The Intercept noticia que Lava Jato planejou buscar na Suíça provas contra Gilmar Mendes

Gilmar Mendes, em 13 de junho. ROSINEI COUTINHO SCO/STF

Procuradores da Operação Lava Jato em Curitiba fizeram um esforço de coleta de dados e informações sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, com o objetivo de pedir sua suspeição e até seu impeachment. Liderados por Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa, procuradores e assistentes se mobilizaram para apurar decisões e acórdãos do magistrado para embasar sua ofensiva, mas foram ainda além. Planejaram acionar investigadores na Suíça para tentar reunir munição contra o ministro, ainda que buscar apurar fatos ligados a um integrante da Corte superior extrapolasse suas competências constitucionais, de acordo com especialistas ouvidos pela reportagem. A estratégia contra Gilmar Mendes foi discutida ao longo de meses em conversas de membros da força-tarefa pelo aplicativo Telegram enviadas ao The Intercept por uma fonte anônima e analisadas em conjunto com o EL PAÍS.

Na guerra contra o ministro do Supremo, os procuradores se mostraram particularmente animados em 19 de fevereiro deste ano. “Gente essa história do Gilmar hoje!! (…) “Justo hoje!!! (…) “Que Paulo Preto foi preso”, começa Dallagnol no chat grupo Filhos do Januário 4, que reúne procuradores da força-tarefa. A conversa se desenrola e se revela a ideia de rastrear um possível elo entre o magistrado e Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, preso em Curitiba num desdobramento da Lava Jato e apontado como operador financeiro do PSDB. Uma aposta era que Gilmar Mendes, que já havia concedido dois habeas corpus em favor de Preto, aparecesse como beneficiário de contas e cartões que o operador mantinha na Suíça, um material que já estava sob escrutínio dos investigadores do país europeu.

“Vai que tem um para o Gilmar…hehehe”, diz o procurador Roberson Pozzobon no grupo, em referência aos cartões do investigado ligado aos tucanos. A possibilidade de apurar dados a respeito de um ministro do Supremo sem querer é tratada com ironia. “vc estara investigando ministro do supremo, robinho.. nao pode”, responde o procurador Athayde Ribeiro da Costa. “Ahhhaha”, escreve Pozzobon. “Não que estejamos procurando”, ironiza ele. “Mas vaaaai que”. Dallagnol então reforça, na sequência, que o pedido à Suíça deveria ter um enfoque mais específico: “hummm acho que vale falar com os suíços sobre estratégia e eventualmente aditar pra pedir esse cartão em específico e outros vinculados à mesma conta”, escreve. “Talvez vejam lá como algo separado da conta e por isso não veio” (…) “Afinal diz respeito a OUTRA pessoa”. A força-tarefa de Curitiba tem dito que não reconhece as mensagens que têm sido atribuídas a seus integrantes e repetiu à reportagem que o “material é oriundo de crime cibernético e tem sido usado editado ou fora de contexto, para embasar acusações e distorções que não correspondem à realidade”.

Nas mensagens, tudo começa porque Dallagnol comenta saber de “um boato” vindo da força-tarefa de São Paulo (FT-SP) de que parte do dinheiro mantido por Paulo Preto em contas no exterior pertenceria a Mendes. “Mas esse boato existe mesmo?”, pergunta o procurador Costa. “Pessoal da FT-SP disse que essa info chegou a eles”, responde Julio Noronha, em referência aos colegas paulistas.Procurada, a assessoria de imprensa do FT-SP afirmou que “jamais recebeu qualquer informação sobre suposto envolvimento de Gilmar Mendes com as contas no exterior de Paulo Vieira de Souza”. E também que “se recebesse uma informação a respeito de ministro do STF, essa informação seria encaminhada à PGR [Procuradoria Geral da República]”. E que “jamais passaria pela primeira instância para depois ir para a PGR”.

O artigo 102 da Constituição determina que os ministros do Supremo só podem ser investigados com autorização de seus pares, a não ser que apareçam em uma investigação já em curso, a chamada investigação cruzada. Caso seja este o caso, a competência é necessariamente da PGR. Para o procurador da República Celso Três, que atuou no início do caso Banestado, um marco contra a lavagem de dinheiro, e trabalhou diretamente com o ex-juiz Sergio Moro, os procuradores não cogitam nos diálogos apenas um atalho para chegar a Mendes. “É uma violação grave do devido processo legal”, afirma em entrevista ao EL PAÍS. Ele avalia que, nas conversas, os procuradores de Curitiba demonstraram intenção de desviar a finalidade da investigação, porque tinham autoridade para escrutinar o operador do PSDB, mas planejaram aprofundar essa colaboração com o intuito de atingir o ministro do Supremo. “Não estou defendendo Gilmar, mas está muito claro que estavam em seu encalço”.

