Cientistas querem fotos do seu cocô – para ajudar pessoas “enfezadas”

Foto: (ivan101/iStock)

Talvez isso já tenha acontecido com você: um médico pediu foto das suas fezes. Pode parecer estranho na hora, mas pela cor, textura e formato das fezes os especialistas conseguem deduzir várias coisas sobre a saúde de alguém.

O cocô pode se dividir em sete categorias de acordo com sua consistência, identificadas na escala de fezes de Bristol, que podem informar você e seu médico se você está constipado, sem fibra, tendo um caso sério na hora da liberação, ou em algum lugar intermediário desse espectro.

Surfando nessa onda é que as empresas de saúde Seed e Augi, juntamente com o MIT, estão trabalhando para montar o primeiro banco de dados com imagens de cocô do mundo – que contará com pelo menos 100 mil fotos. E para que vai servir este peculiar objeto de estudo? Para ajudar milhares de pessoas que sofrem na hora de “liberar”.

Os pesquisadores começaram a reunir as fotos por meio de uma campanha chamada “Give a Shit”, ou “Se Importe”, um trocadilho com a expressão “don’t give a shit”, que significa “não se importar” em inglês.

Primeiro, uma equipe de médicos vai examinar cuidadosamente todas as imagens recebidas. Sim, sete gastroenterologistas farão isso, examinando as fezes de desconhecidos com olhar clínico. As informações fornecidas pelos médicos sobre seu cocô, então, ajudarão a treinar uma inteligência artificial. A ideia é que o algoritmo consiga virar craque em detectar problemas de intestino, e alcance um diagnóstico tão preciso quanto o dos médicos analisando as imagens.

Segundo os responsáveis pela ideia, o ato de oferecer as fezes para a ciência pode ajudar potencialmente 1 em cada 5 pessoas nos Estados Unidos que têm condições intestinais crônicas – como a Síndrome do Intestino Irritável. No Brasil, quase 30% da população tem prisão de ventre. O objetivo dos pesquisadores é justamente facilitar o diagnóstico desse casos: um paciente “enfezado” não precisará mais ir ao médico só para saber o estado do seu cocô.

Usando as fotos enviadas, o grupo pretende criar um modelo que que possa usar a visão computacional para classificar automaticamente diferentes tipos de fezes, principalmente aquelas características de pessoas com problemas crônicos no intestino. Outro objetivo da campanha também é tornar o banco de dados com fotos de cocô uma ferramenta aberta para pesquisadores acadêmicos.

Para participar da campanha – e ter a foto do seu cocô gentilmente doada à ciência – é simples: basta acessar seed.com/poop no seu celular. Sabiamente, a marca concluiu que levar o laptop para o banheiro é estranho, então a página só permite que você envie uma foto usando o smartphone. Depois, é só e clicar no grande botão roxo que diz “#GIVEaSHIT”. Você será solicitado a inserir seu endereço de e-mail e informar se a sua rotina de defecagem acontece de manhã, a tarde ou a noite. Aí, se você já tiver “liberado”, é só fazer upload de sua foto; senão, dá para pedir que o site envie um lembrete por e-mail, de acordo com a sua rotina.

Para aqueles que gostaram da ideia mas estão receosos em expor seus retratos fecais, vale um adendo: depois de enviar sua foto para o banco de dados, a imagem é separada dos metadados (como seu endereço de e-mail e outras informações potencialmente identificáveis). Assim, sua participação segue anônima pelo resto do processo.

A ciência, e os enfezados, claro, agradecem.

Super Interessante

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Giba disse:

    Pronto…comece pela a do Bozo, pra ver o grau de inteligência dele também, kkkk

    • joaozinho disse:

      Petista detectado. Intolerancia é uma caracteristica de extrema esquerda, como da extrema direita. Nao é a toa que a Uniao Europeia associou a responsabilidade dos pares nazismo e comunismo nos crimes contra humanidade.

Cientistas descobrem água pela primeira vez em planeta extrassolar habitável

Foto: M. KORNMESSER / AFP

Água foi descoberta pela primeira vez na atmosfera de um planeta extrassolar, ou seja que orbita uma estrela que não nosso Sol, com temperaturas semelhantes as da Terra que poderiam sustentar a vida como a conhecemos, segundo anunciaram cientistas na quarta-feira.

Duas vezes maior que a Terra e com oito vezes a sua massa, o K2-18b orbita na “zona habitável” de sua estrela à distância — nem muito longe nem muito perto — onde a água pode existir em forma líquida, disseram os cientistas à revista Nature Astronomy .

— Este planeta é o melhor candidato que temos fora do nosso sistema solar [na busca por sinais de vida] — disse a astrônoma da University College London e co-autora do estudo, Giovanna Tinetti. — Não podemos afirmar que haja oceanos na superfície, mas é uma possibilidade real.

Dos mais de 4.000 exoplanetas detectados até o momento, este é o primeiro conhecido a combinar uma superfície rochosa e uma atmosfera com água. A maioria dos exoplanetas com atmosferas são bolas gigantes de gás, e os poucos planetas rochosos parecem não ter atmosfera. Mesmo se tivessem, a maioria dos planetas semelhantes à Terra está muito longe de suas estrelas para ter água líquida ou tão próximo que a água teria evaporado.

Descoberto em 2015, o K2-18b é uma das centenas de chamadas “super-Terras” — planetas com até dez vezes a massa da nossa — detectada pela sonda Kepler da NASA. Espera-se que missões espaciais futuras detectem mais centenas nas próximas décadas.

Condições

— Encontrar água em um mundo potencialmente habitável que não seja a Terra é incrivelmente emocionante — disse o principal autor da pesquisa, Angelos Tsiaras, também da UCL.

Trabalhando com dados espectroscópicos (que medem a interação entre a radiação eletromagnética e a matéria) capturados em 2016 e 2017 pelo Telescópio Espacial Hubble, Tsiaras e sua equipe usaram algoritmos de código aberto para analisar a luz das estrelas filtrada na atmosfera do K2-18b. Eles encontraram a assinatura inconfundível de vapor de água.

