Educação

Em meio aos estímulos digitais, escola de Natal trabalha até 19 livros literários em um único ano

Foto: Divulgação

Em meio a tantos estímulos de telas online no mundo digital, ler 19 livros por ano parece uma meta muito alta para uma criança ou adolescente, não é mesmo? Mas para os alunos da Maple Bear Natal do 7º ano esse número é uma realidade. A escola, de metodologia canadense, prioriza um enfoque diferenciado na leitura e compreensão literária desde o 1º ano.

A leitura é uma prática diária e acontece de quatro diferentes formas: guiada pelo professor, interativa com alunos e professor, compartilhada em sala e independente. Os alunos desenvolvem os assuntos abordados nas obras de língua portuguesa e inglesa grupalmente, realizando atividades de discussão, escrita, teatro e apresentações de forma presencial e também utilizando os recursos digitais.

De acordo com a diretora de unidade do Ensino Fundamental da Maple Bear Natal, Carolina Bezerra, “os alunos aprendem a entender os temas, o mundo, a resolver problemas, a escrever melhor, adquirem a fluência linguística nos dois idiomas com mais facilidade. Aprendem através da aquisição linguística, do raciocínio lógico e da resolução de problemas do mundo. Eles enxergam os problemas e as diversas soluções”, disse.

Essa prática faz parte da metodologia canadense adotada pela escola. O Canadá é destaque no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), sendo o 6º melhor país do mundo em leitura de acordo com o último ranking de 2018. O Pisa é um estudo comparativo internacional realizado a cada três anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que mede a compreensão de leitura e texto, conhecimento lógico e ciências.

Incentivar o hábito da leitura em crianças é essencial em um país onde apenas 52% da população têm a prática de ler livros, número divulgado pela pesquisa “Retratos da leitura no Brasil”, desenvolvida pelo Instituto Pró-Livro. Ler promove o desenvolvimento da linguagem, enriquecendo o vocabulário das crianças, e proporciona desenvolvimento intelectual, emocional, senso crítico, imaginação, exercita a memória, a criatividade e melhora a escrita.

A Maple Bear Natal funciona há 12 anos na capital potiguar, oferecendo turmas de educação infantil, a partir de 1 ano de idade, até o ensino fundamental. A metodologia canadense de ensino estimula a observação, a resolução de problemas e a tomada de decisões. São atividades que contribuem para a formação de crianças independentes e com pensamento crítico.

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Educação

Colégio Porto: Laboratório de Inteligência da Vida (LIV) trabalha a preparação emocional dos alunos

Colégio Porto adotou LIV como programa educacional para estudantes do ensino médio; experiência vai ajudar jovens na preparação para o ENEM.  (Em destaque, alunos com a professora Kennia Isis após aula do LIV- Professora Kennia Isis).  Fotos: Ruston Liberato

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Aprender a lidar com as próprias emoções e usufruí-las em benefício próprio, além de compreender os sentimentos e comportamentos dos outros. Isso é o que chamamos de Inteligência Emocional, uma habilidade muito necessária para encontrar o equilíbrio entre a razão e a emoção. Esse conceito também é a base de um programa educacional implantado pelo Colégio Porto, o LIV – Laboratório de Inteligência da Vida.

Em um encontro semanal, partindo de uma metodologia ativa, os alunos dos três anos do Ensino Médio experimentam e constroem o conhecimento por meio de discussões e reflexões sobre os mais variados temas, desde o autoconhecimento até as relações interpessoais na escola e na vida. Atualmente, 40% da Base Nacional Comum Curricular compreende conteúdos relacionados à Inteligência Emocional.

O Colégio Porto, conectado com as novas exigências da educação, percebe que o LIV é essencial para o bom desempenho dos alunos. “O ambiente escolar é diverso e está prioritariamente relacionado com o desenvolvimento dos componentes cognitivos. Entretanto, por ser um importante espaço de socialização, os alunos se envolvem para além dos saberes e fazeres escolares, construindo laços afetivos, sendo assim extremamente necessária a presença da inteligência emocional”, explicou a professora do LIV, Kennia Isis.

