Falta de sono dá larica – mesmo se você não fumou maconha, afirmam cientistas

(PhotoAlto/Frederic Cirou/Getty Images)

Você já ouviu falar do sistema endocanabinoide? Não, ele não é exclusivo daqueles que fazem uso da droga. Na verdade, existe em todas as pessoas, e está ligado a algo essencial: o equilíbrio do corpo – ou, em termos técnicos, a homeostase.

Apesar da importância, o sistema endocanabinoide só foi descoberto no início da década de 1990, e seu funcionamento ainda guarda muitos segredos – tanto que você provavelmente nem ouviu falar dele na escola. Mas, para entender como aquela hora não dormida pode dar larica até em quem nunca fez uso da erva, precisamos entender o princípio dos endocanabinoides.

Os cientistas definem o sistema endocanabinoide assim: “é um mecanismo de sinalização endógena que atua fisiologicamente na regulação da homeostase energética”. Traduzindo para o bom português, o sistema funciona pela ativação de receptores pelo corpo (conhecidos como CB1 e CB2) que facilitam a troca de informações entre as células e acabam regulando o que não está sob controle.

Quem ativa esses receptores são justamente os canabinoides, tipos de moléculas que não existem só na maconha. Nossa membrana celular, inclusive, as produz naturalmente. Os canabinoides naturais são chamados de endocanabinoides, e estão muito presentes em células do sistemas nervoso e imunológico. Sua atuação não fica restrita apenas a essas áreas, mas chega também a sistemas como o motor, digestivo, ósseo, dentre outros.

A lógica do sistema endocanabinoide é basicamente esta: se o stress aumenta, os endocanabinoides trabalham para diminuí-lo; se sentimos dor, eles procuram aliviá-la, e assim por diante. Ou seja, essas moléculas vivem apagando fogo, tentando consertar o que está errado no nosso corpo.

Então quer dizer que maconha só faz bem, uma vez que fornece canabinoides? Bem, não exatamente. O THC (tetrahidrocanabinol) que está presente na cannabis se assemelha a um endocanabinoide produzido no nosso cérebro, a anandamida. Ela, naturalmente, atua na regulação o nosso humor, sono, memória e apetite. Consumindo maconha, você adiciona mais ativadores ao sistema endocanabinoide, e esse excesso acaba bagunçando a regulação normal de algumas áreas do corpo. Os resultados a gente já conhece: euforia intensa, sensação de relaxamento e a famosa “larica” – a fome avassaladora que vem depois de um “baseado”.

Beleza, mas o que tudo isso tem a ver com o sono? E com quem não usou maconha? Calma, vamos chegar lá agora: a ciência já sabia que pessoas que dormem mal geralmente tem mais fome e preferem alimentos doces e gordurosos. Mas, agora, cientistas americanos descobriram que a falta de sono pode afetar justamente o sistema endocanabinoide – e aumentar o apetite.

Para averiguar se isso fazia ou não sentido, os pesquisadores examinaram o impacto de uma noite de apenas quatro horas de sono em 25 voluntários saudáveis. As análises sanguíneas mostraram que, após essa noite curta, os indivíduos tinham aumentado a quantidade de 2-oleoilglicerol, um tipo de endocanabinoide. Quando os cientistas perguntaram o que as pessoas privadas de sono queriam comer, aquelas com maiores níveis de 2-oleoilglicerol preferiam alimentos com mais “energia” – ou seja, doces e gordurosos, com bastante glicose.

Além disso, a equipe também investigou o cérebro dos voluntários para analisar se essas alterações mudavam a maneira como o cérebro processa os cheiros – algo intimamente relacionado a vontade de comer. Isso revelou que o endocanabinoide em excesso estava bagunçando as ligações entre duas áreas do cérebro importantes para a regulação do apetite: o córtex piriforme e a ínsula.

A função da primeira é, basicamente, processar o odor; a da segunda, é integrar informações sobre o estado do corpo para controlar a ingestão de alimentos – ou seja, decidir se vale a pena ou não buscar uma fonte de alimentos, averiguando biologicamente se já está na hora de sentir fome. De acordo com os cientistas, as alterações nas quantidades de 2-oleoilglicerol estavam ligadas a modificações na relação entre essas duas áreas do cérebro. E a falta de comunicação entre elas acabou gerando um grande vontade de consumir alimentos gordurosos.