Exatamente quanta água ainda é incerto, mas os modelos por computador sugerem concentrações entre 0,1% e 50%. Em comparação, a porcentagem de vapor de água na atmosfera da Terra varia entre 0,2% acima dos pólos e até 4% nos trópicos.

Também havia evidências de hidrogênio e hélio. Nitrogênio e metano também podem estar presentes, mas com a tecnologia atual não é possível detectar, disse o estudo.

Mais pesquisas serão capazes de determinar a extensão da cobertura de nuvens e a porcentagem de água na atmosfera.

A água é crucial na busca pela vida, em parte porque transporta oxigênio.

— A vida como conhecemos é baseada na água—, disse Tinetti.

Busca

K2-18b orbita uma estrela anã vermelha a cerca de 110 anos-luz de distância — um milhão de bilhões de quilômetros — na constelação de Leão da Via Láctea, e provavelmente é bombardeado por radiação mais destrutiva que a Terra.

— É provável que esta seja a primeira de muitas descobertas de planetas potencialmente habitáveis— disse o astrônomo da UCL Ingo Waldmann, também co-autor do estudo.

Segundo ele, isso não é apenas porque super-Terras como K2-18b são os planetas mais comuns em nossa galáxia, mas também porque anãs vermelhas — estrelas menores que o nosso Sol — são as estrelas mais comuns.

A nova geração de instrumentos de observação espacial, liderados pelo Telescópio Espacial James Webb e pela missão Ariel, da Agência Espacial Européia, será capaz de descrever as atmosferas de exoplanetas com muito mais detalhes.

Ariel, prevista para um lançamento em 2028, exibirá cerca de 1.000 planetas, uma amostra grande o suficiente para procurar padrões e identificar discrepâncias.

— Mais de 4.000 exoplanetas foram detectados, mas não sabemos muito sobre sua composição e natureza — disse Tinetti. — Observando uma grande amostra de planetas, esperamos revelar segredos sobre sua química, formação e evolução.

O Globo

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. hein? cuma? disse:

    Diz uma coisa… só eu que noto o desespero da comunidade científica em encontrar, a todo custo, uma "segunda terra"? Tem caroço nesse angu!

Cientistas criam bafômetro capaz de identificar uso de maconha

(OpenRangeStock/Thinkstock)

Cientistas americanos desenvolveram um bafômetro capaz de identificar o consumo maconha. O dispositivo, que ainda é um protótipo e não tem previsão para ser utilizado nas ruas, foi produzido por uma equipe do departamento de química da Escola de Engenharia de Swanson, nos Estados Unidos.

O funcionamento do aparelho se dá pela medição da quantidade de tetrahidrocanabinol (THC), psicoativo da maconha, na respiração de quem bafora o aparelho. De acordo com Sean Hwang, autor do estudo, o desenvolvimento do dispositivo só foi possível graças a um novo semicondutor de nanotubo de carbono, tecnologia considerada promissora no meio científico.

“Ensinamos o bafômetro a reconhecer a presença do THC com base no tempo de recuperação das correntes elétricas, mesmo quando há a presença substâncias como o álcool”, afirmou o cientista ao site Phys.org. Para os pesquisadores, esse é o primeiro passo para criar um futuro em que as pessoas não fumem e dirijam.

O consumo de maconha medicinal ou recreativo da maconha é permitido em nove estados americanos além da capital Washington, como Califórnia, Nevada e Colorado.

Nestas quatro regiões, aliás, segundo dados do Instituto de Segurança Viária das Seguradoras dos Estados Unidos (IIHS), o número de acidentes de trânsito desde a legalização da droga aumentou 6% entre janeiro e 2012 e outubro de 2017.

Exame

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Marcelo disse:

    Reiosse, lascosse…

  2. Nica disse:

    Lei seca? Agora é a lei maresia kkkkk

  3. Delano disse:

    Kkkkkkk. Fudeu meio mundo.

Cientistas criam teste sanguíneo que prevê o risco de morte; apesar de assustador, pode ser útil para entender doenças e mudar hábitos antes que seja tarde

“Você tem grande risco de morrer daqui a 10 anos”: a frase parece até uma previsão de uma cartomante. Mas, não se engane — do ponto de vista da ciência, saber o risco de morte pode ser bem útil para entender doenças e mudar hábitos de vida antes que seja tarde. Em um novo estudo, cientistas alemães criaram um método inédito para estimar esse risco, que funciona por meio de um teste sanguíneo.

Os resultados do trabalhp foram publicados na Revista Nature pelos pesquisadores do Max Planck Institute, que analisaram 14 biomarcadores — que são indicadores de algum estado de doença. Desse modo, foi possível prever o risco de morte de 44 mil pessoas para os próximos dez anos.

Os participantes tinham idades entre os 18 até os 109 anos e viviam em diferentes países europeus. Eles foram acompanhados ao longo de 3 a 17 anos — tempo no qual aconteceram 5,5 mil mortes.

Ao longo dos anos, os pesquisadores passaram a estudar quais biomarcadores sanguíneos estavam ligados ao maior risco de morte. Entre as substâncias analisadas estavam vários aminoácidos (componentes que formam proteínas), nível de colesterol bom e ruim, ácido graxo e inflamação.

Segundo a bióloga Eline Slagboom, estudos da área podem ajudar a determinar a chamada idade biológica. “A idade do calendário não diz muito sobre o estado geral da saúde de idosos: um velho de 70 anos pode ser saudável, enquanto outro pode estar sofrendo com doenças”, afirmou Slagboom, em comunicado.

As previsões feitas por meio da coleta de sangue estavam mais corretas do que as que são feitas com técnicas mais convencionais, como somente medir pressão arterial e colesterol. Os pesquisadores, no entanto, alertam para o fato da necessidade de continuar o estudo, ainda mais porque só foi analisado um grupo étnico e ainda fica difícil aplicar os resultados a indivíduos específicos em situações diárias.