Trazendo situações que envolvem o cotidiano para a sala de aula, o LIV propõe ao aluno experimentar algumas situações que exigem bom senso, respeito ao próximo, afetividade, empatia, responsabilidade e autonomia, habilidades extremamente necessárias aos seres humanos. “O LIV me fez pensar mais sobre a vida, me fez analisar várias coisas sobre o que acontece ao meu redor. Também consegui organizar melhor minha rotina de estudos para conciliar com a minha rotina social”, afirmou a estudante do 1º ano do Colégio Porto, Eduarda Paiva.

Foto: Ruston Liberato

Inteligência Emocional e ENEM

O uso da Inteligência Emocional é uma ferramenta importante para os estudantes que estão se preparando para o ENEM. A escolha da vida profissional desperta muita ansiedade, tensão, gera expectativas, auto cobrança e cobrança da sociedade. Estudos recentes ligados a educação afirmam que aprender a lidar com as próprias emoções estimula a autoconfiança e um conhecimento melhor de si mesmo. “Isso ajuda os estudantes a manter o equilíbrio emocional na hora da resolução de provas como as do ENEM e aumenta as chances de um bom desempenho”, concluiu a professora.

Para o estudante João Neto, do 3º ano do Colégio Porto, a experiência com o LIV vai trazer mais segurança. “Ajuda muito a gente na questão psicológica, de preparação. Acho que eu vou poder ter mais certeza sobre as minhas escolhas, poder aceitar mais as minhas escolhas. A gente fica muito indeciso em relação ao segmento da carreira profissional que vai escolher, mas o LIV vem exatamente para dar esse embasamento psicológico”.

Foto: Ruston Liberato

Melissa Melo, estudante do 2º ano, acredita que o emprego do LIV, um ano antes de fazer o ENEM, vai ser ainda mais importante para esse processo de preparação. “Eu acho que a parte emocional é essencial, tanto quanto o resto do conhecimento. Você pode saber tudo, mas não tem como você fazer uma boa prova se você não tiver bem emocionalmente. O LIV é uma experiência que vai além disso. Vai servir para a vida porque equilíbrio é importante para tudo”.

Foto: Ruston Liberato

Opinião dos leitores

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Trânsito

Blitz educativa do Detran trabalha prevenção com foco no Carnaval

FOTO: ASSECOM/DETRAN

As ações de educação direcionadas para a segurança de condutores, passageiros, ciclistas e pedestres continuam intensificadas pelo Departamento Estadual de Trânsito do RN (Detran) no litoral potiguar. Nesse sábado (08), a Subcoordenadoria de Educação do Detran atuou na área da Ponte Newton Navarro abordando condutores que se dirigiam aos litorais Norte e Sul do estado.

Durante as atividades educativas, os técnicos do Detran contabilizaram 183 veículos abordados, entre carros de passeio, motocicletas, bugres e outros. “Estimamos que no decorrer da blitz educativa mais de 360 cidadãos foram alertados sobre os cuidados necessários no trânsito nesse período que antecede o carnaval. Nosso objetivo é agir na prevenção de acidentes para termos um carnaval tranquilo no trânsito”, explicou o subcoordenador de Educação do Detran, Flávio Câmara.

Na blitz educativa, que contou com o apoio do Comando de Policiamento Rodoviário Estadual (CPRE), foram trabalhadas informações sobre os perigos da mistura álcool e direção, riscos do excesso de velocidade e de ultrapassagens indevidas, uso correto do capacete e do cinto de segurança, a proibição de utilizar celular ao volante, uso adequado de conduzir criança de até sete anos em dispositivos de segurança, como também manutenção básica do veículo antes de pegar a estrada.

As ações de segurança no tráfego de veículos pelas vias litorâneas vêm sendo realizadas pelo Detran desde o início do mês de dezembro quando o trânsito é ampliado nas praias do Estado. Agora com a proximidade do carnaval, as intervenções da Operação Verão 2020 estão focadas em atividades preventivas de segurança no trânsito direcionadas ao período carnavalesco.

