Pesquisadores da UFRN descobrem nova espécie de raia em águas brasileiras

Foto: Reprodução

Cientistas do Departamento de Botânica e Zoologia da UFRN encontram uma nova espécie de raia em águas brasileiras, a Hypanus berthalutzea. A descoberta foi descrita no artigo Taxonomia integrativa identifica uma nova espécie de raia do gênero Hypanus Rafinesque, 1818 (Dasyatidae, Myliobatiformes) do Atlântico Sudoeste Tropical, publicado no periódico de Biodiversidade Journal of Fish Biology.

Segundo o professor Sérgio Lima, do Laboratório de Ictiologia Sistemática e Evolutiva do Departamento de Botânica e Zoologia, descobertas de novas espécies podem acontecer ao se encontrar uma forma inédita, ainda não catalogada, ou quando elas eram identificadas erroneamente como outra, caso deste trabalho.

“Este estudo mostrou que as raias-prego do Brasil são, na verdade, mais aparentadas com as da África e apresentam diferenças genéticas, morfológicas e ecológicas suficientes da Hypanus americana para justificar a denominação de uma nova espécie”, explica o professor Sérgio, um dos autores do artigo.

A descoberta começou em 2016, na pesquisa de doutorado da primeira autora do estudo, Flávia Petean, do Programa de Pós-Graduação de Sistemática e Evolução da UFRN. Então iniciou-se a coleta de tecidos para análises genéticas, visitas a museus para analisar exemplares fixados e estudos estatísticos de adequabilidade ambiental.

Todas as espécies do gênero Hypanus, distribuídas tanto na costa Atlântica quanto Pacífica das Américas, assim como uma espécie na costa Atlântica da África, foram estudadas. A comparação da morfologia e do DNA dessas raias possibilitou delimitar e identificar a Hypanus berthalutzae.

Hypanus berthalutzae

i algumas diferenças no clásper, órgão intromitente que os machos usam para a reprodução.

É uma espécie endêmica do Brasil e ocorre desde a foz do Rio Amazonas até o Sudeste da costa brasileira, além de algumas ilhas e arquipélagos próximos à costa como Parcel de Manuel Luís, Atol das Rocas e Fernando de Noronha, preferindo ambientes rasos e com alta salinidade. Recém descrita, ainda faltam, de acordo com a Flávia Petean, referências quanto ao estado de conservação da Hypanus berthalutzae.

“Esperamos fornecer informações suficientes para que ela seja avaliada em breve, assim como a maioria das raias desse gênero, que possuem dados insuficientes para a avaliação até o momento. O resultado dessa ausência de dados é que não há planos de manejo direcionados a essas raias e elas podem estar ameaçadas sem que saibamos”, alerta a pesquisadora.

Homenagem

Em seu nome, a nova espécie de raia traz uma homenagem à pesquisadora Bertha Lutz. Bióloga que trabalhava com anfíbios, Bertha foi uma das primeiras cientistas a ser aprovada em um concurso público no país, com importante atuação no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e uma voz ativa na luta pelos direitos das mulheres, especialmente por meio da educação.

“Quando percebemos que iríamos descrever uma nova espécie e escolhermos um nome, não tive dúvidas de que queria homenagear alguma mulher. Bertha Lutz foi quem iniciou o movimento sufragista no Brasil e, se hoje as mulheres podem votar aqui, devemos a ela. Por isso, resolvemos imortalizar seu nome em uma raia para que ela fique conhecida não apenas entre brasileiras e brasileiros, mas também internacionalmente entre cientistas”, conta Flávia Petean.

Também assina o artigo o pesquisador estadunidense Gavin Naylor, da Universidade da Flórida.

UFRN

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Universidade Federal Do Açoite disse:

    A boiada não tem capacidade de entrar na Federal (nunca tiveram né?!), aí ficam falando mal dos alunos, professores, etc…
    Acho que deve ser por causa do calor e essa argola que fica na venta, deve doer.

  2. Gustavo disse:

    "Estadunidense"….

    Ah, UFRN!…

  3. Lula encantador de otário disse:

    Isso vai ser primeira pra tomar minha Ypioca, com os cumpanheiru doidêra lá do campus, parabéns meu povo, eu levo o côco pra fazer um caldinho🍜 de arraia. 👍🍻

SUPER-HABITÁVEIS: Cientistas descobrem 24 planetas que podem ser melhores do que a Terra

Foto: Ilutrativa/Pixabay

Abrigando incontáveis formas de vida, a Terra, ao que parece, pode não ser exatamente o melhor lugar do Universo para manter seus residentes. Cientistas da Universidade do Estado de Washington, nos Estados Unidos, identificaram 24 planetas fora da Via Láctea que podem conter elementos mais atrativos que os de nosso lar. Alguns deles, inclusive, orbitam estrelas melhores que o Sol.

Sendo exemplares mais velhos, maiores, um pouco mais quentes e até mais úmidos. Aparentemente, até organismos se desenvolveriam neles com mais facilidade, e suas estrelas teriam longevidade maior do que a da nossa. Todos se encontram a uma distância superior a 100 anos-luz daqui. Ainda assim, Dirk Schulze-Makuch, líder do estudo, disse que a descoberta pode ajudar a concentrar observações futuras e auxiliar na procura por outras “casas” potenciais.

“Com os próximos telescópios espaciais chegando, teremos mais informações. Por isso, é importante selecionar alguns alvos. Temos que nos concentrar em certos planetas que têm as condições mais promissoras para a vida complexa. No entanto, temos que ter cuidado para não ficarmos presos à procura de uma segunda Terra, porque pode haver planetas que podem ser mais adequados à vida do que o nosso”, explicou o pesquisador ao Phys.org.

Para a análise, Schulze-Makuch, geobiólogo com experiência em habitabilidade planetária, juntou-se a dois colegas para identificar critérios da chamada super-habitabilidade, os astrônomos Rene Heller (do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar, na Alemanha), e Edward Guinan (da Universidade Villanova, nos EUA). Aí, selecionaram bons candidatos entre os 4,5 mil exoplanetas conhecidos além do nosso Sistema Solar.

Habitabilidade: nota… 4!