Galileu

 

FOTOS: Cientistas desenvolvem traje robótico que ajuda a correr e caminhar

Versátil, o traje robótico apresentou bons resultados tanto na esteira, quanto em ambientes externos Foto: Wyss Institute at Harvard University

Uma equipe de pesquisadores das universidades de Harvard (EUA), Nebraska (EUA) e Chung-Ang (Coréia do Sul) desenvolveu um traje robótico que pode ajudar pessoas em reabilitação a correr e andar . A novidade foi anunciada na edição desta sexta-feira da revista “Science”. Até hoje, cientistas só haviam conseguido fabricar vestes que auxiliavam a caminhar ou trotar, mas nenhum equipamento jamais conseguiu as duas coisas de maneira eficiente.

Era muito difícil conciliar as duas atividades em um mesmo aparelho porque elas têm biomecânica fundamentalmente diferentes. A única coisa em comum é a extensão da articulação do quadril, que começa quando os pés tocam o chão e requer energia para levar o corpo adiante. O novo traje ajuda especificamente este movimento. Feito de componentes têxteis, a veste de cerca de 5 quilos é usada na cintura e nas coxas. Além disso, um pequeno sistema nas costas carrega um algorítimo que consegue identificar se o usuário está andando ou correndo.

Após testes realizados em esteiras, a equipe de pesquisadores demonstrou que o traje robótico reduz os custos metabólicos de andar em 9,3% e de correr em 4%.

Detalhes sobre o funcionamento do traje robótico que auxilia caminhada e corrida Foto: Science Magazine

“Nós estamos empolgados em ver que o aparelho também teve boa performance em subidas, em diferentes velocidades e durante testes em ambientes abertos, o que mostrou a versatilidade do sistema”, afirmou Conor Walsh, líder do projeto, a uma publicação da universidade de Harvard. “Embora as reduções metabólicas encontradas sejam modestas, nosso estudo mostra que é possível ter um equipamento robótico portátil para mais de uma atividade, ajudando a pavimentar o caminho para que esse tipo de tecnologia se torne comum na vida das pessoas”.

O traje foi desenvolvido para a Agência de Projetos de Pesquisa Avançadas em Defesa (DARPA, em inglês) e é o ápice de anos de pesquisa e de otimização de outros equipamentos desenvolvidos pela equipe. Uma versão anterior para as articulações do quadril e do tornozelo já havia sido fabricada, e uma versão médica do traje, focada em sobreviventes de acidentes vasculares cerebrais já está disponível nas lojas americanas e europeias.

O Globo

 

Cientistas desenvolvem ‘língua artificial’ para detectar uísque falso

Foto: (OlegEvseev/Getty Images)

Consumidores de uísque: saibam que não adianta balançar a garrafa para ver se ela faz espuma ou mesmo jogar o líquido no pão e observar a cor depois. Nenhum desses truques pode garantir se a bebida é verdadeira ou falsa, até porque existem diversos tipos diferentes de falsificações, com vários métodos. Detectar uísque falso é como emagrecer – não tem mágica, só ciência.

E, agora, cientistas escoceses deram uma mãozinha para esse trabalho: eles desenvolveram uma “língua artificial” que explora propriedades do ouro e do alumínio para identificar diferenças sutis entre bebidas alcoólicas com 99% de precisão. Os pesquisadores das universidades de Glasgow e Strathclyde relataram sua descoberta em um artigo publicado na revista britânica Nanoscale, da Academia Real de Química.

“Nós chamamos isso de língua artificial porque ela age de forma semelhante a uma língua humana – como nós, não consegue identificar as substâncias químicas individuais que tornam o sabor do café diferente do do suco de maçã. Mas pode facilmente diferenciar um do outro”, disse, em comunicado, o principal autor do estudo, Alasdair Clark.

A língua artificial é composta por 2 milhões de “papilas gustativas” – quadrados de ouro e alumínio com 100 nanômetros de lado, 500 vezes menores do que as papilas humanas. Dependendo do produto químico que entra em contato com elas -como diferentes tipos de bebida, por exemplo-, os metais que formam as papilas passam a rebater a luz de maneira distinta, gerando reflexos com comprimentos de onda específicos. É o que os cientistas chamam de “ressonância plasmônica”.

Traduzindo para termos menos técnicos, cada líquido dá origem a sua própria “impressão digital” de medidas. Ou seja, ao estabelecer um padrão de medidas para um tipo específico de uísque, é possível compará-lo com a impressão digital de outros líquidos, assim detectando se é o mesmo ou não. Essa técnica é tão apurada que é capaz até de averiguar a diferença de idade entre bebidas iguais vindas de safras diferentes.

Para testar o dispositivo, a equipe encharcou-o em sete uísques de malte diferentes – incluindo amostras de Glen Marnoch, Glenfiddich de 12 e 18 anos e Laphroaig de 10 anos. Os resultados das pesquisas se mostraram 99,7% corretos.

Clark também afirmou que essa tecnologia pode ser incorporada a um dispositivo pequeno e portátil, e que ela possui uma ampla gama de aplicações além do uísque – desde a identificação de venenos até o monitoramento ambiental dos rios. Infelizmente, os apreciadores da bebida ainda não podem comemorar: os pesquisadores não deixaram claro quando, e se, o gadget chegara às prateleiras.

Super Interessante

Cientistas criam lente de contato que dá zoom

(Andrea Lopez / EyeEm/Getty Images)

Habilidades robóticas dignas de filmes como “Exterminador do Futuro” parecem estar mais próximas dos humanos. Um estudo publicado esta semana na Advanced Functional Materials apresentou um protótipo de lentes de contato que permitem dar zoom em determinados objetos.

As lentes são bem fáceis de usar: o indivíduo deve piscar duas vezes seguidas para dar zoom e repetir o mesmo procedimento para voltar à visão normal. Isso só é possível devido à diferença de potencial elétrico entre a parte da frente e de trás do globo ocular. O olho tem um campo elétrico que pode ser medido quando realizamos determinados movimentos, como olhar para a esquerda, direita ou piscar.

