo de cavernas de morcego

FOTO: REUTERS/Thomas Peter/Direitos Reservados

Peter Daszak, membro da equipe liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que busca pistas da origem da covid-19 na cidade chinesa central de Wuhan, disse que é preciso tentar rastrear os elementos genéticos do vírus em cavernas de morcegos.

Zoólogo e especialista em doenças animais, Daszak disse que a equipe em Wuhan vem recebendo informações de como o vírus, identificado primeiramente na cidade no final de 2019, levou a uma pandemia. Ele não entrou em detalhes, mas disse que não há indícios de que ele surgiu em um laboratório.

A origem do coronavírus se politizou muito depois das acusações, sobretudo dos Estados Unidos, de que a China não foi transparente na maneira como lidou com o surto no princípio. Pequim ventilou a hipótese de que o vírus surgiu em outro local.

Daszak se envolveu na pesquisa da origem da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) em 2002-2003, rastreando-a em morcegos que viviam em uma caverna de Yunnan, uma província do sudoeste chinês.

“É preciso fazer uma pesquisa semelhante se formos encontrar a verdadeira origem [da Covid-19] na vida selvagem”, opinou Daszak, presidente da EcoHealth Alliance, sediada em Nova York.

“Este tipo de trabalho para encontrar a fonte provável em um morcego é importante porque, se você conseguir encontrar as fontes destes vírus letais, pode diminuir os contatos com estes animais”, explicou ele à Reuters em uma entrevista.

Não está claro se atualmente a China está estudando suas muitas cavernas de morcegos, mas vírus semelhantes ao SARS-CoV-2 já foram encontrados em Yunnan.

“Estou vendo um quadro surgindo de algumas das possibilidades que parece mais plausível do que antes”, disse Daszak.

Uma possibilidade sendo analisada mais atentamente pela equipe é a de que o vírus podia estar circulando muito antes de ser identificado em Wuhan.

“Isto é algo que nosso grupo está analisando muito intensamente para ver qual nível de transmissão comunitária podia estar acontecendo antes”, disse Daszak.

“O verdadeiro trabalho que estamos fazendo aqui é rastrear desde os primeiros casos até um reservatório animal, e esta é uma rota muito mais tortuosa, e pode ter acontecido ao longo de vários meses, ou mesmo anos.”

Os investigadores estão visitando hospitais, instalações de pesquisa e o mercado de frutos do mar onde o primeiro surto foi identificado, mas seus contatos em Wuhan são limitados a visitas organizadas por seus anfitriões chineses.

Agência Brasil

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Saúde

ATENÇÃO: Barro Vermelho recebe ação de bloqueio vacinal antirrábico após identificação de morcego positivado para o vírus na região

Foto: Reprodução/Instagram

A Secretaria Municipal de Saúde Natal (SMS-Natal) informa que agentes de endemias do Centro de Controle de Zoonoses realizam um bloqueio vacinal com imunização antirrábica desta terça-feira, 28 de julho, a 3 de agosto no bairro Barro Vermelho, zona leste de Natal. A medida protetiva dá-se em virtude da identificação de um morcego positivado para o vírus rábico na região.

Os profissionais da saúde se apresentam com farda, munidos dos EPIs necessários (máscaras, luvas, álcool e aventais) para evitar a propagação de outras doenças e vacinam os animais em domicílio, além de realizar trabalho educativo com moradores das residências.

O cronograma de visita estabelece roteiro pelos imóveis das ruas Olinto Meira, Rua Coronel José Bernardo, Rua Segundo Wanderley, Rua Coronel Glicério Cícero, Rua Doutor Pinto de Alencar, Rua Meira e Sá, Rua Coronel João Gomes, Rua Ana Medeiros, Rua Afrânio Peixoto, Rua Serquiz Farkatt, Rua Alonso de Almeida, Rua Manoel Garcia, Rua Mermoz, Rua Professor Clementino Câmara, Rua Letícia Cerqueira e Avenida Governador Juvenal Lamartine.

A SMS Natal informa também que segue em andamento na capital a Campanha de Vacinação Antirrábica animal para cães e gatos com idade a partir dos três meses. A ação do CCZ Natal conta com postos fixos em todos os distritos sanitários da cidade, funcionando de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h e 13h às 16h, além de agendamento de vacinação em domicílio para condomínios e para tutores que tenham a partir de cinco animais em suas residências.

Para eventuais esclarecimentos, entrar em contato com o Centro de Controle de Zoonoses através dos números: 3232-8235 e 3232-8237.