Depois de formarem uma lista, os responsáveis pela análise levaram em consideração o fato de que as estrelas em torno das quais os astros orbitam devem ter combustível suficiente para permanecerem ativas até a vida complexa florescer (pelo menos 4 bilhões de anos e, claro, mais do que os 10 bilhões de anos do nosso Sol) e que os planetas proporcionem tempo o bastante para o avanço da evolução – além de que não sejam velhos a ponto de esgotar seu calor geotérmico ou de perder campos geomagnéticos de proteção. O ponto ideal é que tenham entre 5 bilhões e 8 bilhões de anos.

O tamanho (10% maior do que o do “planeta azul”) e a massa (1,5 vez maior que a daqui para reter aquecimento interno e manter a gravidade da atmosfera) não ficaram de fora, assim como a presença de água, se possível, em temperaturas na superfície de 5 graus Celsius maiores que as daqui. Um pouco mais de calor é melhor, pois auxilia na biodiversidade.

Infelizmente, nenhum dos 24 atingiu todos os critérios, mas ao menos 1 tem 4 características que o tornariam mais convidativo que a Terra. “Às vezes é difícil transmitir esse princípio de planetas super-habitáveis porque pensamos que temos o melhor planeta”, apontou Schulze-Makuch.

“Temos muitas formas de vida complexas e diversas. Muitas que podem sobreviver em ambientes extremos. É bom ter uma vida adaptável, mas isso não significa que temos o melhor de tudo”, ele afirmou.

Lembrando que habitabilidade não significa que esses planetas carreguem, necessariamente, vida. Portanto fica o mistério: temos vizinhos espaciais ou não?

Via Tecmundo e Galileu

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. José Macedo disse:

    Se a nossa terra ainda tem mistérios imagina se tem condições de saber se o planeta é habitável a 100 anos luz, esses caras fumaram muito para essa viagem.kkkkkkkk

  2. Bigor disse:

    Trump para presidente

  3. El Potiguar disse:

    Devem ser melhores mesmo, não há humanos….

Estudantes indianas de 14 anos descobrem asteroide em direção à Terra

Foto: Pixabay

Duas adolescentes da Índia descobriram um asteroide cuja órbita deve cruzar a da Terra analisando imagens de um telescópio da Universidade do Havaí, nos EUA, disse um instituto de educação espacial indiano na segunda-feira (27).

Atualmente, o asteroide está perto de Marte e sua órbita deve cruzar a da Terra em cerca de um milhão de anos, disse o SPACE India, instituto particular onde as duas meninas de 14 anos receberam treinamento.

“Anseio… por quando tivermos a chance de batizar o asteroide”, disse Vaidehi Vekariya, a qual acrescentou que quer ser astronauta.

Foto: Reprodução/Twitter – @Spacian

O asteroide, chamado atualmente de HLV2514, só pode ser batizado oficialmente depois que a Agência Aeroespacial dos Estados Unidos (Nasa) confirmar sua órbita, disse a porta-voz do Space India.

Radhika Lakhani, a outra estudante, disse que está estudando com afinco. “Nem tenho TV em casa para poder me concentrar nos estudos”.

Asteroides e cometas representam uma ameaça em potencial à Terra, e cientistas descobrem milhares deles todos os anos. Em 2013, um asteroide mais pesado do que a Torre Eiffel explodiu sobre o centro da Rússia, e sua onda de choque deixou mais de 1 mil feridos.

As duas meninas de Surat, cidade do oeste da Índia, descobriram o objeto durante uma campanha de busca de asteroides conduzida pelo SPACE India em parceria com a Colaboração Internacional de Busca Astronômica (Iasc), grupo de cientistas afiliado à Nasa.

O diretor do Iasc, J. Patrick Miller, confirmou a descoberta, de acordo com um email dele para as meninas visto pela Reuters.

Elas usaram um software especializado para analisar as imagens captadas pelo telescópio Pan-STARRS no Havaí e fizeram a descoberta em junho, disse o SPACE India.

Reuters

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. A limitação intelectual é uma coisa deprimente!
    Uma notícia brilhante como essa e os entendedores políticos vem meter essa baboseira no meio!
    "Vamos pedir piedade, Senhor piedade… pra essa gente…"

  2. Pedro disse:

    Lula do Seridó, com certeza do serido vc não é, o povo do Seridó é privilegiado por ter tido uma excelente educação, pelo menos dos pais. Lá, com certeza nove dedos não é bem vindo, terra de latifundiários, leite farto, carne de sol pura, manteiga da terra, queijo de coalho e manteiga de excelente qualidade e muito mais, acima de tudo vergonha e de não gostar de ladrões.

    • Lula do Seridó disse:

      Filho do Seridó, nascido e criado em Currais Novos, melhor cidade do Universo. Terra da melhor vaquejada, a mais linda festa de Santana, etc. Me desculpe Pedro, mas parece que quem não é daqui, é você!

    • Palmikto podre disse:

      Pois fique sabendo que Lula tem origens no Seridó . O pai dele era seridoense . Pergunte a quem conheça-me a história que conta bem direitinho .

  3. Lula do Seridó disse:

    Se esses estudantes quiserem, eu posso informar a coordenada geográfica do Palácio do Planalto… Com as coordenadas, o asteroide não erra o alvo.

  4. Alexandre Moura disse:

    Esse Asteroide chega e Fátima não paga esses atrasados e 13º!!
    Governo Vergonha!

    Álvaro Dias para Governador 2021!!!

Cientistas descobrem estrela que vai mudar a astronomia

FOTO: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)

Cientistas descobriram um objeto astronômico inédito nas pesquisas espaciais. Trata-se de uma ‘estrela de nêutrons negra’, que, até então, não se imaginava ser possível.

A descoberta vai gerar novas pesquisas sobre como as estrelas de nêutrons e os buracos negros se formam. A nova descoberta possui menos massa que os buracos negros.

A descoberta foi feita por uma equipe internacional de pesquisadores, usando detectores de ondas gravitacionais nos Estados Unidos e na Itália.

Charile Hoy, um dos pesqisadores da equipe, disse que a falta de informações sobre a estrela abre um novo leque de estudos. “Não podemos descartar nenhuma possibilidade. Nós não sabemos o que é [esse objeto] e é por isso que tudo é tão animador, porque isso realmente muda o nosso campo de estudo”, disse, em entrevista à BBC.