O que o protótipo faz é identificar os sinais elétricos do movimento (no caso, as duas piscadelas) e traduzi-lo no zoom. As lentes são feitas de um material flexível parecido com o cristalino — a parte do olho responsável pelo foco. Ao receber os sinais, as lentes são capazes de mudar de forma para alterar sua distância focal em até 32%.

Mas antes de começar a se imaginar com um olho biônico, é bom saber que por enquanto o protótipo só funciona em conjunto com eletrodos colados nas têmporas do paciente (e convenhamos que a maioria das pessoas não quer sair de casa parecendo a Eleven de Stranger Things). São eles que captam os sinais elétricos, mas terão que ser substituídos por aparelhos menores ou incorporados à própria lente antes que ela esteja disponível ao público.

Essa não é a primeira vez que a ciência desenvolve “lentes inteligentes”. Em 2013, pesquisadores criaram uma lente de contato que também era capaz de dar zoom somente com uma piscada — a diferença é que o usuário precisava usar um óculos eletrônico por cima dela, anulando um dos principais propósitos da lente de contato: ser discreta.

Ainda mais recentemente, uma pesquisa realizada pela Universidade de Stanford criou óculos que ajustam o foco automaticamente usando apenas o movimento do olhar do usuário. O inconveniente, mais uma vez, é que eles não são muito discretos — parecem mais um headset de realidade aumentada. Se você quiser continuar saindo de casa sem chamar muita atenção, é melhor se contentar com os óculos e lentes normais por enquanto.

Super Interessante

Cientistas estudam forma de “curar” o envelhecimento e encaram período como uma doença que pode ser tratada

A CIÊNCIA DA VIDA ETERNA (ILUSTRAÇÃO: PEDRO CORRÊA)

Um dos mitos da Grécia Antiga, que remonta a 700 a.C., conta a história de amor de Eos, a deusa do amanhecer, e Titono, irmão mais velho do rei de Troia. Eos se apaixonou por Titono e pediu a Zeus que concedesse a ele a imortalidade dos deuses. Mas se esqueceu de pedir eterna juventude. Titono viveu por anos a fio, definhando, esquecido pela própria Eos, que o trancou em um quarto escuro até que, finalmente, ele se transformou em uma cigarra.

Alguns milênios depois, a longa busca da humanidade pela vida e juventude eternas ganha, pela primeira vez, contornos científicos. No Vale do Silício, pesquisadores têm tentado unir medicina e tecnologia para encontrar maneiras de nos fazer viver mais e mais jovens, encarando o envelhecimento como uma causa para as tantas doenças associadas a ele e, portanto, passível de tratamento ou mesmo cura.

“Depois de assegurar níveis sem precedentes de prosperidade, saúde e harmonia, e considerando nossa história pregressa com nossos valores atuais, as próximas metas da humanidade serão provavelmente a imortalidade, a felicidade e a divindade”, escreveu Yuval Harari em Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã, best-seller publicado no Brasil em 2016 pela Companhia das Letras. “Reduzimos a mortalidade por inanição, a doença e a violência; objetivaremos agora superar a velhice e mesmo a morte”, sentencia o professor de História da Universidade Hebraica de Jerusalém.

O primeiro laboratório biomédico dos Estados Unidos dedicado inteiramente a pesquisar o envelhecimento foi criado em 1999 em Novato, na Baía de São Francisco, a poucos quilômetros do Vale do Silício. Com a missão de acabar com as doenças relacionadas à passagem do tempo, o Instituto Buck acredita que é possível as pessoas aproveitarem a vida aos 95 anos tanto quanto o faziam aos 25.

“Nesses anos de pesquisa, chegamos a duas conclusões: a primeira é de que podemos mudar o ritmo do envelhecimento em animais, modificando a genética e a alimentação”, diz o geneticista Gordon Lithgow, chefe de pesquisas no instituto. “A segunda é que o processo de envelhecimento é um gatilho — ou mesmo uma causa — para as doenças crônicas em idade avançada.” A grande hipótese, segundo Lithgow, é que a medicina talvez esteja olhando para as doenças crônicas associadas ao envelhecimento da forma errada — e, se conseguirmos reverter ou retardar o processo, talvez seja possível proteger o corpo dos danos causados por ele.

Além do Buck, laboratórios como o Calico e o Unity Biotechnology têm como objetivos explícitos “resolver a morte” e “combater os efeitos do envelhecimento” e são financiados pelos bilionários Sergey Brin e Larry Page, fundadores do Google, Jeff Bezos, da Amazon, e Peter Thiel, do PayPal. Mas é a Fundação SENS, criada em 2009 pelo cientista da computação inglês Aubrey de Grey, entre outros nomes, que desperta as maiores polêmicas na comunidade científica.

Na visão de Aubrey de Grey, de 56 anos, o envelhecimento deve ser tratado como um fenômeno simples, e nosso corpo visto como uma máquina ou uma engenhoca que pode ser consertada. “O motivo de termos carros que ainda rodam após cem anos é o fato de eliminarmos os estragos antes mesmo de as portas caírem. O mesmo vale para o corpo humano”, afirma o britânico em entrevista à GALILEU.

Para desenvolver o modelo que chama de SENS, sigla para Strategies for Engineered Negligible Senescence (estratégias para engenharia de uma senescência negligenciável, em tradução livre), ele olhou para os principais processos que levam ao envelhecimento conhecidos hoje: perda e degeneração das células; acúmulo de células indesejáveis, como de gordura ou senescentes (velhas); mutações nos cromossomos e nas mitocôndrias; acúmulo de “lixo” dentro e fora das células, o que pode causar problemas em seu funcionamento; ligações cruzadas em proteínas fora da célula, que podem gerar perda de elasticidade no tecido em questão.