A reportagem questionou à força-tarefa de Curitiba se os procuradores pediram informações aos investigadores na Suíça sobre possíveis ligações de Mendes e Paulo Preto. E, caso tenham encontrado elementos, se foram enviados à PGR. Por meio da assessoria de imprensa, os procuradores afirmaram que “não surgiu nas investigações nenhum indício de que cartões da conta de Paulo Vieira de Souza tenham sido emitidos em favor de qualquer autoridade sujeita a foro por prerrogativa de função”. “Qualquer ilação nesse sentido, por parte de quem for, seria mera especulação”, ressaltou a nota. “Em todos os casos em que há a identificação de pagamentos de vantagens indevidas e lavagem de ativos no exterior, o Ministério Público busca fazer o rastreamento do destino de todos os ativos ilícitos, para identificar os destinatários desconhecidos”, ressalta. Eles insistem que sempre que surgem indícios do envolvimento em crimes de pessoas com foro privilegiado, a força-tarefa encaminha as informações à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal.

Leia matéria completa no El País clicando aqui

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Ivan disse:

    Gilmar é o sonho de consumo de tudo que é bandido de colarinho branco…Né Aécio??? kkkkkk

  2. Bento disse:

    A VERDADEIRA CARA DA BESTA FERA. TÁ AMARRADO.

  3. Michelle disse:

    Nada demais nestas supostas conversas. Se há uma investigação em curso, qual o problema de quem está trabalhando nela comentar o que vai surgindo?

  4. Diego Laranjeiras disse:

    Como diz um amigo meu: "Dallagninho desta fez pegou em m&[email protected]"……..hahahaha concordo!

    • Fernando disse:

      Quem trabalha contra o crime, sabe que o caminho é perigoso e cheio de armadilha. Pois os bandidos são perigosos e tem apoio de babacas e tontos, iguais a vc.

  5. Flavio disse:

    Acredito que justiça e ministério público tem que atuar para prender bandidos e corruptos, esteja eles onde estiverem.

  6. Luladrão Encantador de Asnos disse:

    Que Gilmar Mendes é bandido ninguém tem dúvidas ou alguém ainda tem? No início da Lava Jato ele apoiava e os petistas o odiavam, agora estão juntos. Objetivos comuns.

    • Cezario disse:

      Se esse cidadão não tivesse o que esconder, abriria mão do seu sigilo bancário e fiscal. Mas faz uma guerra, chora, esperneia e ameaça os que querem investigar suas finanças!

Aluno da UFRN considerado uma das grandes descobertas entre talentos musicais faz campanha para cursar mestrado na Suíça

Reprodução

O estudante Caio César da Silva, considerado uma das grandes descobertas entre os talentos musicais a despontar na Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMUFRN), iniciou uma campanha de financiamento coletivo, com o objetivo de custear as despesas com deslocamento para a Suíça, onde irá realizar o curso de mestrado em Música. Caio César é um dos aprovados para o mestrado com bolsa integral na Hochschule der Künste Bern (Universidade das Artes de Berna), sob a orientação do professor da instituição Thomas Rüedi, um dos mais renomados eufonistas do mundo.

Aluno do professor Fernando Deddos, Caio César da Silva iniciou a campanha no começo deste mês de maio, com o apoio de diversos professores da UFRN. Até agora, porém, os recursos arrecadados, pouco mais de 20% do valor necessário, ainda não são suficientes para que ele possa providenciar seu visto de estudante, cujo pedido deve ser solicitado no início de julho, já que as aulas começam em setembro. Além do visto, o estudante precisará comprovar que terá meios de subsistência por, pelo menos, um ano, período em que não poderá exercer nenhum trabalho na Suíça, de acordo com a legislação local. Os interessados em colaborar com a campanha podem fazê-lo por meio deste link.