Opinião dos leitores

  1. Bote essa tropa para desafogar o trânsito na volta de Pirangi, e não ficar de PALHAÇADA entregando uma bosta de um folheto e atrapalhando o trânsito

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Diversos

Caern trabalha no conserto de vazamento em adutora de Acari

Foto: CAERN/ASSECOM

Equipes da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) estão trabalhando no reparo de um vazamento detectado na adutora emergencial que atende a cidade de Acari, na região Seridó do Estado. O vazamento fica localizado em Florânia. Por causa do serviço, a cidade de Acari está com o abastecimento suspenso e, por enquanto, não há previsão de retorno. Logo que o conserto for concluído, o sistema volta a operar e a Caern está empenhada em executá-lo no menor tempo possível.

A Companhia também já está trabalhando para colocar em funcionamento o sistema de abastecimento a partir do Açude Gargalheiras. Assim, o fornecimento de água para a população de Acari terá significativa melhora. A previsão é que os serviços sejam concluídos em cerca de 20 dias.

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Diversos

Aos 20 anos, Vinicius Moreno, o Florianinho da ‘A grande família’, trabalha como recepcionista

Vinicius Moreno (Foto: Divulgação)

No ar na reprise de “A grande família” nas tardes da Globo, Vinicius Moreno, que interpretou o Florianinho, hoje concilia um curso de artes cênicas com o trabalho como recepcionista:

– Depois de terminar o curso, quero iniciar a faculdade de artes cênicas. Enquanto não aparece uma oportunidade na área, venho ajudando minha irmã na clínica. Cuido do atendimento e de questões administrativas. Desde que o programa voltou a ser exibido, vários pacientes já vieram falar comigo. Alguns dizem que sou muito parecido com o filho do Agostinho (Pedro Cardoso) e, quando me reconhecem, dizem que minha aparência não mudou.

O ator conta que é crítico em relação ao seu trabalho no seriado.

– Vejo algumas cenas e sinto que poderia ter feito melhor. Aprendi muito com o elenco do programa e, de lá para cá, estudei bastante. Sou um ator mais completo hoje e os erros ficam mais perceptíveis para mim – comenta ele, que também pode ser visto na reprise de “Bela, a feia”, na Record.

Cinco anos após o fim de “A grande família”, ele afirma que manteve mais contato com Guta Stresser e Lúcio Mauro Filho:

– Participei de um curso de teatro ministrado pela Guta recentemente e ela tem me incentivado a entrar na faculdade. O Lucinho também sempre me deu muita força em tudo. São grandes amigos.

Depois do término da atração, ele enfrentou crises de ansiedade e quase sofreu com uma depressão:

– O fim do programa mexeu comigo. Era um personagem que eu adorava fazer, porque se parece muito comigo, e eu também estava acostumado com as pessoas. Me preocupei em dar seguimento à minha carreira e isso acabou me abalando emocionalmente. Mas procurei ajuda médica e hoje estou ótimo.

Ele sonha com o crescimento profissional para proporcionar melhores condições para a mãe, Deise, que trabalha como diarista:

– A minha mãe largou os planos de vida dela para se dedicar ao meu sonho. Na época de ‘A grande família’, morávamos em São João de Meriti (na Região Metropolitana do Rio de Janeiro) e ela ia a todas as gravações comigo.

Patrícia Kogut, O Globo

 

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Trânsito

Detran trabalha palestras de direção defensiva na área empresarial

Fotos: Divulgação

O Departamento Estadual de Trânsito do RN (Detran) vem desenvolvendo diversas atividades educativas direcionadas a conscientização do motorista com foco na redução dos acidentes de trânsito. Ações de conscientização foram empregadas nesta semana nas unidades da empresa Teleperformance situadas nos municípios de São Gonçalo do Amarante e Parnamirim, ambos na região metropolitana de Natal.

A atividade educativa trabalhou palestras onde foi abordado o tema Direção Defensiva. Dezenas de funcionários da empresa assistiram os dois encontros onde o instrutor do Detran, Luiz Felipe, trabalhou informações importantes para a condução de veículos automotores dentro das regras de segurança e obedecendo a sinalização viária determinada ao longo do trajeto.

