Mais Médicos abrirá inscrições para profissionais formados no exterior

O Ministério da Saúde decidiu abrir as inscrições do Programa Mais Médicos aos profissionais brasileiros e estrangeiros formados no exterior (sem registro no Brasil).

Os candidatos terão entre os dias 11 e 14 de dezembro para enviar documentação ao ministério e estarem aptos para validação da inscrição.

Nesta sexta-feira (7), às 23h59, termina a inscrição de médicos com registro no Brasil.

De acordo com o ministério, são necessários 17 documentos para validar a inscrição, entre eles, o reconhecimento da instituição de ensino pela representação do país onde os profissionais obtiveram a formação.

Até ontem (6), o Mais Médicos havia registrado 35.716 inscrições, preenchendo 98,6% das 8.517 vagas disponibilizadas, ou seja, 8.402 profissionais alocados.. Desse total, 3.949 médicos já se apresentaram aos municípios selecionados. Os profissionais têm até o dia 14 deste mês para apresentação nos municípios.

Agência Brasil

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Thyciana Karen disse:

    desde o dia que começou as inscrições do mais médico para brasileiro formado no exterior, estou tentando fazer minha inscrição e não consigo, dá erro, já fiz varias ligações no numero que eles dão no site 136, também não obtive exito, já não sei mais o que faço pois amanhã encerram as inscrições. Ninguém fala no assunto. Estou sendo prejudicada por erro no sistema do mais médico.

Na véspera do fim do prazo, Mais Médicos tem 123 vagas abertas

De acordo com levantamento divulgado nesta quinta (6) pelo Ministério da Saúde, ainda restam 123 vagas disponíveis no programa Mais Médicos. Segundo a pasta, 3.721 médicos já se apresentaram aos municípios onde deverão trabalhar. O edital oferta, ao todo, 8.517 vagas em 2.824 municípios e 34 distritos indígenas.

Na última terça-feira (4), 200 profissionais desistiram de trabalhar no Mais Médicos e as vagas foram reabertas.

O prazo de inscrição vai até sexta (7), às 23h59, e os médicos têm até o dia 14 para se apresentarem nos municípios.

G1

 

Justiça rejeita pedido para manter regra do Mais Médicos

O juiz Eduardo Rocha Penteado, da 14ª Vara Federal do Distrito Federal, rejeitou pedido da Defensoria Pública para determinar que a União mantenha as regras atuais do Mais Médicos.

A ação ainda será julgada no mérito, mas não há prazo para isso, diz o G1.

O Antagonista

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Brasil é verde e amarelo disse:

    Esse povo da defensoria pública devolva 70 %dos seus gordos salários para o governo ,

Faculdades de Medicina antecipam formaturas para que alunos se inscrevam no Mais Médicos

Alunos da Universidade Vila Velha (UVV) se formaram com 15 dias de antecedência para participar do Mais Médicos Foto: Arquivo pessoal

Faculdades de Medicina da Bahia, do Ceará e do Espírito Santo decidiram antecipar a formatura de estudantes que terminam a faculdade neste ano para que eles consigam se inscrever no programa Mais Médicos . As inscrições para as 8.517 vagas estão abertas desde quarta-feira e vai até domingo. Com foco no edital, a Universidade Vila Velha (UVV) adiantou a colação de grau de uma turma de 50 pessoas que encerrariam os estudos na instituição no próximo dia 6 de dezembro. Os mais novos médicos foram graduados na manhã desta quarta-feira. O estudante Victor Bolonha, de 24 anos, foi um deles.

— Pedimos à reitoria para que isso acontecesse desde que soubemos do edital. Era urgente e fomos prontamente atendidos. A turma toda está interessada em aderir ao programa. Eu, por exemplo, estou tentando me inscrever. Consegui gerar meu registro junto do Conselho Regional de Medicina. Mas ainda falta conseguir acessar a plataforma — conta o recém-formado, que passou a madrugada tentando a inscrição por meio do site, que está instável desde ontem por conta do alto número de acessos e de ataques cibernéticos, segundo o Ministério da Saúde.

A rapidez na obtenção do registro junto ao CRM está relacionada à definição do Conselho Federal de Medicina para que os órgãos regionais atuem em esquema de força-tarefa e deem prioridade aos recém-formados , também por conta do edital do Mais Médicos.

O Ministério da Saúde estuda prorrogar o prazo para inscrição no programa. Foram registradas até a manhã desta quinta-feira, 6.394 inscrições na seleção emergencial para substituir profissionais cubanos. Segundo o ministério, tentativas de ataques de hackers tornaram o sistema lento, o que pode ter impedido profissionais de se cadastrarem.

Locais distantes

O presidente do Centro Acadêmico de Medicina da UVV, Paulo César Palhano, de 21 anos, destaca a mobilização dos estudantes e acredita que eles podem ajudar a preencher as vagas nas localidades mais longínquas:

— A universidade tem tradição em levar os estudantes para além do centro da cidade (o campus fica localizado em Vila Velha). Há um convênio que leva os alunos dos ciclos básico e clínico a aprenderem em 10 unidades de saúde distantes. Fazemos visitas e prestamos atendimentos a comunidades e em áreas rurais — conta Palhano, que não vê problemas na antecipação já que todos os formandos tinham cumprido os pré-requisitos necessários para finalizar o curso e estavam apenas aguardando a data marcada para a colação de grau.

Em nota, a instituição confirmou que a realização da formatura em data diferenciada visou auxiliar os alunos nas inscrições do Mais Médicos:

“O adiantamento da cerimônia de colação de grau do curso de Medicina em 2018/2 foi uma decisão da Instituição para apoiar os formandos que decidirem se inscrever em Programas de Residência Médica abertos ainda neste ano e, também, no Programa Mais Médicos, do Governo Federal”, diz a instituição.

Na Bahia, três faculdades também anteciparam a colação. O cronograma da Universidade Salvador (Unifacs) previa a cerimônia dos estudantes para a próxima quarta-feira, dia 28, mas a corrida contra o tempo do governo para preencher as vagas do Mais Médicos fez a instituição antecipar a data em uma semana.

A Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública e a Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) também anteciparam o processo de formatura de seus alunos pelo mesmo motivo. Na Bahiana, os estudantes começaram a colar grau nesta terça-feira. A data prevista era a sexta-feira, 23. Os alunos da FTC colaram grau na semana passada, no dia 14, para que fosse possível dar entrada no pedido de inscrição no Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb).