Com o objetivo de ampliar a arrecadação de fundos, o estudante anuncia a realização de um recital beneficente no dia 13 de junho, às 19h30, no Auditório Onofre Lopes da Escola de Música. Na ocasião, Caio César Silva estará se apresentando junto ao professor Durval Cesetti, com participações especiais do professor Fernando Deddos e do tenor Kaior Morais, do Instituto Waldemar de Almeida. Ingressos ao preço de R$ 20 (vinte reais) estão disponíveis na Coordenação de Eventos da Escola de Música da UFRN ou na entrada do Auditório, no dia do recital.

Exemplo de dedicação e superação

Caio é o primeiro bacharel em Eufônio formado por uma universidade federal brasileira, tendo se destacado em inúmeros festivais nacionais e internacionais, além de ter recebido prêmios como o 1º lugar no Concurso Nacional de Eufônio, promovido pela Associação de Eufônios e Tubas do Brasil (ETB), e o 1º lugar no Concurso Jovens Solistas da Filarmônica UFRN.

“Caio é daqueles alunos que todo professor gostaria de ter, um exemplo de dedicação”, destaca o professor Fernando Deddos, descrevendo como a rotina de estudos dele tem feito com que ele consiga um ritmo de aprendizado muito acima da média. “A comunidade da Escola de Música da UFRN já se acostumou a ouvir o som de Caio estudando, pois parece que ele está sempre por aqui, seja às 7h da manhã ou às 21h, em finais de semana e feriados”. Fernando Dedos é doutor pela University of Georgia e reconhecido como o maior nome do eufônio no Brasil, tendo sido contratado pela UFRN em 2016. Logo em seguida, Caio César, que morava em Recife até então, resolveu se mudar para Natal justamente para poder estudar com ele.

O pianista Durval Cesetti, outro professor de Caio na Escola de Música, com quem ele já se apresentou em inúmeros recitais, descreve algumas das várias dificuldades que ele teve de superar em sua vida para chegar aonde está. “Imagine você não ter uma família para te apoiar, imagine você crescer com imensas dificuldades familiares e financeiras, e, apesar de tudo isso, conseguir se virar sozinho e se tornar um dos melhores intérpretes de seu instrumento no Brasil, muito provavelmente o melhor em sua faixa etária”, destaca o professor. “É uma pessoa cuja força de vontade e caráter fez com que ele se tornasse quem é, mesmo com tantas condições adversas.”

Flávio Gabriel, professor de trompete da UFRN, comenta como Caio demonstrou ser capaz de “enfrentar muitas dificuldades e realizar grandes conquistas, por isso não hesito em afirmar que um investimento em Caio é algo com o que não nos decepcionaremos, pois ele certamente continuará sua trajetória de vitórias e será um nome importante na formação de jovens músicos no futuro.”

Com informações da UFRN

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Diniz disse:

    O cara nem daqui é , aí os manes de Natal banca a mordomia dele durante um ano e depois ele volta para Recife e pronto, cadê o músico que mandamos para estudar fora kkkkkk sei não.

  2. Antônio disse:

    Mais um adjetivo para os acéfalos usarem quando forem falar sobre a educação e a universidade, FUNPEC se junta a "maconheiros", "esquerdopatas", "petralhas", "comunistas", "alienação".
    é bastante estranho essa verba exagerada para publicidade e essa fundação deve passar por auditoria, não somente agora, mas periodicamente, assim como a UFRN passa e é considerada um exemplo para gestão pública.

  3. Ivan disse:

    Basta fazer umas fotos com camisa de #lulalivre que a funpec banca…Sem ideologia socialista, sem ajuda…Sorry!!!!

  4. joao disse:

    Lamentavel… podiam usar uma fraçao irrisoria dos 50 milhoes (segundo alguns blogs divulgaram) da publicidade da Fumpec pra ajudar na pesquisa desse estudante.

  5. Prof Lira disse:

    É só ele procurar a Funpec

  6. djailson disse:

    cadê a FUMPEC para colaborar com estudante.

PENOU TAMBÉM: Argentina sofre, mas vence Suíça com gol no segundo tempo da prorrogação

thumb(Foto: Juan Mabromata/AFP)

A Argentina sofreu, suou muito, mas conseguiu vencer a Suíça na prorrogação, por 1 a 0, com gol de Di María, na tarde desta terça-feira, em São Paulo. Com a vitória nas oitavas, a Albiceleste avançou às quartas de final da Copa. Com apoio da torcida brasileira presente no estádio, os helvéticos tiveram boas chances de balançar a rede, mas vacilaram e acabaram derrotados, fora do Mundial. O público, aliás, foi um dos maiores destaques do jogo, já que foi o maior da Arena Corinthians na Copa.