Ainda serão necessários muitos estudos para desvendar perfeitamente todos os mecanismo envolvidos nessa relação, mas o resultado da pesquisa é claro: assim como a maconha, a falta de sono altera o sistema endocanabinoide, gerando uma fome excessiva – ou a boa e velha larica. Por via das dúvidas, é melhor regular seu sono.

Super Interessante

Padrão de sono vai além de dividir as pessoas entre “diurnas” ou “noturnas”; entenda

(FOTO: PEXELS)

Algumas pessoas gostam de dormir cedo para também acordar cedo, enquanto outras consideram que são mais produtivas quando ficam acordadas até mais tarde e dormem durante boa parte da manhã seguinte. Embora esses dois cronogramas de sono sejam os mais conhecidos, evidências recentes sugerem que há pelo menos mais duas “personalidades”. A pesquisa foi publicada no periódicoPersonality and Individual Differences.

Um dos grupos é formado pelas pessoas que ficam sonolentas pela manhã e à noite, com seu estado de alerta sendo do meio-dia até o começo da noite. No outro tipo estão os que geralmente estão sonolentos das 11 às 15 horas e mais acordados de manhã e noite. Os psicólogos tentam descobrir as complexidades desse espectro há anos, e eles encontraram cada vez mais evidências de que existem três ou até quatro cronotipos principais entre os humanos.

Os resultados foram coletados usando respostas 1.305 pessoas, a maioria de mulheres e relativamente jovens. Proporcionando informações pessoais e sobre a carreira, os participantes responderam a um questionário sobre sua qualidade de sono e o quanto estão atentos em horários aleatórios ao longo do dia (em uma escala de “extremamente sonolento” até “extremamente alerta”). Além disso, cada uma dessas questões pressupunha uma noite de sono normal e um horário de acordar às 7:30 da manhã.

Usando análises estatísticas, os pesquisadores classificaram essas respostas em quatro cronotipos amplos com suas próprias variações diárias de sonolência. Ainda assim, a pesquisa tem algumas limitações e ressalvas importantes, como a representação desigual de idade e gênero. Os autores admitem que mais estudos precisarão verificar essas quatro curvas de sonolência distintas e descobrir quais fatores biológicos, genéticos, psicossociais ou ambientais podem influenciar seu desenvolvimento.

Galileu

 

Menino de 8 anos adormece mais de 20x por dia após tomar vacina contra gripe

029Sua família culpa uma vacina por todos os distúrbios de sono que ele desenvolveu. Ben Foy, inexplicavelmente, adormece mais de 20 vezes por dia, muitas vezes fechando os olhos sem ‘prévio aviso’. Sua mãe, Lindsey, 33 anos, disse que ele também tornou-se mau humorado e culpa a vacina Pandemrix, usada  contra a gripe, como a culpada.

A vacina foi administrada para mais de 1 milhão de crianças com menos de 5 anos em 2009 e em 2010, antes de ser retirada dos postos de saúde britânicos por ter sido apontada por ter uma ligação com a narcolepsia.

Bem não só tem narcolepsia, mas também desenvolveu cataplexia – que é a perda da força provocada por fortes emoções, como a excitação ou gargalhadas.

Ele tomou a injeção em 2010 e começou a apresentar os primeiros sintomas no mês seguinte. Os médicos fizeram vários testes (punção lombar, exames de sangue, ressonância magnética) – incluindo tomografia computadorizada – antes de diagnosticá-lo com narcolepsia.

A família decidiu tratá-lo sem o auxílio de medicamentos fortes até maio deste ano: “As drogas inicialmente ofertadas para Ben eram ligadas a anti-depressivos e têm efeitos colaterais muito graves”, disse a mãe em entrevista ao britânico DailyMail.

A narcolepsia, que ocorre em 1 a cada 2.000 pessoas, é um distúrbio do sono que faz com que uma pessoa adormeça em horários impróprios. É uma condição neurológica de longo prazo que perturba severamente os padrões normais de sono.

Os sintomas incluem ataques de sono, sonolência diurna e cataplexia – que é a fraqueza muscular temporária em respostas às emoções; muitas vezes é causada por uma resposta auto-imune, onde anticorpos são liberados pelo organismo, mas em vez de destruir uma doença, ataca as células saudáveis.

Na narcolpesia, anticorpos atacam as áreas do cérebro que produzem um produto químico responsável por regular o sono. Não há nenhuma cura conhecida.