Os pesquisadores dizem acreditar que, entre todas as possibilidades, o objeto provavelmente seja um buraco negro leve, mas eles não estão descartando nenhuma hipótese.

Último Segundo – IG

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Deco disse:

    Vice!!!
    Será que esse gafanhotos tão vindo de lá, heim?

Cientistas descobrem método para tratar síndrome do X frágil, principal causa hereditária de autismo e deficiências cognitivas; entenda

Cientistas descobrem método para tratar síndrome do X frágil (Foto: Unsplash)

Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, identificaram uma potencial estratégia para tratar a síndrome do X frágil, distúrbio que é a principal causa hereditária de deficiência cognitiva e autismo. Em um estudo com ratos, os pesquisadores mostraram que inibir uma enzima chamada GSK3 alfa reverte muitas das características comportamentais e celulares da condição.

A síndrome do X frágil afeta cerca de um a cada 2500 a 4 mil meninos e uma a cada 7 mil a 8 mil meninas. Ela tem origem em uma mutação genética da proteína FMRP (Fragile X Mental Retardation Protein, em inglês). Essa molécula, por sua vez, é essencial para o desenvolvimento das conexões entre as células nervosas e a maturação das sinapses no nosso cérebro. Isso pode levar a deficiências intelectuais, e os sintomas incluem epilepsia, déficit de atenção e hiperatividade, hipersensibilidade ao ruído e à luz e comportamentos associados ao autismo.

A equipe do MIT estuda a síndrome há cerca de duas décadas e eles já haviam identificado que a síntese proteica nas sinapses é estimulada por um receptor de neurotransmissor chamado receptor metabotrópico de glutamato 5 (mGluR5) — e é a FMRP que normalmente regula essa síntese proteica. Logo, quando essa proteína é alterada ou não existe, esse processo se torna hiperativo, o que pode explicar muitos dos sintomas variados observados em quem tem a síndrome do X frágil

Em estudos realizados com roedores, os cientistas observaram que compostos que inibem o receptor mGluR5 poderiam reverter a maioria dos sintomas. Contudo, nenhuma das substâncias testadas para isso tinha funcionado — até agora. De acordo com os especialistas, alguns estudos sugeriram que a enzima GSK3 (existente nas versões alfa e beta) também era hiperativa em roedores com a síndrome do X frágil, mas essa atividade poderia ser reduzida usando lítio. Só que tem um problema: a dosagem necessária da substância causa efeitos colaterais sérios.

Então, empresas farmacêuticas desenvolveram outros medicamentos de moléculas que inibem a GSK3. Contudo, essas desencadearam o acúmulo de uma proteína chamada beta-catenina, que pode levar à proliferação de células cancerígenas.

“Foram publicados estudos mostrando que, se você eliminar seletivamente a [GSK3] alfa ou a beta, não há o acúmulo de beta-catenina”, disse Florence Wagner, uma das pesquisadoras, em declaração à imprensa. “Os inibidores da GSK3 já haviam sido testados em modelos de X frágil antes, mas nunca foram a lugar algum por causa do problema de toxicidade.”

O estudo do MIT

Levando tudo isso em consideração, a equipe do MIT realizou uma triagem de mais de 400 mil compostos de drogas e identificou algumas substâncias capazes de inibir ambas as formas de GSK3. Ao alterar levemente suas estruturas, os cientistas criaram versões que podiam segmentar seletivamente as formas alfa ou beta.

No laboratório, os especialistas testaram os inibidores seletivos em camundongos geneticamente modificados que não possuem a proteína FMRP e descobriram que o inibidor específico da GSK3 alfa elimina as convulsões induzidas por sons altos, um dos sintomas comuns do X frágil. Além disso, os pesquisadores descobriram que a substância reverteu vários outros, como a superprodução de proteínas, a plasticidade sináptica alterada, o comprometimento de alguns tipos de aprendizado e memória, além da hiperexcitabilidade de alguns neurônios.

Segundo os cientistas, os testes iniciais em camundongos sugerem que os inibidores da GSK3 alfa não apresentam algumas das complicações que podem ter causado os problemas observados durante os ensaios clínicos com inibidores do mGluR5. “Não sabemos se os ensaios com mGluR falharam devido à resistência ao tratamento, mas é uma hipótese viável”, afirmou Mark Bear, coautor do estudo. “O que sabemos é que com o inibidor alfa GSK3, não vemos isso em camundongos, na medida em que analisamos.”

A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira (20) no Science Translational Medicine e seus autores pretendem iniciar testes em humanos assim que possível. “É realmente incrível que, se você puder corrigir a síntese proteica em excesso com um composto de drogas, uma dúzia de outros fenótipos serão corrigidos”, disse Bear.

Galileu

Cientistas descobrem anticorpo totalmente humano que bloqueia infecção por novo coronavírus Sars-CoV-2

Cientistas encontram anticorpo que bloqueia infecção de Sars-CoV-2 nas células. Acima: os receptores do anticorpo estudado em culturas celulares de Sars-CoV, Sars-CoV-2 e Mers (Foto: Nature Communications)

Pesquisadores da Universidade de Utrecht, do Erasmus Medical Center e do Harbor BioMed identificaram um anticorpo totalmente humano que impede o novo coronavírus Sars-CoV-2 de infectar células em culturas cultivadas. A descoberta foi publicada na Nature Communications nesta segunda-feira (4) e pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos para a Covid-19.

Segundo os pesquisadores, o estudo focou em anticorpos conhecidos por combaterem o Sars-CoV, causador da Sars, que surgiu na China em 2002. Eles identificaram que um desses anticorpos também é capaz de neutralizar a infecção por Sars-CoV-2, causador da Covid-19, em culturas celulares.

“Esse anticorpo neutralizante tem potencial para alterar o curso da infecção no hospedeiro infectado, apoiar a eliminação do vírus ou proteger um indivíduo não infectado que é exposto ao vírus”, afirmou Berend-Jan Bosch, líder da pesquisa, em comunicado.