Na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, cerca de 50 alunos da 112ª turma aderiram a um abaixo-assinado virtual que pede a antecipação da colação de grau da instituição, inicialmente marcada para 5 de dezembro. No texto que acompanha a petição online, o graduando Matheus Andrade, que representa os colegas de classe, menciona o edital do Mais Médicos como motivo principal para o pedido.

“Com a publicação do edital, surge uma oportunidade inestimável para o início de nossas atividades profissionais. No entanto, ele exige apresentação do diploma e registro do CRM até o dia 30 de novembro”, publicou Andrade. A mensagem do estudante foi finalizada com uma apelação: “Pedimos encarecidamente a vossa colaboração para que não percamos esta imensa oportunidade por conta de poucos dias”.

Em nota, a universidade informou que mudou a data para esta quinta-feira, 22, por considerar justa a solicitação dos estudantes e avaliar que “não havia prejuízo à formação dos profissionais”.

O Globo

 

Nova seleção do Mais Médicos registra 6,3 mil inscrições; prazo será prorrogado após ataques cibernéticos

O Ministério da Saúde vai prorrogar as inscrições para a nova seleção de profissionais no Programa Mais Médicos – inicialmente previstas para terminar no próximo domingo (25). O anúncio foi feito nesta quinta-feira (22) pelo ministro da Saúde, Gilberto Occhi, em Petrolina (PE).

Por meio de nota, a pasta informou que a decisão foi tomada em razão da alta procura por parte dos médicos e também por conta de “ataques cibernéticos” ao sistema de inscrição.

“Apesar dos ataques, não houve invasão, mas isso acaba tornando o sistema mais lento. Por isso, estamos estudando nova data de efetivação das inscrições”, disse o ministro.

De acordo com o comunicado, os novos prazos devem ser definidos ainda na tarde desta quinta. A prioridade das vagas será mantida para médicos formados no Brasil ou para os que revalidaram o diploma no país.

Segundo a pasta, o sistema do Mais Médicos recebeu mais de 1 milhão de acessos simultâneos no momento da abertura das inscrições para o novo edital – mais que o dobro do total de profissionais em atuação no Brasil. “Desde ontem, a quantidade de acessos se mantém alta, como tentativa de derrubar o site”, reforçou a nota.

“O departamento de Informática do SUS [Sistema Único de Saúde] identificou a maior parcela dos robôs e máquinas programadas que estão promovendo os ataques ao site do Mais Médicos. Na manhã desta quinta-feira, a equipe de segurança do sistema atuou isolando e protegendo a rede desses ataques”, completou o ministério.

Até a manhã de hoje, haviam sido contabilizadas 6.394 inscrições para a nova seleção de profissionais do Mais Médicos. O edital, publicado na última terça-feira (20), oferece 8.517 vagas para atuação em 2.824 municípios e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), que antes eram ocupadas por médicos do acordo de cooperação feito com Cuba.

“Desde que identificamos esses ataques estamos acompanhando de perto e os problemas estão sendo sanados. A nossa expectativa é de que já nesta tarde tudo seja normalizado”, informou Occhi.

Outra mudança anunciada pelo ministro é a que vai permitir que o médico já inscrito possa se apresentar no município de forma imediata e não mais no dia 3 de dezembro.

Conselho

O Conselho Federal de Medicina (CFM) informou que já havia encaminhado ofício ao ministério solicitando a revisão dos prazos para inscrição no Mais Médicos. O documento destaca a instabilidade da plataforma desde o primeiro dia de funcionamento e avalia como exíguo o prazo para os profissionais se inscreverem no programa.

Para a entidade, o período previsto no edital é curto e desproporcional diante das decisões que devem ser tomadas pelo médico. Junto ao ofício, o CFM enviou um levantamento com informações sobre a demografia médica brasileira, que permite verificar “o considerável volume de profissionais com CRM em condições de contribuir com o Mais Médicos”.

Agência Brasil

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. kalina disse:

    Coloca no you tube ou no google que vc descobre! Só te garanto que a SAUDE de la e melhor q a daqui.

    • mario disse:

      Kalina, como você sabe? vá morar lá em cuba!!!!!! se fosse tao bom assim, os supostos médicos não iriam dizer que era melhor lavar chão no brasil do que ser medico em cuba

  2. Saulo Pinto disse:

    Quer dizer que vão sair os médicos de Cuba e vão empregar os médicos do Brasil? Isso é horrível, como vão ficar as finanças da ditadura cubana sem esses milhões que eram enviados aos ditadores? Que absurdo se opor que 70% dos salários sejam confiscados dos médicos e enviados a Cuba. Alguém da esquerda sabe informar quantos anos dura o curso de medicina em Cuba? Alguém da esquerda sabe informar as disciplinas que são ministradas na formação dos médicos cubanos?

A gente se sentia explorado, diz cubano que saiu do Mais Médicos e ficará no Brasil

Integrante do Mais Médicos por quase três anos, o médico cubano Adrian Estrada Barber disse à Folha que se sentia explorado pelo programa e acha que muitos colegas irão abandoná-lo para ficar no Brasil até o final do ano.

Barber lamentou o fim da parceria com Cuba, mas atribuiu a decisão a uma “estratégia política” do regime cubano, e não às exigências do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que pediu a realização de testes de capacidade, o envio do salário integral aos profissionais (hoje, eles recebem apenas parte do subsídio, que é retido por Cuba) e a possibilidade de que eles trouxessem suas famílias ao Brasil.

“Eu concordo totalmente [com as exigências]. A maioria se sentia explorada”, disse.

O profissional deixou o Mais Médicos em 2016, quando passou no Revalida (prova para validar o diploma no país) e começou a clinicar por conta própria. Por causa disso, foi qualificado como “desertor” e está proibido de voltar a Cuba por oito anos.

Barber se casou com uma brasileira, após uma longa espera judicial motivada por impedimentos em seu contrato de trabalho, como noticiado pela Folha. Hoje, ele tem um filho de dois anos, nascido no Brasil.

Folha – Quanto tempo o sr. ficou no Mais Médicos? Fiquei um pouco menos de três anos. Eu recebia R$ 2.976 por mês de Cuba, mais a ajuda do município [em Arapoti, interior do Paraná], de moradia e alimentação, de R$ 2.500. O resto do pagamento ia todo para o governo de Cuba. Era suficiente [para pagar as contas]. Era só a minha mulher e eu, não tínhamos criança, nada. Não dava para comprar um carro bom, uma casa, mas dava para as continhas, sim. Mas, para um padrão de um médico, no Brasil, está muito fora da realidade.