Estima-se que 55 mil crianças que receberam a vacina Pandemrix desenvolveram o problema. Os cientistas publicaram suas descobertas na revista British Medical Journal em estudos realizados com 75 crianças.

Jornal Ciência

Bancário dorme sobre teclado e transfere R$ 628 milhões por engano

1_8Um funcionário de um banco europeu, cansado, dormiu sobre o teclado de seu computador e acidentalmente fez uma transferência de mais de 222 milhões de euros de uma conta corrente de um cliente.

O tribunal trabalhista da cidade de Hessen afirmou que o homem deveria transferir 62,40 euros de uma conta bancária de um aposentado, mas “dormiu por um instante, quando pressionava o número 2 no teclado”. Com isso, fez uma ordem de pagamento de 222.222.222,22 euros (mais de quase R$ 628 milhões).

O banco descobriu o erro logo e o corrigiu logo em seguida.

O caso foi parar no tribunal porque um colega do homem, responsável por ter deixado o erro “passar” na hora de conferir a ordem de pagamento, havia sido demitido pelo banco em virtude do incidente.

O tribunal mandou que o banco devolvesse ao homem seu emprego.

Da AFP

Condições geográficas afetam horário de sono

Condições geográficas afetam os horários de um indivíduo acordar e dormir. É o que diz estudo realizado no Instituto do Sono, de São Paulo. As pessoas que moram perto da Linha do Equador têm maior tendência a se deitar e a se levantar cedo. Quanto maior a aproximação com os polos, porém, mais vespertinos se tornam os indivíduos.

A conclusão tem como base questionário respondido por 16 mil brasileiros na internet entre 2005 e 2007. O resultado só foi divulgado agora devido a estudos posteriores de cronobiologia, ciência que estuda os fenômenos biológicos recorrentes que ocorrem uma periodicidade determinada. A novidade é a descoberta de que o horário em que o sol nasce não é o único fator a influenciar o sono. Quanto maior a latitude, maior a variação no período iluminado. Em termos práticos, significa dizer que, apesar de o sol nascer praticamente no mesmo horário em Natal e em Porto Alegre, ele se põe mais tarde no Sul. Os moradores desta região ficam acordados por mais tempo, como mostrou o estudo. No inverno, porém, os potiguares dormem mais cedo que os gaúchos.

— Trazemos uma informação que, de certa forma, contraria o senso comum. Nosso organismo é regido temporalmente não pelo relógio de pulso ou de parede, mas sim pelo padrão de claro e escuro decorrente das relações geoespaciais entre terra e sol. Padrão este que é diferente ao longo do ano dependente da latitude — explica Mario Pedrazzoli, professor da Escolas de Artes, Ciências e Humanidade da Universidade de São Paulo (USP) e líder dos estudos.

O conhecimento poderá ser útil na medicina preventiva. Caso o médico consiga identificar genótipos mais propensos a sofrer distúrbios do sono, poderá orientar o paciente a mudar hábitos ou evitar atividades que possam favorecer a doença.

Para a interpretação dos resultados, os cientistas tiveram como base a teoria de que a alteração entre períodos claros e escuros regula os processos fisiológicos do organismo. Quanto mais cedo o indivíduo receber o primeiro sinal, mais cedo sentirá o sono.

As perguntas do questionário buscavam investigar os horários em que as pessoas preferiam comer, trabalhar, fazer exercícios, dormir e acordar. A cada resposta era atribuído um valor. A somatória final indicava se o indivíduo era matutino, vespertino ou intermediário.

A ideia da pesquisa surgiu quando, em 2005, o Instituto do Sono mostrou uma associação entre uma variação do gene PER3 e a síndrome da fase atrasada do sono. Quem sofre deste distúrbio sente sono mais tarde do que a média de população. Mais especificamente, por volta de 4h ou 5h.

A variação do PER3 foi associada ao distúrbio de sono em cerca de 10% dos brasileiros, com base em pesquisa com 283 pessoas. O gene produz uma proteína que ajuda a regular os períodos do dia em que as pessoas estão mais ou menos ativas. Apenas uma parcela deste percentual, porém, desenvolveu a síndrome. Levantou-se a hipótese, então, de que mudanças genéticas não seriam as únicas responsáveis por alterar o clico, mas também os ambientes onde vivem as pessoas.