Bosch observou que o anticorpo se liga a uma propriedade existente tanto no Sars-CoV quanto no Sars-CoV-2, o que explica sua capacidade de neutralizar os dois microrganismos. “Esse recurso de neutralização cruzada do anticorpo é muito interessante e sugere que ele pode ter potencial na mitigação de doenças causadas por coronavírus — potencialmente emergentes no futuro”, disse Bosch.

A equipe ressalta que muito trabalho ainda é necessário para avaliar se esse anticorpo pode proteger ou reduzir a gravidade da Covid-19 em humanos. Ainda assim, os pesquisadores esperam desenvolver o anticorpo e, se possível, viabilizar um tratamento para a infecção causada pelo novo coronavírus. “Acreditamos que nossa tecnologia pode contribuir para atender a essa necessidade de saúde pública mais urgente e estamos buscando várias outras vias de pesquisa”, comentou Jingsong Wang, um dos especialistas.

Galileu

 

Pesquisadores da UFRN descobrem que tamanho sugere sexo das flores

Foto: Cícero Oliveira

Flores maiores são mais masculinas, enquanto flores menores são mais femininas, diz um novo estudo evolutivo desenvolvido por uma equipe multinacional liderada pelo professor Carlos Roberto Fonseca e o pós-doc Gustavo Brant Paterno, do Departamento de Ecologia do Centro de Biociências (CB) da UFRN. Os resultados, obtidos a partir de coleta de centenas de espécies de plantas de vários continentes, sugerem que flores maiores são produtos custosos de uma intensa competição entre machos, mecanismo de seleção sexual originalmente proposto pelo evolucionista Charles Darwin. A pesquisa será publicada online até o dia 27 deste mês na conceituada revista americana Proceedings of the National Academy of Science USA (PNAS).

No artigo A masculinidade das maiores flores em angiospermas, demonstraram que flores maiores investem uma percentagem maior da sua biomassa em órgãos masculinos e em pétalas, para produzir mais pólens e atrair polinizadores que irão transportá-los para fertilizar plantas vizinhas. Em contraste, flores menores investem relativamente mais biomassa em órgãos femininos e em sépalas, para produção e proteção dos óvulos, apostando nas suas próprias sementes para assegurar seu sucesso reprodutivo.

Carlos Roberto Fonseca, pesquisador da UFRN. Foto: Arquivo pessoal

“Nossos resultados sugerem que, em espécies de flores maiores, existe uma batalha mais forte entre as plantas por seus polinizadores. Aquelas que exportam mais pólens com sucesso, ganham! Um típico processo de competição entre machos” disse Carlos Roberto Fonseca, o pesquisador sênior que concebeu o estudo. “Para ganhar, algumas plantas pagam um alto custo, produzindo pétalas enormes e néctar custosos para atrair polinizadores com alta demanda energética, como aves e morcegos. Funciona exatamente como os chifres custosos dos veados na sua batalha por sucesso reprodutivo”, completou.

Para generalizar suas conclusões, os pesquisadores coletaram flores de tamanhos e formas distintas, de diferentes linhagens evolutivas, em vários ambientes, de desertos a florestas tropicais. “O estudo revela um padrão claro diante da grande variação de estratégias sexuais das plantas que existe na natureza. É incrível, flores de todos os tipos e lugares, tamanhos e cores, seguem o mesmo padrão” disse Gustavo Brant Paterno, que liderou a maioria da coleta de dados e análises durante seu doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFRN. “Quando padrões similares emergiram de plantas coletadas na América do Sul, América do Norte, Europa e Austrália, nós ficamos confiantes de estar olhando para um novo e robusto padrão evolutivo” disse Johannes Kollmann (Universidade Tecnológica de Munique, Alemanha).

O pesquisador Mark Westoby (Macquarie University, Austrália), que durante sua carreira vem procurando características vegetais adaptativas chaves, disse que “biomassa floral representa uma espinha dorsal previsível por trás da incrível variação no tamanho, estrutura, forma, cor e estratégia sexual das flores das angiospermas”. Apesar da relevância desta característica, o artigo ressalta que “biomassa floral é pobremente representada na maioria dos bancos de dados, talvez devido a longa tradição da botânica de descrever estruturas florais através de contagens e medidas de dimensões lineares.”

“O próximo passo, agora, é investigar as causas evolutivas por trás desta grande variação da intensidade da competição entre machos entre as diferentes espécies de plantas” completou Fonseca.

* Informações do Professor Carlos Roberto Fonseca
UFRN

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Hipocrates Viana disse:

    Minha nossa! Que reportagem oportuna para o momento que passamos. Quero parabenizar os ilustres pesquisadores OCIOSOS da Ufrn e a vc BG por ter dado esse furo de reportagem.

Coronavírus – (IMPORTANTE): cientistas descobrem como o corpo combate a covid-19

Cientistas australianos disseram ter identificado pela primeira vez como o sistema imunológico combate a infecção pelo novo coronavírus, causador da doença covid-19.

A pesquisa, publicada na revista médica Nature Medicine, mostra que as pessoas estão se recuperando da infecção pelo novo coronavírus da mesma maneira como elas se recuperam de uma gripe.

Segundo os especialistas, determinar quais células do sistema imunológico atuam no combate ao vírus poderá ajudar no desenvolvimento de uma vacina.

Globalmente, as autoridades já confirmaram mais de 170 mil casos de infecção pelo coronavírus e mais de 7 mil mortes. Cerca de 80 mil infectados já se recuperaram.

‘Esta descoberta é importante porque é a primeira vez que estamos realmente entendendo como nosso sistema imunológico combate o novo coronavírus”, disse Katherine Kedzierska, co-autora do estudo.

Outros especialistas afirmaram que a pesquisa do Instituto Peter Doherty para Infecção e Imunidade, de Melbourne, é “um grande avanço”.

O que foi descoberto?

Muitas pessoas já se recuperaram da covid-19, o que demonstra que o sistema imunológico consegue combater efetivamente o vírus, já que não existe hoje um tratamento que ofereça a cura da doença.

Os pesquisadores australianos identificaram quatro tipos de células do sistema imunológico que combatem o novo coronavírus.

Elas foram observadas com o acompanhamento de uma paciente que teve sintomas entre leves e moderados e não tinha nenhum problema prévio de saúde.

A mulher de 47 anos de Wuhan, na China, foi internada em um hospital na Austrália e se recuperou em 14 dias.