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Saúde

VÍDEO: Sopa de morcego pode ter relação com surto de coronavírus na China, alerta estudo

Foto: Reprodução/Twitter

Um estudo conduzido por cientistas chineses e publicado no Jornal de Virologia Médica levanta suspeita de que o surto de coronavírus no país asiático possa ter relação com uma iguaria local: a sopa de morcego.

“Os resultados obtidos em nossas análises sugerem que o 2019‐nCoV [nome oficial do novo vírus] parece ser um vírus recombinante entre o coronavírus de morcego e um coronavírus de origem desconhecida”, afirmam os autores.

O novo coronavírus já infectou cerca de 600 pessoas desde o fim de dezembro, sendo que 17 delas morreram. Os principais sintomas são febre e problemas respiratórios, incluindo pneumonia.

Imediatamente, pessoas se manifestaram nas redes sociais afirmando que em Wuhan, cidade onde o surto iniciou, a sopa de morcegos silvestres é um prato comum.

Sabe-se que os coronavírus são transmitidos de animais para humanos e, posteriormente, a transmissão pode ocorrer de pessoa para pessoa.

O local onde os primeiros casos foram relatados foi um mercado de frutos do mar e de animais vivos em Wuhan.

Imediatamente, o espaço foi interditado e desinfetado por autoridades sanitárias, o que não impediu que o número de pessoas infectadas continuasse a aumentar.

Um estudo anterior, de 2017, publicado no China Science Bulletin, ressaltava que “os morcegos estão conectados ao crescente número de vírus emergentes e re-emergentes que podem quebrar a barreira das espécies e se espalhar para a população humana”.

“Os coronavírus são um dos vírus mais comuns descobertos em morcegos, que foram considerados a fonte natural de coronavírus recentes suscetíveis a humanos, como SARS-CoV e MERS-CoV.”

A SARS (síndrome respiratória aguda grave), surgida na China em 2002, e a MERS (síndrome respiratória do Oriente Médio), com origem na Arábia Saudita, em 2012, tiveram surtos parecidos com o atual.

A primeira registrou cerca de 8.000 infectados, com algo em torno de 800 mortes. A segunda teve 2.200 casos e 790 óbitos.

R7

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Saúde

Sesap chama atenção para aumento de casos de raiva em morcego; alerta para Natal e interior

Os casos positivos de raiva em morcegos continuam aumentando acima da média dos últimos cinco anos no Rio Grande do Norte. Este ano, já foram diagnosticados laboratorialmente 40 animais raivosos em 21 municípios do estado, destes 33 eram morcegos. O alerta é do Programa Estadual de Controle da Raiva da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) que está orientando os municípios a fazerem o monitoramento dos casos e convida a população para ficar mais atenta às formas de prevenção da doença.

De acordo com o mapa de prevalência da raiva, com dados de janeiro até novembro de 2018, o município de Natal com 9 casos registrou o maior número de casos de raiva em morcego; o segundo foi Serra Caiada com 5, seguido de Caicó com 3 em morcego e 2 em raposa.

A preocupação da Sesap deve-se ao fato de muitas pessoas não saberem que o morcego é transmissor da raiva e para fazer a prevenção é preciso estar atento a alguns cuidados como a vacinação antirrábica de gatos e cachorros em dia, e o comportamento dos animais.

Segundo explica Julyana Diniz, da Subcoordenadoria de Vigilância Ambiental (Suvam), os morcegos têm hábitos noturnos, mas quando doentes costumam voar durante o dia e em locais incomuns. Caso se encontre um morcego voando durante o dia ou caído no chão, não se deve tocar ou chegar perto do animal, bem, como as unidades de saúde devem ser imediatamente notificadas.

Para casos de mordedura e/ou arranhadura com animal que pode transmitir raiva, o Programa Estadual de Controle da Raiva orienta que lave a lesão com água corrente e sabão e procure assistência médica imediatamente. Cães ou gatos que forem encontrados com morcegos devem ficar em isolamento por 180 dias e devem receber duas ou três doses de vacina antirrábica dependendo do estado imunológico do animal.

A raiva é uma doença que afeta o sistema nervoso, sendo fatal em 99,9% dos casos. Ela é causada por um vírus que ataca somente os animais de sangue quente e que possuem pelos (mamíferos). Pode ser transmitida principalmente através de mordidas e arranhaduras. A vacinação anual contra raiva em cães, gatos, bovinos, equinos, suínos, caprinos, ovinos e asininos é uma das principais medidas para prevenção.

 

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