A palestra focou em medidas práticas que devem ser utilizadas por motoristas e motociclistas cotidianamente para prevenção de acidentes no tráfego urbano. Os procedimentos são empregados de modo a evitar imprevistos, apesar das ações incorretas de outros condutores e das condições adversas comumente encontradas nas vias de trânsito. Itens importantes como conhecimento da legislação, atenção na condução, previsão de crise, habilidade e decisão foram apontados e explicados pelo técnico do Detran.

No momento foi mostrado que medidas simples como averiguar a situação mecânica do veículo, conduzir de acordo com as situações presentes de luminosidade, tempo, estrada, trânsito e condições apresentadas pelo condutor são elementos primordiais que podem reduzir amplamente o risco do motorista se envolver em acidentes de trânsito.

Pela doutrina defensiva, a direção perfeita é aquela em que o condutor trafega sem ocasionar acidentes, sem cometer infrações de trânsito, não abusa do veículo e age com gentileza e respeito à vida.

Atualmente, o estado do Rio Grande do Norte conta com 1,32 milhões de veículos cadastrados no sistema do Detran e aproximadamente 900 mil condutores habilitados.

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Diversos

CHUVAS: Defesa Civil de Natal trabalha com reforço de pessoal e viaturas no atendimento a ocorrências; veja locais mais atingidos

A Defesa Civil Municipal vem atuando nas últimas 24h com reforço de pessoal e de viaturas devidos as fortes chuvas que caíram na capital. O número de ocorrências atendidas pelos agentes subiu substancialmente, chegando a 23 intervenções durante o decorrer do dia e da noite dessa quinta-feira (25). A Prefeitura, por meio da Secretaria de Segurança Pública, disponibilizou novas camionetes de tração 4X4 para serem utilizadas no atendimento aos chamados, sendo uma delas da Guarda Municipal do Natal (GMN).

A maioria das ocorrências registradas pela Defesa Civil Municipal foram as relacionadas a alagamentos de ruas com invasão de águas em residências, como também abertura de crateras em vias urbanas. Um dos pontos registrados foi o rápido enchimento de algumas lagoas de captação de águas pluviais onde o sistema de bombas de sucção foi afetado, sendo em alguns casos, devido ao acúmulo de lixo urbano. Porém, nessas situações os agentes agiram acionando os órgãos competentes que realizaram os reparos no sentido de resolver ou minimizar os problemas.

Dados coletados pelos pluviômetros do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) instalados em cinco pontos distintos de Natal chegaram a contabilizar 151,75 mm de água nas últimas 24h, isso na região do bairro de Pajuçara, na zona Norte da capital. Também foram registrados os índices pluviométricos da região de Nossa Senhora da Apresentação (133,22 mm), Guarapes I (132,48 mm), Guarapes II (126,44 mm) e Cidade Alta (98,46 mm).

A secretária da Semdes, Sheila Freitas, ressaltou que a Prefeitura montou todo o aparato necessário para atender a população, principalmente as que residem em áreas de risco. Somente a Defesa Civil convocou todos os agentes de folga para atuar no apoio as pessoas afetadas pelas chuvas. A secretária alertou que o índice pluviométrico foi alto gerando muita água num pequeno espaço de tempo. “Queremos dizer a população que a Defesa Civil está atenta para atender e ajudar as pessoas que precisem”, comentou.

A diretora de Ações Preventivas da Defesa Civil Municipal, Luciana Medeiros, informou que mesmo com alto registro de chuvas não foi contabilizada nenhuma morte proveniente de sinistro causado pela queda d’água. “Nossos agentes verificaram que os danos foram materiais e nossa ação de interditar e isolar locais de risco, e orientar as pessoas afetadas, certamente, possibilitou esse resultado de não haver pessoas feridas”, explicou.

Mesmo com a trégua dada pela chuva nesse início de manhã de sexta-feira (26), a Defesa Civil Municipal continua em alerta monitorando áreas de risco e pronta para atender qualquer necessidade de intervenção, já que as informações dos órgãos técnicos é que Natal deve continuar com chuvas até este sábado.

