FOTO: Lagoas de Genipabu enchem e proporcionam espetáculo único

FOTO: TIEGO COSTA/IDEMA-RN

Genipabu é conhecida internacionalmente pelas dunas móveis e as belezas naturais da sua praia. Entretanto, na região existe outro grande atrativo turístico, a Lagoa de Genipabu, um belíssimo ponto fora da curva nesse perfil geográfico. O relevo privilegiado e um lençol freático mais superficial favorecem a formação de pequenas lagoas que em situações de cheias transformam os espaços em uma imensidão de água, proporcionando um belo visual e paisagens de encher os olhos.

Com a alta frequência e volume de chuvas a partir do ano passado, a Lagoa de Genipabu, que na verdade são dois corpos d’água, se transforma completamente, conectando-se e formando um só reservatório em meio às dunas. A junção proporcionada pelo espetáculo natural é de uma beleza destacável.

A última vez que essa união das lagoas aconteceu foi em 2009. De lá para cá a região das Lagoas não havia recebido ainda um volume de grandes proporções. Cheias desse porte são muito importantes para o meio ambiente e para a fauna local, pois com mais água nas lagoas, aumenta também a reprodução de peixes, fazendo com que os alevinos fiquem mais protegidos de predadores e possam crescer com mais segurança. É o que explica o diretor geral do Idema, Leon Aguiar. “Há muito tempo não se registrava tantas chuvas na localidade. O que é considerado uma boa oportunidade para a recuperação das lagoas e dos nossos mananciais”, disse.

O gestor da Área de Proteção Ambiental de Jenipabu (APAJ), Tiego Costa, ciente disso, acompanha de perto o dia a dia do local e realizou uma visita técnica para ver a transformação propiciada pela cheia. “Não tem como não admirar e não registrar o momento em fotos. Em meio às dunas, inesperadamente surge uma bela lagoa, que agora tem até uma ilha. Essa é a primeira vez que presencio a junção das lagoas dessa maneira e estou ainda mais encantado com as maravilhas dessa Unidade de Conservação”, declara.

Além da beleza cênica que se destaca nesse momento, o aumento do volume e da área da lagoa não beneficia somente os peixes, como também a manutenção da população de jacarés-do-papo-amarelo que vivem no local. “A lagoa de Genipabu não é boa apenas para o turista ou para as espécies aquáticas. Esse corpo de água doce no centro da unidade é essencial para manutenção da rica diversidade de animais terrestres”, completou o gestor da APAJ, Tiego Costa.

Segundo o representante dos comerciantes do Mirante 1 das Dunas da APA Jenipabu, Gileno do Nascimento Silva, mesmo trabalhando diariamente na localidade, ainda se admira com esse espetáculo da natureza: “Fazia 11 anos que não tinha essa imensidão e graças a Deus esse ano tivemos ótimas chuvas. Nós que vivemos do turismo ficamos muito felizes com as chuvas e é excelente vislumbrar essa beleza. Assim que for possível, o visitante que vier a Genipabu ficará encantado. Para mim se formou um oásis entre as nossas Dunas, um verdadeiro cartão postal. E tão logo, o surto da pandemia passe e a atividade turística retorne, esse encontro das águas será um belo atrativo para o turista. Estaremos lá para apresentar essa maravilha da natureza”, finalizou.

Unidade de Conservação e Cajueiro de Pirangi se beneficiam com período chuvoso:

Outros locais que estão sendo beneficiados com as boas chuvas são o Cajueiro de Pirangi e Parque das Dunas. As chuvas dos últimos dias favorecem o repouso natural, aumento da brisa, floração, frutificação e formação de poças temporárias que deixam a temperatura mais amena.

Parte dessa água se infiltra no solo e é conduzida pelo sistema radicular das plantas, alimentando o lençol subterrâneo, cuja água é utilizada para o abastecimento humano. Segundo a gestora do Parque das Dunas, Mary Sorage, o efeito das precipitações é claro: “É tudo tão extraordinário. A sintonia da vida, da interdependência, da conexão, da troca dos elementos, do respeito, do equilíbrio da natureza. É o ciclo e a renovação. E não para por aí. Nesse período tem o florescimento dos fungos que dão um colorido especial próximo ao solo”, afirma.

O Parque das Dunas e Cajueiro de Pirangi estão fechados à visitação do público em cumprimento às medidas de proteção à saúde em razão da Covid-19. As equipes seguem com o trabalho de manutenção dos equipamentos e acompanhamento da biodiversidade local.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. François Cevert disse:

    Quanta beleza aguardando para ser usufruida quando tudo isso passar.