Para De Grey, basta tratar cada um desses itens e pronto: nossos problemas de saúde que surgem com a idade acabariam — quase tão simples quanto aplicar e remover um filtro do FaceApp, aplicativo que se tornou febre nas redes sociais nas últimas semanas, com um algoritmo que faz uma simulação fotográfica da aparência que poderemos ter quando mais velhos. “Não haveria limite, assim como não há limite para os carros funcionarem. Morreríamos somente de causas que não têm a ver com quanto tempo atrás nascemos. Impactos de asteroides, acidentes etc.”, diz.

Esse é um trecho da reportagem de capa da edição de agosto de 2019 da GALILEU, que já está nas bancas.

Cientistas criam curativo que usa temperatura corporal para acelerar cicatrização

(Wyss Institute / Harvard University/Divulgação)

Limpar e proteger feridas da maneira correta pode ser crucial para evitar que elas piorem. Antes, as tentativas limitavam-se a cuidar bem dos machucados: lavar a região com água e sabão, colocar um curativo e esperar cicatrizar.

Mas esses cuidados com as feridas evoluíram, e os chamados “curativos inteligentes” viraram moda. Alguns deles, como os que usam impulsos elétricos para acelerar a cicatrização, ainda estão sendo testados em laboratório; outros, mais simples, já foram até usados em guerras. Agora, cientistas da Universidade Harvard adicionaram outro modelo à lista: o curativo que usa o calor corporal para acelerar a cicatrização.

Batizados de AADs (active adhesive dressings, ou curativos adesivos ativos), eles são feitos de hidrogel elástico e acumulam uma lista de vantagens: aderem bem à pele, são mais resistentes, antimicrobianos e sensíveis ao calor.

De acordo com os pesquisadores, que detalharam a invenção na revista científica Science Advances, os AADs se contraem quando estão em contato com a pele e podem fechar feridas significativamente mais rápido que outros métodos, além de prevenir a proliferação de bactérias sem a necessidade de qualquer outro medicamento.

Os cientistas defendem, ainda, que os curativos não são úteis apenas para ferimentos superficiais, mas funcionam também em tecidos internos, como o coração – e podem servir para levar medicamentos e até ajudar em terapias que usam robótica médica (algo que você pode entender melhor lendo este texto da SUPER).

Segundo os pesquisadores, a invenção foi inspirada na pele de embriões humanos (fetos), que é capaz de se curar completamente sem formar tecido cicatricial. Em português: a partir do momento em que saímos do útero, precisamos passar por um longo processo de cicatrização para fechar uma ferida. Esse ritual todo (que você pode ler em detalhes aqui) geralmente envolve combate a inflamações e a formação de uma cicatriz. Nos embriões, no entanto, o papo é outro: suas células conseguem produzir fibras da proteína actina, que faz a pele se contrair rapidamente para unir as bordas da ferida antes da formação de cicatriz – como se fosse uma “mochila sendo fechada”, na metáfora dos cientistas.

Com o objetivo de imitar esse mecanismo, os pesquisadores adicionaram à fórmula do hidrogel usado no curativo um polímero conhecido como PNIPAm. Ele tem como característica repelir moléculas de água e encolher a uma temperatura de 32 ºC (mais ou menos a da pele humana). O novo hidrogel híbrido, assim, consegue contrair quando exposto à temperatura corporal. O material é capaz de transmitir a força dessa contração ao tecido da pele, que também se contrai, fazendo com que a ferida se feche mais rápido.

Até agora, testes realizados em peles de animais foram um sucesso. “O AAD aderiu à pele de porco com mais de dez vezes a força adesiva de um Band-Aid e impediu o crescimento de bactérias, por isso esta tecnologia já é significativamente melhor do que os produtos de proteção de ferimentos mais usados, mesmo antes de considerar suas propriedades de fechamento da ferida”, disse Benjamin Freedman, um dos autores do estudo, em comunicado. Em testes com ratos, as feridas ficaram 45% menores com o uso dos ADDs. “Esperamos realizar outros estudos pré-clínicos [em laboratório] para demonstrar o potencial do AAD como um produto médico, e então trabalhar para colocá-lo no mercado”.

Super Interessante

Cientistas criam primeiro ‘líquido magnético’, que pode revolucionar a medicina

A nova descoberta permite atacar as células doentes de forma mais eficaz. (Getty Images)

A ciência nunca tinha criado um material que fosse ao mesmo tempo líquido e com propriedades magnéticas.

Agora, um grupo de cientistas do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley (mais conhecido como Berkeley Lab), nos EUA, conseguiu combinar as duas coisas em um material – e as possíveis aplicações são inúmeras.

A equipe, liderada pelos cientistas Tom Russell e Xubo Liu, usou uma impressora 3D modificada para criar a substância.

A pesquisa “abre a porta para uma nova área na ciência da matéria branda magnética”, disse Russell, que é professor de ciência de polímeros e engenheiro da Universidade de Amherst, em Massachussets, nos EUA.

Em termos concretos, a substância pode provocar uma verdadeira revolução em campos como a medicina e a robótica.

As gotas líquidas magnéticas podem ser guiadas por meio de ímãs externos – o que permitiria “guiar”, do lado de fora, medicamentos dentro do corpo humano. Este procedimento permitiria combater melhor doenças específicas – como o câncer, por exemplo.

No campo da robótica, o novo material permitiria a criação de máquinas mais ágeis.

“Esperamos que a partir desta descoberta as pessoas encontrem ainda mais aplicações. Já que, dentro da ciência, nunca se pensou que isto fosse possível”, disse Russell.

Precedentes

Na década de 1960, a agência espacial dos EUA, a Nasa, começou a empregar substâncias chamadas de “ferrofluidos” – líquidos que reagiam ao estímulo de forças magnéticas.

Hoje, os ferrofluidos são usados para amortecer impactos em alguns tipos de autofalantes e os discos rígidos de computadores.

O problema é que eles são incapazes de manter o seu magnetismo quando os imãs que os estimulam são removidos.