O sr. se sentia explorado? Explorado, acho que todo cubano se sente. Com certeza. A gente saiu de Cuba com o objetivo de economizar uma grana para continuar o estudo por lá, depois. Para a gente, era muito bom esse dinheiro, porque era muito mais do que conseguíamos ganhar em Cuba. E também ter outra experiência, sair, olhar a realidade do mundo. Mas quando a gente chega aqui e vê como funciona o mundo, aí, para mim, ficou decidido que não dava mais para voltar.

Eu acho que a maioria dos médicos se sente reprimida pelo sistema de Cuba. A gente não tem liberdade de fazer as coisas. Por exemplo, agora, eu não consigo entrar no meu país durante oito anos [por ter deixado o Mais Médicos]. Tive a minha liberdade completamente limitada.

Aqui no Brasil, ainda foi muito mais tranquilo do que na Venezuela [que também mantém um programa de intercâmbio com médicos de Cuba]. Eu não cheguei a ir para lá, mas tenho colegas que foram. Tinham que dar uma preliminar do que iriam fazer durante o dia, não podiam sair depois das 18h. Foi uma perseguição terrível.

Mas o sr. tinha alguma restrição em sua rotina no Brasil? Não, aqui não tinha regra. Mas, por exemplo, na hora do casamento, eu estava com medo. Segundo o contrato, eu tinha que pedir autorização ao governo cubano, tinha que falar que ia casar. Eu acho um absurdo isso. Não preciso falar com ninguém do governo. Eu sou livre para casar ou não.

Eu lembro que vocês fizeram uma reportagem. No dia 23, vocês foram a Arapoti. No dia 24, o coordenador do programa [que era cubano] me ligou. Queria saber o que estava acontecendo, por que eu estava dando entrevista. Me questionando. Aí eu falei para a minha esposa: vamos casar logo, porque eu não sei o que vai acontecer. Aí casamos dia 25, com medo de que me falassem para voltar para Cuba.

Por que o sr. decidiu deixar o Mais Médicos? Eu fiz o Revalida com o objetivo de ficar no Brasil, porque eu havia casado, minha esposa estava grávida. Tinha que fazer para ter uma estabilidade profissional e econômica no Brasil. Eu não sabia o que ia acontecer. E se me mandam embora para Cuba? Não tinha como. Eu não ia deixar minha família aqui.

Aí, fiz o Revalida. Passei [em 2016] no exame teórico, depois no prático e na prova de proficiência em português. Apresentei minha documentação na universidade e pronto, me deram o CRM [registro do Conselho Regional de Medicina].

Aí, pedi para me descredenciarem do programa. Mas [representantes de Brasil e Cuba] foram enrolando. Eu era livre, tinha permanência legal no país, tinha CRM. Mas me questionaram, falaram que eu não podia me desligar, que eu não estava indo mais. Eu realmente não estava, porque não queria mais estar no programa. Eu pedi para me liberarem, mas não queriam. Disseram que eu tinha um consultório particular. Pô, mas eu tenho CRM. Eu posso ter um consultório.

Como o sr. avalia o fim da parceria com Cuba? Eu acho que foi uma grande estratégia política. O governo do PT era afim ao governo de Cuba. Eram dois governos de esquerda. Para mim, eles disseram: ‘Fala para o governo de Cuba mandar todo mundo embora’. Para começar o governo do Bolsonaro de um jeito ruim.

Então, o sr. atribui a responsabilidade pelo rompimento do programa ao governo cubano, e não ao brasileiro?
Com certeza. Não foi o governo brasileiro que mandou os médicos embora. Ele colocou algumas exigências, mas não exigiu o fim. E o governo cubano decidiu mandar todo mundo embora. Porque vai perder. Não vão mais mandar grana para lá.

O sr. concorda com as exigências que o governo Bolsonaro fez? Lógico. Porque não tem por que duvidar da nossa capacidade. Por que não fazer o teste? Que faça, sim. O Mais Médicos está funcionando errado, atualmente. A prioridade [para contratação no programa] eram os médicos brasileiros. Depois, os brasileiros que não têm CRM. Uma terceira opção seriam os médicos estrangeiros. E, como última opção, os médicos conveniados pela OPAS, que são os cubanos. A gente acabou virando a prioridade, mas éramos a quarta escolha. Não está correto. Meu país também está precisando de médico. E por que mandou todo mundo para cá? É tirar a roupa de um santo e vestir em outro.

Foi uma opção política, com certeza. Eles achavam que iam mudar a ideia do povo brasileiro, para continuar com um governo de esquerda. Espalharam médicos cubanos por todo o país. Mas por quê? No Norte, Nordeste, onde ninguém queria trabalhar, beleza, eu acho ótimo. Que vão lá trabalhar. Mas, por exemplo, tem uma cidade bem próxima aqui, Ponta Grossa, que fica a 100 km de Curitiba. Por que Ponta Grossa tem que ter 60 médicos cubanos? A prefeitura fez um concurso público recentemente, e teve um monte de médico brasileiro que se alistou para fazer. Não tem médico interessado? Tem, sim. Mas o prefeito prefere pagar um valor muito baixo e justificar dizendo que não há médico brasileiro.

O sr. acha que os municípios se aproveitaram do programa? Tem muito município que se aproveitou, sim. Muitos tiraram o médico brasileiro do posto de saúde para colocar um cubano. Está errado. Em Wenceslau Braz [no interior do Paraná], tinha um dermatologista que trabalhava no posto e foi retirado para colocarem um médico cubano. Em Arapoti, conheci um médico que tinha CRM e queria entrar no programa, e não deixaram entrar, porque disseram que só tinha vaga para cubanos.

O Mais Médicos é um programa bom, porque prioriza as áreas carentes, dá atendimento à população. Mas não é tão bom para o médico. O objetivo final dele foi político. Para Cuba, era bom, porque recebia muito dinheiro do Brasil. E, para o governo brasileiro, era bom porque estavam fazendo a cabeça de todo mundo.