Kedzierska disse à BBC que a equipe dela havia examinado “a totalidade da resposta imunológica” da paciente.

Três dias antes da mulher começar a melhorar, células específicas foram identificadas em sua corrente sanguínea.

Em pacientes com influenza (gripe comum), as mesmas células também aparecem no mesmo estágio da recuperação, segundo Kedzierska.

“Nós ficamos muito animados com nossos resultados — e com o fato de que nós podemos realmente registrar o aparecimento das células imunológicas no paciente infectado antes da melhora clínica”, disse ela à BBC.

Mais de uma dezena de pesquisadores trabalharam em tempo integral por quatro semanas para realizar as análises, segundo ela.

Como isso vai ajudar?

Segundo Bruce Thompson, professor decano de ciências médicas da Universidade de Tecnologia Swinburne, em Melbourne, o entendimento sobre quando as células imunológicas começam a atuar pode “prever o ciclo do vírus”.

“Quando você sabe quando as várias respostas do corpo acontecem, você pode prever onde está no processo de recuperação”, disse Thompson à BBC News.

O ministro da Saúde da Austrália, Greg Hunt, disse que a descoberta poderia também ajudar a acelerar a produção de uma vacina e de potenciais tratamentos para pacientes infectados.

Kedzierska diz que o próximo passo para os cientistas é determinar por que a resposta imunológica é mais fraca nos casos mais graves.

“É realmente essencial entender o que falta ou o que é diferente nos pacientes que morreram ou que tiveram doenças mais graves — para podermos entender como protegê-los”, disse.

Em janeiro, o instituto se tornou o primeiro no mundo a recriar o vírus fora da China.

Desde então, o centro recebeu fundos adicionais do governo australiano e doações de empresas e do bilionário chinês Jack Ma.

Época, com BBC

 

Cientistas chineses descobrem 2 tipos principais do novo coronavírus; um deles, de fácil transmissão

Uma equipe de cientistas chineses informou que descobriu dois principais tipos do novo coronavírus, sendo que um deles é de mais fácil de transmissão.

A imprensa chinesa disse que a equipe publicou os resultados da pesquisa na revista National Science Review, na última terça-feira (3).

A equipe informou que analisou os genes de 103 amostras do vírus e que, com exceção de duas das amostras, todas poderiam ser classificadas como de tipo L e S.

Os cientistas disseram ainda que o tipo L é mais agressivo do que o tipo S, representando 70% das amostras.

Os pesquisadores afirmaram que o tipo S é considerado mais velho do que o tipo L, e que as características do gene são próximas das do vírus identificado como proveniente de morcegos.

A equipe disse à imprensa local que ainda não sabe como o tipo L se desenvolveu a partir do tipo S e qual dos dois seria mais tóxico.

Eles lembraram que a maioria dos pacientes foi infectada com uma das duas variantes. Acrescentaram, porém, que duas pessoas, incluindo um paciente americano que viajou a Wuhan, cidade chinesa, poderá ter sido infectado com as duas variantes.

Época

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. manezinho disse:

    Esse virus tipo L so pode ser coisa de petista pelo simbolo. é o mais perigoso, se alastrou destruindo e contaminando. So pra nao deixar esquecido o criminoso que anda solto pela Europa passeando as nossas custas e falando besteira por onde anda.

Cientistas descobrem vírus misterioso no Brasil

Foto: Reprodução

Cientistas identificaram um novo e enigmático vírus cujo genoma parece ser totalmente novo para a ciência, possuindo genes desconhecidos. O Yaravírus, como foi chamado, foi encontrado no Lago da Pampulha, em Belo Horizonte. A equipe de pesquisa afirma que se trata de “uma nova linhagem de vírus amebal com origem e filogenia intrigantes”.

Para dois membros do grupo, Bernard La Scola, da Universidade Aix-Marselha, na França, e Jonatas Abrahão, da Universidade Federal de Minas Gerais, esta não foi a primeira descoberta do tipo. Há dois anos, a dupla ajudou a encontrar outra espécie viral que habita a água, o Tupanvírus.

Essas formas virais muito maiores foram descobertas apenas neste século, mas também por conta dos genomas mais complexos, dando a eles a capacidade de sintetizar proteínas e, portanto, executar coisas como reparo do DNA, além de replicação, transcrição e tradução de DNA. Antes dessas descobertas, pensava-se que coisas assim não eram possíveis, fazendo com que os vírus fossem considerados criaturas inertes e não-vivas, capazes apenas de infectar seus hospedeiros.

O grande diferencial do Yaravírus, porém, é o quão único é seu genoma. “Muitos dos vírus conhecidos da ameba compartilham muitos recursos que eventualmente levaram autores a classificá-los em grupos evolutivos comuns”, escreveram os pesquisadores. “Ao contrário do que é observado em outros vírus de ameba, o Yaravírus não é formado por uma partícula grande com genoma complexo, mas, ao mesmo tempo, carrega um número importante de genes anteriormente não descritos”, acrescentaram.

Durante as investigações, os pesquisadores descobriram que mais de 90% dos genes do vírus nunca haviam sido descritos antes. Apenas seis genes encontrados apresentavam uma semelhança distante com algum já documentado em bancos de dados científicos públicos. “Seguindo os atuais protocolos metagenômicos para detecção viral, o Yaravírus nem seria reconhecido como um agente viral”, afirmaram os pesquisadores.

Quanto ao que é o Yaravírus, os cientistas só podem especular por enquanto, mas sugerem que pode ser o primeiro caso isolado de um grupo desconhecido de vírus amebal. Outra possibilidade é que se trata de um vírus gigante que de alguma forma pode ter evoluído para uma forma reduzida. De qualquer forma, está claro que ainda há muito a aprender sobre os genomas do planeta.

Via: Science Alert

MÉTODO COM “ENORME POTENCIAL”: Cientistas descobrem célula que poderá tratar todos os tipos de câncer

Uma equipe de cientistas da Universidade de Cardiff, no País de Gales, desenvolveu um método em laboratório que destrói o câncer de próstata, mama, pulmão e outros tipos.

Os achados, divulgados na publicação científica Nature Immunology, ainda não foram testados em pacientes, mas têm um “enorme potencial”, afirmam os pesquisadores.