O adversário dos hermanos na próxima fase sai do confronto entre Bélgica x Estados Unidos. O jogo das quartas será realizado no sábado, às 13h, em Brasília.

A Argentina tomou a responsabilidade de tomar conta do jogo no primeiro tempo. Mesmo sem brilho, os hermanos chegaram mais vezes ao gol adversário. Não houve, porém, chances claras de gol para a Albiceleste, que tinha Messi apagado. La Nati abusou das faltas para frear o ímpeto dos sul-americanos até os 25 minutos. Depois, a Suíça passou a chegar com mais perigo. Os helvéticos, aliás, tiveram as duas melhores oportunidades no primeiro tempo, com Xhaka e Drmic, em jogadas criadas pelo habilidoso e criativo Shaqiri. Este último, aliás, ficou cara a cara com o goleiro Romero, mas tentou, sem sucesso, encobrir o camisa 1. Com Messi e Lavezzi bem marcados, o primeiro tempo terminou no 0 a 0.

ARGENTINA VOLTA NA PRESSÃO

Depois de um primeiro tempo sem criar boas oportunidades de gol, a Argentina voltou mais disposta a furar o bloqueio suíço, com Messi mais presente. Rojo e Higuaín chegaram perto de marcar, mas não conseguiram passar por Benaglio. O gol parecia ser uma questão de tempo, porém os helvéticos conseguiam se segurar, na expectativa de um contra-ataque fatal. O jogo, então, virou uma espécie de ataque, da Argentina, contra defesa, da Suíça, com muita participação da torcida. Enquanto os brasileiros apoiavam os europeus, os argentinos gritavam alto em apoio à seleção. Contudo, sem inspiração de ambas as partes, o jogo caminhou para a quase sempre dramática prorrogação.

MAIS 30 MINUTOS DRAMÁTICOS E UM GOL

Não bastassem os mais de 90 minutos de muita emoção, a partida teve ainda uma prorrogação dramática. Com muita raça e entrega, a Argentina buscava o gol, mas sem desorganização nas defesa. O curioso é que, como a Suíça tocava a bola para gastar o tempo e levar a decisão para os pênaltis, a torcida brasileira passou a gritar ‘Olé’, para irritação dos argentinos, que passaram a descontar no habilidoso Shaqiri.

O segundo tempo da prorrogação foi marcado pelo desgaste físico dos jogadores. Messi e Shaqiri, cada um do seu lado, chamavam o jogo naquela altura. Coube, então, ao camisa 10 da Argentina o papel de protagonista novamente. Aos 12 minutos do segundo tempo da prorrogação, Messi achou Di María livre na ponta direita. O meia chutou cruzado e fez o gol da vitória: 1 a 0, suado e sofrido. No fim, Dzemaili quase empatou, com uma cabeçada na trave. A bola ainda voltou e bateu na perna dele, mas foi para fora, para alívio de toda a Argentina.

FICHA TÉCNICA:

ARGENTINA 1 X 0 SUÍÇA

DATA/HORA: 1/7/2014, às 13h
ESTÁDIO: Arena Corinthians, São Paulo (SP)
ÁRBITRO: Jonas Eriksson (SWE)
AUXILIARES: Mathias Klasenius (SUE) e Daniel Warnmark (SUE)
PÚBLICO: 63.255
CARTÕES AMARELOS: Xhaka e Fernandes (SUI); Rojo e Di María (ARG)
GOL: Di María, aos 12’/2°T da prorrogação

ARGENTINA: Romero, Zabaleta, Garay, Fede Fernández e Rojo (15’/1°T da prorrogação); Mascherano, Gago (Biglia, intervalo da prorrogação) e Di María; Lavezzi (Palacio, 28’/2°T), Messi e Higuaín. Técnico: Alejandro Sabella

SUÍÇA: Benaglio, Lichtsteiner, Djourou, Schär e Ricardo Rodriguez; Behrami, Inler, Xhaka (Fernandes, aos 20’/2°T), Mehmedi (Dzemaili, aos 7’/2°T da prorrogação) e Shaqiri; Drmic (Seferovic, aos 36’/2°T). Técnico: Ottmar Hitzfeld

Lance

Suíça revela conta secreta de ex-chefe da Casa Civil de Covas

por Fausto Macedo – Estadão

A Suíça enviou aos investigadores brasileiros cópia do cartão de abertura da conta secreta em Genebra do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Robson Riedel Marinho, ex-chefe da Casa Civil do governo Mário Covas (PSDB). Nessa conta, numerada 17321-1, do Credit Lyonnais Suísse – Credit Agricole, o conselheiro recebeu US$ 1,1 milhão.

