Pacientes do Hospital Santa Catarina esperam por cirurgia nos corredores; sindicato denuncia várias unidades de saúde do estado sob condições precárias

O Sindsaúde-RN comunica que os pacientes do Hospital Santa Catarina estão esperando por cirurgia nos corredores. Alguns estão, por exemplo, com hemorragia digestiva e obstrução intestinal. Outros, diagnosticados com pneumonia, angina, infecção urinária. Além dos corredores superlotados, a estrutura física da unidade está comprometida. Há infiltração e mofo nas paredes. Essa situação compromete não só saúde dos pacientes, mas também dos servidores. Várias unidades de saúde do estado estão sob condições precárias.

Segundo o sindicato, no Giselda Trigueiro, por exemplo, a UTI está com dois leitos interditados porque está sem estrutura, e há enfermarias em que a urina dos banheiros de cima escorrem pelas paredes, além da falta de segurança. Maria do Carmo é trabalhadora do Santa Catarina e diretora do Sindsaúde e diz que a Saúde, assim como outros serviços públicos, não é prioridade dos governos, que trabalham em direção ao desmonte do SUS e economizam para o pagamento da Dívida Pública aos banqueiros.

Os servidores estaduais da saúde estão em greve desde o dia 5 de fevereiro, contra o atraso dos salários, mas também, reivindicam melhores condições de trabalho. “Mesmo o governo tentando criminalizar o movimento grevista”, conforme fala o sindicato, a saúde permanece em greve com o percentual de 30%, conforme decisão judicial.

A assessoria jurídica do Sindsaúde já recorreu à decisão solicitando o percentual de 50% nas unidades e 50% na greve.

 

 

Corredores do Walfredo voltam a ficar lotados

Corredores lotados, macas “presas”, pacientes reclamando e ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) aguardando no estacionamento. A realidade comum ao Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (HMWG) voltou a incomodar a população nos últimos dias. O cenário descrito acima foi constatado pela equipe da TRIBUNA DO NORTE na tarde de hoje. A situação atual contrasta com aquela vivida durante o curto período em que vigorou o projeto de Regulação Ativa das Emergências Médicas.

O projeto, implantado na última quinzena de fevereiro, foi encerrado no início desse mês. A ação, considerada simples, consistia em organizar quem entrava e ficava na unidade. A regulação era feita pelo Samu Metropolitano, em parceria com a direção do Hospital e da Coordenadoria de Hospitais (Cohur). Durante alguns dias, os corredores do Walfredo ficaram vazios e causavam espanto a quem sempre viu o local cheio. Com o fim da Regulação Ativa, o problema da superlotação retornou.

Na semana passada, a secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) reuniu representantes do Samu Metropolitana e direção do hospital. O recado foi direto: a regulação teria que ser tocada apenas pelo pessoal do HMWG. “O Samu não tem condições de prosseguir com essa ação. A demanda é grande. A direção do Walfredo é quem tem que se responsabilizar”, disse Domício Arruda, titular da Sesap.

O trabalho de regulação, segundo o coordenador Estadual das Urgências e Emergências, Luiz Roberto Fonseca, consistia na classificação de risco, após anamnese (entrevista e avaliação de sintomas) feita por dois médicos do Samu Metropolitano, bem como no referenciamento dos pacientes para os locais adequados, de acordo com a gravidade do caso. Somente os casos graves de urgência e emergência eram atendidos no Hospital.

Na tarde de hoje, pelo menos uma maca do Samu Metropolitano estava presa. Uma ambulância do Samu Natal também teve que esperar pela liberação de um equipamento. Não havia médicos realizando entrevistas com pacientes. No corredor principal do setor de emergência do HMWG havia pelo menos 15 pacientes em cima das macas. “O secretário disse que não existia mais essas macas nos corredores. Não é isso que estou vendo aqui. A bagunça está a mesma de sempre”, reclamou Silvana Ferreira, acompanhante de um paciente que aguardava atendimento no hospital.

Enquanto estava funcionando, o serviço de Regulação Ativa encaminhou de 90 a 120 casos de baixa e média complexidade para a rede básica ou pronto-atendimentos do Município. A liberação dos corredores contou ainda com a antecipação de exames clínicos e de imagem.

Hoje à tarde, não havia ninguém da direção que pudesse falar com a reportagem.

Samu Natal não fazia parte do Programa

O Samu Natal não integrava o projeto da Regulação Ativa das Emergências Médicas no Walfredo Gurgel. À época da implantação do programa, o coordenador geral do Samu Natal, Edilson Pinto, afirmou que “não há recusa ao projeto, só aguardamos que as condições para participação sejam cumpridas”. Ele explicou que dois pontos essenciais para “continuidade do processo e moralização das escalas médicas” permaneciam indefinidas pela Sesap.

Fonte: Tribuna do Norte