Para solicitar a intervenção da Defesa Civil Municipal o cidadão pode ligar para o número 190, no Ciosp, onde há agentes para direcionar a ocorrência para as equipes de plantão.

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Diversos

Um em cada dez detentos trabalha nos presídios do Brasil, diz estudo

Apenas 15% de presos são envolvidos em algum tipo de atividade laboral. Foto: Márcio Neves/R7

Há quatro anos, o estudante de direito Emerson Ramayana, de 39 anos, conquistou sua liberdade. Nesse mesmo período, ele evita utilizar o nome completo quando sai em busca de oportunidades de trabalho.

Isso porque Emerson cumpriu nove anos de pena, passou por quatro penitenciárias diferentes no estado de São Paulo e tem de enfrentar o estigma que ainda recai sobre egressos do sistema prisional no momento de voltar ao mercado.

Apesar disso, hoje ele trabalha e estuda na área em que gostaria desde os tempos da prisão.

Emerson fez parte dos 15% de presos envolvidos em algum tipo de atividade laboral dentro dos presídios — o equivalente a 1 em cada 10 do sistema prisional. De acordo com o Depen (Departamento Penitenciário Nacional), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, apenas 95.919 presos trabalham durante o cumprimento da pena do total de 726.712 detentos em todo o país. “É um percentual baixíssimo, que revela a falência do sistema como um todo”, diz Marina Dias, diretora executiva do IDDD (Instituto de Defesa do Direito de Defesa).

A falta de oportunidades de trabalho faz com que, segundo a especialista, as pessoas privadas de liberdade se sintam ociosas. “Isso faz com que o ciclo de violência se perpetue e a estrutura precária favorece a atuação das organizações criminosas, que se aproveitam da ausência de condições para ‘garantir direitos’”, diz Marina. A Lei de Execução Penal, o trabalho de pessoas condenadas deve ter finalidade educativa e produtiva. As atividades podem ser realizadas dentro da prisão, no caso de presos provisórios e condenados, ou fora, no caso de condenados que já tenham cumprido pelo menos um sexto da pena total.

Emerson foi condenado a nove anos de prisão por assalto a mão armada. Antes de cumprir sua pena, porém, ficou dois anos no CDP (Centro de Detenção Provisória). “Lá, não tem trabalho para ninguém”, afirma. Depois, transferido para a penitenciária de Reginópolis, no interior do estado, começou a trabalhar na cozinha e na faxina. “Em 2018, recebia R$ 0,14 por mês porque os presos eram pagos a partir do rateio feito sobre a venda de hortifrútis. Depois chegou a R$ 1,49 por mês”, lembra.

A Lei de Execuções Penais prevê que o trabalho da pessoa privada de liberdade deve ser remunerado e o valor não pode ser inferior a três quartos do salário mínimo. No entanto, 75% da população prisional que trabalha não recebe remuneração ou recebe menos do que o determinado em lei. Quando as oportunidades de trabalho são oferecidas, os presos podem alcançar diversos benefícios dentro e fora da cadeia.

Um dos maiores benefícios, segundo a pesquisadora do Instituto Igarapé, Dandara Tinoco, é a remição da pena e a autonomia financeira desses indivíduos. A cada três dias trabalhados, o detento consegue reduzir um dia de sua pena. “O trabalho cria habilidade, fortalece a autonomia e a autoestima”, afirma Dandara. “Muitas pessoas deixam a unidade prisional sem ter dinheiro nem mesmo para o transporte.”

Números no Brasil

Os dados do Depen mostram que o estado com menor percentual de presos trabalhando é o Rio Grande do Norte, com 89 presos em atividades laborais, o que corresponde a 1%. No Rio de Janeiro, segundo dados obtidos pelo Instituto Igarapé, em uma pesquisa recém-divulgada, mostra que somente 1,7%, o que equivale a 872, de quase 52 mil presos estão trabalhando com remuneração. “As estruturas das penitenciárias não foram preparadas para receber empresas”, diz Ramayana. “Por isso, uma parte dos presos trabalha com faxina, na cozinha ou na enfermaria. Mas 90% dos presos ficam ociosos e acabam sendo arregimentados.”