O dinheiro que abasteceu a conta de Marinho, segundo suspeita o Ministério Público Federal, teve origem no Caso Alstom – esquema de pagamento de propinas na área de energia do Estado, entre outubro de 1998 e dezembro de 2002, nos governos Covas e Geraldo Alckmin.

Os investigadores classificam como “revelador” o documento bancário, uma das mais importantes provas já surgidas contra o ex-braço direito de Covas. Desde 2010, quando a Justiça de São Paulo acolheu ação cautelar de sequestro de seus valores. Marinho nega possuir ativos no exterior.

Em fevereiro, a Justiça Federal abriu ação penal contra 11 denunciados no caso Alstom, entre lobistas, executivos e ex-dirigentes da Eletropaulo e da Empresa Paulista de Transmissão de Energia (EPTE), antigas estatais do setor. A eles teriam sido oferecidos R$ 23,3 milhões em ‘comissões’ para viabilizar contrato de interesse da multinacional francesa no valor de R$ 181 milhões.

Marinho não está entre os acusados neste processo porque desfruta de foro privilegiado. Ele é alvo de investigação criminal do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A suspeita sobre Marinho tem base em julgamento que favoreceu a Alstom do Brasil. Ele foi o relator. Em sessão de 27 de novembro de 2001, o conselheiro votou pela regularidade do ato declaratório de inexigibilidade de licitação para extensão da garantia de equipamentos, pelo prazo de 12 meses, prevista no décimo aditivo do contrato Gisel (Grupo Industrial para o Sistema da Eletropaulo).

Marinho abriu a conta secreta por correspondência, sem sair de São Paulo, informam os investigadores. O cartão foi preenchido de punho próprio pelo conselheiro no dia 13 de março de 1998. No campo destinado às assinaturas aparecem, por extenso, os nomes dele e da mulher, Maria Lucia de Oliveira Marinho, como titulares.

Posteriormente, segundo os registros da instituição financeira suíça, assumiu a titularidade da conta a offshore Higgins Finance Ltd, constituída nas Ilhas Virgens Britânicas e incorporada por uma pessoa jurídica que concedeu a Marinho o direito de uso a partir de janeiro de 1998 – nessa ocasião, ele já havia assumido o cargo no TCE, por indicação de seu padrinho político, Covas.

Outros documentos enviados pela Procuradoria da Suíça revelam as fontes que abasteceram a conta do conselheiro. Oito transferências, somando US$ 953,69 mil, entre 1998 e 2005, foram realizadas pelo empresário Sabino Indelicato, denunciado no caso Alstom por corrupção e lavagem de dinheiro.

Amigo de Marinho, ele é apontado pela Procuradoria da República como pagador de propinas do caso Alstom.

Um primeiro repasse ocorreu a 19 de junho de 1998, no valor de US$ 326,13 mil. Em 2005, dois depósitos, um no dia 28 de fevereiro (US$ 242,96 mil) e outro em 15 de março (US$ 121,52 mil).

Indelicato foi secretário municipal de Obras da gestão Robson Marinho como prefeito de São José dos Campos (SP), na década de 1980.

Ele controla a Acqua Lux Engenharia, situada no pequeno município de Monteiro Lobato (SP), que captou entre 1999 e 2001 a quantia de R$ 2,21 milhões de coligadas da multinacional, por serviços fictícios de consultoria, segundo os investigadores. “O Grupo Alstom, visando internalizar dinheiro que seria utilizado para o pagamento de vantagem indevida, depositava valores na conta desta empresa (Acqualux)”, afirma a Procuradoria.

Laudo financeiro da Polícia Federal indica que a Acqua Lux repassou R$ 1,84 milhão para a conta pessoal de Indelicato, também alojada no Credit Lyonnais, banco francês que em 2003 foi comprado pelo Credit Agricole – ele abriu a conta três dias antes de Marinho, em 10 de março de 1998.

Já sob titularidade da Higgins Finance, mas com o mesmo número, a conta de Marinho foi contemplada com mais US$ 146,5 mil, depositados pela MCA Uruguay, offshore de Tortola (Ilhas Virgens), que recebeu R$ 40,11 milhões da Alstom, entre 2000 e 2007, também por serviços não realizados.

