Após o dólar atingir a cotação de R$ 2,18, o Banco Central voltou a intervir no mercado de câmbio por duas vezes na manhã desta terça-feira. O BC fez dois leilões de contratos de swap cambial tradicional, que equivalem a uma venda de moeda americana no mercado futuro. Após as atuações do BC, o dólar recuou um pouco a R4$ 2,16, mas logo retomou a trajetória de alta. Por volta de 11h06m, a divisa estava sendo negociada a R$ 2,169 na compra e R$ 2,171 na venda, uma alta de 0,23%. Logo depois da abertura da sessão, a divisa chegou a ser negociada a R$ 2,187, na máxima do dia, uma alta de mais de 0,8% e nova máxima desde o dia 30 de abril de 2009, quando a divisa fechou em R$ 2,188.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, está em queda. Por volta de 11h10m, o índice se desvalorizava 0,87% aos 48.661 pontos, perdendo o patamar dos 49 mil pontos. O volume financeiro negociado é de R$ 1,2 bilhão.
Nos dois leilões desta terça, o BC vendeu US$ 4,4 bilhões em contratos de swap cambial. Na primeira operação, realizada entre 9h50m e 10h, foram vendidos todos os 60 mil contratos ofertados, o equivalente a US$ 2,9 bilhões. Na segunda intervenção, que ocorreu entre 10h10m e 10h20m, o BC ofereceu 40 mil contratos e vendeu 30 mil, que correspondem a US$ 1,5 bilhão. Ontem, o Banco Central também atuou e vendeu US$ 1,9 bilhão em contratos de swap cambial, operação que equivale a uma venda de dólares no mercado futuro. O leilão aconteceu vinte minutos antes do fim do pregão. Com a intervenção, o dólar caiu de R$ 2,17 para R$ 2,166, mesmo assim a maior cotação desde 30 de abril de 2009.
Os investidores estão na expectativa da reunião do Federal Reserve (Fed) que, nesta quarta-feira, pode sinalizar uma mudança na política de estímulo à economia americana. Esta é considerada a mais importante reunião do Fed neste ano. Na contramão das Bolsas europeias, que sobem nesta terça, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, abriu a sessão em queda. por volta de 10h22m, o índice se desvalorizava 0,99% aos 48.602 pontos, perdendo o patamar dos 49 mil pontos.
Na prática, o mercado teme que o Fed diminua a compra de títulos, que despeja todo mês, US$ 85 bilhões na economia americana. É a possibilidade de redução dessa monetização que faz a moeda americana se valorizar globalmente. Além disso, com a recuperação da economia dos EUA, o mercado já antecipa uma alta de juro no país. Os juros dos títulos de dez anos, por exemplo, estão subindo há várias semanas.
No Brasil, o que se vê é um movimento de saída de moeda americana da Bolsa, especialmente da Bolsa. Uma parte desse dinheiro está sendo alocada nos títulos americanos, segundo especialistas. Nos 13 primeiros dias do mês, os estrangeiros sacaram US$ 5,1 bilhões, segundo balanço da própria BM&FBovespa. De acordo com levantamento da corretora Renascença, este é o maior volume de retirada de recursos desde julho de 2008, quando, em 30 dias, os investidores estrangeiros tiraram US$ 7,6 bilhões do pregão.
– Com a melhora da economia americana, a lógica é que o programa de estímulo seja reduzido e os juros subam um pouco. Por isso, os investidores estão tirando recursos de países emergentes como o Brasil – diz Maurício Nakahodo, consultor de pesquisas econômicas do Banco Tokyo-Mitsubishi, em São Paulo.
Para Sidnei Nehme, da corretora de câmbio NGO, o temor é que o país não consiga captar volume de recursos externos suficientes para financiar o déficit em transações correntes, o que obrigaria o governo a utilizar parte das reservas cambiais num ambiente em que o fluxo de dólares para o país deve ser mais fraco, por causa das fragilidades da economia, como baixo crescimento, inflação e juros em alta.
“Este cenário sustenta a projeção de alta do preço da moeda americana”, diz Nehme, em relatório.
Para ele, a expectativa é que o capital especulativo ainda possa vir para o país, depois da retirada do Imposto sobre Transações Financeiras (IOF) de 1% no mercado futuro de dólares.
“Mas isso vai depender da decisão do Federal Reserve, sobre o momento em que iniciará a redução do programa de estímulos”, afirma.
Nehme acredita, a partir desta quarta-feira, será possível formar um melhor cenário quanto ao comportamento do preço do dólar no curto prazo no Brasil.
Além disso, as atenções de investidores também se voltam hoje para o presidente do BC, Alexandre Tombini, que participará de audiência no Senado nesta tarde. Em entrevista recente, Tombini lembrou que o país tem US$ 375 bilhões em reservas internacionais e afirmou que o BC pode voltar a ofertar dólares no mercado à vista se julgar necessário.
Na Bovespa, entre as ações mais negociadas, Vale PNA sobe 0,59% a R$ 28,55; Petrobras PN tem queda de 1,82% a R$ 17,77; OGX Petróleo recua 3,65% a R$ 0,80; Itaú Unibanco PN perde 1,42% a R$ 29,13 e Bradesco PN cai 1,20% a R$ 29,43.
A maior alta é dos papéis ON da Embraer, que sobem 2,36% a R$ 20,41, enquanto as ações ON da ALL têm a maior desvalorização: queda de 4,90% a R$ 9,51, com a possibilidade de a empresa fazer um aumento de capital.
O Globo
Comente aqui