Mas e a população? Muitos municípios vão ficar sem médicos em função do fim da parceria com Cuba.
Tem município que vai ficar sem cobertura, sim, por um tempinho. Mas eu acredito que há médicos suficientes no Brasil para fazer essa cobertura. Você consegue estimular isso por meio de programas sociais. Por exemplo, há muito financiamento público de faculdade. “Olha, você vai ter dois anos para pagar isso, trabalhando lá no Xingu”, por exemplo. E se ele gosta do trabalho? E se ele casa por lá? Tem muita chance de que esse médico fique trabalhando por lá.

Bolsonaro chegou a dizer que os médicos cubanos desempenham um “trabalho análogo à escravidão”. O sr. concorda? Concordo plenamente. E não é só aqui no Brasil. Acontece no meu país, também. Em Cuba, um funcionário da rede de hotéis Meliá recebe US$ 2.000 por mês. Mas isso não chega na mão dele, não. Vai para o governo, que converte isso em pesos cubanos, e manda para o funcionário o equivalente a US$ 80 por mês. E fica com o resto. É um trabalho escravo. Está roubando dinheiro do funcionário.

Depois que o sr. deixou o Mais Médicos, como ficou sua situação? O governo cubano me qualifica agora como desertor. É um termo usado no Exército. As pessoas são condenadas por isso. É como se eu fosse propriedade do Estado. Mas eu não sou militar, eu sou médico. Eu não pertenço ao Estado. Eu sou meu.
Não posso voltar a Cuba durante oito anos.

Eles [o governo] queriam que eu voltasse para lá, para então me desligar do programa. Para mim, tinha uma chance bem alta de me deixarem lá. Já aconteceu com muitos colegas meus: ficaram cinco anos esperando para voltar para o país em que trabalhavam. Gente casada com um estrangeiro, com filho. Aí eu, com esposa grávida, vou voltar para Cuba, e arriscar ficar cinco anos longe? Jamais.

O sr. ainda tem família em Cuba? Sim, meus pais e irmão ainda estão em Cuba. Não sofreram represália. Eles podem vir me visitar, mas é toda uma burocracia, demora três meses para liberar, é caro. Só a documentação dá cerca de R$ 1.000. E a gente tem que pagar, porque o salário do meu pai é de cerca de R$ 15 por mês. Daí, imagina. Atualmente, eu ganho mais do que na época do Mais Médicos, mas trabalho mais, também. Faço plantão, trabalho em posto. Mas valeu a pena. Hoje, eu sustento minha família aqui e minha família em Cuba. São três famílias: a minha, a do meu pai e do meu irmão.

O que o sr. acha que vai acontecer com seus colegas cubanos agora? Acha que muitos irão desertar? Com certeza. Tomara que fiquem. Porque a probabilidade de um médico cubano passar no Revalida é muito alta. Eu escuto muito comentário, que tem cubano que não é médico, que vieram socorristas… Eu duvido muito. Todos são médicos, tenho certeza absoluta. E são competentes. Por exemplo, recentemente, houve outra prova do Revalida aqui no Paraná. 15% dos que passaram na prova teórica eram cubanos. Tem muitos que querem ficar, não querem ir embora. Vai ter muito cubano fazendo o Revalida. E passando.

Folha de São Paulo

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Ems disse:

    Segundo os fanáticos petistas, Cuba é um paraíso !!! E agora ???

  2. Marck Thompson disse:

    Trabalhando para os convênios no Brasil ela vai ver o que é bom para tosse (sem trocadilho)

  3. LULADRÃO disse:

    E pensar que ainda tem quem defenda o PT.

Com salário de R$ 11.800,00, Governo publica edital com vagas para o Mais Médicos; 139 oportunidades no RN em 65 municípios

O Ministério da Saúde publicou no “Diário Oficial da União” desta terça-feira (20) o edital com cerca de 8,5 mil vagas para o programa Mais Médicos. As vagas, abertas para substituir médicos cubanos, são para profissionais brasileiros e estrangeiros que tenham registro no CRM do Brasil. No Rio Grande do Norte são 139 oportunidades em 65 municípios(confira aqui)

A publicação do novo edital faz parte de uma medida emergencial do governo brasileiro após o anúncio da saída de Cuba do programa, na semana passada. Nesta segunda-feira (19), o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, disse que presidente Michel Temer determinou que o país tenha o menor impacto possível com a saída de médicos cubanos do programa.

Confira detalhes do edital:

Serão 8.517 vagas;

No primeiro edital, todas as vagas serão ofertadas aos médicos (brasileiros e estrangeiros) com registro no CRM do Brasil;

As inscrições estarão abertas a partir das 8h de 21 de novembro até as 23h59 de 25 de novembro, e deverão ser feitas pelo site maismedicos.gov.br;

No edital, é possível ver o número de vagas por município (confira a lista aqui)

No ato de inscrição, o profissional escolherá o município disponível para a atuação;

Os médicos devem inicar as atividades nos municípios a partir de 3 de dezembro; a data-limite é 7 de dezembro;

Se houver vagas remanescentes, um segundo edital será lançado em 27 de novembro com vagas para brasileiros formados no exterior e estrangeiros;

Para atuar no Mais Médicos, os profissionais sem CRM não precisarão fazer o Revalida. Eles poderão fazer o Revalida caso queiram exercer atividade também fora do programa.

Foto: Alexandre Mauro/Arte G1

As 8.517 vagas estão distribuídas por 2.824 municípios e 34 distritos indígenas. O salário é de R$ 11.800,00.

O sistema de seleção, que estará disponível a partir de quarta-feira (21) no site do programa, vai informar o número de vagas por município, e fica com a vaga o profissional que se inscrever primeiro.

“Se você tem cinco vagas, os cinco primeiros ocuparão essas vagas e não ficará mais disponível a vaga para o seu município. Então, haverá, sim, o limitador da vaga existente e aí nós faremos isso, e o médico, na hora dele acessar, ele só vai poder acessar aonde tiver vaga ainda disponível”, disse o ministro da Saúde, Gilberto Occhi.

Formados no exterior

Na semana que vem será publicado um novo edital, com as vagas que não foram preenchidas, desta vez aberto também para médicos brasileiros e estrangeiros formados no exterior. Segundo Occhi, os cubanos que quiserem ficar no país poderão participar.

“Na semana que vem, na segunda-feira, publicaremos um segundo edital, em que esses mesmos médicos que não fizeram sua opção pelo município poderão continuar a fazer, agora em companhia de médicos brasileiros formados no exterior e médicos estrangeiros formados no exterior. Todos os médicos, inclusive os cubanos, que poderão optar por permanecer”, disse Occhi.