Com a palavra, a defesa. O criminalista Celso Vilardi, que defende Robson Marinho, disse que não ia comentar a revelação sobre o cartão de abertura da conta do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado porque não teve acesso ao documento. “Não sei a fonte e não vou comentar antes de ter acesso. Não tenho conhecimento sobre papéis enviados pela Suíça com citações ao conselheiro”, observou Vilardi.

Ele destacou que Marinho “jamais julgou ou participou de qualquer julgamento do projeto Gisel”.

O advogado afirmou que o ex-chefe da Casa Civil do governo Mário Covas “só se manifestou (como conselheiro de contas) sobre a garantia (dos equipamentos), o que ocorreu anos depois do contrato do projeto Gisel”.

“Ele (Marinho) não tem nada a ver com isso”, enfatiza Vilardi. “Os fatos apontados na denúncia (da Procuradoria da República) aconteceram quatro anos antes de ele julgar a extensão de garantia que passou no TCE. As datas não batem. Marinho está sendo acusado de receber valor em 1998, quando nem existia ainda a questão da extensão da garantia. Me causa surpresa porque ele jamais julgou o projeto abordado na denúncia, apenas uma extensão de garantia que foi feita anos depois do contrato.”

A advogada Dora Cavalcanti, que defende o empresário Sabino Indelicato, informou que ele e Marinho são amigos há muitos anos e sócios em empreendimentos imobiliários em São José dos Campos (SP).”Indelicato permanece, como sempre, à disposição da Justiça e confiante de que irá provar sua inocência.” Ela disse que também não teve acesso a documentos enviados pela Suíça.

A Alstom tem reiterado que enfrenta acusações no Brasil “relativas à não-conformidade com leis e regras de competição”. A empresa destaca que “tem implementado, em toda a sua organização, regras estritas de conformidade e ética que devem ser aderidas por todos os funcionários”.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. joana darc disse:

    "Saudoso", daqui a pouco será chamado de "honesto". Morreu, mas seus comparsas estão vivos e usufruindo do roubo. Cadê o guardião da honestidade que engavetou o mensalão do PSDB ?? Por que??

  2. Marcos Aurélio disse:

    Curioso testemunho de passionalidade travestido de candura ideológica.
    Dirceu e Genoino já foram julgados, condenados e presos,. Então porque continuamos trazendo-os ao palco e linchando-os seguidamente enquanto queremos esquecer o Demóstenes, o Daniel Dantas, e agora o Covas? Mesmo cometendo o lapso de esquecer que o Governo continua nas mãos do PSDB, que de Covas passou para o Serra e depois para o Alkimin…
    Começamos a faxina abrindo-se alas com o julgamento do Mensalão Petista, e não podemos parar. Temos que continuar com o Mensalão Tucano/Mineiro, o caso dos Trens/Metrôs de São Paulo nos Governos dos Tucanos, Daniel Dantas, Operação Impacto, Sinal Fechado, Hígia, Foliaduto, gAFANHOTOS, ETC, ETC, ETC.
    tODA FORMA DE CORRUPÇÃO TEM QUE SER ENCONTRADA, DENUNCIADA, CRIMINALIZADA, JULGADA e seus agentes CONDENADOS e Presos, SE QUISERMOS realmente mudar o Brasil. Do contrário, nossas manifestações são só "briga de torcidas organizadas" a favor dos nosso e contra os adversários.

  3. Sergio Nogueira disse:

    Ora, mas que estória para render… não se faz necessário mexer em algo que o tempo, silenciosamente, assassinou. Temos que investigar quem está atualmente no poder. O saudoso Covas partiu ao céu. E que lá, descanse em paz.

    • Sergio Nogueira disse:

      Caro blogueiro, sempre q você receber comentário com IP diferente desse, pode ter como certo que trata-se de um clone, aliás uma imitação a lá 25 de março, daquelas Shing-Ling mesmo.

    • luiz disse:

      quero ver falar isso daqui a 15 anos, sobre o mensalao. kkkkkkkkkkkkkkkk "saudoso covas"… pqp

Felipão divulga convocados para amistoso da Seleção contra a Suíça

A promessa do técnico Luiz Felipe Scolari de novos testes ainda não se confirmou. Na primeira convocacação do Brasil após o título da Copa das Confederações há um mês, a Seleção terá apenas uma novidade para o amistoso contra a Suíça, dia 14 de agosto, na Basileia. A divulgação da lista aconteceu no início da tarde desta terça-feira por meio do site da CBF.