E esta é a principal vantagem da nova criação dos americanos do Berkeley Lab, ligado ao Departamento de Energia do governo dos EUA.

Como a nova substância foi obtida?

Para criar o magnetismo, os cientistas do Berkeley Lab primeiro produziram algumas gotas de uma solução de ferrofluido que também continha nanopartículas de óxido de ferro.

Depois, usaram técnicas atômicas avançadas e uma bobina magnética, fizeram com que as nanopartículas de óxido de ferro assumissem o formato de “pequenas conchas maciças”. Uma vez que o estímulo magnético era retirado, estas “conchinhas” continuavam gravitando umas em torno das outras de forma uníssona. Ou seja, as gotículas de ferrofluido tinham se tornado magnéticas de forma permanente.

Os cientistas também comprovaram que estas “gotas” mantinham suas propriedades atrativas mesmo depois de serem divididas até o tamanho de um “pelo humano”.

Outras propriedades dessas gotas incluem a mutação de suas formas para se adaptar a qualquer ambiente e a possibilidade de “ativar e desativar o modo magnético”.

Uma vez que as fundações foram lançadas, a pesquisa continuará com a impressão 3D de fluidos magnéticos mais complexos, como células ou robôs em miniatura que podem se mover com fluidez para transportar medicamentos para células doentes dentro do corpo humano.

BBC Brasil

 

Cientistas descobrem composto que mata bactérias super-resistentes; entenda a importância

Foto: (rudigobbo/Getty Images)

As superbactérias não usam capas e nem salvam inocentes, como os super-heróis. Se elas fossem ser representadas nos quadrinhos, usariam uniforme de vilão – e estão se tornando os microorganismos mais perigosos para a saúde humana, pois são extremamente difíceis de matar. Se nada for feito, estima-se que em 2050 as infecções por bactérias resistentes sejam mais letais mais do que o câncer.

É por isso que os pesquisadores se esforçam para desenvolver novas alternativas para combater problema. Cientistas da Universidade de Sheffield desenvolveram um composto que age em bactérias gram-negativas resistentes a antibióticos convencionais. Um exemplo é a E. coli, que habita no intestino humano e pode causar diarréias e outros sintomas.

Mas por que é tão difícil atingir essas bactérias?

Imagine que você contraiu uma doença. Ao relatar os sintomas ao médico, ele descobre que se trata de uma infecção bacteriana. Você compra o antibiótico receitado e começa o tratamento. Simples. Mas e se parte dessa população de bactérias for imunes ao próprio composto que deveria matá-las? O material genético altamente adaptável das bactérias torna essa possibilidade mais provável do que gostaríamos.

É a velha história da seleção natural: o medicamento mata a maioria das bactérias, mas sobram algumas que possuem uma mutação genética que permite sua sobrevivência. Elas se reproduzem e geram várias outras com a mesma mutação. Ao longo dos anos, esse processo se repete diversas vezes, fazendo com que os remédios tradicionais não produzam mais efeito.

As bactérias gram-negativas são as mais difíceis de matar. A dificuldade está em atravessar a membrana celular: ela é bem mais complexa, com grande quantidade de aminoácidos e lipídios impedindo que uma substância externa interaja com o micróbio.

Justamente por isso, o novo composto, chamado complexo Ru(II), foi desenvolvido para romper e destruir a membrana celular de cada uma dessas bactérias. Segundo os cientistas, é a primeira vez em quase dez anos que uma nova droga promissora contra as gram-negativas é apresentada. Mas, por enquanto, ela é só candidata a medicamento – primeiro, vai precisar passar por longas baterias de testes clínicos, para verificar se ela é totalmente segura e efetiva, como acontece com todo remédio.

A Organização Mundial da Saúde considera a resistência bacteriana uma das principais ameaças à saúde. A busca por novos tratamentos às bactérias gram-negativas é prioridade número 1 segundo a organização.

A partir de 2050, as projeções indicam que mais de 10 milhões de pessoas morrerão por ano devido a infecções bacterianas. Isso é mais do que o câncer mata anualmente hoje em dia — 8,2 milhões.

O crescimento das superbactérias se dá devido ao abuso dos antibióticos atuais. Uma pesquisa recente mostrou que vários rios no mundo já apresentam concentrações muito elevadas de antibióticos — bem acima do que é considerado seguro.

Isso não se dá somente pelos antibióticos consumidos pelas pessoas – mas, principalmente, pelas doses cavalares de antibióticos usadas em animais de fazenda ao redor do mundo. Tudo isso contribui para a seleção natural das bactérias mais resistentes. Grande parte do problema é a habilidade de evolução da bactéria quando exposta a pequenas quantidades de antibióticos. Os resquícios de medicamentos na carne que consumimos e nos rios são suficientes para as bactérias fazerem a festa.

O novo composto pretende ajudar a responder a esse problema, pelo menos para parte dos microorganismos resistentes. Os estudos mostraram que o Ru(II) possui diferentes modos de ação, assim fica mais difícil que as bactérias se tornem resistentes a todos eles. O próximo passo é testar esses mecanismos em outras gram-negativas super resistentes.

Super Interessante

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. #Lula Na Cadeia sempre disse:

    Já sei ….é só juntar 1/2 dúzias de PTralhas que eles quebram , destroem ou roubam TUDO

Cientistas criam 1º ser vivo com DNA 100% reescrito e sintetizado em laboratório

(Rodolfo Parulan Jr/Getty Images)

Nada de super humanos ou afins. O primeiro ser vivo com o DNA criado 100% em laboratório é uma bactéria. O novo micróbio é fruto de dois anos de pesquisa da Universidade de Cambridge, os resultados foram publicados no periódico científico Nature. Ele é bem parecido com outras bactérias da sua espécie, mas é capaz de sobreviver com um código genético simplificado.

A bactéria que carrega o DNA sintetizado em laboratório é da espécie Escherichia coli, normalmente encontrada no solo e no intestino humano. Após a modificação, ela pode ajudar a criar novos medicamentos ou se tornar resistente a vírus. Mas no que, exatamente, os cientistas mexeram para deixá-la assim? E mais: o que exatamente queremos dizer com “código genético simplificado”?