O ministro também informou na segunda-feira que vem fazendo reuniões com o ministro da Educação, Rossieli Soares, para agilizar o Revalida, exame aplicado para médicos formados no exterior que pretendem exercer a profissão no Brasil.

“Estamos numa reunião, eu e o ministro da Educação, para que possamos encontrar uma forma mais rápida e eficaz de um novo Revalida, para que médicos brasileiros formados no exterior possam exercer com segurança sua profissão aqui no Brasil”, completou.

O governo brasileiro disse que não vai arcar com os custos da volta dos médicos cubanos porque considera que a decisão unilateral de romper com o programa Mais Médicos foi do governo de Cuba.

Saída dos cubanos

Na semana passada, o governo cubano anunciou que deixaria o Mais Médicos e citou “referências diretas, depreciativas e ameaçadoras” feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro em relação à presença dos médicos cubanos no Brasil.

Com a saída dos profissionais cubanos do Mais Médicos, cerca de 600 municípios brasileiros podem ficar sem nenhum médico da rede pública a partir do dia 25 de dezembro, segundo o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

Atualmente, cerca de 8,2 mil profissionais do país caribenho participam do Mais Médicos.

Na semana passada, Bolsonaro disse que os profissionais cubanos que quisessem permanecer no país teriam o asilo concedido.

G1

 

CGU identifica pagamentos irregulares no Mais Médicos

Pagamentos irregulares no programa Mais Médicos para ajuda de custo e bolsa formação dos profissionais contratados podem ter produzido um prejuízo de mais de R$ 2 milhões, segundo uma auditoria do Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU) divulgada nesta segunda-feira (10). O volume de recursos se refere a mais de 2% do total analisado, de R$ 87 milhões, relacionados a esse tipo de repasse.

A avaliação sobre o programa, criado em 2013 para suprir a carência de médicos em locais mais vulneráveis do país, teve como principal alvo a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), mas também incluiu fiscalizações em 198 municípios, 233 Unidades Básicas de Saúde e 14.265 médicos. “Em 26% das equipes houve descumprimento, por parte de médicos, da carga horária mínima obrigatória de 40 horas semanais”, destacaram os auditores.

Médicos participantes do programa Mais Médicos recebem orientações do Ministério da Saúde – Arquivo/Agência Brasil

Outro problema constatado foi a falta de detalhamento na prestação de contas apresentadas pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que firmou acordo com o Governo Federal para executar o programa. De acordo com a equipe da Controladoria, a SGTES não tem controle sobre os produtos e serviços realizados e não acompanhou a execução técnica e financeira definida nos planos de trabalho.

“Tais fragilidades propiciaram a transferência antecipada de recursos federais para realização de despesas relacionadas à ajuda de custo, passagens nacionais e internacionais, seguro, logística, acolhimento e recesso, além de bolsa-formação, no montante de R$ 316,6 milhões – que podem se concretizar em prejuízo ao erário”, concluiu a equipe de auditores.

Distribuição de médicos

A CGU ainda afirmou que a distribuição dos médicos não atendeu prioritariamente às vagas que precisavam ser preenchidas nos municípios classificados como mais vulneráveis. E, das entrevistas realizadas com pacientes, apontou que 12% das pessoas ouvidas relataram dificuldades de comunicação com médicos, que falam outro idioma. Apesar disso, apenas 19 casos (1,8%) indicaram que a diferença de idiomas inviabilizou uma consulta ou tratamento.

Na lista de recomendações, que devem ser atendidas pelo Ministério da Saúde até outubro, está a adoção de medidas para que os recursos indevidamente utilizados sejam ressarcidos. O órgão orienta a SGTES a melhorar as normas do programa e a prestação de contas e ampliar o controle sobre os sistemas utilizados pelo Ministério da Saúde na gestão das ações.

Em nota, o Ministério da Saúde reiterou que está atendendo as recomendações e afirmou que vem implementando mecanismos de monitoramento e controle para evitar a reincidência dos fatos. No caso da prestação de contas, a pasta criou um grupo de trabalho para analisar os dados a cada seis meses.

“É importante ressaltar que o Ministério da Saúde vem aprimorando o Programa Mais Médicos para tornar o processo de andamento mais fácil e transparente. Recentemente publicou um edital permitindo a inclusão de municípios que ainda não fazem parte do Programa. A partir da manifestação de interesse, será feita uma reavaliação dos critérios de distribuição dos médicos”, informou a assessoria da pasta.

Agência Brasil

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. joão gomes disse:

    eh mesmo? ué, mas não foi o partido mais honesto do brasil que criou isso?

Mais Médicos é ampliado no RN

O Programa Mais Médicos no Brasil (PMMB) será reforçado, no Rio Grande do Norte, com a chegada de cinco médicos nesta quinta-feira (26). Os municípios que receberão os profissionais são: Natal (3), Taipu e Touros. Sem contabilizar os novos médicos, o Estado conta, até o momento, com 285 integrantes do programa, distribuídos em 115 dos 167 municípios.

Os médicos são brasileiros formados em instituições estrangeiras com habilitação para exercício da medicina no exterior (intercambistas individuais), dando continuidade ao 15º Ciclo do edital Nº 12, de 27 de novembro de 2017.

Com a chegada desses profissionais encerra-se este edital, mas ainda em 2018 espera-se abertura de novo edital para a adesão de profissionais e municípios, tendo em vista a ampliação da cobertura da Atenção Básica e a redução dos vazios assistenciais.

Para receber os novos médicos, estarão presentes no aeroporto: Uiacy Alencar, referência Estadual para o apoio institucional à Atenção Básica pela SESAP e membro da Comissão Coordenadora Estadual-CCE do Projeto Mais Médicos para o Brasil-PMMB no RN, e Vyna Leite, referência descentralizada do Ministério da Saúde para o apoio matricial do PMMB/RN.

Programa

De acordo com o Ministério da Saúde, o Programa Mais Médicos (PMM) é parte de um amplo esforço do Governo Federal, com apoio de estados e municípios, para a melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Além de levar mais médicos para regiões onde há escassez ou ausência desses profissionais, o programa prevê, ainda, mais investimentos para construção, reforma e ampliação de Unidades Básicas de Saúde (UBS), além de novas vagas de graduação, e residência médica para qualificar a formação desses profissionais.