O treinador manteve a base que venceu a Espanha no Maracanã e o único nome diferente na lista dos 20 convocados em relação ao grupo campeão é o lateral-esquerdo Maxwell, do Paris Saint-Germain. Entre os campeões no fim do mês passado, não foram chamados o goleiro Diego Cavalieri, o zagueiro Réver, o lateral-esquerdo Filipe Luis e o meia Jadson.

Antes da conquista do título, Felipão já havia anunciado em entrevista coletiva que iria observar outros jogadores e assistir a jogos na Europa durante o segundo semestre, podendo fazer até oito experiências até o fim do ano.

Depois do amistoso contra a Suíça, a Seleção terá outro compromisso em setembro, contra Portugal, no dia 10 de setembro, em Boston (EUA), no Gillette Stadium, casa do time de futebol americano New England Patriots.

A CBF ainda negocia um amistoso contra a Austrália para o dia 7 de setembro, em Brasília, no Mané Garrincha. A entidade, porém, ainda não confirmou a realização do jogo.

Veja a relação dos 20 jogadores:

Goleiros
Julio Cesar – Queens Park Rangers
Jefferson – Botafogo

Zagueiros
Thiago Silva – Paris Saint Germain
David Luiz – Chelsea
Dante – Bayern de Munique

Laterais
Daniel Alves – Barcelona
Jean – Fluminense
Marcelo – Real Madrid
Maxwell – Paris Saint Germain

Meias
Fernando – Shakhtar Donetsk
Hernanes – Lazio
Luiz Gustavo – Bayern de Munique
Paulinho – Tottenham Hotspur
Oscar – Chelsea

Atacantes
Jô – Atlético Mineiro
Lucas – Paris Saint Germain
Hulk – Zenit
Bernard – Atlético Mineiro
Fred – Fluminense
Neymar – Barcelona

Lance

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Maurício Giovani disse:

    Fiquei muito decepcionado com essa convocação. Esperava um pouco mais de Felipão, uma vez que era grande a expectativa para a convocação de Beto Macarrão, a contaração que será a grande revelação do América de Natal para a Série D de 2017. É uma pena!

Ricardo Teixeira, admite em audiências a juízes suíços a existência de pagamentos de propinas na Fifa

JAMIL CHADE – O Estado de S.Paulo

GENEBRA – A TV pública britânica BBC leva ao ar nesta segunda-feira reportagem em que revela que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, admite em audiências a juízes suíços a existência de pagamentos de propinas na Fifa e diz ainda ter fechado acordo para barrar a publicação dessas informações pelo tribunal da cidade de Zug, na Suíça, no caso da ISL.

O programa vai mostrar que o acordo passou também pelo ex-presidente da Fifa, o brasileiro João Havelange, diante de procuradores que investigavam suspeitas de pagamento de US$ 100 milhões (cerca de R$ 162 milhões) em propinas na entidade.

Segundo a BBC, tanto Teixeira como Havelange fecharam acordo com o presidente da Fifa, Joseph Blatter. O conteúdo do programa vazou neste domingo na imprensa norueguesa.

A investigação foi feita pelo repórter britânico Andrew Jennings, banido da Fifa e autor de livros sobre os bastidores da entidade. Entre 1989 e 1999, a empresa de marketing ISL foi a responsável pela venda dos direitos de TV das Copas, maior fonte de renda da Fifa.

No início da década, a ISL quebrou e quase levou consigo a Fifa. Um processo foi aberto e se constatou no ano passado que o pagamento de propinas ocorreu dentro da entidade e que a ISL servia como empresa laranja para impedir que o pagamento da corrupção fosse revelado.

Apesar da comprovação das propinas, os bastidores do processo, depoimentos e culpados foram mantidos em sigilo. Isso porque as partes envolvidas chegaram a um acordo: multa de US$ 5,5 milhões (aproximadamente R$ 8,9 milhões) foi paga como punição. Pela lei suíça, quando há um acordo, os detalhes do processo são mantidos em sigilo.

(mais…)

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Augusto disse:

    Flamengo e Grêmio que, curiosamente, no começo dos anos 2000, fizeram "parcerias" com a ISL