Para especialistas que não participaram da pesquisa, ainda que o trabalho esteja num estágio inicial, ele é bastante promissor.

O que eles descobriram?

Nosso sistema imunológico é a defesa natural do corpo contra infecções, mas ele também ataca células cancerosas.

A equipe da Universidade de Cardiff estava em busca de maneiras novas e “não convencionais” de fazer com que o sistema imunológico atacasse naturalmente tumores.

Eles encontraram uma célula-T (ou linfócito T) com um novo tipo de “receptor” que identifica e ataca células cancerosas, ignorando as saudáveis.

A diferença nesta célula imunológica é que ela pode escanear o corpo em busca de ameaças que devem ser eliminadas e atacar uma ampla variedade de cânceres.

“Há uma possibilidade de que ele possa tratar todos os pacientes”, afirmou o professor Andrew Sewell à BBC. “Antes ninguém acreditava que isso fosse possível.”

Como ela funciona?

As células T têm “receptores” na superfície que permitem a elas “enxergar” em um nível químico.

Os pesquisadores da Universidade de Cardiff descobriram que a célula T e seu receptor podem encontrar e destruir uma gama de células cancerosas no pulmão, na pele, no sangue, no cólon, na mama, nos ossos, na próstata, no ovário, no rim e na coluna cervical.

E fazem isso deixando intocados os tecidos “normais”.

O modo exato como que isso acontece ainda está sendo pesquisado.

Esse receptor da célula T em particular interage com uma molécula chamada MR1, presente na superfície de todas as células do corpo humano.

Acredita-se que a MR1 seja a responsável por sinalizar ao sistema imunológico o metabolismo disfuncional em curso dentro de uma célula cancerosa.

“Somos os primeiros a descrever a célula T que encontra o MR1 nas células cancerosas — isso não tinha sido feito antes, foi a primeira vez”, disse à BBC o pesquisador Garry Dolton.

Por que essa descoberta é relevante?

Terapias com células T já existem e o desenvolvimento de imunoterapias contra o câncer tem sido um dos avanços mais empolgantes nesse campo.

O mais famoso exemplo é o chamado CAR-T, uma droga viva produzida por meio de engenharia genética em células T para procurarem e destruírem o câncer.

O CAR-T pode trazer resultados incríveis que levam alguns pacientes do estágio de doença terminal para a completa remissão.

Essa abordagem é, no entanto, extremamente específica e funciona com apenas um número limitado de cânceres onde há um alvo claro para treinar a “mira” das células T.

E também enfrenta dificuldades em combater “cânceres sólidos” — aqueles que formam tumores em vez de sangue canceroso como a leucemia.

Já os pesquisadores da Universidade de Cardiff afirmam que o receptor da célula T pode levar a um tratamento de câncer “universal”.

Mas como isso funciona na prática?

A ideia é extrair uma amostra de sangue do paciente em tratamento contra o câncer.

As células T seriam extraídas e modificadas geneticamente a fim de reprogramá-las para constituir o receptor que encontra o câncer.

Essas células aperfeiçoadas seriam cultivadas em largas quantidades em laboratório e depois reinseridas no paciente. É o mesmo processo usado na terapia CAR-T.

No entanto, essa pesquisa da Universidade de Cardiff foi testada apenas em animais e células em laboratório, e testes em humanos demandam mais etapas de segurança.

O que dizem outros especialistas?

Lucia Mori e Gennaro De Libero, da Universidade de Basileia, na Suíça, afirmam que essa pesquisa tem um “enorme potencial”, mas ainda é cedo para afirmar que ela poderia funcionar para todos os tipos de câncer.

“Estamos muito empolgados com as funções imunológicas dessa nova população de células T e o uso potencial do receptor na terapia de células tumorais”, dizem.

Daniel Davis, professor de imunologia da Universidade de Manchester, na Inglaterra, afirmou que “por ora, ainda é uma pesquisa em estágio bastante inicial e nem perto de se tornar um tratamento real para pacientes”.

“Mas não há dúvidas de que é uma descoberta bastante empolgante, tanto para o avanço do nosso conhecimento sobre o sistema imunológico quanto para o desenvolvimento de novos tratamentos.”

BBC

Japoneses descobrem traços de gigantesca queda de meteorito no Pacífico

Foto: Nature/Istock

Uma equipe japonesa de pesquisa encontrou rastros de uma gigantesca queda de meteorito ocorrida há 11 milhões de anos no Oceano Pacífico. A descoberta pode ajudar a explicar uma extinção em massa que ocorreu na mesma época.

A equipe, que inclui pesquisadores da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha e da Terra, já vinha observando o leito marinho ao largo da ilha de Minamitorishima em busca de recursos minerais.

Irídio, platina e outros elementos foram encontrados em níveis dezenas de vezes maiores que o normal, indicando um possível impacto de meteorito.

Quinze por cento das espécies da terra, principalmente mamíferos, foram extintos em circunstâncias até hoje misteriosas há 11,6 milhões de anos.

A equipe de pesquisa disse que é muito provável que o impacto de um meteorito de vários quilômetros de largura tenha levado à extinção em massa.

Agência Brasil

Cientistas descobrem água pela primeira vez em planeta extrassolar habitável

Foto: M. KORNMESSER / AFP

Água foi descoberta pela primeira vez na atmosfera de um planeta extrassolar, ou seja que orbita uma estrela que não nosso Sol, com temperaturas semelhantes as da Terra que poderiam sustentar a vida como a conhecemos, segundo anunciaram cientistas na quarta-feira.

Duas vezes maior que a Terra e com oito vezes a sua massa, o K2-18b orbita na “zona habitável” de sua estrela à distância — nem muito longe nem muito perto — onde a água pode existir em forma líquida, disseram os cientistas à revista Nature Astronomy .

— Este planeta é o melhor candidato que temos fora do nosso sistema solar [na busca por sinais de vida] — disse a astrônoma da University College London e co-autora do estudo, Giovanna Tinetti. — Não podemos afirmar que haja oceanos na superfície, mas é uma possibilidade real.