MAIS-MÉDICOS: Programa deve substituir 4.000 cubanos até dezembro

Apesar de o presidente Michel Temer ter sancionado uma lei que permite prorrogar a participação de médicos estrangeiros no Mais Médicos por mais três anos, parte desses profissionais deve começar a ser substituída nos próximos três meses.

A tendência é que cerca de 4.000 médicos cubanos que vieram ao Brasil em 2013 e cujos contratos vencem este ano sejam substituídos. Até então, o governo analisava uma possível renovação dos contratos desse grupo.

Um acordo inicial para substituição desses médicos foi definido na última semana pelo Ministério da Saúde, representantes do governo cubano, como a vice-ministra da Saúde Marcia Cobas, e a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), responsável por intermediar a vinda dos profissionais.

Na ocasião, segundo participantes da reunião, Cobas afirmou que os médicos precisavam retornar ao país por terem vínculos com o sistema de saúde cubano. Os novos profissionais do país devem chegar ao Brasil até dezembro.

A ideia, no entanto, é que haja exceções nessa troca: caso daqueles que se casaram com brasileiros durante seu período no Mais Médicos.

Em julho, a Folha de S.Paulo mostrou que esses médicos têm buscado visto permanente para ficar no país, mas temiam não poder trabalhar por não terem o diploma revalidado.

Agora, a ideia é que eles possam solicitar a prorrogação da participação no programa por mais três anos. Os casos, no entanto, devem ser analisados um a um.

Não há número oficial de quantos estejam nessa situação -o ministro da Saúde, Ricardo Barros, já disse que a estimativa é que sejam cerca de mil médicos.

Para o presidente do Conasems (conselho de secretários municipais de Saúde), Mauro Junqueira, que esteve no encontro, a substituição dos cubanos atende a um pedido dos municípios, que temiam interrupção no atendimento em meio às eleições. Por isso, a troca só deve ocorrer a partir de novembro.

“Havia médicos que já sairiam em agosto e setembro”, afirma. “Só de ter a garantia de que haverá médicos por mais três anos já nos atende.”

A decisão deve ser anunciada pelo Ministério da Saúde e a Opas até a próxima semana. Até lá, negociam sobre um possível reajuste no valor dos contratos. O governo brasileiro estuda um aumento em torno de 10% para 2017.

Ao todo, 18.240 profissionais atuam no Mais Médicos. A maioria é de cubanos (11.429). Além deles, ao menos 1.339 intercambistas já solicitaram a renovação.

Folha Press

Mais Médicos: Cubanos recebem ordens para voltarem à ilha

Nem o governo cubano aposta na reversão do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Apesar de o Ministério da Saúde bancar que o ‘Mais Médicos’ será mantido, é o presidente Raul Castro quem não quer mais e avisará a OPAS.

Deu prazo de novembro para que todos os profissionais do programa voltem para a ilha, segundo relatam profissionais cubanos no Distrito Federal.

Uma médica cubana no Entorno de Brasília afirma à Coluna ver a ordem como arbitrária, mas prepara as malas.

Pelo programa, até agora o Governo petista e o de Michel Temer repassaram mais de R$ 4 bilhões para a ditadura da família Castro.

Coluna Esplanada, UOL

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. reginaldo disse:

    Vou reclamar na ONU.

  2. Descaso disse:

    Parece que de bobo Raul Castro não tem nada. Antecipou-se ao vexame da dispensa dos médicos cubanos em levá-los embora. Seria mais uma artimanha do governo petista a ser desarmada por Temer. Esse financiamento indireto da ditadura de Cuba tem que acabar.
    É de conhecimento público que os recursos para pagamento dos médicos, 90% vão para o governo ditatorial de Cuba e apenas 10% ficam com os médicos.
    Estamos todos no aguardo que Temer desmonte o máximo que for possível da apropriação dos recursos públicos que o PT montou.
    Já foram identificados: Pagamento do Bolsa Defeso a 45 MIL PESSOAS, onde? Em BRASÍLIA. Isso mesmo, são 45 mil pescadores do mar, de lama, que se beneficiavam através dos recursos públicos.
    Irregularidades de toda ordem no pagamento do Bolsa Família.
    Desvio de finalidade beneficiando quem não precisa no Minha Casa, Minha Vida, cujos imóvel são entregues com problemas de toda ordem.
    Criação de 2.050 cargos comissionados no palácio do planalto durante os 13 anos do PT por lá, que devem ser extintos. Só começando a lista de utilização questionável dos recursos públicos – aparelhamento do Estado.

  3. marcelo disse:

    Podiam levar Lula, Dilma e o PT junto. Lamento pelos cubanos que irão voltar para um lugar onde só passam necessidades e privações.

Mais Médicos: 820 profissionais já desistiram do programa; curiosamente, região nordeste com mais desligamentos

mmFaz mais de 45 anos que Iara Nazareno de Lima se formou em medicina. William Hastenreiter é médico há menos tempo: terminou o curso há pouco mais de dois anos, em junho de 2013. Ela é veterana na profissão, enquanto ele ainda está no começo, mas ambos têm um ponto em comum: foram alguns dos 820 profissionais que acreditaram no Mais Médicos, lançado em julho de 2013, mas que depois decidiram sair do programa. Os motivos vão desde a aprovação em residência médica até problemas de saúde e pessoais, mas não falta quem critique também as condições de trabalho.

Assim como os dois, quase 90% dos desistentes são médicos que já tinham registro profissional no Brasil. É o caso, por exemplo, de quem se forma no país ou consegue revalidar o diploma obtido no exterior. Os desligamentos ocorrem em todos os estados e na maioria das capitais, mas se concentram principalmente no Nordeste e nas cidades pequenas. Segundo o Ministério da Saúde, havia 17.790 médicos ativos no programa no começo de agosto. Ou seja, para cada desistente, outros 21,7 médicos ainda estavam trabalhando. Os dados foram obtidos pelo GLOBO por meio da Lei de Acesso à Informação.

O Ministério da Saúde informou nove razões para deixar o programa. Segundo o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Hêider Aurélio Pinto, o médico não precisa informar o motivo na hora de solicitar o desligamento. Assim, as saídas a pedido, sem maiores detalhes, responderam por mais da metade das desistências: 470.