Defesa Civil de Natal realiza ação preventiva nas lagoas de captação

Nesta sexta-feira (10) oito secretarias municipais de Natal estarão realizando uma ação preventiva na Lagoa do Taraucá, no Loteamento Nova República, Zona Norte da cidade. O objetivo é garantir a segurança das pessoas que moram no entorno da referida lagoa. A atividade é uma ação da Secretaria Municipal de Segurança e Defesa Civil (Semdes) cumprindo uma determinação do prefeito Carlos Eduardo de fazer um trabalho interativo de forma integrada com diversas secretarias do município.

Segundo informações do diretor do Departamento de Defesa Civil da Semdes, Jeoás Santos, a operação piloto começará pela Lagoa do Taraucá por ser um dos reservatórios de águas pluviais da cidade que necessita de atenção redobrada. A preocupação do órgão está relacionada com a capacidade da lagoa que necessita de serviços de limpeza, alocação de bombas, iluminação e cerca. Também estão entre os principais problemas a questão da impermeabilização do solo e o aforamento da lagoa. “Uma das causas de tudo isso é a ligação clandestina de águas servidas feita pela população próxima”.

Além da Semdes, estarão envolvidas no processo as secretarias municipais de Obras Públicas e Infraestrutura (Semopi), Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), Saúde (SMS), Serviços Urbanos (Semsur), Trabalho e Assistência Social (Semtas) e Companhia de Serviços Urbanos (Urbana). Todas elas estão comprometidas na resolução dos problemas encontrados. Jeoás Santos revela que os referidos órgãos já iniciaram os trabalhos na lagoa e que no sábado (11) a Semdes estará entregando a população natalense à lagoa com plenas condições de segurança e funcionamento.

O diretor acrescenta, ainda, que a Semdes está concluindo o trabalho de vistoria em todas as lagoas de Natal através do Grupo de Ação e Emergência (GAE). O trabalho visa identificar riscos eminentes e problemas que venham causar transbordamentos e transtornos a população como já aconteceu há alguns anos. De acordo com ele, além da lagoa de Nova República, também é preocupante a situação das lagoas de Nova Natal, Dom Pedro, Pajuçara e Arena das Dunas. “Todas elas já estão recebendo ações da Semurb, Semob e Urbana e serão as próximas a serem beneficiadas com a mesma atividade desta sexta-feira.

AÇÕES

Na atividade do dia 10, a Semtas fará o levantamento de todas as pessoas que moram nas proximidades da lagoa; o estudo social dessa população; orientações de como proceder; e informações dos serviços que a Semtas normalmente oferece. A Urbana, que já realizou a limpeza da lagoa, apresentará o Projeto Jogo Limpo e também levará uma atividade educativa para que a população colabore com processo de limpeza não jogando lixo na lagoa ou no seu entorno. Para tanto, informarão os dias de coleta regular para que os moradores possam fazer a disponibilização dos resíduos acumulados.

Caberá a Semurb o papel de identificar as ligações clandestinas, notificar e orientar a população do local o procedimento correto a ser feito. A Semopi, que também já está realizando algumas intervenções na lagoa, entregará no dia da ação o conserto da cerca e a iluminação da lagoa bem como fará a verificação de funcionamento das bombas. A Vigilância Sanitária, da SMS, fará a verificação da água da lagoa e alguns riscos expostos à população como também um trabalho educativo constante. Jeová Santos adianta que a Semdes dará respostas a toda e qualquer lagoa que apresentar problemas para a cidade e para população.

Lagoas de Extremoz e Jiqui são usadas para diluir água contaminada com Nitrato

Os 130 poços utilizados pela Companhia de Águas e Esgotos do Grande do Norte (Caern) têm, sozinhos, capacidade para abastecer Natal inteira. O problema, de acordo com informações da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) é que muitos deles estão contaminados por Nitrato, o que torna essencial a utilização das águas das lagoas – hoje com baixo volume – para a diluição do poluente.

Só é considerada potável, a água que tem um índice de nitrato inferior a 10 mg/L. Alguns poços da cidade, que utilizam água do aquífero Barreiras, no entanto, ultrapassam este limite. A solução é pegar água em bom estado e somar à contaminada para diminuir o ínidice de contaminação. “Se não fosse isso, nem precisaria de racionamento porque os poços dariam para abastecer a cidade. Seria mais do que suficiente”, afirmou a Coordenadora de gestão dos recursos hídricos da Semarh, Joana D’arc Medeiros.

Em Natal, são utilizadas para este fim, a lagoa do Jiqui na parte sul da cidade (Zonas Leste, Oeste e Sul) e de Extremoz na Zona Norte. Ambas respondem, respectivamente, por (mais…)