É o seguinte: o DNA de um organismo possui toda a informação necessária para construir e operar seu corpo. Essa informação é codificada em sequências de quatro moléculas, identificadas pelas letras A, T, C e G.

Cada gene é o manual de instruções para produzir uma determinada proteína. E as proteínas, por sua vez, são cadeias de moléculas menores chamadas aminoácidos. Cada aminoácido é identificado por uma sequência de três letrinhas de DNA: as letrinhas CTT, CTC e CTA correspondem à leucina, por exemplo. Essas sequências de três letrinhas são chamadas “códons”. Há 64 códons, mas só 20 aminoácidos, de maneira que há mais ou menos três códons para cada aminoácido. Um gene nada mais é do que uma fila de códons.

Os pesquisadores removeram alguns desses códons e substituíram por outros que fazem o mesmo trabalho. Eles fizeram mais de 18 mil edições desse tipo. No final, um organismo que tinha 64 códons ficou com 61. E o mais surpreendente: ele sobrevive mesmo assim. As redundâncias foram eliminadas, mas tudo continua normal.

As alterações no código genético não foram feitas no DNA da própria bactéria: os cientistas criaram um DNA completamente novo em laboratório e substituíram as moléculas originais pela versão com o upgrade.

A bactéria recebeu o nome de Syn61 — uma junção da palavra síntese com o seu novo número de códons. Por ter um DNA tão diferente do normal, os vírus podem ter dificuldade para infectar a bactéria.

O Escherichia coli é utilizado na produção de insulina para diabetes e medicamentos para o tratamento de câncer, esclerose múltipla e ataques cardíacos. Quando um vírus infecta uma cultura bacterial dessas, a produção inteira precisa ser jogada fora.

Essa é a primeira vez que os cientistas conseguem alterar e sintetizar um DNA tão grande. Em 2010, a bactéria Mycoplasma mycoides foi a primeira a ter seu genoma sintetizado. Ao contrário da E. coli, seu DNA era bem menor e não foi redesenhado.

Super Interessante

Cientistas encontram cocaína em camarões de rio

(Ricardo Lima/Getty Images)

O camarão é uma fonte de proteínas, vitamina B12, ômega-3 e… cocaína? Pois é. Os pesquisadores da King’s College, em Londres, encontraram resquícios da droga em camarões da área rural da Inglaterra. Mas não precisa se preocupar: a quantidade é muito pequena para deixar qualquer um alterado.

A pesquisa foi publicada na revista Environment International e analisou a vida selvagem de cinco rios do condado de Suffolk, no sudeste do Reino Unido. O objetivo era estudar a exposição dos animais à micropoluentes.

Foram encontrados diversos tipos de químicos, pesticidas e fármacos, mas a surpresa foi a presença de drogas ilícitas nos camarões da espécie Gammarus pulex, típica de rios da região. “Esperávamos encontrar esse tipo de resquício em grandes centros urbanos, como Londres, mas nunca em áreas rurais” disse Leon Barron, um dos autores do estudo.

A cocaína foi encontrada em todas as amostras dos animais, mas em concentrações muito pequenas. A descoberta desperta a preocupação dos cientistas com relação à poluição dos rios. Medicamentos, drogas e produtos químicos contém uma grande variedade de compostos prejudiciais ao meio ambiente e colocam a vida selvagem em risco.

Segundo Nic Bury, professor da Universidade de Suffolk e coautor do estudo, a saúde ambiental vem ganhando atenção devido às consequências das mudanças climáticas e poluição de plásticos. Por outro lado, a poluição “invisível” dos químicos acaba passando batida, mas merece tanta atenção quanto os outros tipos de contaminação.

Mais pesquisas são necessárias para saber se esse é um caso exclusivo de Suffolk ou se ele abrange o mundo inteiro. Até lá, pode ficar tranquilo quando for comprar camarão no supermercado — inclusive se ele for importado da Inglaterra.

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OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. José disse:

    Pronto! Daqui a pouco estará todo mundo louco.

Cientistas criam madeira transparente que pode substituir o vidro; além de deixar passar luz, novo material tem maior resistência e ajuda a estabilizar a temperatura do ambiente

FOTO: (AMERICAN CHEMICAL SOCIETY/Reprodução)

É difícil imaginar uma janela feita de qualquer coisa que não seja vidro. Mas um novo material translúcido desenvolvido por pesquisadores do Instituto Real de Tecnologia (KTH), na Suécia, pode substituí-lo com vantagens: a madeira transparente. Segundo seus criadores, ela é mais resistente e isola melhor o calor do que o vidro.

Os cientistas suecos desenvolveram um processo que remove a lignina, molécula que estrutura a parede celular das células da madeira – e também absorve a luz. Isso já resultou numa madeira transparente. Depois, os pesquisadores acrescentaram acrílico à mistura, para reduzir a dispersão da luz. Esse trabalho prévio foi realizado em 2016 e apontou o caráter promissor do material. Para investigar como aprimorá-lo ainda mais, a equipe incluiu recentemente a substância PEG, o polietilenoglicol, polímero que agregou excelentes características térmicas ao composto.

Graças ao PEG, o calor de um dia ensolarado é armazenado na janela, mantendo o interior mais fresco que o exterior nas horas de Sol. Já quando anoitece, acontece o processo inverso: o polímero se solidifica e libera o calor para dentro da casa. É uma forma de garantir que o ambiente se mantenha com uma temperatura estável e agradável.

A madeira transparente não é biodegradável, pois contém acrílico. Mas os pesquisadores acreditam que esse material possa ser substituído por outro polímero natural. Isso tornaria o novo material uma opção melhor, do ponto de vista ecológico, do que o vidro, o plástico e o concreto. O próximo passo é desenvolver processos para tornar a produção viável em escala industrial – o que, segundo os suecos, deve ocorrer nos próximos cinco anos. Se vingar, essa solução inovadora tem boas chances de se tornar uma tendência na arquitetura.