Há também um número significativo de médicos que foram aprovados em residência médica e, por isso, não podem mais participar do programa: 181. Ausência injustificada é o terceiro motivo mais comum, com 56 afastamentos, todos de cubanos, o que indica que eles desertaram da missão oficial de seu país. Completam a lista: motivos pessoais (46 desligamentos), mudança de cidade (22), aprovação em concurso público (16), motivos de saúde (12), dificuldade de deslocamento ao local de trabalho (9) e incompatibilidade de carga horária (8).

Iara, de 74 anos, mora no Recife e já estava aposentada quando se inscreveu no programa em 2013. Sua primeira opção era trabalhar na cidade onde mora, mas acabou sendo alocada em Olinda, que integra a região metropolitana da capital pernambucana. Em dezembro do ano passado, ela resolveu se desligar por questões de saúde. A médica diz apoiar o programa, mas não deixou de apontar alguns problemas.

– A gente fica assombrado, com medo do lugar que tem muitos pontos de droga. Os agentes de saúde também tinham medo – descreve Iara, que também conta: – A estrutura do posto foi reformada. Quando eu saí de lá, tinha que ser reformada de novo, porque essa reforma que fazem acho que não tem fiscalização. Era horrível. Estava pingando água lá quando chovia.

Problemas semelhantes são relatados por William. Formado no Rio de Janeiro, ele escolheu trabalhar em Itaboraí, na região metropolitana. Começou em setembro de 2013, mas deixou o programa quando foi chamado para fazer residência médica em otorrinolaringologia no ano seguinte em Belo Horizonte. Segundo ele, a área onde trabalhava também era controlada por traficantes, embora eles não criassem problemas com os profissionais de saúde.

William chegou a ir ao Supremo Tribunal Federal (STF), em dezembro de 2013, quando ainda estava no programa, para falar em uma audiência sobre o Mais Médicos. Na ocasião, ele defendeu um plano de carreira para os médicos se fixarem nos locais onde há carência desse tipo de profissional. Outras medidas, como o Mais Médicos, seriam apenas paliativas. Criticou também as condições trabalhistas: formalmente, os médicos do programa são bolsistas e passam por um programa de qualificação. Na prática, diz William, eles são apenas trabalhadores.

– Eu iria sair do programa porque estava passando a notar que, mesmo indo falar dos problemas do programa no Supremo Tribunal Federal, não havia esperança de mudança, tanto para melhoria dos médicos que trabalham no programa, quanto para melhorias da saúde da população que eu atendia – afirmou William, concluindo: – As condições de trabalho são precárias. Não tem material para atender.

Os médicos que já tinham registro profissional no Brasil respondem por 726 desistências, ou 88,5% do total. Os cubanos que vieram por meio de um acordo intermediado pela Organização Pan-Americana da de Saúde (Opas) somam 56. Por fim, 38 médicos desistentes são de outras nacionalidades e não tinham registro profissional no Brasil.

Hêider diz que há dois motivos para os brasileiros desistirem mais do programa do que os estrangeiros. Primeiro porque eles podem passar em residência. Segundo por já terem registro profissional no país e, assim, serem permitidos a trabalhar em outros postos de trabalho. Os cubanos e demais profissionais formados no exterior só podem atuar no Brasil por meio do Mais Médicos. O secretário destacou também que o índice de rotatividade no programa costuma ser menor do que nas vagas ofertadas fora do Mais Médicos. Além disso, sustentou que, de três em três meses, há editais para repor os profissionais desistentes.

– Quando a gente compara com (as vagas fora do Mais Médico em) São Paulo, Belo Horizonte, a rotatividade anual gira em torno de 10% a 20%. No Mais Médicos, é de aproximadamente 4%, atuando em áreas de maior vulnerabilidade – diz Hêider.

Proporcionalmente, os estados do Sul e Sudeste costumam ter menos desligamentos. O oposto ocorre no Nordeste. A Paraíba é, em termos proporcionais, o lugar onde houve mais desistências. Lá, para cada médico que deixou o programa, há apenas 8,1 trabalhando. O segundo pior desempenho é do Distrito Federal, com 10,9 médicos no programa para cada desistente, seguido de Ceará (11), Sergipe (13,7), Pernambuco (16,5) e Bahia (16,5). Na outra ponta está São Paulo: para cada desligamento, há outros 55 profissionais que continuam no programa. O Rio de Janeiro foi, proporcionalmente, o oitavo estado com menos desistências: para cada profissional que deixou o Mais Médico, 31 não se desligaram.

Em números absolutos, o estado com o maior número de médicos desistentes é o Ceará, com 128 casos, dos quais 30 apenas em Fortaleza. A capital cearense também é o município onde houve a maior saída de profissionais do programa. Em segundo lugar estão a Bahia e Salvador, com 100 e 22 desistências respectivamente. Entre os estados, destaque também para Minas Gerais, com 73 desligamentos, Pernambuco (57) e Paraíba (51). No Amapá, apenas três médicos se desligaram do programa. O Rio de Janeiro aparece em 12º lugar, com 23 desistências. Por região, 433 médicos deixaram o programa no Nordeste. Em seguida vêm Sudeste (157), Norte (88), Sul (79) e Centro-Oeste (63).

(mais…)

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. psol disse:

    Eu conheci prefeitos que ate tva gannhado dinheiro com coitados dos cubanos no aluguel das casas superfaturva,
    Ate os cubanos. Estao decepcionado o PT Brasileiro e com programa

  2. SINESIO FILHO disse:

    Onde estão os defensores do desgoverno PTista? mais médicos sem medicamentos e estruturas hospitalares é mesmo que levar um engenheiro para fazer um prédio só com areia e um homem levar uma mulher para o motel e não fazer nada.

Governo anuncia criação de 3 mil vagas de residência para o Mais Médicos

O governo anunciou hoje (4) a criação de 3 mil vagas de residência médica, sendo a maioria oferecida a estudantes das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Desse total, 75% das bolsas serão destinadas à formação de especialistas em medicina geral de família e de comunidade. O anúncio foi feito durante cerimônia de comemoração de dois anos do Programa Mais Médicos, no Palácio do Planalto.

As bolsas serão financiadas pelos ministérios da Saúde e da Educação. A meta do governo é criar, até 2018, 11,5 mil novas vagas de graduação em medicina e 12,4 mil vagas de residência para formação de médicos em áreas prioritárias para o Sistema Único de Saúde (SUS). Com o anúncio, o programa chega a 62% da meta de novas vagas de residência.