Dos mais de 4.000 exoplanetas detectados até o momento, este é o primeiro conhecido a combinar uma superfície rochosa e uma atmosfera com água. A maioria dos exoplanetas com atmosferas são bolas gigantes de gás, e os poucos planetas rochosos parecem não ter atmosfera. Mesmo se tivessem, a maioria dos planetas semelhantes à Terra está muito longe de suas estrelas para ter água líquida ou tão próximo que a água teria evaporado.

Descoberto em 2015, o K2-18b é uma das centenas de chamadas “super-Terras” — planetas com até dez vezes a massa da nossa — detectada pela sonda Kepler da NASA. Espera-se que missões espaciais futuras detectem mais centenas nas próximas décadas.

Condições

— Encontrar água em um mundo potencialmente habitável que não seja a Terra é incrivelmente emocionante — disse o principal autor da pesquisa, Angelos Tsiaras, também da UCL.

Trabalhando com dados espectroscópicos (que medem a interação entre a radiação eletromagnética e a matéria) capturados em 2016 e 2017 pelo Telescópio Espacial Hubble, Tsiaras e sua equipe usaram algoritmos de código aberto para analisar a luz das estrelas filtrada na atmosfera do K2-18b. Eles encontraram a assinatura inconfundível de vapor de água.

Exatamente quanta água ainda é incerto, mas os modelos por computador sugerem concentrações entre 0,1% e 50%. Em comparação, a porcentagem de vapor de água na atmosfera da Terra varia entre 0,2% acima dos pólos e até 4% nos trópicos.

Também havia evidências de hidrogênio e hélio. Nitrogênio e metano também podem estar presentes, mas com a tecnologia atual não é possível detectar, disse o estudo.

Mais pesquisas serão capazes de determinar a extensão da cobertura de nuvens e a porcentagem de água na atmosfera.

A água é crucial na busca pela vida, em parte porque transporta oxigênio.

— A vida como conhecemos é baseada na água—, disse Tinetti.

Busca

K2-18b orbita uma estrela anã vermelha a cerca de 110 anos-luz de distância — um milhão de bilhões de quilômetros — na constelação de Leão da Via Láctea, e provavelmente é bombardeado por radiação mais destrutiva que a Terra.

— É provável que esta seja a primeira de muitas descobertas de planetas potencialmente habitáveis— disse o astrônomo da UCL Ingo Waldmann, também co-autor do estudo.

Segundo ele, isso não é apenas porque super-Terras como K2-18b são os planetas mais comuns em nossa galáxia, mas também porque anãs vermelhas — estrelas menores que o nosso Sol — são as estrelas mais comuns.

A nova geração de instrumentos de observação espacial, liderados pelo Telescópio Espacial James Webb e pela missão Ariel, da Agência Espacial Européia, será capaz de descrever as atmosferas de exoplanetas com muito mais detalhes.

Ariel, prevista para um lançamento em 2028, exibirá cerca de 1.000 planetas, uma amostra grande o suficiente para procurar padrões e identificar discrepâncias.

— Mais de 4.000 exoplanetas foram detectados, mas não sabemos muito sobre sua composição e natureza — disse Tinetti. — Observando uma grande amostra de planetas, esperamos revelar segredos sobre sua química, formação e evolução.

O Globo

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. hein? cuma? disse:

    Diz uma coisa… só eu que noto o desespero da comunidade científica em encontrar, a todo custo, uma "segunda terra"? Tem caroço nesse angu!

VÍDEO: Astrônomos descobrem planeta gigante com órbita jamais vista antes

Astrônomos descobriram um planeta bastante peculiar, como nenhum outro foi encontrado antes. Ele tem três vezes a massa de Júpiter e percorre um longo caminho oval em torno de sua estrela, mas o que é realmente estranho nele é a distância de sua órbita. Outros exoplanetas gigantes com órbitas bem elípticas já foram encontrados em outras ocasiões, mas nenhum deles estava tão distante de suas estrelas como este.

Sarah Blunt, estudante de pós-graduação da Caltech e principal autora do estudo publicado no The Astronomical Journal, disse que “outros planetas encontrados longe de suas estrelas tendem a ter excentricidades muito baixas”. Na astronomia, a excentricidade indica o quanto a órbita de um corpo é circular ou elíptica, e essa medida é feita em uma escala de 0 a 1. Uma excentricidade de 0,5 é uma órbita bem oval, por exemplo.

“O fato de que este planeta tem uma excentricidade tão alta”, continua Blunt, “nos diz algo sobre alguma diferença na forma como ele se formou ou evoluiu em relação ao outros planetas”.

Os dados usados para essa descoberta foram fornecidos pelos dois observatórios usados pelo California Planet Search (o Lick Observatory no norte da Califórnia e o W. M. Keck Observatory no Havaí) e pelo McDonald Observatory no Texas. Os astrônomos observam a estrela do sistema no qual este planeta se encontra, chamada HR 5183, desde os anos 1990. Não há dados sobre a órbita completa do planeta porque ele completa sua volta aproximadamente entre cada 45 a 100 anos.

“Este planeta passa a maior parte do tempo vagando na parte externa do sistema planetário nesta órbita altamente excêntrica, e depois começa a acelerar e faz um estilingue em torno de sua estrela”, explica Andrew W. Howard, professor de astronomia do Caltech. “Detectamos esse movimento do estilingue. Vimos o planeta entrar e agora está saindo. Isso cria uma assinatura tão distinta que podemos ter certeza de que este é um planeta real, mesmo que não tenhamos visto uma órbita completa”.

Mas por que essa órbita tão estranha?

Os planetas se formam a partir dos discos de poeira e gases que sobraram após a formação das estrelas. Esses discos são planos e percorrem harmoniosamente a órbita na estrela jovem, o que faz com que os planetas que ali surgem também tenham órbitas planas e circulares.

Mas eventualmente alguma coisa faz com que alguns planetas entrem em órbitas instáveis, desalinhadas, e, no caso do HR 5183 b, altamente excêntricas. Isso provavelmente foi causado por algum outro objeto que “chutou” o planeta de sua órbita.

Os pesquisadores sugerem que o HR 5183 b já teve um vizinho de tamanho semelhante. Quando os dois se aproximaram o suficiente, um empurrou o outro para fora do sistema estelar, forçando o HR 5183 b a uma órbita altamente elíptica. “Este outro planeta basicamente teria chegado como uma bola de demolição”, diz Howard, “arremessando qualquer coisa em seu caminho para fora do sistema”.