Super Interessante

 

Nova Inteligência Artificial é tão avançada que cientistas a consideram perigosa

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL DA OPENAI, O GPT-2, PODE GERAR TEXTOS INTELIGENTES FALSOS (FOTO: OPENAI/REPRODUÇÃO)

Um grupo de cientistas da computação desenvolveu uma Inteligência Artificial (IA) tão avançada que foi considerada perigosa demais para ser lançada ao público. A OpenAI, organização sem fins lucrativos sediada em São Francisco, nos Estados Unidos, disse que seu sistema de previsão de linguagem, o GPT-2, será lançado em versão reduzida por causa de “preocupações com aplicativos maliciosos”. Isso porque o modelo do computador, que gera parágrafos originais de texto com base no que é dado a ele para “ler”, é bom demais no seu trabalho.

O sistema inventa “amostras de texto sintético de qualidade” que os pesquisadores dizem ser tão avançadas e convincentes que a IA poderia ser usada para criar perfis falsos de pessoas públicas, escrever fake news e até abusar e enganar os usuários das mídias sociais.

“O GPT-2 é treinado com um objetivo simples: prever a próxima palavra, considerando todas as palavras anteriores em algum texto”, explicou a OpenAI em seu blog. Para alimentar o GPT-2, os cientistas permitiram que a IA absorvesse dados de oito milhões de páginas da web. Com base nessas informações, a tecnologia pode gerar parágrafos sobre vários temas, como celebridades e mudanças climáticas.

Eis alguns exemplos. Alerta humano: “Miley Cyrus foi pega roubando na loja Abercrombie e Fitch em Hollywood Boulevard”. Resposta do GPT-2: “A cantora de 19 anos foi vista pela câmera sendo levada para fora da loja por seguranças. Ela usava um moletom de capuz preto com a frase ‘Blurred Lines’ na frente e ‘Fashion Police’ nas costas”.

Outro alerta humano: “A reciclagem é boa para o mundo”. Resposta GPT-2: “Reciclar não é bom para o mundo. É ruim para o meio ambiente, é ruim para a saúde e é ruim para a economia. Não estou brincando. Reciclar não é bom para o meio ambiente. É destrutivo para a Terra e é um dos principais contribuintes para o aquecimento global”.

“Como mostram os exemplos acima, nosso modelo é capaz de gerar amostras a partir de uma variedade de solicitações que se aproximam da qualidade humana e mostram coerência com uma página ou mais de textos”, afirmaram os pesquisadores. “No entanto, observamos vários modos de falha, como texto repetitivo, erros científicos (por exemplo, o modelo já citou incêndios ocorrendo embaixo d’água) e troca de assuntos de forma não natural.”

A OpenAI declarou que o modelo de linguagem é capaz de gerar texto escalável, personalizado e coerente que pode ser usado para propósitos maliciosos. “As descobertas, combinadas com resultados anteriores em imagens sintéticas, áudio e vídeo, implicam que as tecnologias estão reduzindo o custo de gerar conteúdo falso e realizar campanhas de desinformação”, escrevem os cientistas. “Devido a preocupações em relação a modelos de linguagem serem usados ​​para gerar informações enganosas, tendenciosas ou abusivas em larga escala, estamos lançando apenas uma versão menor do GPT-2 junto com o código de amostragem.”

“As regras pelas quais você pode controlar a tecnologia mudaram radicalmente”, disse Jack Clark, diretor de políticas da empresa, ao The Guardian. “Não estamos dizendo que sabemos a coisa certa a fazer; não estamos estabelecendo a linha e dizendo ‘este é o caminho’. Estamos tentando construir a estrada enquanto viajamos nela.”

Galileu

 

Cientistas transformam excrementos humanos em biocombustível renovável; solução resolveria problemas como falta de saneamento básico e energia

(FOTO: FLICKR / SARAHC1973)

Um grupo de cientistas da Universidade Ben-Gurion do Neguev, em Israel, desenvolveu um método para converter excrementos humanos em um tipo de biocombustível renovável. De acordo com eles, a solução poderia ser utilizada para resolver problemas como falta de saneamento básico e energia.

Em estudo publicado no periódico científico Journal of Cleaner Production, os pesquisadores explicam que processo se chama “carbonização hidrotermal” e consiste no aquecimento dos dejetos em três temperaturas diferentes (180ºC, 210ºC e 240ºC) por períodos de 30, 60 e 120 minutos.

O calor esteriliza os excrementos humanos e os converte em uma substância sólida rica em carbono chamada hidrochar, que é segura e pode ter diferentes aplicações, desde aquecimento até fertilizante rico em nutrientes.

“Os excrementos humanos são considerados perigosos por seu potencial de transmitir doenças”, afirmou Amit Gross, pesquisador do Departamento de Hidrologia e Microbiologia Ambiental da Universidade Ben-Gurion, em anúncio.

“Ao mesmo tempo que é rico em matéria orgânica, com nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio, os dejetos humanos também contêm micropoluentes que podem causar problemas ambientais se não forem descartados ou reutilizados de forma correta.” Para o cientista, o método que desenvolveu com seus colegas resolveria esses dois problemas.

No Brasil

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), os dois principais biocombustíveis líquidos usados no país são o etanol da cana-de-açúcar e o biodisel de óleos vegetais e gorduras animais. Por volta de 45% da energia e 18% dos combustíveis consumidos no Brasil são renováveis.

Apesar de crescer no âmbito dos biocombustíveis, o país ainda tem dificuldades em lidar com o saneamento básico: dados recentes do Instituto Trata Brasil mostram que 55% dos excrementos são despejados na natureza, o equivalente a 5,2 bilhões de metros cúbicos.

O país tem como meta universalizar serviços de saneamento até 2030.

Galileu

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. zezualdo disse:

    Lei da Conservação da Massa, aplicada à escatologia.