Também foi anunciada nesta terça-feira a contratação de 880 professores para lecionar nas universidades federais que abriram novas vagas nos cursos de medicina ou criaram faculdades na área, após a criação do programa.

Presente na cerimônia, o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, falou sobre os rigorosos critérios para abertura dos cursos de medicina no país e lembrou que os estudantes deverão cursar pelo menos 30% da parte prática do curso, na área de atenção básica e serviços de urgência e emergência do SUS.

Ele disse que foram lançadas diretrizes para orientar as relações entre escolas de medicina e gestões locais e estaduais para garantir a qualidade das atividades práticas de ensino executadas nos serviços de saúde.

Um decreto assinado pela presidenta Dilma Rousseff durante a cerimônia vai regulamentar o Cadastro Nacional de Especialistas, com informações de médicos de todo o país. O objetivo, segundo o Ministério da Saúde, é melhorar o planejamento para distribuição de especialistas pelo país.

Balanço

Criado em 2013 para levar médicos a regiões distantes e periferias, o programa foi alvo de polêmica e resistência dos profissionais de saúde, principalmente pela possibilidade de contratação de médicos estrangeiros. Em dois anos, de acordo com o Ministério da Saúde, 18.240 médicos foram contratados para trabalhar em 4.058 municípios e cerca de 30 distritos indígenas, beneficiando um total de 63 milhões de pessoas. “É a primeira vez que temos todos os distritos indígenas com acesso a equipes de saúde.

Na avaliação do ministro da Saúde, Arthur Chioro, o programa reverteu um déficit histórico de atenção à saúde em algumas áreas do país. “Ao longo de 27 anos do SUS, o atendimento estava comprometido pois não tínhamos médicos para o atendimento básico. Hoje temos o direito à atenção básica garantido a todos os brasileiros e brasileiras”, disse. “É um programa que veio para mudar a qualidade [do atendimento] e o acesso da população brasileira à saúde”, acrescentou.

Pesquisa encomendada pelo ministério ao Grupo de Opinião Pública da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostra que a nota média dos usuários para o programa é 9. De acordo com o levantamento, a maioria dos pacientes beneficiados pelo programa são mulheres (80%), com filhos e renda de até dois salários mínimos. Cerca de 40% recebem o Bolsa Família.

Em um relatório de avaliação dos dois anos do Mais Médicos, o Tribunal de Contas da União (TCU) reconheceu avanços, mas apontou falhas na execução do programa. Para o TCU, foram detectadas falhas na distribuição dos médicos e 26% dos municípios carentes ainda não foram atendidos pelo Mais Médicos.

Os profissionais inscritos no programa recebem R$ 10,5 mil por mês, pagos pelo governo federal.

Agência Brasil

Mossoró receberá novos profissionais do Mais Médicos

untitledMossoró será contemplada com 10 novos profissionais do programa “Mais Médicos”, executado pelo Governo Federal. A garantia foi dada ao prefeito Francisco José Júnior pelo assessor parlamentar do ministro da Saúde Arthur Chioro, Leopoldo Alves, durante audiência realizada na tarde dessa quarta-feira, 8, em Brasília, onde o chefe do Poder Executivo local cumpriu agenda administrativa.

“São muitos os esforços da nossa gestão para ampliar o número de médicos e com o apoio do Governo Federal temos conseguido. Acompanhado do assessor parlamentar da senadora Fátima Bezerra, George Marcos, protocolamos no Ministério da Saúde um novo pedido para a nossa cidade ser contemplada na próxima etapa do Mais Médicos, e recebemos a garantia que mais 10 profissionais serão encaminhados para Mossoró”, ressaltou o prefeito Francisco José Júnior.

Hoje, Mossoró possui em sua rede de atenção básica 14 médicos do programa, profissionais que só estão atuando junto à população graças ao empenho da atual gestão municipal, uma vez que a cidade ficou de fora da primeira seleção realizada pelo Governo Federal, em meados de 2013.

“Conseguimos ampliar as equipes da Estratégia Saúde da Família para 68, com a previsão de chegar a 90 até o final de 2016. Após reestruturarmos as Unidades de Pronto Atendimento, estamos dando prioridade a nossa rede de atenção básica e os resultados já se mostram positivos”, conclui Francisco José Júnior.

RN se prepara para receber novos profissionais do Programa Mais Médicos

O estado do Rio Grande do Norte será contemplado no quarto ciclo do Programa Mais Médicos do Ministério da Saúde, com a chegada dos profissionais prevista para os dias 7 e 13 deste mês. O Ministério da Saúde ainda não divulgou a listagem dos novos profissionais, nem o dia exato que eles chegarão, porque estão em fase de avaliação. No total, espera-se a chegada de 15 médicos.

A Sesap ainda não tem definido o destino de cada profissional, mas é certo que serão distribuídos em municípios de todas as regiões do estado. A Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap) já definiu um cronograma de atividades para os profissionais do 4º ciclo. Após a chegada deles, será realizada uma oficina de acolhimento, marcada para o período de 14 a 16, quando vão conhecer de perto a estrutura do SUS no estado.

Depois, no dia 17 de abril, véspera de Semana Santa, eles seguem para os municípios, onde vão ficar lotados. Quando chegarem no município, a primeira semana será também de acolhimento para conhecer a infraestrutura local, semelhante ao que ocorre no estado. Após isso, eles começam a trabalhar.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. celia disse:

    eu estava no mais medicos em niteroi, sou argentina mas tive que ir embora com minha filha de 16 anos porque fazia um mes e meio que nao me pagavam

  2. Sérgio disse:

    Acho que vc quis dizer "MAIS ESCRAVOS DE FIDEL".

Bolsa formação do Mais Médicos é reajustada

Portaria do Ministério da Saúde publicada hoje (10) no Diário Oficial da União reajusta a bolsa formação recebida por profissionais do Programa Mais Médicos de R$ 10.457,49 para R$ 10.482,93.

De acordo com a assessoria da pasta, o aumento é considerado burocrático, uma vez que o salário líquido pago aos médicos permanece em R$ 10 mil. O restante do valor publicado no Diário Oficial se refere à contribuição previdenciária, levando em consideração o novo salário mínimo.

A portaria entra em vigor hoje, com efeitos financeiros retroativos a janeiro de 2014.

Agência Brasil