Fonte: O Globo

Problemas para dormir podem indicar Mal de Alzheimer

Se a pesquisa da Escola de Medicina da Universidade de Washington se provar correta, a falta de sono poderá ser um indicador precoce da doença

Problemas com o sono podem ser um sinal precoce do Mal de Alzheimer. É o que sugere a Escola de Medicina da Universidade de Washington, com base em pesquisas com camundongos. A espécie dorme, geralmente, 40 minutos durante cada hora do dia. Um teste da instituição mostrou, porém, que a média cai para meia hora no momento em que a doença começa a se desenvolver.

Os pesquisadores acreditam que o processo se deva a uma maior produção de proteína beta-amilóide, que produz as placas da patologia e modifica os hábitos noturnos. Para confirmar a hipótese, os cientistas deram uma vacina contra a substância em um grupo de camundongos. Não foram desenvolvidas placas no cérebro e os padrões de sono permaneceram normais.

— Se as alterações do sono começam no início do curso da doença, as mudanças podem nos fornecer um sinal facilmente detectável do problema — afirma David Holtzman, autor do estudo. — Quando formos tratar os pacientes antes de um maior desenvolvimento da patologia, os problemas na hora de dormir poderão indicar rapidamente se o método usado é eficiente ou não.

Com informações de O globo.com

Pesquisa mostra que cérebro é capaz de aprender durante sono

Atenção concurseiros e candidatos ao vestibular, vamos otimizar o tempo. Estudo do instituto israelense Weizmann conclui que o cérebro humano tem capacidade de captar informações novas durante o sono

O cérebro humano tem a capacidade de captar informações novas durante o sono, concluiu uma pesquisa publicada na segunda-feira por pesquisadores do instituto israelense Weizmann.

A pesquisa, realizada ao longo de três anos pela neurobióloga Anat Arzi, examinou a correlação entre olfato e audição e a memória armazenada no cérebro.

“Esta é a primeira vez que uma pesquisa científica consegue demonstrar que o cérebro é capaz de aprender durante o sono”, disse Arzi à BBC Brasil.

Segundo a cientista, estudos prévios já demonstraram a capacidade de bebês aprenderem enquanto dormem, mas a pesquisa recém-divulgada descobriu que o mesmo vale para adultos.

‘Aprendizagem associativa’

O experimento, realizado por Arzi em colaboração com o professor Noam Sobel, diretor do Laboratório do Olfato do instituto, examinou as reações de 55 pessoas que foram expostas a sequências de sons e cheiros enquanto dormiam.

As sequências, que incluiam um intervalo de 2,5 segundos entre o som e o cheiro, expunham os participantes a odores agradáveis (de perfume ou xampu) ou desagradáveis (de peixes podres ou outros animais em decomposição), de forma sistemática e sempre antecedidos por sons que se repetiam.

“A vantagem de se utilizar o olfato é que os cheiros geralmente não interrompem o sono, a não ser que sejam muito irritantes para as vias respiratórias”, explicou a cientista.

Durante o experimento os cientistas observaram sinais de que os participantes adormecidos passaram por uma “aprendizagem associativa”.

“Com o tempo, criou-se um condicionamento. Bastava que (os participantes) ouvissem determinado som para que a respiração deles se alterasse e se tornasse mais longa e profunda – em casos de associação com odores agradáveis -, ou mais curta e superficial – em casos de sons ligados a cheiros desagradáveis”, afirmou Arzi.

A cientista também relatou que as mesmas reações ocorriam na manhã seguinte, quando os participantes acordavam. Se fossem expostos a um som associado com um odor agradável, respiravam longa e profundamente.

Informações gravadas

“O fato de que as informações ficaram gravadas no cérebro e causaram reações fisiológicas idênticas, mesmo quando os participantes estavam despertos, demonstra que eles passaram por uma aprendizagem associativa enquanto dormiam”, disse.

Pessoas com lesões no hipocampo – região do cérebro relacionada à criação da memória – não registraram as informações, disse a neurobióloga.

Para Arzi, a descoberta pode ser “um primeiro passo no estudo da capacidade do cérebro humano de obter uma aprendizagem mais complexa durante o sono”.

No entanto, segundo a cientista, são necessárias mais pesquisas para examinar as diferenças entre o funcionamento dos mecanismos cerebrais de pessoas adormecidas e despertas