Segundo a pesquisa, parte das pessoas privadas de liberdade em regime fechado prestam serviço dentro das próprias unidades prisionais, são os chamados “faxinas”. Existem também autarquias que fazem a mediação entre a empresa e a diretoria da unidade prisional. A diretoria seleciona uma lista de pessoas aptas ao emprego com base em critérios como interesse, comportamento e habilidades técnicas dos presos. A empresa também pode realizar seu próprio processo de seleção.

Um dos problemas é que, no Rio de Janeiro, por exemplo, somente um entre oito empregadores oferece capacitação juntamente ao emprego. “Não há monitoramento das iniciativas. E o mais importante é que as atividades tenham um acompanhamento”, diz Dandara. “Algumas empresas relataram que é preciso mais transparência para a contratação dos presos, elas relatam que desconhecem o processo.”

Os trabalhos com maior exigência intelectual não chegam a 5% das vagas. Depois de trabalhar em serviços gerais mais de quatro anos, Emerson passou a atuar, em junho de 2012, como monitor de biblioteca e escolas da penitenciária de Presidente Bernardes, em São Paulo. Como monitor, ele passou a receber entre R$ 300 a R$ 400 por mês. “Passei dois anos juntando para começar a estudar. Como vi muita opressão decidi começar a estudar direito”, afirmou.

Obstáculos

Quando deixou o sistema prisional, Emerson enfrentou diversas dificuldades para se recolocar. “Passava nas entrevistas, mas se eu colocasse meu nome completo, ninguém chamava”, diz. “Já cheguei a abrir contas, fazer exame admissional, mas não tinha título de eleitor por conta da condenação e quando me expliquei disseram que iriam entrar em contato e nunca mais ligaram.”

Dados do Depen mostram que em junho de 2016 existiam 726.712 vagas. “O olhar da maioria dos presos para o trabalho é muito positivo. Se houvesse vaga para todos, a maioria não iria reincidir.” Em São Paulo, a Funap (Fundação Professor Doutor Manoel Pedro Pimentel) é quem faz a mediação entre a administração prisional e empresas públicas e privadas para a contratação dos presos.

De acordo com o diretor comercial Giovani Hernandes, a grande maioria das empresas contratam pessoas privadas de liberdade em regime semi-aberto. Entre os setores que mais contratam presos, estão as categorias de montadores (de papel, prendedores e sacolas), com 15 mil contratados, têxtil com 4.030 empregados e manutenção de praças, com 3.933. “Eles não têm muita escolha, a capacidade de acolher a oferta de trabalhos dele é baixa. Eles agarram a primeira coisa que aparece com unhas e dentes.”

Segundo Hernandes, os presos são escolhidos por questões de disciplina. Ao mesmo tempo em que o preso, existem alguns empecilhos para a instalação das empresas nos presídios. “As prisões do interior têm mais condições de instalar os ‘barracões’, mas não tem tantas empresas nas proximidades para enviar os presos”, afirma Hernandes. Ele diz ainda que é preciso conscientizar as companhias. Quando uma empresa contrata um preso, ela não tem encargos trabalhistas porque passará a pagar uma pessoa privada de liberdade.

Em 2018, segundo a Fundação, foram fechados 380 novos contratos e oferecidas 33 mil novas vagas. São 870 contratos no total, sendo 794 com empresas privadas e 76 com públicas. “Eles têm no trabalho uma das coisas mais importantes da vida porque além de ocuparem a mente, conseguem vislumbrar novas possibilidades e sustentar suas famílias até mesmo de dentro da prisão”, diz Hernandes. “Muitos nunca chegaram a trabalhar na vida.”

R7

 

Opinião dos leitores

  1. Tem que botar esses vagabundos pra trabalhar, é o pior castigo para o presidiário brasileiro, que prefere roubar e matar do que trabalhar duro…

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