Fonte: Caltech

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Alfredo Almeida disse:

    Mentira. Aqui mesmo no Sistema Solar tem um planeta gigante, cuja órbita em torno do Sol leva milhares de anos. Por isso não é visto como os demais. E eles sabem disso há décadas. Pesquisem e encontrem as evidências! A busca da Verdade dá trabalho!

Astrônomos descobrem capacidade dos exoplanetas de sustentar vida até melhor do que a Terra

Foto: CC0 / skeeze / Exoplaneta

Os exoplanetas, ou seja, os planetas fora de nosso Sistema Solar, podem possuir vida abundante e ter melhores condições do que as existentes na Terra, revela uma nova pesquisa.

O descobrimento pode ajudar na busca de vida alienígena.

Os cientistas estão buscando oceanos nos exoplanetas que tenham “maior capacidade de sustentar vida abundante e ativa em geral”, disse Stephanie Olson, especialista em geofísica da Universidade de Chicago.

O grupo da investigadora usou um software especial da NASA para criar um modelo de um conjunto de exoplanetas. O objetivo era ver qual teria maior probabilidade de desenvolver e sustentar vida. Isso levou a uma conclusão surpreendente, pois revelou existirem “planetas com padrões de circulação oceânica favoráveis e que poderiam ser mais adequados para suportar vida mais abundante ou mais ativa do que a vida na Terra”, disse Stephanie Olson.

O novo estudo ajudará estender os parâmetros que atualmente estão sendo usados na busca de exoplanetas habitáveis. A pesquisa descobriu que atmosferas mais densas, rotações mais lentas e a presença de continentes originam maiores taxas de crescimento.

“Nem todos os oceanos são igualmente hospitaleiros […] e alguns oceanos serão melhores lugares para viver do que os outros devido aos seus padrões de circulação global”, explica Olson.

Os cientistas estimaram que mais de 35 por cento de todos os exoplanetas hoje conhecidos maiores que a Terra devem ser ricos em água e, por isso, há uma forte possibilidade de que a vida exista lá.

Sputnik Brasil

Astrônomos descobrem novo sistema estelar e um planeta que pode abrigar vida

Imagem: NASA/Goddard Space Flight Center/Chris Smith

Um novo sistema estelar foi encontrado por uma equipe internacional de astrônomos, liderada por cientistas espanhóis. Três planetas orbitam a estrela GJ 357, uma anã vermelha do tipo M, localizada a 31 anos-luz da Terra, e um deles talvez tenha água em estado líquido, o que significa a possibilidade de abrigar vida. A descoberta foi publicada na revista Astronomy & Astrophysics, dois dias após a Nature Astronomy trazer a notícia sobre outros três exoplanetas (planetas situados fora do Sistema Solar) que podem ser o “elo perdido” da formação planetária.

Tudo começou no dia 13 de abril, quando o telescópio espacial TESS, da NASA, apontou para a possibilidade de haver um planeta muito próximo da estrela GJ 357, que é menor e 40% mais fria que o Sol e está localizada na constelação de Hydra. Um enfraquecimento de luz da anã vermelha foi detectado, o que soou o alarme para a possibilidade de haver um planeta em trânsito por lá. Percebeu-se então se tratar de um mundo que completa sua volta em torno da estrela a cada quatro dias.

Então, a equipe de 70 astrônomos liderada por Rafael Luque, astrofísico cordovês que trabalha no Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC), procurou informações sobre essa estrela obtidas anteriormente com telescópios terrestres, incluindo o instrumento Carmenes, do Observatório Calar Alto, em Almería. Todos detectaram o “piscar” da GJ 357 a cada quatro dias, resultado da passagem de um planeta em sua frente Porém, os dados revelaram também algo novo: outros dois mundos que orbitam a mesma estrela.

O primeiro planeta, aquele detectado pelo TESS, orbita 11 vezes mais perto de sua estrela do que a distância entre Mercúrio e nosso Sol. Por isso, seu ano dura apenas quatro dias terrestres e sua temperatura de equilíbrio (calculada sem levar em consideração os efeitos de aquecimento resultantes das condições de uma possível atmosfera) é de 250 graus Celsius. Os pesquisadores o descrevem como uma “Terra quente” e, apesar de não poder abrigar vida, “é um dos melhores planetas rochosos que temos para medir a composição de qualquer atmosfera que possa possuir”, de acordo com o coautor Enric Pallé, astrofísico do IAC e supervisor de doutorado de Luque.

Por sua vez, o planeta intermediário tem uma massa pelo menos 3,4 vezes maior que a Terra e sua temperatura é de 127 graus Celsius. Ele orbita a estrela a cada 9,1 dias terrestres, mas o TESS não foi capaz de observar os trânsitos deste planeta, provavelmente porque sua órbita está levemente inclinada em relação à órbita da “Terra quente”.

Já o terceiro, o mais afastado, chama a atenção dos pesquisadores por se encontrar na zona habitável de sua estrela. Ele possui massa seis vezes maior que a da Terra e sua órbita é de 55 dos nossos dias. De acordo com Diana Kossakowski, do instituto Max Planck de Astronomia e coautora do estudo, “ele recebe aproximadamente a mesma quantidade de energia estelar de sua estrela que Marte recebe do Sol”. Se este planeta tiver “uma atmosfera densa, ele poderia reter calor suficiente para aquecê-lo e permitir a entrada de água líquida em sua superfície”, conclui.

“Se conseguirmos confirmar que ele tem atmosfera, estaremos diante do planeta [potencialmente] habitável mais próximo que transita em frente à sua estrela”, disse Enric Pallé. “O grande objetivo dos astrônomos é buscar, em uma atmosfera, o desequilíbrio químico e termodinâmico entre diferentes elementos que só pode ser explicado pela presença de vida, como acontece na Terra com as proporções de metano, oxigênio e água, e este planeta pode ser um candidato para fazer isso”, destaca o astrofísico. Se não houver uma atmosfera, o planeta teria uma temperatura de equilíbrio de -64 ° C, o que tornaria o planeta glacial.

Techtudo, via Aurek Alert, El País